Gongada Drag reúne humor, representatividade e arte em Porto Alegre

Olá, meus queridos! Como estão? Hoje nosso papo vai ser um pouco diferente. Normalmente a gente conversa aqui sobre filmes, mas hoje quero falar de outra expressão de arte: o teatro! O palco do Teatro Bourbon Country recebeu o Gongada Drag na noite de ontem (29) e fomos convidados para conhecer esse espetáculo de perto.
“Mas Thi, o que é isso? Gongada Drag…” Calma, que eu Thi-explico. O termo “gongar” é conhecido entre o público LGBTQIAPN+, que nada mais é do que zoar, fazer piadas de alguém. O espetáculo fez a junção da arte drag com o estilo americano de humor conhecido como roast, abrasileirado para “gongada”. Os artistas fazem piadas e deboches afiados uns com os outros. Mas, calma. Apesar de muitos improvisos durante a apresentação, existe muito respeito. Há todo um cuidado para que seja um humor saudável, que as piadas gerem risadas, mas não virem ataques pessoais.
Dito isso, queridos, que noite sensacional! Particularmente já acompanho e tenho um carinho enorme pelo projeto. Quando recebemos o convite foi uma sensação surreal. Foi como virar uma criança indo à Disney subir no palco e ver os bastidores. Não é de hoje que, tanto aqui quanto nas minhas redes sociais, expresso meu carinho e admiração pelo teatro. A primeira edição do Gongada Drag foi no Theatro São Pedro, em 2024. Uma noite muito especial: uma, por ser a primeira edição do projeto e Porto Alegre; outra por ser no palco de um dos teatros mais importantes do Sul do Brasil.
Queridos, talvez você não consiga mensurar o quão importante e significativo é termos espetáculos como esse acontecendo. Principalmente na nossa cidade. Em outras conversas já mencionei o quanto a representatividade é importante, sim! Nesse caso, não seria diferente. Ver pessoas da comunidade LGBTQIAPN+ se reunirem em espaços para celebrar livremente a arte Drag Queen é algo lindo. Causa muita emoção e é uma esperança de que estamos conseguindo construir um mundo mais igualitário, com respeito mútuo e diversidade.
Atualmente, mesmo que a passos lentos, a cultura drag está se tornando mais popular. Graças a projetos como o Gongada Drag, realities, canais de YouTube, redes sociais… Mas antigamente, tínhamos uma realidade mais dura. A arte de ser transformisma – como era chamado na época – não era bem-vista ao grande público. Existia, mas, infelizmente, para públicos muito nichados e em casas de show menores.
Por isso, me emociona ver o Teatro do Bourbon Country lotado. De todas as comunidades: lésbicas, gays, trans, cis, não binárias… Pessoas reunidas para prestigiar a Arte Drag! Assim como nas críticas de cinema, aqui também não vou entrar em spoilers. Mas uma coisa eu digo, cada experiência é única! Essa é a terceira edição do Gongada Drag em Porto Alegre. Quem participou das três edições teve uma experiência diferente em cada uma. Mas uma coisa é garantida, são momentos únicos de muita alegria e risos!
Sabe por que cada experiência é única? Em cada apresentação temos um casting diferente. Nesta edição, tivemos como as queens Valentine, Frimes e Huylson, vencedor da quinta edição do “Corrida das Blogueiras”. O número de abertura ficou a cargo da personagem Mariete.
Outra coisa muito interessante é que o Bruno Motta, criador e apresentador do espetáculo, além de trazer queens conhecidas no cenário nacional, tem o cuidado também de prestigiar e convidar as que são ligadas à história do nosso cenário gaúcho! É, meus queridos, temos queens gaúchas, sim! Nessa edição, tivemos a presença de referências no nosso teatro como Maria Helena Castanha e Cassandra Calabouço.
Além disso, sabemos que o ramo do stand-up comedy é majoritariamente cis hétero. Então, além de convidar Drag Queens para compor o elenco nos espetáculos, Bruno também convida nomes da comédia da comunidade LGBTQIAPN+. Nessa edição tivemos a presença de Joe Cardoso, que, além de ser um grande comediante, reconhecido na cena nacional, também é gaúcho.
Uma noite de entretenimento, aprendizado e muitas risadas. Um evento para todos os públicos. Todos mesmo, inclusive se tivesse levado minha mãe, tenho certeza que, além de conhecer uma arte nova, ela se divertiria horrores!
Além de tudo isso, Bruno Motta faz questão de que o público trans tenha entrada gratuita nos espetáculos que faz. Assim como ele, nós sabemos que, infelizmente, ainda é a parcela da comunidade que mais sofre não só preconceito, como ataques físicos. Nada mais justo do que poderem estar em um ambiente seguro e poder se divertir como todo mundo, não é?!
Queridos, espero que vocês possam ter essa mesma experiência. Inclusive o próximo espetáculo já tem data marcada: 19 de agosto! Fiquem de olho nas redes sociais para não perder nada. E se você esteve no Gongada Drag, vem conversar comigo, quero saber como foi sua experiência também! Um abraço, gente. Até o nosso próximo encontro. Thi.
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