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Comissão da Memória e da Verdade realiza audiência pública com técnicos da UFRGS

21 de Maio de 2026, 16:42

Três técnicos aposentados da UFRGS participam, no dia 28 de maio, da segunda audiência pública promovida pela Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós. Os técnicos são Jussara Rosa Cony, Décio Aloísio Schauren e Alcides José de Almeida Neto. A atividade ocorre a partir das 18h30, na Sala II do Salão de Atos (Av. Paulo Gama, 110 – Campus Centro). O evento é aberto ao público.

A audiência pública faz parte dos trabalhos que a Comissão vem realizando a fim de apurar práticas de vigilância, perseguição, repressão e resistência ocorridas no ambiente universitário durante a ditadura imposta ao Brasil em 1964. Na primeira audiência, em 28 de novembro de 2025, a comissão acolheu os testemunhos de Dilza de Santi, Henrique Finco e João Ernesto Maraschin, três ex-estudantes da UFRGS que tiveram suas vidas pessoais e profissionais significativamente afetadas pela repressão.

Jussara Rosa Cony é técnica-administrativa aposentada e trabalhou nas faculdades de Medicina e de Farmácia da UFRGS. Décio Aloísio Schauren, também técnico-administrativo aposentado, atuou nos departamentos de Pessoal e de Relações Internacionais e no Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFRGS. O terceiro participante, o técnico-administrativo aposentado Alcides José de Almeida Neto, trabalhou nos institutos de Biociências (IBio) e de Ciências Básicas da Saúde (ICBS) da UFRGS.

Comissão da Memória e da Verdade

A Comissão da Memória e da Verdade Enrique Serra Padrós tem como missão “reunir, produzir e disponibilizar registros relativos às violações de Direitos Humanos que aconteceram na UFRGS entre 1964 e 1988”, assim como “estabelecer marcos de memória que evidenciem este processo”, conforme consta na Portaria que a instituiu em 9/12/2024.

O trabalho da CMV está centrado em dois eixos: o eixo documental, que examina conjuntos documentais da Universidade, e o eixo dos testemunhos, que realiza entrevistas com pessoas de alguma forma afetadas pelas práticas da ditadura na UFRGS.

O nome da Comissão é uma homenagem ao professor Enrique Serra Padrós, que atuou no Departamento de História do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) da UFRGS. Padrós, que morreu em 2021, dedicou sua trajetória acadêmica à pesquisa sobre ditaduras de Segurança Nacional na América Latina.

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UFRGS recebe evento Língua Indígena Viva no Direito

29 de Abril de 2026, 17:29

O Centro Cultural da UFRGS foi o cenário de um marco para o direito e a preservação das línguas originárias no Brasil na quarta-feira, 29 de abril. A Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e o Programa Língua Indígena Viva no Direito (LIVD) realizaram o evento que validou a tradução da Constituição Brasileira e de tratados internacionais para a língua Kaingang, garantindo que esses textos agora possam ser lidos e compreendidos no idioma original desse povo.

A iniciativa, financiada pela Advocacia-Geral da União (AGU) e pelos Ministérios dos Povos Indígenas e da Justiça, teve como propósito central democratizar o acesso à informação jurídica. A língua Kaingang é o terceiro idioma originário mais falado no país. Ao adaptar pilares do ordenamento jurídico para o idioma, o programa busca fortalecer o diálogo entre as comunidades e o sistema judiciário, assegurando que direitos fundamentais sejam compreendidos a partir da própria cosmologia indígena. Para o pró-reitor de Ações Afirmativas e Equidade Alan Alves Brito, a medida é uma ferramenta para combater o racismo nas esferas institucional, epistemológica e linguística. “A tradução de documentos críticos é fundamental para o fortalecimento da democracia no país, por meio do reconhecimento e da preservação cultural”, afirmou.

A programação foi aberta com um ritual de dança conduzido pela comunidade Kaingang e contou com representantes das entidades relacionadas ao projeto. Durante a cerimônia, foi exibido um documentário sobre os bastidores do projeto, detalhando o processo de construção coletiva dos textos. Ao final do encontro, os participantes receberam exemplares impressos da terceira parte da Constituição Federal traduzida. O evento encerrou uma etapa técnica do programa LIVD.

O projeto, que se estendeu por 14 meses, teve como base a aldeia Kógunh Mág, em Canela, e seguiu rigorosamente o preceito de Consulta Livre, Prévia e Informada. Para Ademir Garcia, estudante de Direito na UFRGS e bolsista do projeto, a validação pelas lideranças representou um passo essencial de soberania. A tradução contou com a coordenação técnica e comunitária de Fernando Gomes, presidente da ADICUCA, e do cacique Mauricio Ven-Tahn Salvador, que mediaram o desafio de adaptar termos jurídicos complexos à língua ancestral.

Fotos: Amanda Casartelli/Secom

Texto: Izadora Hypólito, Acadêmica de Jornalismo

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