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Egressa da UFRGS traduz obra do antropólogo Darcy Ribeiro para o mandarim

6 de Abril de 2026, 11:45

Um dos mais importantes livros sobre a formação do Brasil ganhará novos leitores do outro lado do mundo pelas mãos de uma egressa da UFRGS. Formada pelo Programa de Pós-Graduação em Letras e hoje docente da Universidade de Comunicação da China, Yan Qiaorong é a tradutora da edição em mandarim de “O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil,” obra clássica do antropólogo Darcy Ribeiro.

Ao longo da carreira, Yan, ou Silva, como era chamada no Brasil, tem se dedicado ao ensino de língua portuguesa, à tradução sino-portuguesa e aos estudos de comunicação voltados ao Brasil. Ela conta que a tradução de O Povo Brasileiro oferece ao público chinês uma compreensão profunda e multidimensional do Brasil, indo muito além dos estereótipos do futebol e do samba. A obra, escrita por um dos mais importantes pensadores brasileiros do século XX, permite ao leitor chinês entender a formação social, os conflitos internos e o espírito da nação brasileira. “Do ponto de vista acadêmico, preenche uma lacuna nos estudos latino-americanos na China, com a oferta de um quadro teórico fundamental para a antropologia, a sociologia e a história. Para o diálogo entre civilizações, a análise de Darcy Ribeiro sobre a miscigenação e a inclusão cultural serve como um modelo valioso para a China refletir sobre sua própria diversidade étnica e caminhos de modernização”, argumenta.

Conforme a ex-aluna da UFRGS, a edição chinesa, com 472 páginas, preserva o vigor crítico do original, com notas explicativas e um estudo introdutório detalhado, permitindo ao leitor chinês compreender a lógica histórica e os desafios contemporâneos do Brasil. O lançamento do livro, neste mês de abril, é fruto, segundo ela, de mais de um ano de dedicação. “Num contexto de aprofundamento da parceria estratégica entre China e Brasil, a obra fortalece o entendimento mútuo, reduz mal-entendidos e enriquece a base humana e cultural da cooperação bilateral”, resume.

Silva (terceira da esquerda para a direita) na defesa do mestrado na UFRGS, em 2008. Foto: Divulgação

Recordações da UFRGS

Silva defendeu a dissertação “De práticas sociais a gêneros do discurso: uma proposta para o ensino de português para falantes de outras línguas” em 2008. “Na época, havia apenas três universidades na China que ensinavam português, e havia grande carência de professores e materiais didáticos”, relembra. Ela também confessa que sente saudades do período em que cursou o mestrado no Campus do Vale. “Lembro-me com carinho do Xerox, da Lanchonete Antônio, das salas de aula, da pequena sala de professora que tive na Faculdade, onde ensinava mandarim no curso de extensão, da cantina sempre com fila grande e dos cachorros que tomavam conta das sobras de comida”, recorda, ao exaltar a amizade com a orientadora Margarete Schlatter, o professor Pedro Garcez, bem como os colegas da época.

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