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O “Capítulo Final” que não merece ser visto nos cinemas

7 de Abril de 2026, 13:35
Crédito: Lionsgate / Paris Filmes

Olá meus queridos, como estão vocês? Ai ai… Nem só de boas experiências vivem os amantes do cinema, não é mesmo? E ainda tem gente com a pachorra de dizer que o Cinema Nacional só tem filme ruim! Olha só que interessante: abrindo nossa lista de 2026 dos “filmes que te ofendem” não temos um filme nacional. Pega sua bebida favorita e vamos conversar sobre Os Estranhos: Capítulo Final (Paris Filmes, 2026).

Nesta ultima parte da trilogia, Maya terá de enfrentar novos perigos na conclusão de seu encontro com os assassinos mascarados. Desculpa gente, mas não tem muito o que falar na sinopse desse longa.

Verdade seja dita esse terceiro filme me ofendeu menos que o segundo. Isso quer dizer que é bom? Calma aí, não vamos exagerar! Caso você tenha perdido nossa conversa sobre o capítulo dois, vem dar uma conferida aqui. Mas ainda assim está longe de ser um bom filme.

Como comentei com meus colegas, precisa ter um ego muito elevado para olhar o filme de 2008, a produtora (Lionsgate) aceitar dividir em três e bater no peito “vou fazer algo muito melhor”. Por isso temos aqui, nitidamente, um exemplo de filme que não se importa com a obra original e só quer lucrar mais, contando a mesma história em três partes. É de uma prepotência sem tamanho.

O que, convenhamos, não é nenhuma novidade na indústria. Pegar uma obra que fez um grande sucesso na sua época e trazer em uma nova versão para os tempos atuais. Já fizeram isso com “A Múmia” (1932 e 1999), “Twister” (1996 e 2024), “O Beijo da Mulher Aranha (1985 e 2025)”, “O Morro dos Ventos Uivantes” (1939, 1992, 2009, 2011 e 2026), entre tantos outros. Mas, nesse caso aqui, conseguiram ir além. E não de uma forma positiva. Por isso que eu acho de uma prepotência enorme. É como se o diretor quisesse fazer “O Senhor dos Anéis” do terror.

Forçaram um “final épico”

Agora, sabe o que é mais engraçado? Ele realmente quer se desenvolver para ser um final épico. Mas não acontece! Você percebe pela trilha, que vai construindo os momentos do filme, criando um clima para algo grandioso. Mas aí vai para a atuação, para o roteiro e nada acontece. É muito vazio. Tudo é muito forçado.

Ah Thi, mas você não está exagerando? Gente, estamos falando de uma personagem que no primeiro filme levou uma facada. No segundo, ela foge constantemente dos assassinos ainda com direito a uma luta com um javali de computação gráfica. Nesse terceiro, para “justificar” (entre muitas aspas) os mais diversos ferimentos sofridos ao longo disso tudo, ela só anda mancando. Sem falar na maquiagem intacta, as unhas perfeitas com um esmalte dourado e o cabelo propositalmente dessarrumado.

É sério que ela quer se tornar uma final girl? Meu anjo, você jamais vai chegar aos pés de Sidney Prescott (franquia Pânico), Laurie Strode (Halloween) ou a Brenda Meeks (Todo Mundo em Pâncio).

Esses são só alguns exemplos da forçada de barra que esse “Capítulo Final” proporciona. Não é nem mais suspenção de descrença como o segundo. É colocar ela como “a grande sobrevivente”. São diálogos expositivos para contar os segredos da cidade, com personagens descartáveis e constantes voltas no tempo para explicar o que está acontecendo no presente. Uma produção feita para tirar dinheiro do público.

Ver no cinema é jogar dinheiro fora

Crédito: Lionsgate / Paris Filmes

Aqui eu vou me contradizer um pouco, porque na maioria das nossas conversas, meu intuito é despertar sua curiosidade para assistir as obras e podermos debater sobre. Não necessariamente tirarmos reflexões para as nossas vidas, mas até mesmo para saber se você achou interessante com o que fizeram no final de “Pânico 7”. Mas para “Os Estranhos: Capítulo Final” eu peço que vocês economizem o seu dinheirinho.

Não é algo que vale o seu ingresso, talvez o primeiro pela curiosidade de o que essa triologia vai fazer, mas os outros dois? Assiste em casa.

Definitivamente não foi uma homenagem ao original de 2008. É algo feito para a pessoa gastar com três idas ao cinema e nem se quer se divertir. Não sei vocês, mas tem filmes que sei que são ruins, mas é legal de assistir para matar tempo. É divertido, te entretém. Agora esses três, nem isso. Fiquei o tempo todo torcendo que pegassem ela logo pro filme acabar.

Sabe o que é pior? Se, daqui uns anos, alguém querer fazer uma nova versão, por mais boa que seja, vão ter um grande trabalho para fazer as pessoas esquecerem dessa triologia. E que acaba manchando a reputação do original.

Bem meus queridos, vou ficando por aqui. Se alguém for assistir esse filme (não diga que não avisei) vem conversar comigo depois. Um grande abraço! Thi.

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“E nesse país, quando é que não foi perigoso viver?” Leia a crítica de A Vida Secreta de Meus Três Homens

6 de Março de 2026, 15:00
Crédito: Embaúba Filmes

Como estão meus queridos, minhas queridas, nossos Dropzeiros de plantão! Hoje nossa conversa vai ser sobre algo que gosto muito: Cinema Nacional. Como é prazeroso assistir um longa brasileiro. Desde nossa última conversa, em “A Miss”, já assisti alguns outros filmes, desses um ou outro sobressaem. Agora quando é do nosso cinema, dificilmente vai ficar na caixinha do “mais do mesmo”.

Bem, sei mais delongas, se aconchega do lado daí e vamos conversar sobre “A Vida Secreta de Meus Três Homens” (Embaúba Filmes). Uma produção de Letícia Simões que nos leva a olhar para a vida de pessoas que passam pelas nossas vidas de uma forma diferente. O longa promove o encontro de três fantasmas, inspirados nas figuras do avô, do pai e do padrinho da cineasta, reunidos em torno da pergunta: como chegamos ao Brasil de hoje?

Cabine de imprensa virtual é “bom” pela comodidade de assistir em casa. Mas esse filme pede a imersão que a sala de cinema proporciona. É aquela produção que te convida a desconectar das coisas ao redor e viver essa experiência. A sensação é que em um piscar de olhos ele termina, mas consegue falar tanto em tão pouco tempo. Faz o uso de várias formas para se expressar, enquadramentos, animações, luz, fotografia. Mas – ao mesmo tempo – sem exageros, tudo é feito sob medida para que a mensagem não se ofusque.

Como é bom assistir uma produção “simples” mas extremamente bem feito! A premissa, até então comum de reunir as figuras masculinas da família da personagem e conhecer melhor suas histórias. E, com o passar os minutos, você entende que nada é tão simples assim. A vida não é simples.

Talvez as gerações atuais não tenham o costume de ter porta-retratos em casa. Hoje em dia é tudo tão virtual e tecnológico, que parece não ter sentido a pessoa ir a um estabelecimento revelar uma fotografia e colocar em um quadro. Para que, se não vai gerar visualizações, likes e engajamento? Quando criança, tenho a memória viva de ir na casa da avós, tios e ter várias fotos. Alguns eu reconhecia outros levantava o questionamento “quem é esse vô?”. Por sorte peguei esse costume também, isso é história, faz parte de quem eu sou hoje.

Logo de cara o filme faz esse exercício conosco, de olharmos o nosso passado. Ao olhar para o Thiago criança na foto, pensar se teria algo a dizer ou não. Olhar para o meu avô que está comigo no retrato, o que será que eu diria a ele? Mas o longa vai além: qual a história por trás dessa pessoa na foto? Será que condiz com a realidade da época, ou era uma imagem que a sociedade impunha para as pessoas naquele tempo?

“A Vida Secreta de Meus Três Homens” nos convida a olharmos para essas fotografias, para essas pessoas e nos questionar: quais segredos essas pessoas carregavam? Quais os seus desejos e sonhos que por meio da realidade daquela época precisaram ser deixados de lado? O quanto a figura masculina era moldada para ser quase que uma entidade, imaculada, que não aceita falhas?

Conforme cada personagem toma a fala, vamos descobrindo mais profundamente deles. É uma ficção mas é quase como um relato documental. Em algum ponto ou outro a gente se identifica com algum personagem, com a narração, com a história. Assisti-lo foi uma experiência visceral.

Vocês sabem o quanto sou apaixonado pelos detalhes. E, aqui, tudo foi pensado e executado de uma forma que ajuda a contar ou dar continuidade a história. Os cenários, que por vezes são simples, mas que têm cada elemento ali escolhido propositalmente para aquele personagem. O contraste entre as três figuras masculinas e a forma como o filme se molda para contar a história de cada um. A forma como os diálogos são construídos, como a câmera se movimenta entre um e outro. Tudo ali está para reforçar a realidade que aquele personagem viveu.

Um dos momentos que mais chamou atenção foi entre o diálogo dela com a figura de seu pai. De novo, um cenário simples: de um lado temos a figura paterna, sentado na ponta de uma mesa muito longa. Do outro lado dessa mesa tão grande temos a filha, tentando conversar com a figura imponente do pai. Inclusive fiz questão de anotar uma das falas: “Cara, é impressionante como um homem não sai de cima do pódio, do altar que ele cria pra si, é muito impressionante.” Tudo que ela queria era conhecer sobre o pai, mas tudo que ele consegue oferecer é uma narrativa que não condiz a realidade.

Queridos, eu queria muito poder falar mais sobre esse filme, porém não quero me alongar muito além do necessário aqui. Então o que eu peço, assistam “A Vida Secreta de Meus Três Homens” e venham conversar comigo nos Instagram do Dropzando. Esse é um longa que precisa ser apreciado nas telonas. Assistir sem distrações, com carinho e atenção que ele merece. O que mais posso dizer? Fico extremamente honrado de ter vivido essa experiência, quando subiram os créditos deu aquele quentinho no coração de que o nosso Cinema Nacional é maravilhoso.

Reforço aqui o convite para você assistir, pesquisar e ir atrás desse filme. Lembrando que o primeiro final de semana é sempre muito importante para esses longas. E deixo aqui meu caloroso abraço, Thi.

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