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Received today — 19 de Agosto de 2026UFRGS

Estudante da UFRGS conclui graduação em Física durante experiência no CERN, na Suíça

18 de Agosto de 2026, 10:25

A curiosidade sobre como as coisas funcionam em uma escala cada vez mais elementar levou Allan Ferreira, de 24 anos, a escolher a Física como carreira. Natural de Montenegro, no Rio Grande do Sul, o estudante iniciou o bacharelado na UFRGS em 2022 e, quatro anos depois, concluiu a graduação durante uma experiência internacional na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN, da sigla em francês), na Suíça, um dos principais centros mundiais de pesquisa em física de partículas.

Desde o primeiro semestre, quando passou a residir em Porto Alegre, Allan atua na área de Física Experimental de Partículas, sob orientação do professor César Bernardes e junto ao Grupo Experimental da Colaboração CMS (Solenoide Compacto de Múons). Ao longo da graduação, participou de formações em escolas, eventos científicos e apresentou trabalhos de pesquisa em diferentes oportunidades. A experiência acumulada contribuiu para que fosse selecionado para o programa do CERN, concorrendo com cerca de 3 mil candidatos de diversos países. “Como o Centro fica situado bem na fronteira entre a Suíça e a França, minha rotina acaba sendo meio engraçada: estou hospedado em um hotel em Saint-Genis-Pouilly, na França, e o escritório onde atuo fica na parte suíça do CERN (em Meyrin). Todo dia pela manhã, atravesso a fronteira e fico trabalhando em meu projeto e, ao fim da tarde, retorno ao hotel. À noite, costumo sair para algum lugar em Saint-Genis ou Genebra, e nos fins de semana livres, viajo para outras localidades na Suíça ou na França”, resume Allan ao relatar que está na Europa desde o fim de maio e ficará até o final de agosto.

Experiência que amplia a formação

Para Allan, que não pôde participar da formatura que aconteceu há poucos dias no Salão de Atos da UFRGS, o período no CERN está permitindo conhecer de perto uma realidade que até então fazia parte de seus objetivos acadêmicos: trabalhar exclusivamente com pesquisa em um dos maiores laboratórios de Física do mundo. O recém-formado conta que participou do processo seletivo em 2025, mas não foi aprovado. Porém desta vez deu tudo certo. “Essa é minha primeira experiência no exterior, e muitas coisas são completamente diferentes de tudo que estou acostumado no Rio Grande do Sul, mas, por outro lado, é engraçado perceber que tem coisas que funcionam do mesmo jeito, tanto em Porto Alegre quanto em Genebra. Sinto que me desenvolvi muito como pesquisador no tempo que passei aqui e tenho certeza de que é um baita diferencial no currículo”, reflete, ao revelar que os custos de passagens, seguro-saúde, hospedagem e auxílio financeiro são custeados pelo CERN.

Gustavo Gil da Silveira, professor do Instituto de Física da UFRGS e líder do Grupo Experimental da Colaboração CMS (GECMS), ressalta a importância da conquista de Allan. Segundo ele, a estadia dos estudantes no CERN representa uma oportunidade valiosa para que recebam treinamento técnico avançado e adquiram conhecimentos que poderão ser aplicados diretamente nas atividades de pesquisa desenvolvidas no Instituto de Física. “Como muitos deles já estão envolvidos em atividades de análise de dados ou de desenvolvimento de software para o experimento CMS no CERN, grande parte do aprendizado adquirido durante esse período retorna para a Universidade e é incorporada aos seus Trabalhos de Conclusão de Curso ou projetos de pesquisa de mestrado”.

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