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Ibovespa hoje: IPCA-15, ata do Copom e negociações no Oriente Médio no radar; saiba o que esperar da segunda (22)

22 de Junho de 2026, 11:14

As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram na Suíça, apesar de terem começado sob forte tensão, após Donald Trump renovar ameaças de ataques militares caso Teerã não contenha a atuação do Hezbollah no Líbano. Seja como for, alguns sinais de tímido progresso ajudaram a aliviar os preços do petróleo, que recuam nesta manhã diante da percepção de menor risco imediato, embora a normalização do tráfego marítimo ainda seja complexa e continue sujeita a novas interrupções.

No restante do cenário internacional, os mercados reagiram de forma mista a uma combinação de fatores políticos e corporativos. Na Colômbia, a eleição apertada de Abelardo de la Espriella marcou uma guinada à direita após quatro anos de governo de esquerda. No Reino Unido, Keir Starmer anunciou sua renúncia, reforçando a instabilidade política britânica e abrindo caminho para uma disputa pela liderança trabalhista. Na Ásia, as bolsas subiram impulsionadas pelo avanço de empresas ligadas à inteligência artificial, especialmente em Taiwan, Coreia do Sul e Japão.

· 00:55 — Calibrando expectativas

No Brasil, a semana será marcada pela tentativa do mercado de compreender melhor a comunicação do Banco Central após o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano. Embora a decisão já fosse esperada, como comentei na semana passada, o comunicado do Copom foi interpretado como mais dovish do que o previsto (e até heterodoxo) ao manter aberta a possibilidade de novos cortes mesmo em um ambiente de inflação acima da meta, expectativas desancoradas, atividade resiliente e riscos fiscais relevantes.

Essa leitura levou à abertura da curva de juros, sobretudo nos vencimentos mais longos, diante do receio de que uma postura mais tolerante no curto prazo possa cobrar um preço maior adiante. Nesse contexto, a ata do Copom, o Relatório de Política Monetária e a coletiva de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti serão fundamentais para esclarecer se houve apenas um problema de comunicação ou se, de fato, o BC está mais inclinado a seguir reduzindo os juros.

Os principais vetores capazes de melhorar as expectativas do mercado passam por uma comunicação mais clara sobre o horizonte relevante da política monetária, os cenários de inflação considerados pelo Comitê e os critérios que orientarão os próximos passos da Selic. Caso a ata e o RPM reforcem o compromisso com a meta de inflação, expliquem melhor o alongamento do horizonte de projeção e sinalizem que novos cortes dependerão de uma melhora concreta dos dados, parte dos prêmios embutidos na curva de juros poderá ser devolvida.

Além disso, o IPCA-15, a pesquisa Focus, os dados do setor externo, o investimento direto no País e a Pnad Contínua ajudarão a calibrar a percepção sobre inflação, câmbio, atividade e mercado de trabalho, elementos centrais para avaliar se o Banco Central ainda terá espaço para continuar o ciclo de afrouxamento monetário sem comprometer sua credibilidade.

· 01:47 — Agenda carregada

Wall Street entra na última semana completa de junho com uma agenda americana concentrada em três frentes principais: inflação, inteligência artificial e bancos. O destaque macroeconômico será a divulgação do PCE de maio, na quinta-feira, indicador de inflação preferido do Federal Reserve, com expectativa de aceleração especialmente no núcleo, que exclui alimentos e energia.

Os investidores também acompanharão os pedidos de bens duráveis e as falas de John Williams, presidente do Fed de Nova York, em busca de sinais sobre a trajetória da economia e da política monetária. Na quarta-feira à noite, o Fed divulgará os resultados dos testes de estresse dos bancos americanos, incluindo JPMorgan, Bank of America, Goldman Sachs e Morgan Stanley, o que deve ampliar a atenção sobre a saúde do sistema financeiro.

No campo corporativo, a Micron será o principal evento da semana, com balanço previsto para quarta-feira após o fechamento do mercado, em meio à forte demanda por chips de memória ligados à inteligência artificial e aos data centers. O resultado pode reforçar o rali das empresas de tecnologia, mas também traz uma preocupação mais ampla: a alta dos custos de memória pode pressionar os preços de smartphones, PCs e outros bens duráveis, com possível reflexo nos dados de inflação.

Além disso, eventos da Nvidia e da Qualcomm devem trazer novas leituras sobre as tendências de IA, enquanto o Prime Day da Amazon e promoções concorrentes de Walmart, Target, Best Buy e Kohl’s servirão como um teste em tempo real da demanda do consumidor americano. Os resultados de FedEx e Carnival também ajudarão a medir a força da economia, os volumes de transporte, os gastos com viagens e o possível alívio nos custos de combustível após o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã.

· 02:32 — Avançando lenta e vagarosamente

As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram na Suíça, mas começaram sob forte tensão política e militar. Apesar das ameaças de Donald Trump de retomar os ataques caso Teerã não contenha a atuação do Hezbollah no Líbano, o que gerou ruído durante o final de semana, mediadores do Catar e do Paquistão afirmaram que houve “progressos encorajadores” e que as partes concordaram com um roteiro para tentar concluir um acordo definitivo em até 60 dias.

Entre os avanços operacionais, destacam-se a criação de um mecanismo para encerrar os confrontos entre Israel e Hezbollah no Líbano e a abertura de um canal de comunicação voltado a evitar incidentes e garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

A implementação, porém, segue frágil e cercada de incertezas. O Irã voltou a restringir o tráfego em Ormuz antes das conversas, enquanto os Estados Unidos mantiveram a pressão militar e diplomática sobre Teerã. Ao mesmo tempo, o governo iraniano afirma já observar benefícios concretos do memorando provisório, como isenções para exportações de petróleo e petroquímicos, liberação de parte dos ativos congelados e avanço de um plano de reconstrução.

Para os mercados, o petróleo permanece no centro das atenções: os preços começaram a semana em queda, mas seguem voláteis, refletindo tanto a expectativa de normalização gradual do fluxo pelo estreito quanto o risco de novas interrupções caso as negociações voltem a se deteriorar.

· 03:28 — Virada na Colômbia

A vitória de Abelardo de la Espriella no segundo turno da eleição presidencial colombiana marca uma inflexão relevante após quatro anos do governo de esquerda de Gustavo Petro. Em uma disputa historicamente apertada e altamente polarizada, De la Espriella derrotou Iván Cepeda por margem estreita, apoiado em uma plataforma centrada em segurança pública, enfrentamento aos cartéis, reabertura do setor de petróleo e gás e maior alinhamento com os Estados Unidos.

Para os mercados, o resultado foi inicialmente recebido de forma positiva para os ativos colombianos. No entanto, a forte valorização recente já limita parte do potencial de surpresa, deslocando o foco da eleição em si para a capacidade de execução do novo governo.

Com isso, a Colômbia passa a se somar a outras mudanças recentes na América do Sul, em que eleitorados têm migrado de experiências de esquerda para alternativas mais à direita, como ocorreu na Argentina com Javier Milei e no Chile com José Antonio Kast, além da disputa apertada no Peru envolvendo Keiko Fujimori. Esse movimento reflete uma combinação de desgaste com baixo crescimento, insegurança, fragilidade fiscal e insatisfação com governos anteriores.

Ainda assim, o principal desafio daqui em diante será transformar a guinada política em governabilidade: De la Espriella chega ao poder com base parlamentar limitada, necessidade de formar coalizões e uma agenda pró-mercado cuja implementação dependerá da escolha dos nomes para o gabinete, da credibilidade fiscal e da capacidade de articulação no Congresso.

· 04:16 — Difícil de governar

A renúncia de Keir Starmer, anunciada menos de dois anos após sua vitória expressiva, aprofunda a crise de governabilidade do Reino Unido e reforça a sensação de esgotamento político iniciada com o Brexit. Desde 2016, o país atravessa uma sucessão incomum de primeiros-ministros — David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e, agora, Starmer —, enquanto o próximo líder trabalhista poderá se tornar o sétimo ocupante de Downing Street em cerca de uma década.

A saída de Starmer ocorre após a perda de apoio dentro do próprio Partido Trabalhista, em meio ao desgaste provocado por escândalos políticos e pela ascensão de Andy Burnham como principal nome para sucedê-lo. Mais do que uma crise individual, a queda de Starmer evidencia como as consequências políticas do Brexit tornaram o sistema britânico cada vez mais instável.

O país parece preso a um ciclo de lideranças frágeis, maiorias que se desfazem rapidamente e governos com dificuldade de reconstruir uma agenda de longo prazo em temas como imigração, crescimento econômico, contas públicas e relação com a Europa. Nesse sentido, o Reino Unido se tornou quase ingovernável: não pela ausência de instituições, mas pela dificuldade crescente de transformar mandatos eleitorais em estabilidade política duradoura.

· 05:03 — Acelerando a expansão nos EUA e reforçando a tese de longo prazo

A TSMC (NYSE: TSM) deu mais um passo relevante para reduzir sua dependência operacional da Ásia e ampliar sua presença estratégica nos Estados Unidos. Em 16 de junho, a companhia anunciou um acordo de dez anos com a Amkor Technology para expandir a capacidade de empacotamento e teste de semicondutores avançados no Arizona.

A parceria endereça um dos principais gargalos da cadeia americana de chips: embora a TSMC já produza semicondutores avançados no país, parte desses componentes ainda precisa ser enviada à Ásia para passar pelo empacotamento avançado, etapa que integra múltiplos chips em um módulo mais eficiente, antes de retornar aos EUA. Com a Amkor assumindo essa fase em território americano, a companhia tende a reduzir custos logísticos, encurtar prazos de entrega e oferecer uma cadeia produtiva mais integrada, do silício ao chip final.

A iniciativa também fortalece a posição da TSMC junto a grandes clientes como Apple e Nvidia, que passam a contar com uma cadeia de suprimentos mais resiliente, eficiente e menos exposta a riscos geopolíticos na Ásia. Além disso, o acordo antecipa parte dos benefícios esperados da futura instalação própria de empacotamento avançado da TSMC no Arizona, prevista para 2029, sem substituir esse plano de expansão. Ao mesmo tempo, melhora a capacidade da companhia de atender à demanda crescente por chips de inteligência artificial e eletrônicos de alta performance.

Nesse contexto, a combinação entre expansão nos Estados Unidos, maior integração produtiva e investimentos robustos das hyperscalers projetados para 2026 sustenta uma visão construtiva para as ações da TSMC, com destaque para as BDRs TSMC34 como veículo de exposição ao tema no mercado brasileiro.

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Dividendos: Petrobras (PETR4) e mais 7 empresas da bolsa pagam proventos de até R$ 2,50 por ação nesta semana

21 de Junho de 2026, 09:00

A partir desta segunda-feira (22), 7 ações listadas na Bolsa brasileira têm dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP) programados para pagamento aos seus investidores. Para que você se mantenha bem-informado, preparamos um calendário completo, organizados por valores e datas de pagamento.

Porém, é preciso estar atento a dois pontos de grande importância:

  • “Data com” (data de corte): somente investidores que detinham posição nas ações até as datas informadas na tabela estão aptos a receber os pagamentos;
  • Tributação: JCPs estão sujeitos ao Imposto de Renda retido na fonte, à alíquota de 15%. Já os dividendos são tributados em 10% na fonte, isso quando ultrapassam o valor total de R$ 50 mil mensais.

Calendário de dividendos: 22 a 26 de junho

EmpresaTickerTipo de proventoValor bruto por ação (R$)Data de pagamentoData de corte
CPFL EnergiaCPFE3Dividendo0,13422/06/202629/04/2026
Equatorial ParáEQPA3Dividendo0,13422/06/202629/04/2026
Equatorial ParáEQPA5Dividendo0,13422/06/202629/04/2026
Equatorial ParáEQPA6Dividendo0,13422/06/202629/04/2026
Equatorial ParáEQPA7Dividendo0,13422/06/202629/04/2026
EternitETER3Dividendo0,08522/06/202630/03/2026
PetrobrasPETR4JCP0,31322/06/202622/04/2026
ComgásCGAS3JCP1,69825/06/202615/06/2026
ComgásCGAS3Dividendo2,28925/06/202615/06/2026
ComgásCGAS5JCP1,86825/06/202615/06/2026
ComgásCGAS5Dividendo2,51825/06/202615/06/2026
AssaíASAI3JCP0,10426/06/202606/01/2026
BanrisulBRSR3Dividendo0,22026/06/202612/06/2026
BanrisulBRSR5JCP0,22026/06/202612/06/2026
BanrisulBRSR6JCP0,22026/06/202612/06/2026
SaneparSAPR11JCP0,55226/06/202630/12/2025
SaneparSAPR11JCP1,40826/06/202630/06/2025
SaneparSAPR3JCP0,10226/06/202630/12/2025
SaneparSAPR3JCP0,26026/06/202630/06/2025
SaneparSAPR4JCP0,11226/06/202630/12/2025
SaneparSAPR4JCP0,28626/06/202630/06/2025

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Ibovespa hoje: adiamento das negociações entre EUA e Irã impõe cautela aos mercados; o que esperar da sexta-feira (19)?

19 de Junho de 2026, 10:28

As bolsas globais encerram uma semana forte em tom mais cauteloso, à medida que o alívio inicial com o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã dá lugar a dúvidas sobre sua implementação e durabilidade. As negociações previstas para ocorrer na Suíça foram adiadas após novos confrontos no sul do Líbano entre Israel e militantes do Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, elevando a incerteza sobre a sustentação da trégua.

Com os mercados à vista dos EUA fechados pelo feriado de Juneteenth e uma agenda econômica esvaziada, os investidores concentraram suas atenções no Estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo voltou a preocupar diante de relatos de redução no fluxo de petroleiros, presença de minas, riscos de congestionamento e dúvidas sobre o grau de controle que o Irã poderá manter sobre a hidrovia. O petróleo voltou a subir em uma sessão volátil, embora ainda caminhe para uma das maiores quedas semanais do ano

Nos mercados acionários, o Stoxx 600 opera sem direção definida, e as bolsas europeias mostraram cautela. Na Ásia, o desempenho foi misto, com destaque para a forte alta semanal do Nikkei, beneficiado pelo alívio nas expectativas de inflação e pelo bom desempenho global dos setores de semicondutores e inteligência artificial (IA).  

00:54 — Problema de credibilidade

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quinta-feira (18) em leve queda de 0,10%, aos 168.278 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 1,30%, para R$ 5,17, pressionado pelo tom mais duro do Federal Reserve (Fed) e, sobretudo, pela leitura do comunicado do Copom, em linha com o que comentei ontem.

O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, como esperado, mas surpreendeu ao manter aberta a possibilidade de novos cortes, em vez de sinalizar uma pausa mais clara no ciclo.

A comunicação gerou ruído porque, ao mesmo tempo em que reconheceu inflação acima da meta, expectativas desancoradas, atividade ainda robusta e riscos fiscais, o Comitê recorreu a um horizonte de projeção mais longo, o primeiro trimestre de 2028, para justificar trajetórias alternativas compatíveis com a convergência da inflação à meta. Para o mercado, essa abordagem soou excessivamente heterodoxa

Com isso, a decisão foi interpretada por parte dos investidores como mais dovish do que o esperado, ou seja, mais inclinada à continuidade do afrouxamento monetário. A alta do dólar e a abertura da curva de juros mostraram que o mercado passou a questionar a consistência da comunicação e a credibilidade da estratégia da autoridade monetária, especialmente em um ambiente marcado por risco fiscal e pelo avanço do calendário eleitoral. A dinâmica do câmbio passa a ser um ponto crucial de acompanhamento, pois pode limitar a continuidade do ciclo de cortes da Selic. 

01:41 — Feriado

Antes do feriado desta sexta-feira (19) nos EUA, os índices americanos reagiram positivamente ao memorando de entendimento de 14 pontos assinado entre os EUA e o Irã, interpretado como um passo relevante para encerrar meses de hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz.

A suspensão dos combates por 60 dias, o fim do bloqueio naval americano e a possibilidade de remoção gradual das sanções contra Teerã contribuíram para reduzir o prêmio de risco geopolítico, levando o petróleo Brent para perto de US$ 80 por barril e impulsionando tanto ações quanto títulos.

O S&P 500 avançou 1,1%, o Nasdaq subiu 1,9% e o setor de tecnologia teve desempenho particularmente forte, com alta de 2,9% do ETF iShares U.S. Technology. Ao mesmo tempo, os investidores passaram a lidar com uma mudança importante no Federal Reserve sob a presidência de Kevin Warsh, cuja primeira reunião trouxe uma mensagem mais dura do que o esperado.

Embora o Fed tenha mantido os juros estáveis pela quarta reunião consecutiva, a ausência de orientação futura e o foco explícito no combate à inflação levaram o mercado a precificar mais de 80% de chance de alta dos juros em setembro, além de mais de um aumento até outubro. Ainda assim, a queda recente dos preços de energia pode aliviar a inflação nos próximos meses e reduzir a necessidade de novas altas, especialmente se a trégua com o Irã se sustentar.

A próxima semana será importante para calibrar essa leitura, com a divulgação do índice PCE de maio, indicador de inflação preferido do Fed, além dos PMIs, das vendas de novas casas, dos pedidos de bens duráveis e dos balanços de empresas como FedEx e Micron Technology

02:39 — Adiamento 

Os Estados Unidos e o Irã adiaram o início das negociações sobre um acordo de paz e sobre a restrição do programa nuclear iraniano, inicialmente previstas para ocorrer na Suíça. A justificativa oficial ainda não está totalmente clara: a Casa Branca atribuiu o adiamento a dificuldades logísticas, enquanto Teerã vinha sinalizando que só avançaria para discussões técnicas após sinais concretos de implementação do acordo interino, especialmente nos pontos ligados à reabertura do Estreito de Ormuz, às isenções para exportação de petróleo e à liberação de ativos congelados.

O cancelamento da viagem do vice-presidente JD Vance aumentou a incerteza sobre a sustentação da trégua, em meio a novos confrontos entre Israel e militantes do Hezbollah no sul do Líbano, episódio que ampliou a pressão política sobre o acordo. 

O memorando provisório assinado por Donald TrumpMasoud Pezeshkian reduziu parte do risco geopolítico imediato, permitiu a retomada parcial do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e trouxe algum alívio aos preços da energia. Ainda assim, os mercados passaram a interpretar o acordo com mais cautela, uma vez que a normalização das cadeias logísticas e energéticas pode levar meses, enquanto o Irã mantém restrições operacionais à navegação durante as operações de desminagem.

O texto prevê uma janela de 60 dias para negociar o status do programa nuclear iraniano, a redução do grau de enriquecimento do material nuclear em território iraniano sob supervisão da AIEA, isenções para exportações de petróleo, acesso a cerca de US$ 24 bilhões em fundos congelados e um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões. Os pontos mais sensíveis, porém, foram deixados para uma etapa posterior.  

No plano político e estratégico, o acordo enfrenta resistência em Washington, em Israel e entre aliados regionais, sobretudo pela percepção de que Teerã recebeu concessões relevantes antes de assumir compromissos mais claros sobre seu programa nuclear. Ao mesmo tempo, os EUA ampliaram sanções contra autoridades libanesas e redes empresariais associadas ao Hezbollah, acusadas de obstruir o processo de paz e financiar o grupo.

Para o Irã, o acordo oferece um alívio econômico, mas também expõe fragilidades internas: a liderança do país está enfraquecida, há sinais de instabilidade política e o fim da guerra pode reduzir o efeito de coesão nacional. Assim, embora tenha diminuído as incertezas de curto prazo, o acordo ainda parece mais um arcabouço político do que uma solução operacional definitiva. 

03:23 — O Projeto Manhattan do século XXI 

Anthropic enviou executivos a Washington para tentar reverter a proibição imposta pelo governo Trump ao uso do Fable 5 (versão do Claude) por estrangeiros, medida que levou a empresa a suspender totalmente o acesso ao modelo. 

Como já comentamos, lançado como uma versão supostamente mais segura do ainda inédito (e muito polêmico) Mythos, o Fable 5 foi restringido por motivos de segurança nacional, após autoridades apontarem riscos de que suas salvaguardas fossem contornadas por agentes mal-intencionados. A decisão teria sido tomada depois de alertas da Amazon, investidora da Anthropic, sobre possíveis formas de desbloquear o modelo para fins ofensivos.

A empresa, por sua vez, argumenta que recebeu pouco tempo e poucos detalhes para responder às preocupações do governo, enquanto profissionais de cibersegurança defendem que modelos avançados também são necessários para fortalecer sistemas contra ataques. Em paralelo, a Anthropic ainda enfrenta uma disputa com o Departamento de Defesa, buscando reverter sua classificação como risco para a cadeia de suprimentos. 

O episódio, porém, é apresentado como algo maior do que uma disputa regulatória envolvendo uma única empresa. A restrição ao Fable e ao Mythos é interpretada como uma continuação da estratégia americana de controle tecnológico, semelhante ao que já ocorreu com chips avançados, Nvidia e ASML: primeiro veio o controle sobre o silício; agora, o controle sobre os próprios modelos de inteligência artificial.

Nesse cenário, o acesso à melhor inteligência do mundo poderia se tornar um ativo nacionalizado, reservado prioritariamente a cidadãos, empresas e estruturas americanas. Isso abriria espaço para soluções alternativas, como empresas de fachada, diretores residentes e estruturas nos EUA, mas essas brechas tenderiam a favorecer apenas quem tem capital e sofisticação jurídica para acessá-las, ampliando a desigualdade nessa frente tecnológica. Ao mesmo tempo, bloquear modelos fechados para o resto do mundo poderia fortalecer o movimento de código aberto e beneficiar concorrentes dispostos a atender os usuários excluídos. 

Trocando em miúdos, a tese central é que a inteligência artificial pode se tornar uma nova moeda de poder, tão estratégica quanto o dólar, o petróleo ou os semicondutores. Ao perceberem que não podem depender plenamente do acesso à inteligência americana, países como Reino Unido, Austrália, membros da Europa e outras nações tenderiam a acelerar projetos de IA soberana.

O problema é que poucos têm capital, energia, infraestrutura e escala para competir com os Estados Unidos, com exceção da China. Assim, ao restringir seus modelos, Washington corre o risco de empurrar parte do mundo para alternativas chinesas ou, no limite, usar o acesso à IA como instrumento de barganha política, militar e econômica.

A restrição também já teria provocado alta nos preços de hardware, aluguel de computação em nuvem e memória DDR5, enquanto limitações energéticas nos EUA contrastam com a capacidade chinesa de ampliar infraestrutura, produzir memória e lançar modelos cada vez mais competitivos. Nesse sentido, a proibição do Fable é tratada como o início de uma disputa muito mais ampla: uma espécie de Projeto Manhattan do século XXI, centrado não mais na energia nuclear, mas no controle da inteligência. 

04:18 — Mais uma para a conta da virada do pêndulo político 

A eleição presidencial colombiana chega ao segundo turno neste domingo e pode se tornar mais um capítulo de uma tendência que começa a ganhar força na América Latina: o avanço de candidatos de direita depois de um período marcado por governos de esquerda e por uma insatisfação crescente com temas como segurança pública, crescimento econômico e combate ao crime.

Favorito nas pesquisas, Abelardo de la Espriella construiu sua campanha em torno de uma plataforma de tolerância zero à criminalidade, em forte contraste com a estratégia de “Paz Total” defendida por Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro, cuja proposta prioriza negociações com grupos criminosos. A alta dos índices de violência e sequestros acabou desgastando parte do apoio à atual administração e ampliando o apelo de propostas mais duras.

Caso a vitória da direita se confirme, a Colômbia se somará a movimentos semelhantes observados recentemente em outros países da região, como o Peru, reforçando a percepção de uma mudança gradual no humor político latino-americano. A grande questão para os próximos anos é se essa dinâmica continuará se espalhando pelo continente e, sobretudo, se o Brasil seguirá ou não essa mesma trajetória em seu próximo ciclo eleitoral. 

05:05 — Escala como vantagem competitiva 

A forte correção recente das incorporadoras refletiu um conjunto de preocupações macroeconômicas (inflação, juros, discussões em torno do FGTS e incertezas geopolíticas), que acabou penalizando o setor de forma indiscriminada.

No entanto, as mensagens transmitidas pelos principais executivos do segmento durante o Real Estate Day do BTG Pactual foram mais construtivas do que a percepção embutida nos preços das ações.

A demanda por habitação econômica segue sustentada por fatores estruturais, como o elevado déficit habitacional, um mercado de trabalho ainda resiliente e condições de financiamento relativamente favoráveis ao público-alvo dessas companhias. Ao mesmo tempo, a inflação de custos continua sendo um ponto de monitoramento, mas não representa, por ora, uma ameaça estrutural para empresas com escala, disciplina operacional e capacidade de repasse. 

Nesse contexto, a escala se consolida como um dos principais diferenciais competitivos do setor. Em um mercado cada vez mais exigente, a capacidade de adquirir terrenos, acessar funding, contratar mão de obra, administrar subsídios e executar múltiplos projetos simultaneamente tornou-se uma barreira de entrada relevante, favorecendo os líderes já estabelecidos.

Embora desafios como a disponibilidade de recursos do FGTS, a escassez de mão de obra e os entraves regulatórios sigam presentes, a expectativa é de um crescimento mais disciplinado, com foco em rentabilidade, velocidade de vendas e preservação de margens. 

Para a Direcional (DIRR3), esse ambiente parece particularmente favorável. A companhia combina demanda resiliente, elevada capacidade de execução, disciplina na alocação de capital e um histórico consistente de navegação por diferentes ciclos econômicos. Mesmo sob premissas conservadoras, nossas estimativas apontam para um lucro superior a R$ 1 bilhão no próximo ano, enquanto a recente correção das ações levou os múltiplos a patamares atrativos.

Em nossa avaliação, o mercado incorporou um grau de pessimismo superior ao que os fundamentos justificam, criando uma oportunidade em uma empresa que segue entregando resultados sólidos e preservando importantes vetores de crescimento para os próximos anos. 

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Ibovespa hoje: ‘ressaca’ pós-Copom, Fed e acordo preliminar entre EUA e Irã; o que esperar da quinta-feira (18)?

18 de Junho de 2026, 10:37

Os mercados globais continuam assimilando os desdobramentos da Super Quarta e do acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã. A assinatura do memorando por Donald Trump, acelerando o processo de cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, contribuiu para uma nova rodada de queda nos preços do petróleo e reforçou o alívio observado nos ativos de risco ao redor do mundo.

Na Ásia, bolsas como NikkeiKospi renovaram máximas históricas, impulsionadas pelo recuo das tensões geopolíticas e pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial (IA), enquanto, na Europa, os mercados oscilaram entre o alívio proporcionado pelo acordo e a reprecificação de um ambiente de juros mais elevados por mais tempo. 

· 00:56 — O corte veio, mas a credibilidade aguenta? 

No Brasil, em uma decisão cuja divulgação acabou ocorrendo com atraso, o Copom entregou exatamente o movimento que vinha sendo esperado pelo mercado ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mais relevante do que a decisão em si, porém, foi a mudança observada na comunicação da autoridade monetária.

Diferentemente da reunião anterior, o Banco Central deixou de indicar de forma explícita que a continuidade do ciclo de cortes permanecia como o cenário mais provável. Em uma leitura superficial, isso poderia ser interpretado como um sinal mais duro.

No entanto, uma análise mais aprofundada do comunicado revela nuances importantes. Embora o Comitê tenha elevado a exigência para novas reduções de juros, preservou uma flexibilidade em sua função de reação, evitando condicionar de forma clara os próximos passos à melhora das expectativas ou à convergência das projeções inflacionárias. Em outras palavras, a porta para novos cortes segue aberta

A avaliação do cenário econômico, por sua vez, tornou-se significativamente mais cautelosa. O comunicado reconheceu que a atividade econômica avançou acima do esperado no primeiro trimestre, com maior participação de setores cíclicos e um mercado de trabalho ainda resiliente. Ao mesmo tempo, destacou a deterioração das expectativas de inflação, elevou a projeção inflacionária para o horizonte relevante de política monetária de 3,5% para 3,7%, e passou a enfatizar de forma mais explícita o risco de uma demanda crescendo acima da capacidade produtiva da economia.

Também chamou atenção o reconhecimento de um ambiente fiscal mais desafiador, fator que continua dificultando o processo de convergência da inflação. Sob a ótica dos fundamentos macroeconômicos, portanto, o diagnóstico foi claramente mais preocupante do que o observado nas reuniões anteriores, reforçando a percepção de que o ambiente para cortes adicionais deveria, em tese, ser mais restritivo

É justamente nesse ponto que surge o principal debate. Apesar de reconhecer uma inflação mais alta, expectativas mais deterioradas e um cenário econômico mais pressionado, o Copom introduziu uma justificativa que pode ser interpretada como relativamente complacente. O Comitê argumentou que uma política monetária excessivamente restritiva poderia levar a inflação para abaixo da meta no horizonte que passará a ser considerado nas próximas reuniões, sugerindo que o grau acumulado de aperto monetário já estaria próximo do necessário.

A questão é que o horizonte atualmente relevante (o quarto trimestre de 2027) continua exibindo inflação acima da meta e em trajetória de piora. Ainda assim, o Banco Central optou por direcionar parte de sua análise para o primeiro trimestre de 2028, um horizonte mais distante. Para parte do mercado, essa abordagem pode ser interpretada como um sinal de maior tolerância à desancoragem inflacionária, o que levanta questionamentos sobre a credibilidade futura da política monetária.  

Essa leitura ajuda a explicar por que o ciclo não foi formalmente encerrado, mesmo diante da deterioração dos fundamentos. Em última instância, o Comitê parece desejar preservar espaço para eventuais cortes adicionais, caso o cenário permita.

O problema é que essa postura pode impor custos relevantes, especialmente sobre o câmbio e os vértices mais longos da curva de juros, tornando o ambiente mais desafiador para os ativos domésticos.

A partir daqui, a continuidade da flexibilização dependerá da evolução das expectativas de inflação, da atividade econômica, da dinâmica fiscal, do comportamento do câmbio e das condições financeiras globais, especialmente em um contexto de postura firme ao redor do mundo. 

· 01:49 — Um novo Federal Reserve no horizonte 

A decisão do Federal Reserve (Fed) veio em linha com as expectativas do mercado, com o FOMC mantendo a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A principal surpresa, porém, não esteve na decisão em si, mas na mudança significativa observada nas projeções dos membros do comitê.

Nove dos dezenove dirigentes passaram a prever ao menos uma elevação dos juros em 2026, ante apenas três na rodada anterior de projeções. Ao mesmo tempo, as estimativas para a inflação foram revisadas para cima, sugerindo um processo de convergência mais lento em direção à meta de 2%.

Na prática, o Fed deixou claro que o combate à inflação continua sendo sua prioridade e que o espaço para cortes de juros se tornou consideravelmente mais restrito, depois do embaraço das expectativas por conta da guerra. 

O comunicado também marcou uma inflexão relevante na forma de comunicação da instituição. Além da remoção do chamado easing bias, a inclinação implícita para futuras reduções de juros, o Federal Reserve eliminou integralmente o forward guidance, abandonando indicações mais explícitas sobre a trajetória futura da política monetária.

O texto (que ficou bem mais enxuto também) passou a enfatizar que a atividade econômica continua avançando em ritmo robusto, que o mercado de trabalho permanece resiliente, que os investimentos seguem fortes e que a inflação ainda opera acima da meta estabelecida. O resultado foi uma mensagem claramente mais cautelosa e restritiva (hawk), refletindo a preferência do comitê por preservar flexibilidade diante de um ambiente ainda cercado por incertezas. 

Na coletiva de imprensa, Kevin Warsh, agora chefe do Fed, procurou estabelecer desde o início uma identidade própria para sua gestão. O novo presidente reforçou repetidamente que a inflação permanece acima da meta há mais de cinco anos e que a estabilidade de preços continuará sendo o principal compromisso do banco central.

Paralelamente, apresentou uma ampla agenda de reformas internas, incluindo grupos de trabalho voltados à revisão dos mecanismos de comunicação do Fed, da qualidade das estatísticas econômicas utilizadas nas decisões de política monetária, do impacto da inteligência artificial sobre a economia, da estrutura do balanço patrimonial da instituição e dos modelos empregados para análise inflacionária. 

Warsh também deixou evidente sua intenção de reduzir o grau de orientação fornecido aos mercados, defendendo que os preços dos ativos devem refletir informações independentes e não apenas reproduzir as sinalizações emitidas pelo próprio banco central. 

Olhando adiante, a principal mensagem é que o Federal Reserve passa a operar sob um regime de maior incerteza e menor previsibilidade. Embora nenhuma elevação de juros tenha sido anunciada nesta reunião, o mercado passou a atribuir probabilidade crescente a um aperto monetário nos próximos meses, com parte dos investidores já considerando uma alta de juros como um cenário plausível até outubro.

Ainda assim, as divergências dentro do próprio comitê permanecem relevantes, o que torna os próximos dados de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho ainda mais determinantes para a condução da política monetária. Em síntese, a era Warsh se inicia com um Fed menos comprometido com orientações antecipadas, mais focado em credibilidade institucional e com menor disposição para flexibilizar sua postura diante de sinais moderados de desaceleração econômica. 

· 02:37 — Um acordo apertado 

O acordo preliminar assinado ontem (17) entre Estados Unidos e Irã representou um importante passo na redução das tensões no Oriente Médio, e contribuiu para a forte correção recente dos preços do petróleo. Ainda assim, está longe de encerrar as incertezas que cercam a região.

O memorando estabelece o fim das hostilidades, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, o relaxamento de parte das sanções e a abertura de um período de 60 dias de negociações para tratar dos temas mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano e os mecanismos de reconstrução econômica do país.

Apesar da melhora inicial no sentimento dos mercados, permanecem dúvidas relevantes sobre a velocidade da normalização do transporte marítimo, a sustentabilidade dos compromissos assumidos por Teerã e a capacidade política de Washington de implementar, na prática, o alívio das sanções previsto no entendimento.

Paralelamente, a questão nuclear continua sendo um dos principais pontos de divergência, dividindo aqueles que defendem restrições máximas ao enriquecimento de urânio e os que consideram mais viável um modelo baseado em supervisão internacional rigorosa e mecanismos permanentes de monitoramento. 

· 03:22 — “Donroe”

Os Estados Unidos parecem estar passando por uma reavaliação gradual de suas prioridades estratégicas diante de um ambiente internacional mais complexo, marcado por múltiplos focos de tensão e limitações crescentes de recursos políticos, fiscais e militares.

Em vez de buscar o mesmo grau de envolvimento simultâneo na Europa, no Oriente Médio e na Ásia, ganha espaço em Washington a visão de que a principal prioridade deve ser a consolidação da influência americana em seu entorno geográfico imediato, em linha com o que já conversamos neste espaço no passado.

Inspirada, em certa medida, nos princípios da histórica Doutrina Monroe, essa abordagem parte do entendimento de que a segurança e a projeção de poder dos Estados Unidos dependem, antes de tudo, do fortalecimento de sua posição no Hemisfério Ocidental, abrangendo áreas estratégicas como a Groenlândia, o Canal do Panamá, o Caribe, o Golfo do México e a América do Sul.

A mudança de regime na Venezuela e a postura mais assertiva em relação a países da região são frequentemente interpretadas como manifestações desse reposicionamento. Ainda assim, essa visão está longe de ser consensual dentro da própria elite política americana.

De um lado, os chamados primacistas defendem a preservação da liderança global dos Estados Unidos como objetivo central da política externa, mesmo que isso implique maior disposição para intervenções, confrontos geopolíticos e projeção de força em diferentes regiões do mundo. De outro, os defensores da contenção argumentam que o país deveria reduzir seu envolvimento em conflitos externos, transferir uma parcela maior das responsabilidades de defesa para seus aliados e direcionar recursos para a reconstrução da competitividade econômica, da infraestrutura e da base industrial doméstica.

O desfecho dos conflitos mais recentes, especialmente no Oriente Médio, poderá influenciar diretamente o equilíbrio entre essas correntes. Para os investidores, essa discussão é relevante, porque afeta decisões relacionadas a gastos militares, alianças estratégicas, segurança energética, cadeias globais de suprimentos e, em última instância, a configuração geopolítica que tende a moldar os mercados internacionais ao longo da próxima década. 

· 04:11 — Uma nova ordem mundial

Estamos assistindo à consolidação de uma ordem global cada vez mais tripolar, impulsionada por um volume sem precedentes de investimentos em três frentes estratégicas: inteligência artificial, defesa e transição energética.

Somados, os gastos públicos e privados nessas áreas já se aproximam de US$ 10 trilhões em 2026 e, segundo diversas estimativas, podem alcançar US$ 16 trilhões até o fim da década. Mais do que movimentos isolados, trata-se de uma transformação estrutural que mobiliza simultaneamente Ásia, Europa e Américas, dando forma ao que vem sendo descrito como um novo superciclo global de investimentos.

Nesse ambiente, a geopolítica deixa de atuar apenas como fonte de risco e passa a desempenhar um papel cada vez mais relevante como direcionadora dos fluxos de capital, estimulando investimentos em infraestrutura, tecnologia, energia e segurança nacional. 

Ao mesmo tempo, a mais recente cúpula do G7 evidencia os desafios de coordenação em um mundo progressivamente mais fragmentado. Criado para liderar a resposta das principais economias avançadas a crises globais, o grupo opera hoje em um contexto profundamente diferente daquele que marcou sua origem.

A ascensão da China, o crescimento da Índia e a maior relevância de outras economias emergentes reduziram o peso relativo das nações desenvolvidas na economia mundial, enquanto divergências internas tornaram mais complexa a construção de consensos.

Embora exista convergência em temas como a reabertura do Estreito de Ormuz e a não proliferação nuclear iraniana, persistem diferenças importantes em áreas como comércio internacional, regulação da inteligência artificial, governança da internet, apoio à Ucrânia e o próprio papel dos Estados Unidos na arquitetura global. 

O resultado é um ambiente em que a cooperação internacional continua sendo necessária, mas já não possui a mesma capacidade de coordenação observada nas décadas anteriores. Em vez de uma liderança global claramente definida, emerge uma estrutura mais descentralizada, na qual diferentes blocos econômicos e geopolíticos buscam defender seus próprios interesses, ainda que mantenham espaços pontuais de cooperação.

Para os investidores, essa mudança ajuda a explicar a crescente relevância de temas como defesa, segurança energética, inteligência artificial, infraestrutura estratégica e soberania tecnológica nas decisões de alocação de capital. Em um mundo mais multipolar, os fluxos de investimento tendem a responder não apenas aos fundamentos econômicos tradicionais, mas também às prioridades geopolíticas que moldarão a próxima fase do crescimento global. 

· 05:03 — O estado ‘belicoso’ das coisas 

A parceria entre General Motors e Lockheed Martin reflete uma preocupação crescente dos Estados Unidos com a necessidade de ampliar sua capacidade de produção militar em um cenário geopolítico cada vez mais complexo. A iniciativa busca unir a expertise da Lockheed Martin no desenvolvimento de sistemas de defesa à escala industrial e à eficiência logística da GM, fortalecendo cadeias de suprimentos, ampliando a produção de munições e reduzindo gargalos que há anos preocupam o Pentágono.

O movimento ocorre em meio aos esforços do governo Trump para acelerar a base industrial de defesa, incluindo incentivos à fabricação de mísseis, drones e outros equipamentos estratégicos, além do uso da Lei de Produção de Defesa para expandir a capacidade produtiva do setor. 

Essa preocupação ganhou ainda mais relevância após o conflito com o Irã, que evidenciou o elevado consumo de munições modernas e levantou questionamentos sobre a velocidade de reposição dos estoques americanos em um cenário de tensões prolongadas. Autoridades estimam que a recomposição de determinados sistemas, como mísseis Tomahawk e interceptadores de defesa aérea, pode levar vários anos.

Nesse contexto, cresce a percepção de que será necessário fortalecer a base industrial do país para garantir capacidade de resposta simultânea em diferentes frentes estratégicas, incluindo uma eventual crise envolvendo Taiwan.

Ainda assim, transformar essa ambição em realidade exigirá mais do que capacidade produtiva: dependerá também da aprovação de recursos pelo Congresso e da celebração de contratos de longo prazo que ofereçam previsibilidade suficiente para sustentar os investimentos necessários da indústria. 

Para o investidor, essa tendência continua criando oportunidades em empresas ligadas aos segmentos de defesa, aeroespacial e segurança nacional. ETFs temáticos como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL) oferecem formas eficientes de capturar esse movimento por meio de uma exposição diversificada a companhias que se beneficiam do aumento estrutural dos gastos militares.

No mercado brasileiro, alternativas como o BDR do iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39) e o SHLD39 cumprem papel semelhante, permitindo acesso simplificado a essa temática. Ainda assim, como ocorre em qualquer tese setorial, a disciplina de alocação permanece essencial. Exposições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para o tema, tendem a oferecer um equilíbrio adequado entre potencial de retorno, diversificação e controle de risco, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor. 

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Esses dois fatores podem fazer com que o Ibovespa volte ‘rapidamente’ à casa dos 190 mil pontos, segundo analistas

17 de Junho de 2026, 12:00

São tempos difíceis para o Ibovespa. O índice, que bateu sua máxima histórica de 199 mil pontos em abril, passou a despencar logo em seguida, salvo alguns momentos pontuais de otimismo.

Foi o caso do pregão da segunda-feira (15), no qual chegou a bater 174 mil pontos no pico intraday, surfando o bom humor do mercado após o anúncio de um acordo entre os EUA e o Irã no domingo (14). No entanto, o Ibovespa voltou a recuar e negociava na casa dos 169 mil pontos até o fechamento deste texto, na terça-feira (16).

Ou seja, a princípio, pode parecer que nem os sinais de uma resolução no Oriente Médio sejam o suficiente para sustentar a Bolsa brasileira. Será mesmo?

Para os analistas da Empiricus Research, há motivo para acreditar em uma recuperação do índice – até mesmo de volta à casa dos 190 mil pontos, como vimos em abril. Porém, essa recuperação depende da convergência de alguns fatores em especial.

Entenda os fatores que podem contribuir para uma ‘volta por cima’ do Ibovespa

Somando a contribuição de valuation e fundamentos, e supondo que a guerra vai finalmente se resolver, podemos imaginar o Ibovespa voltando rapidamente para um patamar de 180 a 190 mil pontos”, afirmam os analistas em relatório da última sexta-feira (12).

A partir dessa afirmação, podemos destrinchar os gatilhos que, se alinhados, podem contribuir para a “volta por cima” do Ibovespa.

Fim do conflito no Oriente Médio

Como falamos anteriormente, o Ibovespa pareceu não sustentar um pregão inteiro de alta com o anúncio de um acordo entre EUA e Irã, que pode, enfim, apontar para o fim da guerra no Oriente Médio. Mas vale lembrar que o fim das tensões pode ser um processo longo.

O conflito trouxe um sentimento generalizado de aversão ao risco nos mercados. Seu fim pode ainda não trazer normalização imediata. “Seria praticamente impossível alcançar um acordo rápido diante de um contexto tão complexo de direitos e deveres entre as partes”, afirmam os analistas.

Mas, aos poucos, investidores podem recuperar otimismo e reduzir o foco em posições mais defensivas, o que pode contribuir para a valorização dos ativos brasileiros.

“Contribuição” de valuation e fundamentos

O mercado brasileiro, referência em teses de commodities, tornou-se de grande interesse de estrangeiros após o início da guerra, especialmente após retirarem capital de teses ligadas ao mercado norte-americano. Inclusive, esse foi um dos principais gatilhos que carregaram a alta do Ibovespa alguns meses atrás.

Para os analistas, uma possível “ressaca” nas teses ligadas à inteligência artificial (IA) – que tem movido o otimismo de mercado nos EUA – pode “ser bom para o Kit Brasil”, considerando que poderia contribuir um retorno do fluxo estrangeiro ao país. Isso “salvo o caso de espraiamento sistêmico”, ou seja, de algum problema que afete os mercados globais de forma geral.

O valuation também entra como um ponto forte da bolsa brasileira. Em diversas ocasiões, os analistas da Empiricus reforçam a perspectiva de que os ativos brasileiros estão atualmente descontados, especialmente na ausência de fluxo comprador.

Inclusive, picos positivos recentes, como o visto no pregão da última quinta-feira (11), “não teriam acontecido se as ações brasileiras não estivessem negociando a múltiplos tão atrativos”, afirmam.

“O mercado local está bem-posicionado em fundamentos para captar esse fluxo gringo quando ele estiver pronto para voltar, e agora está bem-posicionado em valuation também”.

Empiricus+: com ou sem rali do Ibovespa, saiba como posicionar sua carteira de investimentos

O investidor bem-posicionado, dentro das estratégias corretas, pode otimizar os retornos de sua carteira independentemente do que acontecer com o Ibovespa nos próximos meses.

Os analistas da Empiricus estão sempre à postos para recomendar e atualizar suas recomendações de investimento, de acordo com cada passo que o mercado e a conjuntura geopolítica dão.

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Dividendos: Suzano (SUBZ3) e outras 7 ações da bolsa pagam proventos de até R$ 7,90 por ação nesta semana; veja agenda

14 de Junho de 2026, 09:00

Nesta semana que se inicia, 8 ações listadas na bolsa brasileira têm dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP) agendados para cair na conta de seus acionistas. Para que você fique ligado, preparamos um calendário completo com valores previstos por ação, além da ordem de pagamentos por data.

Porém, vale lembrar que investidores devem estar atentos a dois pontos:

  • “Data com” (data de corte): somente investidores que detinham posição nas ações até as datas informadas na tabela estão aptos a receber os pagamentos.
  • Tributação: JCPs estão sujeitos ao Imposto de Renda retido na fonte, à alíquota de 15%. Já os dividendos são tributados em 10% na fonte, isso quando ultrapassam o valor total de R$ 50 mil mensais.

Agenda de dividendos: 15 a 19 de junho

EmpresaTickerTipo de proventoValor bruto por açãoData de pagamentoData de corte
HabitasulHBTS3Dividendo1,83315/06/202624/04/2026
HabitasulHBTS5Dividendo2,01615/06/202624/04/2026
SimparSIMH3Dividendo0,17115/06/202603/06/2026
SuzanoSUZB3Dividendo0,00315/06/202629/04/2026
TaurusTASA3Dividendo0,00315/06/202629/04/2026
TaurusTASA4Dividendo0,00315/06/202629/04/2026
TPI TriunfoTPIS3Dividendo0,54815/06/202630/12/2025
Vitru BrasilVTRU3Dividendo0,02518/06/202630/04/2026
Banco da AmazôniaBAZA3Dividendo3,99519/06/202609/06/2026
Banco da AmazôniaBAZA3JCP7,94719/06/202609/06/2026
WLM ParticipaçõesWLMM3JCP0,26019/06/202610/06/2026
WLM ParticipaçõesWLMM4JCP0,28619/06/202610/06/2026

Quais as melhores ações para buscar dividendos? Conheça as principais recomendações do momento no Empiricus+

O fato de uma empresa distribuir dividendos recorrentes aos seus acionistas não indica, necessariamente, que ela esteja entre as melhores pagadoras de dividendos da bolsa.

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Ibovespa hoje (8): da euforia à cautela, mercados iniciam semana com inflação, guerra e inteligência artificial (IA) no radar

8 de Junho de 2026, 10:27

O início da semana foi marcado por uma mudança relevante de humor nos mercados globais. A combinação entre a intensificação das tensões no Oriente Médio, a correção das ações ligadas à inteligência artificial (IA) e a revisão das expectativas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos levou investidores a adotar uma postura mais cautelosa.

Os confrontos entre Israel e Irã voltaram a ganhar intensidade, elevando os riscos para a estabilidade da região e impulsionando o petróleo para próximo de US$ 100 por barril. Ao mesmo tempo, o forte relatório de emprego dos EUA reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter uma postura mais restritiva por mais tempo, pressionando os rendimentos dos títulos públicos americanos e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital. 

O impacto foi particularmente visível no setor de tecnologia e inteligência artificial, principal motor dos mercados ao longo dos últimos meses. Após a queda superior a 4% do Nasdaq na sexta-feira (5), bolsas asiáticas com forte exposição à cadeia global de semicondutores registraram correções expressivas, com destaque para o Kospi sul-coreano, que recuou mais de 8%.

A combinação entre dados econômicos robustos, juros mais elevados, avaliações exigentes e uma realização natural de lucros após um rali expressivo ajudou a desencadear o movimento. Ainda assim, a recuperação parcial dos futuros americanos e as declarações construtivas de executivos como Jensen Huang, da Nvidia, sugerem que o mercado continua enxergando a inteligência artificial como uma tendência estrutural de longo prazo, embora agora inserida em um ambiente potencialmente mais seletivo e volátil. 

A agenda desta semana adiciona novos elementos a esse cenário. As atenções estarão voltadas para os dados de inflação, além da decisão de política monetária do Banco Central Europeu e dos desdobramentos no mercado de energia.  

· 00:58 — Semanas difíceis 

O mercado brasileiro encerrou mais uma semana sob pressão, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que continuam desafiando os ativos locais. O Ibovespa recuou 2,74% no período, registrando sua oitava semana consecutiva de queda, a sequência mais longa desde 1994, enquanto o dólar avançou para R$ 5,16, atingindo seu maior patamar no ano.

O principal catalisador do movimento veio dos Estados Unidos, onde o relatório de emprego (payroll) surpreendeu positivamente ao apontar a criação de 172 mil vagas em maio, mais que o dobro das expectativas do mercado. O resultado reforçou a percepção de que a economia americana segue resiliente, reduzindo as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve e impulsionando os rendimentos dos títulos públicos americanos. Como consequência, o dólar ganhou força globalmente, o fluxo de recursos para mercados emergentes enfraqueceu e os ativos brasileiros voltaram a sofrer pressão. 

No cenário doméstico, o ambiente permanece igualmente desafiador. A combinação entre inflação ainda resistente, atividade econômica mais forte do que o esperado e incertezas em relação ao quadro fiscal levou os investidores a revisarem suas expectativas para a política monetária. Com isso, a possibilidade de manutenção da Selic ganhou espaço, enquanto as apostas em novos cortes de juros se tornaram mais limitadas.

Esse movimento se refletiu diretamente na curva de juros, pressionando especialmente os ativos mais sensíveis ao custo de capital, como ações voltadas ao mercado interno e setores mais dependentes das condições financeiras. Nos próximos dias, as atenções estarão concentradas na divulgação do IPCA de maio, nos dados do setor de serviços e nas atualizações do Boletim Focus, indicadores que serão fundamentais para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central e a trajetória dos mercados brasileiros ao longo do restante do mês. 

· 01:41 — Semana de dados de inflação 

O foco dos mercados nesta semana estará concentrado nos dados de inflação dos Estados Unidos, especialmente no CPI de maio, que será divulgado na quarta-feira (10). A atenção é justificada porque o mercado de trabalho voltou a surpreender positivamente. O payroll mostrou criação de 172 mil vagas, praticamente o dobro do esperado, enquanto as revisões dos meses anteriores também vieram para cima, reforçando a percepção de uma economia que continua crescendo em ritmo saudável.

Embora a taxa de desemprego tenha permanecido em 4,3% e existam alguns sinais de moderação em segmentos específicos do mercado de trabalho, o conjunto dos dados sugere que a atividade econômica segue resiliente. Nesse contexto, os números de inflação ganham importância ainda maior, pois ajudarão a determinar se essa força da economia está ou não se traduzindo em novas pressões sobre os preços. 

As implicações para a política monetária são relevantes. Um CPI mais forte pode reforçar a visão de que o Federal Reserve precisará manter os juros elevados por mais tempo, ou até considerar novas altas em 2026, cenário que vem ganhando espaço entre algumas instituições financeiras. Isso tende a pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, elevando as taxas dos juros de mercado e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital.

Foi justamente essa dinâmica que ajudou a provocar a recente realização de lucros em ações de tecnologia, após meses de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial. Em outras palavras, os mercados entram na semana tentando responder a uma pergunta central: a economia americana continua forte o suficiente para sustentar os lucros corporativos sem reacender a inflação? A resposta terá impacto direto sobre a curva de juros, o dólar e o comportamento das bolsas globais

· 02:39 — Sinais de escalada 

A guerra entre Israel e Irã continua sendo um dos principais focos de atenção dos mercados globais. Apesar das tentativas de cessar-fogo e das negociações conduzidas pelos Estados Unidos, os confrontos seguem ocorrendo por meio de ataques diretos, ações de grupos aliados ao Irã e novas tensões em pontos estratégicos da região, como o Líbano e o Mar Vermelho.

Até aqui, o mercado de petróleo mostrou uma resiliência maior do que a esperada, com o Brent estabilizado próximo de US$ 100 por barril, bem abaixo dos cenários mais pessimistas que chegaram a projetar preços entre US$ 150 e US$ 200. Isso ocorreu graças à utilização de estoques estratégicos, ao aumento das exportações americanas, à manutenção de fluxos relevantes pelo Estreito de Ormuz e à desaceleração da demanda em países como a China. Ainda assim, os próximos meses podem ser mais desafiadores, especialmente se houver novas interrupções logísticas ou uma escalada do conflito. 

Ao mesmo tempo, o equilíbrio do mercado de energia permanece delicado. Estima-se que cada mês adicional de restrições no fluxo de petróleo pode pressionar ainda mais os preços, enquanto a OPEP+ continua elevando gradualmente sua produção para compensar parte dos riscos de oferta.

Nos Estados Unidos, Donald Trump mantém uma postura firme em relação ao Irã, condicionando qualquer flexibilização de sanções a avanços concretos nas negociações de paz. O resultado é um cenário em que os mercados seguem monitorando simultaneamente geopolítica, oferta de petróleo e decisões dos grandes produtores.

Embora o choque inicial tenha sido absorvido melhor do que muitos esperavam, a combinação entre conflito prolongado, riscos para rotas estratégicas de transporte e estoques globais mais apertados sugere que a energia continuará sendo uma das variáveis mais importantes para inflação, crescimento econômico e comportamento dos mercados nos próximos trimestres. 

· 03:23 — Debate aprofundado 

O debate sobre inteligência artificial ganhou novos contornos. A Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude e uma das principais concorrentes da OpenAI, defendeu a possibilidade de uma desaceleração temporária no desenvolvimento dos sistemas mais avançados de IA. A empresa argumenta que o ritmo atual de evolução da tecnologia pode superar a capacidade de adaptação das instituições, da regulação e das pesquisas de segurança, sugerindo que uma eventual pausa só faria sentido se fosse adotada globalmente e acompanhada de mecanismos de verificação.

Ao mesmo tempo, o governo Donald Trump publicou uma nova ordem executiva sobre inteligência artificial, optando por uma abordagem mais leve do que a inicialmente cogitada. A proposta prevê que o governo tenha um prazo de 30 dias para analisar novos modelos de inteligência artificial antes de seu lançamento ao público. A proposta preserva algum grau de supervisão sobre novos modelos, mas evita medidas mais rígidas que poderiam reduzir a competitividade das empresas americanas frente à China. 

Enquanto isso, os efeitos da inteligência artificial já começam a aparecer de forma concreta no mercado de trabalho. As empresas de tecnologia dos EUA anunciaram mais de 38 mil demissões apenas em maio, o maior volume em quase dois anos, e os cortes acumulados em 2026 já superam 123 mil vagas. Em muitos casos, a própria IA passou a ser citada como motivo para a reestruturação das equipes. Ainda assim, o quadro não é inteiramente negativo. O setor também lidera as intenções de contratação para os próximos anos, refletindo uma transformação da demanda por trabalho, mais do que uma simples destruição de empregos.

Em outras palavras, a inteligência artificial continua avançando como uma das principais forças de mudança da economia global, gerando ganhos de produtividade e novas oportunidades, mas também exigindo adaptação de empresas, trabalhadores e governos a um mercado cada vez mais moldado pela tecnologia, que promete revolucionar a economia global. 

· 04:14 — Limite populacional? 

A Suíça se aproxima de um referendo com potencial para gerar impactos econômicos relevantes. A proposta, conhecida como “Não aos 10 milhões”, busca limitar a população do país a 10 milhões de habitantes, exigindo uma redução significativa do ritmo de imigração nas próximas décadas.

Os defensores argumentam que o país enfrenta pressões crescentes sobre infraestrutura, habitação, transporte e serviços públicos, enquanto os críticos alertam que a medida pode restringir a oferta de mão de obra em uma economia altamente dependente de profissionais qualificados vindos do exterior. Grandes empresas, especialmente dos setores de tecnologia e farmacêutico, demonstraram preocupação com possíveis dificuldades para atrair talentos internacionais, considerados essenciais para a competitividade do país. 

As implicações podem ir além do mercado de trabalho. Um limite rígido à imigração entraria em conflito com o princípio da livre circulação de pessoas, um dos pilares da relação entre a Suíça e a União Europeia. Isso abre espaço para tensões diplomáticas e comerciais com o principal parceiro econômico do país, responsável por grande parte de suas exportações e investimentos.

Em última instância, o debate reflete uma questão que vem ganhando força em diversas economias desenvolvidas: como equilibrar crescimento econômico, demanda por trabalhadores qualificados e pressões sociais associadas ao aumento da imigração em mercados desenvolvidos. 

· 05:06 — Um evento que chama a atenção 

Apple (Nasdaq: AAPL) inicia hoje sua tradicional Worldwide Developers Conference (WWDC), principal evento anual da companhia voltado a desenvolvedores, software e inovação. Embora historicamente a conferência seja utilizada para apresentar atualizações dos sistemas operacionais da empresa, a edição deste ano carrega uma relevância especial para investidores.

Após as críticas recebidas pela primeira geração do Apple Intelligence e os atrasos na implementação de recursos mais avançados de inteligência artificial, o mercado espera que a companhia apresente uma resposta mais robusta para a crescente competição com OpenAI, Google, Microsoft e outras líderes da corrida pela IA. Não por acaso, a WWDC é vista como uma oportunidade para a Apple demonstrar que possui uma estratégia para a grande onda tecnológica. 

O principal destaque esperado é uma profunda reformulação da Siri. Segundo as indicações, a assistente virtual deverá incorporar recursos de inteligência artificial generativa, utilizando modelos Gemini, do Google, além de ganhar maior capacidade de compreender contexto pessoal, interpretar informações exibidas na tela e executar tarefas mais complexas em diferentes aplicativos do ecossistema Apple.

Também existe expectativa para o lançamento de uma versão independente da Siri, em formato semelhante aos atuais chatbots de IA, potencialmente abrindo espaço para novas formas de monetização. Além disso, investidores acompanham possíveis atualizações dos sistemas operacionais da companhia, adaptações para novos formatos de hardware e avanços na integração entre dispositivos, elementos que podem reforçar a competitividade do ecossistema Apple nos próximos anos. 

Embora o mercado costume reagir de forma cautelosa aos anúncios da WWDC no curto prazo, o evento possui relevância para a tese de investimento. Mais do que apresentar novos produtos, a Apple precisa convencer investidores de que está preparada para ocupar um papel relevante na era da IA.

Em nossa visão, a empresa continua reunindo atributos difíceis de replicar, como uma base extremamente fiel de usuários, forte capacidade de geração de caixa, integração única entre hardware e software e uma das marcas mais valiosas do mundo. Caso a WWDC consiga demonstrar avanços concretos na estratégia de IA, o evento poderá representar um passo importante para reforçar a confiança dos investidores na capacidade da companhia de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas ao longo da próxima década, incluindo os investidores brasileiros expostos às BDRs AAPL34

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Banco do Brasil (BBAS3), Gerdau (GGBR4) e mais 7 empresas pagam dividendos esta semana

7 de Junho de 2026, 08:00

Banco do Brasil (BBAS3), Gerdau (GGBR4) e outras empresas da B3 estão programadas para pagar proventos esta semana, de 8 a 12 de junho.

Os JCP do Banco do Brasil serão distribuídos na quinta-feira (11), no valor de R$ 0,059 por ação.

Enquanto isso, os dividendos da Gerdau serão de R$ 0,180 por ação, distribuídos na terça-feira (9), e os acionistas da Metalúrgica Gerdau recebem na quarta-feira (10). Este pagamento corresponde à antecipação do dividendo mínimo obrigatório referente ao exercício social de 2026.

A seguir, é possível conferir a agenda completa de dividendos da semana.

Dividendos: agenda 08 a 12 de junho

Confira a seguir o calendário de pagamentos de dividendos e JCP previstos para a semana.

EmpresaTickerTipo de proventoValor por açãoData de pagamentoData-com
Camil AlimentosCAML3Dividendo0,07309/06/202629/05/2026
GerdauGGBR3Dividendo0,18009/06/202613/05/2026
GerdauGGBR4Dividendo0,18009/06/202613/05/2026
JHSF ParticipaçõesJHSF3Dividendo0,06809/06/202628/05/2026
Metalúrgica GerdauGOAU3Dividendo0,08010/06/202613/05/2026
Metalúrgica GerdauGOAU4Dividendo0,08010/06/202613/05/2026
GrendeneGRND3JCP0,03310/06/202621/05/2026
GrendeneGRND3Dividendo0,02810/06/202621/05/2026
Banco do BrasilBBAS3JCP0,05911/06/202601/06/2026
FerbasaFESA3JCP0,38712/06/202605/11/2025
FerbasaFESA4JCP0,42612/06/202605/11/2025
Minupar ParticipaçõesMNPR3Dividendo0,12912/06/202614/04/2026
MitreMTRE3Dividendo0,04212/06/202601/06/2026

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