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PF aponta que Digimais copiou tática do Master de superavaliar ativos para esconder rombo e de se escorar no FGC

23 de Junho de 2026, 09:59

A Polícia Federal apontou que o Banco Digimais, controlado pelo bispo Edir Macedo, replicou a mesma tática usada pelo Banco Master para superavaliar ativos e esconder a deterioração da carteira de crédito.

Segundo a corporação, a instituição se aproveitou da confiança dos depositantes na proteção institucional do Fundo Garantidor de Crédito.

A manobra teria ocorrido por meio da emissão de títulos com rentabilidade desproporcional aos indicadores de mercado. Conforme os investigadores, a estratégia mascarou o real estado financeiro do banco diante do mercado e do próprio Banco Central.

Leia também: Fitch rebaixa rating do banco Digimais; PF investiga gestão e bloqueia R$ 670 milhões

As informações constam de inquérito ao qual a coluna de Fausto Macedo, do Estadão, teve acesso.

Venda ao BTG depende de aporte do FGC

Diante da fragilidade identificada nos balanços, a solução encontrada pela direção do Digimais foi negociar a venda do controle societário ao Banco BTG Pactual. A operação, no entanto, está condicionada a uma injeção de recursos por parte do FGC.

O valor necessário para viabilizar o negócio seria de R$ 7 bilhões, destinado a cobrir o déficit identificado na instituição. Para a PF, isso significa que o prejuízo gerado pela gestão do banco seria repassado em grande parte ao fundo garantidor.

🔍 Fundo Garantidor de Crédito (FGC): entidade privada que protege depositantes de bancos em caso de falência ou liquidação, reembolsando valores até um limite estabelecido por instituição financeira e por CPF.

Os federais classificam a movimentação como uma forma de transferir o risco da atividade bancária para fora da instituição. Segundo o documento, a estrutura permite que operadores e administradores do banco se isentem da obrigação de suportar o passivo resultante da própria gestão.

Leia também: Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating

Investigadores apontam blindagem de patrimônio

Ainda de acordo com a investigação, a movimentação cria uma dinâmica na qual os responsáveis pela insolvência repassam a integralidade do prejuízo ao sistema de proteção. Dessa forma, conseguem isolar o próprio patrimônio dos resultados da atividade que desempenharam.

Caso a operação com o BTG não avance, a PF afirma que a liquidação do Digimais poderia ser decretada. Para os investigadores, o uso dos instrumentos de assistência financeira em casos como esse acaba favorecendo quem operou à margem da lei, o que vai contra o propósito do FGC de proteger as poupanças da população.

Banco já orbitava o ecossistema Master

O Digimais chegou a registrar exposição de aproximadamente R$ 600 milhões a carteiras de crédito do Banco Master, segundo a PF, após a liquidação da instituição comandada por Daniel Vorcaro. Esses ativos passaram a ser questionados quanto à qualidade, ao lastro e à regularidade documental.

Procurado, o Digimais não se manifestou até a publicação deste texto.

A reportagem de Times Brasil | CNBC também procurou o BTG Pactual para saber se o banco seguirá na compra do banco de Edir Macedo.

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Digimais, banco do Edir Macedo, corre ‘risco real de quebra’, justificou a Fitch diante do corte do rating

23 de Junho de 2026, 09:54

Um dia antes de a Polícia Federal deflagrar a Operação Miragem, que investiga suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional supostamente cometidos na gestão do Banco Digimais, a Fitch Ratings rebaixou a nota de crédito da instituição e encerrou seu acompanhamento. O rating nacional de longo prazo caiu de ‘BB+(bra)’ para ‘CCC(bra)’, enquanto o de curto prazo foi reduzido de ‘B(bra)’ para ‘C(bra)’.

📝 A combinação de rebaixamento e retirada dos ratings indica que a agência não encontrou informações suficientes para continuar avaliando o banco.

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Mais cedo, a Justiça Federal autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados, além do sequestro e bloqueio de bens e valores de até R$ 670.348.945,70.

Na véspera, a Fitch afirmou que o Digimais tem margem de segurança baixa e que há possibilidade real de inadimplência ou falência. A agência não chegou a afirmar que o banco vai à falência, mas enquadrou o cenário nessa categoria de risco.

O que levou à decisão

Pesaram na decisão a deterioração dos resultados financeiros, uma disputa judicial envolvendo um fundo de direitos creditórios (FIDC) e um processo de reformulação do modelo de negócios sem contornos definidos.

A governança também entrou na conta: o banco trocou o CEO e destituiu o Conselho de Administração, o que, segundo a Fitch, reduz a previsibilidade sobre os próximos passos da gestão.

Há um processo de venda em curso. Em abril de 2026, um banco, não identificado no comunicado, assinou documentos para adquirir o controle do Digimais. A operação ainda depende de processo competitivo, definição de proposta vencedora e aprovações do Banco Central e do Cade. A Fitch disse não ter informações adicionais sobre a transação.

Com a saída do monitoramento, a agência deixa de acompanhar o banco por ausência de dados que considera verificáveis.

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