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Received today — 18 de Agosto de 2026Empiricus

Ibovespa hoje: Prévia do PIB reforça desaceleração no Brasil e o fim do cessar-fogo entre EUA e Irã; veja destaques desta segunda (17)

17 de Agosto de 2026, 10:36

Os mercados globais iniciam a semana sem uma direção definida, divididos entre o alívio proporcionado pela menor expectativa de aperto monetário nos Estados Unidos e a persistência dos riscos geopolíticos no Oriente Médio. O cessar-fogo de 60 dias entre EUA e Irã chega ao fim sem sinais claros de renovação, enquanto as negociações entre Washington e Teerã permanecem paralisadas e o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz segue severamente restrito.

A escalada das tensões também alcançou o Líbano, onde ataques israelenses deixaram 11 mortos, entre eles um comandante de alto escalão do Hezbollah, no episódio mais letal desde o cessar-fogo de junho. Nesse contexto, Brent e WTI voltaram a subir, sustentando um prêmio de risco relevante sobre energia e transporte marítimo, embora os mercados acionários permaneçam relativamente resilientes após as máximas recentes do S&P 500 e a redução das apostas em uma nova alta de juros pelo Federal Reserve.

Na Ásia, por outro lado, os dados econômicos reforçaram os sinais de perda de fôlego da atividade. Ainda assim, as bolsas da região avançaram, com Nikkei, Shanghai e Hang Seng em alta, apoiadas pela menor percepção de risco de aperto monetário nos Estados Unidos. A semana traz poucos indicadores de maior relevância, mas a divulgação da ata do Fed, os balanços de grandes varejistas, como o Walmart, e os desdobramentos das negociações com o Irã devem permanecer no centro das atenções.

· 00:57 — IBC-Br recua e reforça sinais de desaceleração da atividade

O mercado brasileiro encerrou a última semana sob pressão crescente, em um ambiente marcado por maior aversão a risco, saída de capital estrangeiro e início da volatilidade pré-eleitoral. O Ibovespa recuou 0,10% na sexta-feira, aos 166.934 pontos, completando nove sessões consecutivas de perdas e acumulando queda de 3,23% na semana, o pior desempenho semanal desde maio. O dólar avançou 2,67% no período, voltando a superar R$ 5,20. A deterioração foi acompanhada por uma saída líquida de R$ 13,6 bilhões de investidores estrangeiros da bolsa em agosto até o dia 12 e por uma elevação dos prêmios na curva de juros.

O movimento também se refletiu na avaliação de instituições internacionais: um banco americano retirou o real de sua cesta de carry trade diante da expectativa de maior volatilidade cambial associada ao processo eleitoral, enquanto outro reduziu sua recomendação para o Brasil de overweight para neutro e revisou para baixo sua projeção para o Ibovespa, citando incerteza eleitoral, juros reais elevados, desaceleração da atividade e preocupações fiscais.

No campo macroeconômico, o IBC-Br de junho recuou 0,6% na comparação mensal, resultado ligeiramente pior do que a expectativa de queda de 0,5% e após avanço de 0,1% no mês anterior. A leitura reforça os sinais de perda de fôlego da atividade econômica ao final do segundo trimestre, em linha com a desaceleração já observada em alguns dos principais indicadores de indústria, comércio e serviços. O dado também sugere uma passagem menos favorável para a segunda metade do ano, aumentando a atenção sobre a intensidade da desaceleração da economia brasileira nos próximos meses.

Ao mesmo tempo, os sinais de fragilidade financeira continuam se acumulando: a inadimplência empresarial atingiu 9,1 milhões de CNPJs em junho, com R$ 232,9 bilhões em dívidas em atraso, ambos em níveis recordes. No setor público, o déficit primário consolidado chegou a R$ 55,3 bilhões em junho e a R$ 157,2 bilhões no acumulado, equivalente a 1,19% do PIB, enquanto a dívida pública permanece acima de 80% do PIB.

Esse conjunto reforça a percepção de que a combinação entre uma política monetária ainda restritiva, expansão dos gastos públicos e deterioração fiscal tende a manter juros, câmbio e demais ativos domésticos mais sensíveis tanto ao noticiário político quanto às discussões sobre o ajuste necessário no próximo ciclo de governo.

Em paralelo, algumas frentes oferecem contrapontos mais construtivos. A balança comercial deve encerrar 2026 com superávit superior ao observado no ano anterior, sustentada pelo avanço das exportações de soja e petróleo e por um crescimento mais moderado das importações. No setor de energia, a Petrobras identificou a presença de óleo no poço Morpho, na Margem Equatorial, reforçando o potencial estratégico da região, embora ainda não existam informações suficientes para estimar o tamanho da descoberta, o volume recuperável ou sua viabilidade econômica.

Caso futuras perfurações confirmem escala e qualidade, a área poderá se consolidar como uma nova fronteira relevante para a produção brasileira, mas os efeitos sobre a oferta da companhia devem se materializar apenas no longo prazo e dependerão de fatores como licenciamento, investimentos e disciplina na alocação de capital. Dessa forma, o cenário doméstico combina oportunidades com um pano de fundo ainda desafiador, no qual fiscal, eleições, atividade econômica e fluxo estrangeiro permanecem entre os principais determinantes para a precificação dos ativos brasileiros.

· 01:42 — Atenção nas ações americanas

Nos Estados Unidos, os índices encerraram a semana em tom relativamente estável, embora o S&P 500 tenha recuado 0,2% em relação à sua máxima histórica, enquanto o Nasdaq caiu 0,3% e o Dow Jones cedeu 0,2%. Ainda assim, o S&P 500 completou a terceira semana consecutiva de ganhos.

O mercado reagiu de forma limitada tanto à queda inesperada de 0,6% nas vendas no varejo, parcialmente influenciada pela antecipação de promoções, como o Amazon Prime Day, quanto à alta de 1,7% do petróleo Brent, em meio à ausência de avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã.

Essa menor sensibilidade às manchetes tem sido acompanhada por uma queda expressiva da volatilidade: o VIX recuou para 14,25 pontos, menor nível desde dezembro e bem abaixo de sua média histórica de 19,45. Parte dessa tranquilidade pode ser explicada pela força da temporada de resultados, com os lucros das empresas do S&P 500 caminhando para uma expansão superior a 31% no segundo trimestre, além da redução das apostas em uma nova alta de juros pelo Federal Reserve após leituras mais fracas de inflação e emprego.

Apesar desse ambiente favorável, Wall Street mantém uma postura cautelosa em relação ao potencial adicional de valorização do mercado. A projeção média para o S&P 500 ao fim do ano gira em torno de 7.900 pontos, o que sugere uma alta de apenas 1,5% nos próximos meses, mesmo diante da forte expansão dos lucros. Parte dessa cautela está relacionada ao desempenho mais moderado das chamadas “Magnificent Seven”, que acumulam valorização de cerca de 4% no ano, abaixo dos aproximadamente 14% do S&P 500 e dos 16% da versão do índice com pesos iguais, levantando dúvidas sobre quanto do rali tecnológico já foi incorporado aos preços.

Além disso, o crescimento dos lucros pode desacelerar para cerca de 13,6% em 2027, à medida que o mercado se aproxima do quarto ano do ciclo de valorização impulsionado pela inteligência artificial. Eventos como o fim do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, a divulgação da ata do Fed e a possibilidade de novas tarifas comerciais ainda podem provocar episódios de maior volatilidade, mas, por enquanto, o mercado segue sustentado por lucros robustos, menor receio de aperto monetário e uma percepção de risco relativamente contida.

· 02:39 — Consumidor perde fôlego e Fed ganha espaço para esperar

Os dados mais recentes reforçam a percepção de que o consumidor americano começa a perder fôlego, embora parte da fraqueza observada em julho tenha sido influenciada por efeitos de calendário. As vendas no varejo recuaram 0,6% no mês, bem abaixo da expectativa de alta de 0,1%, registrando a primeira queda em nove meses e a maior desde maio de 2025. O grupo de controle, mais diretamente relacionado ao cálculo do consumo no PIB, caiu 0,4%, enquanto segmentos como comércio eletrônico e veículos recuaram 2,2% e 1,8%, respectivamente.

Parte da fraqueza das vendas online pode ser explicada pela antecipação do Amazon Prime Day e de outras promoções para junho, mas os sinais de cautela vão além desse efeito: a confiança do consumidor recuou cerca de 8%, os Estados Unidos perderam 23 mil empregos no último mês e a taxa de participação na força de trabalho permanece bastante deprimida.

Ao mesmo tempo, a inflação anual ainda gira em torno de 3,4%, acima da meta de 2% do Federal Reserve, configurando um ambiente no qual a atividade perde dinamismo sem que as pressões inflacionárias tenham sido plenamente dissipadas. Em conjunto, esses dados reduzem a urgência por novas altas de juros e aumentam a probabilidade de manutenção das taxas em setembro.

Agora, a semana oferece novas pistas sobre esse equilíbrio entre consumo, inflação e política monetária. Em uma agenda relativamente esvaziada de indicadores, o principal destaque será a divulgação da ata da reunião de julho do Fed, além dos PMIs de manufatura e serviços. Ao mesmo tempo, a temporada de resultados se concentrará nas grandes varejistas, com Home Depot, Target, Lowe’s e Walmart oferecendo uma leitura importante sobre a saúde financeira das famílias americanas.

Os lucros do segundo trimestre permanecem fortes no agregado, mas esse desempenho tem sido liderado pelas grandes empresas de tecnologia, enquanto os setores mais expostos ao consumo apresentam resultados relativamente mais modestos. Nos mercados, a correção recente das ações ligadas à inteligência artificial e aos semicondutores já deu lugar a uma recuperação de posições mais especulativas, acompanhada pelo retorno dos fluxos para ETFs alavancados e opções de compra.

Nesse contexto, a postura ainda restritiva do Fed continua representando um obstáculo para os ativos de risco, mas uma desaceleração adicional da inflação e do crescimento poderia abrir espaço para uma política monetária menos dura.

· 03:25 — Mudança do ensino

A ascensão da inteligência artificial já começa a influenciar de maneira concreta as escolhas acadêmicas de estudantes universitários nos Estados Unidos. Pesquisas recentes mostram que 69% dos alunos temem que a IA dificulte sua entrada no mercado de trabalho, enquanto 22% afirmam já ter mudado de curso ou de especialização em razão dessa preocupação.

Outro levantamento, realizado pela Lumina Foundation em parceria com a Gallup, indica que 13% dos estudantes de bacharelado e 19% daqueles matriculados em cursos de curta duração alteraram sua área de estudo em resposta ao avanço da tecnologia, enquanto quase metade dos entrevistados já considerou seriamente essa possibilidade. Esse receio encontra algum respaldo na dinâmica recente do mercado de trabalho, uma vez que estudos do Federal Reserve de St. Louis apontam que a disseminação da IA vem criando dificuldades para profissionais recém-formados em busca do primeiro emprego.

Ao mesmo tempo, ainda não há consenso sobre quais áreas estarão mais protegidas ou serão mais valorizadas nesse novo ambiente. Ciência da Computação, por exemplo, deixou de ser percebida como uma garantia de empregabilidade e registrou queda de 8,1% nas matrículas no último ano, depois de liderar o crescimento entre os cursos por cerca de 15 anos. Em paralelo, formações específicas em inteligência artificial vêm se multiplicando rapidamente nas universidades, enquanto especialistas argumentam que competências mais amplas e transferíveis — como pensamento crítico, liderança, colaboração e capacidade de trabalhar de forma produtiva com ferramentas de IA — tendem a ganhar importância crescente.

Algumas instituições também começam a experimentar alternativas menos tradicionais, com cursos voltados à economia de criadores e à produção de conteúdo, refletindo uma tentativa mais ampla de adaptar o ensino superior às transformações aceleradas que a tecnologia vem promovendo no mercado de trabalho.

· 04:13 — Desaceleração asiática

O Japão encerrou o segundo trimestre com crescimento mais fraco do que o esperado, reforçando o dilema entre sustentar a atividade econômica e conter a desvalorização do iene. O PIB real avançou 0,3% na comparação trimestral e 1,1% em taxa anualizada, abaixo das projeções de 0,5% e 2,0%, respectivamente, embora o resultado tenha marcado o terceiro trimestre consecutivo de expansão. A composição, no entanto, foi pouco favorável: o consumo das famílias permaneceu praticamente estagnado, com queda de 0,02%, enquanto o investimento empresarial recuou 1,2%.

O setor externo, por sua vez, contribuiu positivamente, favorecido pela redução das importações de energia e pela demanda americana por veículos híbridos, além dos investimentos globais em semicondutores e inteligência artificial. Apesar da desaceleração, o Banco do Japão continua pressionado a avançar no processo de normalização monetária para conter a fraqueza do iene, que permanece próximo das mínimas de quatro décadas.

O mercado ainda atribui elevada probabilidade a uma nova alta de juros em setembro, mas os dados mais fracos reforçam a necessidade de cautela: um aperto monetário mais acelerado pode contribuir para sustentar a moeda, porém também aumenta o risco de comprometer uma economia em que consumo e investimento já demonstram sinais de fragilidade.

Já na China, o início do terceiro trimestre também foi marcado por perda de fôlego, com produção, consumo e investimentos abaixo das expectativas. A produção industrial cresceu 4,5% em julho na comparação anual, desacelerando em relação aos 5,3% registrados em junho, enquanto as vendas no varejo avançaram apenas 0,6%, sinalizando a persistente fraqueza da demanda doméstica e a perda de impulso dos programas de subsídios ao consumo. O investimento em ativos fixos recuou 6,7% nos primeiros sete meses do ano, resultado pior do que o esperado e que se soma à fragilidade do setor imobiliário e à deterioração dos indicadores industriais.

A demanda externa e o ciclo global de investimentos ligados à inteligência artificial continuam sustentando uma parcela relevante da atividade manufatureira chinesa, mas ainda não são suficientes para compensar a fraqueza do mercado interno. As autoridades prometeram acelerar a execução orçamentária e adotar medidas adicionais de apoio, se necessário, mas, até o momento, não sinalizaram a implementação de um pacote amplo de estímulos.

Em conjunto, os dados de Japão e China reforçam uma mensagem semelhante para a Ásia: o crescimento permanece positivo em algumas frentes, mas está cada vez mais dependente das exportações, do investimento em tecnologia e do suporte das políticas públicas, enquanto a demanda doméstica continua vulnerável.

· 05:01 — Energia nuclear de volta ao centro da transição energética

O cenário energético global passa por uma transformação estrutural que vem recolocando a energia nuclear no centro das discussões sobre segurança energética e expansão da oferta de eletricidade. O crescimento acelerado da demanda de data centers e das aplicações de inteligência artificial exige fontes capazes de fornecer energia de maneira contínua, previsível e em grande escala, característica que favorece a geração nuclear em um sistema cada vez mais intensivo em eletricidade.

Ao mesmo tempo, anos de subinvestimento na mineração de urânio limitaram a expansão da oferta justamente em um momento em que diversos países retomam projetos nucleares, prolongam a vida útil de usinas existentes e anunciam a construção de novos reatores. Essa combinação tende a tornar o mercado de urânio mais apertado, na medida em que o crescimento da demanda pode superar a capacidade de resposta da produção no curto e médio prazo.

A tese também ganha força no contexto da agenda global de descarbonização. Por oferecer geração de baixa emissão de carbono e elevada disponibilidade, a energia nuclear vem sendo incorporada aos planos de transição energética de diferentes governos, inclusive por meio do desenvolvimento dos pequenos reatores modulares, os chamados SMRs, concebidos para reduzir custos e prazos de construção, além de ampliar a flexibilidade de implantação.

Com projeções indicando que a demanda por urânio pode dobrar até 2040, o setor tende a ocupar uma posição cada vez mais relevante na matriz energética global. Para o investidor, trata-se de uma tese de longo prazo sustentada não apenas pela transição climática, mas também pela necessidade crescente de garantir uma oferta firme e confiável de energia para uma economia cada vez mais eletrificada, digital e dependente de infraestrutura computacional.

Nesse contexto, instrumentos como os ETFs Sprott Uranium Miners ETF (URNM) e Global X Uranium ETF (URA), já recomendados neste espaço, continuam sendo alternativas relevantes para investidores que desejam se expor a essa tendência estrutural. No mercado brasileiro, o BDR BURA39 desempenha função semelhante ao oferecer acesso ao tema por meio da B3. Ainda assim, por se tratar de uma tese com elevada volatilidade e forte componente temático, entendemos que exposições mais moderadas, tipicamente de até 1% do portfólio, tendem a ser suficientes para capturar seu potencial sem comprometer o equilíbrio geral da carteira. Como sempre, permanecem válidos os princípios fundamentais de uma boa alocação: respeitar o perfil de risco, manter uma diversificação adequada e construir um portfólio capaz de atravessar diferentes ciclos de mercado com consistência e disciplina.

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Ibovespa em queda, resposta do Brasil ao ‘tarifaço’ de Trump e IPO da Anthropic no radar do mercado; veja destaques desta sexta (14)

14 de Agosto de 2026, 10:29

Os mercados globais operam sem direção única nesta sexta-feira, divididos entre o alívio proporcionado por sinais mais benignos de inflação nos Estados Unidos e a renovação das tensões geopolíticas envolvendo o Irã. A combinação de leituras mais moderadas do CPI e do PPI reduziu a percepção de urgência por um novo aperto monetário pelo Federal Reserve e ajudou o S&P 500 a renovar suas máximas históricas, enquanto os futuros americanos permanecem próximos da estabilidade.

Na Ásia, o destaque foi o Kospi, da Coreia do Sul, impulsionado pelo bom desempenho do setor de semicondutores, enquanto o Nikkei, do Japão, também avançou e as bolsas chinesas apresentaram comportamento mais contido. Na Europa, os principais índices oscilam próximos da estabilidade após a confirmação de crescimento do PIB da Zona do Euro no segundo trimestre.

Nos Estados Unidos, as atenções se concentram agora sobre os dados de vendas no varejo e de confiança do consumidor, importantes para avaliar a resiliência do consumo em um contexto no qual os salários reais permanecem pressionados. A principal fonte de risco, contudo, continua sendo o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. O petróleo voltou a subir nesta manhã, embora os mercados ainda não precifiquem uma mudança decisiva no cronograma de reabertura da rota.

O impacto inflacionário da guerra, por sua vez, vai além do petróleo bruto: a valorização dos derivados, a redução da capacidade de refino na região do Golfo e o custo da energia incorporado ao transporte, à produção e ao comércio internacional tornam a transmissão para os preços ao consumidor mais ampla e difícil de mensurar. Dessa forma, o cenário combina algum alívio no campo monetário com um risco energético ainda relevante, mantendo petróleo, inflação, consumo e política do Fed entre os principais vetores para os mercados nas próximas semanas.

· 00:52 — Complicação fiscal começa a falar mais alto

O mercado brasileiro segue sob pressão, com o Ibovespa acumulando oito sessões consecutivas de queda e encerrando o último pregão aos 167.101 pontos, recuo de 0,23% no dia e de 6,12% desde 3 de agosto. O movimento contrasta com o desempenho positivo de Wall Street e reflete, sobretudo, a combinação entre a maior percepção de risco eleitoral, a deterioração do quadro fiscal e a forte saída de capital estrangeiro.

Apenas em agosto, os investidores não residentes retiraram R$ 11,9 bilhões da bolsa brasileira, intensificando a pressão sobre as ações e o câmbio, com o dólar encerrando o pregão próximo de R$ 5,19. Sob a ótica técnica, o rompimento dos suportes de 172.200 e 168.100 pontos reforçou a tendência de baixa do índice.

O ambiente político também ganhou uma nova fonte de incerteza com a abertura do processo para uma eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, em resposta à tarifa de 25% imposta sobre produtos brasileiros. Embora o governo tenha sinalizado preferência pela via diplomática e iniciado consultas com Washington, a possibilidade de adoção de contramedidas acrescenta mais um elemento de volatilidade aos ativos domésticos.

No campo econômico, os dados de atividade reforçam a percepção de desaceleração ao final do segundo trimestre. Embora a Pesquisa Mensal do Comércio tenha surpreendido positivamente em relação às expectativas, sua composição foi menos favorável, com apenas 40% dos segmentos registrando crescimento, enquanto veículos e materiais de construção apresentaram retrações relevantes. O varejo restrito recuou 0,4% no 2T26, após avanço de 1,2% no primeiro trimestre, enquanto o varejo ampliado caiu 1,0%, depois de crescer 1,1% no período anterior. Os números permanecem compatíveis com um cenário de desaceleração do PIB para 0,4% no trimestre e crescimento de 2,0% em 2026.

Esse quadro se soma a uma situação fiscal ainda delicada: medidas recentes aprovadas pelo Congresso ampliaram benefícios, criaram novas exceções às metas fiscais e tornaram mais difícil o controle das despesas. Embora o PLP dos Combustíveis possa abrir cerca de R$ 10 bilhões de espaço no Orçamento de 2027, o impacto é considerado limitado diante de uma necessidade de ajuste estrutural estimada entre R$ 300 bilhões e R$ 350 bilhões.

Com a proximidade das eleições e as dúvidas sobre a capacidade do próximo governo de produzir superávits primários consistentes e rever a estrutura de despesas obrigatórias, o risco fiscal vem se traduzindo em prêmios mais elevados, maior volatilidade e pressão sobre os ativos brasileiros. Sobre esse tema, publicamos recentemente dois relatórios complementares: um analisando o cenário em caso de ajuste fiscal (clique aqui) e outro discutindo as possíveis consequências caso esse ajuste não ocorra (clique aqui). Vale a leitura.

· 01:46 — Alívio

O ambiente externo encontrou algum alívio nos dados de inflação de julho nos Estados Unidos. O CPI desacelerou para 3,4% em 12 meses, enquanto o PPI permaneceu praticamente estável na margem e recuou de 5,5% para 4,7% na comparação anual, favorecido pela queda de 3,1% nos custos de energia. A leitura reduziu a percepção de urgência por uma nova alta de juros pelo Federal Reserve em setembro e contribuiu para sustentar o apetite por risco: o S&P 500 avançou 0,7% e registrou seu 27º fechamento recorde no ano, enquanto o Nasdaq subiu 0,8%.

Ainda assim, o quadro está longe de ser inteiramente benigno. O núcleo do PCE deve apresentar uma moderação bem mais lenta, com projeção de permanência em 3,3%, mantendo em aberto o debate sobre a persistência da inflação e colocando petróleo, mercado de trabalho e os próximos dados de consumo no centro das atenções.

Ao mesmo tempo, os investidores começam a observar com mais cuidado a interação entre inflação e situação fiscal. O Tesouro americano vendeu US$ 25 bilhões em títulos de 30 anos a um rendimento de 5,216%, o maior desde 2001, refletindo a exigência de um prêmio mais elevado para financiar déficits ainda expressivos.

Dentro do Fed, a comunicação permanece dividida: Beth Hammack reiterou a defesa de juros mais altos diante de uma inflação que segue acima da meta, enquanto Tom Barkin adotou um tom mais equilibrado, reconhecendo que parte das pressões pode ter caráter temporário.

Dessa forma, embora CPI e PPI tenham reduzido o risco imediato de um novo aperto monetário, a trajetória futura dos juros continuará condicionada à persistência da inflação, à evolução das expectativas dos consumidores e ao crescente prêmio fiscal incorporado aos Treasuries de longo prazo.

· 02:37 — Gargalos

O fechamento do Estreito de Ormuz reforça um risco estrutural cada vez mais relevante para o comércio global: os gargalos marítimos, ou chokepoints, podem produzir impactos econômicos muito maiores do que os próprios volumes de tráfego sugerem. O ponto central está na capacidade de redirecionar embarcações e preservar o acesso aos portos quando essas rotas sofrem interrupções. Nesse sentido, corredores como os estreitos de Malaca e de Taiwan podem representar riscos ainda mais relevantes, enquanto desvios logísticos, como os observados no Mar Vermelho, já demonstraram potencial para multiplicar os custos de frete.

A vulnerabilidade não decorre apenas da geopolítica. Fatores climáticos também exercem pressão crescente sobre essas rotas, como mostram as restrições no Canal do Panamá associadas ao El Niño e os fechamentos temporários de importantes portos asiáticos provocados por tufões. Para as empresas, a principal lição é clara: diversificar fornecedores não é suficiente se todos eles continuarem dependentes dos mesmos corredores marítimos.

No Oriente Médio, esse risco permanece particularmente elevado. Os Estados Unidos sinalizaram que podem manter por tempo indeterminado o bloqueio naval ao Irã e ampliar o isolamento econômico do país, enquanto Donald Trump ameaça impor tarifas de 25% a países que continuarem negociando com Teerã. Do lado iraniano, o governo busca alternativas financeiras e reforça sua posição em relação ao controle de Ormuz, ao mesmo tempo que novos ataques a embarcações e a atuação dos houthis mantêm elevada a tensão regional.

Embora o petróleo tenha recuado mais de 2% ontem, pressionado pelo aumento dos estoques americanos e por projeções mais fracas para a demanda global, o tráfego pelo estreito continua reduzido e o risco de uma nova escalada permanece relevante. Assim, a recente queda das cotações não elimina o prêmio geopolítico embutido nos preços nem afasta a possibilidade de novos choques sobre energia, fretes e inflação global.

· 03:28 — Dinâmica de infraestrutura

As Big Techs seguem ampliando os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, com o Goldman Sachs estimando que os gastos globais possam superar US$ 1 trilhão neste ano. Esse movimento beneficia uma ampla cadeia de fornecedores, de chips e data centers a equipamentos de rede, fibra óptica e sistemas de energia.

Os resultados recentes confirmam que a demanda permanece forte, com empresas como Cisco, Coherent, Applied Optoelectronics, Nebius e Corning registrando crescimento relevante em pedidos e receitas ligadas à IA. Ainda assim, casos como Cisco e Cerebras mostram que pedidos robustos nem sempre se convertem imediatamente em faturamento, margens ou lucros, especialmente diante dos prazos de fabricação, implementação e reconhecimento de receita.

A principal mudança, portanto, está na régua utilizada pelo mercado para avaliar essas companhias. Durante boa parte do boom da IA, bastava comprovar crescimento de demanda, capex elevado e carteiras de pedidos robustas; agora, os investidores passam a exigir também velocidade de execução, preservação de margens e conversão eficiente dessa demanda em resultados financeiros.

Isso significa que empresas capazes de transformar rapidamente pedidos em receita e lucro tendem a ser premiadas de maneira diferente daquelas cuja carteira de encomendas cresce mais rápido do que sua capacidade de entrega.

· 04:16 — Um IPO gigante

A Anthropic pode protagonizar um dos maiores IPOs da história, com investidores projetando uma avaliação de US$ 2 trilhões em sua estreia na bolsa, potencialmente acima dos US$ 1,77 trilhão atribuídos recentemente à SpaceX.

A tese se apoia no crescimento acelerado das receitas, que poderiam chegar a até US$ 120 bilhões em base anual até o fim de 2026, cerca de dez vezes o patamar do início do ano. Alguns investidores chegam a defender uma avaliação de US$ 3 trilhões caso esse ritmo se sustente, tomando como referência múltiplos elevados observados em outras empresas ligadas à inteligência artificial.

O entusiasmo, porém, vem acompanhado de riscos relevantes. Os modelos da Anthropic seguem caros em relação a alternativas concorrentes, o que pode limitar a adoção corporativa, enquanto disputas com o governo americano e restrições temporárias de exportação já afetaram clientes e o crescimento da receita. Ao mesmo tempo, a companhia busca reduzir custos e ampliar sua independência tecnológica, inclusive por meio de uma possível aquisição da Decart por US$ 6 bilhões, movimento que poderia melhorar a eficiência no treinamento de modelos e abrir caminho para o desenvolvimento de chips próprios, aumentando a competição com empresas como a Nvidia.

· 05:03 — Fiscal frágil, renda como proteção

O problema fiscal brasileiro segue como um dos principais focos de fragilidade estrutural da economia e, como discutimos em nosso relatório mais recente, não pode ser tratado como uma questão secundária. A combinação entre crescimento persistente das despesas, dificuldade de geração de superávits e avanço do endividamento mantém elevados os prêmios de risco, pressiona os juros de longo prazo e reduz a capacidade do país de sustentar ciclos mais duradouros de crescimento.

Em algum momento, esse desequilíbrio precisará ser enfrentado de maneira crível, por meio de medidas capazes de estabilizar a trajetória da dívida e reconstruir a confiança dos investidores. Até que isso aconteça, a prudência continuará sendo indispensável na alocação de capital no Brasil. Foi sobre esse tema que nos debruçamos em nosso relatório mais recente (clique aqui para conferir).

Nesse ambiente, para além das recomendações de diversificação e proteção que temos defendido, a parcela do patrimônio que permanece investida no mercado brasileiro deve privilegiar, sobretudo, qualidade, previsibilidade e geração de renda. Empresas sólidas, com balanços robustos, boa capacidade de geração de caixa e histórico consistente de distribuição de proventos, oferecem uma camada adicional de resiliência diante de um cenário fiscal ainda incerto. É justamente nesse contexto que a nossa carteira recomendada e automatizada Renda Extra se encaixa como uma luva: uma seleção estruturada para combinar boas empresas, geração recorrente de renda e maior previsibilidade, atributos especialmente valiosos enquanto o país atravessa um período que ainda exige cautela.

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Ibovespa sente pressão pela saída de capital estrangeiro, enquanto CPI dos EUA mostra alívio na inflação; veja destaques desta quinta (13)

13 de Agosto de 2026, 10:20

Os mercados globais operam sem direção única nesta quinta-feira, com as ações de tecnologia e inteligência artificial oferecendo sustentação às bolsas, enquanto a inflação mais branda nos Estados Unidos ajuda a aliviar parte das preocupações em relação aos próximos passos do Federal Reserve.

O principal destaque vem da Ásia, especialmente da Coreia do Sul. No Japão, o Nikkei também avançou, enquanto China e Hong Kong encerraram o pregão no campo negativo. Na Europa, os índices operam de forma mista, refletindo uma combinação de dados econômicos relativamente resilientes, como o crescimento de 0,4% do PIB britânico no segundo trimestre, e novas pressões inflacionárias, como a aceleração do CPI espanhol para 3,6%.

Nos Estados Unidos, os futuros avançam moderadamente antes da divulgação do PPI, que será importante para calibrar as expectativas de juros após o alívio proporcionado pelo CPI. A geopolítica, porém, continua sendo uma fonte relevante de risco. O impasse entre EUA e Irã em torno do Estreito de Ormuz permanece sem avanços significativos, enquanto Washington volta a intensificar a pressão econômica sobre Teerã.

· 00:56 — Atividade levemente mais forte

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, acumulando a sétima sessão consecutiva de perdas e a pior sequência em cerca de um ano. A pressão continua vindo principalmente da redução da exposição de investidores estrangeiros aos ativos brasileiros, em meio ao aumento da cautela com o processo eleitoral e seus possíveis desdobramentos fiscais.

Mais de R$ 7 bilhões deixaram a bolsa em agosto até o dia 10, enquanto bancos e Petrobras figuraram entre as principais contribuições negativas para o índice. O dólar também avançou, aproximando-se de R$ 5,18, refletindo tanto o fortalecimento global da moeda americana quanto a deterioração do humor doméstico e os relatos de maior demanda de investidores estrangeiros por proteção.

No campo macroeconômico, os dados recentes ainda apontam para uma perda gradual de fôlego da atividade. A Pesquisa Mensal de Serviços avançou 0,4% no segundo trimestre, mas mostrou sinais de enfraquecimento no encerramento do período e deixou um carregamento praticamente nulo para o terceiro trimestre, enquanto os serviços prestados às famílias apresentaram desempenho mais fraco na margem. A Pesquisa Mensal do Comércio de junho, por sua vez, surpreendeu na direção oposta, registrando aceleração em relação ao mês anterior e desempenho acima das expectativas.

Ainda assim, mantemos a perspectiva de um novo corte de 25 pontos-base na Selic em setembro, embora a proximidade das eleições, os riscos fiscais e a saída de capital estrangeiro continuem limitando uma recuperação mais consistente dos ativos domésticos.

· 01:42 — Inflação alivia, mas o Fed ainda não está livre para cortar

Nos Estados Unidos, Wall Street encerrou a sessão anterior em leve alta, apoiada por uma leitura considerada benigna do CPI de julho e por resultados positivos de empresas ligadas à inteligência artificial. A inflação ao consumidor registrou alta de 0,1% no mês e de 3,4% em 12 meses, enquanto o núcleo avançou 0,2% na comparação mensal e 2,5% na anual, reforçando a expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve em setembro.

Ainda assim, a composição do indicador não confirmou um processo de desinflação disseminado, uma vez que os preços de bens mostraram alguma pressão e parte do alívio observado nos serviços esteve concentrada em componentes mais voláteis. Nesse contexto, as atenções se voltam agora para o PPI de julho, especialmente para os componentes que entram diretamente no cálculo do núcleo do PCE, principal referência de inflação acompanhada pelo Fed, além dos pedidos semanais de seguro-desemprego e das falas de Beth Hammack e Tom Barkin.

O pano de fundo fiscal também vem ganhando relevância crescente. O governo americano registrou déficit de US$ 432 bilhões em julho, recorde para o mês, elevando o rombo acumulado nos dez primeiros meses do ano fiscal para US$ 1,799 trilhão, valor superior ao registrado em todo o ano de 2025. Esse cenário ajuda a explicar por que, apesar do alívio observado na ponta curta da curva dos Treasuries após a divulgação do CPI, os rendimentos dos títulos de prazo mais longo continuam pressionados.

Assim, embora os dados de inflação tenham reduzido a urgência de uma nova alta de juros em setembro, a decisão do Federal Reserve permanece em aberto e dependerá das próximas leituras de PPI, PCE, CPI e payroll, além das sinalizações que surgirem durante o simpósio de Jackson Hole.

· 02:34 — Sem perspectiva

A disputa em torno do Estreito de Ormuz permanece sem solução, com Estados Unidos e Irã trocando acusações sobre o descumprimento das condições acordadas anteriormente e reivindicando controle sobre uma das principais rotas globais de petróleo e gás. O número de travessias caiu para o menor nível em três semanas, enquanto Teerã mantém a reabertura condicionada ao fim do bloqueio a seus portos, à suspensão das sanções e a outras concessões por parte de Washington.

Diante da perspectiva de um conflito prolongado e intermitente, ganha força a expectativa de que o Brent permaneça na faixa intermediária de US$ 80 por barril ao longo do restante de 2026. Ainda assim, os preços podem recuar gradualmente à medida que os exportadores ampliem rotas alternativas, os estoques globais elevados ajudem a amortecer o choque de oferta e a demanda chinesa permaneça moderada.

Ao mesmo tempo, a crise vem acelerando uma reorganização estrutural das rotas energéticas. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos estão expandindo oleodutos capazes de reduzir a dependência do Estreito de Ormuz, enquanto a China avalia alternativas como a Rota do Mar do Norte. Apesar desses esforços, os riscos continuam elevados: a Agência Internacional de Energia (AIE) estima um déficit global de 1,8 milhão de barris por dia neste trimestre, mais que o dobro do projetado anteriormente, enquanto o Irã vem sinalizando preparação para um confronto prolongado.

A retomada das tensões também começa a produzir efeitos em outras frentes, com novas pressões sobre energia, fertilizantes e preços globais de alimentos, revertendo parte da tendência desinflacionária observada nos meses anteriores.

· 03:28 — Transformação econômica

As importações chinesas evidenciam como a inteligência artificial vem assumindo um papel cada vez mais relevante na transformação econômica do país. Bens ligados ao ecossistema de IA, como semicondutores, computadores, equipamentos de armazenamento e redes, processadores e chips de memória, responderam por quase metade do crescimento recente das importações, refletindo a forte integração das empresas chinesas às cadeias globais de tecnologia.

Em contraste, as importações de energia, mais diretamente relacionadas à dinâmica da economia doméstica, seguem em queda em valor na comparação anual, mesmo diante dos choques recentes de preços e oferta provocados pelas tensões no Oriente Médio.

Esse avanço, no entanto, traz consigo um desafio relevante: a disponibilidade de energia. Os provedores chineses de serviços de dados já consomem 45% mais eletricidade do que há um ano, ritmo muito superior ao crescimento de 6,9% do consumo nacional, o que amplia a pressão sobre a infraestrutura elétrica e torna mais complexos os esforços de descarbonização.

Embora fontes como carvão, gás natural e energia solar permitam expandir a capacidade de geração com maior rapidez, os centros de dados exigem fornecimento contínuo e confiável. Ao mesmo tempo, grande parte do potencial de geração de energia limpa está localizada longe dos principais polos tecnológicos do país, como Guangdong, Jiangsu, Zhejiang, Xangai e Pequim, criando um desafio adicional para sustentar a expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

· 04:15 — Postura firme

No Japão, cresce a expectativa de que o Banco do Japão adote uma postura mais firme para conter a fraqueza persistente do iene. O governo de Sanae Takaichi estaria mais receptivo a uma alta de juros já em setembro ou outubro, em sintonia com a preocupação do BOJ de que a desvalorização cambial alimente a inflação e com o esforço conjunto de Japão e Estados Unidos para sustentar a moeda.

O desafio é que um aperto monetário mais rápido pode pressionar uma economia ainda frágil, especialmente diante da queda dos gastos das famílias, obrigando governo e banco central a equilibrar estabilidade cambial e preservação do crescimento.

Na Ásia, o desempenho das ações de tecnologia segue bastante desigual. O Kospi acumula forte recuperação desde a mínima de julho, apoiado pela retomada do entusiasmo com empresas de hardware ligadas à inteligência artificial e pela continuidade dos elevados investimentos das Big Techs.

Na China, a Lenovo disparou após reportar crescimento de 43% na receita trimestral, reforçando o otimismo com a demanda associada à IA. Em sentido oposto, a Tencent caiu após mais que dobrar seus gastos com inteligência artificial, evidenciando que a corrida tecnológica também vem acompanhada de custos crescentes e maior pressão sobre a rentabilidade no curto prazo.

· 05:09 — Crescimento, rentabilidade e valuation atrativo

A Direcional (DIRR3) entregou mais um trimestre robusto no 2T26, reforçando a consistência operacional observada nos últimos períodos. Os lançamentos somaram R$ 2,1 bilhões em VGV, alta de 8% em relação ao 2T25 e mais que o dobro do volume do trimestre anterior, enquanto as vendas líquidas alcançaram R$ 1,65 bilhão, praticamente estáveis na comparação anual e 5% acima do 1T26.

Na demonstração financeira, a receita líquida atingiu recorde de R$ 1,28 bilhão, avanço de 20% em 12 meses, e chegou a R$ 1,60 bilhão quando consideradas também as SPEs não consolidadas. A rentabilidade permaneceu elevada, com margem bruta ajustada de 42,8%, 110 pontos-base acima do ano anterior, enquanto a receita a apropriar cresceu 21%, para R$ 4,1 bilhões, oferecendo boa visibilidade para os próximos trimestres.

Mesmo com o aumento das despesas comerciais, o EBITDA ajustado avançou 27%, para R$ 348 milhões, com margem de 27,2%, e o lucro líquido operacional cresceu 10%, para R$ 202 milhões. O ROE anualizado de 35% continua colocando a Direcional entre as companhias mais rentáveis do setor.

A qualidade do trimestre também aparece na geração de caixa e na evolução da estrutura de capital. A companhia gerou R$ 130 milhões em caixa no período e, mesmo excluindo cessões de recebíveis, operações societárias e efeitos ligados aos repasses da Caixa Econômica Federal, apresentou geração operacional positiva de R$ 80 milhões. Com isso, a dívida líquida recuou para R$ 492 milhões, equivalente a apenas 18% do patrimônio líquido.

Em nossa leitura, os números reforçam uma tese construtiva para DIRR3, sustentada por crescimento, margens elevadas, alta rentabilidade e desalavancagem. Após a pressão recente sobre as ações, o anúncio de um programa de recompra de até 32 milhões de papéis também sinaliza confiança da administração na geração de valor. Negociando a cerca de 5,5 vezes o lucro projetado para o próximo ano, DIRR3 permanece com valuation atrativo diante da qualidade operacional apresentada e do potencial de continuidade dos resultados.

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Ibovespa hoje: Quadro fiscal e volatilidade eleitoral colocam índice sob pressão; veja mais destaques desta quarta (12)

12 de Agosto de 2026, 10:13

Os mercados globais operam em leve alta nesta quarta-feira, em compasso de espera pela divulgação do CPI de julho nos Estados Unidos, indicador central para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve. Os futuros de Nova York avançam, com destaque para o Nasdaq 100, enquanto as bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em alta, lideradas pelo Kospi, beneficiado pela valorização das ações de semicondutores e por resultados corporativos que reforçaram a confiança na continuidade dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial.

Na Europa, o movimento é mais moderado, com os investidores também atentos aos indicadores de inflação. A geopolítica, por sua vez, continua sendo o principal foco de risco. Apesar de Paquistão e Catar sinalizarem avanços nas negociações entre Estados Unidos e Irã envolvendo o Estreito de Ormuz, novos ataques no Bab-el-Mandeb e no Golfo de Omã mostram que o cenário permanece frágil, enquanto Teerã condiciona a reabertura do estreito a concessões mais amplas por parte de Washington.

· 00:57 — Sob pressão

No Brasil, o Ibovespa encerrou a terça-feira em forte queda de 2,50%, aos 167.875 pontos, menor nível de fechamento desde 20 de janeiro, acumulando a sexta sessão consecutiva de perdas. O movimento refletiu uma combinação de maior aversão ao risco global, saída de capital estrangeiro, preocupações com o quadro fiscal e aumento da volatilidade eleitoral.

Um banco americano reduziu a recomendação para ações brasileiras de overweight para neutra, citando justamente o ambiente político como fator de cautela, enquanto os bancos estiveram entre as principais pressões negativas sobre o índice. A proximidade do início oficial da campanha eleitoral, em 16 de agosto, também aumenta a sensibilidade do mercado a alianças partidárias, pesquisas e sinais sobre a condução fiscal futura.

No campo macroeconômico, como disse ontem, a ata do Copom reforçou que a desaceleração da atividade, do mercado de trabalho e da inflação justificou o corte da Selic de 14,25% para 14%, mantendo aberta a possibilidade de nova redução de 25 pontos-base em setembro, embora expectativas desancoradas, inflação de serviços elevada e riscos fiscais recomendem cautela. O IPCA avançou 0,07% em julho, desacelerando para 4,44% em 12 meses, mas com composição menos favorável do que o esperado, especialmente em serviços, apesar da deflação de alimentos e da queda do índice de difusão.

Já a Pesquisa Mensal de Serviços mostrou estabilidade de 0,0% em junho, após recuo de 0,2% em maio, enquanto o crescimento anual acelerou de 0,7% para 2,0%, sinalizando uma atividade ainda resiliente, mas sem avanço na margem. Em conjunto, os dados reforçam a perspectiva de continuidade gradual do ciclo de cortes, mas ainda sem espaço para uma flexibilização mais agressiva da política monetária.

· 01:42 — Digerindo a inflação

Nos Estados Unidos, o CPI americano de julho é o principal destaque desta quarta-feira e deverá ser determinante para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve. O consenso aponta para alta de 0,1% no índice cheio e de 0,2% no núcleo, levando as taxas acumuladas em 12 meses para 3,4% e 2,5%, respectivamente. Uma leitura em linha com as expectativas reforçaria a percepção de menor persistência inflacionária, mas dificilmente encerraria o debate sobre a decisão de setembro, sobretudo porque o núcleo do PCE deve permanecer próximo de 3,3% ao ano.

O mercado chega à divulgação em compasso de espera, após quedas de 0,3% no Dow Jones e no S&P 500 e de 0,6% no Nasdaq, enquanto os rendimentos dos Treasuries de 2 e 10 anos recuaram para 4,22% e 4,68%, respectivamente. O principal risco continua sendo uma surpresa altista na inflação, especialmente no setor de serviços, em um contexto no qual o petróleo voltou a se aproximar de US$ 90 por barril diante das dificuldades nas negociações entre Estados Unidos e Irã e das persistentes restrições ao tráfego pelo Estreito de Ormuz.

No mercado de trabalho, a queda da taxa de participação na força de trabalho também merece atenção. O indicador recuou para 61,4% em julho, refletindo principalmente a aposentadoria de trabalhadores mais velhos e políticas migratórias mais restritivas, fatores que reduzem a oferta disponível de mão de obra e podem ampliar, ao longo do tempo, o papel da tecnologia e da inteligência artificial na sustentação dos ganhos de produtividade.

Ao mesmo tempo, o índice de confiança das pequenas empresas da NFIB avançou para 99,8, acima das expectativas, acompanhado por uma melhora nos planos de contratação. O resultado sugere que a fraqueza recente na criação de vagas ainda não representa uma deterioração disseminada da demanda por trabalhadores. No campo político, as primárias realizadas no Upper Midwest produziram resultados mistos entre as alas moderada e progressista do Partido Democrata, além de um desempenho desigual entre os candidatos apoiados por Donald Trump, mantendo em aberto disputas estaduais e legislativas importantes às vésperas das eleições de novembro.

· 02:39 — Disrupção estrutural

O governo Trump projeta que as interrupções no fornecimento de petróleo provocadas pela guerra com o Irã alcancem cerca de 600 mil barris por dia até o fim de 2027, em um contexto de persistentes restrições aos embarques pelo Estreito de Ormuz. Segundo a Administração de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (EIA), o fluxo de petróleo pela região caiu para uma média de 4,9 milhões de barris por dia no segundo trimestre, ante 21,6 milhões no último trimestre de 2025.

Os efeitos dessa disrupção já aparecem nas projeções de preços: a agência elevou suas estimativas para a gasolina e o diesel em 2026 e também revisou para cima a expectativa para os preços da gasolina ao consumidor em 2027. Embora sinais de avanço nas negociações tenham proporcionado algum alívio momentâneo, o petróleo americano voltou a superar US$ 83 depois que o Irã reiterou que manterá o estreito fechado até que suas exigências sejam atendidas.

Até aqui, o mercado global de petróleo conseguiu absorver uma parcela relevante desse choque graças à combinação de demanda mais fraca, aumento da produção em outras regiões e utilização de estoques, fatores que evitaram uma escalada ainda mais intensa dos preços. O ponto de atenção é que essa margem de segurança vem diminuindo.

Como destacam Jean-Marc Natal e Azim Sadikov, em artigo recente do FMI, uma precificação inadequada do risco geopolítico no mercado de energia pode tornar a economia global mais vulnerável a novos choques. Isso ocorre porque preços que não refletem plenamente os riscos existentes reduzem os incentivos para novos investimentos e para a expansão da capacidade de oferta, deixando o sistema energético menos preparado para absorver futuras rupturas.

· 03:24 — Ajuste de política econômica

O Japão atravessa um momento relevante de ajuste em sua política econômica, marcado pela divergência entre Scott Bessent e a primeira-ministra Sanae Takaichi em relação aos próximos passos do Banco do Japão. Enquanto o secretário do Tesouro dos Estados Unidos defende juros mais elevados como forma de oferecer maior sustentação ao iene, que voltou a se aproximar do patamar de 160 por dólar, Takaichi resiste a um aperto monetário mais agressivo, diante do risco de comprometer o ritmo de crescimento da economia.

Ao mesmo tempo, seu governo busca enfrentar um problema estrutural do país: o elevado volume de caixa acumulado pelas grandes empresas. A estratégia pretende direcionar parte desses recursos para investimentos domésticos, pesquisa e setores considerados estratégicos, como inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura digital, dando continuidade às iniciativas de governança corporativa e maior eficiência na alocação de capital promovidas nos últimos anos.

A aproximação entre Japão e Estados Unidos também vem se aprofundando no setor de energia. Após a crise no Estreito de Ormuz, o Japão ampliou de maneira significativa as importações de petróleo americano, cuja participação nas compras externas do país passou de 3,8% em 2025 para mais de 30% em junho, em meio a uma estratégia de diversificação de fornecedores e recomposição dos estoques.

Takaichi também sinalizou a intenção de armazenar petróleo dos Estados Unidos e ampliar a cooperação bilateral para estimular a produção americana, enquanto Washington vem utilizando sua Reserva Estratégica de Petróleo para ajudar a aliviar pressões sobre o mercado global. O resultado é uma relação econômica cada vez mais integrada, combinando coordenação em torno do câmbio, incentivos ao investimento corporativo e uma cooperação energética mais estreita.

· 04:15 — Redução de dependência

Washington vem intensificando os esforços para reduzir a dependência da China em cadeias estratégicas de suprimentos, especialmente no segmento de terras raras. Nesse contexto, o Departamento de Guerra dos Estados Unidos anunciou um financiamento de US$ 400 milhões para a australiana Sunrise Energy Metals, projeto que deverá viabilizar a primeira mina primária de escândio do mundo.

O início da produção está previsto para o fim de 2028, e o acordo concede ao governo americano direito de preferência sobre parte da oferta. O escândio, assim como outros elementos classificados como terras raras, desempenha papel estratégico em setores como defesa, indústria aeroespacial, semicondutores, energia e inteligência artificial, o que amplia sua relevância tanto econômica quanto geopolítica.

O governo Trump também vem adotando medidas para acelerar o licenciamento de novos projetos, ampliar o financiamento destinado ao processamento e ao refino de minerais críticos e, em alguns casos, realizar investimentos diretos em empresas do setor. O movimento sinaliza uma política industrial mais assertiva, voltada à reconstrução da capacidade mineral dos Estados Unidos e à redução de vulnerabilidades em cadeias consideradas essenciais.

Esse apoio governamental pode criar oportunidades relevantes para empresas expostas à mineração e ao processamento desses materiais. Ainda assim, o setor permanece sujeito a riscos importantes, como elevada necessidade de capital, desafios operacionais, volatilidade nos preços das commodities e forte dependência de políticas públicas, incentivos e condições estabelecidas pelo governo.

· 05:08 — MedTech: fundamentos em recuperação e espaço para reprecificação

O setor de equipamentos médicos (MedTech) reúne uma combinação atraente de fundamentos em recuperação e valuations ainda deprimidos após anos de desempenho mais fraco. A estabilização do volume de procedimentos, a correção de gargalos operacionais, o lançamento de novos produtos e o envelhecimento da população contribuem para uma perspectiva mais construtiva para o segmento.

Nesse contexto, o ETF iShares U.S. Medical Devices (IHI) oferece exposição diversificada às principais empresas do setor e pode se beneficiar de uma eventual reprecificação à medida que o mercado passe a reconhecer com maior clareza a melhora operacional e a resiliência estrutural da demanda por equipamentos e tecnologias médicas.

A tese também ganha força diante da transformação mais ampla em curso nos setores de saúde e oncologia, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial, de diagnósticos mais sofisticados e de terapias cada vez mais direcionadas. A IA tende a reduzir custos de pesquisa e desenvolvimento, acelerar processos clínicos e ampliar oportunidades em áreas como diagnóstico precoce, imunoterapia, terapias-alvo e dispositivos médicos de maior complexidade. Para o investidor brasileiro, essa exposição pode ser acessada pela B3 por meio do BDR BIHI39, oferecendo uma alternativa prática de diversificação internacional e participação em uma tendência estrutural de longo prazo dentro do setor de saúde.

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Ibovespa hoje: Recuo na reabertura do Estreito de Ormuz impulsiona nova alta do petróleo; veja mais destaques desta terça (11)

11 de Agosto de 2026, 10:16

Os mercados globais operam em tom misto nesta terça-feira, com o impasse em torno da reabertura do Estreito de Ormuz novamente no centro das atenções. As negociações entre Estados Unidos e Irã perderam força depois que Washington rejeitou as condições apresentadas por Teerã e Donald Trump passou a exigir compensações relacionadas ao conflito, reduzindo a probabilidade de um acordo rápido.

A alta dos preços da energia reacende as preocupações inflacionárias justamente às vésperas da divulgação do CPI americano de julho, prevista para amanhã. O dado poderá recalibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve, especialmente depois que o payroll mais fraco reduziu as apostas em uma nova alta de juros já em setembro.

Nesse ambiente, as bolsas apresentam desempenho mais contido. Na Ásia, os mercados chineses recuaram, enquanto Coreia do Sul e Taiwan avançaram, apoiadas pela recuperação das ações de semicondutores; o mercado japonês permaneceu fechado por feriado. Na Europa, os principais índices operam próximos da estabilidade, enquanto os futuros de Nova York também mostram pouca direção, refletindo a postura de cautela dos investidores antes da divulgação do CPI.

· 00:58 — Fraca, mas levemente acima…

No Brasil, o Ibovespa encerrou a segunda-feira em queda de 0,19%, aos 172.180 pontos, menor nível desde 8 de julho, em linha com a cautela observada nos mercados globais e com as incertezas relacionadas ao Oriente Médio. A pressão negativa foi parcialmente compensada pela alta de 3,50% da Petrobras, impulsionada pela valorização do petróleo, enquanto as ações de bancos pesaram sobre o índice.

No cenário externo, os investidores também aguardam a divulgação dos dados de inflação nos Estados Unidos, prevista para quarta-feira. No campo comercial, Washington aceitou iniciar consultas com o Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre as sobretaxas impostas a produtos brasileiros.

No ambiente doméstico, as atenções se concentraram nesta manhã na ata do Copom e no IPCA de julho. A inflação desacelerou de 0,16% para 0,07% no mês, ligeiramente acima do consenso de 0,03%, enquanto a taxa em 12 meses recuou de 4,64% para 4,44%. Apesar da pequena surpresa altista, o resultado ainda reforça uma leitura favorável para o processo de desinflação.

A ata do Copom, por sua vez, manteve uma mensagem de gradualismo e dependência dos dados. O Banco Central reconheceu sinais de moderação da atividade, do crédito e da inflação corrente, mas destacou como principais riscos o mercado de trabalho ainda aquecido, a desancoragem das expectativas e a fragilidade do quadro fiscal. Nesse contexto, permanece aberta a possibilidade de um novo corte de 25 pontos-base em setembro, para 13,75%, embora o espaço para reduções mais agressivas siga limitado enquanto o cenário fiscal continuar pressionando o prêmio de risco e as expectativas.

· 01:49 — O dia antes do CPI

Nos Estados Unidos, Wall Street perdeu fôlego na segunda-feira, com o Dow Jones recuando 0,2%, o S&P 500 caindo 0,1% e o Nasdaq cedendo 0,3%, em um movimento de maior cautela antes da divulgação do CPI de julho, amanhã. Menos da metade das ações que compõem o S&P 500 encerrou o dia em alta, enquanto papéis de empresas ligadas a semicondutores e redes ópticas, que vinham acumulando fortes valorizações, sofreram pressão mais intensa.

A alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries também contribuiu para limitar o apetite, reforçando a percepção de que os investidores demonstram pouca convicção para sustentar uma novas máximas.

Além disso, alguns investidores chamaram atenção para o fato de que a recuperação observada na semana passada ocorreu com volume reduzido e participação limitada de investidores institucionais, o que sugere um movimento menos consistente. Enquanto o investidor de varejo ajudou a impulsionar as ações, parte dos investidores profissionais teria preferido direcionar recursos para Treasuries e ouro, em uma postura mais defensiva.

A agenda agora se volta para a divulgação dos resultados de empresas como CoreWeave, Super Micro Computer e Cava, além do índice de otimismo das pequenas empresas da NFIB e dos dados de vendas de imóveis usados.

· 02:34 — Resposta dura

As negociações entre Estados Unidos e Irã voltaram a se deteriorar após Donald Trump apresentar novas exigências a Teerã, incluindo a defesa de que o próprio Irã indenize os americanos por ataques e conflitos ocorridos na região.

A resposta iraniana foi igualmente dura: o país reiterou que o Estreito de Ormuz permanecerá fechado até que Washington atenda a condições como o fim do bloqueio naval, a retirada de sanções, a liberação de ativos congelados e o pagamento de compensações pelos danos causados pela guerra. Com o distanciamento das posições de ambos os lados, diminuiu a probabilidade de um acordo rápido para reabrir a tão importante rota.

· 03:22 — Começo desafiador

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o oeste da Colômbia, deixando mais de uma centena de mortos, pessoas presas sob os escombros e danos em mais de 20 municípios, incluindo áreas da importante região cafeeira do país. O desastre, o mais forte registrado na Colômbia em uma década, ocorre poucas semanas após os terremotos que devastaram a Venezuela e, além da emergência humanitária, amplia o risco de impactos econômicos, sobretudo nas regiões diretamente afetadas.

Para o recém-empossado presidente Abelardo de la Espriella, a tragédia impõe um início de mandato particularmente desafiador. Ele chegou ao poder prometendo reduzir os gastos públicos em 40% e avançar na descentralização do Estado, mas agora enfrenta a necessidade de mobilizar rapidamente recursos para resgate, assistência e reconstrução, inclusive em áreas que integram sua própria base eleitoral.

A demora para se pronunciar publicamente após o terremoto também colocou sua capacidade de resposta sob maior escrutínio, enquanto autoridades locais assumiram protagonismo nas primeiras horas da crise. O episódio se transforma, assim, em um primeiro grande teste de governo, no qual De la Espriella terá de conciliar disciplina fiscal, resposta eficiente à emergência, coordenação entre diferentes níveis de poder e capacidade de liderança em um ambiente ainda marcado por forte polarização.

· 04:15 — A era dos medicamentos de emagrecimento

Os medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Zepbound, deixaram de ocupar um papel restrito ao tratamento do diabetes tipo 2 e passaram a ganhar protagonismo no tratamento da obesidade, impulsionando a formação de um mercado que pode alcançar US$ 200 bilhões até 2030.

A adoção está mais avançada nos Estados Unidos, onde cerca de um em cada oito adultos afirma utilizar esses medicamentos para perda de peso, enquanto o número de usuários pode crescer dos atuais aproximadamente 10 milhões para 25 milhões até o fim da década. O Canadá também apresenta uma utilização relevante e já aprovou uma versão genérica, enquanto a Europa e outros mercados ainda registram níveis de penetração consideravelmente menores.

Esse crescimento, no entanto, permanece bastante desigual entre os países e ainda enfrenta obstáculos importantes, sobretudo relacionados a custo e acesso. Nos Estados Unidos, os tratamentos podem custar cerca de US$ 400 por mês quando não há cobertura adequada, e mais da metade dos usuários relata dificuldades para arcar com essa despesa.

Diferenças entre os sistemas de saúde, nas políticas de reembolso e na própria percepção da obesidade como uma doença crônica também ajudam a explicar o ritmo mais lento de adoção em outras regiões. Ainda assim, a expansão do conhecimento sobre esses medicamentos, o aumento da oferta e a melhora gradual da acessibilidade tendem a ampliar de forma significativa o alcance global dos GLP-1 nos próximos anos.

· 05:01 — Qualidade, caixa e disciplina na alocação de capital

A Berkshire Hathaway (B3: BERK34 | NYSE: BRK/B) mostrou, no 2T26, que a transição de liderança para Greg Abel não alterou os pilares centrais da tese de investimento. A receita avançou 10% na comparação anual, para US$ 101,8 bilhões, acima das expectativas, com destaque para o segmento de Seguros, que segue como principal motor do conglomerado, e para as operações de infraestrutura, com crescimento relevante na BNSF e na Berkshire Hathaway Energy.

Mesmo diante de alguma pressão sobre a sinistralidade da GEICO e sobre o negócio imobiliário, as margens operacionais avançaram, reforçando a capacidade da companhia de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos e ao longo de distintos ambientes econômicos.

Outro ponto construtivo foi a mudança na postura de alocação de capital. A Berkshire encerrou o trimestre com cerca de US$ 365,5 bilhões em caixa, ainda um dos maiores volumes de liquidez corporativa do mercado americano, mas Greg Abel começou a colocar parte desse capital para trabalhar de forma mais ativa. A companhia recomprou aproximadamente US$ 4,5 bilhões em ações próprias no trimestre e manteve as recompras em julho, além de ampliar investimentos em ações e anunciar aquisições relevantes.

Essa combinação entre elevada liquidez, geração operacional robusta e maior disposição para alocar capital pode se transformar em uma fonte adicional de valor para os acionistas, especialmente caso surjam oportunidades em períodos de maior volatilidade nos mercados.

Para os BDRs BERK34, a tese permanece particularmente interessante como uma forma de exposição internacional de perfil defensivo e elevada qualidade. A Berkshire reúne negócios em seguros, ferrovias, energia e atividades industriais, além de manter uma carteira relevante de ações. Ao mesmo tempo, beneficia-se de um float de seguros de US$ 177,5 bilhões, que funciona, na prática, como uma fonte de capital de baixo custo para financiar investimentos e aquisições. Negociando próxima de 1,4 vez o valor contábil, em linha com sua média histórica recente, a companhia não parece depender de uma expansão agressiva de múltiplos para gerar retorno.

O potencial está, sobretudo, na continuidade do crescimento dos lucros operacionais, nas recompras de ações, em novas aquisições e na utilização disciplinada de sua expressiva reserva de caixa. Para o investidor brasileiro, a BERK34 oferece ainda diversificação geográfica e cambial, reforçando seu papel como uma das posições mais resilientes dentro de uma carteira global.

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Ibovespa na semana: IPCA de julho, ata do Copom e possível reabertura do Estreito de Ormuz no radar dos mercados; veja destaques

10 de Agosto de 2026, 10:04

Os mercados globais iniciam a semana em tom misto, com o Oriente Médio novamente no centro das atenções. O Irã descartou, por enquanto, negociações diretas com os Estados Unidos e reiterou que a reabertura do Estreito de Ormuz dependerá do cumprimento de novas condições por Washington, enquanto Donald Trump sinalizou disposição para aguardar que a pressão econômica leve Teerã a moderar sua postura.

Na Ásia, as bolsas fecharam majoritariamente em alta, apoiadas pelo payroll mais fraco dos Estados Unidos e pela recuperação das ações ligadas a semicondutores e inteligência artificial. Na China, a inflação veio abaixo das expectativas: o CPI desacelerou para 0,5% em julho na comparação anual, enquanto o PPI avançou 3,5%, também abaixo do consenso, refletindo principalmente o alívio dos preços de energia. No Japão, a ata do Banco do Japão revelou maior preocupação com os riscos inflacionários e uma discussão mais aberta sobre uma eventual aceleração da normalização monetária, especialmente diante da fraqueza do iene, dos custos de energia e dos investimentos relacionados à inteligência artificial.

Nos Estados Unidos, as atenções agora se voltam para o CPI de julho, que será divulgado na quarta-feira e deverá desempenhar papel importante na recalibragem das expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.

· 00:51 — Inflação e ata Copom ditam o ritmo da semana

No Brasil, o Ibovespa recuou 1,73% na sexta-feira, aos 172.513 pontos, acumulando queda de 3,08% na semana, pressionado por balanços corporativos mais fracos e pela preferência global por ações de tecnologia. O movimento contrastou com o câmbio, já que o dólar caiu 0,46%, para R$ 5,08.

No Boletim Focus desta segunda-feira, as projeções mostraram pouca alteração: o IPCA de 2026 passou de 5,03% para 5,02%, enquanto as estimativas para 2027 e 2028 permaneceram em 4,22% e 3,80%, respectivamente. Para a Selic, o mercado manteve as projeções de 13,75% ao fim de 2026, 12% em 2027 e 10,50% em 2028.

Com isso, as atenções agora se voltam para o IPCA de julho e para a ata do Copom, ambos divulgados nesta terça-feira. A expectativa é de desaceleração da inflação mensal de 0,16% para 0,03%, levando a taxa em 12 meses de 4,64% para 4,40%, novamente abaixo do teto da meta, embora os serviços sigam como ponto de atenção. A ata da última reunião do Copom, amanhã, deverá oferecer mais detalhes sobre o corte da Selic para 14% e sobre a possibilidade de nova redução em setembro, além da avaliação do Banco Central sobre mercado de trabalho, atividade e expectativas de inflação. Na bolsa, a temporada de resultados também segue intensa, com Embraer e JBS nesta segunda-feira e, nos próximos dias, B3, Banco do Brasil, CSN e Braskem.

· 01:46 — Depois do emprego, a inflação

O mercado americano inicia a semana com a inflação novamente no centro das atenções, após um payroll de julho significativamente mais fraco do que o esperado. A economia destruiu 23 mil vagas no mês, ante a expectativa de criação de 80 mil postos, enquanto os dados de maio e junho foram revisados para baixo em 103 mil vagas. A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%, mas o movimento refletiu uma redução da força de trabalho, enquanto o setor privado criou apenas 30 mil postos.

O relatório reforçou a percepção de que o Federal Reserve pode adotar uma postura menos cautelosa e reduziu as apostas em uma alta de juros já em setembro, aumentando ainda mais a importância do CPI de julho, divulgado na quarta-feira.

A expectativa é de um relatório benigno, com avanço de 0,1% no CPI cheio e de 0,2% no núcleo. Na quinta-feira, será divulgado o PPI, que mede os preços ao produtor, enquanto os dados de vendas no varejo serão conhecidos na sexta-feira. A queda dos preços dos combustíveis deve contribuir para aliviar o índice cheio, embora ainda existam pressões vindas de outros componentes de energia, dos preços de importação e de determinados serviços.

O desafio permanece delicado: de um lado, o enfraquecimento do mercado de trabalho favorece a manutenção dos juros; de outro, uma inflação acima das expectativas poderia reacender o debate sobre novas altas e reforçar os riscos de um cenário de crescimento mais lento com preços elevados.

Ao mesmo tempo, o pano de fundo corporativo permanece construtivo. Com a maior parte da temporada de resultados já divulgada, 86% das empresas do S&P 500 superaram as expectativas, com lucros, em média, cerca de 29% acima do previsto, contribuindo para sustentar as bolsas em níveis recordes. Nesta semana, o foco volta a se concentrar nos setores de tecnologia e inteligência artificial, com a divulgação de resultados de empresas como CoreWeave, Super Micro Computer, Cisco e Applied Materials, além de eventos relacionados à infraestrutura de IA.

A combinação entre um CPI benigno e resultados sólidos no setor poderia prolongar o bom momento das ações, enquanto uma surpresa inflacionária ou números decepcionantes entre empresas ligadas à inteligência artificial tenderiam a elevar novamente a volatilidade.

· 02:31 — Possível reabertura

A reabertura rápida do Estreito de Ormuz permanece incerta, apesar dos avanços nas negociações entre Irã e Omã sobre novas rotas de navegação. Teerã afirma que as conversas estão em estágio final, mas condiciona a liberação integral da passagem a uma série de concessões por parte dos Estados Unidos, incluindo compensações pelos danos causados pela guerra, retirada de ameaças militares, fim do bloqueio naval, levantamento de sanções e liberação de ativos congelados.

Donald Trump, por sua vez, sinalizou preferência por limitar a exposição militar direta e intensificar a pressão econômica, apostando que a deterioração das condições internas no Irã possa levar o regime a moderar suas exigências. Enquanto isso, o bloqueio continua afetando uma das principais rotas energéticas do mundo (cerca de um quarto do comércio marítimo de petróleo e por aproximadamente um quinto do gás natural).

As tensões regionais, no entanto, permanecem elevadas e dificultam uma solução mais abrangente. Os houthis atacaram a refinaria de Jazan, da Saudi Aramco, poucos dias depois de Arábia Saudita, Turquia e Paquistão firmarem um pacto de defesa mútua, enquanto os Estados Unidos mantêm operações de bloqueio e fiscalização marítima na região. Paralelamente, Benjamin Netanyahu rejeitou o plano de paz para Gaza apoiado por Trump, ampliando as divergências entre Washington e o governo israelense.

O quadro reforça que, embora ainda exista espaço para acordos pontuais relacionados à navegação, uma normalização mais duradoura do Oriente Médio permanece distante, mantendo elevado o prêmio de risco geopolítico incorporado aos preços do petróleo e aos mercados globais.

· 03:27 — Nova aliança militar

Turquia, Arábia Saudita e Paquistão assinaram um acordo tripartite de defesa mútua, pelo qual um ataque contra qualquer um dos três países será considerado um ataque aos demais. Firmado em Meca, o pacto reúne capacidades militares e estratégicas relevantes, incluindo o segundo maior exército da OTAN, pertencente à Turquia, o arsenal nuclear do Paquistão e o peso financeiro e geopolítico da Arábia Saudita.

O movimento ocorre em meio à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã e reflete uma tentativa de fortalecer uma nova arquitetura regional de segurança liderada por potências de maioria sunita, em um ambiente de maior desconfiança tanto em relação ao avanço iraniano quanto à postura de Israel e à previsibilidade do apoio americano.

· 04:14 — Muita volatilidade

A forte valorização das ações coreanas, seguida por uma correção relevante ao longo deste ano, reforçou os riscos associados ao excesso de alavancagem e parece ter servido de alerta para as autoridades chinesas. Em meio ao entusiasmo com empresas ligadas à inteligência artificial, investidores ampliaram sua exposição ao mercado acionário local, mas parte desse movimento foi revertida após a correção observada em julho.

O saldo das operações com margem recuou de mais de 3 trilhões de yuans no fim de junho para 2,6 trilhões de yuans no fim de julho. Paralelamente, corretoras como Citic Securities e East Money passaram a adotar exigências mais rigorosas para clientes interessados em crédito, derivativos e novas posições alavancadas.

A estratégia das autoridades chinesas parece buscar um equilíbrio delicado: preservar o dinamismo das empresas de inteligência artificial, consideradas estratégicas para o país, sem permitir que esse movimento resulte na formação de uma bolha alimentada por alavancagem excessiva. As novas restrições atingem principalmente investidores com contas abertas recentemente ou com histórico recorrente de chamadas de margem, em uma tentativa de reduzir os riscos de instabilidade financeira.

Embora parte dessas pressões tenha diminuído após a correção recente, o tema deve permanecer no radar dos reguladores, sobretudo diante da concentração de posições alavancadas em determinados segmentos do mercado.

· 05:09 — IA mais poderosa, riscos mais reais

Pesquisadores utilizaram o modelo de inteligência artificial Evo para projetar sequências genéticas inéditas a partir de padrões identificados em mais de 9 trilhões de nucleotídeos. O sistema gerou cerca de 700 mil combinações genômicas potenciais, das quais 285 foram testadas por cientistas de Stanford e do Arc Institute, resultando em 16 vírus inéditos.

O avanço pode abrir aplicações relevantes na medicina e na pesquisa científica, como o desenvolvimento de vírus modificados para combater bactérias resistentes ou tratar doenças genéticas. Ao mesmo tempo, porém, amplia as preocupações de segurança e de uso inadequado da tecnologia.

Paralelamente, modelos avançados de IA vêm demonstrando capacidades cada vez mais sofisticadas no campo da cibersegurança. Durante testes, sistemas da Meta, Anthropic e OpenAI conseguiram acessar ambientes externos ou contornar determinadas barreiras de segurança, em alguns casos aproveitando falhas na própria configuração dos experimentos. A velocidade com que esses agentes conseguem executar tarefas que antes exigiam semanas de trabalho humano evidencia tanto o potencial da inteligência artificial para fortalecer as defesas digitais, quanto o risco de ampliar significativamente a escala e a velocidade de eventuais ataques cibernéticos.

Esses episódios vêm acelerando o debate sobre mecanismos de controle e regulação de sistemas avançados de inteligência artificial. Nos Estados Unidos, legisladores discutem propostas que exigiriam mecanismos capazes de interromper modelos que apresentem comportamentos considerados perigosos, enquanto empresas e autoridades aumentam a atenção dedicada aos testes de segurança antes do lançamento de novos sistemas.

Em conjunto, os avanços observados na biologia computacional e na cibersegurança revelam uma característica central da atual evolução da IA: as mesmas capacidades capazes de gerar ganhos científicos e econômicos expressivos também exigem salvaguardas cada vez mais robustas à medida que os modelos se tornam mais autônomos e poderosos.

Para investidores atentos a esse tema, o segmento oferece caminhos relativamente claros de exposição. ETFs como o Global X Cybersecurity ETF (BUG) e o First Trust Nasdaq Cybersecurity ETF (CIBR) reúnem empresas líderes em defesa digital, com receitas recorrentes, presença global e crescente incorporação de inteligência artificial em seus modelos de negócio. No Brasil, o BBUG39 surge como uma alternativa local de acesso ao setor. Ainda assim, a cautela permanece fundamental: investimentos temáticos, por mais promissores que possam parecer, devem ocupar uma parcela limitada e adequadamente dimensionada da carteira. Uma alocação entre 1% e 2,5% do portfólio por tema, e de no máximo 5% considerando a soma de todos os temas específicos, tende a ser suficiente para capturar parte desse potencial de crescimento sem comprometer a diversificação. Segurança, afinal, também começa pela disciplina na estratégia de alocação.

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Ibovespa hoje: Resultados da Petrobras (PETR4) acima das expectativas e payroll dos EUA; veja destaques desta sexta (7)

7 de Agosto de 2026, 10:00

Os mercados globais operam em tom misto nesta sexta-feira, com as atenções concentradas na divulgação do payroll de julho nos Estados Unidos, que pode oferecer novas pistas sobre a trajetória da política monetária do Federal Reserve. Um resultado mais forte do que o esperado tenderia a reforçar a percepção de juros elevados por mais tempo, embora o foco dos investidores esteja cada vez mais direcionado à inflação e à forma como o Fed reagirá aos próximos indicadores.

Ao mesmo tempo, as incertezas em torno da reabertura do Estreito de Ormuz mantêm elevado o prêmio de risco, em meio a ataques dos Houthis, ameaças à infraestrutura energética do Golfo e propostas iranianas para restringir a passagem de embarcações americanas.

Na Ásia, o destaque ficou para a força das exportações chinesas, que cresceram 23,9% em julho na comparação anual, acima das expectativas, impulsionadas principalmente pelos embarques de semicondutores, produtos de alta tecnologia e veículos. O resultado reforça a importância do setor externo para a sustentação da atividade chinesa diante da fraqueza do consumo doméstico.

Em contrapartida, os mercados do Japão e da Coreia do Sul permaneceram pressionados, sobretudo pelo desempenho do setor de semicondutores, em continuidade ao movimento observado em julho. O iene, por sua vez, devolveu boa parte dos ganhos obtidos após a intervenção conjunta dos Estados Unidos e do Japão, reacendendo as especulações sobre novas medidas por parte das autoridades cambiais.

· 00:59 — Dividendão

No Brasil, o Ibovespa recuou 1,23% na quinta-feira, aos 175.546 pontos, pressionado pelo ambiente externo, pelas incertezas em torno da trajetória dos juros nos Estados Unidos e por uma leitura mais restritiva do comunicado do Copom, que reforçou a perspectiva de manutenção dos juros em patamares elevados por mais tempo. Ainda assim, a leitura predominante do mercado continua sendo de um novo corte de 25 pontos-base na Selic em setembro, para 13,75% ao ano.

As atenções agora se voltam para a ata do Copom, que deverá trazer mais detalhes sobre a avaliação do Banco Central a respeito do mercado de trabalho, da atividade econômica e das expectativas de inflação. Entre as ações, a Vale caiu 1,66%, acompanhando a baixa do minério de ferro, enquanto o Bradesco recuou 1,94% após a divulgação de seu balanço. Em sentido oposto, a Petrobras encerrou o pregão em alta moderada, beneficiada pela valorização do petróleo. Para hoje, o principal destaque fica por conta da repercussão dos resultados da petroleira, divulgados ontem e bem acima das expectativas, com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões e anúncio de R$ 17,4 bilhões em dividendos.

· 01:46 — Interrupção

Nos Estados Unidos, o índice Dow Jones interrompeu uma sequência de cinco altas consecutivas, recuando 0,9% na quinta-feira, depois de renovar máximas históricas e superar, pela primeira vez, a marca dos 54 mil pontos. O S&P 500 caiu 0,2%, enquanto o Nasdaq recuou 0,1%, pressionado principalmente pelo desempenho das ações de software após resultados decepcionantes de companhias como HubSpot, Datadog, AppLovin, Figma e Duolingo.

O ambiente de maior cautela também refletiu a expectativa em torno do relatório de emprego dos Estados Unidos, que deve apontar a criação de cerca de 80 mil vagas em julho, taxa de desemprego estável em 4,2% e salários ainda avançando a um ritmo próximo de 3,5% ao ano.

A atenção dos investidores, no entanto, está cada vez mais concentrada na inflação e na possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve. Dirigentes como Kevin Warsh e Alberto Musalem reforçaram que a resiliência do mercado de trabalho, combinada à persistência das pressões inflacionárias, pode justificar uma postura monetária mais restritiva, especialmente após a recente valorização do petróleo. As tensões no Oriente Médio e as incertezas em torno da reabertura do Estreito de Ormuz continuam pressionando os preços da energia e ampliando os riscos para a inflação.

Nesse contexto, o payroll tende a exercer influência mais limitada sobre a decisão de setembro, a menos que revele uma deterioração relevante do mercado de trabalho, enquanto o CPI da próxima semana ganha importância adicional para a definição da trajetória dos juros americanos.

· 02:31 — Reabertura?

O otimismo em torno de uma reabertura rápida do Estreito de Ormuz perdeu força diante de uma nova escalada das tensões no Oriente Médio. Ataques dos houthis contra alvos sauditas, explosões na ilha iraniana de Qeshm e um esboço de acordo entre Irã e Omã considerado insuficiente elevaram a percepção de risco, sobretudo porque Teerã pretende restringir a passagem de embarcações americanas e israelenses e exigir compensações de países considerados hostis. Com Washington rejeitando esses termos e persistindo as divergências sobre o controle do estreito e o programa nuclear iraniano, o Brent avançou permanecendo próximo de US$ 83.

A deterioração do cenário geopolítico também se espalhou pelos demais mercados, com queda das bolsas asiáticas e pressão sobre os títulos de renda fixa, à medida que a alta dos preços da energia reacendeu preocupações inflacionárias antes da divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos e de seus possíveis efeitos sobre a trajetória dos juros do Federal Reserve.

A percepção predominante é de que uma solução rápida para o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã se tornou menos provável. Ao mesmo tempo, o tráfego reduzido pelo Estreito de Ormuz mantém elevado o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo e aumenta a sensibilidade dos ativos globais à evolução das próximas negociações.

· 03:27 — Nova emissão

O apetite dos investidores por ativos ligados à inteligência artificial permanece robusto, como demonstrou a recente emissão de US$ 25 bilhões em títulos da Alphabet, que atraiu cerca de US$ 115 bilhões em ofertas. A forte demanda sinaliza uma melhora do sentimento após a pressão recente sobre as dívidas de empresas de tecnologia. Desde o início de 2025, a companhia já captou mais de US$ 114 bilhões por meio de emissões de dívida, consolidando-se como uma das principais financiadoras do atual ciclo de investimentos em inteligência artificial.

O mesmo entusiasmo também beneficia a DeepSeek, que retomou uma rodada de captação de US$ 8 bilhões com valuation próximo de US$ 74 bilhões. O movimento reforça que, apesar das preocupações com a intensidade dos gastos em infraestrutura e com o retorno sobre esses investimentos, a demanda por financiamento e por exposição ao tema de inteligência artificial continua elevada.

· 04:15 — Intervindo

O iene voltou a perder força após a intervenção conjunta de Japão e Estados Unidos, sendo negociado próximo de 158,40 por dólar, depois de ter alcançado 155,23 no início da semana. Embora o Banco do Japão tenha desembolsado cerca de US$ 87 bilhões em dois dias para sustentar a moeda, os principais fatores estruturais de pressão permanecem presentes: o diferencial de juros ainda favorável aos Estados Unidos, o elevado endividamento japonês, as incertezas geopolíticas e o uso recorrente do iene em operações de carry trade, nas quais investidores tomam recursos emprestados em moedas de juros baixos para aplicá-los em ativos de maior retorno. Nesse contexto, novas intervenções podem ajudar a conter movimentos mais desordenados, mas dificilmente serão suficientes, por si só, para alterar de forma duradoura a trajetória da moeda sem o apoio da política monetária.

Uma valorização mais consistente do iene dependeria, portanto, de uma combinação mais favorável de políticas, com uma possível elevação dos juros pelo Banco do Japão e uma eventual redução do viés de aperto monetário pelo Federal Reserve. O mercado atribui atualmente cerca de 60% de probabilidade a uma alta dos juros japoneses até setembro.

Além disso, o elevado superávit em conta corrente e o excesso de poupança privada podem estimular uma maior proteção cambial das carteiras externas dos investidores japoneses, elevando a demanda por ienes. Nesse cenário, o potencial de valorização adicional do dólar frente à moeda japonesa tende a se tornar mais limitado, embora uma reversão sustentada ainda dependa de mudanças mais profundas nas condições monetárias.

· 05:03 — Qualidade e renda para diferentes ciclos

O Itaú voltou a apresentar um trimestre sólido, reforçando a resiliência de sua operação mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador. A carteira de crédito cresceu cerca de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a margem financeira com clientes avançou 5,1%, para R$ 32,5 bilhões, e a margem com o mercado voltou a superar R$ 900 milhões.

O banco também preservou uma postura disciplinada na gestão de riscos, com o custo do crédito estável em 2,7% da carteira e apenas uma deterioração limitada dos indicadores de inadimplência. Ao mesmo tempo, as despesas operacionais cresceram apenas 3,1%. O principal ponto de atenção ficou nas receitas de serviços, que avançaram somente 2,3% e levaram à revisão para baixo do guidance dessa linha, refletindo um ambiente de maior competição e menor capacidade de repasse de tarifas.

Ainda assim, a combinação entre crescimento, controle de custos e qualidade de crédito permitiu ao Itaú alcançar lucro líquido de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% em relação ao ano anterior, e ROE de 24,3%, um dos patamares mais elevados do setor. Para estratégias voltadas à geração de renda, essa capacidade recorrente de produzir lucros, aliada à elevada rentabilidade e a um balanço conservador, sustenta uma perspectiva consistente de remuneração aos acionistas mesmo em um ciclo econômico menos favorável.

Embora o ritmo de expansão esteja mais moderado do que nos últimos anos, os resultados reforçam a qualidade do banco e mantêm nossa leitura construtiva para as ações do Itaú, especialmente em estratégias que buscam combinar geração de renda, previsibilidade e valorização de capital no longo prazo.

Em um ambiente ainda marcado por juros elevados, incerteza fiscal e maior seletividade por parte dos investidores, entendemos que a busca por renda deve estar apoiada, sobretudo, em ativos de qualidade, com balanços sólidos, geração de caixa previsível e capacidade recorrente de distribuir proventos. É justamente essa filosofia que orienta a Carteira Recomendada Renda Extra, uma estratégia diversificada entre diferentes classes de ativos que busca combinar geração de renda com preservação e crescimento patrimonial ao longo do tempo.

Entre suas posições está o Itaú, exemplo de companhia com elevada rentabilidade, disciplina financeira e histórico consistente de remuneração aos acionistas. Os proventos recebidos podem ser utilizados como fonte de renda ou reinvestidos na própria estratégia, potencializando o efeito da capitalização composta e reforçando uma carteira construída em torno de ativos previsíveis, resilientes e capazes de atravessar diferentes ciclos econômicos.

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Ibovespa hoje: Selic em 14% ao ano e promessa de acordo no Estreito de Ormuz; veja destaques desta quinta (6)

6 de Agosto de 2026, 10:33

Os mercados globais operam em direções distintas, com realização nas ações asiáticas de tecnologia após os fortes ganhos registrados na sessão anterior, enquanto as bolsas europeias avançam apoiadas pela temporada de resultados. Nos Estados Unidos, os contratos futuros também apresentam desempenho misto, com altas moderadas do Dow Jones e do S&P 500 e recuo do Nasdaq.

O petróleo registra leve valorização, com o Brent próximo de US$ 80 por barril, em meio à intensificação dos ataques entre Rússia e Ucrânia. Paralelamente, Irã e Omã afirmam estar próximos de concluir um acordo para ampliar a navegação pelo Estreito de Ormuz, embora ainda não exista um entendimento formal com os EUA e questões relevantes, como o programa nuclear iraniano e o controle da rota marítima, permaneçam sem solução.

· 00:57 — O corte veio

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sessão praticamente estável, na região dos 177,7 mil pontos, após um pregão volátil em que chegou a tocar os 180 mil pontos, mas perdeu força nas horas finais, acompanhando a desaceleração das bolsas de Nova York e o recuo das ações de Petrobras e Bradesco. O dólar também apresentou pouca variação, cotado a R$ 5,13.

Após o fechamento do mercado, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo dessa magnitude. O comunicado reconheceu a moderação da atividade econômica e da inflação, mas manteve um tom cauteloso diante do mercado de trabalho ainda aquecido, da desancoragem das expectativas, das incertezas fiscais e do ambiente externo. A comunicação preservou a flexibilidade para as próximas decisões, embora continue compatível com mais uma redução de 25 pontos-base em setembro, o que levaria a taxa a 13,75% ao final de 2026.

· 01:45 — Renovando máximas

Nos Estados Unidos, o Dow Jones avançou 0,5%, com alta de 263 pontos, e registrou sua terceira máxima consecutiva de fechamento e a 24ª do ano. O índice acumula valorização de 5,3% em cinco pregões, seu melhor desempenho nesse intervalo desde abril de 2025. Em contraste, o S&P 500 recuou 0,2%, enquanto o Nasdaq caiu 0,8%, pressionados pela fraqueza de algumas das chamadas “Magnificent Seven”, especialmente Alphabet, Microsoft, Amazon e Tesla.

Apesar da volatilidade ainda elevada entre as grandes empresas de tecnologia e da saída de um importante executivo da área de inteligência artificial da Alphabet, a redução das vendas forçadas relacionadas ao fundo Situational Awareness, os sinais de estabilização entre os investidores de varejo e a continuidade de resultados corporativos acima das expectativas contribuíram para um ambiente mais saudável do que na última semana.

Na economia, o ISM de serviços permaneceu praticamente estável em julho, aos 54,1 pontos, ligeiramente abaixo do consenso, mas apresentou uma composição mais robusta. O componente de novos pedidos avançou para 57,5 pontos, enquanto o índice de preços pagos subiu para 70,3. Em sentido contrário, o componente de emprego recuou para 47,4 pontos.

No Federal Reserve, Lisa Cook avaliou que os riscos continuam mais concentrados na inflação e admitiu apoiar uma elevação dos juros caso o processo de desinflação perca força, embora tenha defendido a manutenção da taxa em julho. Mary Daly também respaldou a estabilidade dos juros e ressaltou a necessidade de aguardar novos dados, mas alertou que uma nova aceleração dos preços poderá exigir uma resposta mais firme da política monetária.

· 02:32 — Sinais promissores

Irã e Omã afirmaram ter avançado na definição de uma rota destinada a ampliar a navegação pelo Estreito de Ormuz, embora ainda não exista um acordo formal nem tenha sido confirmada com os Estados Unidos. Um comunicado conjunto estaria em fase final de elaboração, e uma das propostas em discussão prevê maior participação iraniana na coordenação do tráfego de embarcações que ingressam no Golfo Pérsico, sem a cobrança de pedágios.

O avanço das negociações ganhou relevância diante da crescente pressão sobre Donald Trump para encontrar uma saída para o conflito. Ainda assim, o ambiente permanece frágil, com Teerã impondo condições para prosseguir nas conversas e os houthis intensificando os ataques no Mar Vermelho.

Apesar da persistência dos riscos geopolíticos, o petróleo apresentou uma reação contida, refletindo a expectativa de reabertura da principal rota de exportação de energia do Oriente Médio. Ontem, o Brent avançou 0,11%, para US$ 79,45, ainda acumulando perdas próximas de 10% na semana.

Um acordo duradouro poderia aliviar as pressões inflacionárias e tornar o cenário mais favorável ao Federal Reserve, especialmente após a criação de apenas 44 mil vagas no setor privado americano em julho, abaixo das 65 mil esperadas pelo mercado. Mesmo assim, os investidores permanecem cautelosos, tanto pela incerteza em torno das negociações quanto pela postura ainda pouco conhecida do novo presidente do Fed, Kevin Warsh.

· 03:21 — Tecnologia asiática

As ações de tecnologia da Ásia atravessam um período de volatilidade excepcional, com as oscilações do índice de tecnologia da MSCI Ásia-Pacífico alcançando a maior intensidade desde 2009. Após avançar 4,2% em um único pregão, o indicador recuou 3,2% no dia seguinte, enquanto SK Hynix e Samsung lideraram a queda de 4,6% do Kospi, que já acumula desvalorização de 31% desde a máxima registrada em junho.

O movimento ganhou força após a divulgação de projeções e resultados abaixo das expectativas por SanDisk e Western Digital, ampliando as dúvidas sobre o ritmo de expansão da cadeia de semicondutores. O episódio reforça que, embora a inteligência artificial continue sendo uma tendência estrutural de longo prazo, o excesso de posicionamento e o elevado grau de alavancagem podem intensificar correções no curto prazo.

O ambiente também permanece condicionado por riscos regulatórios, geopolíticos e corporativos. A China iniciou uma revisão de segurança dos produtos da Palo Alto Networks, enquanto a DeepSeek sinalizou um aumento de preços e empresas como OpenAI e Meta enfrentam disputas e questionamentos relacionados à segurança de seus modelos.

Nos Estados Unidos, os contratos futuros da Nasdaq recuaram em meio à nova fraqueza das fabricantes de chips, ao mesmo tempo que Jamie Dimon alertou para o nível elevado de alavancagem no mercado. Paralelamente, os investidores avaliam a possibilidade de uma nova rotação para fora dos ativos americanos e aguardam sinais mais concretos sobre um eventual acordo envolvendo Omã, Irã e a reabertura parcial do Estreito de Ormuz.

· 04:18 — Nova fase de liquidez

A SpaceX atravessa uma nova etapa de sua estreia no mercado de capitais com a liberação de até 911,5 milhões de ações detidas por funcionários e investidores iniciais, volume superior aos cerca de 639 milhões de papéis disponibilizados no IPO de junho.

A entrada dessas ações pode aumentar a volatilidade no curto prazo e pressionar as cotações caso haja uma concentração relevante de vendas, especialmente após a queda superior a 20% registrada antes da divulgação do primeiro resultado trimestral. Ainda assim, esse movimento também tende a ampliar a liquidez do papel e a diversificar gradualmente sua base de acionistas.

O cronograma de encerramento do período de restrição prevê novas liberações relevantes, com outros 1,3 bilhão de ações após o próximo balanço trimestral e 6,4 bilhões de papéis Classe A, correspondentes à participação de Elon Musk, potencialmente disponíveis cerca de um ano após o IPO.

Embora esse calendário mantenha o risco de excesso de oferta no radar, a pressão técnica não altera, por si só, os fundamentos e as perspectivas de longo prazo da empresa. Para investidores interessados na tese, a maior oferta de ações pode inclusive criar pontos de entrada mais atraentes, desde que a companhia continue executando sua estratégia e demonstrando capacidade de crescimento.

· 05:05 — Eli Lilly reforça sua liderança no mercado de emagrecimento

Os resultados do segundo trimestre reforçaram a força operacional da Eli Lilly e a importância central da tese de combate à obesidade para seu crescimento. A receita avançou 48% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando US$ 23 bilhões e superando com ampla margem as expectativas do mercado.

O desempenho foi impulsionado, sobretudo, pelo aumento do volume de vendas de Mounjaro e Zepbound. Juntos, os dois medicamentos já respondem por quase 65% da receita total da companhia, enquanto o crescimento de 80% nas operações internacionais mostra que a demanda continua ganhando escala fora dos Estados Unidos.

A qualidade desse crescimento também foi positiva. Mesmo diante da pressão sobre os preços, a Lilly ampliou a margem bruta ajustada para 86,3% e elevou de forma expressiva sua margem operacional, apoiada por ganhos de eficiência e por uma composição de vendas mais favorável. O lucro líquido ajustado atingiu US$ 7,5 bilhões, e a administração revisou para cima suas projeções de receita, margem e lucro para 2026, reforçando a confiança na continuidade do ritmo de expansão.

Além do desempenho atual, o pipeline continua oferecendo importantes vetores de valorização. A retatrutida concluiu seu programa de Fase 3 para obesidade e deverá ser submetida à aprovação regulatória no início de 2027, com potencial para ampliar ainda mais a liderança da companhia nesse mercado. Diante da combinação entre crescimento elevado, execução consistente, diversificação do portfólio e valuation abaixo de sua média histórica, mantemos uma visão construtiva para as ações da Eli Lilly e, em especial, para os BDRs LILY34, que permitem ao investidor brasileiro acessar essa tese de longo prazo com exposição adicional ao dólar.

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Ibovespa hoje: Decisão do Copom sobre a Selic e renovação do entusiasmo com a inteligência artificial; confira destaques desta quarta (5)

5 de Agosto de 2026, 10:30

Os mercados globais operam em tom positivo, sustentados pela expectativa de um acordo provisório para a reabertura do Estreito de Ormuz, pela recuperação das ações de tecnologia e por resultados corporativos favoráveis. Estados Unidos, Irã e Omã estariam próximos de anunciar um entendimento inicial, com duração de 60 dias, para restabelecer a navegação na região, enquanto Donald Trump afirmou que as conversas vêm avançando de forma construtiva.

No campo econômico, os índices de gerentes de compras, conhecidos como PMIs, indicaram uma recuperação mais disseminada na Europa. O setor de serviços da zona do euro voltou a crescer em julho, com o indicador avançando para 51,7 pontos, ao mesmo tempo que o Reino Unido retomou a expansão e a Alemanha se aproximou da estabilidade. Na China, em contrapartida, o PMI de serviços desacelerou para 50,4 pontos, refletindo o enfraquecimento da demanda doméstica.

Nos Estados Unidos, os principais destaques da agenda serão o relatório ADP e os indicadores do setor de serviços, relevantes para calibrar as expectativas em torno do payroll de sexta-feira e dos próximos passos do Federal Reserve. No Brasil, as atenções estarão concentradas na decisão do Copom, que deverá reduzir a Selic em 25 pontos-base, para 14% ao ano. A queda do petróleo e os sinais de desaceleração da atividade reforçam o espaço para o corte, mas o mercado acompanhará sobretudo a comunicação sobre setembro, diante das persistentes incertezas fiscais e eleitorais.

· 00:51 — O corte vem, mas e depois?

No Brasil, o Ibovespa encerrou a terça-feira praticamente estável, com leve queda de 0,06%, aos 177.895 pontos, após alternar entre ganhos e perdas ao longo do pregão. A expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã chegou a impulsionar o índice, mas a queda do petróleo para abaixo de US$ 80 por barril pressionou as ações da Petrobras, que recuaram 1,28%, e limitou o desempenho da bolsa.

Nesta quarta-feira, as atenções se concentram na decisão do Copom, para a qual se espera um corte de 25 pontos-base na Selic, de 14,25% para 14,00% ao ano. A inflação corrente mais benigna e os primeiros sinais de desaceleração da atividade e do mercado de trabalho abrem espaço para a continuidade do ciclo de flexibilização, embora os riscos fiscais, as expectativas de inflação ainda elevadas e as incertezas externas recomendem cautela.

A retração de 1,8% da produção industrial em junho e a queda do petróleo reforçariam o argumento a favor da redução dos juros, mas a piora da percepção fiscal manteve a curva de juros futuros pressionada. Assim, o mercado acompanhará principalmente o tom do comunicado e eventuais indicações sobre a possibilidade de um novo corte em setembro.

· 01:48 — Bom começo de mês

Os mercados americanos mantiveram a trajetória de alta no início de agosto, sustentados por resultados corporativos robustos, pela expectativa de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã e pela renovação do entusiasmo em torno da inteligência artificial. O Dow Jones superou, pela primeira vez, a marca de 54 mil pontos, o S&P 500 renovou sua máxima histórica e o Nasdaq avançou 2,6%.

Entre os principais destaques, a Palantir registrou crescimento de 93% na receita e elevou sua projeção para o ano, enquanto a Caterpillar reportou expansão de 48% nas vendas de equipamentos de geração de energia, impulsionadas sobretudo pela demanda dos data centers. Em conjunto, esses números reforçam a percepção de que os investimentos de IA permanecem disseminados e ainda estão distantes do pico.

No mercado de trabalho, os dados apontam para um cenário relativamente equilibrado, mas ainda marcado por baixo dinamismo. O relatório JOLTS mostrou a existência de 7,4 milhões de vagas em junho, enquanto a relação entre postos em aberto e trabalhadores desempregados permaneceu estável em 1,0 pelo quarto mês consecutivo. A demanda por contratações continua moderada, embora as pequenas empresas ainda respondam por uma parcela relevante das oportunidades.

Agora, as atenções se voltam para a divulgação do ADP, do ISM de serviços e do relatório oficial de empregos de julho, que deve indicar a criação de 100 mil vagas e a manutenção da taxa de desemprego em 4,2%. Ainda assim, dirigentes do Federal Reserve continuam alertando para os riscos inflacionários, com Jeff Schmid avaliando que a política monetária talvez ainda não esteja suficientemente restritiva.

· 02:34 — O sétimo

Andy Burnham assumiu o cargo de sétimo primeiro-ministro britânico em dez anos, com uma agenda intervencionista que prevê a construção de moradias sociais, renacionalizações e maior participação do Estado no planejamento industrial. A implementação dessas propostas, contudo, esbarra na limitada margem fiscal do Reino Unido e no risco de uma reação adversa do mercado de títulos, preocupação que já começou a aparecer após as nomeações para o novo gabinete.

Entre elas, destacou-se a escolha de John Healey para o Ministério da Fazenda, interpretada também como um sinal de possíveis aumentos nos gastos com defesa. Os títulos públicos britânicos continuam oferecendo os rendimentos mais elevados entre os países do G7, refletindo um prêmio de risco persistente, enquanto o avanço das despesas sociais reduz o espaço disponível para novas políticas discricionárias.

Ao mesmo tempo, a carga tributária já se encontra no maior nível desde a Segunda Guerra Mundial, deixando Burnham diante de um desafio: financiar uma agenda ambiciosa sem elevar ainda mais os impostos nem comprometer a confiança dos investidores.

· 03:23 — Você conhece a “chipiflação”

O avanço acelerado da inteligência artificial vem provocando uma espécie de “chipflação”, isto é, uma pressão de alta sobre os preços dos semicondutores. Isso ocorre porque os fabricantes passaram a priorizar componentes destinados a data centers e servidores, que oferecem margens mais elevadas, em detrimento daqueles utilizados em computadores, smartphones e eletrodomésticos.

Essa mudança reduz a oferta disponível para o mercado de consumo, encarece os chips e já começa a aparecer tanto nos custos de importação quanto nos índices de inflação dos Estados Unidos. O próprio Federal Reserve reconhece que a expansão da infraestrutura de IA pode manter pressões adicionais sobre os preços dos eletrônicos e da energia, enquanto pesquisas empresariais indicam uma elevação mais intensa dos custos justamente entre os fabricantes mais dependentes desses componentes.

· 04:11 — A diferença chinesa

Apesar da guerra e das projeções que apontavam para o petróleo entre US$ 150 e US$ 200 por barril, o mercado tem tratado a interrupção dos fluxos pelo Estreito de Ormuz como um choque administrável. Parte dessa resiliência decorre dos Estados Unidos, atualmente o maior produtor mundial, que ampliaram a extração e recorreram à Reserva Estratégica de Petróleo para compensar a redução da oferta. Ainda assim, o principal fator de contenção dos preços está na China, maior compradora do petróleo que transita pela região. As importações chinesas recuaram de uma média de 11,6 milhões de barris por dia em 2025 para cerca de sete milhões em junho.

A China conseguiu reduzir sua vulnerabilidade ao combinar reservas superiores a 1,4 bilhão de barris, aumento da produção doméstica, substituição de petróleo e gás por carvão em parte da indústria química, investimentos em hidrogênio verde e ampla adoção de veículos elétricos. Essa capacidade de ajustar o consumo levou analistas a classificarem o país como a “Opep da demanda”. Ao manter as importações em níveis reduzidos e recorrer aos próprios estoques, Pequim pode preservar o ritmo de crescimento e limitar a pressão sobre os preços globais por vários meses. Assim, mesmo diante do conflito, uma crise energética chinesa parece pouco provável.

· 05:08 — SpaceX e a Nova Infraestrutura da Economia Espacial

A SpaceX superou as expectativas em seu primeiro balanço após o IPO, ao registrar receita de US$ 7,8 bilhões no segundo trimestre, alta de 92% na comparação anual e acima dos US$ 6,81 bilhões projetados pelo mercado. Os três segmentos da companhia apresentaram receitas superiores ao consenso. A divisão de Conectividade foi a única a operar com lucro, alcançando receita de US$ 4,29 bilhões e resultado operacional positivo de US$ 1,66 bilhão, impulsionado principalmente pela Starlink.

Já as áreas de Espaço e inteligência artificial registraram prejuízos operacionais de US$ 542 milhões e US$ 1,26 bilhão, respectivamente, embora a perda da divisão de IA tenha ficado significativamente abaixo da estimativa de US$ 2,39 bilhões (o que ajuda a explicar o motivo da queda das ações). Ainda assim, os números reforçam a percepção de que a exploração espacial começa a se consolidar como uma indústria economicamente relevante, apoiada por receitas recorrentes provenientes de conectividade, serviços de lançamento, defesa e infraestrutura digital.

O principal ponto de atenção permanece na intensidade dos investimentos. O Capex, ou investimento em ativos e infraestrutura, alcançou US$ 18,4 bilhões no trimestre, ante US$ 10,1 bilhões no primeiro trimestre e US$ 2,8 bilhões um ano antes. Desse total, aproximadamente US$ 15,8 bilhões foram destinados à expansão da infraestrutura de inteligência artificial.

Embora esse ritmo pressione a geração de caixa e ajude a explicar a reação negativa das ações após o fechamento, ele também evidencia a escala da infraestrutura que está sendo construída. O desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, constelações de satélites, capacidade computacional e sistemas de comunicação exige volumes elevados de capital e longos prazos de maturação, mas pode reduzir o custo de acesso ao espaço e ampliar o mercado para novas aplicações.

Com um valuation próximo de 40 vezes a receita e superior a 100 vezes o Ebitda ajustado, a empresa ainda depende de uma execução muito precisa. De qualquer forma, o crescimento das receitas sugere que parte dessa transformação já começa a ganhar tração comercial.

A estratégia de longo prazo inclui ampliar a Starlink, avançar no desenvolvimento da Starship, construir infraestrutura de inteligência artificial e ingressar de forma mais ampla no mercado de telefonia móvel, combinando redes de satélites com infraestrutura terrestre. A gestão indicou a possibilidade de alcançar receita recorrente anual de US$ 100 bilhões até o fim de 2026, capacidade de computação de IA de 10 gigawatts até 2027 e, em um cenário bastante ambicioso, vendas de US$ 1 trilhão em 2029.

Embora essas projeções devam ser avaliadas com cautela, elas ilustram o potencial de uma indústria que deixa de depender exclusivamente de contratos governamentais e passa a atuar também em conectividade, computação, mobilidade, defesa e serviços comerciais. Para o setor de exploração espacial como um todo, o balanço reforça uma leitura construtiva: os investimentos continuam elevados e a volatilidade deve permanecer, mas a expansão das receitas e das aplicações econômicas indica que o espaço começa a se transformar em uma plataforma de infraestrutura cada vez mais relevante.

Nesse contexto, o Global X Space Tech ETF (Nasdaq: ORBX | B3: ORBX39) oferece uma forma diversificada de exposição à cadeia espacial, reunindo empresas ligadas a sistemas de lançamento, foguetes reutilizáveis, componentes, softwares, transporte orbital, comunicações por satélite, análise de dados e exploração espacial.

O fundo reúne 37 companhias, possui taxa de administração de 0,50% e mantém exposição predominantemente aos Estados Unidos, combinando empresas mais consolidadas com negócios ainda em fase de expansão. Trata-se de uma tese estruturalmente promissora, mas também intensiva em capital e sujeita a elevada volatilidade, dependência de contratos públicos, riscos tecnológicos e longos períodos de maturação. Por essa razão, enxergamos o ORBX como uma posição temática e complementar dentro de uma carteira diversificada, voltada à captura do crescimento de longo prazo da economia espacial.

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Ibovespa hoje: Início da reunião do Copom e balanço do Itaú (ITUB4) no centro das atenções do mercado; veja mais destaques desta terça (4)

4 de Agosto de 2026, 11:09

Os mercados globais operam em terreno positivo, sustentados pela recuperação das ações de tecnologia e pelas expectativas em torno da temporada de resultados, embora a incerteza geopolítica permaneça elevada. Donald Trump afirma que as negociações com o Irã estão em andamento e classificou a proposta americana como uma “última chance”. Na agenda econômica, o principal destaque nos Estados Unidos será a divulgação do relatório JOLTS, acompanhada pelos dados da balança comercial e das encomendas à indústria.

No Japão, as atenções permanecem voltadas às políticas fiscal e monetária, após Sanae Takaichi avançar com a proposta de redução do imposto sobre alimentos. A temporada de balanços também ganha intensidade, com os resultados de Caterpillar, McDonald’s, HSBC, BP, AMD e, sobretudo, o primeiro balanço da SpaceX desde sua abertura de capital. No Brasil, o foco estará na produção industrial, no início da reunião do Copom e nos resultados de Itaú, Gerdau e outras companhias após o fechamento.

· 00:57 — O corte que o fiscal ainda limita

No Brasil, o Ibovespa encerrou a segunda-feira praticamente estável, aos 178 mil pontos, em um pregão marcado por forças opostas. A queda dos juros futuros ofereceu algum suporte ao mercado acionário, mas o recuo das principais empresas ligadas a commodities impediu um avanço mais consistente.

As ações da Petrobras caíram 0,85%, acompanhando a baixa do petróleo após a trégua temporária entre Estados Unidos e Irã, enquanto a Vale recuou 2,15%, pressionada pela desvalorização do minério de ferro e pelas dúvidas persistentes em relação à demanda chinesa. Em contrapartida, a valorização dos grandes bancos ajudou a limitar as perdas do índice.

Nesta terça-feira, as atenções se concentram no início da reunião do Copom, na divulgação da produção industrial de junho e no balanço do Itaú Unibanco. A expectativa amplamente majoritária é de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14% ao ano, mas o foco do mercado estará sobretudo na comunicação do Banco Central sobre os próximos passos. A melhora recente da inflação, a desaceleração da atividade e a queda do petróleo abriram espaço para a discussão de uma nova redução da taxa, para 13,75% em setembro, cenário que já passou a ser incorporado pelo Boletim Focus.

Ainda assim, expectativas de inflação acima da meta, riscos fiscais e incertezas eleitorais recomendam cautela. No campo das contas públicas, a Instituição Fiscal Independente estima que o governo poderá ultrapassar a Regra de Ouro em R$ 288 bilhões em 2026, reforçando as preocupações com a qualidade do ajuste e com a trajetória da dívida pública. Em síntese, a deterioração fiscal mantém elevado o prêmio de risco, restringe o espaço para cortes mais profundos de juros e torna os ativos brasileiros mais vulneráveis a qualquer perda adicional de confiança.

· 01:43 — Lucros e indústria reacendem Wall Street

Os mercados americanos iniciaram agosto em forte alta, com o Dow Jones renovando sua máxima histórica, o S&P 500 avançando 1,5% e o Nasdaq registrando ganho de 2,1%. O movimento foi liderado pelas “Magnificent Seven”, que acrescentaram US$ 1,77 trilhão em valor de mercado ao longo de três pregões, enquanto a Amazon superou, pela primeira vez, a marca de US$ 3 trilhões.

O ambiente positivo, contudo, não ficou restrito ao setor de tecnologia. A queda dos preços do petróleo, o recuo dos rendimentos dos títulos públicos e uma temporada de balanços acima das expectativas sustentaram uma valorização mais disseminada entre os setores. O crescimento dos lucros das empresas do S&P 500 caminha entre 35% e 40%, acima das projeções iniciais, acompanhado por aumento dos investimentos, expansão das carteiras de pedidos e maior visibilidade sobre receitas futuras, sobretudo entre as grandes companhias de tecnologia e computação em nuvem.

A melhora também se estendeu à indústria americana. O PMI industrial do ISM avançou para 55,6 pontos em julho, alcançando o maior nível desde maio de 2022 e marcando o sétimo mês consecutivo de expansão. A produção, as novas encomendas e o emprego apresentaram evolução positiva, impulsionados pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial, pela demanda dos setores aeroespacial e de defesa e pela recomposição dos estoques.

Ainda assim, a trajetória dos custos e da inflação continua exigindo cautela. O cenário também permanece sujeito a riscos, especialmente às tensões no Estreito de Ormuz, à possibilidade de uma nova pressão sobre os preços do petróleo e à divulgação dos próximos dados do mercado de trabalho. John Williams avaliou que a política monetária está bem-posicionada, mas ressaltou que o Federal Reserve poderá agir caso os próximos indicadores não confirmem a continuidade do processo de desinflação.

· 02:39 — Fusão diferenciada

A possível fusão entre AstraZeneca e Bristol Myers Squibb surpreendeu o mercado e foi recebida com cautela pelos investidores, levando as ações da companhia britânica a recuarem cerca de 7%. Caso a operação avance, a empresa resultante poderá alcançar valor de mercado próximo de US$ 400 bilhões e se tornar a quarta maior farmacêutica do mundo.

O movimento causa estranhamento porque a AstraZeneca atravessa uma fase de forte crescimento e elevada capacidade de inovação, enquanto a Bristol Myers enfrenta a perspectiva de desaceleração nos próximos anos, à medida que expiram as patentes de alguns de seus medicamentos mais relevantes.

Ainda assim, a combinação poderia ampliar de forma significativa a presença da AstraZeneca nos Estados Unidos e criar o maior portfólio de medicamentos contra o câncer da indústria. Uma transação dessa dimensão, no entanto, provavelmente seria submetida a uma análise rigorosa por parte das autoridades antitruste.

· 03:28 — Coordenação

Como comentei ontem neste espaço, os Estados Unidos e o Japão realizaram uma rara intervenção coordenada para sustentar o iene, na primeira ação conjunta desse tipo desde 1998. Embora Donald Trump tenha descrito a iniciativa como um gesto de amizade, a participação americana também responde a interesses próprios: reduzir o risco de que o Japão venda parte de suas reservas de Treasuries para financiar novas intervenções, limitar a vantagem competitiva proporcionada por uma moeda excessivamente depreciada e ampliar o poder de negociação de Washington em questões comerciais e estratégicas. A operação contribuiu para a valorização do iene, mas parte dos ganhos já foi devolvida, e o patamar de 155 ienes por dólar surge como um teste importante para avaliar a sustentabilidade do movimento.

Ainda assim, a intervenção tende a oferecer apenas um alívio temporário caso não seja acompanhada por mudanças nos fundamentos da economia japonesa. Uma recuperação mais duradoura da moeda dependerá de maior disciplina fiscal no Japão e de uma normalização monetária mais firme por parte do Banco do Japão, capaz de reduzir o diferencial de juros que alimenta as operações de carry trade.

Taxas mais elevadas no país diminuiriam o incentivo para tomar recursos em ienes e direcioná-los a ativos estrangeiros de maior rendimento. Scott Bessent afirmou que os Estados Unidos poderão voltar a atuar, mas o comportamento recente da moeda reforça uma conclusão conhecida: intervenções cambiais podem ganhar tempo, mas não substituem os ajustes estruturais necessários.

· 04:14 — Reduzindo a distância

A inteligência artificial chinesa vem reduzindo rapidamente a distância que ainda a separa do Vale do Silício, combinando desempenho tecnológico cada vez mais avançado com custos mais competitivos. O Alibaba reforçou esse movimento com o Qwen3.8-Max, seu modelo mais sofisticado até o momento, que parece igualar ou até superar o Claude 3.5 Sonnet, da Anthropic. Na mesma direção, o Kimi K3, da Moonshot AI, apresentou resultados comparáveis aos de soluções americanas mais caras, apesar de ter sido desenvolvido com um orçamento significativamente menor.

Essa sequência de lançamentos mostra que a China já não se limita a oferecer alternativas de baixo custo, mas dispõe de modelos capazes de competir em tarefas de raciocínio, programação e execução de atividades complexas, ampliando a pressão competitiva sobre a OpenAI e outras empresas dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, a disputa tecnológica assume contornos cada vez mais geopolíticos e relacionados à segurança nacional. Autoridades chinesas demonstram preocupação com o possível uso ofensivo do Mythos, da Anthropic, e de outros modelos avançados desenvolvidos nos Estados Unidos, sobretudo em operações cibernéticas.

Esse receio acrescenta uma nova camada de tensão à relação entre Pequim e Washington, especialmente às vésperas de uma possível reunião entre Xi Jinping e Donald Trump. A corrida pela liderança em inteligência artificial, portanto, deixa de ser apenas uma competição empresarial e passa a ocupar uma posição central na rivalidade estratégica entre as duas maiores potências globais.

· 05:06 — Palantir e a Nova Fronteira da Defesa Digital

A Palantir apresentou resultados acima das expectativas, impulsionados pela forte expansão de seu segmento comercial nos Estados Unidos, cujas receitas avançaram 149% na comparação anual. A receita total cresceu 93%, para US$ 1,9 bilhão, enquanto o lucro ajustado alcançou US$ 0,41 por ação.

A companhia vem se consolidando como uma plataforma relevante para integrar dados dispersos, organizar informações e aplicar diferentes modelos de inteligência artificial à resolução de problemas concretos. A aceleração da demanda levou a empresa a projetar uma receita entre US$ 2,16 bilhões e US$ 2,164 bilhões para o próximo trimestre, além de elevar sua estimativa para 2026 para aproximadamente US$ 8,15 bilhões, reforçando a perspectiva de crescimento robusto e progressivamente mais diversificado.

A leitura também permanece construtiva para a indústria de defesa, sobretudo para empresas expostas à digitalização, à análise de dados e à inteligência artificial. As receitas governamentais da Palantir cresceram 90%, evidenciando que a modernização tecnológica das forças armadas e das agências públicas continua ganhando prioridade.

Ao mesmo tempo, o avanço do segmento comercial mostra que tecnologias originalmente desenvolvidas para ambientes de defesa estão encontrando aplicações cada vez mais amplas no setor privado, o que expande o mercado potencial da companhia e reduz sua dependência de contratos públicos. Esse caráter de uso dual tende a sustentar investimentos de longo prazo em software, automação, segurança e inteligência operacional em diferentes elos da cadeia de defesa.

Essa tendência continua criando oportunidades em empresas ligadas aos segmentos de defesa, aeroespacial e segurança nacional. ETFs temáticos, como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL), oferecem formas eficientes de capturar esse movimento por meio de uma exposição diversificada a companhias que tendem a se beneficiar do aumento estrutural dos gastos militares.

No mercado brasileiro, alternativas como o BDR do iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39) e o SHLD39 cumprem função semelhante, permitindo acesso simplificado à temática. Ainda assim, como em qualquer tese temática, a disciplina de alocação permanece essencial. Exposições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para aos temas mais disruptivos e estressados, tendem a oferecer um equilíbrio adequado entre potencial de retorno, diversificação e controle de risco, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor.

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Ibovespa hoje: Alívio no cenário geopolítico em semana de Copom e primeiro balanço da SpaceX (SPCX34); veja destaques desta segunda (3)

3 de Agosto de 2026, 10:06

Os mercados globais iniciaram a semana em tom de alívio, sustentados pela expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã. Donald Trump afirmou ter suspendido uma nova ofensiva militar após pedidos de aliados do Golfo e indicou que as conversas poderiam avançar em torno da reabertura do Estreito de Ormuz e da limitação do programa nuclear iraniano. Teerã, contudo, negou a existência de negociações diretas e imediatas com Washington, informando que mantém apenas tratativas com Omã para a definição de uma nova rota de navegação.

A possibilidade de uma solução diplomática reduziu, ao menos temporariamente, o risco de uma nova escalada e pressionou os preços do petróleo, embora os incidentes marítimos registrados na região mantenham o cenário cercado de incertezas. A Opep+ também contribuiu para a queda das cotações ao confirmar um aumento de aproximadamente 188 mil barris por dia na produção a partir de setembro, concluindo a reversão dos cortes voluntários iniciados em 2023.

Outro destaque foi a confirmação de uma intervenção cambial coordenada entre Estados Unidos e Japão para sustentar o iene, a primeira operação conjunta desse tipo em 15 anos. A participação americana ampliou a credibilidade da medida e provocou uma valorização relevante da moeda japonesa, embora parte desse movimento tenha sido devolvida ao longo do pregão.

· 00:53 — Questões internas

No Brasil, com o alívio momentâneo das tensões geopolíticas, as atenções se voltam para uma agenda doméstica intensa, liderada pela decisão do Copom na quarta-feira. O mercado atribui probabilidade integral a um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14% ao ano, mas permanece dividido quanto aos passos seguintes: parte dos investidores espera uma pausa, enquanto outra parcela ainda considera possível uma nova redução em setembro, que levaria a taxa básica para 13,75%.

A desaceleração da inflação, o IPCA-15 próximo de zero e os sinais de arrefecimento da atividade econômica reforçam a perspectiva de flexibilização monetária. Ainda assim, o quadro fiscal, o ambiente eleitoral e os riscos externos continuam limitando o espaço para um ciclo de cortes mais acelerado. Na última semana, o Ibovespa avançou 2,27% e encerrou a sexta-feira aos 177.999 pontos, enquanto o dólar fechou cotado a R$ 5,06 e acumulou queda de 1,81% no mês.

A temporada de balanços também ganha força, com Itaú Unibanco, Bradesco e Petrobras entre os principais destaques e uma ampla concentração de divulgações entre terça e quinta-feira. Paralelamente, a trajetória da dívida pública voltou ao centro das preocupações. A dívida bruta alcançou 81,9% do PIB em junho, o maior nível em mais de cinco anos, enquanto o custo médio da Dívida Pública Federal subiu para 12,68% ao ano.

O setor público também registrou déficit primário de R$ 55,3 bilhões, resultado pior que o esperado e pressionado principalmente pelo desempenho dos governos regionais. A combinação entre juros elevados, incerteza fiscal e aumento do prêmio de risco encarece o financiamento do governo e tende a exigir revisões mais negativas para a trajetória da dívida ao final de 2026.

· 01:49 — Agenda dominada

Nos Estados Unidos, a agenda da semana será dominada pelos dados do mercado de trabalho, que poderão ajudar a calibrar as expectativas para os próximos passos do Federal Reserve. O relatório oficial de empregos de julho, previsto para sexta-feira, deve mostrar a criação de 88 mil vagas, ante 57 mil em junho, com a taxa de desemprego permanecendo estável em 4,2%.

Antes disso, os investidores acompanharão o PMI industrial do ISM, o relatório JOLTS sobre vagas em aberto, a pesquisa ADP, o índice de serviços do ISM, a pesquisa do Fed sobre as condições de crédito e o levantamento de expectativas do consumidor conduzido pelo Fed de Nova York. Esses indicadores serão analisados à luz da reunião de julho do FOMC, interpretada pelo mercado como relativamente favorável a uma política monetária mais flexível, apesar dos votos de Lorie Logan, Beth Hammack e Neel Kashkari por uma elevação de 0,25 ponto percentual nos juros. A inflação vem apresentando sinais mais benignos, com menor pressão decorrente das tarifas e desaceleração dos custos de moradia, enquanto o mercado de trabalho permanece pouco aquecido.

A temporada de balanços seguirá como outro importante vetor para os mercados, sobretudo pela busca de evidências de que os elevados investimentos em inteligência artificial estão, de fato, se convertendo em crescimento de receitas, preservação de margens e geração de caixa. Entre os principais destaques da semana estão o primeiro balanço da SpaceX após sua abertura de capital, além dos resultados de Palantir, AMD, Disney, Uber, Eli Lilly, Airbnb e ConocoPhillips.

Após as entregas positivas de Microsoft e Amazon, que reforçaram a percepção de que a demanda por serviços de nuvem e inteligência artificial ainda supera a capacidade disponível, os investidores acompanharão com atenção os planos de investimento das empresas de semicondutores e tecnologia, o desempenho do consumo e a evolução dos gastos empresariais fora do universo de IA, que voltaram a ganhar força no segundo trimestre.

· 02:32 — Lucros fortes, mas mercado mais seletivo

A temporada de resultados do segundo trimestre nos Estados Unidos vem apresentando um desempenho amplamente positivo. Até 31 de julho, 61% das empresas do S&P 500 já haviam divulgado seus números, com 86% superando as estimativas de lucro por ação e 77% registrando receitas acima do consenso. O crescimento combinado dos lucros alcançou 47,4% na comparação anual, enquanto as receitas avançaram 14,1%.

Ainda assim, os dados agregados foram influenciados por ganhos extraordinários registrados por Alphabet e Amazon, relacionados a participações em empresas de inteligência artificial. Excluindo essas duas companhias, o crescimento dos lucros recuaria para 28,8%, permanecendo, contudo, em patamar robusto. A força da temporada também se mostra disseminada, já que dez dos onze setores apresentam expansão dos resultados, com destaque para energia, serviços de comunicação, consumo discricionário, tecnologia e materiais.

Entre as grandes companhias de tecnologia, o mercado passou a avaliar com maior rigor a capacidade de converter os elevados investimentos em inteligência artificial em crescimento de receita, preservação de margens e geração de caixa. Microsoft e Amazon apresentaram as entregas mais convincentes até aqui, sustentadas pela forte expansão de Azure e AWS, por uma demanda ainda superior à capacidade disponível e por boa visibilidade contratual.

A Meta manteve um crescimento robusto em publicidade, mas a forte elevação dos investimentos pressionou o fluxo de caixa livre. A Apple, por sua vez, demonstrou resiliência no consumo de tecnologia, com avanços expressivos nas receitas de iPhone, Mac e serviços. O setor financeiro também apresentou resultados favoráveis, com os grandes bancos superando as projeções, recuperação das receitas de negociação de ativos e de banco de investimento, melhora sequencial da margem financeira e qualidade de crédito ainda saudável.

A mensagem geral permanece construtiva, embora a temporada também reforce o aumento da seletividade do mercado. O consenso projeta crescimento dos lucros de 27,4% no terceiro trimestre, de 25,2% no quarto e de 29,1% no conjunto de 2026, enquanto o S&P 500 negocia a aproximadamente 19,6 vezes os lucros esperados para os próximos 12 meses. O índice não parece excessivamente caro diante da expansão projetada, mas oferece pouca margem para frustrações, revisões negativas de projeções ou investimentos que não apresentem retorno claro. Para o investidor, o ponto central deixa de ser apenas a exposição à inteligência artificial e passa a ser a capacidade de cada companhia de transformar essa tecnologia em crescimento recorrente, margens sustentáveis e geração consistente de caixa.

· 03:25 — Primeiro balanço

A SpaceX divulga nesta terça-feira seu primeiro balanço desde a abertura de capital, em um momento marcado por elevada incerteza em torno das projeções e por um potencial significativo de volatilidade para as ações. Avaliada em aproximadamente US$ 1,4 trilhão, a companhia atua em três grandes frentes de negócios: lançamentos espaciais, conectividade por meio da Starlink e inteligência artificial. Estima-se receita trimestral de US$ 6,9 bilhões e EBITDA, medida de geração operacional de resultados antes de juros, impostos, depreciação e amortização, de US$ 2,1 bilhões.

Ainda assim, as atenções deverão se concentrar especialmente na divisão de IA, que registrou receita de US$ 818 milhões, prejuízo operacional de US$ 2,5 bilhões e investimentos de US$ 7,7 bilhões no primeiro trimestre. Além do desempenho da Starlink e dos avanços no desenvolvimento do Starship, os investidores buscarão informações sobre os contratos de data centers com Anthropic e Google, as perspectivas da área de inteligência artificial para 2026 e 2027 e os planos de testar satélites em órbita.

Paralelamente, voltaram a ganhar força as especulações sobre uma possível aquisição da Tesla pela SpaceX, após o Wall Street Journal informar que executivos da montadora teriam sido orientados a preparar a separação de suas operações na China, embora Elon Musk tenha negado a notícia. Uma eventual combinação poderia reunir os diferentes negócios do empresário em uma única companhia de capital aberto, mas enfrentaria obstáculos relevantes, sobretudo em razão da exposição da SpaceX ao governo americano e da expressiva presença industrial e comercial da Tesla no mercado chinês.

O momento também seria importante do ponto de vista financeiro, uma vez que os primeiros períodos de restrição à venda das ações da SpaceX começam a expirar logo após a divulgação do balanço, ampliando a oferta potencial de papéis no mercado. Caso uma transação por meio de troca de ações esteja efetivamente em análise, realizá-la antes de uma eventual pressão vendedora sobre os papéis poderia ser mais favorável para a companhia.

· 04:11 — Mão amiga

Estados Unidos e Japão realizaram sua primeira ação coordenada em 15 anos para sustentar o iene, que havia recuado ao menor nível em quatro décadas frente ao dólar. A operação envolveu a compra da moeda japonesa pelo Tesouro americano, executada pelo Federal Reserve, e também contou com sinais de coordenação por parte da Coreia do Sul. O movimento contribuiu para a valorização do iene e foi apresentado por Donald Trump como um gesto de amizade.

Ainda assim, Washington também tinha interesses próprios na iniciativa, entre eles reduzir o risco de que o Japão precisasse vender títulos do Tesouro americano para financiar uma intervenção cambial e amenizar as críticas ao ganho de competitividade dos exportadores japoneses proporcionado por uma moeda excessivamente depreciada.

Para o governo de Sanae Takaichi, a intervenção ocorre em um momento político e econômico delicado, já que um iene mais forte pode ajudar a aliviar o custo de vida e reduzir a pressão sobre seus planos fiscais. Em contrapartida, os Estados Unidos podem buscar maior alinhamento do Japão em temas como defesa, investimentos e política externa.

Ainda assim, a ação cambial tende a produzir apenas um alívio temporário caso não seja acompanhada por medidas mais estruturais. Por isso, as atenções agora se voltam para o Banco do Japão e para a possibilidade de uma elevação dos juros em setembro, sobretudo se esse movimento ocorrer de forma coordenada com o Federal Reserve.

· 05:06 — Eli Lilly e a Próxima Fronteira dos GLP-1

A Eli Lilly permanece no centro de uma das teses mais relevantes da indústria farmacêutica: a expansão dos medicamentos da classe GLP-1. Atualmente associados sobretudo ao tratamento de diabetes e obesidade, esses produtos podem ampliar de forma significativa seu mercado potencial à medida que novas indicações terapêuticas sejam incorporadas, incluindo apneia do sono, doenças cardiovasculares, doença hepática gordurosa, dependência de substâncias e até Parkinson.

A combinação entre demanda crescente, capacidade produtiva ainda limitada e elevado poder de precificação cria uma dinâmica semelhante à observada no segmento de inteligência artificial, com potencial para sustentar taxas robustas de crescimento por vários anos.

A companhia já ocupa uma posição dominante, com cerca de 60% do mercado de medicamentos injetáveis, e vem ampliando rapidamente sua capacidade de geração de receitas e lucros. Para este ano, a expectativa é de faturamento próximo de US$ 31 bilhões, o que representaria crescimento de 36%, enquanto as projeções indicam que esse montante poderá dobrar até 2030.

Segundo algumas estimativas o mercado global de GLP-1 para diabetes e obesidade pode alcançar US$ 190 bilhões em 2035, impulsionado pelo aumento da penetração entre pacientes, pela ampliação da cobertura oferecida pelos planos de saúde e pela inclusão gradual desses tratamentos em programas públicos, como o Medicare.

Embora a concorrência deva se intensificar, especialmente com o avanço de medicamentos em comprimidos desenvolvidos por rivais como a Novo Nordisk, esse novo formato tende a contribuir para a expansão do mercado, e não necessariamente para a substituição dos tratamentos injetáveis. Para a Eli Lilly, o cenário combina liderança comercial, crescimento acelerado, ampliação das indicações terapêuticas e exposição a um mercado ainda pouco penetrado. Essa combinação sustenta uma visão construtiva para as ações LLY e, em especial, para o BDR LILY34, que oferece ao investidor brasileiro acesso a uma companhia bem posicionada para participar de uma das transformações estruturais mais importantes da indústria farmacêutica global.

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Ibovespa hoje: IPCA de junho, juros globais, Oriente Médio e inteligência artificial (IA) no centro das atenções; veja destaques desta sexta (10)

10 de Julho de 2026, 11:05

Os mercados globais operam de forma mista na manhã desta sexta-feira, em um ambiente de menor aversão ao risco, após os investidores reduzirem parte do prêmio de guerra acumulado nos últimos dias. Embora a situação no Oriente Médio permaneça frágil, ganhou força a percepção de que a nova escalada entre Estados Unidos e Irã tende a ser temporária e não deve impedir a retomada das negociações, especialmente após relatos de que Teerã voltou a procurar Washington e de que Catar e Paquistão atuam como mediadores.

Esse movimento levou o petróleo a devolver parte dos ganhos, refletindo a avaliação de que um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz continua sendo um cenário menos provável, apesar das restrições ainda presentes na rota e dos riscos para a recomposição dos estoques globais de energia.

No setor de tecnologia, o principal destaque é a estreia da SK Hynix nos Estados Unidos, em uma oferta de US$ 26,5 bilhões, a maior já realizada por uma empresa estrangeira no mercado americano, reforçando o interesse dos investidores por semicondutores e inteligência artificial. No Brasil, o IPCA de junho trouxe uma surpresa baixista, reforçando a percepção de desaceleração da inflação e ampliando, ainda que de forma cautelosa, o espaço para novos cortes da Selic nos próximos meses.

Na agenda macro internacional, a inflação desacelerou na França e veio em linha com as expectativas na Alemanha, enquanto, no Japão, os preços ao produtor aceleraram, fortalecendo os argumentos favoráveis a novos aumentos de juros pelo Banco do Japão. Nesse ambiente, os mercados encerram a semana divididos entre a expectativa de avanços diplomáticos no Oriente Médio, a resiliência da tese de inteligência artificial e a reavaliação dos riscos para inflação, energia e política monetária.

· 00:52 — Inflação surpreendendo

Por aqui, o Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta de 1,22%, aos 172.742 pontos, interrompendo uma sequência de três quedas e acompanhando a recuperação dos ativos de risco no exterior. Apesar da permanência das tensões no Oriente Médio, os investidores aproveitaram o pregão para corrigir parte dos excessos recentes, favorecendo ações de setores ligados à economia doméstica, especialmente diante do recuo dos juros futuros.

Nesta manhã, a atenção se voltou para o IPCA de junho, que surpreendeu positivamente ao avançar apenas 0,16% no mês, abaixo da expectativa de 0,31%, enquanto a inflação acumulada em 12 meses desacelerou para 4,64% (desacelerando frente ao mês passado, apesar de ainda estar acima do teto da meta do Banco Central). O resultado reforçou os sinais de perda de fôlego da economia e ampliou a percepção de espaço para um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto, levando a taxa básica para 14% ao ano.

Ainda assim, os riscos fiscais, eleitorais e geopolíticos continuam limitando uma revisão mais ampla das expectativas ao longo dos próximos meses. Em paralelo, o governo manteve uma postura cautelosa em relação à retirada dos subsídios aos combustíveis, prorrogou por 60 dias a alíquota de 12% sobre as exportações de petróleo e segue avaliando medidas para reduzir a dependência da gasolina, enquanto o mercado aguarda a conclusão da investigação do USTR sobre a possível imposição de tarifas ao Brasil.

· 01:48 — Desenhando os próximos passos

John Williams, presidente do Fed de Nova York, avaliou que o novo choque energético tende a ser temporário e destacou a demanda associada à inteligência artificial como uma fonte potencialmente mais relevante de pressão inflacionária no médio prazo. Já nesta semana, a ata do Fed reforçou a preocupação dos dirigentes com a persistência da inflação e manteve no radar a possibilidade de uma nova alta de juros nos próximos meses, especialmente diante das pressões vindas dos preços de energia.

Em paralelo, Kevin Warsh anunciou a composição de cinco forças-tarefa destinadas a revisar áreas centrais da atuação do banco central: comunicação, gestão do balanço patrimonial, dados econômicos, produtividade e emprego, e estrutura da política de inflação.

Entre os nomes escolhidos, destaca-se o brasileiro Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil, que foi convidado para liderar a revisão da comunicação do Fed ao lado de Mervyn King, ex-presidente do Banco da Inglaterra, e Peter R. Fisher, professor da Universidade de Washington. A presença de Fraga em um dos grupos mais estratégicos reforça o reconhecimento internacional de sua experiência em política monetária e gestão de crises.

As forças-tarefa atuarão de forma independente do FOMC, com apoio técnico do Fed, e deverão apresentar recomendações até o fim do ano. A iniciativa faz parte do esforço de Warsh para modernizar a comunicação com o mercado, aprimorar a coleta de dados, revisar a abordagem sobre inflação e reavaliar a gestão de um balanço de aproximadamente US$ 7 trilhões.

· 02:34 — Chegou aos Estados Unidos

A SK Hynix estreia hoje na Nasdaq por meio de suas ADRs como uma das principais protagonistas do mais recente ciclo de expansão da inteligência artificial, ampliando o acesso dos investidores americanos à segunda empresa mais valiosa da Coreia do Sul. A companhia é líder na produção de chips de memória de alta largura de banda, componentes essenciais para as GPUs da Nvidia e para a operação de data centers voltados à IA, além de atuar nos segmentos de DRAM e NAND flash.

A oferta, estimada em cerca de US$ 24,5 bilhões, registrou demanda mais de sete vezes superior ao volume disponível, refletindo o forte interesse dos investidores por uma empresa cujas ações acumularam valorização expressiva e cujos lucros quase quintuplicaram no primeiro trimestre de 2026. A listagem também pode contribuir para reduzir o desconto tradicionalmente atribuído às empresas negociadas na Bolsa da Coreia, aproximando sua avaliação dos múltiplos observados entre concorrentes americanos.

Os recursos captados devem ampliar a capacidade da SK Hynix de expandir sua produção e atender à demanda crescente por memórias avançadas, com investimentos previstos tanto na Coreia do Sul quanto nos Estados Unidos, incluindo a construção de uma nova fábrica em Indiana. Embora o setor seja historicamente cíclico e a expansão da capacidade produtiva leve anos para se materializar, analistas esperam que a escassez de chips de memória persista ao menos até 2027.

Nesse contexto, o desempenho da companhia tende a funcionar como um importante termômetro do próprio ciclo de expansão da IA e do apetite dos investidores por grandes ofertas de tecnologia, além de ajudar a calibrar as expectativas em torno de futuras aberturas de capital, como as de Anthropic e OpenAI.

· 03:21 — De volta aos holofotes

A guerra na Ucrânia e a nova escalada entre Estados Unidos e Irã voltaram a pressionar os mercados de energia, com ataques cada vez mais concentrados em infraestruturas estratégicas. Enquanto drones ucranianos atingem refinarias russas, as novas ofensivas americanas contra o Irã provocaram retaliações contra aliados dos Estados Unidos no Golfo e renovaram as preocupações com a segurança do Estreito de Ormuz.

Ao mesmo tempo, Donald Trump ampliou o apoio à Ucrânia ao autorizar a produção local de interceptadores Patriot, embora a elevada complexidade tecnológica e os gargalos nas cadeias de suprimentos indiquem que os efeitos práticos dessa medida devem levar anos para se materializar. A cúpula da OTAN também resultou na promessa de € 70 bilhões (cerca de US$ 80 bilhões) em ajuda militar a Kiev.

Nesse contexto, os drones consolidam-se como uma das principais tecnologias da guerra moderna. Mais baratos e flexíveis do que os mísseis de cruzeiro, os modelos kamikaze podem permanecer em voo por longos períodos, operar em grande escala e atingir alvos móveis ou ocultos, além de sobrecarregar os sistemas de defesa adversários. É um novo formato de guerra que subverte a lógica de superioridade militar.

A importância crescente dessa tecnologia levou a OTAN a lançar a iniciativa Drone Edge, que prevê investimentos superiores a US$ 40 bilhões em capacidades de defesa antidrones ao longo dos próximos cinco anos, além do objetivo de multiplicar por cinco o número de operadores até 2027. A tendência é que a próxima etapa dessa evolução combine inteligência artificial, enxames autônomos, sistemas de interceptação a laser, veículos multimodais e munições produzidas por impressão 3D.

· 04:16 — Aceleração asiática

As empresas chinesas de inteligência artificial estão acelerando a captação de recursos para ampliar sua capacidade de competir com as grandes companhias americanas de tecnologia, as fabricantes de chips e outras gigantes como OpenAI e Anthropic. A Zhipu AI anunciou a intenção de levantar US$ 4 bilhões, movimento que impulsionou suas ações e reforçou a percepção de que parte do interesse dos investidores começa a migrar dos semicondutores para os grandes modelos de linguagem da China. Seu modelo GLM 5.2 já ocupa posição de destaque nos rankings, atrás de soluções da Anthropic e da OpenAI, mas já à frente do Gemini, da Alphabet.

A DeepSeek também ganhou relevância ao demonstrar que modelos avançados podem ser desenvolvidos a custos inferiores aos observados entre as empresas americanas. A companhia levantou mais de US$ 7 bilhões em sua primeira rodada de financiamento e oferece preços por token mais baixos. A combinação entre custos reduzidos, desempenho competitivo e acesso crescente ao mercado de capitais fortalece o ecossistema chinês de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, eleva as expectativas em torno das futuras aberturas de capital de Anthropic e OpenAI.

· 05:05 — Localiza preserva sua vantagem operacional em um cenário desafiador

A gestão da operação de seminovos continua sendo um dos principais pilares da tese de Localiza, dado seu impacto direto sobre rentabilidade, geração de caixa e retorno sobre o capital. Embora os preços dos veículos usados tenham recuado 0,7% em junho, refletindo um ambiente ainda desafiador de juros elevados, crédito restrito e endividamento das famílias, a leitura parece mais pontual do que uma mudança estrutural de tendência.

Além disso, a renovação acelerada da frota ajuda a amortecer esse cenário: no primeiro trimestre do ano, a idade média dos veículos vendidos caiu para 19,7 meses, ante 23,1 meses no 1T25, enquanto cerca de 74% dos automóveis anunciados possuem menos de 45 mil quilômetros rodados, proporção superior à observada anteriormente e muito acima da registrada pela Movida.

A composição da frota também reforça essa vantagem operacional, com aproximadamente 81% dos seminovos concentrados nos modelos 2024/25 e 2025/26. Veículos mais novos e com menor quilometragem tendem a preservar melhor seu valor residual, permitir preços de venda mais altos e reduzir riscos de depreciação.

Nesse contexto, entendemos que a execução da Localiza continua se destacando diante das adversidades macroeconômicas. A combinação entre escala, gestão eficiente da frota, capacidade de precificação e disciplina operacional mantém a companhia como principal referência do setor. Negociada a 9,4 vezes os lucros para 2026, RENT3 segue como uma alternativa atrativa para complementar carteiras de ações no Brasil.

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Ibovespa hoje: tensão no Oriente Médio impulsiona petróleo e Fed mantém discurso cauteloso sobre juros; veja destaques desta quinta (9)

9 de Julho de 2026, 10:00

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, com as forças americanas atingindo cerca de 90 alvos militares em uma ofensiva destinada a reduzir a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação no Estreito de Ormuz. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra bases americanas, enquanto o tráfego de petroleiros pela região praticamente paralisou. Apesar da escalada, os mercados ainda atribuem baixa probabilidade a um conflito de grandes proporções, o que ajudou a conter a aversão ao risco.

O petróleo permaneceu próximo dos níveis observados na assinatura do acordo provisório, refletindo tanto o aumento do risco geopolítico quanto a adaptação das cadeias globais ao conflito. É justamente a consequência da paz frágil que temos destacado: suficiente para evitar uma ruptura mais ampla, mas incapaz de eliminar episódios recorrentes de tensão e volatilidade.

· 00:54 — O petróleo volta a comandar o risco

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quarta-feira em queda, pressionado pela piora do sentimento de risco global após Donald Trump afirmar que considerava encerrado o cessar-fogo provisório com o Irã. A nova escalada levou o petróleo a se aproximar novamente de US$ 80 por barril durante o pregão, impulsionando as ações da Petrobras. Ainda assim, a forte queda da Vale e o desempenho negativo de parte dos bancos exerceram pressão maior sobre o índice, que recuou para a região dos 170 mil pontos.

O dólar, por sua vez, terminou praticamente estável, próximo de R$ 5,15, às vésperas de uma sessão com liquidez reduzida em razão do feriado de 9 de julho em São Paulo. A alta do petróleo também deve alterar os planos do governo para os combustíveis, aumentando a probabilidade de adiamento da retirada da subvenção à gasolina e de extensão do subsídio ao diesel. A defasagem em relação aos preços internacionais chegou a 35% no diesel e 24% na gasolina, ampliando a incerteza em torno de possíveis reajustes por parte da Petrobras.

· 01:46 — Reforçando o tom duro

A ata da reunião de junho do FOMC reforçou uma postura mais cautelosa e inclinada ao aperto monetário, com a inflação permanecendo como a principal preocupação do Federal Reserve. Embora todos os participantes tenham apoiado a manutenção dos juros na faixa de 3,5% a 3,75%, alguns dirigentes avaliaram que já havia argumentos para uma alta na própria reunião.

O documento mostrou que os riscos inflacionários continuam inclinados para cima, especialmente diante dos preços elevados das commodities, de possíveis interrupções de oferta, das tensões geopolíticas, das tarifas e da demanda adicional gerada pelos investimentos em inteligência artificial. Nesse contexto, “quase todos” os membros indicaram que apoiariam um aperto monetário caso a inflação permanecesse elevada e o mercado de trabalho continuasse estável.

Ao mesmo tempo, a ata evidenciou a elevada incerteza em torno da trajetória dos juros e a preferência do Comitê por aguardar novos dados antes de se comprometer com um cenário específico. Muitos participantes avaliam que a taxa adequada ao fim do ano deve permanecer dentro ou ligeiramente abaixo da faixa atual, enquanto as projeções mais recentes mostram nove dirigentes esperando ao menos uma alta até o fim de 2026, oito prevendo estabilidade e apenas um defendendo um corte.

O mercado de trabalho ainda é visto como relativamente equilibrado, embora a criação de vagas tenha perdido força, e o cenário-base continue compatível com uma pausa prolongada. Ainda assim, a retomada das tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo aumentam o risco de que a inflação leve mais tempo para convergir à meta, mantendo o Fed em posição de cautela por um período mais prolongado.

· 02:39 — Medo de escalada

Os Estados Unidos realizaram ataques contra o Irã pelo segundo dia consecutivo, atingindo cerca de 90 alvos militares com o objetivo declarado de reduzir a capacidade de Teerã de ameaçar a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A ofensiva ocorreu depois que Donald Trump afirmou considerar encerrado o cessar-fogo e classificou as negociações como perda de tempo, ao mesmo tempo em que ameaçou retomar o bloqueio naval a portos iranianos. Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra bases americanas, elevando novamente o risco de uma escalada regional e recolocando o controle de Ormuz no centro das preocupações geopolíticas.

A nova escalada impulsionou os preços do petróleo, pressionou bolsas e ampliou a venda de títulos públicos, à medida que investidores passaram a elevar as apostas em juros mais altos. O Brent subiu 5,2%, para US$ 78 por barril, após tocar US$ 80 durante o pregão, enquanto o fim da trégua também reacendeu expectativas de alta nos preços dos combustíveis. Além do conflito entre Estados Unidos e Irã, ataques ucranianos contra refinarias russas aumentaram os riscos para a oferta global. Nesse ambiente, refinarias podem continuar se beneficiando de estoques reduzidos e margens elevadas, embora a alta do petróleo bruto também aumente seus custos.

Apesar do agravamento das tensões, ainda é cedo para concluir que uma escalada prolongada seja o cenário mais provável. A relação entre Washington e Teerã continua marcada por desconfiança, episódios recorrentes de confronto e tentativas intermitentes de distensão, o que sugere que a trégua pode permanecer instável sem necessariamente evoluir para uma guerra em larga escala. Ainda assim, os riscos para o petróleo seguem inclinados para cima no curto prazo, especialmente porque a capacidade do Irã de afetar o tráfego em Ormuz e ameaçar infraestruturas energéticas regionais lhe confere influência relevante sobre a economia global.

· 03:28 — Novo capítulo

A disputa tecnológica entre Estados Unidos e China ganhou um novo capítulo após a Anthropic acusar a Alibaba de usar milhares de contas fraudulentas para gerar milhões de interações com o Claude e, assim, aprimorar seus próprios modelos por meio de uma técnica conhecida como destilação. Em resposta, a Alibaba proibiu seus funcionários de utilizar ferramentas da Anthropic, enquanto autoridades chinesas passaram a discutir restrições ao acesso externo a modelos desenvolvidos no país.

O episódio reforça preocupações de segurança nacional dos dois lados e ocorre em um momento em que a China estaria apenas alguns meses atrás dos Estados Unidos na corrida pela inteligência artificial, com modelos potencialmente muito mais baratos. Ainda assim, alguns especialistas avaliam que a destilação, isoladamente, não é suficiente para explicar o avanço dos modelos chineses.

· 04:17 — Se consolidando

A Índia vem se consolidando como uma das principais novas fronteiras globais para a expansão de data centers, justamente em um momento em que projetos semelhantes enfrentam resistência crescente em diversas comunidades dos Estados Unidos. Esse avanço tem sido favorecido por uma política agressiva de atração de investimentos, baseada na oferta de terrenos a preços reduzidos, benefícios fiscais e descontos nos custos de água e eletricidade.

A estratégia já atraiu aportes superiores a US$ 15 bilhões de Microsoft e Alphabet, além de novos projetos de Meta, Amazon e OpenAI. A instalação dessas estruturas no país também faz sentido do ponto de vista operacional, já que a proximidade com os usuários reduz a latência e melhora a velocidade dos serviços digitais, especialmente em um mercado que reúne a segunda maior base de usuários do ChatGPT e do ClaudeAI no mundo.

Ao mesmo tempo, cresce a preocupação das comunidades locais com o impacto desses empreendimentos sobre recursos escassos, como água e energia, sobretudo em um ambiente no qual muitos projetos avançaram sem a realização de audiências públicas e com espaço limitado para participação social.

· 05:01 — Nvidia após a correção: liderança intacta na era da IA

A Nvidia foi uma das maiores vencedoras do avanço da inteligência artificial, com valorização superior a 1.100% entre o fim de 2022 e o ano passado, impulsionada pela posição dominante de suas GPUs na infraestrutura necessária para treinar e operar modelos de IA. Mesmo após a forte valorização acumulada, a companhia continua apresentando resultados robustos e sustentando uma liderança difícil de replicar, apoiada por escala, capacidade de inovação, ecossistema próprio de software e relacionamentos estratégicos com os maiores provedores globais de nuvem.

Ainda assim, as ações perderam força recentemente: desde a máxima histórica de maio, recuaram cerca de 16%, acumulam alta de apenas 5,6% no ano e já eliminaram quase US$ 1 trilhão em valor de mercado em menos de dois meses. O movimento parece refletir menos uma ruptura da tese estrutural de inteligência artificial e mais uma reavaliação das expectativas, após um período de valorização muito acelerada e de concentração excessiva dos fluxos em um único nome.

O principal desafio está no aumento da concorrência e na busca dos investidores por novas oportunidades dentro do setor. Empresas como AMD, SambaNova e Micron passaram a atrair mais capital, enquanto grandes clientes da própria Nvidia, como Alphabet e Amazon, avançam no desenvolvimento de chips proprietários, e a chinesa DeepSeek também trabalha em soluções próprias.

Ainda assim, a Nvidia permanece como a referência do setor, com participação estimada de 97% no mercado de GPUs para servidores no ano passado, posição que lhe confere vantagens relevantes de escala, tecnologia e integração com o ecossistema de IA. Embora a competição deva aumentar e a volatilidade permaneça elevada, a correção recente tornou a relação entre preço e fundamentos mais equilibrada.

Para investidores com horizonte de longo prazo, as ações da Nvidia, negociadas na Nasdaq sob o ticker NVDA e acessíveis no Brasil por meio dos BDRs NVDC34, continuam representando uma das formas mais diretas de exposição ao crescimento estrutural da inteligência artificial e à expansão global da demanda por capacidade computacional.

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Ibovespa hoje: Fim do cessar-fogo no Oriente Médio pressiona bolsas e petróleo sobe; veja destaques desta quarta (8)

8 de Julho de 2026, 10:03

Os mercados globais amanheceram em forte aversão a risco após Donald Trump afirmar que o cessar-fogo provisório com o Irã “acabou” e classificar as negociações como perda de tempo. A declaração veio depois de novos ataques americanos contra mais de 80 alvos iranianos, em resposta a ataques a embarcações no Estreito de Ormuz, e da revogação da isenção que permitia a venda de petróleo iraniano. O movimento reacendeu os temores de interrupção no fornecimento global de energia. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos títulos públicos avançaram, refletindo a preocupação dos investidores com um novo impulso inflacionário.

Além da geopolítica, o setor de semicondutores voltou a pesar lá fora. A queda se intensificou após os resultados da Samsung, comentado ontem por aqui, alimentarem dúvidas sobre a sustentabilidade dos valuations elevados das empresas ligadas à inteligência artificial. Na Ásia, o Kospi entrou em mercado de baixa técnico, enquanto as ações chinesas negociadas em Hong Kong reagiram positivamente, apoiadas por valuations mais baixos relativamente e por notícias envolvendo o desenvolvimento de chips próprios de IA por empresas locais. A agenda do dia ainda inclui a divulgação da ata do FOMC, em um momento de reavaliação dos riscos para inflação e juros.

· 00:57 — Ibovespa sente geopolítica, tarifa americana e ruídos eleitorais

No Brasil, o Ibovespa chegou a operar em alta na manhã de ontem, apoiado pela rotação de portfólios no exterior em um dia de queda para ações ligadas à inteligência artificial, mas perdeu força com a piora do cenário geopolítico. A retomada das tensões no Oriente Médio impulsionou o petróleo, fortaleceu o dólar e pressionou ativos tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, voltamos a ver pressão negativa.

Na agenda comercial, o segundo dia da audiência pública do USTR manteve em foco a possibilidade de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. O governo brasileiro reforçou a estratégia de manter as negociações abertas até a decisão americana, prevista para 15 de julho, enquanto representantes do setor produtivo defenderam a retirada da sobretaxa e contestaram os fundamentos da investigação. Flávio Bolsonaro, por sua vez, usou sua participação para criticar o governo Lula, pedir que a decisão sobre as tarifas fosse adiada para depois das eleições e argumentar que uma taxação imediata poderia favorecer politicamente o atual presidente do Brasil.

Ainda no campo eleitoral, a campanha de Flávio Bolsonaro enfrentou novos ruídos após integrantes de sua coordenação participarem de um evento em Washington com Marco Rubio e empresários brasileiros sem comunicação prévia aos aliados. O episódio gerou desconforto dentro da campanha, especialmente entre setores mais radicais do bolsonarismo, que brigam por protagonismo. Essa divisão interna tende a enfraquecer a oposição e pode aumentar as chances de reeleição do incumbente.

· 01:42 — Em busca de um maior detalhamento

Nos Estados Unidos, os mercados fecharam em queda ontem, pressionados principalmente pela realização de lucros nas ações de tecnologia e semicondutores. O Nasdaq recuou 1,2%, o S&P 500 caiu 0,5% e o Dow Jones perdeu 0,3%. Ainda assim, a leitura interna do pregão foi menos negativa do que os índices sugerem: seis dos 11 setores do S&P 500 encerraram em alta, com destaque para energia, que avançou 3%, enquanto 56% das ações do índice fecharam no campo positivo. O principal peso veio dos semicondutores após os resultados da Samsung. Embora os números tenham sido fortes, como pude comentar melhor na terça-feira, vieram apenas moderadamente acima das expectativas, o que acabou provocando uma realização de lucros no setor.

No fim do dia, a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano reforçou o tom de cautela. O movimento ocorreu depois dos americanos revogarem as isenções às sanções ao petróleo iraniano, em resposta a ataques contra navios comerciais. A agenda conta com a divulgação da ata do FOMC, referente à primeira reunião de Kevin Warsh. O mercado buscará sinais sobre a postura do Fed diante da inflação persistente e da preferência de Warsh por uma comunicação com menor uso de forward guidance e da possibilidade de uma alta de 25 ponto nos juros até outubro. Tudo isso ocorre em um ambiente de economia resiliente, mercado de trabalho estável e queda dos preços de energia, que pode aliviar a inflação nos próximos meses.

· 02:38 — Novos episódios de tensão

A tensão no Estreito de Ormuz voltou a se intensificar após três petroleiros serem atingidos, incluindo o Al Rekayyat, carregado com gás natural liquefeito, que sofreu um incêndio na casa de máquinas depois de ser atingido por um drone. O Catar responsabilizou o Irã pelo ataque, enquanto um navio de bandeira saudita, possivelmente o superpetroleiro Wedyan, também registrou avarias próximo à costa de Omã.

O episódio ocorre em meio ao colapso do memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã, depois que Trump declarou o acordo “encerrado”, Teerã atacou bases americanas no Bahrein e no Kuwait, e Washington revogou a licença que autorizava exportações de petróleo iraniano, mantendo apenas um período de transição até 17 de julho para a liquidação das operações já contratadas.

O ponto mais sensível é que o Irã parece tentar ampliar seu controle sobre a navegação em Ormuz, possivelmente por meio do lançamento de minas para direcionar o tráfego comercial para mais perto de sua costa. Caso as alegações americanas sejam verdadeiras, isso daria a Teerã maior capacidade de monitorar embarcações, impor condições de passagem e até cobrar taxas, em uma disputa direta com os Estados Unidos pelo controle da rota. Como o Estreito segue operando abaixo do normal, enquanto exportadores de energia ainda tentam restabelecer plenamente o fluxo por essa via estratégica, os mercados reagiram de forma imediata: o petróleo subiu mais de 5% nesta manhã, acima de US$ 78 por barril, e o Departamento de Defesa dos EUA anunciou novos ataques de represália.

A leitura segue dividida. Os pessimistas enxergam excesso de confiança na ideia de uma distensão permanente entre Washington e Teerã, já que ainda há confrontos semanais, divergências sobre o controle de Ormuz, pouco avanço na questão nuclear e tensões não resolvidas no Líbano. Os otimistas, por outro lado, argumentam que nenhum dos lados parece interessado em retomar uma guerra em larga escala e que a oferta global de petróleo ainda pode se expandir, apoiada pelo aumento da produção da Opep+, pela recuperação gradual do tráfego em Ormuz e pela produção robusta nos Estados Unidos e na Venezuela. No balanço, o caminho para um acordo duradouro segue arriscado e irregular, mas a relutância de Trump em reabrir totalmente as hostilidades sugere que esta nova rodada de confrontos tende a permanecer contida, ainda que acompanhada de volatilidade elevada para energia e ativos globais.

· 03:21 — Possível virada na Europa

Marine Le Pen confirmou que pretende disputar a eleição presidencial francesa de 2027 pela quarta vez, após o Tribunal de Apelação de Paris manter sua condenação por uso indevido de recursos do Parlamento Europeu, mas reduzir seu período de inelegibilidade. Como parte da punição efetiva já foi cumprida, a decisão abre caminho para sua candidatura nas eleições presidenciais do ano que vem, embora ela ainda deva recorrer à mais alta corte da França e possivelmente tenha de usar tornozeleira eletrônica. Apesar do desgaste jurídico, o Reagrupamento Nacional segue na liderança das pesquisas, e a indefinição sobre quem representará o partido (Le Pen ou Jordan Bardella) não parece alterar de forma significativa sua força eleitoral.

A principal diferença entre os dois está no perfil político. Bardella, mais jovem, apresenta bom desempenho nas pesquisas, mas sua idade e menor experiência podem ser exploradas pelos adversários. Le Pen, por sua vez, aos 57 anos e com três campanhas presidenciais no currículo, é vista por alguns rivais como uma candidata mais testada e menos propensa a erros. O caso se insere em um movimento mais amplo da direita europeia, no qual lideranças como Le Pen, na França, e Nigel Farage, no Reino Unido, enfrentam pressões políticas, mas buscam transformar esses episódios em combustível, apresentando-se como alvos de perseguição institucional.

 · 04:13 — Desdobramentos do encontro da OTAN

A cúpula da OTAN em Ancara está acontecendo em um momento de forte tensão dentro da aliança, com Donald Trump pressionando os países europeus a elevarem seus gastos militares e assumirem maior responsabilidade pela própria segurança. Reino Unido, França e Alemanha lançaram uma iniciativa de US$ 50 bilhões para desenvolver armas de longo alcance sem a participação dos Estados Unidos, com o objetivo de reduzir a defasagem em relação à Rússia nessa área. Ao mesmo tempo, os aliados discutem a meta de destinar 5% do PIB à defesa, enquanto a Europa tenta se preparar para uma eventual redução da presença militar americana no continente.

A cúpula também é marcada por negociações paralelas relevantes. Trump sinalizou que pode reverter a proibição da venda de caças F-35 à Turquia e voltou a defender a aquisição da Groenlândia, elevando atritos com aliados europeus. O encontro também deve tratar do apoio à Ucrânia, da reorganização da defesa europeia, de grandes contratos militares e de temas regionais envolvendo Turquia, Síria e segurança no Oriente Médio. No conjunto, a OTAN tenta demonstrar unidade, mas enfrenta uma combinação delicada de pressão americana, guerra na Ucrânia, crise com o Irã e disputas internas sobre financiamento, liderança e prioridades estratégicas.

· 05:06 — Alphabet e as múltiplas fronteiras do futuro americano

A inteligência artificial deve continuar como uma das principais forças capazes de moldar a economia americana nas próximas décadas, ainda que seja difícil antecipar quais empresas dominarão esse novo ciclo. OpenAI e Anthropic aparecem como protagonistas naturais, enquanto a Amazon segue bem-posicionada por meio de seu enorme negócio de nuvem, essencial para atender à demanda crescente por computação e armazenamento. Ao mesmo tempo, a disputa por energia ganha importância estratégica, impulsionada pela expansão dos data centers e pela eletrificação da economia, abrindo espaço tanto para gigantes tradicionais, como Exxon Mobil e Chevron, quanto para startups de fusão nuclear. Em saúde, empresas como Johnson & Johnson seguem estruturalmente relevantes, dada a natureza resiliente da demanda por medicamentos, tratamentos e inovação médica.

Nesse cenário de longo prazo, a Alphabet parece uma das empresas mais bem posicionadas para atravessar as próximas grandes transformações tecnológicas. Além da força de suas operações em busca, nuvem e smartphones, a companhia permanece competitiva em inteligência artificial com os modelos Gemini, tem exposição indireta relevante a Anthropic e SpaceX, avança em computação quântica e conta com a Waymo como uma das principais apostas globais em veículos autônomos. A combinação entre negócios maduros, geração robusta de caixa e exposição a múltiplas frentes de inovação torna a tese construtiva para Alphabet, negociada na Nasdaq sob o ticker GOOGL e acessível no Brasil via BDR GOGL34.

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Ibovespa hoje: SpaceX, Microsoft e Samsung nas manchetes e negociações do tarifaço dos EUA continuam; confira destaques desta terça (7)

7 de Julho de 2026, 10:08

Os mercados globais operam com cautela nesta terça-feira, pressionados por uma nova realização em ações de tecnologia e semicondutores, movimento que começou na Ásia e se espalhou para a Europa. A Coreia do Sul concentrou as maiores perdas, com o Kospi recuando 4,9%, enquanto Samsung e SK Hynix caíram de forma expressiva. No caso da Samsung, mesmo um lucro robusto não foi suficiente para impressionar investidores já acostumados a números elevados no ciclo da inteligência artificial.

O movimento reforça a percepção de que o rali ligado à IA pode ter avançado rápido demais, levando os mercados a reavaliar valuations, crescimento de lucros e a sustentabilidade dos investimentos em capital no setor de semicondutores. Nos Estados Unidos, os futuros operam de forma mista, com o Nasdaq sob pressão, enquanto investidores aguardam a ata do Fed, amanhã, novos discursos de dirigentes e, mais adiante, sinais adicionais sobre inflação, juros e atividade econômica.

No campo geopolítico, a tensão voltou a subir no Oriente Médio após relatos de ataques iranianos contra embarcações no Estreito de Ormuz, incluindo um navio de GNL do Catar atingido por um projétil próximo à costa de Omã. Ainda assim, a reação do petróleo foi moderada, já que os fluxos pela rota aprovada pelo Irã não parecem ter sido afetados, enquanto a oferta global segue em recomposição, apoiada pelo aumento de produção da Opep+ e pela maior competição entre exportadores.

Em paralelo, a cúpula da Otan em Ancara começa sob pressão de Donald Trump para que os países-membros elevem seus gastos militares, com foco na meta de 5% do PIB em defesa e no desafio fiscal de financiar o maior esforço militar desde a Guerra Fria.

· 00:57 — Ibovespa descola do alívio externo

No Brasil, o Ibovespa destoou ontem do alívio observado no câmbio e nos juros futuros e encerrou a segunda-feira em queda de 0,93%, retornando ao patamar dos 172 mil pontos. O pregão teve volume reduzido e perdas disseminadas entre as ações. O movimento refletiu a rotação global de fluxo para ações de tecnologia nos Estados Unidos, em detrimento de papéis de valor e blue chips locais.

Na direção oposta, o dólar recuou para R$ 5,1320, com o real entre as moedas emergentes de melhor desempenho, enquanto os juros futuros fecharam em leve queda, acompanhando o alívio dos Treasuries, a baixa do petróleo e a melhora marginal nas expectativas de inflação do Focus. O boletim interrompeu uma sequência de deterioração ao reduzir a mediana para o IPCA de 2026 de 5,33% para 5,30%, embora as projeções para a Selic sigam elevadas. Agora, o foco do mercado se volta ao IPCA de junho, na sexta-feira, dado que deve ajudar a definir se há espaço para mais um corte da Selic em agosto, ainda que a taxa básica deva permanecer em patamar bastante restritivo.

Na agenda do dia, a audiência pública do USTR, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, sobre práticas comerciais brasileiras terminou na segunda-feira sem mudanças na investigação, mas deixou uma impressão relativamente positiva entre representantes do setor privado por ter assumido um tom mais técnico do que político.

Entidades brasileiras e empresas americanas argumentaram que uma eventual tarifa de 25% sobre produtos do Brasil poderia prejudicar os próprios Estados Unidos, ao encarecer insumos, matérias-primas e bens utilizados pela indústria americana, reduzir a competitividade das empresas locais e abrir espaço para fornecedores asiáticos, especialmente chineses. O tema segue no radar nesta terça-feira, com novos painéis e a participação de Flávio Bolsonaro.

E por falar nisso, no campo político, o Partido Liberal marcou para 25 de julho, em São Paulo, a convenção nacional que oficializará a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. A escolha da capital paulista é estratégica, tanto por São Paulo concentrar o maior colégio eleitoral do país quanto pela possibilidade de aproximação com o palanque de Tarcísio de Freitas. Flávio pretende transferir o QG da campanha para o estado a fim de alinhar sua agenda à do governador. Aliados veem uma eventual vitória de Tarcísio no primeiro turno como uma demonstração de força da direita, embora também reconheçam que esse cenário pode trazer desafios no segundo turno, especialmente em relação ao engajamento do eleitorado.

· 01:42 — Tecnologia retoma liderança com Fed e inflação no radar

O setor de tecnologia voltou a liderar os mercados no início da semana, com as ações ligadas à inteligência artificial buscando recuperar parte das perdas recentes. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,3% e renovou sua máxima de fechamento pela 21ª vez em 2026, enquanto o S&P 500 avançou 0,7% e o Nasdaq ganhou 1,1%. As fabricantes de chips ainda não recuperaram integralmente a queda da semana anterior, mas puxaram a alta do pregão em um ambiente marcado por dados econômicos resilientes, resultados corporativos positivos, expectativas de inflação em queda e investidores ainda cautelosos. O petróleo seguiu em baixa, ajudando a reduzir as pressões inflacionárias, enquanto o ouro atingiu o maior nível em duas semanas.

No campo monetário, Christopher Waller, membro do Fed, defendeu o uso do forward guidance, isto é, a orientação futura sobre os possíveis caminhos da política monetária. A posição contrasta com a postura mais recente de Kevin Warsh, que retirou esse tipo de sinalização do comunicado do FOMC. Waller reconheceu que a ferramenta pode ser útil em determinadas circunstâncias, embora também tenha sido problemática em 2021, quando contribuiu para atrasar a reação do Fed à alta da inflação. A agenda inclui a balança comercial de maio, em um momento em que os dados de comércio ganharam maior relevância política por causa das tarifas, além da pesquisa de expectativas de inflação do Fed de Nova York, para medir a percepção dos consumidores sobre os preços, ainda que não haja sinais de mudança no consumo.

· 02:39 — Susto com Samsung?

As ações da Samsung recuaram de forma expressiva, apesar de a companhia ter reportado forte avanço no lucro operacional, impulsionado pelo boom dos chips de memória. O resultado preliminar veio acima das expectativas, mas não foi suficiente para impressionar os investidores, especialmente depois da forte valorização dos papéis nos últimos 12 meses e diante da ausência de projeções futuras mais detalhadas, que só serão divulgadas com os resultados completos. A queda também refletiu um movimento mais amplo de realização em tecnologia na Ásia, de maneira generalizada, com pressão sobre nomes como SK Hynix e sobre o índice Kospi, em meio ao receio de que o rali associado à inteligência artificial tenha avançado demais.

Ainda assim, essa leitura não aponta necessariamente para a formação de uma bolha. O ponto central é saber se os lucros gerados pela demanda por IA em empresas como Samsung, SK Hynix e Micron serão sustentáveis ao longo do tempo. Embora os valuations de longo prazo pareçam elevados, as métricas projetadas para os próximos 12 meses são menos alarmantes e refletem expectativas de crescimento dos lucros. O mercado segue tentando avaliar se o aumento do nível de capex para as proporções atuais, a expansão de capacidade e a concorrência no setor de semicondutores serão compatíveis com os resultados esperados. Por isso, uma queda pontual nas ações da Samsung não responde, sozinha, à pergunta mais importante: se a inteligência artificial será capaz de entregar ganhos duradouros de produtividade e crescimento.

· 03:24 — Adiar pode ser uma escolha ruim

Como já conversamos neste espaço num passado recente, a OpenAI estaria avaliando adiar seu IPO para o próximo ano, mas essa decisão pode trazer riscos caso a janela para novas aberturas de capital se feche antes de a companhia chegar ao mercado. Para muitos investidores nos EUA, tanto a OpenAI quanto a Anthropic deveriam aproveitar o momento ainda favorável para listar suas ações, já que não há garantia de que os investidores continuarão dispostos a absorver centenas de bilhões de dólares em novas emissões. Além de permitir a captação de recursos, a abertura de capital das duas empresas aumentaria a transparência sobre suas finanças e ofereceria ao mercado referências mais claras para avaliar o setor de inteligência artificial.

A listagem de OpenAI e Anthropic também ajudaria a preencher uma lacuna importante: hoje, há poucas empresas de capital aberto com exposição pura à IA, o que dificulta a construção de parâmetros de valuation e alimenta preocupações sobre uma possível bolha no setor. O boom da IA vive um momento decisivo, marcado por valuations elevados e forte volume de investimentos em infraestrutura. A dúvida é se OpenAI e Anthropic conseguirão acessar o mercado antes que o apetite diminua.

· 04:11 — Novos cortes

A Microsoft anunciou cortes equivalentes a 2,1% de sua força de trabalho global, cerca de 4.800 cargos, com impacto desproporcional sobre a divisão Xbox. A área de games perdeu 1.600 funcionários de imediato e deve cortar outros 1.250 ao longo do ano, atingindo aproximadamente 20% da equipe. A decisão ocorre em um momento de incerteza para o negócio de videogames da companhia, em que ainda não está claro como será a próxima geração de consoles, ou mesmo se haverá uma nova geração nos moldes tradicionais.

O movimento reflete a dificuldade da Microsoft em conciliar as elevadas expectativas dos investidores com a realidade econômica da divisão de jogos, que opera com margens muito inferiores às de negócios comparáveis de plataformas e publicação. A própria liderança do Xbox reconheceu que a operação “não é saudável”, enquanto o Game Pass, com 30 milhões de assinantes, permanece distante da meta projetada de 77 milhões. Em um ambiente no qual a inteligência artificial concentra boa parte do entusiasmo do mercado, a divisão de games parece enfrentar limites mais evidentes de escala, rentabilidade e crescimento.

· 05:03 — SpaceX no Nasdaq-100: a nova fronteira da economia espacial

A SpaceX recebeu avaliações otimistas de ao menos seis corretoras de Wall Street após o encerramento do período de silêncio do pós-IPO. O movimento ocorre em um momento importante para a companhia de Elon Musk, que passa a integrar o Nasdaq-100 nesta terça-feira, apenas duas semanas após sua oferta pública inicial. A inclusão acelerada foi viabilizada por uma mudança nas regras da Nasdaq para empresas de ala capitalização, reforçando a relevância crescente das companhias associadas à inteligência artificial e à infraestrutura tecnológica no mercado acionário. Ainda assim, o ambiente para o setor de tecnologia ficou mais cauteloso, depois que os resultados da Samsung frustraram investidores e pressionaram os futuros americanos.

A entrada da SpaceX no Nasdaq-100 deve gerar compras obrigatórias por parte de fundos passivos que replicam o índice, como o ETF QQQ, da Invesco, incorporando automaticamente a ação às carteiras de milhões de investidores. Como a companhia ingressa com peso equivalente a cerca de 0,75% do índice, e aproximadamente US$ 800 bilhões estão atrelados ao Nasdaq-100, as estimativas apontam para compras entre US$ 4,3 bilhões e US$ 6 bilhões em ações. O principal ponto de atenção é que menos de 5% dos papéis da SpaceX estão disponíveis para negociação pública, o que pode ampliar a volatilidade no curto prazo. Por outro lado, cerca de 20% das ações devem ser liberadas após a divulgação do primeiro balanço da companhia, movimento que tende a reduzir parte dessa pressão técnica gradualmente ao longo do tempo.

Em síntese, o evento reforça a consolidação da exploração espacial como uma das próximas grandes fronteiras estruturais do mercado. A companhia combina liderança em lançamentos, escala operacional, capacidade de inovação e exposição a temas de longo prazo, como satélites, conectividade global, defesa, infraestrutura orbital e inteligência artificial aplicada. Naturalmente, a volatilidade deve permanecer elevada no curto prazo, sobretudo diante da baixa quantidade de ações em circulação e dos fluxos técnicos associados à inclusão no índice. Ainda assim, para investidores dispostos a conviver com oscilações, a SpaceX, negociada na Nasdaq sob o ticker SPCX e acessível no Brasil via BDR SPCX34, passa a representar uma das formas mais diretas de exposição à nova economia espacial, um mercado ainda em estágio inicial, mas com potencial relevante de expansão nas próximas décadas.

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Ibovespa hoje: EUA abre audiência para discutir tarifaço no Brasil, enquanto mercado olha para ata dos juros americanos e cúpula da OTAN nesta segunda (6)

6 de Julho de 2026, 10:18

Os mercados globais operam em tom misto nesta segunda-feira, com os futuros de Wall Street em alta após uma semana positiva que levou o Dow Jones a uma máxima histórica. Os investidores se preparam para a retomada das negociações após o feriado de Independência dos Estados Unidos. Os futuros do S&P 500 e do Nasdaq avançam, as bolsas europeias sobem de forma moderada e a Ásia fechou sem direção única.

Ao longo da semana, as atenções estarão voltadas à ata do FOMC, às atas do BCE, à cúpula da Otan na Turquia, aos desdobramentos da guerra na Ucrânia e à audiência sobre práticas comerciais do Brasil, em Washington, que marca a primeira etapa da estratégia tarifária de Donald Trump contra o país.

Já o petróleo, por fim, começa a semana em queda, pressionado pela decisão da Opep+ de elevar novamente sua produção em 188 mil barris por dia a partir do próximo mês e pelos sinais de normalização gradual do fluxo pelo Estreito de Ormuz.

· 00:51 — Brasil entre desaceleração, Selic e ruído comercial

No Brasil, o Ibovespa encerrou a sexta-feira em alta de 0,74%, recuperando o patamar dos 174 mil pontos, favorecido pelo recuo dos juros futuros em um pregão de liquidez reduzida pelo feriado antecipado de Dia da Independência nos Estados Unidos. Na semana, o índice avançou 0,4% e ainda acumula alta de 8% no ano, apesar da correção observada desde a segunda metade de abril. O movimento dos juros foi apoiado pela produção industrial brasileira, que caiu 0,2% em maio ante abril, frustrando a expectativa de alta de 0,3% e reforçando os sinais de desaceleração.

Nesta semana, o foco se divide entre a agenda doméstica e os ruídos comerciais com os Estados Unidos. Em Washington, começa a audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre as práticas comerciais do Brasil, etapa relevante da investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio, que pode embasar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros.

A indústria nacional deve argumentar que a medida também prejudicaria os próprios Estados Unidos, ao encarecer insumos, matérias-primas e bens de capital utilizados pela indústria americana. No Brasil, os principais indicadores serão as vendas no varejo e o IPCA de junho, marcados para quarta e sexta-feira, respectivamente, que podem confirmar a perda de força da economia e manter vivo o debate sobre mais um corte da Selic.

· 01:44 — Querendo alguma recuperação

Os futuros americanos apontam para uma recuperação das ações de tecnologia no início da semana, em meio à expectativa pelos resultados da Samsung Electronics, que devem funcionar como um novo teste para o setor de semicondutores e para o apetite por teses ligadas à inteligência artificial.

Na semana anterior, porém, o segmento passou por forte realização: o ETF iShares Semiconductor caiu 5,6%, pressionado por nomes como Teradyne, KLA, Entegris, Lam Research e Marvell Technology. No mesmo período, o Nasdaq recuou, enquanto o Dow renovou recorde, refletindo uma rotação parcial para setores mais defensivos.

No campo macroeconômico, o payroll de junho veio abaixo do esperado, com criação de apenas 57 mil vagas e taxa de desemprego em 4,2%, reforçando a leitura de um mercado de trabalho em desaceleração, mas ainda sem ruptura. O dado reduziu a probabilidade de uma nova alta de juros pelo Fed, de 29% para cerca de 18%, oferecendo algum alívio aos mercados antes do feriado. Agora, a semana atual nos trará uma agenda mais leve, com o PMI de serviços do ISM, a ata do Fomc, os dados de vendas de imóveis usados e os resultados de PepsiCo e Delta, antes do início da temporada de balanços dos grandes bancos, em 14 de julho.

· 02:39 — Preocupação com o fluxo

O fluxo de petróleo e gás pelo Estreito de Ormuz mostra sinais de normalização após semanas de desvios e manobras incomuns de navios-tanque, reduzindo o prêmio de risco geopolítico incorporado às cotações do petróleo. Embora o funeral do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, tenha suspendido temporariamente as negociações entre Washington e Teerã, os sinais práticos apontam para a continuidade da implementação do memorando firmado no mês passado, com a retomada do comércio marítimo entre Irã e Catar e o tráfego de petróleo próximo da normalidade.

Ao mesmo tempo, a Opep+ confirmou um novo aumento de produção, de 188 mil barris por dia a partir de agosto, reforçando a expectativa de um mercado mais abastecido. Com maior oferta, retomada dos fluxos em Ormuz e menor risco de disrupção imediata, Brent e WTI abriram em queda na Ásia, refletindo a percepção de que o choque geopolítico perdeu força como fator de sustentação dos preços.

· 03:26 — Na expectativa pela Cúpula

A cúpula da OTAN na Turquia nesta semana ocorre em um momento em que os aliados europeus tentam demonstrar a Donald Trump que a permanência dos Estados Unidos na aliança continua sendo estratégica para Washington. Depois da reunião anterior em Haia, marcada pelo esforço de convencer Trump a não abandonar a OTAN, o foco agora é apresentar resultados concretos, especialmente o aumento dos gastos militares europeus, em parte atribuído à pressão exercida pelo próprio presidente americano.

Ainda assim, a relação permanece delicada: Trump segue cobrando maior contribuição dos aliados, demonstra irritação com posições europeias no conflito com o Irã e mantém tensões com líderes como Giorgia Meloni. A presença de Recep Tayyip Erdoğan como anfitrião pode ajudar, dado o respeito de Trump por seu estilo de liderança e a relevância geopolítica da Turquia, que possui a segunda maior força militar da OTAN e influência direta sobre os principais conflitos em discussão.

Com a redução das tensões no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia volta ao centro da agenda. Trump deve se reunir com Volodymyr Zelensky em meio à frustração por não ter conseguido encerrar o conflito, que entrou em uma fase de estagnação militar, enquanto a Rússia intensifica ataques contra a Ucrânia às vésperas da cúpula. Ao mesmo tempo, os gastos com defesa seguem como tema dominante, embora seus efeitos econômicos tendam a aparecer de forma gradual, e não imediata.

A composição desses gastos também está mudando, com maior relevância para drones, estoques de mísseis, novas tecnologias militares e possível redirecionamento das compras europeias para fornecedores fora dos Estados Unidos. A mensagem central é que a OTAN continua dependente de Washington, mas precisará encontrar formas mais eficazes de manter Trump engajado, indo além da deferência política e demonstrando utilidade estratégica concreta para os interesses americanos.

· 04:13 — Alavanca de crescimento

A Coreia do Sul tenta transformar o boom da inteligência artificial em uma alavanca de crescimento econômico de longo prazo. Com Samsung Electronics e SK Hynix caminhando para lucros operacionais recordes, o governo sul-coreano espera uma arrecadação extraordinária de impostos corporativos e pretende direcionar parte desse excedente para um fundo de investimento voltado ao desenvolvimento futuro. Ao mesmo tempo, o entusiasmo com a IA também traz riscos. ETFs alavancados ligados a ações individuais de Samsung e SK Hynix passaram a preocupar reguladores e políticos, já que podem amplificar movimentos de volatilidade em papéis que se tornaram centrais para a bolsa local.

No campo corporativo, a SK Hynix se prepara para uma listagem histórica na Nasdaq, avaliada em cerca de US$ 28 bilhões, aproveitando o forte apetite global por ativos ligados à inteligência artificial e buscando reduzir o desconto de valuation em relação a pares internacionais. O movimento ocorre em meio a uma onda mais ampla de investimentos em semicondutores na Ásia.

A Hon Hai registrou forte crescimento de vendas impulsionado pela IA, a Micron iniciou uma expansão relevante no Japão, a Samsung planeja elevar os preços de DRAM e a Índia avança no desenvolvimento de sua própria capacidade de produção de chips. Em paralelo, a Coreia do Sul também abriu uma nova etapa de integração financeira ao iniciar a negociação 24 horas do won, em uma das flexibilizações mais relevantes de seu regime cambial desde a crise asiática de 1997.

· 05:05 — Bom posicionamento

A WEG segue bem posicionada para capturar um ciclo estrutural de crescimento na cadeia de infraestrutura elétrica, em um ambiente em que a demanda por equipamentos permanece forte e a oferta segue limitada. A leitura foi reforçada em reunião recente com executivos da Siemens Energy, que destacaram a força da demanda por soluções ligadas à rede elétrica, especialmente em razão da expansão de data centers, inteligência artificial e hyperscalers. Embora o 2T26 possa ser mais fraco, a expectativa é de retomada do crescimento a partir do segundo semestre.

Entre os principais vetores de demanda estão a expansão da geração renovável, a necessidade de substituição de ativos antigos de transmissão e, sobretudo, os investimentos em data centers. Essa última frente vem ganhando importância como fonte incremental de demanda por transformadores e outros equipamentos críticos para a rede elétrica, aproximando fornecedores industriais das grandes empresas de tecnologia. Ao mesmo tempo, a oferta global continua apertada, com prazos de entrega de três a cinco anos para transformadores de maior porte, além de restrições ligadas à construção de novas fábricas e à escassez de mão de obra qualificada.

Esse contexto favorece companhias que já investiram em capacidade produtiva, como a WEG. Os investimentos realizados nos últimos anos, especialmente em Geração, Transmissão e Distribuição, começam a entrar em operação justamente em um momento de demanda superior à oferta, sobretudo em transformadores de potência, segmento com maiores barreiras de entrada. Por isso, mesmo negociando a um valuation exigente, de cerca de 30,6 vezes lucros estimados para 2026, WEGE3 segue como uma das principais histórias de crescimento da bolsa brasileira.

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Ibovespa hoje: novo dado favorece corte da Selic e payroll mais fraco reduz pressão sobre o Fed nos EUA; veja destaques desta sexta (3)

3 de Julho de 2026, 10:10

Os mercados globais encerram a semana em tom misto, com os Estados Unidos fechados pelo feriado da Independência e liquidez reduzida. Ontem, o payroll de junho, mais fraco que o esperado, ajudou a diminuir a probabilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve, embora não tenha alterado de forma decisiva o cenário de política monetária. O sentimento se mantém hoje.

Na Ásia, as bolsas fecharam em alta, lideradas pela recuperação do Kospi e pelo avanço do Nikkei, enquanto a Europa opera sem direção única nesta manhã, com dados de atividade ainda mistos. O petróleo segue no centro das atenções, mas sob menor pressão. A retomada gradual dos fluxos pelo Estreito de Ormuz, o aumento das exportações sauditas e os sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã ajudam a normalizar os mercados globais de energia.

Ainda assim, a nova ordem marítima em Ormuz continua em negociação, com Irã e Omã discutindo um sistema de taxas sobre embarcações, algo que parte das potências europeias já parece aceitar. Se acontecer, como já comentei aqui, seria uma ruptura histórica da Doutrina Carter e uma grande derrota aos EUA.

· 00:51 — Agenda fraca

O Ibovespa encerrou a quinta-feira em alta de 0,64%, levemente abaixo dos 173 mil pontos, impulsionado pelo payroll americano de junho abaixo do esperado (comentaremos mais sobre o tema na sequência), que reduziu os temores de uma nova alta de juros pelo Fed e favoreceu os ativos de risco globalmente.

Pela manhã, o índice chegou a avançar mais de 1%, tocando 174.426 pontos, mas perdeu força ao longo da tarde diante da rotação de carteiras em Nova York, que pressionou as ações de tecnologia, e da abertura da curva de juros local após um leilão agressivo de prefixados do Tesouro, em um ambiente ainda marcado por forte pressão fiscal.

No câmbio, o dólar chegou a cair mais de 1%, mas apagou as perdas e fechou praticamente estável, a R$ 5,20, em meio à cautela com commodities mais fracas, incertezas eleitorais e novos ruídos comerciais entre Brasília e Washington.

No radar doméstico, os investidores acompanharam a produção industrial de maio, que veio abaixo do esperado, com contração de 0,2% na comparação mensal. O dado tende a favorecer os vértices mais curtos da curva de juros, ao reforçar a tese de continuidade dos cortes da Selic. Também seguem no foco a balança comercial de junho e os desdobramentos políticos e comerciais envolvendo Brasil e Estados Unidos.

· 01:47 — Payroll mais fraco reduz pressão sobre o Fed

Nos Estados Unidos, o payroll de junho reforçou a perda de fôlego do mercado de trabalho americano. A economia criou apenas 57 mil vagas no mês, bem abaixo das cerca de 110 mil esperadas, enquanto os dados de abril e maio foram revisados para baixo, para 129 mil e 148 mil vagas, respectivamente.

A surpresa negativa ficou concentrada principalmente em lazer e hospitalidade, setor que eliminou 61 mil postos de trabalho e frustrou a expectativa de um impulso associado à Copa do Mundo.

Ainda assim, o relatório não sugere uma ruptura do mercado de trabalho: a média móvel de três meses ficou em 111 mil vagas, a taxa de desemprego recuou para 4,2%, sobretudo pela queda na participação da força de trabalho, e os setores de saúde e assistência social continuaram sustentando parte relevante da criação de empregos. O crescimento salarial, porém, segue abaixo da inflação anual, reforçando a percepção de perda de poder de compra para os trabalhadores, o que também tira pressão.

Para os mercados, o dado foi interpretado como um relatório mais frio, mas não fraco o suficiente para reacender apostas relevantes em cortes de juros. O principal efeito foi reduzir a probabilidade de uma nova alta do Fed no curto prazo, que caiu para cerca de 18%, contra 29% no dia anterior.

As bolsas chegaram a reagir bem, mas encerraram o pregão de forma mista, com rotação para setores mais defensivos: o Dow renovou recorde, enquanto o Nasdaq caiu pressionado por nova realização em semicondutores, com o ETF iShares Semiconductor recuando pelo segundo dia consecutivo.

A leitura predominante é de que o Fed ganhou mais tempo para avaliar os próximos dados, especialmente inflação e salários, enquanto os investidores entram em uma semana mais leve de indicadores, antes do início da temporada de balanços do segundo trimestre, com destaque para os grandes bancos a partir de 14 de julho.

· 02:34 — Os Estados Unidos aos 250 anos: uma demografia em transformação

Às vésperas de completar 250 anos, os Estados Unidos exibem uma transformação demográfica profunda desde o bicentenário, em 1976. O país deixou para trás uma composição populacional muito mais homogênea e passou a refletir fluxos migratórios mais intensos e uma diversidade étnica crescente, o que ajuda a explicar a tensão com imigrantes.

A parcela de hispânicos aumentou mais de quatro vezes, chegando a cerca de um quinto da população, enquanto os americanos de origem asiática passaram de menos de 1% no censo de 1970 para 6% em 2024. Em paralelo, a participação de brancos não hispânicos caiu de 83% para 56%, movimento explicado pela combinação entre imigração contínua, crescimento de grupos minoritários, envelhecimento populacional e menores taxas de fertilidade nesse segmento.

A leitura histórica também mostra como as políticas migratórias ajudaram a moldar a composição do país. Em 1970, apenas 4,7% da população americana havia nascido no exterior, a menor proporção já registrada, reflexo das restrições impostas pela Lei de Imigração de 1924, revogada apenas em 1965. Desde então, a reabertura migratória contribuiu para redesenhar o perfil dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, mudanças metodológicas no censo passaram a capturar melhor identidades multirraciais e, a partir de 2030, incluirão novas categorias, como pessoas de origem no Oriente Médio e no Norte da África, além de uma nova forma de classificar “latino”. O resultado é um país em permanente redefinição, cuja demografia desafia cada vez mais visões antigas sobre quem são os americanos. Mas talvez seja isso que defina o povo americano, em linha com o que o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou em coletiva recente:

“Minha esperança para a América é a mesma de sempre. Acho que é a esperança que, espero, todos nós compartilhamos. Queremos que ela continue sendo o lugar onde qualquer pessoa, de qualquer lugar, possa alcançar qualquer coisa; onde você não seja limitado pelas circunstâncias do seu nascimento, pela cor da sua pele, pela sua etnia, mas, francamente, um lugar onde você seja capaz de superar desafios e atingir todo o seu potencial. Acho que esse deveria ser o objetivo de todos os países do mundo, francamente. Mas acredito que, nos EUA, não somos perfeitos.

Nossa história não é uma história de perfeição, mas ainda é melhor do que a história de qualquer outro país. E a nossa é uma história de melhoria perpétua. Cada geração deixou a próxima geração de americanos mais livre, mais próspera, mais segura, e esse também é o nosso objetivo. Mas é um país único e excepcional, e, ao nos aproximarmos deste aniversário de 250 anos, acho que temos muito a aprender e do que nos orgulhar em nossa história. É uma história de melhoria perpétua e contínua, em que cada geração fez sua parte para nos aproximar do cumprimento da visão que os fundadores deste país tinham no momento de sua fundação.”

· 03:28 — Superando o choque

Apesar do impacto dos preços mais altos de energia, o comércio mundial segue resiliente, com crescimento acima de 5% em termos anuais, impulsionado principalmente pela Ásia e pelo forte avanço das exportações ligadas à inteligência artificial. Algumas economias do Golfo registraram queda relevante nas exportações de petróleo e desaceleração das importações, mas a região representa apenas cerca de 3% das importações globais.

Além disso, a recente queda do petróleo reduz parte do choque negativo sobre os termos de troca, isto é, sobre a relação entre preços de exportação e importação, e deve oferecer um impulso modesto ao comércio.

O ponto central é que o boom da IA tem compensado boa parte da pressão causada pela energia mais cara. Produtos ligados à inteligência artificial já representam cerca de um quarto das importações dos Estados Unidos, ante apenas 9% no início de 2024, sustentando tanto a demanda americana quanto as exportações de fornecedores asiáticos de tecnologia.

Sem esse impulso, o crescimento do comércio mundial teria sido muito mais fraco, em torno de 2,3% ao ano entre o segundo trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026, metade do ritmo observado. O risco é que uma desaceleração da IA produza o efeito oposto. Os modelos sugerem que esse cenário poderia reduzir o crescimento do comércio global a zero em 2027, enquanto uma queda mais forte do petróleo teria impacto positivo, mas bem mais limitado.

· 04:15 — Índia e Japão estreitam laços em meio à pressão chinesa

As relações entre Índia e Japão vivem um novo ciclo de aproximação, retomando uma visão construída há cerca de duas décadas por Shinzo Abe, que enxergava Nova Délhi como parceira natural na defesa de uma ordem regional baseada em regras diante da ascensão da China.

A diferença é que, sob a liderança da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi, essa aproximação parece menos conceitual e mais pragmática, com foco em segurança econômica, semicondutores, energia, minerais críticos e cadeias de suprimentos mais resilientes. Durante sua primeira viagem à Índia, Takaichi e Narendra Modi acompanharam a assinatura de mais de 100 acordos empresariais, sinalizando a tentativa de transformar afinidade estratégica em cooperação concreta.

O pano de fundo é uma Ásia cada vez mais marcada por disputas geopolíticas, controles de exportação chineses, tensões territoriais e uma presença americana mais exigente e voltada para prioridades domésticas.

Nesse contexto, Japão e Índia buscam fortalecer também os laços de defesa, ao mesmo tempo em que calibram suas relações com Washington e Pequim. Para Takaichi, assim como para Abe, a Índia segue como peça-chave para preservar o equilíbrio regional. Para Modi, o Japão oferece tecnologia, capital e apoio estratégico sem a mesma pressão americana sobre os vínculos indianos com a Rússia. Uma relação relevante para os próximos anos…

· 05:09 — IA além das Sete Magníficas: a nova cadeia de vencedores da tecnologia

Durante muito tempo, a narrativa da inteligência artificial nos mercados ficou concentrada nas chamadas “Sete Magníficas” (Apple, Microsoft, Amazon, Alphabet, Tesla, Nvidia e Meta). Elas foram vistas como as principais protagonistas da revolução da IA e concentraram boa parte da atenção dos investidores. No entanto, a liderança recente dentro do S&P 500 mostra que essa história se tornou mais ampla. Algumas das ações com melhor desempenho no ano não são, necessariamente, as grandes plataformas de tecnologia, mas empresas que fornecem componentes, equipamentos e infraestrutura essenciais para que essa transformação aconteça.

Essa dinâmica aparece com clareza na cadeia de fornecedores. Empresas como SanDisk, Seagate, Dell, Micron, Corning, Western Digital, Flex e Marvell têm entre seus principais clientes nomes como Nvidia, Microsoft, Amazon, Apple, Meta e Google. Mesmo companhias como Applied Materials e Intel, que aparecem como exceções parciais, também estão inseridas nessa rede, seja pela exposição direta a grandes clientes de tecnologia, seja pela ligação com fabricantes de chips e memória, como SK Hynix, Samsung, Micron, TSMC e a própria Intel.

A conclusão é que o capex bilionário das grandes empresas de tecnologia está se transformando em receita para uma cadeia muito mais ampla de beneficiários. O que aparece como investimento pesado em inteligência artificial nos balanços das hyperscalers, as grandes provedoras globais de nuvem e infraestrutura digital, representa, do outro lado, crescimento de vendas para fornecedores de chips, memória, armazenamento, hardware, equipamentos e materiais. Por isso, a tese de IA deixou de ser apenas uma história das “Sete Magníficas” e passou a envolver também as empresas que tornam fisicamente possível essa nova infraestrutura.

Esse movimento reforça a ideia de que a inteligência artificial deixou de beneficiar apenas as grandes plataformas e passou a alcançar uma cadeia mais ampla de companhias ligadas à sua infraestrutura. Ao mesmo tempo, exige mais seletividade. Nem todos os nomes associados ao tema conseguirão sustentar crescimento, rentabilidade e geração de caixa ao longo do tempo. Por isso, o investidor precisa ir além da narrativa e identificar negócios com vantagens competitivas claras, boa capacidade de execução e exposição real ao aumento estrutural da demanda por dados, infraestrutura e aplicações de IA. Nesse contexto, os assinantes que acompanham nossa carteira Empiricus IA+Tech, antiga IA Cash estão bem posicionados para capturar movimentos como o observado nas ações da Snowflake, que, na nossa visão, pode representar apenas os estágios iniciais de uma tendência mais ampla dentro do ciclo de expansão da inteligência artificial.

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Ibovespa hoje: Prêmio de risco volta ao radar no Brasil, enquanto olhos se voltam para o payroll dos EUA nesta quinta-feira (2)

2 de Julho de 2026, 11:18

Os mercados globais operam em tom cauteloso, com investidores à espera do payroll de junho nos Estados Unidos, dado que ganhou ainda mais relevância diante da ausência de uma orientação mais clara de Kevin Warsh sobre os próximos passos da política monetária. Em sua primeira participação pública como presidente do Fed, Warsh afirmou que os riscos inflacionários e as expectativas de inflação recuaram recentemente, mas reforçou que o Comitê segue comprometido com a estabilidade de preços e não será complacente com uma inflação acima de 2%.

Na Europa, o Banco Central Europeu mostra divisão interna sobre a trajetória dos juros. Parte dos dirigentes, como Philip Lane, ainda vê pressões inflacionárias decorrentes da guerra no Oriente Médio, enquanto outros se mostram mais confortáveis com a queda recente do petróleo e com a ausência de choques de segunda ordem mais evidentes.

No restante do cenário global, três temas concentram as atenções. Primeiro, as negociações indiretas entre Estados Unidos e Irã avançaram em Doha, ajudando a pressionar o petróleo, enquanto o fluxo pelo Estreito de Ormuz aumentou com apoio militar americano. Segundo, a correção em ações ligadas à inteligência artificial, especialmente semicondutores, ganhou força na Ásia. Terceiro, os Estados Unidos decidiram não prorrogar o USMCA, mantendo o acordo com Canadá e México em vigor, como discutido ontem, mas agora sujeito a revisões anuais. Esse arranjo aumenta a incerteza para as cadeias produtivas norte-americanas, especialmente nos setores automotivo, agrícola, varejista e de energia. Mais um ruído para monitorarmos…

· 00:57 — Política volta a pesar e reacende prêmio de risco no Brasil

No Brasil, o mercado doméstico abriu julho em tom defensivo, pressionado pela combinação entre cautela global antes do payroll americano e aumento das incertezas políticas no Brasil. A pesquisa Atlas/Bloomberg, divulgada ontem, ao mostrar Lula à frente de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, reforçou entre investidores a percepção de continuidade de uma política fiscal menos austera a partir de 2027, interrompendo a queda dos juros futuros.

O ambiente piorou com as sanções do Tesouro americano contra cidadãos e empresas brasileiras por supostos vínculos com organizações criminosas classificadas como terroristas, além de rumores de novas denúncias envolvendo a principal candidatura da oposição, ampliando a aversão ao risco e pressionando principalmente os vencimentos intermediários e longos do DI.

No campo econômico, os dados de crédito de maio reforçaram sinais de arrefecimento da atividade, apesar do aumento das concessões, concentrado em crédito direcionado. Também pesaram no radar a decisão da União Europeia de impor novas restrições e tarifas sobre produtos siderúrgicos brasileiros, criticada pelo governo, e a nova norma do Banco Central que equipara plataformas de criptoativos e prestadoras de serviços de ativos virtuais às exigências de capital, governança e supervisão aplicadas a corretoras e distribuidoras, com vigência a partir de 2027. Em paralelo, o governo indicou que deve reverter na próxima semana a subvenção usada para conter os preços da gasolina, diante da estabilização dos combustíveis.

· 01:43 — A fala em Sintra

As bolsas americanas tiveram um pregão misto, com os principais índices pressionados pela realização em semicondutores, enquanto as ações de software mostraram recuperação. O Nasdaq caiu 0,7%, o S&P 500 recuou 0,2% e o Dow ficou praticamente estável. A queda foi puxada por grandes nomes do setor de chips, com o ETF iShares Semiconductor recuando 6,4%, após uma reportagem indicar que a Meta poderia vender capacidade computacional excedente. A notícia reacendeu preocupações sobre um possível excesso de oferta em infraestrutura de IA.

Ainda assim, a leitura predominante foi de uma correção pontual, sem sinais de venda em pânico ou de redução generalizada de risco. Na direção oposta, as ações de software avançaram após uma nota otimista de uma casa americana, com o ETF do setor subindo 2%, em meio a uma recomposição parcial depois de meses de pressão pela tese de que a IA poderia prejudicar os modelos tradicionais de software corporativo.

No campo macroeconômico, Kevin Warsh adotou no Fórum do BCE em Sintra um tom inicialmente interpretado como mais dovish ao afirmar que os riscos inflacionários e as expectativas de inflação diminuíram nas últimas semanas. Ainda assim, reforçou repetidamente o compromisso do Fed com a estabilidade de preços e deixou claro que não haverá complacência com uma inflação acima de 2%.

A mensagem sugere que, apesar de alguma melhora recente nas condições financeiras, o Fed ainda mantém uma postura cautelosa, especialmente se o Core PCE seguir rodando perto de 0,30% ao mês. A atenção agora se volta para o payroll de junho, com consenso próximo de 113 mil a 115 mil vagas, após 172 mil em maio, e taxa de desemprego esperada em 4,3%, embora exista risco de alta para 4,4%. Um dado em linha confirmaria uma desaceleração moderada do mercado de trabalho, mas ainda sem ruptura, mantendo o debate sobre juros dependente da combinação entre emprego, salários e inflação.

· 02:34 — Ainda barulhento, mas possivelmente menos problemático

Nesta semana, Ian Bremmer, fundador da Eurasia Group e uma das principais vozes globais em geopolítica, argumenta que o período de maior capacidade disruptiva de Donald Trump no cenário internacional provavelmente ficou para trás. Desde o início de seu segundo mandato, os Estados Unidos teriam se tornado o principal fator de risco político global, não por perda de poder, mas porque Washington passou a desafiar as regras da própria ordem internacional que ajudou a construir.

Ainda assim, dois episódios recentes teriam exposto os limites dessa estratégia: a escalada tarifária contra a China e a guerra contra o Irã. Em ambos os casos, Trump teria partido da premissa de que adversários mais frágeis capitulariam, mas acabou enfrentando retaliações capazes de impor custos econômicos, políticos e financeiros aos EUA.

No caso chinês, Pequim respondeu usando seu controle sobre terras raras e minerais críticos, forçando Washington a recuar diante do risco de uma ruptura econômica mais ampla. No caso iraniano, Teerã reagiu aos ataques americanos e israelenses com retaliações contra bases dos EUA, infraestrutura energética no Golfo e a instrumentalização do Estreito de Ormuz, elevando o risco de choque nos mercados de energia e pressionando a posição doméstica de Trump.

A ideia central é que, embora Trump ainda tenha disposição para gerar instabilidade, sua capacidade prática de sustentar escaladas de alto impacto foi limitada pela reação dos adversários, pelos custos econômicos internos e pelo receio de produzir uma recessão global atribuída às próprias escolhas americanas, o que seria uma noção desastrosa.

A partir daqui, a leitura é que Trump continuará poderoso, ruidoso e politicamente agressivo, mas com menor capacidade de provocar danos globais duradouros. Seu capital político e sua credibilidade teriam sido corroídos, abrindo espaço para maior resistência de aliados externos, líderes estrangeiros e até membros do Partido Republicano.

Com tribunais, Congresso e calendário eleitoral impondo restrições crescentes, sua busca por vitórias externas tende a se deslocar para alvos menores e de menor impacto sistêmico, especialmente no Hemisfério Ocidental, onde países como Venezuela, México e Cuba seriam mais vulneráveis à pressão americana. A conclusão é que Trump ainda não terminou de causar problemas neste mandato, mas o auge de sua capacidade de desorganizar a ordem global já teria passado.

· 03:28 — Mensurando o impacto

Como ressaltei já algumas vezes neste espaço recentemente, o El Niño voltou a se formar no Oceano Pacífico e pode se tornar um dos episódios mais intensos já registrados, com impactos potencialmente relevantes sobre a economia, a agricultura e a segurança alimentar global. O fenômeno ocorre quando as temperaturas da superfície do mar ficam pelo menos 0,5°C acima da média por vários meses. Em episódios extremos, como os de 1982, 1997 e 2015, esse desvio chegou a 2°C ou mais, provocando quebras de safra, perdas na pecuária, migrações e custos humanitários elevados.

Desta vez, algumas previsões apontam para uma elevação sem precedentes, de até 3°C, aumentando o risco de secas no Sahel, em partes da África Meridional, no Sul e Sudeste Asiático e no Corredor Seco da América Central, além de chuvas intensas em regiões como o Chifre da África e a América do Norte.

Embora previsões climáticas não sejam definitivas e o mundo esteja mais preparado do que em ciclos anteriores, com monitoramento meteorológico mais avançado e reservas estratégicas de grãos, o momento é particularmente sensível. Mais de 80% dos impactos agrícolas esperados devem recair sobre países de baixa e média renda, muitos deles já pressionados por insegurança alimentar, conflitos e menor capacidade de resposta.

Na Índia, por exemplo, o El Niño pode enfraquecer as monções e afetar culturas essenciais, como arroz e milho, em um setor que emprega 45% da força de trabalho do país. Além disso, a combinação entre mudanças climáticas, fertilizantes mais caros em razão das perturbações no Estreito de Ormuz e cortes na ajuda externa reduz a margem de segurança global. O mundo já enfrentou episódios severos de El Niño, mas desta vez pode haver menos espaço para absorver novos choques.

· 04:12 — Novidades na frente de IA

A OpenAI iniciou conversas preliminares sobre a possibilidade de conceder ao governo dos Estados Unidos uma participação de 5% na empresa, como parte de uma proposta mais ampla em que Washington passaria a deter fatias semelhantes nas principais companhias americanas de inteligência artificial.

A ideia teria sido apresentada por Sam Altman e poderia envolver também empresas como Anthropic, Google e Meta, embora ainda não esteja claro se essas companhias aceitariam participar do arranjo. A proposta reforça a aproximação entre o governo americano e as empresas de IA, em um setor cada vez mais tratado como infraestrutura crítica.

Ao mesmo tempo, o entusiasmo com as ações ligadas à inteligência artificial, especialmente as fabricantes de chips, começa a dar sinais de desgaste após os fortes ganhos registrados no primeiro semestre. Samsung, SK Hynix, Kioxia, Micron e Sandisk acumulam quedas relevantes em relação às máximas recentes, enquanto índices de tecnologia na Ásia também passaram por realização. Parte da preocupação está ligada ao risco de excesso de capacidade em IA, reforçado por iniciativas como o plano da Meta de vender poder computacional excedente (comento a seguir).

Mais do que uma ruptura da tese estrutural, porém, o movimento parece refletir uma combinação de expectativas muito elevadas, valuations mais pressionados e realização de lucros após a alta recente. A dúvida é se os investidores voltarão a comprar esses nomes com o mesmo entusiasmo ou se a volatilidade recente reduzirá o apetite pelo setor.

· 05:09 — E se a próxima fronteira da IA estiver na nuvem?

A Meta parece estar avançando para uma nova etapa de sua estratégia em inteligência artificial: transformar parte dos pesados investimentos em infraestrutura em uma fonte adicional de receita. A companhia estuda vender a terceiros o acesso a modelos de IA e capacidade computacional, criando uma frente de negócios semelhante às ofertas de nuvem da AWS, Microsoft Azure e Google Cloud, além das chamadas neoclouds, como CoreWeave e Nebius.

A lógica é simples: depois de comprometer centenas de bilhões de dólares em data centers, chips e infraestrutura para sustentar suas próprias ambições em IA, a Meta pode monetizar o excedente de capacidade, reforçando o fluxo de caixa e reduzindo a pressão sobre o retorno desses investimentos.

A leitura é construtiva porque a companhia pode deixar de ser apenas uma grande consumidora de infraestrutura de IA para se tornar também uma provedora desse recurso. Em um ciclo em que os maiores vencedores têm sido justamente os donos da infraestrutura, como provedores de nuvem e fabricantes de chips, a entrada da Meta nesse mercado abriria uma nova avenida de crescimento e ajudaria a justificar o capex elevado.

Ainda há incertezas relevantes, já que a estratégia pode mudar e a empresa ainda não separa claramente as receitas de IA em seus resultados, mas a existência de capacidade computacional disponível, combinada à demanda crescente de outras empresas por poder de processamento, cria uma oportunidade importante.

Para as ações da Meta, negociadas na Nasdaq sob o ticker META, e para o BDR M1TA34 no Brasil, a notícia reforça uma tese mais positiva. O mercado vinha questionando se os investimentos agressivos em IA teriam retorno suficiente; a possibilidade de criar um negócio de nuvem ajuda a responder parte dessa dúvida, ao transformar infraestrutura em receita recorrente e potencialmente escalável.

Para o investidor brasileiro, M1TA34 segue sendo uma forma de acessar uma das principais plataformas globais de tecnologia, agora com exposição adicional ao ciclo de infraestrutura de inteligência artificial. Naturalmente, o desempenho do BDR também dependerá do câmbio e do apetite global por ações de tecnologia, mas a direção estratégica parece fortalecer a percepção de que a Meta tem caminhos relevantes para capturar valor.

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Ibovespa hoje: Caged reforça apostas em corte da Selic enquanto Fed e IA movimentam os mercados internacionais nesta quarta-feira (1)

1 de Julho de 2026, 11:15

Os mercados globais operam em tom misto no primeiro pregão do segundo semestre, com realização parcial após os fortes ganhos do trimestre anterior e maior cautela diante da falta de avanços concretos nas negociações entre Estados Unidos e Irã. Embora enviados americanos estejam em Doha para conversas com mediadores do Catar, ainda não há encontro direto confirmado com autoridades iranianas, o que mantém a fragilidade do processo de paz no radar. Ainda assim, o petróleo segue pressionado, com o Brent próximo de US$ 72 por barril, refletindo a percepção de que o prêmio de risco da guerra diminuiu com a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das exportações iranianas.

Na Ásia, as bolsas fecharam sem direção única, com alta do Nikkei apoiada por dados positivos do Tankan e queda na Coreia do Sul, pressionada por empresas de semicondutores.

Na Europa, os mercados também operam mistos, enquanto investidores avaliam dados de inflação e atividade industrial. A agenda macroeconômica volta a ganhar protagonismo.

Nos Estados Unidos, onde o mercado ainda trabalha com um Fed mais hawkish, a atenção se concentra nos dados de emprego, com o ADP hoje e o payroll amanhã, além da participação de Kevin Warsh no Fórum de Sintra, ao lado de Christine Lagarde, Andrew Bailey e Tiff Macklem.

Na Zona do Euro, a inflação preliminar de junho desacelerou para 2,8% no índice cheio e 2,4% no núcleo, reforçando a leitura de moderação dos preços em meio a uma atividade ainda fraca.

Na China, o PMI industrial privado recuou levemente para 51,7, sugerindo expansão, mas com perda de força nas exportações.

· 00:57 — Medo de mergulhão

No Brasil, o Ibovespa encerrou a terça-feira em queda de 0,68%, aos 172 mil pontos, consolidando leve baixa de 0,10% em junho e o quarto mês consecutivo de perdas. Ainda assim, o índice acumulou alta de 6,8% no semestre. O movimento refletiu a rotação global de valor para crescimento, com maior apetite por tecnologia no exterior, além da ausência do fluxo estrangeiro que havia sustentado parte dos ganhos no início do ano.

Ontem, o principal dado doméstico foi o Caged de maio, que mostrou criação líquida de 72.960 vagas formais, bem abaixo das cerca de 120 mil esperadas pelo mercado e 52% inferior ao saldo de maio de 2025.

Foi o pior resultado para o mês desde 2020, reforçando a leitura de desaceleração gradual do mercado de trabalho, embora ainda sem caracterizar contração. O dado se soma ao IPCA-15 mais benigno, à PNAD Contínua e à comunicação mais clara de Gabriel Galípolo após o Relatório de Política Monetária, fortalecendo as apostas em um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic em agosto.

A leitura predominante é que o mercado de trabalho segue resiliente, mas perde dinamismo, reduzindo uma das principais preocupações do Banco Central com a inflação de serviços. Ao mesmo tempo, permanece no radar o cenário alternativo de desaceleração mais intensa da atividade (quase como um “mergulhão”), justamente um dos riscos que o BC parece monitorar com atenção.

O quadro fiscal, por sua vez, segue como ponto de atenção e funciona como um limitador para a extensão do ciclo de cortes. Na prática, a âncora monetária continua trabalhando dobrado diante da ausência de uma âncora fiscal mais crível. O resultado primário do Governo Central mostrou receitas crescendo 5,5% acima da inflação nos cinco primeiros meses do ano, mas despesas avançando 13,5% em termos reais, pressionadas por precatórios, pessoal e previdência.

O déficit nominal atingiu R$ 149 bilhões, com gasto de juros de R$ 107,5 bilhões no mês, ritmo que, anualizado, supera R$ 1,2 trilhão. Como temos argumentado, o panorama é insustentável e tende a exigir um ajuste fiscal inevitável no próximo ano. A grande dúvida será a profundidade desse ajuste: uma correção apenas marginal dificilmente seria suficiente e poderia resultar em problemas maiores adiante.

No campo dos combustíveis, o governo anunciou a retirada gradual dos subsídios ao diesel e à gasolina, movimento justificado pela queda do Brent e pela necessidade de preservar a neutralidade fiscal. Para Petrobras, a leitura é que o governo segue utilizando mecanismos fiscais para atenuar eventuais repasses de preços (que possam pressionar inflação), embora a velocidade do desmonte das demais subvenções ainda precise ser acompanhada.

· 01:46 — Finalizando um excelente trimestre

Nos Estados Unidos, o primeiro semestre terminou com forte desempenho dos mercados, apesar de um pano de fundo marcado por riscos geopolíticos, volatilidade no petróleo e dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de inteligência artificial. O S&P 500 encerrou o segundo trimestre com alta de 14,9%, seu melhor desempenho desde 2020, e acumula ganho de 9,55% no ano. No mesmo período, o Nasdaq avança cerca de 12,8%, enquanto o Dow sobe 8,85%, registrando seu melhor primeiro semestre desde 2021.

O principal motor da alta foi, novamente, a tecnologia, especialmente os semicondutores: o Índice de Semicondutores da Filadélfia (SOX) teve o melhor trimestre de sua história, com retorno próximo de 92%, impulsionado por empresas como Sandisk, Micron e Intel. Mesmo as small caps apresentaram desempenho forte, embora com concentração relevante em companhias ligadas a chips. Ao mesmo tempo, o ouro perdeu força após atingir máxima histórica em janeiro, pressionado pela recuperação do dólar e pela expectativa de juros mais altos pelo Fed.

Para o segundo semestre, o cenário segue construtivo, mas menos simples. A rotação recente para setores como saúde, indústria e financeiro sugere que a alta pode começar a se espalhar para além das empresas diretamente ligadas à IA, enquanto a queda do petróleo, o mercado de trabalho ainda firme, a melhora da confiança do consumidor e dados econômicos favoráveis continuam dando suporte aos ativos de risco.

Ainda assim, as expectativas ficaram mais exigentes: para que os lucros do S&P 500 cumpram as projeções, será necessário um avanço relevante das margens, sustentado pela tecnologia e por ganhos de produtividade associados à inteligência artificial. O principal risco é que a própria tecnologia, responsável por liderar a alta, também se torne o ponto de fragilidade caso os retornos dos investimentos em IA desacelerem ou a volatilidade volte a aumentar.

Além disso, o Fed permanece como variável decisiva, especialmente após economistas do Bank of America passarem a esperar três altas de juros até o fim do ano. A agenda da semana traz o ADP, o PMI industrial do ISM e os resultados de FactSet e General Mills.

· 02:32 — Entendendo o rali de IA

As principais operações ligadas à inteligência artificial nos últimos meses favoreceram os investidores que compraram ações de fabricantes de chips e venderam ações de empresas de software. A tese por trás desse movimento era relativamente direta: a IA ampliaria de forma expressiva a demanda por semicondutores, ao mesmo tempo em que pressionaria os modelos de negócio tradicionais das companhias de software.

Embora essa dinâmica já fosse visível há seis meses, ela continuou ganhando força. No período, uma estratégia comprada no índice de semicondutores SOX e vendida no índice de software teria gerado retorno de cerca de 150%. Fora dos Estados Unidos, o movimento foi ainda mais intenso na Coreia do Sul, onde Samsung Electronics e SK Hynix impulsionaram o Kospi, que quase dobrou no ano. Uma estratégia comprada em Coreia do Sul e vendida na bolsa da Indonésia, por exemplo, teria triplicado o capital em seis meses, refletindo tanto o entusiasmo com os fabricantes de chips quanto a perda de confiança dos investidores em Jacarta.

Já a China ficou para trás: embora invista de forma agressiva para competir com os Estados Unidos em inteligência artificial, boa parte desses recursos tem sido direcionada a fornecedores estrangeiros de chips, sem ainda gerar um impulso relevante à demanda doméstica.

· 03:29 — O destino do acordo comercial da América do Norte

O governo Donald Trump deve declarar formalmente que não pretende prorrogar o USMCA, dando início ao processo de revisão de seis anos previsto pela cláusula de caducidade negociada durante seu primeiro mandato. A decisão não representa, por ora, uma ruptura imediata do acordo entre Estados Unidos, México e Canadá, mas inaugura uma fase mais longa e incerta de negociação. Autoridades comerciais dos três países devem se reunir virtualmente para indicar se desejam estender o acordo por mais 16 anos, enquanto o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, já agendou uma nova rodada de conversas com o México para a semana de 20 de julho.

A leitura passa a ser a de que as tarifas atuais dos EUA devem permanecer em vigor por tempo indefinido, sem expectativa de uma redução ampla. Ainda podem ocorrer acordos pontuais para aliviar tarifas setoriais, mas não se espera uma revisão abrangente. Esse cenário tende a pesar sobre a confiança e o investimento nas três economias, com custos mais concentrados em Canadá e México.

Para os EUA, os impactos devem aparecer principalmente no setor automotivo e nos estados fronteiriços. O México parece ser o mais exposto, embora parte de suas exportações venha sendo sustentada por bens de capital ligados à inteligência artificial, em grande medida isentos de tarifas. O Canadá, por sua vez, tenta diversificar seus mercados de exportação, mas esse processo deve levar tempo.

Ainda assim, a probabilidade de Trump acionar a cláusula de saída de seis meses e abandonar totalmente o USMCA parece baixa, dado o custo elevado que isso imporia ao comércio e ao investimento da economia americana, especialmente em estados decisivos do Meio-Oeste.

· 04:13 — Mudanças nas cadeias de suprimentos

Duas mudanças relevantes estão ganhando força na China e nas cadeias asiáticas de suprimento. De um lado, o conflito envolvendo o Irã está redesenhando o comércio de produtos petroquímicos na região, com produtores chineses surgindo como beneficiários inesperados. As interrupções no fornecimento do Golfo Pérsico levaram compradores do Sudeste Asiático a buscar fontes alternativas, enquanto a China aproveitou seus estoques elevados, sua capacidade ociosa e o uso de matérias-primas substitutas para ampliar exportações. Caso essas novas rotas comerciais se consolidem, o conflito terá gerado efeitos duradouros sobre as cadeias regionais.

Ao mesmo tempo, o entusiasmo com a valorização do yuan perdeu força. O tom mais duro do Fed fortaleceu o dólar e levou investidores a desfazerem posições favoráveis à moeda chinesa, especialmente diante de dados mais fracos da economia local e da percepção de que Pequim pode aceitar um yuan mais depreciado para apoiar as exportações.

No mercado de energia, mesmo com a manutenção do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã e a retomada gradual do tráfego em Ormuz, grandes compradores continuam buscando diversificação. Refinarias indianas, por exemplo, reduzem a dependência do petróleo do Oriente Médio e procuram fornecedores na Rússia, Guiana, Brasil e Estados Unidos. Assim, embora parte do mercado ainda torça por uma volta à normalidade, cresce a percepção de que o choque recente pode acelerar mudanças estruturais nos fluxos globais de energia e petroquímicos.

· 05:05 — Google entra no Dow, mas a tese vai além do índice

A entrada da Alphabet, controladora do Google, no Dow Jones Industrial Average marca um reconhecimento simbólico importante para a companhia e ajuda a atualizar um índice historicamente associado às grandes blue-chips americanas, mas que vinha ficando defasado em relação à nova composição da economia.

A substituição da Verizon pela Alphabet, somada à presença de Nvidia, Amazon, Microsoft e Apple, reforça a crescente centralidade das grandes empresas de tecnologia nos principais índices globais. Ainda assim, o Dow segue com limitações relevantes como referência de mercado, por reunir apenas 30 ações e adotar uma metodologia ponderada pelo preço dos papéis, e não pelo valor de mercado das companhias.

Para as ações da Alphabet, e especialmente para os BDRs GOGL34, a inclusão no Dow não altera sozinha os fundamentos da tese, mas reforça a visibilidade institucional da empresa e sua posição entre as principais companhias globais de tecnologia. O Google segue exposto a vetores estruturais relevantes, como publicidade digital, inteligência artificial, computação em nuvem e serviços digitais, em um momento em que os investidores continuam buscando empresas com escala, geração de caixa e capacidade de reinvestimento.

Para o investidor brasileiro, GOGL34 permanece como uma forma de acessar uma das plataformas mais relevantes do mundo, com a ressalva de que seu desempenho também será influenciado pelo câmbio e pelo apetite global por ações de tecnologia.

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Ibovespa hoje: IPCA-15, ata do Copom e negociações no Oriente Médio no radar; saiba o que esperar da segunda (22)

22 de Junho de 2026, 11:14

As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram na Suíça, apesar de terem começado sob forte tensão, após Donald Trump renovar ameaças de ataques militares caso Teerã não contenha a atuação do Hezbollah no Líbano. Seja como for, alguns sinais de tímido progresso ajudaram a aliviar os preços do petróleo, que recuam nesta manhã diante da percepção de menor risco imediato, embora a normalização do tráfego marítimo ainda seja complexa e continue sujeita a novas interrupções.

No restante do cenário internacional, os mercados reagiram de forma mista a uma combinação de fatores políticos e corporativos. Na Colômbia, a eleição apertada de Abelardo de la Espriella marcou uma guinada à direita após quatro anos de governo de esquerda. No Reino Unido, Keir Starmer anunciou sua renúncia, reforçando a instabilidade política britânica e abrindo caminho para uma disputa pela liderança trabalhista. Na Ásia, as bolsas subiram impulsionadas pelo avanço de empresas ligadas à inteligência artificial, especialmente em Taiwan, Coreia do Sul e Japão.

· 00:55 — Calibrando expectativas

No Brasil, a semana será marcada pela tentativa do mercado de compreender melhor a comunicação do Banco Central após o corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano. Embora a decisão já fosse esperada, como comentei na semana passada, o comunicado do Copom foi interpretado como mais dovish do que o previsto (e até heterodoxo) ao manter aberta a possibilidade de novos cortes mesmo em um ambiente de inflação acima da meta, expectativas desancoradas, atividade resiliente e riscos fiscais relevantes.

Essa leitura levou à abertura da curva de juros, sobretudo nos vencimentos mais longos, diante do receio de que uma postura mais tolerante no curto prazo possa cobrar um preço maior adiante. Nesse contexto, a ata do Copom, o Relatório de Política Monetária e a coletiva de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti serão fundamentais para esclarecer se houve apenas um problema de comunicação ou se, de fato, o BC está mais inclinado a seguir reduzindo os juros.

Os principais vetores capazes de melhorar as expectativas do mercado passam por uma comunicação mais clara sobre o horizonte relevante da política monetária, os cenários de inflação considerados pelo Comitê e os critérios que orientarão os próximos passos da Selic. Caso a ata e o RPM reforcem o compromisso com a meta de inflação, expliquem melhor o alongamento do horizonte de projeção e sinalizem que novos cortes dependerão de uma melhora concreta dos dados, parte dos prêmios embutidos na curva de juros poderá ser devolvida.

Além disso, o IPCA-15, a pesquisa Focus, os dados do setor externo, o investimento direto no País e a Pnad Contínua ajudarão a calibrar a percepção sobre inflação, câmbio, atividade e mercado de trabalho, elementos centrais para avaliar se o Banco Central ainda terá espaço para continuar o ciclo de afrouxamento monetário sem comprometer sua credibilidade.

· 01:47 — Agenda carregada

Wall Street entra na última semana completa de junho com uma agenda americana concentrada em três frentes principais: inflação, inteligência artificial e bancos. O destaque macroeconômico será a divulgação do PCE de maio, na quinta-feira, indicador de inflação preferido do Federal Reserve, com expectativa de aceleração especialmente no núcleo, que exclui alimentos e energia.

Os investidores também acompanharão os pedidos de bens duráveis e as falas de John Williams, presidente do Fed de Nova York, em busca de sinais sobre a trajetória da economia e da política monetária. Na quarta-feira à noite, o Fed divulgará os resultados dos testes de estresse dos bancos americanos, incluindo JPMorgan, Bank of America, Goldman Sachs e Morgan Stanley, o que deve ampliar a atenção sobre a saúde do sistema financeiro.

No campo corporativo, a Micron será o principal evento da semana, com balanço previsto para quarta-feira após o fechamento do mercado, em meio à forte demanda por chips de memória ligados à inteligência artificial e aos data centers. O resultado pode reforçar o rali das empresas de tecnologia, mas também traz uma preocupação mais ampla: a alta dos custos de memória pode pressionar os preços de smartphones, PCs e outros bens duráveis, com possível reflexo nos dados de inflação.

Além disso, eventos da Nvidia e da Qualcomm devem trazer novas leituras sobre as tendências de IA, enquanto o Prime Day da Amazon e promoções concorrentes de Walmart, Target, Best Buy e Kohl’s servirão como um teste em tempo real da demanda do consumidor americano. Os resultados de FedEx e Carnival também ajudarão a medir a força da economia, os volumes de transporte, os gastos com viagens e o possível alívio nos custos de combustível após o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã.

· 02:32 — Avançando lenta e vagarosamente

As negociações entre Estados Unidos e Irã avançaram na Suíça, mas começaram sob forte tensão política e militar. Apesar das ameaças de Donald Trump de retomar os ataques caso Teerã não contenha a atuação do Hezbollah no Líbano, o que gerou ruído durante o final de semana, mediadores do Catar e do Paquistão afirmaram que houve “progressos encorajadores” e que as partes concordaram com um roteiro para tentar concluir um acordo definitivo em até 60 dias.

Entre os avanços operacionais, destacam-se a criação de um mecanismo para encerrar os confrontos entre Israel e Hezbollah no Líbano e a abertura de um canal de comunicação voltado a evitar incidentes e garantir a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.

A implementação, porém, segue frágil e cercada de incertezas. O Irã voltou a restringir o tráfego em Ormuz antes das conversas, enquanto os Estados Unidos mantiveram a pressão militar e diplomática sobre Teerã. Ao mesmo tempo, o governo iraniano afirma já observar benefícios concretos do memorando provisório, como isenções para exportações de petróleo e petroquímicos, liberação de parte dos ativos congelados e avanço de um plano de reconstrução.

Para os mercados, o petróleo permanece no centro das atenções: os preços começaram a semana em queda, mas seguem voláteis, refletindo tanto a expectativa de normalização gradual do fluxo pelo estreito quanto o risco de novas interrupções caso as negociações voltem a se deteriorar.

· 03:28 — Virada na Colômbia

A vitória de Abelardo de la Espriella no segundo turno da eleição presidencial colombiana marca uma inflexão relevante após quatro anos do governo de esquerda de Gustavo Petro. Em uma disputa historicamente apertada e altamente polarizada, De la Espriella derrotou Iván Cepeda por margem estreita, apoiado em uma plataforma centrada em segurança pública, enfrentamento aos cartéis, reabertura do setor de petróleo e gás e maior alinhamento com os Estados Unidos.

Para os mercados, o resultado foi inicialmente recebido de forma positiva para os ativos colombianos. No entanto, a forte valorização recente já limita parte do potencial de surpresa, deslocando o foco da eleição em si para a capacidade de execução do novo governo.

Com isso, a Colômbia passa a se somar a outras mudanças recentes na América do Sul, em que eleitorados têm migrado de experiências de esquerda para alternativas mais à direita, como ocorreu na Argentina com Javier Milei e no Chile com José Antonio Kast, além da disputa apertada no Peru envolvendo Keiko Fujimori. Esse movimento reflete uma combinação de desgaste com baixo crescimento, insegurança, fragilidade fiscal e insatisfação com governos anteriores.

Ainda assim, o principal desafio daqui em diante será transformar a guinada política em governabilidade: De la Espriella chega ao poder com base parlamentar limitada, necessidade de formar coalizões e uma agenda pró-mercado cuja implementação dependerá da escolha dos nomes para o gabinete, da credibilidade fiscal e da capacidade de articulação no Congresso.

· 04:16 — Difícil de governar

A renúncia de Keir Starmer, anunciada menos de dois anos após sua vitória expressiva, aprofunda a crise de governabilidade do Reino Unido e reforça a sensação de esgotamento político iniciada com o Brexit. Desde 2016, o país atravessa uma sucessão incomum de primeiros-ministros — David Cameron, Theresa May, Boris Johnson, Liz Truss, Rishi Sunak e, agora, Starmer —, enquanto o próximo líder trabalhista poderá se tornar o sétimo ocupante de Downing Street em cerca de uma década.

A saída de Starmer ocorre após a perda de apoio dentro do próprio Partido Trabalhista, em meio ao desgaste provocado por escândalos políticos e pela ascensão de Andy Burnham como principal nome para sucedê-lo. Mais do que uma crise individual, a queda de Starmer evidencia como as consequências políticas do Brexit tornaram o sistema britânico cada vez mais instável.

O país parece preso a um ciclo de lideranças frágeis, maiorias que se desfazem rapidamente e governos com dificuldade de reconstruir uma agenda de longo prazo em temas como imigração, crescimento econômico, contas públicas e relação com a Europa. Nesse sentido, o Reino Unido se tornou quase ingovernável: não pela ausência de instituições, mas pela dificuldade crescente de transformar mandatos eleitorais em estabilidade política duradoura.

· 05:03 — Acelerando a expansão nos EUA e reforçando a tese de longo prazo

A TSMC (NYSE: TSM) deu mais um passo relevante para reduzir sua dependência operacional da Ásia e ampliar sua presença estratégica nos Estados Unidos. Em 16 de junho, a companhia anunciou um acordo de dez anos com a Amkor Technology para expandir a capacidade de empacotamento e teste de semicondutores avançados no Arizona.

A parceria endereça um dos principais gargalos da cadeia americana de chips: embora a TSMC já produza semicondutores avançados no país, parte desses componentes ainda precisa ser enviada à Ásia para passar pelo empacotamento avançado, etapa que integra múltiplos chips em um módulo mais eficiente, antes de retornar aos EUA. Com a Amkor assumindo essa fase em território americano, a companhia tende a reduzir custos logísticos, encurtar prazos de entrega e oferecer uma cadeia produtiva mais integrada, do silício ao chip final.

A iniciativa também fortalece a posição da TSMC junto a grandes clientes como Apple e Nvidia, que passam a contar com uma cadeia de suprimentos mais resiliente, eficiente e menos exposta a riscos geopolíticos na Ásia. Além disso, o acordo antecipa parte dos benefícios esperados da futura instalação própria de empacotamento avançado da TSMC no Arizona, prevista para 2029, sem substituir esse plano de expansão. Ao mesmo tempo, melhora a capacidade da companhia de atender à demanda crescente por chips de inteligência artificial e eletrônicos de alta performance.

Nesse contexto, a combinação entre expansão nos Estados Unidos, maior integração produtiva e investimentos robustos das hyperscalers projetados para 2026 sustenta uma visão construtiva para as ações da TSMC, com destaque para as BDRs TSMC34 como veículo de exposição ao tema no mercado brasileiro.

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Ibovespa hoje: adiamento das negociações entre EUA e Irã impõe cautela aos mercados; o que esperar da sexta-feira (19)?

19 de Junho de 2026, 10:28

As bolsas globais encerram uma semana forte em tom mais cauteloso, à medida que o alívio inicial com o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã dá lugar a dúvidas sobre sua implementação e durabilidade. As negociações previstas para ocorrer na Suíça foram adiadas após novos confrontos no sul do Líbano entre Israel e militantes do Hezbollah, grupo apoiado por Teerã, elevando a incerteza sobre a sustentação da trégua.

Com os mercados à vista dos EUA fechados pelo feriado de Juneteenth e uma agenda econômica esvaziada, os investidores concentraram suas atenções no Estreito de Ormuz, onde o tráfego marítimo voltou a preocupar diante de relatos de redução no fluxo de petroleiros, presença de minas, riscos de congestionamento e dúvidas sobre o grau de controle que o Irã poderá manter sobre a hidrovia. O petróleo voltou a subir em uma sessão volátil, embora ainda caminhe para uma das maiores quedas semanais do ano

Nos mercados acionários, o Stoxx 600 opera sem direção definida, e as bolsas europeias mostraram cautela. Na Ásia, o desempenho foi misto, com destaque para a forte alta semanal do Nikkei, beneficiado pelo alívio nas expectativas de inflação e pelo bom desempenho global dos setores de semicondutores e inteligência artificial (IA).  

00:54 — Problema de credibilidade

No Brasil, o Ibovespa encerrou a quinta-feira (18) em leve queda de 0,10%, aos 168.278 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 1,30%, para R$ 5,17, pressionado pelo tom mais duro do Federal Reserve (Fed) e, sobretudo, pela leitura do comunicado do Copom, em linha com o que comentei ontem.

O Banco Central cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, como esperado, mas surpreendeu ao manter aberta a possibilidade de novos cortes, em vez de sinalizar uma pausa mais clara no ciclo.

A comunicação gerou ruído porque, ao mesmo tempo em que reconheceu inflação acima da meta, expectativas desancoradas, atividade ainda robusta e riscos fiscais, o Comitê recorreu a um horizonte de projeção mais longo, o primeiro trimestre de 2028, para justificar trajetórias alternativas compatíveis com a convergência da inflação à meta. Para o mercado, essa abordagem soou excessivamente heterodoxa

Com isso, a decisão foi interpretada por parte dos investidores como mais dovish do que o esperado, ou seja, mais inclinada à continuidade do afrouxamento monetário. A alta do dólar e a abertura da curva de juros mostraram que o mercado passou a questionar a consistência da comunicação e a credibilidade da estratégia da autoridade monetária, especialmente em um ambiente marcado por risco fiscal e pelo avanço do calendário eleitoral. A dinâmica do câmbio passa a ser um ponto crucial de acompanhamento, pois pode limitar a continuidade do ciclo de cortes da Selic. 

01:41 — Feriado

Antes do feriado desta sexta-feira (19) nos EUA, os índices americanos reagiram positivamente ao memorando de entendimento de 14 pontos assinado entre os EUA e o Irã, interpretado como um passo relevante para encerrar meses de hostilidades e reabrir o Estreito de Ormuz.

A suspensão dos combates por 60 dias, o fim do bloqueio naval americano e a possibilidade de remoção gradual das sanções contra Teerã contribuíram para reduzir o prêmio de risco geopolítico, levando o petróleo Brent para perto de US$ 80 por barril e impulsionando tanto ações quanto títulos.

O S&P 500 avançou 1,1%, o Nasdaq subiu 1,9% e o setor de tecnologia teve desempenho particularmente forte, com alta de 2,9% do ETF iShares U.S. Technology. Ao mesmo tempo, os investidores passaram a lidar com uma mudança importante no Federal Reserve sob a presidência de Kevin Warsh, cuja primeira reunião trouxe uma mensagem mais dura do que o esperado.

Embora o Fed tenha mantido os juros estáveis pela quarta reunião consecutiva, a ausência de orientação futura e o foco explícito no combate à inflação levaram o mercado a precificar mais de 80% de chance de alta dos juros em setembro, além de mais de um aumento até outubro. Ainda assim, a queda recente dos preços de energia pode aliviar a inflação nos próximos meses e reduzir a necessidade de novas altas, especialmente se a trégua com o Irã se sustentar.

A próxima semana será importante para calibrar essa leitura, com a divulgação do índice PCE de maio, indicador de inflação preferido do Fed, além dos PMIs, das vendas de novas casas, dos pedidos de bens duráveis e dos balanços de empresas como FedEx e Micron Technology

02:39 — Adiamento 

Os Estados Unidos e o Irã adiaram o início das negociações sobre um acordo de paz e sobre a restrição do programa nuclear iraniano, inicialmente previstas para ocorrer na Suíça. A justificativa oficial ainda não está totalmente clara: a Casa Branca atribuiu o adiamento a dificuldades logísticas, enquanto Teerã vinha sinalizando que só avançaria para discussões técnicas após sinais concretos de implementação do acordo interino, especialmente nos pontos ligados à reabertura do Estreito de Ormuz, às isenções para exportação de petróleo e à liberação de ativos congelados.

O cancelamento da viagem do vice-presidente JD Vance aumentou a incerteza sobre a sustentação da trégua, em meio a novos confrontos entre Israel e militantes do Hezbollah no sul do Líbano, episódio que ampliou a pressão política sobre o acordo. 

O memorando provisório assinado por Donald TrumpMasoud Pezeshkian reduziu parte do risco geopolítico imediato, permitiu a retomada parcial do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e trouxe algum alívio aos preços da energia. Ainda assim, os mercados passaram a interpretar o acordo com mais cautela, uma vez que a normalização das cadeias logísticas e energéticas pode levar meses, enquanto o Irã mantém restrições operacionais à navegação durante as operações de desminagem.

O texto prevê uma janela de 60 dias para negociar o status do programa nuclear iraniano, a redução do grau de enriquecimento do material nuclear em território iraniano sob supervisão da AIEA, isenções para exportações de petróleo, acesso a cerca de US$ 24 bilhões em fundos congelados e um plano de reconstrução de US$ 300 bilhões. Os pontos mais sensíveis, porém, foram deixados para uma etapa posterior.  

No plano político e estratégico, o acordo enfrenta resistência em Washington, em Israel e entre aliados regionais, sobretudo pela percepção de que Teerã recebeu concessões relevantes antes de assumir compromissos mais claros sobre seu programa nuclear. Ao mesmo tempo, os EUA ampliaram sanções contra autoridades libanesas e redes empresariais associadas ao Hezbollah, acusadas de obstruir o processo de paz e financiar o grupo.

Para o Irã, o acordo oferece um alívio econômico, mas também expõe fragilidades internas: a liderança do país está enfraquecida, há sinais de instabilidade política e o fim da guerra pode reduzir o efeito de coesão nacional. Assim, embora tenha diminuído as incertezas de curto prazo, o acordo ainda parece mais um arcabouço político do que uma solução operacional definitiva. 

03:23 — O Projeto Manhattan do século XXI 

Anthropic enviou executivos a Washington para tentar reverter a proibição imposta pelo governo Trump ao uso do Fable 5 (versão do Claude) por estrangeiros, medida que levou a empresa a suspender totalmente o acesso ao modelo. 

Como já comentamos, lançado como uma versão supostamente mais segura do ainda inédito (e muito polêmico) Mythos, o Fable 5 foi restringido por motivos de segurança nacional, após autoridades apontarem riscos de que suas salvaguardas fossem contornadas por agentes mal-intencionados. A decisão teria sido tomada depois de alertas da Amazon, investidora da Anthropic, sobre possíveis formas de desbloquear o modelo para fins ofensivos.

A empresa, por sua vez, argumenta que recebeu pouco tempo e poucos detalhes para responder às preocupações do governo, enquanto profissionais de cibersegurança defendem que modelos avançados também são necessários para fortalecer sistemas contra ataques. Em paralelo, a Anthropic ainda enfrenta uma disputa com o Departamento de Defesa, buscando reverter sua classificação como risco para a cadeia de suprimentos. 

O episódio, porém, é apresentado como algo maior do que uma disputa regulatória envolvendo uma única empresa. A restrição ao Fable e ao Mythos é interpretada como uma continuação da estratégia americana de controle tecnológico, semelhante ao que já ocorreu com chips avançados, Nvidia e ASML: primeiro veio o controle sobre o silício; agora, o controle sobre os próprios modelos de inteligência artificial.

Nesse cenário, o acesso à melhor inteligência do mundo poderia se tornar um ativo nacionalizado, reservado prioritariamente a cidadãos, empresas e estruturas americanas. Isso abriria espaço para soluções alternativas, como empresas de fachada, diretores residentes e estruturas nos EUA, mas essas brechas tenderiam a favorecer apenas quem tem capital e sofisticação jurídica para acessá-las, ampliando a desigualdade nessa frente tecnológica. Ao mesmo tempo, bloquear modelos fechados para o resto do mundo poderia fortalecer o movimento de código aberto e beneficiar concorrentes dispostos a atender os usuários excluídos. 

Trocando em miúdos, a tese central é que a inteligência artificial pode se tornar uma nova moeda de poder, tão estratégica quanto o dólar, o petróleo ou os semicondutores. Ao perceberem que não podem depender plenamente do acesso à inteligência americana, países como Reino Unido, Austrália, membros da Europa e outras nações tenderiam a acelerar projetos de IA soberana.

O problema é que poucos têm capital, energia, infraestrutura e escala para competir com os Estados Unidos, com exceção da China. Assim, ao restringir seus modelos, Washington corre o risco de empurrar parte do mundo para alternativas chinesas ou, no limite, usar o acesso à IA como instrumento de barganha política, militar e econômica.

A restrição também já teria provocado alta nos preços de hardware, aluguel de computação em nuvem e memória DDR5, enquanto limitações energéticas nos EUA contrastam com a capacidade chinesa de ampliar infraestrutura, produzir memória e lançar modelos cada vez mais competitivos. Nesse sentido, a proibição do Fable é tratada como o início de uma disputa muito mais ampla: uma espécie de Projeto Manhattan do século XXI, centrado não mais na energia nuclear, mas no controle da inteligência. 

04:18 — Mais uma para a conta da virada do pêndulo político 

A eleição presidencial colombiana chega ao segundo turno neste domingo e pode se tornar mais um capítulo de uma tendência que começa a ganhar força na América Latina: o avanço de candidatos de direita depois de um período marcado por governos de esquerda e por uma insatisfação crescente com temas como segurança pública, crescimento econômico e combate ao crime.

Favorito nas pesquisas, Abelardo de la Espriella construiu sua campanha em torno de uma plataforma de tolerância zero à criminalidade, em forte contraste com a estratégia de “Paz Total” defendida por Iván Cepeda, herdeiro político do presidente Gustavo Petro, cuja proposta prioriza negociações com grupos criminosos. A alta dos índices de violência e sequestros acabou desgastando parte do apoio à atual administração e ampliando o apelo de propostas mais duras.

Caso a vitória da direita se confirme, a Colômbia se somará a movimentos semelhantes observados recentemente em outros países da região, como o Peru, reforçando a percepção de uma mudança gradual no humor político latino-americano. A grande questão para os próximos anos é se essa dinâmica continuará se espalhando pelo continente e, sobretudo, se o Brasil seguirá ou não essa mesma trajetória em seu próximo ciclo eleitoral. 

05:05 — Escala como vantagem competitiva 

A forte correção recente das incorporadoras refletiu um conjunto de preocupações macroeconômicas (inflação, juros, discussões em torno do FGTS e incertezas geopolíticas), que acabou penalizando o setor de forma indiscriminada.

No entanto, as mensagens transmitidas pelos principais executivos do segmento durante o Real Estate Day do BTG Pactual foram mais construtivas do que a percepção embutida nos preços das ações.

A demanda por habitação econômica segue sustentada por fatores estruturais, como o elevado déficit habitacional, um mercado de trabalho ainda resiliente e condições de financiamento relativamente favoráveis ao público-alvo dessas companhias. Ao mesmo tempo, a inflação de custos continua sendo um ponto de monitoramento, mas não representa, por ora, uma ameaça estrutural para empresas com escala, disciplina operacional e capacidade de repasse. 

Nesse contexto, a escala se consolida como um dos principais diferenciais competitivos do setor. Em um mercado cada vez mais exigente, a capacidade de adquirir terrenos, acessar funding, contratar mão de obra, administrar subsídios e executar múltiplos projetos simultaneamente tornou-se uma barreira de entrada relevante, favorecendo os líderes já estabelecidos.

Embora desafios como a disponibilidade de recursos do FGTS, a escassez de mão de obra e os entraves regulatórios sigam presentes, a expectativa é de um crescimento mais disciplinado, com foco em rentabilidade, velocidade de vendas e preservação de margens. 

Para a Direcional (DIRR3), esse ambiente parece particularmente favorável. A companhia combina demanda resiliente, elevada capacidade de execução, disciplina na alocação de capital e um histórico consistente de navegação por diferentes ciclos econômicos. Mesmo sob premissas conservadoras, nossas estimativas apontam para um lucro superior a R$ 1 bilhão no próximo ano, enquanto a recente correção das ações levou os múltiplos a patamares atrativos.

Em nossa avaliação, o mercado incorporou um grau de pessimismo superior ao que os fundamentos justificam, criando uma oportunidade em uma empresa que segue entregando resultados sólidos e preservando importantes vetores de crescimento para os próximos anos. 

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Ibovespa hoje: ‘ressaca’ pós-Copom, Fed e acordo preliminar entre EUA e Irã; o que esperar da quinta-feira (18)?

18 de Junho de 2026, 10:37

Os mercados globais continuam assimilando os desdobramentos da Super Quarta e do acordo provisório firmado entre Estados Unidos e Irã. A assinatura do memorando por Donald Trump, acelerando o processo de cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz, contribuiu para uma nova rodada de queda nos preços do petróleo e reforçou o alívio observado nos ativos de risco ao redor do mundo.

Na Ásia, bolsas como NikkeiKospi renovaram máximas históricas, impulsionadas pelo recuo das tensões geopolíticas e pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial (IA), enquanto, na Europa, os mercados oscilaram entre o alívio proporcionado pelo acordo e a reprecificação de um ambiente de juros mais elevados por mais tempo. 

· 00:56 — O corte veio, mas a credibilidade aguenta? 

No Brasil, em uma decisão cuja divulgação acabou ocorrendo com atraso, o Copom entregou exatamente o movimento que vinha sendo esperado pelo mercado ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano. Mais relevante do que a decisão em si, porém, foi a mudança observada na comunicação da autoridade monetária.

Diferentemente da reunião anterior, o Banco Central deixou de indicar de forma explícita que a continuidade do ciclo de cortes permanecia como o cenário mais provável. Em uma leitura superficial, isso poderia ser interpretado como um sinal mais duro.

No entanto, uma análise mais aprofundada do comunicado revela nuances importantes. Embora o Comitê tenha elevado a exigência para novas reduções de juros, preservou uma flexibilidade em sua função de reação, evitando condicionar de forma clara os próximos passos à melhora das expectativas ou à convergência das projeções inflacionárias. Em outras palavras, a porta para novos cortes segue aberta

A avaliação do cenário econômico, por sua vez, tornou-se significativamente mais cautelosa. O comunicado reconheceu que a atividade econômica avançou acima do esperado no primeiro trimestre, com maior participação de setores cíclicos e um mercado de trabalho ainda resiliente. Ao mesmo tempo, destacou a deterioração das expectativas de inflação, elevou a projeção inflacionária para o horizonte relevante de política monetária de 3,5% para 3,7%, e passou a enfatizar de forma mais explícita o risco de uma demanda crescendo acima da capacidade produtiva da economia.

Também chamou atenção o reconhecimento de um ambiente fiscal mais desafiador, fator que continua dificultando o processo de convergência da inflação. Sob a ótica dos fundamentos macroeconômicos, portanto, o diagnóstico foi claramente mais preocupante do que o observado nas reuniões anteriores, reforçando a percepção de que o ambiente para cortes adicionais deveria, em tese, ser mais restritivo

É justamente nesse ponto que surge o principal debate. Apesar de reconhecer uma inflação mais alta, expectativas mais deterioradas e um cenário econômico mais pressionado, o Copom introduziu uma justificativa que pode ser interpretada como relativamente complacente. O Comitê argumentou que uma política monetária excessivamente restritiva poderia levar a inflação para abaixo da meta no horizonte que passará a ser considerado nas próximas reuniões, sugerindo que o grau acumulado de aperto monetário já estaria próximo do necessário.

A questão é que o horizonte atualmente relevante (o quarto trimestre de 2027) continua exibindo inflação acima da meta e em trajetória de piora. Ainda assim, o Banco Central optou por direcionar parte de sua análise para o primeiro trimestre de 2028, um horizonte mais distante. Para parte do mercado, essa abordagem pode ser interpretada como um sinal de maior tolerância à desancoragem inflacionária, o que levanta questionamentos sobre a credibilidade futura da política monetária.  

Essa leitura ajuda a explicar por que o ciclo não foi formalmente encerrado, mesmo diante da deterioração dos fundamentos. Em última instância, o Comitê parece desejar preservar espaço para eventuais cortes adicionais, caso o cenário permita.

O problema é que essa postura pode impor custos relevantes, especialmente sobre o câmbio e os vértices mais longos da curva de juros, tornando o ambiente mais desafiador para os ativos domésticos.

A partir daqui, a continuidade da flexibilização dependerá da evolução das expectativas de inflação, da atividade econômica, da dinâmica fiscal, do comportamento do câmbio e das condições financeiras globais, especialmente em um contexto de postura firme ao redor do mundo. 

· 01:49 — Um novo Federal Reserve no horizonte 

A decisão do Federal Reserve (Fed) veio em linha com as expectativas do mercado, com o FOMC mantendo a taxa básica de juros dos Estados Unidos no intervalo entre 3,50% e 3,75%. A principal surpresa, porém, não esteve na decisão em si, mas na mudança significativa observada nas projeções dos membros do comitê.

Nove dos dezenove dirigentes passaram a prever ao menos uma elevação dos juros em 2026, ante apenas três na rodada anterior de projeções. Ao mesmo tempo, as estimativas para a inflação foram revisadas para cima, sugerindo um processo de convergência mais lento em direção à meta de 2%.

Na prática, o Fed deixou claro que o combate à inflação continua sendo sua prioridade e que o espaço para cortes de juros se tornou consideravelmente mais restrito, depois do embaraço das expectativas por conta da guerra. 

O comunicado também marcou uma inflexão relevante na forma de comunicação da instituição. Além da remoção do chamado easing bias, a inclinação implícita para futuras reduções de juros, o Federal Reserve eliminou integralmente o forward guidance, abandonando indicações mais explícitas sobre a trajetória futura da política monetária.

O texto (que ficou bem mais enxuto também) passou a enfatizar que a atividade econômica continua avançando em ritmo robusto, que o mercado de trabalho permanece resiliente, que os investimentos seguem fortes e que a inflação ainda opera acima da meta estabelecida. O resultado foi uma mensagem claramente mais cautelosa e restritiva (hawk), refletindo a preferência do comitê por preservar flexibilidade diante de um ambiente ainda cercado por incertezas. 

Na coletiva de imprensa, Kevin Warsh, agora chefe do Fed, procurou estabelecer desde o início uma identidade própria para sua gestão. O novo presidente reforçou repetidamente que a inflação permanece acima da meta há mais de cinco anos e que a estabilidade de preços continuará sendo o principal compromisso do banco central.

Paralelamente, apresentou uma ampla agenda de reformas internas, incluindo grupos de trabalho voltados à revisão dos mecanismos de comunicação do Fed, da qualidade das estatísticas econômicas utilizadas nas decisões de política monetária, do impacto da inteligência artificial sobre a economia, da estrutura do balanço patrimonial da instituição e dos modelos empregados para análise inflacionária. 

Warsh também deixou evidente sua intenção de reduzir o grau de orientação fornecido aos mercados, defendendo que os preços dos ativos devem refletir informações independentes e não apenas reproduzir as sinalizações emitidas pelo próprio banco central. 

Olhando adiante, a principal mensagem é que o Federal Reserve passa a operar sob um regime de maior incerteza e menor previsibilidade. Embora nenhuma elevação de juros tenha sido anunciada nesta reunião, o mercado passou a atribuir probabilidade crescente a um aperto monetário nos próximos meses, com parte dos investidores já considerando uma alta de juros como um cenário plausível até outubro.

Ainda assim, as divergências dentro do próprio comitê permanecem relevantes, o que torna os próximos dados de inflação, atividade econômica e mercado de trabalho ainda mais determinantes para a condução da política monetária. Em síntese, a era Warsh se inicia com um Fed menos comprometido com orientações antecipadas, mais focado em credibilidade institucional e com menor disposição para flexibilizar sua postura diante de sinais moderados de desaceleração econômica. 

· 02:37 — Um acordo apertado 

O acordo preliminar assinado ontem (17) entre Estados Unidos e Irã representou um importante passo na redução das tensões no Oriente Médio, e contribuiu para a forte correção recente dos preços do petróleo. Ainda assim, está longe de encerrar as incertezas que cercam a região.

O memorando estabelece o fim das hostilidades, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, o relaxamento de parte das sanções e a abertura de um período de 60 dias de negociações para tratar dos temas mais sensíveis, incluindo o programa nuclear iraniano e os mecanismos de reconstrução econômica do país.

Apesar da melhora inicial no sentimento dos mercados, permanecem dúvidas relevantes sobre a velocidade da normalização do transporte marítimo, a sustentabilidade dos compromissos assumidos por Teerã e a capacidade política de Washington de implementar, na prática, o alívio das sanções previsto no entendimento.

Paralelamente, a questão nuclear continua sendo um dos principais pontos de divergência, dividindo aqueles que defendem restrições máximas ao enriquecimento de urânio e os que consideram mais viável um modelo baseado em supervisão internacional rigorosa e mecanismos permanentes de monitoramento. 

· 03:22 — “Donroe”

Os Estados Unidos parecem estar passando por uma reavaliação gradual de suas prioridades estratégicas diante de um ambiente internacional mais complexo, marcado por múltiplos focos de tensão e limitações crescentes de recursos políticos, fiscais e militares.

Em vez de buscar o mesmo grau de envolvimento simultâneo na Europa, no Oriente Médio e na Ásia, ganha espaço em Washington a visão de que a principal prioridade deve ser a consolidação da influência americana em seu entorno geográfico imediato, em linha com o que já conversamos neste espaço no passado.

Inspirada, em certa medida, nos princípios da histórica Doutrina Monroe, essa abordagem parte do entendimento de que a segurança e a projeção de poder dos Estados Unidos dependem, antes de tudo, do fortalecimento de sua posição no Hemisfério Ocidental, abrangendo áreas estratégicas como a Groenlândia, o Canal do Panamá, o Caribe, o Golfo do México e a América do Sul.

A mudança de regime na Venezuela e a postura mais assertiva em relação a países da região são frequentemente interpretadas como manifestações desse reposicionamento. Ainda assim, essa visão está longe de ser consensual dentro da própria elite política americana.

De um lado, os chamados primacistas defendem a preservação da liderança global dos Estados Unidos como objetivo central da política externa, mesmo que isso implique maior disposição para intervenções, confrontos geopolíticos e projeção de força em diferentes regiões do mundo. De outro, os defensores da contenção argumentam que o país deveria reduzir seu envolvimento em conflitos externos, transferir uma parcela maior das responsabilidades de defesa para seus aliados e direcionar recursos para a reconstrução da competitividade econômica, da infraestrutura e da base industrial doméstica.

O desfecho dos conflitos mais recentes, especialmente no Oriente Médio, poderá influenciar diretamente o equilíbrio entre essas correntes. Para os investidores, essa discussão é relevante, porque afeta decisões relacionadas a gastos militares, alianças estratégicas, segurança energética, cadeias globais de suprimentos e, em última instância, a configuração geopolítica que tende a moldar os mercados internacionais ao longo da próxima década. 

· 04:11 — Uma nova ordem mundial

Estamos assistindo à consolidação de uma ordem global cada vez mais tripolar, impulsionada por um volume sem precedentes de investimentos em três frentes estratégicas: inteligência artificial, defesa e transição energética.

Somados, os gastos públicos e privados nessas áreas já se aproximam de US$ 10 trilhões em 2026 e, segundo diversas estimativas, podem alcançar US$ 16 trilhões até o fim da década. Mais do que movimentos isolados, trata-se de uma transformação estrutural que mobiliza simultaneamente Ásia, Europa e Américas, dando forma ao que vem sendo descrito como um novo superciclo global de investimentos.

Nesse ambiente, a geopolítica deixa de atuar apenas como fonte de risco e passa a desempenhar um papel cada vez mais relevante como direcionadora dos fluxos de capital, estimulando investimentos em infraestrutura, tecnologia, energia e segurança nacional. 

Ao mesmo tempo, a mais recente cúpula do G7 evidencia os desafios de coordenação em um mundo progressivamente mais fragmentado. Criado para liderar a resposta das principais economias avançadas a crises globais, o grupo opera hoje em um contexto profundamente diferente daquele que marcou sua origem.

A ascensão da China, o crescimento da Índia e a maior relevância de outras economias emergentes reduziram o peso relativo das nações desenvolvidas na economia mundial, enquanto divergências internas tornaram mais complexa a construção de consensos.

Embora exista convergência em temas como a reabertura do Estreito de Ormuz e a não proliferação nuclear iraniana, persistem diferenças importantes em áreas como comércio internacional, regulação da inteligência artificial, governança da internet, apoio à Ucrânia e o próprio papel dos Estados Unidos na arquitetura global. 

O resultado é um ambiente em que a cooperação internacional continua sendo necessária, mas já não possui a mesma capacidade de coordenação observada nas décadas anteriores. Em vez de uma liderança global claramente definida, emerge uma estrutura mais descentralizada, na qual diferentes blocos econômicos e geopolíticos buscam defender seus próprios interesses, ainda que mantenham espaços pontuais de cooperação.

Para os investidores, essa mudança ajuda a explicar a crescente relevância de temas como defesa, segurança energética, inteligência artificial, infraestrutura estratégica e soberania tecnológica nas decisões de alocação de capital. Em um mundo mais multipolar, os fluxos de investimento tendem a responder não apenas aos fundamentos econômicos tradicionais, mas também às prioridades geopolíticas que moldarão a próxima fase do crescimento global. 

· 05:03 — O estado ‘belicoso’ das coisas 

A parceria entre General Motors e Lockheed Martin reflete uma preocupação crescente dos Estados Unidos com a necessidade de ampliar sua capacidade de produção militar em um cenário geopolítico cada vez mais complexo. A iniciativa busca unir a expertise da Lockheed Martin no desenvolvimento de sistemas de defesa à escala industrial e à eficiência logística da GM, fortalecendo cadeias de suprimentos, ampliando a produção de munições e reduzindo gargalos que há anos preocupam o Pentágono.

O movimento ocorre em meio aos esforços do governo Trump para acelerar a base industrial de defesa, incluindo incentivos à fabricação de mísseis, drones e outros equipamentos estratégicos, além do uso da Lei de Produção de Defesa para expandir a capacidade produtiva do setor. 

Essa preocupação ganhou ainda mais relevância após o conflito com o Irã, que evidenciou o elevado consumo de munições modernas e levantou questionamentos sobre a velocidade de reposição dos estoques americanos em um cenário de tensões prolongadas. Autoridades estimam que a recomposição de determinados sistemas, como mísseis Tomahawk e interceptadores de defesa aérea, pode levar vários anos.

Nesse contexto, cresce a percepção de que será necessário fortalecer a base industrial do país para garantir capacidade de resposta simultânea em diferentes frentes estratégicas, incluindo uma eventual crise envolvendo Taiwan.

Ainda assim, transformar essa ambição em realidade exigirá mais do que capacidade produtiva: dependerá também da aprovação de recursos pelo Congresso e da celebração de contratos de longo prazo que ofereçam previsibilidade suficiente para sustentar os investimentos necessários da indústria. 

Para o investidor, essa tendência continua criando oportunidades em empresas ligadas aos segmentos de defesa, aeroespacial e segurança nacional. ETFs temáticos como o Select STOXX Europe Aerospace & Defense (EUAD), o Global X Defense Tech (SHLD) e o First Trust Indxx Aerospace & Defense (MISL) oferecem formas eficientes de capturar esse movimento por meio de uma exposição diversificada a companhias que se beneficiam do aumento estrutural dos gastos militares.

No mercado brasileiro, alternativas como o BDR do iShares U.S. Aerospace & Defense ETF (BAER39) e o SHLD39 cumprem papel semelhante, permitindo acesso simplificado a essa temática. Ainda assim, como ocorre em qualquer tese setorial, a disciplina de alocação permanece essencial. Exposições individuais entre 1% e 2,5% da carteira, com limite agregado próximo de 5% para o tema, tendem a oferecer um equilíbrio adequado entre potencial de retorno, diversificação e controle de risco, respeitando tanto o caráter estrutural da tese quanto a volatilidade inerente ao setor. 

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Ibovespa hoje: o que esperar da Super Quarta? Veja o que é destaque no dia

17 de Junho de 2026, 10:29

A Super Quarta chegou com expectativa de manutenção dos juros pelo Federal Reserve e possível corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Copom.

Nos Estados Unidos, mais importante do que a decisão em si será a estreia de Kevin Warsh à frente do Fed e os sinais que sua comunicação poderá oferecer sobre os próximos passos da política monetária, em um ambiente ainda marcado por inflação resiliente e divergências crescentes dentro da própria instituição.

Enquanto isso, os mercados globais operam em tom moderadamente positivo: as bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em alta, impulsionadas pelo bom desempenho do setor de tecnologia e pela força das exportações japonesas ligadas à inteligência artificial, ao mesmo tempo em que os investidores continuam monitorando os desdobramentos do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã.

Na Europa e nos Estados Unidos, os ativos financeiros seguem em compasso de espera, com movimentos relativamente contidos em ações, moedas e commodities, refletindo a percepção de que o foco do mercado está gradualmente migrando da geopolítica para a política monetária, que volta a assumir o papel de principal vetor para os mercados globais nos próximos meses.

· 00:51 — Com cautela para os próximos passos

O mercado brasileiro atravessou mais uma sessão marcada por cautela, com o Ibovespa registrando sua terceira queda consecutiva, pressionado por uma combinação de fatores externos e domésticos. De um lado, o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã provocou uma forte correção nos preços do petróleo, afetando diretamente empresas ligadas ao setor de energia.

De outro, a divulgação de novas pesquisas eleitorais reacendeu preocupações em relação à trajetória fiscal dos próximos anos, contribuindo para a alta do dólar e para a manutenção de um fluxo estrangeiro mais contido.

Em paralelo, os indicadores de atividade começaram a sinalizar uma perda de fôlego da economia, com vendas no varejo significativamente abaixo das expectativas e revisões negativas para os meses anteriores, reforçando a percepção de um segundo trimestre menos dinâmico para o crescimento brasileiro.

Embora a leitura geral da atividade ainda apresente sinais mistos, os dados mais recentes caminham na direção de uma desaceleração gradual. Nesse contexto, os investidores acompanharam com atenção a divulgação do IBC-Br de abril, considerado uma prévia do PIB. O indicador também veio abaixo do esperado, corroborando a fraqueza observada no varejo e fortalecendo a leitura de moderação da atividade econômica.

Com isso, as atenções se voltam integralmente para a decisão de política monetária desta Super Quarta. O cenário-base do mercado continua sendo de um último corte de 0,25 ponto percentual na Selic, para 14,25% ao ano.

Ainda assim, o foco não está na decisão em si, mas na mensagem que acompanhará o comunicado. Cresce a avaliação de que o Banco Central deverá sinalizar uma pausa no ciclo de flexibilização, diante da inflação ainda pressionada, das incertezas fiscais e da necessidade de preservar a credibilidade do processo de convergência inflacionária.

Assim como ocorre nos Estados Unidos, a discussão deixou de ser apenas sobre o próximo movimento de juros e passou a se concentrar na trajetória da política monetária nos próximos trimestres. Em ambos os casos, a mensagem parece convergir para um ambiente de maior prudência, com juros elevados por mais tempo e espaço cada vez mais limitado para cortes rápidos ou previamente contratados.

· 01:47 — O mistério do tom de Warsh

Os mercados adotaram uma postura de cautela antes da primeira decisão de política monetária do Federal Reserve sob a liderança de Kevin Warsh. Embora o Dow Jones tenha renovado máximas históricas ao ultrapassar os 52 mil pontos pela primeira vez, o desempenho mais fraco do setor de tecnologia pressionou o Nasdaq e o S&P 500, evidenciando um ambiente de maior seletividade entre os ativos.

A sessão foi marcada por indicadores econômicos com sinais mistos, incluindo enfraquecimento da atividade imobiliária e aceleração dos preços de importação, enquanto os investidores aguardavam os números de vendas no varejo em busca de uma leitura mais clara sobre a força do consumo americano. A atenção se concentra especialmente na capacidade das famílias de sustentar os gastos em um contexto de inflação ainda elevada e menor impulso proveniente dos reembolsos tributários.

Mais do que a decisão sobre os juros, amplamente esperada como uma manutenção da taxa básica na faixa entre 3,50% e 3,75% ao ano, o mercado está concentrado na comunicação do Fed e na estreia de Warsh à frente da instituição.

Investidores buscam compreender como o novo presidente avalia o equilíbrio entre crescimento, mercado de trabalho e inflação após um período marcado por choques energéticos e pressões persistentes sobre os preços. A expectativa predominante é de que o banco central adote uma postura mais cautelosa, reduzindo qualquer sinalização implícita de cortes iminentes.

As projeções econômicas atualizadas também serão acompanhadas de perto, com possibilidade de revisões altistas para a inflação e de uma trajetória de juros mais elevada por um período prolongado. Nesse contexto, o gráfico de pontos (dot plot) poderá reforçar a percepção de que o comitê segue mais preocupado com os riscos inflacionários do que com uma eventual desaceleração da atividade.

Ao mesmo tempo, os acontecimentos recentes trouxeram novos elementos para essa discussão. A queda do petróleo após o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã reduziu parte das pressões inflacionárias de curto prazo, oferecendo maior flexibilidade ao Fed justamente na primeira coletiva de imprensa de Warsh.

Isso reduz a necessidade de uma postura excessivamente dura para demonstrar independência em relação à Casa Branca, embora a inflação subjacente continue acima do nível considerado compatível com a meta. Por isso, o mercado acompanhará atentamente qualquer sinal sobre a função de reação do novo presidente, suas prioridades para a condução da política monetária e possíveis mudanças na forma de comunicação da instituição nos próximos meses.

Embora o cenário-base continue apontando para juros estáveis ao longo de 2026, os desdobramentos recentes sugerem que o balanço de riscos se tornou menos problemático, abrindo espaço para ajustes caso a inflação volte a ceder e a atividade econômica perca força de maneira mais consistente.

· 02:33 — O que está na mesa?

O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã ganhou contornos mais concretos com a divulgação de uma minuta de entendimento com 14 pontos que prevê o encerramento imediato e permanente das hostilidades, a reabertura gradual do Estreito de Ormuz em até 30 dias e o início de negociações para um acordo definitivo no prazo máximo de 60 dias, entre outras coisas.

Pelo texto, a normalização da navegação estaria condicionada à remoção de minas e de outros obstáculos impostos pelo Irã. Em contrapartida, Washington se comprometeria a conceder autorizações imediatas para exportações iranianas de petróleo, petroquímicos e serviços associados, incluindo operações bancárias, seguros e transporte, além de promover a liberação progressiva de ativos congelados e apoiar um amplo programa de reconstrução econômica estimado em pelo menos US$ 300 bilhões.

Na frente nuclear, Teerã reafirmaria o compromisso de não desenvolver armas nucleares, enquanto ambos os lados preservariam o status quo até a conclusão de um acordo definitivo, evitando novos avanços nucleares, sanções adicionais ou escaladas militares.

A perspectiva de um entendimento já produz efeitos relevantes nos mercados globais. O petróleo Brent acumulou forte queda nos últimos dias, negociando abaixo de US$ 80 por barril, à medida que os investidores passaram a incorporar a expectativa de uma normalização gradual dos fluxos energéticos pelo Golfo Pérsico.

A perspectiva de maior oferta e de menor risco de interrupções no abastecimento contribuiu para aliviar preocupações inflacionárias e deslocou novamente o foco dos mercados para as decisões dos bancos centrais, especialmente do Federal Reserve, em sua primeira reunião sob a presidência de Kevin Warsh. Ao mesmo tempo, o acordo pode alterar importantes dinâmicas geopolíticas.

A Rússia, que vinha sendo favorecida pelos preços mais elevados do petróleo e pelo fortalecimento de suas exportações durante o conflito, tende a enfrentar um ambiente menos favorável a partir de agora caso a oferta global aumente gradualmente e os preços da commodity permaneçam pressionados.

Apesar da melhora do sentimento dos investidores, a experiência recente recomenda cautela em relação à velocidade de normalização. O Estreito de Bab el-Mandeb, no Mar Vermelho, oferece uma referência útil. Mesmo após o anúncio de um cessar-fogo em 2025, o fluxo de embarcações permaneceu significativamente abaixo dos níveis observados antes dos ataques dos Houthis, refletindo preocupações persistentes relacionadas à segurança, aos seguros marítimos e à previsibilidade operacional.

Em Ormuz, o processo pode seguir dinâmica semelhante. Embora os fluxos de petróleo já viessem apresentando sinais de recuperação antes mesmo do anúncio do acordo, a normalização da cadeia física de abastecimento envolve muito mais do que a simples reabertura da rota marítima. A reorganização logística de portos, refinarias, estoques, contratos de transporte e coberturas securitárias tende a ocorrer de forma gradual. Assim, embora a assinatura do acordo represente um importante catalisador para a redução dos prêmios de risco geopolítico, a normalização efetiva do mercado de energia provavelmente ocorrerá em um ritmo mais lento e complexo.

· 03:25 — Dominância energética

A política externa de Donald Trump tem sido cada vez mais orientada pela busca da chamada dominância energética americana, estratégia que combina interesses geopolíticos e econômicos ao tentar ampliar a oferta global de petróleo sob influência dos Estados Unidos.

Após iniciativas voltadas à Venezuela e ao Irã, Washington passou a dedicar maior atenção à Líbia, apostando que uma eventual estabilização política do país poderá destravar o potencial das maiores reservas de petróleo da África e elevar a produção dos atuais 1,3 milhão para cerca de 2 milhões de barris por dia.

O movimento já tem atraído grandes petroleiras americanas, como ConocoPhillips, Chevron e Exxon Mobil, mas enfrenta obstáculos relevantes, incluindo a fragmentação política, a atuação de grupos armados e a influência de potências estrangeiras sobre diferentes regiões do país. Ao mesmo tempo, essa estratégia baseada na expansão da produção de combustíveis fósseis contrasta com a abordagem chinesa, que segue ampliando seus investimentos em energia renovável.

No fim, a própria tentativa americana de estabilizar regiões produtoras evidencia uma realidade recorrente: embora o petróleo continue sendo uma ferramenta central de poder econômico e geopolítico, sua produção e circulação permanecem profundamente condicionadas por fatores políticos que dificilmente podem ser controlados por uma única potência.

· 04:12 — Desafios indianos

A Índia se vê diante de um desafio macroeconômico cada vez mais delicado. A combinação entre saída de capital estrangeiro, deterioração do déficit comercial após o choque energético associado ao conflito com o Irã, pressão sobre a rupia e redução das reservas internacionais reacendeu o debate sobre quais instrumentos o governo e o banco central deverão utilizar para evitar uma deterioração mais ampla do quadro cambial.

Parte do mercado defende a retomada de medidas adotadas em momentos anteriores de estresse, como a captação de recursos em moeda forte por meio dos bancos estatais e da diáspora indiana. No entanto, o ambiente atual é substancialmente diferente daquele observado em 2013.

Com os juros americanos em patamares muito mais elevados, atrair capital externo exige remunerações significativamente maiores, tornando a estratégia mais onerosa tanto para os investidores quanto para as instituições responsáveis pela captação.

Além disso, soluções que funcionaram no passado hoje carregam custos financeiros e políticos mais relevantes. Em 2013, o Banco Central da Índia absorveu parte do risco cambial para incentivar os bancos a captar recursos no exterior, reduzindo a exposição dessas instituições à desvalorização da moeda local. Repetir uma iniciativa semelhante agora poderia expor o balanço da autoridade monetária a perdas expressivas caso a rupia continue enfraquecendo.

Há também uma diferença importante no contexto político. Ao contrário do governo de então, que se aproximava do fim de seu mandato, a administração de Narendra Modi opera com um horizonte de longo prazo e tende a demonstrar maior cautela na adoção de medidas que possam gerar custos significativos no futuro. Nesse cenário, cresce a percepção de que alternativas mais convencionais, como a elevação dos juros, podem voltar ao centro das discussões como forma de estabilizar a moeda e restaurar a confiança.

O problema é que nenhuma das opções disponíveis parece confortável. Embora a inflação permaneça relativamente controlada, em torno de 3,5%, o mercado teme que a combinação entre uma moeda mais fraca, custos energéticos mais elevados e a continuidade da saída de capital acabe contaminando as expectativas econômicas.

Diante desse quadro, as autoridades indianas podem ser obrigadas a combinar juros mais altos, incentivos fiscais e outras medidas de estabilização para evitar uma desvalorização mais intensa da rupia. Em última análise, a Índia continua exibindo fundamentos estruturais favoráveis e perspectivas de crescimento robustas no longo prazo, mas enfrenta, no curto prazo, um importante teste de credibilidade econômica e capacidade de gestão em um ambiente global cada vez mais desafiador.

· 04:59 — Depois da correção, o ouro volta ao radar

A percepção dos investidores sobre os principais riscos para os mercados vem passando por uma mudança gradual. Embora a possibilidade de uma nova rodada inflacionária continue sendo vista como uma ameaça mais relevante do que um eventual excesso de otimismo em torno da inteligência artificial, a distância entre esses dois fatores diminuiu de forma significativa nos últimos meses.

Curiosamente, parte dos defensores da tese de IA, entre eles Kevin Warsh, novo presidente do Federal Reserve, argumenta que os ganhos de produtividade proporcionados pela tecnologia poderão exercer uma pressão desinflacionária relevante ao longo do tempo. Nesse contexto, a combinação entre avanços tecnológicos e a redução das tensões geopolíticas no Oriente Médio, após o acordo para a reabertura do Estreito de Ormuz, começa a favorecer uma reavaliação de ativos como o ouro.

Depois de ter sido apontado como uma das posições mais consensuais do mercado no início do ano, o metal atravessou uma correção expressiva e hoje parece negociar em níveis mais próximos de seu valor de equilíbrio, voltando a despertar interesse entre investidores.

A correção do ouro foi provocada, sobretudo, pela forte reprecificação das expectativas para a política monetária americana. Dados econômicos mais robustos, um mercado de trabalho resiliente e uma inflação persistentemente elevada, principalmente depois da alta dos preços de energia, levaram os investidores a reduzir as apostas em cortes rápidos de juros pelo Federal Reserve.

Após atingir a máxima histórica de US$ 5.595 por onça ao fim de janeiro, o metal acumulou uma queda próxima de 25% até o início de junho. O movimento foi intensificado por investidores sistemáticos e estratégias quantitativas que carregavam posições compradas relevantes após a forte valorização observada anteriormente.

Ainda assim, a correção contribuiu para tornar o posicionamento técnico do mercado significativamente mais saudável. Com a formalização do acordo entre Estados Unidos e Irã e a possibilidade de uma postura monetária não tão dura nos próximos trimestres, cresce a percepção de que o ouro pode voltar a encontrar suporte, especialmente diante da expressiva correção observada nas ações de empresas ligadas à mineração aurífera.

Mais importante do que os movimentos de curto prazo, os fundamentos estruturais da tese permanecem preservados. Os bancos centrais continuam desempenhando o papel de comprador marginal relevante, respondendo atualmente por cerca de 20% da demanda global pelo metal. Apenas no primeiro trimestre de 2026, as compras líquidas do setor oficial alcançaram 244 toneladas, bem acima da média histórica.

China, Polônia e Turquia seguem ampliando suas reservas, enquanto o Conselho Mundial do Ouro projeta uma demanda oficial entre 700 e 900 toneladas ao longo deste ano. Por trás desse movimento está uma tendência mais ampla de diversificação das reservas internacionais e redução da dependência do dólar, processo que ganhou força após o congelamento de aproximadamente US$ 300 bilhões em reservas russas.

Essa demanda estrutural continua oferecendo um importante suporte de longo prazo para o ouro, especialmente em economias emergentes que ainda mantêm uma participação baixa do metal em suas reservas. Nesse contexto, o ouro segue tendo um papel relevante dentro de portfólios, funcionando como instrumento de proteção, preservação de capital e mitigação de riscos em períodos de maior incerteza.

Em termos de alocação, posições entre 2,5% e 5% do portfólio costumam ser suficientes para que o ouro cumpra sua função de diversificação e proteção sem comprometer o equilíbrio da carteira. Para investidores com acesso ao mercado internacional, ETFs como o iShares Gold Trust (IAU) oferecem uma forma simples e líquida de obter exposição direta ao metal.

No Brasil, alternativas como o ETF BTG Pactual B3 Ouro (GOLB11) desempenham papel semelhante. Já os fundos de ouro dolarizados, sem proteção cambial (hedge), adicionam uma camada adicional de defesa ao combinar a exposição ao metal com uma proteção natural contra eventuais episódios de desvalorização do real. Independentemente do veículo escolhido, a lógica permanece: utilizar o ouro como um instrumento complementar dentro de uma estratégia diversificada, respeitando o tamanho adequado da posição e buscando um equilíbrio entre proteção, liquidez e potencial de geração de retorno no tempo.

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Ibovespa hoje: Brasil vai ficar ‘para trás’ enquanto mercados globais respiram com acordo entre EUA e Irã? Veja destaques

16 de Junho de 2026, 10:01

O alívio geopolítico proporcionado pelo acordo entre Estados Unidos e Irã favoreceu os ativos globais e pressionou os preços do petróleo, mas esse movimento não se refletiu integralmente no mercado brasileiro. A bolsa permaneceu sob pressão e o fluxo de capital estrangeiro segue negativo, em meio à deterioração dos fundamentos.

Na Ásia, o desempenho foi misto: o mercado japonês avançou após o Banco do Japão elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível em mais de três décadas, consolidando a transição para uma política monetária menos expansionista. China e Hong Kong, por outro lado, recuaram depois que os dados de maio evidenciaram fraqueza no consumo, no investimento e no setor imobiliário.

Na Europa, as bolsas mantiveram o tom positivo, apoiadas pela queda do petróleo, pela expectativa de formalização do acordo e por indicadores econômicos mais favoráveis na Alemanha.

· 00:57 — Não estamos no melhor dos ambientes, apesar da melhora externa

Ontem, o Ibovespa recuou 0,42%, aos 170.415 pontos, pressionado pela Petrobras e por outras empresas do setor de petróleo após o acordo entre Estados Unidos e Irã provocar uma forte queda da commodity. Com isso, o índice destoou das bolsas de Nova York, que avançaram em meio à redução dos riscos inflacionários globais, enquanto o dólar encerrou o pregão próximo da estabilidade, cotado a R$ 5,06.

Como a pressão esteve concentrada em um setor com peso relevante na composição do índice, o desempenho das ações foi bastante heterogêneo. Apesar do alívio externo, o mercado local continua pressionado pela saída de capital estrangeiro e pela abertura da curva de juros, movimento que levou o múltiplo do Ibovespa ao menor nível desde agosto de 2025.

O acordo reforçou a expectativa de que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,50% para 14,25%, mas não altera a percepção de que o ciclo deverá ser interrompido diante da desancoragem das expectativas. A pesquisa Focus mostrou nova deterioração do cenário, com elevação das projeções para inflação e juros e revisão para baixo do crescimento de 2027: a estimativa para a Selic no fim de 2026 subiu para 13,75%, enquanto a projeção para o IPCA de 2027 avançou para 4,10%, bem acima da meta de 3%.

Há, contudo, uma aparente inconsistência nesse movimento. Se o mercado já espera que a Selic recue menos, por que as expectativas de inflação e de câmbio continuam piorando? Essa combinação parece incorporar, ainda que implicitamente, o risco de perda de credibilidade da autoridade monetária. Isso é grave. Por isso, a atenção deve se concentrar na comunicação do Copom, que tende a adotar um tom mais cauteloso para tentar reancorar as expectativas e reconhecer que o espaço para novos cortes se tornou bastante estreito.

· 01:48 — Trump prioriza legado e controle do partido antes das eleições de 2026

Donald Trump demonstra uma preocupação menor do que o esperado com as eleições de meio de mandato de 2026, apesar de ainda estar naturalmente atento a elas, em parte porque governa sobretudo por meio de ações executivas e já conseguiu aprovar no Congresso suas principais prioridades legislativas, entre elas a “Big Beautiful Bill” e um novo pacote de US$ 70 bilhões destinado à política migratória.

No fim do dia, o presidente americano parece priorizar a consolidação de seu domínio sobre o Partido Republicano e a construção de seu legado, mesmo quando o apoio a candidatos mais arriscados pode reduzir as chances eleitorais da própria legenda.

Embora Trump continue exercendo influência decisiva sobre as campanhas republicanas, graças à força que mantém entre os eleitores do partido, uma eventual perda do controle do Congresso parece ter menos peso em sua estratégia do que teria para um presidente convencional.

Ao mesmo tempo, senadores republicanos que deixarão seus cargos, como Bill Cassidy, John Cornyn e Thom Tillis, podem adotar posições mais independentes, já que não precisam mais preservar capital político para disputar um novo mandato, abrindo espaço para eventuais rupturas dentro do partido.

· 02:35 — BoJ eleva juros, mas sinaliza cautela nos próximos passos

O mercado japonês atingiu novas máximas após o Banco do Japão elevar a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 1%, o maior nível desde 1995. A decisão, aprovada por sete votos a um, refletiu a persistência da inflação, a fraqueza do iene e o impacto dos custos de energia sobre os preços domésticos. Embora o acordo entre Estados Unidos e Irã tenha reduzido parte da pressão sobre o petróleo, a energia ainda permanece cara para os padrões japoneses, enquanto a desvalorização cambial encarece as importações.

Como comentei ontem, o legado da crise já está aqui conosco. O BoJ indicou que continuará retirando gradualmente os estímulos, mas a mudança no comunicado sugere que a política monetária já se encontra mais próxima de uma condição neutra, reduzindo o espaço para elevações muito mais agressivas dos juros.

O banco central também confirmou a redução gradual das compras de títulos públicos até abril de 2027, processo conhecido como aperto quantitativo, mas ressaltou que poderá ampliar novamente essas aquisições caso os juros de longo prazo subam de forma desordenada. A comunicação preservou a possibilidade de novas altas, ainda que sem transmitir urgência, e reforçou que o câmbio continuará sendo acompanhado de perto por seu impacto sobre a inflação.

A decisão contribuiu para que o Nikkei alcançasse um novo recorde, enquanto as bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan avançaram, impulsionadas pelo setor de semicondutores. Na China e em Hong Kong, por outro lado, o desempenho foi mais fraco, diante da desaceleração do consumo, da persistência das incertezas econômicas e da queda das ações de tecnologia.

· 03:26 — Aguardando as próximas etapas

Como conversamos ontem, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã deve ser formalizado na sexta-feira, em Genebra, estabelecendo uma trégua inicial de 60 dias, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano. O entendimento procura resolver, em grande medida, problemas que surgiram após Donald Trump abandonar o acordo nuclear de 2015, entre eles o avanço do estoque iraniano de urânio enriquecido e o fechamento de Ormuz durante a guerra.

Ao mesmo tempo, o novo memorando parece exigir concessões mais amplas em troca de um acordo nuclear potencialmente mais limitado, reforçando a percepção de que o Irã descobriu sua capacidade de pressionar a economia global por meio do controle de uma rota essencial para o comércio.

A confirmação do acordo reduziu os prêmios de risco e levou o Brent a US$ 80 por barril. O mercado passou a tratar a reabertura de Ormuz como cenário-base, embora a normalização deva ocorrer de forma gradual, condicionada às operações de desminagem da região, à segurança operacional da rota e à recuperação da confiança dos armadores. Também persistem dúvidas sobre sanções, possíveis taxas de navegação, ativos iranianos e os termos da agenda nuclear.

Assim, embora se projete no mercado uma acomodação adicional dos preços do petróleo, muitos consideram improvável um retorno rápido a patamares inferiores a US$ 70. A sustentação do otimismo dependerá, portanto, da capacidade de Washington e Teerã de avançar nas negociações e impedir que tensões paralelas comprometam a trégua.

· 04:12 — O que está rolando no G7?

A cúpula do G7, realizada em Évian-les-Bains sob a liderança de Emmanuel Macron, reúne uma agenda marcada por tensões diplomáticas, segurança internacional e comércio. O presidente francês busca reduzir divergências entre os membros, embora persistam atritos com os Estados Unidos em temas como mudanças climáticas, OTAN e Groenlândia. A guerra na Ucrânia divide as atenções com o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz. Trump demonstrou otimismo após conversas com Vladimir Putin e Volodymyr Zelenskyy, enquanto líderes europeus devem pressioná-lo a manter o apoio a Kiev. No Oriente Médio, os europeus adotam maior cautela quanto ao cronograma de normalização de Ormuz e defendem operações de vigilância, segurança marítima e desminagem.

O encontro também evidenciou divergências econômicas entre os aliados. A proposta americana de criar um bloco de minerais críticos, baseado em preços mínimos, subsídios e compras garantidas para reduzir a dependência da China, enfrenta resistência por dúvidas sobre custos, governança e critérios de precificação.

À margem da cúpula, Lula e Macron discutiram cooperação em defesa, projetos entre o Amapá e a Guiana Francesa, tecnologia e apoio francês à aquisição de supercomputadores. As novas barreiras comerciais dos Estados Unidos também entraram na pauta, pois, segundo a CNI, podem elevar para 37,5% as tarifas sobre mais de 30% das exportações brasileiras ao mercado americano, afetando setores como ferro gusa, açúcar, etanol e derivados de madeira.

· 05:04 — Majorana 2: o salto quântico da Microsoft rumo a 2029

Na Microsoft Build, a Microsoft apresentou o Majorana 2 e antecipou para 2029 sua meta de desenvolver um computador quântico escalável, reduzindo pela metade o prazo anteriormente considerado internamente. O novo chip representa uma evolução do Majorana 1, lançado em 2025, e segue baseado em qubits topológicos, uma arquitetura desenhada para proteger melhor a informação quântica contra interferências.

A principal mudança está na substituição do alumínio por chumbo, material que melhora o isolamento externo e amplia de forma expressiva a estabilidade dos qubits: enquanto no Majorana 1 a vida útil variava entre 1 e 12 milissegundos, no Majorana 2 a média supera 20 segundos, com casos acima de um minuto. Esse avanço reduz a necessidade de correção de erros, melhora a precisão dos cálculos e pode diminuir os custos computacionais associados ao desenvolvimento de sistemas quânticos comercialmente viáveis.

Um ponto relevante é que parte do avanço foi acelerada pelo uso de inteligência artificial na simulação de materiais, encurtando processos de pesquisa que tradicionalmente levariam semanas ou meses. Para além do ganho tecnológico da própria Microsoft, o Majorana 2 reforça o potencial da computação quântica em áreas como desenvolvimento de medicamentos, novos materiais, logística e aplicações financeiras, especialmente se combinado à inteligência artificial.

Assim, embora a tese da companhia siga ancorada em Azure, produtividade com Copilot e monetização de IA, o Majorana 2 acrescenta uma nova vertical de inovação de longo prazo, com potencial para ampliar o posicionamento estratégico da Microsoft na próxima década.

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Ibovespa abre semana de Copom reagindo a acordo EUA-Irã, mas o estrago já está feito; o que esperar do mercado nesta segunda-feira?

15 de Junho de 2026, 10:31

Os Estados Unidos e o Irã anunciaram um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar um período de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com assinatura formal prevista para sexta-feira, na Suíça. O entendimento, mediado pelo Paquistão, foi confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas.

O acordo prevê a remoção do bloqueio naval americano, a reabertura gradual da principal rota energética do Oriente Médio e o compromisso de cessação das operações militares, inclusive no Líbano. Apesar do alívio, pontos sensíveis ainda permanecem em aberto: o texto completo não foi divulgado, a extensão dos danos à infraestrutura petrolífera segue incerta, a retomada da navegação pode ocorrer gradualmente e ainda veremos novos focos de tensão.

A reação dos mercados foi positiva, com alta das bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, queda do petróleo, recuo do dólar e recuperação dos ativos de risco, refletindo a redução do temor de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz.

O acordo também devolve protagonismo aos bancos centrais em uma semana marcada pela reunião do Federal Reserve, a primeira sob o comando de Kevin Warsh, além das decisões do Banco do Japão e do Banco da Inglaterra, e pela cúpula do G7 na França, com a participação de Trump e Lula. Ainda assim, o alívio geopolítico não elimina os desafios inflacionários.

Christine Lagarde alertou que os preços elevados de energia já começam a se transmitir para outras partes da economia europeia, enquanto investidores seguem atentos ao risco de efeitos secundários sobre salários, inflação subjacente e política monetária. Em suma, o acordo reduz um importante risco energético global, mas o estrago da crise que vivemos já foi feito.

· 00:51 — Alívio para quem?

No Brasil, o alívio externo trazido pelo acordo entre Estados Unidos e Irã ajuda a reduzir um importante risco inflacionário global, especialmente ao aliviar as pressões sobre o petróleo e abrir espaço para alguma queda dos prêmios de risco na curva de juros e nos ativos domésticos. Ainda assim, esse alívio chega em um momento delicado para o Copom.

O IPCA de maio desacelerou para 0,58%, mas ficou acima do esperado, com a surpresa concentrada principalmente em preços administrados, em razão de uma deflação menos intensa da gasolina, e em alimentos. A composição qualitativa trouxe algum alívio nos serviços subjacentes, mas os núcleos seguem em patamar desconfortável. Nesse contexto, as projeções permanecem pressionadas, com inflação esperada de 5,3% neste ano e 4,1% em 2027, ambas com viés altista.

Diante desse quadro, a decisão do Copom ganha relevância especial. O mercado segue dividido entre a manutenção da Selic em 14,50% ao ano e um corte adicional de 0,25 ponto percentual, embora eu ainda acredite que ele vá cortar. O comunicado será importante para calibrar as expectativas, já que o alívio externo melhora o ambiente, mas não resolve os problemas domésticos relacionados à inflação resistente, às expectativas deterioradas e à atividade ainda resiliente.

Além da decisão de juros, a semana também traz dados relevantes, as vendas no varejo de abril (amanhã) e o IBC-Br (quarta-feira). No campo político-institucional, investidores acompanharão a pauta do Senado, com temas como a PEC da segurança, minerais críticos e a PEC da escala 6×1. Em suma, o acordo externo ajuda, mas o cenário local ainda exige cautela.

· 01:43 — Fim das hostilidades

Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo provisório para encerrar as hostilidades, reabrir o Estreito de Ormuz e iniciar uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano, com assinatura formal prevista para sexta-feira, na Suíça.

O entendimento, mediado pelo Paquistão e confirmado por Donald Trump e por autoridades iranianas, prevê o fim dos bloqueios na região, a retomada gradual do fluxo de petróleo, algum alívio nas sanções ligadas às exportações iranianas e o compromisso de ambas as partes de não realizar novos ataques. A reabertura plena do estreito, contudo, só deve ocorrer após a assinatura do acordo e a conclusão das operações de remoção de minas, o que pode levar algum tempo (até dois meses).

Seja como for, a reação dos mercados foi fortemente positiva, com valorização dos ativos de risco, queda do dólar e recuo expressivo do petróleo, refletindo o alívio diante da possibilidade de normalização de uma das rotas energéticas mais importantes do mundo. Ainda assim, o acordo exige cautela. O texto completo não foi divulgado, pontos centrais permanecem indefinidos, como o futuro do programa nuclear iraniano e os incentivos econômicos a Teerã, e já existem divergências nas interpretações iniciais de cada lado.

Além disso, Israel ficou fora das negociações e continua sendo visto como uma possível fonte de instabilidade para a consolidação da trégua. Em suma, o avanço diplomático reduz de maneira relevante o risco de um choque energético global, mas a implementação prática do acordo será decisiva para determinar se o alívio observado nos mercados terá sustentação.

· 02:34 — Uma chegada difícil

A chegada de Kevin Warsh à presidência do Federal Reserve ocorre em um ambiente muito menos confortável do que se imaginava. Assim como outros presidentes do Fed herdaram choques inesperados, de Alan Greenspan, com a Segunda-Feira Negra, a Ben Bernanke, com a bolha imobiliária, Warsh assume o comando em meio a uma nova rodada de riscos inflacionários, impulsionada pela guerra, pelos preços de energia, pelas tarifas e por uma economia americana ainda resiliente.

Embora Donald Trump tenha uma preferência clara por juros mais baixos, as condições que permitiram a Jay Powell iniciar um ciclo de afrouxamento monetário parecem ter desaparecido. A combinação entre inflação persistente e mercado de trabalho mais firme elevou as expectativas de inflação e reduziu a margem para cortes rápidos, levando o mercado a esperar uma postura mais cautelosa do novo comando do Fed.

Ainda assim, o acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, caso seja confirmado e implementado, melhora o pano de fundo para a política monetária ao reduzir o risco de uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz e de uma nova disparada do petróleo. Isso não deve alterar a decisão imediata do Fed, que deve manter os juros inalterados em junho, mas ajuda a remover uma fonte relevante de incerteza para os próximos meses.

O mercado acompanhará com atenção o tom da primeira reunião sob Warsh, especialmente o gráfico de pontos, que mostra as projeções dos dirigentes para a trajetória dos juros, e a sinalização sobre possíveis cortes ainda neste ano.

· 03:27 — Trilionário

Elon Musk entrou em uma categoria inédita de riqueza ao se tornar o primeiro trilionário do mundo, impulsionado pela forte valorização de uma de suas companhias na estreia em bolsa. Segundo as estimativas citadas, sua fortuna chegou a cerca de US$ 1,1 trilhão, após um ganho de aproximadamente US$ 274 bilhões em apenas uma semana e de US$ 351 bilhões no acumulado do ano.

Com isso, Musk passou a figurar em um patamar muito acima dos demais bilionários globais, tornando-se mais de três vezes mais rico que Larry Page, quase quatro vezes mais rico que Jeff Bezos e cerca de dez vezes mais rico que Bill Gates. Embora grande parte desse patrimônio esteja concentrada em participações acionárias e, portanto, sujeita à volatilidade do mercado, o episódio reforça o tamanho da influência de Musk sobre tecnologia, mercados e formação de riqueza no capitalismo contemporâneo.

· 04:17 — Acesso suspenso

A Anthropic suspendeu o acesso aos seus modelos de inteligência artificial mais avançados, incluindo Mythos 5 e Fable 5, após uma ordem inédita do governo Trump para impedir que a tecnologia fosse acessada por cidadãos estrangeiros. A medida gerou forte preocupação no setor, tanto por seu caráter excepcional quanto pelas possíveis implicações constitucionais, comerciais e operacionais.

A Casa Branca teria dado à empresa um prazo de apenas 90 minutos para retirar os modelos do ar; diante do não cumprimento, impôs controles de exportação que forçaram a suspensão. A Anthropic classificou a resposta como desproporcional e alertou que uma abordagem semelhante poderia comprometer novas implementações de modelos avançados.

O episódio também expôs a crescente tensão entre segurança nacional, liderança tecnológica e concentração do mercado de IA. A decisão ocorreu justamente em um momento em que grandes startups do setor, incluindo a própria Anthropic, avaliada em mais de US$ 900 bilhões, se preparam para acessar o mercado de capitais.

A discussão ganhou ainda mais relevância após relatos de que Andy Jassy, CEO da Amazon, teria levantado preocupações sobre a possibilidade de o modelo Fable ser “desbloqueado” e usado sem restrições, embora a Anthropic tenha afirmado que nenhum testador encontrou uma forma universal de contornar suas proteções.

· 05:02 — Avanços importantes, mas ainda à espera de confirmação

As notícias recentes envolvendo Raízen e Rumo sugerem avanços importantes na agenda de simplificação da Cosan, ainda que o processo continue exigindo acompanhamento. Na Rumo, a possível venda de uma participação minoritária aparece em um momento operacional mais favorável, com melhora de volumes e resultados, e pode representar uma fonte adicional de liquidez para a holding.

Na Raízen, os movimentos foram mais concretos: a venda da operação de refino e distribuição na Argentina por US$ 1,4 bilhão deve gerar entre US$ 900 milhões e US$ 1 bilhão de caixa líquido, além de retirar dívidas associadas ao ativo do balanço consolidado. Em paralelo, a companhia deve avançar em uma recuperação extrajudicial envolvendo aproximadamente R$ 66 bilhões em dívidas, com conversão relevante de dívida em ações e aporte de cerca de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell e R$ 500 milhões da Aguassanta.

Embora a operação possa reduzir de forma significativa a participação da Cosan na Raízen, o ponto central é que a subsidiária tende a sair desse processo com uma estrutura de capital mais saudável, menor despesa financeira e melhores condições para focar na recuperação operacional. Em nossa visão, os movimentos caminham na direção correta, pois ajudam a reduzir incertezas, fortalecem o balanço das subsidiárias e diminuem o risco de novos aportes relevantes por parte da holding.

Ainda há etapas importantes a serem confirmadas, e o cenário macroeconômico segue pesando sobre as ações, mas a combinação entre venda de ativos, reforço de liquidez, redução de despesas, IPO da Compass e avanço na reestruturação da Raízen indica que a Cosan começa a construir um ambiente mais favorável do que aquele observado nos últimos meses.

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Ibovespa hoje: Trump cancela ataques ao Irã, IPCA de maio e mais destaques desta sexta (12)

12 de Junho de 2026, 10:58

Os mercados globais iniciam a sexta-feira (12) em tom mais favorável, após Donald Trump anunciar o cancelamento de novos ataques contra o Irã e sinalizar avanços relevantes nas negociações para um possível acordo de paz. Embora ainda existam dúvidas sobre a adesão definitiva de Teerã, relatos indicam que as conversas avançaram de forma significativa, incluindo propostas para a reabertura do Estreito de Ormuz, alívio de sanções e redução das tensões na região.

Vale lembrar que, apesar da animação, estamos na trigésima-nona vez que a Casa Branca promete estar perto de algum entendimento (não é hipérbole). Ainda assim, a possibilidade de uma solução diplomática impulsionou os ativos de risco ao redor do mundo, favorecendo bolsas na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que provocou uma queda expressiva do petróleo.

O Brent recuou para a região de US$ 87 por barril, refletindo a expectativa de normalização gradual do fluxo global de energia. No campo macroeconômico, as atenções continuam concentradas na inflação e na política monetária. No Brasil, o foco do mercado se volta para a divulgação do IPCA de maio.  

· 00:53 — Problema inflacionário 

O mercado brasileiro acompanhou a melhora do humor global e registrou uma forte recuperação na quinta-feira (11). O Ibovespa avançou 1,71%, encerrando o pregão aos 171.497 pontos, recuperando parte das perdas recentes e alcançando o maior nível de fechamento desde o início de junho.

O dólar, por sua vez, recuou 1,37%, para R$ 5,10, refletindo o aumento do apetite por risco após Donald Trump sinalizar a possibilidade de um acordo de paz no Oriente Médio. No entanto, o foco dos investidores rapidamente migrou para a divulgação do IPCA de maio, que acabou trazendo um sinal menos favorável do que o esperado. Embora a inflação tenha desacelerado na margem, passando de 0,67% em abril para 0,58% em maio, o resultado ficou acima da mediana das projeções de mercado, que apontava para alta de 0,53%. 

A composição do dado também reforçou a necessidade de cautela. Em 12 meses, a inflação acelerou de 4,39% para 4,72%, voltando a superar o teto da meta estabelecida pelo Banco Central. O resultado sugere que, embora parte das pressões recentes possa estar associada a fatores temporários, a dinâmica inflacionária continua incompatível com um cenário confortável para a condução da política monetária.

Dessa forma, mesmo após a melhora observada nos ativos de risco e da recente reprecificação das expectativas em direção a um possível corte da Selic, permanece elevada a incerteza sobre o espaço para uma flexibilização dos juros no curto prazo, especialmente diante da persistência das pressões inflacionárias subjacentes. 

No campo fiscal, as preocupações seguem presentes. Os Ministérios da Fazenda e do Planejamento estimaram que nove propostas atualmente em tramitação no Congresso podem gerar impacto fiscal de aproximadamente R$ 111 bilhões por ano. Entre elas, destacam-se iniciativas relacionadas à renegociação de dívidas rurais, ampliação de programas de crédito subsidiado e outras medidas de estímulo econômico.

Paralelamente, cresce a discussão sobre a necessidade de aperfeiçoamentos no arcabouço fiscal, especialmente na gestão das receitas provenientes do petróleo, com propostas inspiradas em modelos adotados por países como Noruega e Chile. Em um ambiente caracterizado por dívida pública elevada, juros altos e crescimento moderado, a combinação entre inflação resiliente e incertezas fiscais continua figurando entre os principais fatores de atenção para os mercados brasileiros. 

· 01:46 — A pressão sobre os preços continua 

Como comentei ontem, a inflação ao produtor nos Estados Unidos voltou a surpreender negativamente em maio. O índice de preços ao produtor avançou 1,06% na comparação mensal, superando a expectativa de alta de 0,7% e elevando a variação acumulada em 12 meses para 6,5%, o maior patamar desde o final de 2022.

Embora a energia continue desempenhando papel relevante nesse movimento, as pressões inflacionárias passaram a se espalhar por outros segmentos da economia, com destaque para os setores de serviços financeiros e saúde.

Diante desse cenário, o mercado tem revisado para cima as projeções para o núcleo do PCE, principal indicador de inflação acompanhado pelo Federal Reserve, reforçando a percepção de que o processo de convergência da inflação para a meta permanece mais lento e desafiador do que o esperado. Ainda que haja baixa probabilidade a novas altas imediatas de juros, cresce a avaliação de que o Banco Central americano precisará manter uma postura restritiva por um período mais prolongado. 

Apesar do pano de fundo inflacionário menos favorável, os mercados reagiram positivamente após Donald Trump sinalizar avanços nas negociações com o Irã e anunciar o cancelamento de novos ataques militares à região. O alívio geopolítico impulsionou os principais índices acionários americanos, com destaque para o Nasdaq, que avançou 2,5%, enquanto o Dow Jones e o S&P 500 registraram altas de 1,9% e 1,8%, respectivamente.

Ainda assim, o estrago já foi feito. A combinação entre inflação persistente, juros potencialmente elevados por mais tempo e sinais de enfraquecimento gradual do consumidor americano continua exigindo cautela. Os investidores seguem atentos aos próximos indicadores econômicos, especialmente aqueles relacionados à inflação e à confiança das famílias, em um ambiente no qual o risco de convivência entre pressões inflacionárias, condições financeiras mais apertadas e desaceleração da atividade permanece presente, mesmo que ainda não configure o cenário-base para a economia americana. 

· 02:32 — 39 vezes 

A guerra entre Estados Unidos e Irã voltou a produzir sinais contraditórios, evidenciando a complexidade e a fragilidade do atual processo de negociação. Após afirmar que lançaria uma nova rodada de ataques contra Teerã, Donald Trump anunciou posteriormente a suspensão das operações militares, alegando avanços relevantes nas discussões de um acordo que poderia levar à reabertura do Estreito de Ormuz e à redução das hostilidades na região.

Segundo o presidente americano, os documentos estariam em fase final de elaboração e poderiam ser assinados nos próximos dias. Foi a trigésima-nona vez que o presidente americano disse estar perto de um acordo. Do lado iraniano, porém, autoridades afirmaram que nenhum entendimento foi concluído até o momento, embora relatos da imprensa indiquem a existência de uma minuta em negociação que contempla um cessar-fogo permanente, a reabertura do estreito, o alívio de sanções e um amplo programa de reconstrução.

Enquanto isso, episódios militares continuam ocorrendo na região, incluindo a interceptação de drones iranianos nas proximidades do Estreito de Ormuz, reforçando que a situação permanece instável e sujeita a novos episódios de escalada. 

Mesmo com a possibilidade de uma solução diplomática ganhando espaço, os impactos econômicos do conflito já se mostram relevantes. O Banco Mundial revisou para baixo suas projeções de crescimento global e passou a estimar uma expansão de apenas 2,5% para a economia mundial em 2026, citando os efeitos da guerra sobre os mercados de energia, o comércio internacional e os custos de importação.

A instituição também alertou que, caso as interrupções no fornecimento de energia se tornem mais severas e sejam acompanhadas por um ambiente de maior estresse financeiro, o crescimento global poderia desacelerar para apenas 1,3%. O episódio reforça a percepção de que o conflito já ultrapassou a dimensão regional e passou a representar um importante choque de oferta para a economia global, com potencial para pressionar não apenas os preços de energia, mas também a inflação e, eventualmente, os custos dos alimentos caso as tensões se prolonguem. 

· 03:29 — Tentando armazenar 

A expansão acelerada da inteligência artificial (IA) está abrindo uma nova e relevante frente de crescimento para o setor de armazenamento de energia. Empresas de diferentes segmentos, desde a Ford até fabricantes especializadas como a Fluence Energy, vêm ampliando investimentos em sistemas de baterias de grande escala capazes de armazenar eletricidade para data centers, além de atender às aplicações tradicionais associadas às fontes renováveis.

Esse movimento ganha ainda mais força em um ambiente marcado por tarifas elevadas sobre baterias chinesas e por incentivos à produção doméstica nos Estados Unidos, fatores que estimulam a indústria local e reduzem parte da pressão competitiva exercida pelos fabricantes asiáticos. 

Mais do que uma consequência da transição energética, a crescente demanda por eletricidade gerada pelos data centers dedicados à inteligência artificial passou a se consolidar como um dos principais vetores de expansão do setor. As baterias deixaram de desempenhar apenas o papel de complemento para projetos solares e eólicos e passaram a ocupar uma posição estratégica na armazenagem, no fornecimento de energia de reserva e na estabilização do consumo elétrico.

Segundo estimativas do Morgan Stanley, a capacidade de armazenamento adicionada à rede americana, que alcançou 57 gigawatts-hora no último ano, pode atingir 279 gigawatts-hora até 2030. A magnitude desse crescimento fica evidente no plano da Ford, que pretende investir cerca de US$ 2 bilhões no segmento e iniciar suas operações comerciais em 2027, reforçando como a infraestrutura energética se tornou uma das principais beneficiárias indiretas da revolução provocada pela inteligência artificial. 

· 04:11 — Excessos que preocupam 

As distorções financeiras têm se tornado cada vez mais visíveis em diferentes mercados asiáticos, levando autoridades e instituições financeiras a adotar medidas destinadas a conter excessos e reduzir potenciais riscos de instabilidade. Na Coreia do Sul, a forte valorização de empresas ligadas à inteligência artificial, como SK Hynix e Samsung, levou bancos globais a restringirem operações alavancadas diante da preocupação com os impactos de uma correção mais profunda nos ativos.

Na China, a combinação entre crescimento mais fraco e baixa demanda por crédito gerou excesso de liquidez no sistema financeiro, incentivando as autoridades a promover condições monetárias menos expansionistas para evitar a formação de bolhas em ativos como os títulos públicos. Já na Indonésia, a pressão sobre a moeda, a saída de capital estrangeiro e a deterioração da liquidez dos mercados levaram o banco central a elevar os juros de forma inesperada e reforçar o controle sobre operações cambiais. 

Embora as respostas adotadas variem de país para país, todas refletem uma preocupação comum: os efeitos colaterais provocados por fluxos excessivos de capital e pela elevada concentração dos investidores em determinados temas, especialmente aqueles ligados à inteligência artificial. O desafio, contudo, é que a eficácia dessas medidas tende a ser limitada enquanto permanecerem presentes os fatores estruturais que alimentam essas distorções.

Em um ambiente caracterizado por abundância de liquidez em algumas economias, fragilidade econômica em outras e pela continuidade do ciclo de investimentos associado à inteligência artificial, a tendência é que investidores e formuladores de política econômica continuem convivendo com episódios recorrentes de volatilidade e com comportamentos cada vez mais incomuns nos mercados financeiros globais. 

· 05:05 — Quando a volatilidade cria oportunidades 

A abertura dos spreads no mercado de crédito incentivado era um risco que vínhamos destacando há vários meses. A combinação entre dificuldades enfrentadas por alguns emissores relevantes, o enfraquecimento do desempenho dos fundos e a continuidade dos resgates levou a uma reprecificação significativa dos ativos, especialmente das debêntures incentivadas.

Diferentemente dos fundos de crédito tradicionais, que contam com maior flexibilidade para administrar liquidez e posições de caixa, os veículos especializados em crédito incentivado tendem a ficar mais expostos aos efeitos da marcação a mercado em períodos de saída de recursos. Ainda assim, nossa avaliação era de que esse movimento começava a criar pontos de entrada mais atrativos, sobretudo nos fundos fechados de infraestrutura, cuja estrutura elimina o risco de vendas forçadas decorrentes de resgates. 

Foi nesse contexto que a Sparta anunciou uma redução temporária na distribuição do JURO11, após um longo período pagando R$ 1,00 por cota ao mês. Em nossa leitura, a decisão reflete muito mais a mudança de direção do mercado do que qualquer deterioração dos fundamentos da carteira.

Nos últimos anos, parte relevante dos rendimentos distribuídos foi sustentada não apenas pelo carrego dos títulos, mas também pelos ganhos de capital proporcionados pelo fechamento dos spreads de crédito. Com a recente abertura desses spreads e a elevação dos juros reais, fator particularmente relevante para um fundo indexado ao IPCA, esse componente adicional de retorno deixou de existir, exigindo uma postura mais conservadora na distribuição.

Em conversa com a gestora, a avaliação foi de que os preços dos ativos já apresentam melhora em relação aos momentos mais críticos, embora a dinâmica de resgates nos fundos abertos da indústria ainda continue contribuindo para a volatilidade no curto prazo. 

É justamente nesse ambiente que enxergamos uma oportunidade interessante no JURO11. Por ser um fundo fechado, o veículo não enfrenta a pressão de vender ativos para fazer frente a resgates, o que lhe confere maior capacidade de atravessar períodos de turbulência com disciplina e flexibilidade. Isso permite que a gestão recicle gradualmente a carteira em níveis mais elevados de spread, aproveitando distorções criadas pelo estresse recente do mercado.

Ao mesmo tempo, a reação negativa dos investidores ao corte de distribuição ampliou o desconto da cota de mercado para cerca de 4% e elevou a taxa implícita de negociação para aproximadamente IPCA + 9,8% ao ano, líquida de taxas.

Na nossa avaliação, a redução dos rendimentos possui caráter muito mais conjuntural do que estrutural. A combinação entre spreads mais atrativos, desconto na cota de mercado e benefícios inerentes à estrutura fechada cria uma relação risco-retorno particularmente interessante para investidores com horizonte de médio e longo prazo.

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Ibovespa hoje (10): nova escalada militar no Oriente Médio, inflação norte-americana, pesquisa eleitoral e mais destaques

10 de Junho de 2026, 10:25

A nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar os mercados globais após forças americanas realizarem ataques contra alvos iranianos em resposta à derrubada de um helicóptero Apache nas proximidades do Estreito de Ormuz.

Teerã prometeu retaliar e respondeu com ataques contra algumas posições americanas na região, enquanto países do Golfo elevaram seus níveis de alerta diante do risco de ampliação do conflito. Apesar do aumento das tensões, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida.

O petróleo chegou a avançar de forma mais expressiva, mas devolveu parte dos ganhos após a confirmação de que a operação americana havia sido concluída, reduzindo os temores de uma interrupção imediata do fluxo de petróleo pela principal rota energética do mundo.

Paralelamente, a atenção dos investidores migrou rapidamente para a inflação americana. Após um payroll mais forte do que o esperado e uma significativa reprecificação dos juros globais, o CPI de maio passou a ocupar o centro das atenções como principal determinante da direção dos mercados no curto prazo.

Ao mesmo tempo, sinais de inflação mais elevada na China e no Japão reforçam a percepção de que o cenário global segue marcado pela combinação de riscos geopolíticos e pressões inflacionárias persistentes.

· 00:57 — A conta vai chegar

O mercado brasileiro apresentou uma performance relativamente resiliente na terça-feira, com o Ibovespa avançando 0,68% após três sessões consecutivas de queda, enquanto o dólar encerrou o dia praticamente estável, a R$ 5,18.

O movimento ocorreu na contramão das principais bolsas internacionais, pressionadas pela realização de lucros em ações de tecnologia e pelo aumento das tensões no Oriente Médio. Entre os destaques do dia, o governo passou a discutir medidas para mitigar os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação, incluindo a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina e iniciativas voltadas à redução da carga tributária sobre combustíveis.

É possível que novas medidas sejam anunciadas nessa direção, embora parte delas possa aumentar as preocupações em torno da trajetória fiscal, especialmente em um ambiente já marcado por elevado grau de incerteza sobre as contas públicas.

No campo político, a agenda doméstica segue intensa. O Senado deve analisar a PEC que amplia a autonomia orçamentária do Banco Central, em um momento em que a credibilidade da política monetária continua sendo um ativo relevante para a economia brasileira.

Uma maior proteção institucional tende a reduzir percepções de interferência política na condução da autoridade monetária, fortalecendo a previsibilidade e a eficácia das decisões de juros, especialmente em um contexto de inflação persistente e condições financeiras mais apertadas.

Paralelamente, a crescente disputa global por minerais críticos levou Estados Unidos e União Europeia a intensificarem esforços para garantir acesso às reservas brasileiras de terras raras, reforçando a relevância estratégica do país na nova geopolítica dos recursos naturais.

Por fim, no cenário eleitoral, pesquisa Genial/Quaest mostrou o presidente Lula liderando as intenções de voto para 2026, tanto no primeiro turno quanto no segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O levantamento também apontou desgaste para o senador após os recentes episódios envolvendo seu nome, tema que passou a influenciar a percepção de uma parcela relevante do eleitorado, inclusive entre grupos tradicionalmente mais alinhados ao bolsonarismo.

Em disputas polarizadas, a capacidade de preservar apoio entre eleitores independentes e de centro costuma desempenhar papel decisivo, o que torna esse movimento um elemento importante para o acompanhamento do cenário político nos próximos meses.

· 01:45 — Uma inflação contaminada

A recuperação das ações de semicondutores mostrou-se passageira, com o setor voltando a liderar as perdas em Wall Street diante de uma combinação de realização de lucros, preocupações com possíveis excessos de valuation associados à inteligência artificial e da migração de recursos para o aguardado IPO da SpaceX.

Apesar da fraqueza observada nas empresas de tecnologia, a maior parte dos setores do S&P 500 encerrou o pregão em alta, enquanto a volatilidade também foi influenciada por novos desdobramentos geopolíticos envolvendo Estados Unidos e Irã. O movimento reforça a percepção de que os mercados atravessam um período marcado por oscilações mais frequentes, elevada sensibilidade ao fluxo de notícias e um retorno gradual da atenção dos investidores aos fundamentos econômicos.

Nesse contexto, as atenções se voltam para a divulgação do CPI de maio nos Estados Unidos, considerado o principal evento macroeconômico da semana. Como era esperado, houve uma aceleração da inflação anual de 3,8% para 4,2%, impulsionada principalmente pelo avanço dos preços de energia, enquanto o núcleo do índice, que exclui itens mais voláteis, subiu de 2,8% para 2,9%, sugerindo que parte das pressões inflacionárias começa a se disseminar por outros segmentos da economia.

Após um payroll mais forte do que o esperado e a recente reprecificação dos juros globais, o dado ganha relevância adicional por seu potencial de influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Tal dinâmica de inflação pode reacender as discussões sobre novas elevações de juros (o que ainda acho improvável).

· 02:39 — Mercado não acredita na escalada

Os Estados Unidos realizaram uma nova rodada de ataques contra alvos iranianos em resposta à derrubada de um helicóptero Apache nas proximidades de Omã, episódio que voltou a elevar as tensões no Oriente Médio.

Embora Donald Trump continue afirmando que um acordo com o Irã poderia ser alcançado em poucos dias, os acontecimentos recentes apontam para uma escalada do conflito. O governo iraniano prometeu retaliar as ações americanas, Israel ampliou suas operações contra o Hezbollah no Líbano e autoridades de Teerã passaram a alertar sobre os riscos enfrentados por forças estrangeiras posicionadas próximas ao território iraniano. Até o momento, cerca de 14 militares americanos morreram no conflito, enquanto o número de vítimas no Irã e no Líbano já ultrapassa 7 mil pessoas.

Apesar da deterioração do ambiente geopolítico, a reação dos mercados permaneceu relativamente contida. O petróleo voltou a subir, o dólar ganhou força e as bolsas asiáticas recuaram, mas os investidores parecem interpretar os ataques americanos como limitados e ainda compatíveis com a continuidade das negociações diplomáticas. Em meio a sinais contraditórios sobre o futuro do conflito e das conversas envolvendo o programa nuclear iraniano, a atenção dos mercados segue concentrada nos dados de inflação dos Estados Unidos.

· 03:24 — Um novo passo no mercado de inteligência artificial

A Anthropic anunciou o Claude Fable 5, uma versão mais segura e restrita de seu avançado modelo Mythos, que até recentemente era considerado poderoso demais para ser disponibilizado amplamente ao público.

O novo sistema incorpora mecanismos de segurança capazes de bloquear consultas potencialmente sensíveis, redirecionando temas como armas biológicas e segurança cibernética para modelos menos sofisticados. Paralelamente, a companhia segue ampliando o acesso ao Claude Mythos 5 apenas para parceiros selecionados, com o objetivo de identificar vulnerabilidades e aperfeiçoar seus protocolos de segurança. O lançamento ocorre em um momento particularmente relevante para a empresa, que recentemente abriu capital e alcançou uma avaliação próxima de US$ 965 bilhões.

Ao mesmo tempo, o superciclo de semicondutores impulsionado pela inteligência artificial continua ganhando força. Diferentemente dos ciclos anteriores, normalmente associados à reposição de estoques ou a oscilações de curto prazo na demanda por eletrônicos, o movimento atual parece refletir uma expansão estrutural da infraestrutura global de IA.

A forte demanda por chips de memória avançados, servidores especializados e componentes voltados para data centers vem impulsionando receitas, preços e ações do setor, especialmente em polos estratégicos como Coreia do Sul e Taiwan. Nesse contexto, Taiwan avalia endurecer as restrições à exportação de chips de inteligência artificial para a China, em alinhamento com os Estados Unidos, reforçando o caráter cada vez mais geopolítico da disputa tecnológica global.

· 04:12 — Megagasoduto

Após décadas tratados como projetos excessivamente caros e de execução complexa, dois megagasodutos africanos voltaram ao centro das atenções em meio à busca global por novas fontes de energia.

De um lado, Argélia, Níger e Nigéria avançam com o Gasoduto Transaariano; de outro, o Marrocos defende uma rota alternativa pela costa atlântica, conectando a Nigéria ao norte da África. Impulsionados pelas mudanças geopolíticas provocadas pelas guerras na Ucrânia e no Oriente Médio, os projetos refletem não apenas a necessidade europeia de diversificar o abastecimento de gás, mas também a histórica disputa por influência entre Marrocos e Argélia.

Apesar dos custos elevados, dos desafios de financiamento e dos riscos de segurança ao longo do Saara, a crescente demanda por segurança energética torna essas iniciativas mais plausíveis do que em qualquer outro momento das últimas décadas. A grande questão, agora, não é mais a relevância estratégica desses projetos, mas a capacidade de transformá-los em realidade.

· 05:06 — Qualidade operacional em um setor mais seletivo

A conversa do nosso time com a gestão da Multiplan reforçou nossa percepção de que a companhia continua operando em um patamar diferenciado dentro do setor de shoppings. A empresa segue apoiada em um portfólio de ativos dominantes, localizados em regiões estratégicas e cada vez mais adaptados às novas dinâmicas de consumo.

O fluxo de visitantes passou a depender menos das tradicionais lojas âncora e mais de experiências, gastronomia, entretenimento e serviços, um movimento que tem permitido à companhia aprimorar continuamente seu mix de lojistas e sustentar um desempenho operacional superior à média do mercado.

Do ponto de vista operacional, a expectativa continua sendo de crescimento de vendas acima do setor, impulsionado tanto pela qualidade dos ativos quanto pela captura de valor das recentes expansões em empreendimentos como Morumbi Shopping, BH Shopping e BarraShopping.

Embora a reforma tributária e fatores sazonais, como a Copa do Mundo, possam gerar ruídos no curto prazo, a administração entende que a qualidade dos ativos e a capacidade de reciclagem do portfólio tendem a mitigar boa parte desses impactos. Em alguns casos, esse processo pode inclusive abrir espaço para a entrada de novas marcas e operadores mais alinhados ao posicionamento premium dos empreendimentos.

Na frente financeira, a companhia segue demonstrando elevada disciplina de capital. A venda de participações minoritárias em alguns ativos contribuiu para a redução da alavancagem, enquanto a sólida geração de caixa preserva a flexibilidade financeira e pode abrir espaço para uma remuneração mais robusta aos acionistas.

Com FFO yield projetado ao redor de 9%, potencial de dividend yield próximo de 6% e ações negociando a cerca de 11 vezes o FFO esperado para 2027, entendemos que a Multiplan (MULT3) continua reunindo uma combinação atrativa de ativos de alta qualidade, balanço sólido e valuation descontado, permanecendo bem posicionada para capturar uma eventual melhora do ambiente macroeconômico e do varejo nos próximos anos.

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Ibovespa hoje: petróleo cai e bolsas globais sobem com perspectiva de trégua no Oriente Médio; veja os destaques do dia

9 de Junho de 2026, 09:44

Os mercados globais operam em tom mais positivo nesta terça-feira, impulsionados pela perspectiva de uma redução das tensões no Oriente Médio. O presidente Donald Trump afirmou que um acordo para encerrar o conflito com o Irã poderá ser alcançado nos próximos dias e voltou a defender a reabertura imediata do Estreito de Ormuz.

A expectativa de avanço diplomático contribuiu para reduzir parte do prêmio de risco embutido nos mercados de energia, levando o Brent a recuar para a região de US$ 92 por barril. Como consequência, as bolsas globais reagiram positivamente, com destaque para a forte recuperação do mercado sul-coreano e para os ganhos observados nas bolsas europeias e nos futuros americanos.

Apesar do alívio geopolítico, os investidores seguem atentos aos efeitos do forte relatório de emprego divulgado nos Estados Unidos na semana passada, que reforçou a percepção de que o Federal Reserve poderá manter os juros elevados por mais tempo e, em um cenário de inflação mais persistente, até mesmo considerar novas altas.

Nesse contexto, os próximos indicadores de inflação serão fundamentais. Além da geopolítica e da política monetária, o noticiário corporativo voltou a destacar a inteligência artificial como uma das principais narrativas de mercado. A OpenAI protocolou seu pedido de abertura de capital, buscando um valuation que pode alcançar US$ 1 trilhão, movimento que reforça o entusiasmo em torno do setor.

· 00:57 — O peso dos juros

Por aqui, o mercado brasileiro iniciou a semana sob pressão, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que continua desafiando os ativos locais. O Ibovespa recuou 0,21%, encerrando o pregão aos 168.669 pontos, enquanto o dólar avançou para R$ 5,18, atingindo seu maior patamar desde março.

Parte desse movimento foi influenciada pelo cenário internacional, marcado pela continuidade das tensões no Oriente Médio e pela percepção de que os juros americanos deverão permanecer elevados por mais tempo após o forte relatório de emprego divulgado nos Estados Unidos. Esse ambiente fortalece o dólar globalmente, reduz o fluxo de capitais para mercados emergentes e aumenta a pressão sobre economias como a brasileira.

No cenário doméstico, o principal foco continua sendo a deterioração das expectativas para inflação e juros. O Boletim Focus voltou a registrar alta nas projeções para o IPCA de 2026 e para a Selic ao final deste ano, enquanto cresce a percepção de que o Banco Central poderá interromper o ciclo de cortes já na próxima reunião do Copom.

Ao mesmo tempo, a curva de juros abriu de forma expressiva, refletindo não apenas a expectativa de taxas elevadas por um período mais prolongado, mas também as preocupações crescentes com o quadro fiscal (juros reais de 8% são impagáveis).

A combinação entre atividade econômica resiliente, inflação persistente, petróleo mais caro e incertezas sobre a trajetória das contas públicas levou investidores a reavaliar o cenário para a política monetária. Nesse contexto, os próximos dados de inflação, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, serão fundamentais para determinar se essa mudança de percepção continuará ganhando força nas próximas semanas.

· 01:48 — Na expectativa pela inflação

Os mercados americanos iniciaram a semana em recuperação, devolvendo parte das perdas registradas após a forte correção da sexta-feira, quando o Nasdaq registrou sua maior queda diária em pontos da história.

O movimento sugere que os investidores interpretaram a recente turbulência mais como uma realização de lucros após um período de valorização do que como uma mudança estrutural na tendência. O setor de tecnologia, especialmente os segmentos ligados à inteligência artificial e aos semicondutores, continua sendo o principal motor de desempenho das bolsas, sustentado por crescimento robusto dos lucros corporativos e pela percepção de que a transformação tecnológica ainda está em seus estágios iniciais.

Embora a reação aos resultados da Broadcom e as preocupações com avaliações elevadas tenham servido como gatilhos para a correção, a leitura predominante em Wall Street permanece construtiva, refletindo a confiança na capacidade das grandes empresas de tecnologia de continuar expandindo receitas e resultados nos próximos anos.

As atenções agora se concentram na agenda econômica da semana, com destaque para os dados de inflação dos Estados Unidos. A divulgação do CPI de maio, na quarta-feira, e do PPI, na quinta-feira, será fundamental para calibrar as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve.

Paralelamente, investidores seguem acompanhando indicadores ligados ao consumo e à confiança das famílias, já que o consumidor continua sendo o principal pilar da economia americana. Apesar das preocupações envolvendo inflação, preços de energia e tensões geopolíticas, o mercado de trabalho permanece robusto e o padrão de consumo segue resiliente, especialmente entre as famílias de maior renda.

Nesse contexto, os mercados continuam tentando equilibrar três forças centrais: uma economia ainda aquecida, a continuidade do ciclo de investimentos em inteligência artificial e a perspectiva de juros elevados por mais tempo. A interação entre esses fatores deverá seguir determinando o comportamento das bolsas, dos títulos públicos e do dólar.

· 02:32 — Amenizou o tom

A tentativa de novo cessar-fogo entre Irã e Israel trouxe algum alívio, mas ainda está longe de representar uma solução para o conflito. Após uma nova rodada de ataques, ambos os países anunciaram a suspensão temporária das ofensivas em resposta aos esforços diplomáticos liderados pelo presidente americano Donald Trump.

Ainda assim, tanto Teerã quanto Jerusalém deixaram claro que poderão retomar as hostilidades caso considerem que seus interesses de segurança foram ameaçados. O principal impasse continua no Líbano. O governo iraniano condiciona avanços mais amplos nas negociações ao fim das operações israelenses contra o Hezbollah, enquanto Israel afirma que continuará atuando contra o grupo até que cessem os ataques contra seu território. O resultado é uma trégua frágil, sustentada mais por conveniência estratégica do que por uma convergência efetiva entre as partes.

Para os mercados, a redução temporária das tensões ajudou a aliviar parte da pressão sobre os preços do petróleo, mas a percepção de risco permanece elevada. As negociações conduzidas pelos americanos continuam incertas, enquanto as ameaças ao tráfego marítimo no Mar Vermelho, as dúvidas sobre a normalização da navegação no Estreito de Ormuz e a continuidade dos confrontos envolvendo o Hezbollah mantêm o cenário geopolítico sensível.

Soma-se a isso o fato de que as prioridades políticas de Trump e Netanyahu nem sempre parecem alinhadas, o que adiciona uma camada adicional de imprevisibilidade ao processo diplomático. Dessa forma, mesmo sem uma escalada imediata, o conflito segue sendo uma fonte relevante de preocupação para os mercados, com potencial para influenciar os preços da energia, as expectativas de inflação e a trajetória dos juros nas principais economias do mundo.

· 03:25 — Um resultado apertado

A eleição presidencial do Peru caminha para um desfecho turbulento, em meio a uma disputa apertada entre a direitista Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez.

A campanha foi marcada por atrasos logísticos, forte polarização e preocupação crescente dos eleitores com a criminalidade, um tema que também tem ganhado centralidade em outros países da América Latina. A demora de mais de um mês para definir os candidatos do segundo turno ampliou a sensação de desorganização institucional, enquanto protestos em Lima contra Fujimori reacenderam temores ligados ao legado autoritário de seu pai, Alberto Fujimori. Do outro lado, Sánchez também carrega vínculos controversos, especialmente por sua promessa de libertar o ex-presidente Pedro Castillo, preso por conspiração para cometer rebelião.

A apuração tem sido instável e reforça a tradição peruana de eleições extremamente apertadas. Embora Sánchez tenha ultrapassado Fujimori em parte da contagem, a expectativa é de que os votos internacionais possam recolocar a candidata da direita à frente, consolidando sua vitória nos próximos dias.

Caso confirmada, a eleição de Keiko representaria uma nova guinada política na América do Sul em direção a governos mais alinhados ao mercado, ainda que por margem estreita e após quatro tentativas presidenciais. O episódio também oferece uma leitura política mais ampla: mesmo em contextos favoráveis à oposição, níveis elevados de rejeição a um nome ou um determinado legado podem tornar qualquer vitória difícil, custosa e incerta, uma lição relevante para outras disputas na região, inclusive para a oposição no Brasil.

· 04:13 — O difícil caminho da normalização japonesa

O Japão atravessa uma fase delicada de normalização após décadas marcadas por juros extremamente baixos, controle da curva de rendimentos e uma moeda estruturalmente enfraquecida.

A elevação dos rendimentos dos títulos públicos de dez anos para níveis superiores a 2,7% e a permanência do iene acima de 160 por dólar aumentaram a pressão para que o Banco do Japão volte a elevar os juros e para que o Ministério das Finanças considere novas intervenções no mercado cambial.

O desafio é que nenhuma dessas medidas parece suficiente, isoladamente, para promover uma valorização sustentável da moeda. Para que isso ocorra, seria necessário que os juros japoneses superassem a inflação, proporcionando retornos reais positivos aos investidores. Esse cenário, porém, ainda parece distante. Parte relevante da inflação recente foi impulsionada por alimentos, especialmente o arroz, enquanto indicadores mais tradicionais de núcleo inflacionário apontam pressões bem mais moderadas. Em outras palavras, ainda permanece em aberto a questão sobre se o Japão conseguiu, de fato, superar sua longa trajetória de crescimento fraco e tendências deflacionárias.

O quadro fiscal adiciona uma camada extra de complexidade. Com uma dívida pública superior a duas vezes o PIB e a possibilidade de políticas econômicas mais expansionistas sob a liderança de Sanae Takaichi, cresce entre investidores a percepção de que a fragilidade do iene reflete também o elevado endividamento do país.

Intervenções cambiais podem conter movimentos mais extremos no curto prazo, mas tendem a tratar apenas os sintomas, sem resolver os desequilíbrios estruturais. Ao mesmo tempo, a desvalorização da moeda beneficia uma parcela importante das empresas japonesas, especialmente exportadoras e companhias com operações relevantes no exterior, contribuindo para o fortalecimento dos lucros corporativos.

Por essa razão, as ações japonesas continuam apresentando atratividade relativa, apoiadas por avanços em governança, melhora da rentabilidade empresarial e valuations menos exigentes do que as observadas no mercado americano. Ainda assim, para o investidor internacional, a principal conclusão permanece a mesma: o mercado acionário japonês segue oferecendo oportunidades interessantes, mas a exposição ao iene exige atenção e gestão cuidadosa do risco cambial.

· 05:01 — A China na nova corrida pela segurança energética

A energia nuclear voltou ao centro da agenda global, impulsionada por dois vetores relevantes: a forte expansão da demanda por eletricidade dos data centers de inteligência artificial e a renovada preocupação com segurança energética após as tensões no Estreito de Ormuz.

Como fonte de geração firme, estável e sem emissões diretas de carbono, a energia nuclear reúne atributos cada vez mais valorizados no cenário atual: confiabilidade, baixa intermitência e menor dependência de combustíveis fósseis.

Nesse novo ciclo, a China desponta como a grande protagonista. O país responde por quase metade dos novos reatores em construção no mundo e deve alcançar, até 2030, a maior frota nuclear global. Ainda assim, dada a escala gigantesca do sistema elétrico chinês, a energia nuclear continuará representando uma parcela relativamente pequena da matriz, inferior a 10% da geração total, enquanto solar e eólica seguem avançando em ritmo mais acelerado.

O avanço chinês é resultado de uma estratégia de longo prazo baseada em padronização tecnológica, domínio da cadeia de fornecedores e redução de custos. Diferentemente dos Estados Unidos e da França, onde os custos de construção nuclear aumentaram ao longo do tempo, a China conseguiu tornar seus projetos mais competitivos ao concentrar esforços em poucos modelos de reatores, substituir componentes importados por nacionais e reduzir o tempo médio de construção para cerca de seis anos.

O resultado é uma indústria doméstica mais eficiente, capaz de construir usinas nucleares a custos significativamente inferiores aos observados em projetos recentes no Ocidente. Essa vantagem reforça a atratividade da energia nuclear como fonte complementar às renováveis, especialmente em um mundo que precisará de eletricidade abundante, limpa e constante para sustentar a inteligência artificial, a eletrificação industrial e a segurança energética.

O principal gargalo, porém, está no combustível da energia nuclear: o urânio. A oferta global permanece apertada após anos de baixo investimento em mineração desde Fukushima, enquanto a demanda cresce com a retomada da construção de reatores.

A produção mundial está concentrada em poucos países, especialmente Cazaquistão e Canadá, e a China depende de importações para algo entre 80% e 90% de suas necessidades, o que transforma a segurança de suprimento em uma prioridade estratégica.

Por isso, Pequim vem adquirindo participações em minas de urânio, sobretudo na Namíbia e no Cazaquistão, além de ampliar sua capacidade de enriquecimento para reduzir dependências externas. Para os investidores, a mensagem é construtiva: a retomada da energia nuclear fortalece uma tese estrutural para o urânio, que tende a se beneficiar da combinação entre demanda crescente, oferta concentrada, estoques limitados e busca global por fontes de energia limpa.

Nesse contexto, instrumentos como os ETFs Sprott Uranium Miners ETF (URNM) e Global X Uranium ETF (URA), já recomendados neste espaço, continuam sendo alternativas relevantes para investidores que desejam capturar essa tendência de longo prazo.

No mercado brasileiro, o BDR BURA39 desempenha função semelhante ao oferecer exposição ao tema por meio da B3. Ainda assim, por se tratar de uma tese com elevada volatilidade e forte componente temático, entendemos que exposições mais moderadas, tipicamente de até 1% do portfólio, tendem a ser suficientes para capturar seu potencial sem comprometer o equilíbrio geral da carteira. Como sempre, seguem válidos os princípios fundamentais da boa alocação: respeitar o perfil de risco, manter diversificação adequada e construir um portfólio capaz de atravessar diferentes ciclos de mercado com consistência e disciplina.

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Ibovespa hoje (8): da euforia à cautela, mercados iniciam semana com inflação, guerra e inteligência artificial (IA) no radar

8 de Junho de 2026, 10:27

O início da semana foi marcado por uma mudança relevante de humor nos mercados globais. A combinação entre a intensificação das tensões no Oriente Médio, a correção das ações ligadas à inteligência artificial (IA) e a revisão das expectativas para a trajetória dos juros nos Estados Unidos levou investidores a adotar uma postura mais cautelosa.

Os confrontos entre Israel e Irã voltaram a ganhar intensidade, elevando os riscos para a estabilidade da região e impulsionando o petróleo para próximo de US$ 100 por barril. Ao mesmo tempo, o forte relatório de emprego dos EUA reforçou a percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá manter uma postura mais restritiva por mais tempo, pressionando os rendimentos dos títulos públicos americanos e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital. 

O impacto foi particularmente visível no setor de tecnologia e inteligência artificial, principal motor dos mercados ao longo dos últimos meses. Após a queda superior a 4% do Nasdaq na sexta-feira (5), bolsas asiáticas com forte exposição à cadeia global de semicondutores registraram correções expressivas, com destaque para o Kospi sul-coreano, que recuou mais de 8%.

A combinação entre dados econômicos robustos, juros mais elevados, avaliações exigentes e uma realização natural de lucros após um rali expressivo ajudou a desencadear o movimento. Ainda assim, a recuperação parcial dos futuros americanos e as declarações construtivas de executivos como Jensen Huang, da Nvidia, sugerem que o mercado continua enxergando a inteligência artificial como uma tendência estrutural de longo prazo, embora agora inserida em um ambiente potencialmente mais seletivo e volátil. 

A agenda desta semana adiciona novos elementos a esse cenário. As atenções estarão voltadas para os dados de inflação, além da decisão de política monetária do Banco Central Europeu e dos desdobramentos no mercado de energia.  

· 00:58 — Semanas difíceis 

O mercado brasileiro encerrou mais uma semana sob pressão, refletindo a combinação de fatores externos e domésticos que continuam desafiando os ativos locais. O Ibovespa recuou 2,74% no período, registrando sua oitava semana consecutiva de queda, a sequência mais longa desde 1994, enquanto o dólar avançou para R$ 5,16, atingindo seu maior patamar no ano.

O principal catalisador do movimento veio dos Estados Unidos, onde o relatório de emprego (payroll) surpreendeu positivamente ao apontar a criação de 172 mil vagas em maio, mais que o dobro das expectativas do mercado. O resultado reforçou a percepção de que a economia americana segue resiliente, reduzindo as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve e impulsionando os rendimentos dos títulos públicos americanos. Como consequência, o dólar ganhou força globalmente, o fluxo de recursos para mercados emergentes enfraqueceu e os ativos brasileiros voltaram a sofrer pressão. 

No cenário doméstico, o ambiente permanece igualmente desafiador. A combinação entre inflação ainda resistente, atividade econômica mais forte do que o esperado e incertezas em relação ao quadro fiscal levou os investidores a revisarem suas expectativas para a política monetária. Com isso, a possibilidade de manutenção da Selic ganhou espaço, enquanto as apostas em novos cortes de juros se tornaram mais limitadas.

Esse movimento se refletiu diretamente na curva de juros, pressionando especialmente os ativos mais sensíveis ao custo de capital, como ações voltadas ao mercado interno e setores mais dependentes das condições financeiras. Nos próximos dias, as atenções estarão concentradas na divulgação do IPCA de maio, nos dados do setor de serviços e nas atualizações do Boletim Focus, indicadores que serão fundamentais para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central e a trajetória dos mercados brasileiros ao longo do restante do mês. 

· 01:41 — Semana de dados de inflação 

O foco dos mercados nesta semana estará concentrado nos dados de inflação dos Estados Unidos, especialmente no CPI de maio, que será divulgado na quarta-feira (10). A atenção é justificada porque o mercado de trabalho voltou a surpreender positivamente. O payroll mostrou criação de 172 mil vagas, praticamente o dobro do esperado, enquanto as revisões dos meses anteriores também vieram para cima, reforçando a percepção de uma economia que continua crescendo em ritmo saudável.

Embora a taxa de desemprego tenha permanecido em 4,3% e existam alguns sinais de moderação em segmentos específicos do mercado de trabalho, o conjunto dos dados sugere que a atividade econômica segue resiliente. Nesse contexto, os números de inflação ganham importância ainda maior, pois ajudarão a determinar se essa força da economia está ou não se traduzindo em novas pressões sobre os preços. 

As implicações para a política monetária são relevantes. Um CPI mais forte pode reforçar a visão de que o Federal Reserve precisará manter os juros elevados por mais tempo, ou até considerar novas altas em 2026, cenário que vem ganhando espaço entre algumas instituições financeiras. Isso tende a pressionar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, elevando as taxas dos juros de mercado e reduzindo o apetite por ativos mais sensíveis ao custo de capital.

Foi justamente essa dinâmica que ajudou a provocar a recente realização de lucros em ações de tecnologia, após meses de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial. Em outras palavras, os mercados entram na semana tentando responder a uma pergunta central: a economia americana continua forte o suficiente para sustentar os lucros corporativos sem reacender a inflação? A resposta terá impacto direto sobre a curva de juros, o dólar e o comportamento das bolsas globais

· 02:39 — Sinais de escalada 

A guerra entre Israel e Irã continua sendo um dos principais focos de atenção dos mercados globais. Apesar das tentativas de cessar-fogo e das negociações conduzidas pelos Estados Unidos, os confrontos seguem ocorrendo por meio de ataques diretos, ações de grupos aliados ao Irã e novas tensões em pontos estratégicos da região, como o Líbano e o Mar Vermelho.

Até aqui, o mercado de petróleo mostrou uma resiliência maior do que a esperada, com o Brent estabilizado próximo de US$ 100 por barril, bem abaixo dos cenários mais pessimistas que chegaram a projetar preços entre US$ 150 e US$ 200. Isso ocorreu graças à utilização de estoques estratégicos, ao aumento das exportações americanas, à manutenção de fluxos relevantes pelo Estreito de Ormuz e à desaceleração da demanda em países como a China. Ainda assim, os próximos meses podem ser mais desafiadores, especialmente se houver novas interrupções logísticas ou uma escalada do conflito. 

Ao mesmo tempo, o equilíbrio do mercado de energia permanece delicado. Estima-se que cada mês adicional de restrições no fluxo de petróleo pode pressionar ainda mais os preços, enquanto a OPEP+ continua elevando gradualmente sua produção para compensar parte dos riscos de oferta.

Nos Estados Unidos, Donald Trump mantém uma postura firme em relação ao Irã, condicionando qualquer flexibilização de sanções a avanços concretos nas negociações de paz. O resultado é um cenário em que os mercados seguem monitorando simultaneamente geopolítica, oferta de petróleo e decisões dos grandes produtores.

Embora o choque inicial tenha sido absorvido melhor do que muitos esperavam, a combinação entre conflito prolongado, riscos para rotas estratégicas de transporte e estoques globais mais apertados sugere que a energia continuará sendo uma das variáveis mais importantes para inflação, crescimento econômico e comportamento dos mercados nos próximos trimestres. 

· 03:23 — Debate aprofundado 

O debate sobre inteligência artificial ganhou novos contornos. A Anthropic, desenvolvedora do modelo Claude e uma das principais concorrentes da OpenAI, defendeu a possibilidade de uma desaceleração temporária no desenvolvimento dos sistemas mais avançados de IA. A empresa argumenta que o ritmo atual de evolução da tecnologia pode superar a capacidade de adaptação das instituições, da regulação e das pesquisas de segurança, sugerindo que uma eventual pausa só faria sentido se fosse adotada globalmente e acompanhada de mecanismos de verificação.

Ao mesmo tempo, o governo Donald Trump publicou uma nova ordem executiva sobre inteligência artificial, optando por uma abordagem mais leve do que a inicialmente cogitada. A proposta prevê que o governo tenha um prazo de 30 dias para analisar novos modelos de inteligência artificial antes de seu lançamento ao público. A proposta preserva algum grau de supervisão sobre novos modelos, mas evita medidas mais rígidas que poderiam reduzir a competitividade das empresas americanas frente à China. 

Enquanto isso, os efeitos da inteligência artificial já começam a aparecer de forma concreta no mercado de trabalho. As empresas de tecnologia dos EUA anunciaram mais de 38 mil demissões apenas em maio, o maior volume em quase dois anos, e os cortes acumulados em 2026 já superam 123 mil vagas. Em muitos casos, a própria IA passou a ser citada como motivo para a reestruturação das equipes. Ainda assim, o quadro não é inteiramente negativo. O setor também lidera as intenções de contratação para os próximos anos, refletindo uma transformação da demanda por trabalho, mais do que uma simples destruição de empregos.

Em outras palavras, a inteligência artificial continua avançando como uma das principais forças de mudança da economia global, gerando ganhos de produtividade e novas oportunidades, mas também exigindo adaptação de empresas, trabalhadores e governos a um mercado cada vez mais moldado pela tecnologia, que promete revolucionar a economia global. 

· 04:14 — Limite populacional? 

A Suíça se aproxima de um referendo com potencial para gerar impactos econômicos relevantes. A proposta, conhecida como “Não aos 10 milhões”, busca limitar a população do país a 10 milhões de habitantes, exigindo uma redução significativa do ritmo de imigração nas próximas décadas.

Os defensores argumentam que o país enfrenta pressões crescentes sobre infraestrutura, habitação, transporte e serviços públicos, enquanto os críticos alertam que a medida pode restringir a oferta de mão de obra em uma economia altamente dependente de profissionais qualificados vindos do exterior. Grandes empresas, especialmente dos setores de tecnologia e farmacêutico, demonstraram preocupação com possíveis dificuldades para atrair talentos internacionais, considerados essenciais para a competitividade do país. 

As implicações podem ir além do mercado de trabalho. Um limite rígido à imigração entraria em conflito com o princípio da livre circulação de pessoas, um dos pilares da relação entre a Suíça e a União Europeia. Isso abre espaço para tensões diplomáticas e comerciais com o principal parceiro econômico do país, responsável por grande parte de suas exportações e investimentos.

Em última instância, o debate reflete uma questão que vem ganhando força em diversas economias desenvolvidas: como equilibrar crescimento econômico, demanda por trabalhadores qualificados e pressões sociais associadas ao aumento da imigração em mercados desenvolvidos. 

· 05:06 — Um evento que chama a atenção 

Apple (Nasdaq: AAPL) inicia hoje sua tradicional Worldwide Developers Conference (WWDC), principal evento anual da companhia voltado a desenvolvedores, software e inovação. Embora historicamente a conferência seja utilizada para apresentar atualizações dos sistemas operacionais da empresa, a edição deste ano carrega uma relevância especial para investidores.

Após as críticas recebidas pela primeira geração do Apple Intelligence e os atrasos na implementação de recursos mais avançados de inteligência artificial, o mercado espera que a companhia apresente uma resposta mais robusta para a crescente competição com OpenAI, Google, Microsoft e outras líderes da corrida pela IA. Não por acaso, a WWDC é vista como uma oportunidade para a Apple demonstrar que possui uma estratégia para a grande onda tecnológica. 

O principal destaque esperado é uma profunda reformulação da Siri. Segundo as indicações, a assistente virtual deverá incorporar recursos de inteligência artificial generativa, utilizando modelos Gemini, do Google, além de ganhar maior capacidade de compreender contexto pessoal, interpretar informações exibidas na tela e executar tarefas mais complexas em diferentes aplicativos do ecossistema Apple.

Também existe expectativa para o lançamento de uma versão independente da Siri, em formato semelhante aos atuais chatbots de IA, potencialmente abrindo espaço para novas formas de monetização. Além disso, investidores acompanham possíveis atualizações dos sistemas operacionais da companhia, adaptações para novos formatos de hardware e avanços na integração entre dispositivos, elementos que podem reforçar a competitividade do ecossistema Apple nos próximos anos. 

Embora o mercado costume reagir de forma cautelosa aos anúncios da WWDC no curto prazo, o evento possui relevância para a tese de investimento. Mais do que apresentar novos produtos, a Apple precisa convencer investidores de que está preparada para ocupar um papel relevante na era da IA.

Em nossa visão, a empresa continua reunindo atributos difíceis de replicar, como uma base extremamente fiel de usuários, forte capacidade de geração de caixa, integração única entre hardware e software e uma das marcas mais valiosas do mundo. Caso a WWDC consiga demonstrar avanços concretos na estratégia de IA, o evento poderá representar um passo importante para reforçar a confiança dos investidores na capacidade da companhia de continuar gerando crescimento e valor para os acionistas ao longo da próxima década, incluindo os investidores brasileiros expostos às BDRs AAPL34

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Ibovespa hoje: payroll em foco, Hezbollah rejeita cessar-fogo e Zelenskyy volta a falar de paz com a Rússia; veja os destaques

5 de Junho de 2026, 10:29

Os mercados globais encerram a semana em compasso de espera, com as atenções concentradas em dois temas principais: o relatório de emprego dos Estados Unidos e a persistente instabilidade no Oriente Médio. Após meses de forte valorização impulsionada pela inteligência artificial, investidores realizaram lucros em tecnologia, movimento que pressionou sobretudo as bolsas asiáticas e os futuros americanos.

Ao mesmo tempo, o payroll ganha relevância por ajudar a calibrar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve. Um mercado de trabalho ainda resiliente reforçaria a percepção de que a economia americana continua sustentando o crescimento, enquanto uma desaceleração mais acentuada poderia provocar uma reavaliação importante das perspectivas para juros e atividade econômica.

No campo geopolítico, o cenário permanece delicado. O Hezbollah rejeitou uma nova proposta de cessar-fogo no Líbano, enquanto o Irã voltou a condicionar qualquer avanço nas negociações com Washington à implementação de uma trégua efetiva na região. Apesar da retórica mais dura e da continuidade dos combates, os mercados reagiram de forma contida. Paralelamente, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, voltou a defender negociações de paz com a Rússia, enquanto os Estados Unidos avançaram com novas medidas de apoio à Ucrânia e sanções contra Moscou.

· 00:59 — Dias de luta e dias de glória

No Brasil, o mercado encerrou a quarta-feira anterior ao feriado de Corpus Christi sob forte pressão. O Ibovespa recuou 2,22%, fechando aos 170.331 pontos, seu menor nível desde janeiro, enquanto o dólar avançou 1,15%, para R$ 5,06. A agenda doméstica desta sexta-feira é relativamente esvaziada, mas o mercado deve refletir parcialmente a recuperação observada ontem nas ADRs brasileiras negociadas em Nova York, após a forte correção da véspera. Esse movimento já aparece de forma moderada nos contratos futuros desta manhã, sugerindo uma abertura ligeiramente mais favorável para os ativos locais.

No campo político e institucional, passa a valer hoje a classificação das principais facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos Estados Unidos, medida que pode adicionar novos elementos à relação entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca. Paralelamente, o chamado “tarifaço 2.0” continua no radar dos investidores, embora ainda exista espaço para adiamentos, negociações e eventuais ajustes em sua implementação.

Do ponto de vista político, ambos os temas têm potencial para influenciar o debate público e a narrativa de soberania nacional adotada pelo governo. Resta acompanhar como esses acontecimentos serão absorvidos pela opinião pública e se produzirão efeitos perceptíveis nas próximas pesquisas de popularidade e intenção de voto.

· 01:48 — Os tão aguardados dados de emprego

Nos Estados Unidos, os mercados seguem divididos entre a resiliência da economia e as dúvidas crescentes sobre a sustentabilidade do entusiasmo em torno da inteligência artificial. A Broadcom frustrou parte dos investidores ao manter inalterada sua projeção de receita para o segmento de chips voltados à IA em 2027, sem apresentar revisões adicionais para cima. A reação foi imediata: as ações da companhia recuaram, pressionando outras empresas associadas ao tema e reacendendo o debate sobre possíveis excessos de valorização no setor.

As preocupações ganharam força após declarações de Ray Dalio, fundador da Bridgewater, que alertou para características típicas de ciclos de exuberância observadas em momentos anteriores do mercado. Ainda assim, a inteligência artificial continua sendo a principal narrativa estrutural dos mercados americanos, sustentada por investimentos bilionários, forte crescimento de usuários em plataformas como o Gemini, da Alphabet, e pelo otimismo demonstrado por lideranças do setor, como Jensen Huang, da Nvidia.

Paralelamente, as atenções dos investidores permanecem voltadas para o mercado de trabalho e para os próximos passos do Federal Reserve. A expectativa para o payroll de maio aponta para a criação de aproximadamente 85 mil vagas, com a taxa de desemprego permanecendo estável em 4,3%. Ao mesmo tempo, a desaceleração do crescimento salarial sugere que a atividade econômica continua relativamente sólida sem gerar pressões inflacionárias adicionais significativas.

Ainda assim, a combinação entre inflação persistente, alta recente das commodities e um mercado de trabalho que segue resiliente mantém o banco central americano em posição cautelosa. Jeffrey Schmid, presidente do Fed de Kansas City, voltou a destacar que a autoridade monetária poderá ser obrigada a manter os juros elevados por mais tempo — ou até mesmo considerar novos ajustes de alta — caso a inflação não continue avançando de forma consistente em direção à meta. Em síntese, os mercados americanos seguem equilibrando três forças centrais: a solidez da economia, o impulso proporcionado pela inteligência artificial e o desafio de reconduzir a inflação aos níveis desejados.

· 02:34 — Aparando arestas

A tentativa de cessar-fogo anunciada entre Israel e Líbano trouxe algum alívio inicial aos mercados, mas os obstáculos para uma solução duradoura permanecem relevantes. O principal desafio é que o conflito não envolve diretamente o Estado libanês, mas sim o Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã que rejeitou os termos do acordo e continua operando no sul do país.

Como Teerã condicionou qualquer avanço nas negociações com Washington à implementação de uma trégua efetiva no Líbano, a resistência do Hezbollah reduz significativamente as chances de um entendimento mais amplo capaz de diminuir as tensões na região. Ao mesmo tempo, Israel segue sob forte pressão doméstica para manter sua campanha militar, enquanto o governo iraniano afirma que ainda não houve progresso concreto nas negociações de paz conduzidas com os Estados Unidos.

Nos Estados Unidos, o conflito também começa a produzir repercussões políticas internas. A Câmara dos Representantes aprovou uma resolução que busca restringir a capacidade do presidente Donald Trump de ampliar o envolvimento militar americano contra o Irã sem autorização formal do Congresso, contando inclusive com o apoio de alguns parlamentares republicanos.

Embora a proposta enfrente obstáculos para se tornar lei e tenha impacto prático limitado no curto prazo, sua aprovação sinaliza um desgaste gradual do apoio político à continuidade da guerra. Dessa forma, o Oriente Médio vive um momento de aparente distensão, mas ainda marcado por elevada fragilidade, interesses estratégicos conflitantes e riscos relevantes para a estabilidade regional, os mercados de energia e o cenário geopolítico global.

· 03:25 — Impactos heterogêneos

A escalada dos preços do petróleo e o aumento da volatilidade observados desde o início do conflito no Golfo Pérsico vêm produzindo impactos bastante distintos entre as principais economias globais. Na Ásia, Índia e Coreia do Sul estão entre os países mais expostos ao choque energético, em razão da elevada dependência de importações para suprir sua demanda doméstica por combustíveis. Como resultado, ambas passaram a sentir de forma mais intensa o aumento dos custos de energia, com reflexos sobre consumidores, empresas e expectativas para a atividade econômica.

Embora China, Japão e Coreia do Sul tenham reduzido parte de suas importações de petróleo em resposta ao novo ambiente de preços, a Índia manteve volumes praticamente estáveis. Essa postura reflete características estruturais da economia indiana, como a forte dependência de energia importada, a menor capacidade de armazenamento estratégico e a necessidade de sustentar o crescimento de uma economia que continua em expansão. Na tentativa de amenizar os impactos para a população, o governo chegou a congelar temporariamente os preços dos combustíveis, mas a medida foi gradualmente flexibilizada, permitindo novos reajustes por parte das distribuidoras locais.

Em contraste, os Estados Unidos vêm enfrentando efeitos relativamente mais moderados. A condição de exportador líquido de energia reduz a sensibilidade da economia americana aos choques internacionais no mercado de petróleo, funcionando como um importante amortecedor em períodos de tensão geopolítica.

O episódio ilustra como a estrutura energética de cada país pode influenciar significativamente sua capacidade de absorver oscilações nos preços das commodities, com consequências relevantes para a inflação, o crescimento econômico e as decisões de política monetária.

· 04:17 — O novo e fragmentado mundo

As relações entre Estados Unidos e Europa atravessam um período de crescente desgaste, refletindo as dificuldades de coordenação entre aliados em um ambiente internacional cada vez mais complexo. Segundo Jens Stoltenberg, ex-secretário-geral da OTAN, as divergências entre Washington e os países europeus tornaram-se ainda mais difíceis de administrar do que durante o primeiro mandato de Donald Trump.

Entre os principais pontos de atrito estão as diferenças de posicionamento em relação ao conflito com o Irã e a pressão exercida pelos Estados Unidos para que os membros europeus ampliem seus gastos com defesa. Enquanto Trump critica a falta de apoio europeu às iniciativas americanas no Oriente Médio e volta a questionar o comprometimento dos aliados com a segurança coletiva, diversas lideranças do continente resistem a um alinhamento automático com Washington, evidenciando uma aliança mais tensionada em um cenário marcado pela fragmentação geopolítica.

Paralelamente, o comércio global continua passando por uma transformação estrutural relevante. Embora o debate sobre o eventual fim da globalização tenha ganhado força diante da escalada das tensões comerciais, da rivalidade entre Estados Unidos e China e da adoção de políticas industriais mais intervencionistas, os dados sugerem uma dinâmica mais sofisticada do que uma simples reversão da integração econômica global.

O setor manufatureiro tem apresentado um processo gradual de regionalização, com blocos como América do Norte e União Europeia concentrando uma parcela crescente de suas cadeias produtivas dentro de suas próprias regiões. Ainda assim, segmentos como serviços, commodities e fluxos financeiros permanecem amplamente integrados em escala global. Em outras palavras, o mundo parece caminhar menos para uma desglobalização completa e mais para uma reorganização das relações econômicas em torno de grandes blocos regionais, preservando parte importante da interdependência construída nas últimas décadas.

· 05:06 — A IA está cara ou apenas no começo?

A correção observada ontem nas ações ligadas à inteligência artificial reacendeu um debate recorrente em Wall Street: estamos diante de uma transformação tecnológica sustentável ou de mais um episódio de exuberância excessiva nos mercados?

O gatilho para essa discussão foi a reação negativa aos resultados da Broadcom. Embora a companhia tenha divulgado números robustos e mantido boas projeções para seus negócios relacionados à inteligência artificial, parte dos investidores esperava revisões ainda mais agressivas para cima. O episódio serviu como lembrete de que, após um longo período de valorização, o mercado passou a exigir não apenas crescimento, mas uma aceleração constante das expectativas. Ainda assim, correções pontuais e períodos de volatilidade não invalidam a tese da inteligência artificial.

Na prática, movimentos dessa natureza costumam fazer parte de ciclos de inovação, nos quais o sentimento dos investidores oscila entre momentos de euforia e fases de maior ceticismo, sem necessariamente interromper o avanço da transformação tecnológica.

O desempenho recente das ações de tecnologia chama ainda mais atenção porque ocorreu em um ambiente que, em tese, favoreceria uma postura mais cautelosa. Mesmo diante das tensões no Oriente Médio, da alta do petróleo e dos riscos associados à inflação e às cadeias globais de suprimento, o mercado continuou direcionando capital para empresas ligadas à inteligência artificial, semicondutores e infraestrutura digital.

Em grande medida, isso reflete a percepção de que a tecnologia deixou de ser apenas um segmento específico da economia para se tornar uma camada fundamental que sustenta praticamente todas as atividades produtivas. Bancos, indústrias, varejistas, empresas de logística e prestadores de serviços dependem cada vez mais de software, computação em nuvem, processamento de dados e capacidade computacional, o que ajuda a explicar por que os investidores continuam antecipando ganhos futuros de produtividade e crescimento.

Ao mesmo tempo, a própria natureza da revolução da inteligência artificial está alterando o foco dos mercados. Se durante muitos anos a atenção esteve concentrada em aplicativos, plataformas digitais e publicidade online, hoje a discussão gira em torno de quem controla a infraestrutura necessária para sustentar essa transformação: chips, memória, data centers, energia, redes e equipamentos especializados.

Isso cria oportunidades não apenas para as grandes empresas de tecnologia, mas também para fornecedores estratégicos distribuídos ao longo de toda a cadeia global. Ainda assim, o potencial estrutural da tese não elimina os riscos. A história mostra que grandes ciclos de inovação frequentemente convivem com momentos de exagero nos preços dos ativos. Por isso, o desafio do investidor continua sendo distinguir a força da tendência de longo prazo da qualidade de cada empresa e do preço pago por ela, equilibrando convicção e disciplina na construção do portfólio.

Para o investidor que deseja participar dessa transformação sem a necessidade de selecionar individualmente os potenciais vencedores do setor, o ETF GENB11 surge como uma alternativa eficiente e acessível. O fundo busca replicar o desempenho do índice S&P/B3 Ingenius, que reúne algumas das maiores e mais inovadoras empresas de tecnologia do mundo, incluindo nomes como Apple, Microsoft e Alphabet.

Em vez de apostar em uma única companhia ou em uma tecnologia específica, o investidor passa a ter exposição a um conjunto diversificado de líderes globais que vêm capturando o avanço da digitalização, da computação em nuvem, da inteligência artificial e da economia baseada em dados. Em minha visão, essa abordagem faz ainda mais sentido em um momento em que a inovação tecnológica continua avançando, mas a volatilidade de curto prazo permanece elevada.

Assim, o GENB11 oferece uma forma simples de acessar uma das principais tendências estruturais da economia global por meio da B3, combinando diversificação, exposição internacional e participação no crescimento de empresas que seguem moldando o futuro da tecnologia.

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Mercados entre a resiliência dos ativos de risco e a intensificação das tensões no Oriente Médio; veja os destaques desta quarta (3)

3 de Junho de 2026, 10:49

Os mercados globais iniciam o dia divididos entre a resiliência dos ativos de risco e a intensificação das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Com a recente escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã, marcada por ataques a alvos estratégicos, tentativas de ofensivas com drones e novas ameaças envolvendo o Estreito de Ormuz, o petróleo voltou a avançar e se aproxima de US$ 98 por barril, refletindo os riscos para a oferta global de energia, enquanto investidores monitoram atentamente a possibilidade de novos desdobramentos militares capazes de influenciar inflação, crescimento econômico e política monetária em diversas regiões do mundo.

Nos Estados Unidos, a agenda econômica ganha relevância com a divulgação do relatório ADP de criação de empregos no setor privado, dos PMIs de serviços e composto, dos estoques semanais de petróleo e do Livro Bege do Federal Reserve.

Além dos indicadores, o mercado acompanha discursos de dirigentes do Fed em busca de sinais sobre a trajetória dos juros. Paralelamente, Donald Trump voltou a defender uma nova rodada de tarifas sobre importantes parceiros comerciais, reforçando uma agenda mais protecionista que pode gerar pressões inflacionárias adicionais justamente em um momento em que o banco central americano ainda busca consolidar o processo de convergência da inflação para a meta.

Mesmo diante desse ambiente mais complexo, a principal força de sustentação dos mercados continua sendo o setor de tecnologia e inteligência artificial. O Nasdaq acumula forte recuperação desde as mínimas registradas em março, enquanto o S&P 500 renovou sucessivos recordes nas últimas semanas.

· 00:56 — Atividade aquecida

Apesar do aumento das tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o mercado brasileiro voltou a apresentar alguma recuperação, com o Ibovespa avançando após a forte correção observada nos últimos pregões.

Ainda assim, para hoje, o principal foco deve continuar sendo a ofensiva tarifária do governo americano. Além da proposta de tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros no âmbito da Seção 301, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a investigações envolvendo o comércio de bens produzidos com trabalho forçado, ampliando o grau de incerteza para exportadores e investidores.

Ainda assim, o impacto macroeconômico tende a ser relativamente limitado, uma vez que as exportações brasileiras para os Estados Unidos representam cerca de 2% do PIB, enquanto as medidas ainda estão passíveis de consultas públicas, negociações diplomáticas e eventuais contestações judiciais.

Paralelamente, o debate em torno do Pix ganhou relevância por representar uma transformação mais ampla da infraestrutura financeira.

Desde seu lançamento, o sistema brasileiro demonstrou que pagamentos instantâneos, disponíveis 24 horas por dia e a custos reduzidos, podem substituir parte da intermediação tradicional do sistema bancário.

Muitos enxergam nessa evolução uma prévia do papel que as stablecoins poderão desempenhar em escala global. Em 2025, essas moedas digitais movimentaram cerca de US$ 33 trilhões em transações, superando o volume processado em conjunto por Visa e Mastercard.

A tendência aponta para um sistema financeiro cada vez mais rápido, eficiente, global e programável, no qual o Pix pode ser visto como um dos primeiros capítulos de uma transformação que tende a alcançar também os mercados de capitais e os ativos tokenizados.

Na agenda doméstica, os dados de produção industrial vieram acima das expectativas, reforçando a percepção de que a atividade econômica continua mais resiliente do que o esperado.

Para a política monetária, essa dinâmica se soma a um ambiente de inflação pressionada e expectativas em deterioração, reduzindo o espaço para novos cortes da Selic. Os fundamentos que sustentavam um ciclo mais prolongado de flexibilização perderam força diante da combinação entre inflação surpreendendo para cima, mercado de trabalho aquecido e crescimento econômico consistente.

Embora ainda seja possível observar mais um ajuste residual — ou, no máximo, dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual — a percepção predominante é de que o Banco Central se aproxima do fim do ciclo de redução dos juros, com elevada probabilidade de manutenção da taxa em patamar estável até o final do ano.

· 01:47 — E o rali continua apesar dos ruídos globais

Os Estados Unidos seguem no centro das atenções dos mercados globais, combinando uma economia ainda resiliente com um ambiente geopolítico e comercial cada vez mais complexo.

Apesar das tensões no Oriente Médio e da alta recente do petróleo, Wall Street permanece nas máximas históricas, sustentada principalmente pelo bom desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial.

Empresas como Nvidia, Alphabet, Anthropic e diversas companhias ligadas à infraestrutura tecnológica seguem anunciando investimentos bilionários, novas parcerias e captações de recursos para expandir data centers, redes e capacidade computacional.

Esse movimento reforça a percepção de que a inteligência artificial permanece como a principal narrativa estrutural dos mercados americanos, ajudando a sustentar lucros, atrair fluxo de capital e impulsionar o desempenho das bolsas, mesmo em um ambiente de juros ainda elevados.

Isso depois de um relatório de rotatividade de mão de obra mais forte do que o esperado e de novas medidas tarifárias, que pode gerar novas pressões inflacionárias em um momento em que o Fed ainda busca consolidar a convergência da inflação para a meta.

Dessa forma, os mercados americanos seguem equilibrando três forças: a resiliência da economia, o impulso proporcionado pela inteligência artificial e os riscos crescentes associados à geopolítica e ao comércio.

· 02:34 — A sanha tarifária está de volta

As tensões comerciais voltaram ao centro das atenções após o governo Donald Trump propor novas tarifas de importação para cerca de 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. A medida prevê uma alíquota mínima de 10% para produtos originários de economias como Canadá, México, União Europeia, Reino Unido e Taiwan, enquanto países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Brasil e Suíça poderão ser submetidos a tarifas de 12,5%.

Embora a justificativa formal esteja relacionada a uma investigação sobre falhas no combate ao comércio de bens produzidos com trabalho forçado, a iniciativa também se insere em uma estratégia mais ampla de reconstrução da política tarifária da atual administração americana, após parte das medidas anteriores ter sido contestada judicialmente. O movimento reforça a percepção de que o protecionismo continuará ocupando papel relevante na agenda comercial dos Estados Unidos.

Para o Brasil, o tema ganha importância adicional porque surge logo após a recomendação de tarifas de 25% sobre diversos produtos brasileiros no âmbito de outra investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), relacionada à Seção 301.

Embora ainda existam incertezas sobre uma eventual cumulatividade entre as diferentes medidas, o anúncio amplia o grau de incerteza para exportadores e investidores. Além disso, a discussão ocorre em um contexto internacional já marcado pela alta dos preços de energia e commodities em decorrência das tensões no Oriente Médio. Nesse ambiente, a nova ofensiva tarifária tem potencial para aumentar os custos de produção, pressionar a inflação global e elevar a volatilidade dos mercados financeiros ao longo dos próximos meses.

· 03:22 — Estão preparados para o Super El Niño?

O possível retorno do El Niño voltou a ganhar atenção após a Organização Meteorológica Mundial elevar para 80% a probabilidade de desenvolvimento do fenômeno até o fim de agosto.

Caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e pelo enfraquecimento dos ventos alísios, o El Niño pode provocar mudanças relevantes nos padrões climáticos globais, ampliando o risco de secas, enchentes, incêndios florestais, furacões e outros eventos extremos em diferentes regiões.

Além disso, cresce a preocupação com a possibilidade de um “Super El Niño”, episódio mais intenso que poderia contribuir para temperaturas globais recordes em 2027. Historicamente, fenômenos dessa magnitude já produziram impactos econômicos importantes, afetando cadeias produtivas, pressionando preços de commodities e reduzindo o crescimento global.

Para os mercados, o tema vai além. Alterações nos regimes de chuva e temperatura podem afetar a produção agrícola, a oferta de alimentos, os custos de energia e a logística global, gerando pressões inflacionárias e influenciando decisões de política monetária.

No Brasil, os riscos são particularmente relevantes para o agronegócio e para a geração hidrelétrica: enquanto o Sul costuma enfrentar excesso de chuvas e maior risco de enchentes, Norte e Nordeste tendem a sofrer com temperaturas mais elevadas e períodos de seca.

Em um ambiente já marcado por preocupações com inflação e juros, o comportamento do Pacífico passa a ser uma variável econômica importante, reforçando que fatores climáticos também podem exercer influência significativa sobre crescimento, mercados e preços de ativos nos próximos trimestres.

· 04:15 — Nova expansão fiscal

O Japão anunciou um orçamento suplementar de cerca de US$ 19,4 bilhões, para mitigar os impactos da inflação e da alta dos preços das commodities associadas à instabilidade no Oriente Médio. O pacote inclui uma reserva de US$ 16 bilhões, destinada principalmente a subsídios para combustíveis, além de recursos para recompor reservas orçamentárias e apoiar governos regionais.

A medida, porém, exigirá nova emissão de dívida em um momento em que os investidores acompanham com atenção a trajetória fiscal do país e a recente alta dos rendimentos dos títulos públicos japoneses, movimento que reflete preocupações com inflação, aumento dos gastos públicos e o processo gradual de normalização monetária conduzido pelo Banco do Japão.

Ao mesmo tempo, o governo japonês voltou a demonstrar preocupação com a desvalorização do iene. A ministra das Finanças, Satsuki Katayama, reiterou que as autoridades estão preparadas para intervir no mercado cambial sempre que necessário, enquanto a moeda voltou a se aproximar de 160 ienes por dólar, patamar semelhante ao que motivou intervenções recentes.

Entre o fim de abril e maio, o governo gastou um valor recorde de aproximadamente US$ 73,5 bilhões para sustentar a moeda. O movimento evidencia o desafio enfrentado pelo Japão: equilibrar estímulos fiscais, inflação mais elevada, normalização gradual dos juros e a necessidade de evitar uma depreciação excessiva do iene, fatores que devem continuar influenciando os mercados japoneses nos próximos meses.

· 05:01 — Ainda dá para comprar?

Como comentei ontem, a Marvell Technology voltou ao centro das atenções do mercado após disparar 32% em um único pregão, impulsionada por declarações de Jensen Huang, CEO da Nvidia, que afirmou enxergar a companhia como a próxima potencial integrante do seleto grupo de empresas avaliadas em US$ 1 trilhão.

A fala ganhou peso adicional por vir de uma empresa que já investiu cerca de US$ 2 bilhões na Marvell e mantém uma parceria estratégica voltada à infraestrutura de inteligência artificial. A tese está diretamente ligada ao crescimento exponencial dos data centers de IA, que exigem soluções cada vez mais sofisticadas de conectividade, redes e componentes ópticos, áreas nas quais a Marvell ocupa posição relevante. Não por acaso, outras empresas ligadas ao segmento de óptica também registraram altas.

Mesmo após a expressiva alta recente, a empresa ainda está distante da marca simbólica de US$ 1 trilhão em valor de mercado. Após o rali, a Marvell passou a valer aproximadamente US$ 254 bilhões, o que significa que ainda precisaria avançar cerca de 300% para atingir o patamar mencionado por Huang.

Naturalmente, trata-se de uma projeção ambiciosa e sujeita a riscos de execução, concorrência e ciclos do setor de tecnologia. Ainda assim, a companhia permanece bem posicionada em uma das áreas mais estratégicas da revolução da inteligência artificial: a infraestrutura necessária para conectar e alimentar os gigantescos data centers que sustentam esse crescimento.

Para investidores brasileiros, as BDRs M2RV34 (lá fora o ticker é MRVL na Nasdaq) seguem oferecendo uma forma acessível de capturar essa tendência estrutural por meio da B3, mantendo exposição a uma empresa que pode continuar se beneficiando da expansão global dos investimentos em IA nos próximos anos.

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