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UFRGS inicia construção do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2027-2036

22 de Abril de 2026, 13:48

Nesta quarta-feira, dia 22 de abril, começou oficialmente o processo de construção do Plano de Desenvolvimento Institucional da UFRGS para os anos de 2027 a 2036. Como forma de compartilhar o processo com a comunidade acadêmica e com a sociedade, a abertura dos trabalhos aconteceu por meio de uma live de lançamento com a participação da reitora Marcia Barbosa, do pró-reitor de Planejamento e Administração, Diogo Joel Demarco, e da diretora do Departamento de Gestão Integrada (DGI/Proplan), Gabriela Musse Branco. O vídeo segue disponível para consulta no Youtube, com acessibilidade na Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A reitora Marcia Barbosa se disse empolgada com o processo: “Vamos identificar onde a UFRGS está, para onde quer ir e como fará para chegar lá”, resumiu, apontando que o instrumento deve contemplar os grandes temas da instituição e também os desafios do mundo atual para “construirmos a Universidade do amanhã”. A reitora também destacou importância de escutar as pessoas no processo de elaboração, indicando que haverá momentos de consulta interna, mas também outros momentos em que qualquer cidadão poderá participar com indicações e propostas, por meio de um canal aberto para “a construção coletiva com base em evidências”, apontou.

Para Diogo Demarco, o plano será o orientador das tomadas de decisão da Universidade: “relacionamos cada uma das ações da instituição com as definições do PDI. Será um instrumento para construir a visão de futuro”, ressaltou. Para ele, será preciso identificar quais são os desafios acadêmicos, administrativos e de gestão, tendo em vista a elaboração de diretrizes para o enfrentamento das questões: “O desafio é pensar a Universidade para os próximos 10 anos. Pensar o ‘amanhã’ não como data, mas como um futuro próximo em que a UFRGS vai construir seus caminhos”.

Gabriela Branco enfatizou que o Plano é uma elaboração tendo como perspectiva a UFRGS que se espera em 10 anos: “Não é planejamento de uma Unidade, da reitoria ou de grupos, mas são grandes direcionamentos e decisões que vão impactar no futuro”. Sobre o trabalho prático, a diretora do DGI indicou que estão previstas consultas presenciais e virtuais, conforme calendário que já está disponível no site do PDI . Segundo ela, a previsão de conclusão é 30 de dezembro deste ano, quando o plano elaborado será encaminhado para aprovação no Conselho Universitário.

Durante a apresentação, os participantes responderam a dúvidas encaminhadas. A reitora respondeu a uma das perguntas que a indagava sobre o que enxerga, desde já, como temas que merecem direcionar os debates do PDI. Segundo Marcia Barbosa, merecem destaque: combater a disseminada queda de interesse pelo Ensino Superior e priorizar medidas de permanência de estudantes, temas do mundo acadêmico. Mas também ressaltou que a Universidade deve se preocupar com a ampliação da participação nos grandes temas, como sustentabilidade e desenvolvimento e na luta contra os ataques ao conhecimento.

Futuro da Universidade

O processo de construção do PDI conta um comitê técnico e uma comissão de elaboração, com a adesão de estudantes, docentes e técnicos. Informações complementares podem ser consultadas no site do PDI; eventuais dúvidas devem ser encaminhadas para o e-mail pdi@ufrgs.br.

Principal instrumento de planejamento institucional das universidades federais, o PDI está previsto no Decreto nº 9.235/2017. Com horizonte de dez anos, o documento estabelece diretrizes, objetivos estratégicos e prioridades que orientam a gestão acadêmica e administrativa. A construção do futuro exige planejamento, diálogo e participação. Nessa perspectiva, mais do que um documento técnico, o PDI impacta diretamente a vida da comunidade universitária, influenciando decisões relacionadas ao ensino, à pesquisa, à extensão, à infraestrutura e às políticas institucionais.

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Aldo Mellender de Araújo recebe título de professor emérito da UFRGS

26 de Março de 2026, 13:15

Possivelmente, quando o jovem estudante Aldo Mellender de Araújo ingressou no curso de graduação em História Natural na UFRGS, em 1962, não imaginou que ali começava, nos espaços desta Universidade, uma vida feliz dedicada à pesquisa e ao ensino que soma mais de 60 anos e ainda prossegue, mesmo após a aposentadoria, embalada pelo entusiasmo que caracteriza os grandes pesquisadores e professores. Essa longa e rica trajetória teve seus marcos lembrados com emoção e leveza na cerimônia do Conselho Universitário desta quinta-feira, 26 de março, de outorga do título de professor emérito a Aldo, proposto pelo Instituto de Biociências e aprovado no ano passado (Parecer 174/2025 e Resolução 225/2025). Colegas e ex-colegas, alunos e ex-alunos, amigos e familiares estiveram presentes na sessão presidida pelo vice-reitor Pedro Costa, acompanhado na mesa pelo homenageado, pela diretora do Instituto de Biociências Livia Kmetzsch e pela professora Karen Luisa Haag, oradora da cerimônia.

Aldo Mellender de Araújo graduou-se em História Natural em 1967 e em 1973 doutorou-se em Genética (com uma tese em Genética Humana – “Estrutura Populacional e Malformações Congênitas na População de Porto Alegre”), também pela UFRGS. Esse começo na pesquisa foi lembrado por ele na cerimônia, quando contou como conquistou a oportunidade de, em 1965, atuar como estudante de iniciação científica no então Laboratório de Genética sob orientação do professor Francisco Mauro Salzano (também professor emérito da UFRGS, falecido em 2018). Aldo revelou que ao final da entrevista de seleção Salzano lhe disse: “acho que vamos nos dar muito bem”. De fato, os dois pesquisadores tornaram-se colegas e amigos.

Depois do doutorado, Aldo optou por dedicar-se ao tema da Evolução Biológica e foi para a Universidade de Liverpool fazer pós-doutorado em Genética Ecológica, uma área emergente da biologia nos anos de 1970. Desse período no Reino Unido, Aldo guarda boas lembranças, não só das atividades das pesquisas de campo, mas também das pessoas que conheceu. Na sua fala na cerimônia, fez questão de compartilhar algumas dessas vivências. Nos anos 90, Aldo ampliou sua atuação, dedicando-se também ao estudo de história e filosofia da ciência e vindo a criar um grupo interdisciplinar de estudos nessa área na UFRGS. Sua produção científica ao longo de todos esses anos está presente em publicações nacionais e internacionais e são referência para pesquisadores.

A caminhada e os feitos da carreira do homenageado desde a década de 1960 até o presente foram lembrados pela oradora em seu discurso (acesso à integra do discurso neste link), mas a professora Karin preferiu enfatizar as lições que a longa convivência como aluna, orientanda e colega com Aldo lhe proporcionou. Ela listou ensinamentos que extrapolam a genética: todas as pessoas têm o mesmo valor no espaço do pensamento científico; a qualidade do pensamento científico exige pausas, silêncio e tempo de elaboração; devemos ser cuidadosos com os modismos científicos; e o ceticismo necessário não significa conservadorismo intelectual. Ao elencar essas lições, Karin disse que Aldo soube combinar as qualidades para formar pensadores críticos e que ela teve o privilégio de ser formada intelectualmente por ele. Por fim, afirmou que Aldo ensinou novos pesquisadores a “como estar na ciência: com rigor, com humildade, com liberdade intelectual e com humanidade”.

Ao usar a palavra, Aldo fez uma fala informal e agradecida, evidenciando uma imensa satisfação pelo que construiu e continua a construir na UFRGS, na ciência e na vida. “Desde meu primeiro dia na UFRGS, em 1962, me senti feliz na Universidade”, afirmou.

O vice-reitor Pedro Costa salientou a importância de cerimônias de outorga de título de professor emérito, que, segundo ele, são ritos formais que são também reveladores do que significa construir uma universidade e fazer ciência, algo que envolve colaboração e redes de pessoas. Pedro agradeceu a dedicação de Aldo à UFRGS: “momentos como esse só são possíveis com trajetórias como a sua”.

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Magnífica emérita

12 de Março de 2026, 15:01

A Sala dos Conselhos ficou lotada na manhã desta quinta-feira, 12 de março, para a sessão solene do Conselho Universitário (Consun) de outorga do título de professora emérita a Wrana Panizzi. No espaço em que por dois mandatos como reitora da UFRGS (1996-2004) presidiu as sessões do Consun, Wrana foi muito aplaudida por colegas, amigos, familiares e comunidade acadêmica, que a reconhecem como pesquisadora, professora, articuladora de lutas importantes e gestora que deixou grande legado para a UFRGS, para a pesquisa e o ensino superior brasileiros, para o debate de políticas públicas e para a construção de cidades mais justas.

A diretora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Eliane Constantinou conduziu a homenageada à Sala, e a secretária do Consun, Rosemeri Antunes, fez a leitura da Resolução 286 do Consun, de 26 de setembro de 2025, que aprovou o Parecer nº 185/2025, recomendando a outorga do título. O parecer enumera as realizações e constribuições de Wrana ao longo de uma trajetória de mais de cinco décadas marcada pela excelência acadêmica, pelo compromisso social e pela liderança institucional. O longo documento resgata o início dessa caminhada, na Universidade de Passo Fundo, onde Wrana graduou-se em Filosofia (1970) e em Direito (1972). Em 1977 obteve o título de mestre em Planejamento Urbano e Regional na UFRGS, e, em 1979, concluiu uma pós-graduação na França obtendo a Especialização em Urbanisme et Aménagement. Também na França, em 1984, obteve o título de Docteur de III Cycle en Urbanisme et Aménagement pela Universidade de Paris XII. Posteriormente, obteve um segundo doutorado, em Science Sociale, pela Universidade de Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), em 1988. O parecer destaca ainda as muitas homenagens e premiações que Wrana recebeu no Brasil e no exterior em reconhecimento a sua atuação no meio acadêmico e na sociedade. Suas relexões críticas e sua produção intelectual socialmente engajada estão documentadas em diversos livros e em artigos em periódicos nacionais e internacionais. As obras escritas por Wrana Panizzi e lançadas pela Editora da UFRGS estão disponíveis em acesso aberto. A iniciativa da Editora, em parceria com a autora, reafirma o compromisso institucional da Universidade com a circulação pública do conhecimento e amplia o acesso à reflexão intelectual de uma das figuras mais relevantes da história recente da UFRGS. (Link para acesso às obras)

Eterna e magnífica professora Wrana

O discurso da oradora da cerimônia, a professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo Lívia Teresinha Piccinini, exalta não só a excelência da vida acadêmica de Wrana Panizzi, mas também seu engajamento desde muito jovem em lutas e debates relevantes do campo das políticas públicas e dos direitos humanos. Lívia Piccini lembrou importantes realizações de Wrana à frente da Reitoria, como a campanha pela recuperação dos prédios históricos da Universidade, que permenece ativa captando recursos que viabilizam a manutenção do patrimônio histórico da UFRGS. Sua fala destaca também a marca de um compromisso pessoal de Wrana com os estudantes e suas famílias: nas suas duas gestões como reitora compareceu em 522 formaturas de graduação. Por fim, Lívia parabenizou Wrana e disse que o reconhecimento à “eterna e magnífica professora Wrana” é justo e merecido por sua “carreira integralmente dedicada à educação, à pesquisa e ao serviço público, sempre em defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade”.

Wrana Panizzi abriu sua fala saudando nominalmente muitos parceiros e parceiras dessa longa caminhada na UFRGS, agradecendo e dividindo com toda a comunidade acadêmica a homenagem. Em seu discurso usou referências literárias e imensa sensibilidade para fazer um percurso afetivo da trajetória de uma professora: “quem aqui está é uma professora. Professora que fui e professora que sou”, afirmou. Ao refletir sobre o passado lembrou o quanto foi feliz na UFRGS, “casa que a acolheu por mais de 50 anos” e que agora lhe presta “a “maior homenagem que pode ser dada a um professor em sua instituição”. Falou sobre como nasceu a convicção pedagógica que a acompanha pela vida, que é da educação libertadora, “expressão maior da cidadania”. Mas Wrana fez questão de ir além das recordações do seu percurso profissional e acadêmico e manifestou-se com veemência contra as pressões neoliberais que atingem “nossas vidas no particular e nossas instituições no coletivo social”. A universidade, destacou, é brutalmente atingida: “A vida universitária sofre com as agruras do corte de recursos… e o seu orçamento se apequena no contexto em que prolifera o uso de emendas parlamentares.” Mas a universidade não se cala, disse ela, e “continua o seu fazer cotidiano de origem, produzindo conhecimento, formando profissionais qualificados, pesquisando e mantendo a sua relação extensiva ao território em que está inserida”. Wrana lembrou fatos recentes que mostram a dimensão da universidade como bem público, quando esteve mobilizada enfrentando a pandemia de covid-19, a enchente no Rio Grande do Sul em 2024 e agora em Minas Gerais, ou quando sinaliza a possível reversão de lesões de medula a partir das pesquisas da brasileira Tatiana Coelho de Sampaio na UFRJ com a polilaminina. No encerramento do discurso Wrana repetiu a mensagem que marcou sua gestão como reitora e que ainda ecoa por toda a UFRGS: “Viva a Universidade pública, gratuita e de qualidade!” (Link para o discurso de Wrana Panizzi)

“Magnífica emérita” – foi dessa forma a reitora Marcia Barbosa saudou a professora Wrana e disse compartilhar com a homenageada a visão sobre o problema das emendas parlamentares no orçamento público. Marcia convidou Wrana para seguirem juntas na luta por um sonho, que é o de “constituir um novo orçamento digno para as nossas universidades federais”.

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