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Família egípcia com gestante e duas crianças está retida há 17 dias no Aeroporto de Guarulhos

24 de Abril de 2026, 21:40

Uma família egípcia está há 17 dias retida na área restrita do Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, depois de ter a entrada no Brasil negada. O grupo é formado por um casal e dois filhos, de 5 e 2 anos. A mulher está com 34 semanas de gestação, é diabética e tem gravidez considerada de risco.

Segundo o advogado da família, William Fernandes, os quatro chegaram ao país em 8 de abril. Apesar de terem vistos para entrar no Brasil, o pai, Abdallah Montaser, foi classificado pelas autoridades como “pessoa perigosa”. A defesa afirma que não recebeu justificativa detalhada nem teve possibilidade de contestar a decisão.

“A família inteira tem vistos pra entrar no Brasil, mas quando ele chegou no país, ele foi informado de que ele foi classificado como uma pessoa perigosa”, disse o advogado.

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Desde então, a família permanece na área restrita do aeroporto. Segundo Fernandes, as condições são precárias, especialmente por envolver crianças pequenas e uma gestante em fase avançada da gravidez.

Ainda de acordo com a defesa, o filho mais novo tem intolerância à lactose e precisa de alimentação específica, que não estaria sendo garantida de forma adequada no local. O menino completou 2 anos enquanto estava retido no aeroporto.

Na noite de quinta-feira (23), a gestante passou mal, com dores abdominais e redução dos movimentos do feto, o que levou a pedidos de atendimento médico.

“Ontem à noite, ele me ligou desesperado, porque a mulher dele estava passando mal. Ele recorreu, pediu por serviços médicos e não teve atendimento médico. Hoje pela manhã, ele me aciona, na primeira hora da manhã, informando que a mulher estava sentindo dores abdominais e o feto não estava se mexendo na barriga”, relatou o advogado.

Após mobilização judicial e acionamento de órgãos como a Defensoria Pública da União, a mulher foi levada a um hospital em Guarulhos. Exames apontaram infecção urinária, com presença elevada de glóbulos brancos e bactérias, além de sangue na urina. Segundo o advogado, o bebê está vivo, mas apresenta crescimento abaixo do esperado.

O marido não pôde acompanhar a esposa ao hospital e ficou horas sem informações sobre o estado de saúde dela e do bebê. Após o atendimento, a gestante retornou ao aeroporto.

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A família está em um hotel dentro da área restrita do terminal, com parte dos custos coberta pela companhia aérea. Segundo a defesa, o pai precisa pagar a própria estadia, estimada em cerca de R$ 1 mil por dia. Em mais de duas semanas, ele já teria gasto aproximadamente R$ 16 mil.

A defesa diz ter acionado a Justiça para garantir o direito de defesa do migrante e o acesso às informações que levaram à classificação de Montaser como “pessoa perigosa”. Também foi solicitado acompanhamento da Defensoria Pública da União, diante da vulnerabilidade da família.

O Estadão procurou a Polícia Federal e o Itamaraty, mas não obteve retorno.

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