João Antônio Pêgas Henriques recebe título de professor emérito da UFRGS
Foi realizada na manhã desta quinta-feira, 9 de julho, a sessão solene do Conselho Universitário de outorga do título de professor emérito da UFRGS a João Antônio Pêgas Henriques. O homenageado foi conduzido à sala dos Conselhos pela professora Lívia Kmetzsch, diretora do Instituto de Biociências (IBIO), unidade acadêmica na qual Henriques atuou na UFRGS. Compareceram à cerimônia, além de familiares, ex-alunos, colegas e amigos do homenageado, o ex-reitor Hélgio Trindade, professores e servidores técnico-administrativos eméritos e integrantes da Administração Central da UFRGS; a reitora da UFCSPA Jenifer Saffi; o diretor-presidente da FAPERGS, Odir Dellagostin; a diretora regional da UERGS, Ana Lúcia Kern; o diretor técnico-científico da FAPERGS, Rafael Roesler; e a diretora administrativa da FAURGS, Denise Coutinho.
O Parecer 025/2026 aprovado pelo Conselho Universitário destaca a rica trajetória acadêmica do professor Henriques, que ingressou na graduação em Farmácia e Bioquímica na UFRGS em 1967. Como estudante de graduação, Henrique foi bolsista de Iniciação Científica no Departamento de Biofísica e Fisiologia sob orientação de Eloy Julius Garcia, oportunidade que despertou seu desejo de ser pesquisador. Seguiram-se o mestrado em Biofísica na Universidade Federal do Rio de Janeiro; o doutorado em Ciências Naturais pela Université ParisSud XI, no Instituto Curie, na França; e o pós-doutorado na Goethe Universität Frankfurt am Main, na Alemanha. Antes de ingressar, em 1986, como professor titular na UFRGS, Henrique atuou como docente na Universidade Federal de Pernambuco. Ao longo da carreira, publicou cerca de 400 artigos científicos e orientou mais de uma centena de estudantes de iniciação científica, 84 mestres, 88 doutores e 16 pós-doutorados. É reconhecido internacionalmente por suas pesquisas para desvendar os mecanismos de dano e reparo do DNA. Na UFRGS, além de formar novos cientistas, ajudou a criar novos laboratórios, coordenou projetos de pesquisa inovadores e foi diretor do Centro de Biotecnologia, contribuindo para a qualificação técnica e tecnológica das pesquisas realizadas na Universidade. Henriques também teve destacada atuação em agências de fomento à pesquisa – FAURGS, FAPERGS, Capes e CNPq – e em outras instituições de ensino. Convicto que universidade, setor produtivo e governos podem e devem atuar juntos em prol da ciência e da inovação, Henriques também inspirou a criação de empresas de base tecnológica e, após sua aposentadoria na UFRGS em 2003, foi trabalhar em um laboratório internacional privado credenciado por órgãos oficiais brasileiros para dirigir processos de avaliação e licenciamento de produtos farmacêuticos. O homenageado coleciona prêmios e distinções e é membro Titular da Academia Brasileira de Ciêncuias desde 2006, além de ter sido o primeiro presidente da Sociedade Brasileira de Mutagênese, Carcinogênese e Teratogênese Ambiental.
Legado que inspira
O orador da cerimônia, professor Guido Lenz, usou em sua fala a analogia de uma floresta para dar a dimensão, a importância e a perenidade da contribuição de Henriques à ciência. Lenz apresentou a trajetória de Henriques destacando “as árvores mais frondosas dessa floresta”, especialmente os estudos sobre mutagênse, reparação do DNA e toxicologia genética. Lenz destacou também as redes de colaboração impulsionadas por Henriques e sua “visão moderna da atividade científica; uma ciência colaborativa, internacional, ousada, inovadora e empreendedora”. O discurso do orador menciona ainda a criação do laboratório Genotox na UFRGS na década de 1990, reconhecido centro de excelência na avaliação da segurança genética de medicamentos, pesticidas, produtos químicos e novas tecnologias segundo padrões internacionais de boas práticas de laboratório. Ao resumir o legado de Henriques, Lenz afirmou que o homenageado “ajudou a construir uma universidade melhor, uma ciência melhor e um país melhor”.
Emocionado ao agradecer o título, Henriques enfatizou que sua caminhada foi construída em conjunto com muita gente e que recebia a honraria com enorme gratidão e humildade. Henriques intercalou a leitura do discurso preparado previamente com uma conversa informal sobre passagens e episódios importantes dessa caminhada, nomeando muitas das pessoas que povoaram sua história e agradecendo a todos com os quais trabalhou. Salientou que a nunca enxergou a UFRGS apenas como um local de trabalho: “ela sempre foi parte da minha própria vida”, disse. “Foi aqui que vivi algumas das maiores alegrias da minha carreira. Foi aqui que enfrentei dificuldades. Foi aqui que construí amizades que atravessaram décadas”, acrescentou. Henriques encerrou afirmando que leva com ele a convicção de que tudo o que construiu foi possível graças à confiança, ao apoio e às oportunidades proporcionadas pela UFRGS.
A reitora Marcia Barbosa afirmou que o professor Henriques reúne as três qualidades necessárias para ser um emérito da Universidade: tem visão, coragem e resiliência. Segundo a reitora, a trajetória de Henriques evidencia isso: ele enxergou onde estavam as oportunidades para fazer ciência de fronteira, soube se adaptar às condições de pesquisa do Brasil, não se conformou em fazer mais do mesmo e buscou superar adversidades e obstáculos.
Links:
- Parecer 025/2026
- Discurso do orador Guido Lenz
- Discurso do professor emérito João Antônio Pêgas Henriques
Fotos: Ana Analícia Flores
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