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Tecnologia que “lê o cérebro”: China projeta uso público em até cinco anos

8 de Março de 2026, 16:36

A tecnologia de Interface Cérebro-Computador (BCI), que permite a comunicação direta entre o cérebro e máquinas, deve chegar ao uso prático pela população entre três e cinco anos.

A previsão é de Yao Dezhong, diretor do Instituto de Ciências do Cérebro de Sichuan, em entrevista à Reuters durante as reuniões anuais do parlamento chinês em Pequim.

Imagem; H_Ko/Shutterstock

O governo da China elevou essa tecnologia ao status de indústria estratégica central em seu novo plano de cinco anos, colocando-a ao lado de áreas como inteligência artificial, 6G e fusão nuclear.

Avanços e testes clínicos

A China é o segundo país a iniciar testes humanos invasivos (com chips implantados). Atualmente, existem mais de 10 testes ativos no país, mesmo número registrado nos Estados Unidos. A meta para este ano é recrutar mais de 50 pacientes em todo o país para novas pesquisas.

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Resultados de testes recentes mostram o impacto prático da tecnologia:

  • Pacientes com paralisia e pessoas com membros amputados recuperaram parte da mobilidade.
  • Voluntários conseguiram operar mãos robóticas e cadeiras de rodas inteligentes apenas com comandos cerebrais.

O mercado e o apoio do governo

Para acelerar o acesso, o governo chinês já incluiu alguns tratamentos de BCI no seguro médico nacional em algumas províncias piloto. Segundo a consultoria CCID, o mercado interno deve movimentar 5,58 bilhões de yuans (cerca de 809 milhões de dólares) até 2027.

De acordo com Yao Dezhong, o país possui vantagens competitivas no setor, como:

  • Grande demanda de pacientes devido à enorme população.
  • Cadeia industrial com custos acessíveis.
  • Grande quantidade de talentos nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM).

China vs. Neuralink

Embora empresas americanas como a Neuralink, de Elon Musk, foquem em chips que penetram no tecido cerebral, os pesquisadores chineses trabalham em diferentes frentes: modelos invasivos, não invasivos e semi-invasivos.

Os modelos semi-invasivos são colocados na superfície do cérebro. Eles podem perder um pouco da qualidade do sinal, mas reduzem riscos como danos aos tecidos e complicações pós-cirúrgicas.

Apesar de reconhecer a vantagem técnica da Neuralink — que usa um robô para inserir centenas de eletrodos no cérebro em minutos —, Yao afirma que a China está progredindo rapidamente. Segundo o especialista, a direção seguida por Musk já é basicamente alcançável dentro do cenário doméstico chinês.

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BYD vê vendas caírem 36% e perde terreno para rivais chineses

5 de Março de 2026, 10:42

A BYD, gigante global na fabricação de veículos elétricos, registrou uma queda de cerca de 36% nas vendas combinadas de janeiro e fevereiro de 2026, mesmo após ajuste para o impacto do feriado de Ano Novo Chinês, que ocorreu em meados de fevereiro. A retração indica que a liderança da empresa no mercado de elétricos da China está se estreitando, enquanto outras montadoras locais registraram crescimento nas vendas no mesmo período.

As vendas conjuntas de janeiro e fevereiro da Leapmotor alcançaram 60.126 unidades, representando um aumento de 19% em relação ao ano anterior. A Xiaomi vendeu mais de 59.000 unidades, um salto de 48% na comparação anual. Já a Nio e a Zeekr, da Geely, tiveram crescimento expressivo, com aumento aproximado de 77% e 84%, respectivamente. Por outro lado, a Xpeng apresentou a maior queda, com 35.267 entregas, uma redução de cerca de 42%, enquanto a Li Auto teve leve recuo de quase 4%, totalizando 54.089 unidades.

geely
Marcas de veículos da Geely registraram crescimento expressivo (Imagem: Pavel Shlykov / Shutterstock.com)

Cenário competitivo e liderança da BYD

A redução da liderança da BYD indica um mercado chinês de veículos elétricos mais equilibrado, com ofertas concorrentes se tornando mais atraentes. Segundo Leon Cheng, chefe da área de mobilidade da consultoria YCP, “a liderança da BYD é real, mas está diminuindo. Uma reversão completa é improvável no curto prazo, mas a compressão da participação doméstica é a direção atual”. Entre 2024 e 2025, a empresa detinha cerca de 26% a 34% do mercado de veículos de nova energia, mas concorrentes como Geely e Leapmotor avançaram principalmente no segmento médio, foco principal da BYD.

Estratégias de mercado e exportações

Concorrentes chineses têm buscado agregar valor às suas ofertas mantendo preços competitivos, prática conhecida como involução. O SUV YU7 da Xiaomi foi o veículo de passageiros mais vendido na China em janeiro, superando o Tesla Model Y em mais que o dobro de unidades.

Xiaomi YU7
Veículo da Xiaomi superou o Tesla Model Y na China em mais que o dobro de unidades (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Para enfrentar a competição doméstica, a BYD tem ampliado sua atuação em mercados internacionais. Em fevereiro, pela primeira vez, as exportações da empresa superaram suas vendas internas. Cheng afirma que “as exportações são o amortecedor da BYD — vendas externas acima de 1 milhão de unidades em 2025 não podem ser igualadas por rivais puramente domésticos”.

No mercado interno, a empresa deve lançar novos produtos ainda em 2026, com destaque para novas baterias e recursos de assistência avançada ao motorista, seguindo estratégias anteriores que impulsionaram a demanda sem gerar guerra de preços.

Incentivos e desafios no mercado chinês

Apesar do crescimento de alguns concorrentes, o mercado chinês de elétricos enfrenta demanda mais lenta, parcialmente devido à reintrodução do imposto de compra de 5% sobre veículos de nova energia, anteriormente isentos da taxa de 10%. Segundo Abby Tu, analista da S&P Global Mobility, essa mudança representa um acréscimo significativo no custo para o consumidor e pode reduzir a demanda por novos veículos elétricos.

Algumas montadoras têm buscado estimular a procura interna com opções de financiamento atrativas, como empréstimos com juros reduzidos ou nulos por períodos prolongados, estratégia adotada por empresas como Tesla e Xiaomi.

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Diferenciação e nichos de mercado

Com a concorrência aumentando, a diferenciação se torna um desafio. Algumas montadoras buscam nichos em segmentos de luxo, enquanto a BYD tenta manter sua posição ajustando portfólio de produtos e explorando mercados externos, ao mesmo tempo em que prepara lançamentos domésticos para reforçar sua competitividade.

Logo da BYD em close em um carro
BYD aposta em ajustar o portfólio de produtos e explorar mercados externos para manter sua posição (Imagem: LewisTsePuiLung / iStock)

O cenário mostra um mercado de elétricos chinês em transformação, com disputas acirradas e estratégias variadas para capturar consumidores em um momento de crescimento desigual e ajuste de incentivos fiscais.

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Documento diz que Brasil tem base militar chinesa; Ministério da Defesa vai se explicar

4 de Março de 2026, 22:01

Um relatório do Comitê Seleto sobre o Partido Comunista Chinês da Câmara dos Representantes dos EUA aponta que a China opera ou possui acesso a várias instalações espaciais na América Latina com potencial militar. E o Brasil está na lista.

O documento cita a “Estação Terrestre de Tucano“, apresentada, da mesma forma que as demais citadas, como projeto civil e científico. Contudo, congressistas estadunidenses a veem com capacidade de uso duplo, ou seja, também podendo servir ao exército chinês.

Explicações

Com a exposição do relatório, o Ministério da Defesa foi convocado para dar explicações à Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) sobre o que seria a Estação Terrestre de Tucano.

  • Nesta terça-feira (3), o CREDN aprovou requerimento de informação destinado à Defesa, de autoria do presidente do Colegiado, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL/SP);
  • Segundo o presidente, “o relatório do Comitê Seletivo do Congresso dos EUA sobre Competição Estratégica entre os EUA e o Partido Comunista Chinês analisa como a República Popular da China está expandindo sua infraestrutura espacial na América Latina, usando projetos civis e comerciais como fachada para fortalecer a Consciência de Domínio Espacial (CDE) do Exército de Libertação Popular”;
  • “Considerando as implicações sensíveis que o tema acarreta para a segurança do Estado e a integridade do território nacional, impõe-se o pleno esclarecimento dos fatos pelo Ministério da Defesa”, prosseguiu.

Estação Terrestre de Tucano e relatório dos EUA

No relatório, são apontadas 11 instalações ligadas à China no Brasil, Argentina, Venezuela, Bolívia, Chile e outros. Tucano foi estabelecida em acordo realizado em 2020 como um projeto entre a startup brasileira Ayla Nanossatélites e a chinesa Beijing Tianlian Space Technology.

Não se sabe a localização exata da estação, apenas que se encontra na região de Salvador (BA). No relatório estadunidense, é descrito o laboratório conjunto de radioastronomia em Serra do Urubu, concebido em 2025 após acordo entre Instituto de Pesquisa em Comunicação de Redes de Ciência e Tecnologia Elétrica da China (CESTNCRI) e universidades federais de Campina Grande (UFCG) e Paraíba (UFPB).

A Beijing Tianlian é vinculada à Academia Chinesa de Tecnologia Espacial e à China Aerospace Science and Technology Corporation, do governo. Ambas são chaves do programa espacial da China.

Além disso, a falta de informações concisas sobre o uso da estação preocupa os congressistas, que apontam risco de uso para fins militares. Na documentação oficial, o que a estação faz é apoiar satélites de observação da Terra e comunicações espaciais.

O relatório indica que a Beijing Tianlian fornece comunicações de voz e dados entre satélites e o planeta, inclusive para missões tripuladas e satélites desenvolvidos para reconhecimentos. A Alya declarou que a estação daria suporte à constelação de satélites comerciais Alya-1, que observa a Terra.

Os congressistas estadunidenses dão conta de que o acordo entre as empresas prevê troca e armazenamento de dados operacionais por meio de suas redes de antenas interligadas. Eles entendem que essa conexão aumentaria a cobertura de órbitas polares e equatoriais e, por consequência, a capacidade de rastreamento de satélites.

Os parlamentares entendem, ainda, que essa combinação é capaz de aprimorar a “consciência situacional espacial”, o que envolve monitoramento e rastreamento de objetos espaciais.

Dessa forma, diz o documento, seria possível contribuir para inteligência militar, orientação de mísseis e acompanhamento de ativos estrangeiros. Além disso, há uma citação a uma parceria entre Alya e o Departamento de Ciência e Tecnologia da Força Aérea Brasileira (FAB) como apoio à Tucano.

Assim sendo, o comitê entende que essa ligação é uma integração sensível entre a estação em si e estruturas de defesa do Brasil. Ele recomenda que o governo dos EUA reavalie sua cooperação espacial com países que detenham infraestrutura da China e limite a expansão dessas estruturas no hemisfério ocidental.

O relatório aponta ainda que bases, como Tucano, podem aumentar a capacidade chinesa de vigilância e possível interferência em sistemas espaciais de nações consideradas adversárias por Pequim.

Humberto Barbosa, coordenador do Laboratório de Processamento de Imagens de Satélite (Lapis) da Universidade Federal de Alagoas, diminuiu a importância do relatório. “Está muito claro hoje que, pelo nível de desenvolvimento tecnológico que esses dois países [Estados Unidos e China] alcançaram, não há qualquer necessidade de uma base fixa localizada em uma área extremamente fácil de ser rastreada e de fácil espionagem“, afirmou ao UOL.

Não imagino um chinês colocando sua tecnologia, principalmente na área militar e com equipamentos sofisticados, em uma área tão vulnerável como o Brasil. Isso é uma piada, não dá nem para levar a sério e mostra o nível de um grupo muito específico nos Estados Unidos que ainda traz esse tipo de discussão”, prosseguiu.

Apesar da preocupação estadunidense, não há provas públicas de uso militar dessa base. Inclusive, o próprio texto admite que as instalações são apresentadas como civis e comerciais e que as suspeitas são originárias da análise de capacidades técnicas e vínculos institucionais com a área espacial da China, operada com políticas de integração civil-militar.

Mapa com indicação da localização das supostas bases militares chinesas
Mapa com indicação da localização das supostas bases militares chinesas (Imagem: Reprodução/The Select Committee on the Chinese Communist Party)

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O que dizem as citadas

A Alya Space alegou, em nota, que atua junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e à União Internacional de Telecomunicações (UIT) e nega ter envolvimento com atividades militares ou de vigilância estratégica. Lembrou, ainda, que sua atuação é inteiramente civil e alinhada à Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU).

Leia a nota na íntegra:

A Alya Space é uma empresa brasileira do setor espacial, sediada em Salvador (BA) e fundada no final de 2019, dedicada ao desenvolvimento de soluções espaciais sustentáveis voltadas ao monitoramento ambiental, análise territorial e apoio à tomada de decisão estratégica por meio do uso responsável da tecnologia espacial.

A empresa está desenvolvendo uma constelação e possui as licenças de operação expedidas pela UIT (União das Nações para telecomunicações – Genebra) para o lançamento de 216 satélites em órbita baixa da Terra, destinada à geração de imagens de alta resolução e dados analíticos aplicados a áreas como agricultura sustentável, resiliência climática, energia e gestão ambiental.

Atualmente, suas atividades concentram-se em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e provas de conceito tecnológicas, etapa necessária à construção segura e estruturada de um projeto espacial de longo prazo, com operação comercial ativa prevista para 2027.

A conformidade regulatória é um dos pilares centrais da Alya Space. A empresa conduz seus processos em estrita observância às legislações brasileiras e internacionais aplicáveis, atuando junto à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para licenciamento de radiofrequências e coordenação internacional junto à União Internacional de Telecomunicações (UIT), onde obteve o status de operadora de satélites e autorização para uso orbital de sua constelação, seguindo rigorosamente as normas vigentes em todas as etapas do projeto.

Como parte de sua estratégia, a Alya Space participa de iniciativas internacionais voltadas ao uso sustentável do espaço e à cooperação tecnológica global, alinhando suas atividades à Agenda 2030 das Nações Unidas, especialmente ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 17, que promove parcerias internacionais para o desenvolvimento sustentável.As interpretações que associam a empresa a atividades secretas de vigilância estratégica ou aplicações militares não refletem sua atuação. A Alya Space opera sob princípios estritamente civis, comerciais e alinhados às legislações nacionais e internacionais aplicáveis.

A empresa permanece à disposição das autoridades, parceiros institucionais e da sociedade para quaisquer esclarecimentos adicionais, reiterando que todas as suas atividades são conduzidas dentro dos marcos legais vigentes e orientadas ao desenvolvimento sustentável da economia espacial e ao benefício coletivo da humanidade.

Alya Space, em nota

O Olhar Digital entrou em contato com o Ministério das Relações Exteriores (por conta de se tratar de um assunto que envolve atores estrangeiros), com o Ministério da Defesa (responsável pela FAB e chamado pela CREDN para dar explicações) e com o Ministério da Ciência, Tenologia e Inovações (que cuida do programa espacial brasileiro). Assim que obtivermos um retorno, atualizaremos esta reportagem.

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