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Warren Buffett devia só US$ 7 em impostos aos 14 anos — veja sua 1ª declaração

25 de Abril de 2026, 07:45

Warren Buffett, que hoje tem um patrimônio avaliado em US$ 143 bilhões e já foi o homem mais rico do mundo, já ganhou meros centavos como entregador de jornais na adolescência.

O “Oráculo de Omaha” apresentou sua primeira declaração de imposto de renda em 1944, quando tinha apenas 14 anos, por seus ganhos entregando jornais em Washington, D.C.. Ele devia apenas US$ 7 em impostos federais, de acordo com a declaração de duas páginas que compartilhou com o PBS NewsHour, em 2017. Veja a declaração original de imposto de 1944 de Warren Buffett via PBS NewsHour.

Naquele ano, ele ganhou US$ 592,50, pouco acima do limite exigido na época para declarar renda bruta de US$ 500 ou mais. Hoje, seus ganhos seriam equivalentes a US$ 11.244,32, e seus impostos seriam de US$ 132,84, segundo dados de inflação do CPI (Índice de Preços ao Consumidor dos EUA).

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Isso está muito distante dos US$ 26,8 bilhões que Buffett disse que sua empresa, a Berkshire Hathaway, pagou em impostos em 2024, de acordo com sua carta anual aos acionistas. Foi o maior pagamento já feito ao governo dos EUA até então.

Mas Buffett nunca pagou seus impostos com ressentimento. Pelo contrário, há muito tempo ele argumenta que não paga impostos suficientes. Antes de Buffett assumir o controle da empresa em 1965, ele disse que a Berkshire “não pagava um centavo de imposto de renda”, o que chamou de “um constrangimento”.

“Esse tipo de comportamento econômico pode ser compreensível para startups glamorosas, mas é um sinal amarelo piscante quando acontece em um respeitável pilar da indústria americana”, escreveu Buffett na carta aos acionistas.

Warren Buffett começou como entregador de jornais

Buffett nasceu em 30 de agosto de 1930, em Omaha, único filho homem de Howard e Leila Buffett (ele tem duas irmãs). Seu pai, Howard Buffett, era corretor de ações e posteriormente serviu por quatro mandatos como congressista dos EUA, sendo uma influência inicial no fascínio de Warren por negócios e mercados. Quando Howard foi eleito para o Congresso, a família se mudou para Washington, D.C., onde o jovem Warren encontrou trabalho entregando jornais.

Buffett entregava edições matutinas e vespertinas do The Washington Post e do extinto Washington Times-Herald, trabalhando em uma rota que passava pelas casas de seis senadores e um juiz da Suprema Corte, contou ele à PBS.

Em 1944, ele ganhou US$ 364 com essa rota. Buffett, que começou a investir aos 11 anos, também ganhou US$ 228 em juros e dividendos naquele ano, após comprar três ações preferenciais da Cities Service. Isso elevou sua renda total naquele ano para US$ 592,50.

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De acordo com as regras do IRS na época, qualquer cidadão dos EUA, incluindo menores de idade, que ganhasse US$ 500 ou mais era obrigado a declarar, e ele pagou apenas US$ 7 em impostos.

As deduções fiscais de um Buffett de 14 anos

Como qualquer adulto faria, Buffett garantiu deduzir suas despesas comerciais naquele ano em sua declaração de imposto. Ele anexou uma nota manuscrita documentando duas despesas: US$ 10 para conserto de relógio e US$ 35 para custos diversos com bicicleta. Buffett usava ambos religiosamente em sua rota matinal de entrega de jornais.

Ao deduzir esses custos, ele reduziu sua renda tributável como qualquer empreendedor experiente ou trabalhador de “bicos” faria — mas ele tinha apenas 14 anos.

“Eu paguei imposto de renda federal todos os anos desde 1944”, disse Buffett em uma declaração de 2016 respondendo a questionamentos sobre seu histórico fiscal. “Embora, sendo um iniciante lento, eu devesse apenas US$ 7 em impostos naquele ano.”

De entregador de jornais a bilionário

A rota de jornais foi apenas um dos primeiros empreendimentos de Buffett.Aos 15 anos, ele já havia ganho US$ 2.000 com entregas e usou US$ 1.200 para comprar uma fazenda em seu estado natal, Nebraska, de acordo com sua biografia de 2008, The Snowball, de Alice Schroeder. Buffett também teria um acordo de divisão de lucros com o agricultor.

Ele e um amigo mais tarde compraram uma máquina de pinball usada por US$ 25, colocaram-na em uma barbearia e, em poucos meses, tinham máquinas operando em três locais em Washington, D.C. Eles venderam a operação por US$ 1.200.

“[Eu] construí um pequeno império com isso”, disse ele a Bill Gates durante uma visita a uma loja de doces em Omaha, na reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway em 2018.

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Quando se formou na faculdade, Buffett havia acumulado US$ 9.800 em economias. Ele estudou com o lendário investidor de valor Benjamin Graham na Columbia Business School, lançou sua própria parceria de investimentos em 1956 e assumiu o controle de uma fabricante têxtil em dificuldades, a Berkshire Hathaway, em meados dos anos 1960 — transformando-a em uma das empresas mais valiosas do mundo. Buffett se aposentou como CEO da Berkshire Hathaway no final de 2025, mas ainda possui uma fortuna de US$ 143 bilhões.

O garoto que pagou US$ 7 cresceu dizendo que não pagava o suficiente

A trajetória da relação de Buffett com o fisco é, segundo ele próprio, peculiar. O homem que documentava meticulosamente seus consertos de bicicleta aos 14 anos tornou-se, décadas depois, uma das vozes mais proeminentes a argumentar que pessoas como ele são pouco tributadas.

Ele já destacou que paga uma taxa efetiva de imposto menor do que sua secretária de longa data, Debbie Bosanek.

“Debbie trabalha tão duro quanto eu e paga o dobro da taxa que eu pago”, disse ele à ABC News em 2012. “Acho isso ultrajante.”

O contraste ficou tão conhecido que o então presidente Barack Obama propôs o que ficou conhecido como “Buffett Rule”, que exigiria que indivíduos que ganham mais de US$ 1 milhão por ano pagassem pelo menos 30% de sua renda em impostos. O projeto foi bloqueado por uma obstrução republicana em 2012.

Buffett continuou defendendo essa ideia publicamente. Na reunião anual de acionistas da Berkshire Hathaway de 2024, ele previu que impostos mais altos eram “bastante prováveis”, citando a política fiscal, e criticou outras empresas por examinarem constantemente o código tributário em busca das menores brechas.

“Eles podem decidir que, em algum momento, não querem que o déficit fiscal seja tão grande, porque isso tem consequências importantes”, disse Buffett em 2024. “E podem não querer reduzir muito os gastos, e podem decidir que vão pegar uma parcela maior do que ganhamos, e nós vamos pagar.”

Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com e foi traduzido com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA. 

Nova tabela do IR 2026: quanto a Receita morde do seu salário?

24 de Abril de 2026, 20:41

A forma de calcular o Imposto de Renda 2026 não mudou, mas isso não significa que o impacto no bolso do contribuinte permaneça estático. Ajustes recentes na tabela, especialmente na faixa de isenção, que passou a R$ 2.428,80, continuam influenciando o quanto, de fato, cada trabalhador entrega ao Fisco mês a mês.

O IR no Brasil segue um modelo progressivo. Em vez de aplicar uma única alíquota sobre toda a renda, o sistema divide o salário em “pedaços”, que são tributados separadamente conforme avançam nas faixas. Na prática, isso evita saltos bruscos de tributação, mas não impede que aumentos salariais levem o contribuinte a pagar mais imposto ao ultrapassar determinados limites.

O cálculo não começa diretamente no salário bruto. Antes, entram descontos obrigatórios, como a contribuição ao INSS, e também a possibilidade do desconto simplificado, que reduz automaticamente a base de cálculo. É sobre esse valor final que a tabela do IR é aplicada.

A estrutura atual segue organizada em cinco faixas, com alíquotas que variam de 0% a 27,5%, além de parcelas fixas de dedução que ajudam a ajustar o valor final devido. Veja como funciona:

Faixa Renda Mensal (R$) Alíquota Dedução (R$)
Faixa 1 Até 2.428,80 Isento 0,00
Faixa 2 De 2.428,81 até 2.826,65 7,5% 182,16
Faixa 3 De 2.826,66 até 3.751,05 15% 394,16
Faixa 4 De 3.751,06 até 4.664,68 22,5% 675,49
Faixa 5 Acima de 4.664,68 27,5% 908,73

Embora a alíquota máxima seja de 27,5%, poucos contribuintes pagam esse percentual sobre toda a renda. Em cada faixa só incide imposto sobre a parcela correspondente do salário. É justamente esse mecanismo que reduz a chamada “alíquota efetiva”, ou seja, o percentual real pago no fim das contas.

Para entender melhor, considere um trabalhador com renda mensal de R$ 4 mil em rendimentos tributáveis. Após o desconto automático de R$ 607,20 (criado pelo governo para alcançar quem ganhava até R$ 3.036), a base de cálculo cai para R$ 3.392,80. Esse valor se enquadra na terceira faixa, mas o imposto é distribuído entre diferentes níveis da tabela:

Faixa Parcela na faixa (R$) Alíquota Imposto pago (R$)
1 Até 2.428,80 Isento 0,00
2 397,85 7,5% 29,84
3 566,15 15% 84,92
4 0,00 22,5% 0,00
5 0,00 27,5% 0,00
Total 3.392,80 Alíquota efetiva: 2,86% 114,76

Fonte: Receita Federal

Nesse caso, apesar de o contribuinte estar na faixa de 15%, o imposto total pago representa apenas 2,86% da renda tributável. Isso acontece porque grande parte do salário ainda está nas faixas inferiores, com alíquotas menores ou até isentas.

Outra forma de fazer essa conta é aplicar diretamente a alíquota cheia da faixa correspondente sobre a base de cálculo e, depois, subtrair a parcela de dedução indicada na tabela. Esse método chega ao mesmo resultado final, mas com menos etapas.

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Veja os valores de dedução atualmente aplicáveis:

Faixa Dedução (R$)
Faixa 1 0,00
Faixa 2 182,16
Faixa 3 394,16
Faixa 4 675,49
Faixa 5 908,73

Mesmo com essa lógica mais equilibrada, a tabela do Imposto de Renda ainda recebe críticas. Ao longo dos anos, nem sempre os valores foram corrigidos integralmente pela inflação. Na prática, isso pode fazer com que trabalhadores que tiveram apenas reajustes salariais para recompor perdas acabem migrando para faixas mais altas, e, consequentemente, pagando mais imposto.

No fim das contas, entender quanto a Receita “morde” do salário vai além de olhar a alíquota nominal. O valor efetivo depende de uma combinação de renda, descontos, modelo de cálculo e até o tipo de declaração escolhido. Ainda assim, conhecer a tabela e suas regras é o primeiro passo para evitar surpresas e organizar melhor o orçamento.

Imposto de Renda 2026: este é o checklist final para você não cair na malha fina

24 de Março de 2026, 15:13

Nesta segunda-feira (23), a Receita Federal inaugurou oficialmente a temporada do Imposto de Renda de 2026 (ano-base 2025). Ao enviar a declaração, o governo cruza automaticamente os dados informados pelos contribuintes com informações enviadas por empresas, bancos, planos de saúde e outras instituições. Qualquer divergência faz com que a declaração seja separa para uma análise mais detalhada, a chamada malha fiscal ou “malha fina“.

Vale lembrar que cair na malha não significa, necessariamente, problemas com o Leão — não significa que existe erro. Apenas indica que alguma informação precisa ser comprovada. Enquanto a declaração estiver em análise, a restituição fica retida e não é paga até que a situação seja resolvida.

Checklist para não cair na malha

1- Saiba se você está mesmo obrigado a declarar

O primeiro passo para não cair nessa situação é garantir que o beneficiário está, de fato, obrigado a declarar. Pelas regras atualizadas da Instrução Normativa RFB nº 2.312/2026, deve prestar contas quem recebeu mais de R$ 35.584,00 em rendimentos tributáveis em 2025. Também entram na lista contribuintes com rendimentos isentos acima de R$ 200 mil, patrimônio superior a R$ 800 mil, receita rural acima de R$ 177.920,00 ou que realizaram operações em Bolsa com vendas acima de $R 40 mil ou ganhos tributáveis. A Receita também mantém atenção redobrada sobre investimentos no exterior, incluindo lucros, dividendos, aplicações financeiras e estruturas como trusts (empresa que oferece a terceirização da administração de bens e direitos de uma pessoa ou grupo familiar).

2- Preencha com muita atenção

Superada essa etapa, o cuidado maior está no preenchimento correto das informações. Rendimentos são um dos principais pontos de inconsistência, é essencial conferir se os valores declarados batem exatamente com os informes enviados pelas fontes pagadoras, além de verificar se o CNPJ está correto e se há rendimentos em nome de dependentes que precisam ser incluídos.

3- Verifique as deduções

Outro foco recorrente da malha fina são as deduções. No caso das despesas médicas, só podem ser abatidos gastos que se enquadram nas regras da Receita e que tenham comprovação adequada. Entram nessa lista pagamentos a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros profissionais de saúde, sempre com recibos ou notas fiscais contendo identificação completa do prestador e do paciente. Por outro lado, despesas com nutricionistas, vacinas ou medicamentos não são dedutíveis.

Também é preciso atenção aos planos de saúde. Apenas os valores efetivamente pagos, sem reembolso, podem ser abatidos, e é indispensável ter os comprovantes detalhados.

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Já quem declara despesas via Livro Caixa deve observar uma regra básica: apenas profissionais liberais, autônomos, titulares de cartório e leiloeiros podem utilizar essa dedução. Caso contrário, o correto é excluir esse item para evitar questionamentos.

4- Pensão alimentícia pode te complicar com o IR

Pagamentos de pensão alimentícia também exigem precisão. Só podem ser deduzidos valores definidos em decisão judicial, acordo homologado ou escritura pública. Pagamentos feitos por iniciativa própria, sem formalização legal, não são aceitos pela Receita.

Caí na malha fina, o que fazer?

Mesmo com todos os cuidados, se a declaração cair na malha fina, o caminho é acompanhar a situação pelo aplicativo ou site “Meu Imposto de Renda“, na aba “Pendências de malha“. Ali é possível identificar o motivo da retenção e corrigir eventuais erros por meio de uma declaração retificadora.

Caso a divergência exija comprovação, o contribuinte pode antecipar o envio de documentos pelo e-CAC, em formato digital. É importante apresentar não apenas os comprovantes relacionados à pendência, mas todos os documentos que sustentam as informações declaradas. Se estiver tudo correto, a declaração é liberada e volta ao fluxo normal, inclusive para pagamento da restituição, respeitando a fila e os critérios de prioridade.

Em situações mais formais, como quando há uma notificação de lançamento, o contribuinte pode solicitar a retificação do IR 2026 por meio de processo digital na Receita Federal. O pedido exige documentação, identificação e um requerimento assinado. Caso seja negado, ainda há a possibilidade de contestação em até 30 dias.

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