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Amargo mel, fogo gelado e caos organizado

6 de Maio de 2026, 13:00

A esta altura dos acontecimentos, acho que já podemos afirmar que o prazo para o término da Guerra do Irã sempre foi incognoscível.

Com certeza, não eram apenas as quatro semanas que haviam sido indicadas originalmente por Trump.

Por outro lado, memorando de uma página, não tem cara de ser uma guerra infinita.

Arrisco dizer que essa guerra está justamente entre terminar daqui a alguns dias ou daqui a alguns anos. E por isso me permito a licença poética de chamá-la de imprevisível.

Porque, em termos práticos, dentro dos gatilhos temporais que regem os mercados, a diferença entre esperar dois dias e esperar dois anos gera consequências completamente díspares.

Assim, somos obrigados a fazer algo indigesto, quase insalubre, que é o duro exercício de fazer coabitar em nossas mentes dois cenários – o rápido e o devagar – que se combinam em um oxímoro.

Nada é mais útil para o trabalho de um financista do que conviver com a contradição. E, também, nada pode ser mais enlouquecedor para um ser humano.

Imagine você se apaixonar por alguém que lhe desperta o amor mais puro seguido do ódio mais sanguíneo, a propensão a estar junto logo então substituída pela mais completa aversão; e assim sucessivamente, por décadas e décadas, entre tapas e beijos.

A evolução não nos forneceu meios para lidar bem com os opostos simultâneos, não somos bons nisso; preferimos a definição de um ou outro.

Como exemplo didático, considere o seguinte desafio simples de lógica:

Nelson está olhando para Ana, e Ana está olhando para Renzo. Nelson é casado, mas Renzo é solteiro. Podemos dizer que é o caso de que uma pessoa casada está olhando para uma pessoa solteira?

  1. Sim.
  2. Não.
  3. Isso não pode ser determinado apenas com o enunciado.

(Se quiser um tempinho para pensar, segure a leitura até aqui, pois o spoiler vem logo abaixo).

A alternativa correta é “A” (Sim), mas a vasta maioria dos respondentes escolhe a letra “C”, supondo automaticamente que a falta de informação sobre o estado civil de Ana impossibilita cravar uma resposta honesta.

Todavia, se pensássemos direto em termos de probabilidades, convivendo com a contradição, enxergaríamos dois cenários possíveis:

  • Nelson (casado) -> Ana (casada) – > Renzo (solteiro).

Ou:

  • Nelson (casado) -> Ana (solteira) -> Renzo (solteiro).


Note que, em ambos os cenários, existe uma pessoa casada olhando para uma pessoa solteira.

Se você não acertou desta vez, fique tranquilo. Até mesmo pessoas de altíssima pontuação em testes de QI têm dificuldade de ponderar cenários pré-convergência.

Felizmente, o investidor inteligente não precisa ficar comprometido com o mercado, e também não precisa ficar à espreita. Basta fazer como a Ana que, casada ou solteira, continua participando do jogo.

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Lições da história recente sobre sorrir ou chorar no drawdown

22 de Abril de 2026, 13:24

Em meio ao (eterno?) impasse em relação ao Estreito de Ormuz, cabe a justa pergunta sobre se o drawdown da Guerra do Irã não foi superado rápido demais.

À medida que nos aproximamos do final de abril, praticamente todos os índices de ações relevantes do mundo estão empatados ou acima de suas máximas YTD pré-guerra.

Ou seja, deve ter menos a ver com exposição a oil & gas se tanto o Ibovespa (Brasil exportador de petróleo) quanto o Nikkei (Japão importador de petróleo) assumem máximas pontuações desde o início do ano, ainda que o primeiro esteja subindo mais do que o segundo.

Fonte: Bloomberg

O denominador comum talvez seja mesmo a realocação de dinheiro excessivo em EUA, agora buscando cestas diversificadas em outros mercados globais. Um pouco em Japão, um pouco em Brasil, um pouco em Coreia, e isso já basta para fazer uma tremenda diferença localmente.

Contudo, sem prejuízo dessa explicação de fluxo com um recorte em cross section, devemos reconhecer também um outro argumento, amparado em séries de tempo.

Se pensarmos bem, diante dos colapsos “modernos” desde o subprime em 2008, qual foi a função de reação mais racional face ao pânico inicial de um evento extremo?

Em todos esses casos marcantes para a nossa geração, passando inclusive pela pandemia, o investidor do buy & hold – e, sobretudo, o investidor marginal do buy the dip – foi amplamente remunerado pelo seu salto de fé na recuperação e posterior ascensão do mercado.

Isso posto, e isso vale para nós que visamos o médio e longo prazo: qual o embasamento que teríamos, agora, para ficar short ou mesmo reduzir sensivelmente a exposição a risco?

Não tenho dúvidas de que a postura pessimista em relação a incertezas globais é inteligente, charmosa e provocante; mas ela também pode custar caro demais.

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Matando a sede com a metade cheia do copo

15 de Abril de 2026, 13:30

Quem em sã consciência diria, a esta altura do campeonato, que estaríamos com o Ibovespa pegando embalo para ultrapassar os 200 mil pontos?

E quem acreditaria em um dólar abaixo de R$ 5,00?

A surpresa não vem apenas da ausência de boas notícias domésticas que justifiquem tamanhas benesses; a surpresa vem de como essas benesses nasceram de fontes de incerteza globais.

O mercado brasileiro voltou a chamar atenção dos investidores gringos – primeiro devido ao trauma com a Trumponomics, e depois devido à nossa vantagem comparativa em petróleo mediante a Guerra do Irã.

A priori, parece meio imoral tirar proveito de duas circunstâncias tão nefastas. A verdade nua e crua, porém, é que não temos nada a ver com suas causalidades; fomos apenas arrastados pela correnteza.

Essa aparente passividade não constitui necessariamente um demérito: os ciclos de mercado vêm e vão; as vezes estamos no lugar errado, como estivemos nas últimas duas décadas, e às vezes nos encontramos no lugar certo, quase sem querer.

A falta de um “esforço próprio” (e.g. ajuste fiscal) não implica, de forma alguma, que o movimento corrente carece de lastro.

Os ativos dentro de um portfólio diversificado não são premiados pelos seus melhores esforços (isso deriva do asset picking), mas sim pelas suas características mais bem adaptadas aos novos tempos (asset allocation).

É claro que, idealmente, a combinação do melhor esforço com a melhor característica resultaria em retornos extraordinários sob um alto grau de confiança. Contudo, seria também pedir demais; por ora, podemos matar a sede simplesmente com a metade cheia do copo.

Aliás, para nós, a consistência do fluxo gringo rumo à Bolsa local a despeito de eventuais milagres endógenos apenas atesta sua força. Que bom que não dependemos especificamente do acerto de um político brasileiro, ou de uma temporada modelo de resultados trimestrais.

Empiricamente, essa força será (ou não) comprovada pelo tamanho da pernada que ainda nos espera.

E se tomarmos por base uma referência simples, podemos contar com uma reprecificação legítima pela frente.

O EWZ – análogo a um Ibovespa em dólares – ainda está cerca de 60% abaixo do all time high de maio de 2008 (102,21). Sob essa ótica, as próximas resistências se situam em 48,50 (jan/2020) e 79,00 (abr/2011), funcionando como etapas intermediárias nesse processo de recuperação. A conferir!

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Aprenda a falar a língua do determinismo estocástico

1 de Abril de 2026, 13:00

As expectativas de inflação estão sendo reavaliadas para cima, no mundo todo. Mas, quando falamos sobre inflação, será que estamos falando de inflação mesmo, ou estamos apenas falando indiretamente de Guerra?

Provavelmente, alguma dose (imensurável) das duas coisas.

O discurso financeiro tem dessas mesmo, ele às vezes se disfarça de outras vestimentas, para tentar dar conta de uma realidade maior do que as palavras comportam – aquilo que Wittgenstein chamava de “jogos de linguagem”.

É vital para o financista compreender que sua linguagem cotidiana está à mercê de jogos contextuais, pois são exatamente essas mudanças de contexto que explicam o fato de o humor de mercado mudar tão rapidamente e tão drasticamente, para o bem ou para o mal.

Afinal, se fosse só culpa do núcleo do IPCA-15 mesmo, ou se o problema morasse nos gastos públicos brasileiros, qual motivo teríamos para derreter em março (ex. oil & gas) e quiçá disparar em abril?

Digo isso sem nenhum otimismo forçado, apenas para alertar (ou celebrar) que o mundo em que vivemos hoje – do ponto de vista da linguístico – pode ser muito diferente do mundo que viveremos ao longo do segundo semestre de 2026.

E nem quero dar razões técnicas ou fundamentalistas para tanto, até porque vocês já leem o M5M todo dia útil, e estão cansados de saber.

Basta apenas dizer que tivemos – e, aparentemente, ainda temos – uma Guerra do Irã no primeiro semestre. Ainda que os historiadores modernos argumentem que esse tipo de evento está ficando cada vez mais frequente (eles têm um bom lastro empírico recente), acho difícil assumir pura normalidade aí.

A própria pandemia deixou uma série de efeitos long lasting sobre a economia real, sobre as alocações financeiras e sobre as cadeias globais de suprimento – além, principalmente, sobre todas as gravidades de saúde e vidas perdidas.

Ainda assim, porém, esses efeitos não devem ser confundidos com uma “covid eterna”.

Sob a devida distância, tudo aquilo que era chamado de estrutura pode ser rebatizado como conjuntura.

O tempo passa, os contextos mudam, e mesmo as variáveis mais rígidas estão sujeitas a revisões – inclusive rápidas e drásticas.

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Será que o Copom que era técnico virou político?

25 de Março de 2026, 13:00

Depois de uma Ata do Copom em linha com o comunicado, persiste a dúvida do mercado sobre como as expectativas inflacionárias 3T27 do Bacen pouco subiram (3,2% para 3,3%), mesmo contando com as derivadas do choque do petróleo.

Há muitas hipóteses possíveis, sendo algumas menos nobres.

Por exemplo: uma escolha meramente política de segurar a bronca em ano de eleição, ou a danosa premissa de que a Petrobras vai administrar os preços ao limite do abastecimento.

Contudo, devemos ponderar uma outra hipótese também, mais dentro das quatro linhas: a de que estamos grávidos de uma desaceleração de atividade um pouco mais intensa do que a de consenso.

Se tomarmos por referência as projeções do Focus até o momento, bem como os principais guidances de research macro, estamos falando de um crescimento de PIB no 1T26 entre +1,6% e +2,0%, no ano contra ano.

Já levando em conta o IBC-Br e o Monitor FGV, esse delta estaria mais próximo de 0,7%.

Não dá pra saber exatamente quem está certo e quem está errado nessa conta, mas a disparidade, por si só, já sugere uma assimetria com potencial revisão para baixo nos próximos capítulos.

Em particular, o chamado “unit labor cost” (salário/produtividade) vinha em movimento de compensação desde a pandemia, mas agora acaba de cruzar a marca d’água – o que sugere reação via desemprego.


Nesse sentido, ganha relevância a próxima divulgação de Caged, marcada para 30 de março.

Grosso modo, se a criação de vagas vier em 300k, o PIB está forte mesmo, mais em linha com o intervalo entre +1,6% e +2,0% a/a.

Se vier em 200k, é uma leitura praticamente neutra, permitindo ao Copom manter um ritmo lento a moderado.

Já se tivermos algo como 100k, haveria espaço para cortes mais assertivos da Selic, da ordem de –50bps ou quiçá –75 bps, se o externo melhorar.

Não que tudo se resuma ao Caged, obviamente, até porque temos uma Guerra dominando as manchetes do momento. Mas vale lembrar que a agenda cotidiana de indicadores macro ainda importa, e você pode sempre acompanhar suas repercussões através do Empiricus+.

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Ainda sobre hedge: derivadas da pernada corrente

18 de Março de 2026, 13:00

A esta altura do campeonato, você que é leitor da Empiricus+ já deve ter ouvido falar sobre o momentum crescente do HALO Trade – sigla para Heavy Assets, Low Obsolescence.

Trata-se de uma abordagem financeira meio vintage, na medida em que privilegia empresas de commodities, infraestrutura e utilities que fornecem recursos para os altos casos de tecnologia/IA ou são tão brutas que não podem ser substituídas por algoritmos.

Ironicamente, a renda variável brasileira, que é underweight em tecnologia, acabou se beneficiando disso, sobretudo através de sua exposição a commodities como minério de ferro e petróleo.

De fato, essa tem sido a primeira pernada do movimento, e é provavelmente uma pernada com bastante elasticidade à frente. Se você ainda não ganhou dinheiro com o HALO Trade até aqui, pode seguir pegando carona e ser muito feliz, sem remorso pelo atraso.

Ao mesmo tempo, porém, enquanto uma pernada seminal se manifesta, já precisamos pensar em suas derivadas. É sobre isso que eu quero falar hoje.

Se as commodities amplas já lideram o movimento de alta, sugerindo um novo ciclo secular de valorização, as commodities agrícolas ainda estão tomando coragem para seguir a tendência (conforme mostra o gráfico abaixo).

Isso possivelmente ajuda a entender por que as ações de SLC estavam em banho-maria, e de repente acordaram em meio a um sell-off generalizado das Bolsas internacionais.

Ou seja, dólar ou petróleo não são as únicas formas possíveis de hedgear sua carteira. Em geral, os melhores hedges são montados com baixa vol, e só mostram sua real vitalidade depois que o despertador toca em volume máximo.

PS. Se você ainda não assina nossos conteúdos de análise e quer ter uma visão completa das classes de ativos (incluindo hedges conjunturais), convido-lhe a conhecer o novo pacote Empiricus+. Por apenas R$ 14,90/mês, nada vai lhe faltar nesta vida financeira, e nem na próxima.

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Usando dosagens para evitar o risco de uma aposta “certa”

11 de Março de 2026, 13:00

Na edição da semana passada, falamos sobre a necessidade de carregar uma posição não só conjuntural, mas também estrutural em pegs de oil & gas, inclusive como instrumento de hedge.

Desde então, o barril de petróleo disparou +16%, flertando com a barreira dos US$ 100 – o que torna o argumento meio que autoevidente.

As dúvidas que eu tenho recebido agora são de natureza um pouco diferente: até onde vai essa esticada?

Porque aqueles raros investidores que tinham algum tipo de exposição a O&G em seus portfólios viram o peso disso disparar nas últimas semanas. Naturalmente, portanto, começam a pensar em vender uma parte para comprar outros ativos de qualidade que despencaram.

Essa é uma manobra tática que me parece fazer muito sentido em sua concepção lógica e empírica, já que provavelmente estamos falando de condições transitórias. Em alguma medida, o mundo tenderia a retomar ao menos parte de sua normalidade entre o fim de abril e maio.

Porém, neste caso, a dosagem correta da manobra tática talvez seja mais importante do que a manobra em si.

Zerar a alocação em petróleo e comprar tudo em quality definitivamente não soa como uma boa ideia neste momento.

Por outro lado, esse é um plano que pode ser (bem) executado “na margem” – ou seja, um pedacinho por vez.

Só para ilustrar com exemplo concreto: conversei na segunda-feira com um investidor gringo que estava vendendo 5% de sua posição em O&G para comprar ações que, nas palavras dele, “quase nunca dão chance de entrada”, como Blackstone (BX:US) e Blackrock (BLK:US).

Se o petróleo continuar subindo e o quality continuar caindo, ele disse que pretende fazer mais 5% dessa rotação, visando ao longo prazo. E assim por diante.

De qualquer forma, faria isso até atingir um piso estrutural, pois gosta de manter o hedge e ainda tem sérias dúvidas sobre o tamanho da caixa de Pandora que foi aberta pela Guerra do Irã.

Assim, é como se ele estivesse apostando simultaneamente nas duas pontas: na esperança da guerra acabar relativamente rápido, e também no ceticismo quanto a uma solução simples para o conflito corrente.

No mercado financeiro, nem sempre precisamos escolher apenas um lado “certo” do trade. Usando dosagens e opcionalidades em nosso favor, podemos ampliar nossos graus de exposição, mitigando riscos e capturando upsides aparentemente contraditórios.

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Dá mesmo para ter zero de O&G?

4 de Março de 2026, 13:41

Graças à linguagem utilizada, a troca de um ciclo de momentum trading por outro de reversion to mean produz a falsa sensação de calmaria.

A impressão geral é a de que os mercados estavam pesadamente concentrados em setores ou nichos específicos (e.g. AI related), revisaram essas posições, e agora estão convergindo pacificamente rumo às médias históricas.

Na prática, porém, você já deve ter percebido: essa reversão à média está longe de ser tão tranquila e reconfortante quanto uma volta para casa.

Ela pode ser extremamente traumática, sobretudo se feita com atraso.

Veja, por exemplo, o contexto das alocações globais em oil & gas pré-guerra.

Ninguém tinha O&G, antes por conta da transição energética, depois por conta de oversupply e do domínio soberano da inteligência artificial.

Então, de repente, até os melhores alunos da classe são obrigados a lembrar que petróleo também funciona como hedge sistêmico, hedge contra inflação, e que só 3% ou 4% do S&P 500 é representado por óleo & gás.

De repente, nesse recorte de hedge, o mundo todo está subalocado em petróleo – um ativo que, por razões geopolíticas, já mostrou que pode sair de US$ 30 para US$ 130 por barril durante uma janela ínfima de 12 meses.

Ah, mas essa guerra do Irã não vai durar muito, veja só o que aconteceu em Gaza, veja só a paz na Venezuela, logo o petróleo vai voltar!

Bem, pode até ser mesmo. Mas, sob uma perspectiva talebiana, ninguém tem essa resposta. Sabe-se razoavelmente como entrar em uma guerra, mas nunca se sabe exatamente como sair.

E ainda que a guerra de fato dure quatro ou cinco semanas, o que estamos vendo em termos globais, nos últimos anos, é o acúmulo de uma rotina de vários confrontos pequenos ou médios, de modo que um verdadeiro choque estrutural pode estar disfarçado de eventos conjunturais aparentemente descorrelacionados.

Assim, ainda que a guerra do Irã seja rápida, não podemos dormir tranquilos tendo zero exposição a petróleo nas carteiras.

Precisamos reverter rapidamente à nova média que nos convém, relembrando que commodities como o petróleo também podem ser insubstituíveis, a depender do contexto em que se encontram.

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Pausa para um anedótico: janeiro crava o ano? 

25 de Fevereiro de 2026, 13:30

Todo bom processo de análise em Economia & Finanças deve ser alicerçado, sobretudo, nos respeitáveis princípios da metodologia científica, no doubt about it.

No entanto, havemos de reconhecer também que o universo holístico do financista corresponde a um misto entre ciência e arte; não é 100% ciência.

Assim, via de regra, quase todas as nossas reuniões semanais de research aqui na Empiricus costumam guardar momento para aquilo que eu chamo de “pausa para um anedótico”.

E, muitas vezes, sem surpresa, essas pausas são a parte mais interessante da reunião, justamente pelo fato de a arte ser mais provocativa (e menos rigorosa) do que a ciência.

No encontro dessa semana, o prêmio de melhor pausa para um anedótico ficou com o Costinha.

Foi ele quem nos perguntou, de supetão: “Janeiro crava o ano?”.

Ficamos olhando pro teto, olhando pra ele, já sabendo da inteligência privilegiada dele, e pensando: que porra é essa de janeiro crava o ano?

Bom, agora posso tentar explicar.

Basicamente, o Costinha e a Gabi pegaram um histórico de IBOV – cruzando mês/ano – de 1996 a 2025.


Desses 30 anos de amostra, 14 possuem uma condição específica, de inaugurar o mês de janeiro já com ganhos.

E aqui vem a bruxaria que no creo, pero que las hay, las hay.

Dentro dos 14 janeiros positivos, encontramos 13 anos cheios também positivos – uma tremenda coincidência.

Ou talvez um pouco mais do que coincidência…

De fato, esse fenômeno é documentado na literatura acadêmica como “efeito barômetro”, e ficou famoso graças ao economista Yale Hirsch, na década de 1970.

Yale era o pai do Stock Trader’s Almanac, onde publicou um estudo seminal identificando forte correlação entre a performance da Bolsa americana em janeiro e no restante do ano.

Para além de ocorrências espúrias, há motivos perfeitamente causais por trás dessa relação; por exemplo: path dependence, e o recorte de que muitos institucionais globais desenham alocações de portfólio na véspera da virada, já pensando no próximo ano cheio.

Se for mesmo verdade, temos um belo janeiro em 2026 (+12,56%) para servir de propulsão – especialmente com o novo acesso facilitado a todos os conteúdos clássicos da Empiricus.

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