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Alívio externo e queda dos juros impulsionam Ibovespa; bancos e metais lideram ganhos

30 de Abril de 2026, 15:13

No exterior, os mercados operam em tom mais construtivo nesta quinta-feira (30), favorecidos pela acomodação dos preços do petróleo, que recuam ao redor de 3%, após a recente escalada e pela ausência de novos catalisadores que elevem as tensões geopolíticas.

A agenda macroeconômica americana também esteve no radar: o índice de preços ao consumidor (PCE) de março mostrou aceleração da inflação cheia, puxada por combustíveis, enquanto o núcleo perdeu fôlego na margem, permanecendo dentro do esperado.

Já o PIB dos EUA cresceu a uma taxa anualizada de 2% no primeiro trimestre, abaixo das projeções, mas sinalizando uma economia ainda resiliente, sustentada por investimentos e consumo de serviços.

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Esse conjunto de fatores contribui para um ambiente de juros estáveis no curto prazo e limita movimentos mais bruscos nos Treasuries, títulos do Tesouro americano, e no dólar, permitindo avanço das bolsas globais.

No Brasil, o ambiente externo mais benigno se soma ao recuo das taxas de juros futuros, mesmo após o tom mais cauteloso adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A leitura de que o ciclo de flexibilização monetária segue aberto — ainda que dependente da evolução do cenário internacional — sustenta o desempenho dos ativos locais.

Por volta das 15h, o Ibovespa avançava 1,39%, aos 187.318 pontos, impulsionado por ações de bancos e empresas ligadas a commodities metálicas. No câmbio, o dólar operava praticamente estável frente ao real (-0,02%), cotado a R$ 4,98, refletindo forças técnicas associadas à Ptax e o suporte do diferencial de juros doméstico.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, o movimento positivo é majoritário, com destaque para o setor financeiro, beneficiado tanto pelo ajuste de carteiras de fim de mês quanto pelo alívio observado nos juros futuros. Na ponta oposta, a Suzano (SUZB3) registra desempenho inferior após a divulgação de um resultado trimestral mais fraco, pressionado pelo desempenho da celulose.

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Já empresas de mineração e siderurgia ensaiam recuperação após as perdas recentes, acompanhando a melhora dos preços internacionais. Movimentos pontuais em petroquímicas e companhias industriais refletem fatores corporativos específicos e revisões de expectativas sobre gestão e resultados.

Alta das bolsas americanas acende alerta sobre o fim da queda do dólar, diz estrategista da Avenue

30 de Abril de 2026, 15:01

A alta recente das bolsas americanas traz um sinal de alerta para os brasileiros: o movimento de queda do dólar pode estar próximo do fim. Como mostramos nesta reportagem, a moeda americana deve encerrar abril no seu menor nível desde março de 2024, enquanto registra uma depreciação de 3,8% frente ao real no acumulado mensal. No entanto, o retorno do apetite dos investidores por ações ligadas à inteligência artificial pode inverter esse cenário.

Segundo William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, com a temporada de balanços, o mercado passa a observar as oportunidades no setor à medida que as companhias reportam seus resultados. Como os Estados Unidos reúnem o principal polo de tecnologia do mundo, o fluxo de capital dos investidores tende a ficar direcionado para as bolsas americanas.

“O fôlego visto nas bolsas americanas nas últimas semanas de abril não foi visto no Ibovespa. O índice da B3 não rompeu os 200 mil pontos, mas os índices Nasdaq e o S&P 500 estão próximos da sua máxima histórica. Isso é um sinal de alerta”, diz William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue, durante participação de live do E-Investidor. “Vejo que o mercado está voltando a olhar as oportunidades em tecnologia”, acrescenta.

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Segundo a agência Reuters, o S&P500 ⁠e o Nasdaq estão devem encerrar o mês ⁠de abril com os maiores ganhos desde 2020. Além disso, na quarta-feira (29), a Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft reportaram resultados sólidos, com crescimento do lucro líquido em comparação ao mesmo período do ano passado.

A dona da Google foi o grande destaque. Como mostramos nesta reportagem, a companhia reportou lucro líquido de US$ 62,58 bilhões, quase o dobro dos US$ 34,54 bilhões do mesmo período de 2025. O ganho por ação de US$ 5,11 ficou bem acima da estimativa consensual de Wall Street de US$ 2,63, e acima dos US$ 2,81 do ano passado.

Entenda a queda do dólar

Em abril, o dólar caminha para encerrar o mês abaixo dos R$ 5, seu menor nível desde março de 2024, com queda acumulada de quase 4%. A depreciação recente da moeda americana, porém, não reflete apenas um movimento pontual do mercado financeiro com a escalada das tensões geopolíticas.

Castro Alves ressalta que, desde a chegada de Donald Trump ao poder, o mundo acompanha de perto a agenda política e econômica da Casa Branca, que fragilizou a percepção do papel do dólar como porto seguro e alterou parte do fluxo de capital. Logo no início do seu mandato, o republicano anunciou um amplo pacote de tarifas de importação que atingiu mais de 90 países.

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“Quando Trump assumiu, muitos não acreditavam que ele iria implementar todas as políticas que havia prometido, especialmente no campo das tarifas. Mas ele fez”, ressalta Castro Alves. Já em 2026, novos riscos geopolíticos entraram no radar do mercado. Antes da guerra contra o Irã, houve a captura do ditador Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e as ameaças de Trump em usar a força militar para anexar a Groenlândia.

A sucessão desses eventos, aliada à imprevisibilidade dos desfechos, desencadeou um movimento de rotação de portfólio, com os investidores reduzindo suas alocações nos EUA e redirecionando para mercados emergentes, como o Brasil. Em 2026, os estrangeiros aportaram R$ 62,4 bilhões na Bolsa brasileira, segundo dados mais recentes da B3.

Além disso, a taxa Selic ainda permanece em patamares elevados em comparação a outras economias e atrai investidores estrangeiros que visam obter lucro pela diferença entre a taxa de juros de dois países, estratégia denominada como carry trade. “O Brasil também se beneficia porque, dentro dos emergentes, ele acaba sofrendo menos do que outras regiões em determinados cenários. O país produz petróleo, por exemplo, e isso ajuda”, ressalta o estrategista.

Apesar do cenário favorável, Castro Alves compartilha da mesma percepção do consenso do mercado: os níveis atuais do câmbio são frágeis. Com a proximidade das eleições de 2026, os riscos fiscais devem voltar a atormentar o mercado financeiro e inverter a direção do câmbio. A percepção tem sido incorporada nas projeções do mercado para a moeda. O boletim Focus da última segunda-feira (27) estima o dólar a R$ 5,27 até o fim do ano.

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“O risco fiscal continua sendo um grande problema. O governo atual continua gastando mais do que arrecada e flexibiliza algumas regras do arcabouço”, avalia Castro Alves.

Robôs dominam mais da metade das negociações na B3; o que isso muda para quem investe?

25 de Abril de 2026, 08:30

Robôs negociando na Bolsa de Valores parece coisa de roteiro de ficção científica. Fora das telas do cinema, porém, essa já é a realidade do mercado financeiro brasileiro há pelo menos uma década, e os especialistas avisam: a tendência é aumentar. Em poucos anos, algoritmos, sistemas computacionais que compram e vendem ativos em frações de segundo, passaram de curiosidade tecnológica a protagonistas das negociações.

Levantamento de estrategistas consultados pelo E-Investidor aponta que, em 2010, o HFT (negociação de alta frequência) respondia por apenas 0,57% do volume financeiro na B3 (B3SA3). Em 2015, já eram quase 14%. Hoje, estimativas do setor apontam cerca de 35% do volume no mercado à vista e mais de 50% nos contratos futuros.

Para ter dimensão, nos Estados Unidos esse tipo de estratégia responde por algo entre 60% e 70% do volume em ações, segundo dados fornecidos por analistas. O Brasil, dizem eles, ainda está alguns degraus abaixo, mas a direção é a mesma.

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“A B3 mantém, desde 2010, um programa de incentivo tarifário para operadores de alta frequência, com descontos regressivos por volume. O movimento foi estimulado pelo desenho da Bolsa, e o fluxo hoje é majoritariamente estrangeiro: investidores de fora respondem por 61,2% do volume negociado em 2026, quase todo via mesas algorítmicas de bancos globais”, diz Marcos Valadão, da Armada Asset.

Em nota, a B3 disse que não dispõe de um dado consolidado sobre a quantidade de robôs ou sistemas algorítmicos que operam hoje na Bolsa. “Isso porque cada investidor ou participante do mercado decide, na sua própria infraestrutura, se envia ordens manualmente, ordem a ordem, ou por meio de algoritmos, e essa escolha não é identificada individualmente pela B3”, afirmou.

Rápido demais para o humano acompanhar

A mudança no perfil de quem opera alterou também o ritmo com que os preços se movem. Quando a maioria das ordens vinha de humanos, uma notícia ruim levava tempo para ser digerida. Hoje, um algoritmo lê o mesmo dado em milissegundos e já reagiu antes que qualquer investidor consiga abrir o home broker. Ciclos que antes duravam semanas se comprimem em horas.

E quando muitos sistemas respondem ao mesmo sinal ao mesmo tempo, o efeito pode ser tão intenso quanto uma manada humana, só que mais rápido e sem uma manchete clara para explicar. Pesquisadores de mercado chamam esse fenômeno de correlação sistêmica, e ele está por trás de alguns dos episódios de volatilidade mais abruptos dos últimos anos, aqueles em que a Bolsa despencou sem motivo aparente.

O debate sobre o impacto desse domínio das máquinas na formação de preços ainda divide o mercado. Para alguns, o processo segue eficiente, já que algoritmos também incorporam informações reais, como balanços, dados macroeconômicos e fluxo de caixa. Outros veem com ceticismo: o predomínio de estratégias de curtíssimo prazo pode distorcer os sinais de preço, enquanto o “humor” do mercado, antes guiado por expectativas e confiança, cede espaço a uma dinâmica mais fria e opaca.

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“O mercado, de forma geral, avalia esse movimento como positivo do ponto de vista de eficiência: há ganho de liquidez, redução de spreads e maior velocidade de incorporação de informações nos preços. Por outro lado, cresce também a preocupação com efeitos colaterais, especialmente em eventos de estresse”, explica Lucas Girão, economista e especialista em investimentos.

Quando o algoritmo some, o problema começa

A volatilidade que se observa hoje na B3 não é um ruído de adaptação que vai desaparecer com o tempo, afirmam os especialistas. Ela tem forma, endereço e horário. Os algoritmos entregam liquidez quando é lucrativo entregá-la e somem quando o custo sobe. Em dias de estresse, o spread abre, a seleção adversa dispara e o formador de mercado racional recua, só que agora ele recua em milissegundos, não em minutos.

O episódio mais citado por analistas para ilustrar esse mecanismo é o Flash Crash de maio de 2010, quando o índice Dow Jones despencou 9% e se recuperou em menos de 20 minutos após uma única ordem automatizada de 75 mil contratos do E-mini, um derivativo de índice americano.

Pesquisa de Kirilenko publicada no Journal of Finance em 2017 mostrou que os sistemas de HFT (negociação de alta frequência) não foram o gatilho, mas acumularam inventário e venderam de forma agressiva no pior momento, amplificando a queda. “Volatilidade intradia de cauda hoje é estruturalmente maior num mundo algorítmico. Volatilidade do dia a dia pode até ser menor. O mercado ficou mais eficiente em dia comum e mais frágil em dia ruim, o que não é contradição alguma, é efeito direto do desenho”, avalia Valadão.

A Bolsa brasileira sempre foi sensível ao humor externo, mas a entrada de fundos sistemáticos estrangeiros elevou esse grau de dependência. Na prática, decisões do Federal Reserve ou dados fracos da indústria europeia passam a afetar os preços na B3 quase em tempo real, antes mesmo da leitura completa por analistas locais. Com isso, fatores domésticos, como resultados corporativos e a perspectiva fiscal, perdem peso no curto prazo, pressionados por fluxos automatizados que reagem de forma simultânea a sinais globais.

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Quando muitos sistemas leem o mesmo gatilho ao mesmo tempo, a correlação sistêmica não distingue Petrobras, por exemplo, de índice europeu. “O ruído de curto prazo está mais algorítmico, mas a direção de longo prazo ainda é, em grande medida, humana. Decisões baseadas em fundamentos, alocação estratégica e leitura macro continuam sendo determinantes para tendências mais duradouras”, observa Girão.

Segundo especialistas, o avanço das máquinas não mudou a lógica do mercado, mas a divisão de trabalho. Em ativos líquidos, o preço intradiário é quase todo sistemático, enquanto mid e small caps seguem mais dependentes da análise humana, já que o volume não justifica a estrutura de HFT.

“No intradiário de ativos líquidos, o preço é quase 100% sistemático. Em horizontes mais longos, a tese ainda é humana. A diferença é que hoje a pessoa física também tem inteligência artificial ao seu alcance, o que reequilibra parte do jogo”, diz Bruno Meazzini, diretor de tecnologia e cofundador da BlackBots Tecnologia.

O humor tem novo endereço

O humor do mercado não desapareceu com a chegada dos algoritmos. O que mudou foi quem o carrega, conforme especialistas. Cada modelo reflete as apostas de quem o programou, e quando milhares deles leem o mesmo sinal e reagem juntos, o movimento que se vê na tela não tem rosto nem nome para explicar. “O humor não saiu, foi codificado. Quando milhares de modelos convergem para a mesma tese, eles deslocam preço juntos. O humor do mercado hoje está no posicionamento agregado dos sistemáticos e na calibração dos fatores. Apenas mudou de endereço”, diz Valadão.

Os episódios que melhor ilustram o que acontece quando esse desenho é testado não faltam. Em 2013, a conta da Associated Press no X foi hackeada e publicou um tuíte falso sobre uma explosão na Casa Branca. Em três minutos, o Dow Jones perdeu o equivalente a US$ 136 bilhões, depois que algoritmos de processamento de linguagem natural (PLN) venderam antes que qualquer humano fosse checar a fonte.

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Para Girão, em situações de estresse os algoritmos tendem a piorar o problema. Quando o mercado começa a cair com força, os sistemas programados para evitar perdas param de comprar e vendem o que têm. Menos compradores, mais vendedores, queda maior. O que era para ser um amortecedor vira um acelerador.

O que sobra para o investidor individual nesse mercado é uma pergunta que os especialistas respondem com menos hesitação do que se poderia esperar. Tentar competir em velocidade ou frequência com mesas algorítmicas de bancos globais não é questão de preparo, é assimetria estrutural, avalia Valadão.

Mais de 80% dos fundos ativos de longo prazo perdem do próprio benchmark no mundo todo, segundo dados citados pelos especialistas. Se gestores profissionais com equipe dedicada não conseguem bater o índice de forma consistente, o investidor que tenta operar trade no home office está num jogo que não foi desenhado para ele.

O caminho, segundo Valadão, passa por entender o negócio, comprar barato, carregar por anos e reinvestir dividendos. Meazzini observa que hoje qualquer investidor consegue conversar com um modelo de inteligência artificial, filtrar notícias, ler balanços, construir cenários e identificar padrões, tudo o que antes exigia uma mesa inteira.

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“Faz mais sentido alongar o horizonte, já que fundamentos ainda funcionam no médio e longo prazo, e adotar métodos sistemáticos de baixa frequência, com apoio de IA para disciplina e backtests. Reduzir exposição à renda variável é um falso conforto”, orienta Meazzini.

“O ponto central é entender que o jogo ficou mais rápido e eficiente, e que competir no curto prazo contra máquinas tende a ser menos vantajoso do que jogar um jogo diferente, o de longo prazo”, completa Girão.

 

B3 vê avanço em regra que limita mercado preditivo e prepara estreia de contratos

24 de Abril de 2026, 19:59

O Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou nesta sexta-feira (24) uma resolução que proíbe o funcionamento dos chamados mercados preditivos (prediction markets, em inglês) para esportes, eleições e outros eventos reais. A resolução, no entanto, não deve impactar a B3, que planeja lançar contratos referenciados no Ibovespa, dólar e bitcoin na segunda-feira (27).

Em nota ao E-Investidor, a B3 afirmou que o CMN deu um passo relevante ao reconhecer os mercados preditivos e atribuir à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) competência para coibir operações irregulares no País. “Estamos diante de um mercado disruptivo e é extremamente importante para o País que ele se desenvolva em ambiente seguro e regulado”, destacou a bolsa brasileira.

Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a legislação brasileira só permite apostas em eventos esportivos reais e jogos on-line com regras definidas. “A gente não vai ter aqui previsão de chuva ou de morte de uma determinada celebridade como possibilidade de ser encarada como derivativo regular no Brasil”, exemplificou o ministro.

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No mercado de previsões, os usuários negociam contratos binários (com duas opções) que pagam um valor se o evento de fato ocorrer e zero se não ocorrer. O preço flutua conforme novas informações aparecem.

Nos Estados Unidos, esse segmento tem crescido, mas enfrentado disputas legais. Estados – que têm autonomia para autorizar e regular apostas no país – vêm contestando os mercados preditivos, argumentando que as plataformas deveriam seguir as mesmas regras aplicáveis às empresas tradicionais de bets.

Sobre a B3, o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, afirmou que os prestadores de serviços de derivativos continuarão aptos a operar no Brasil, desde que cumpram as regras vigentes. “Toda empresa que se preparou para ofertar derivativos precisa seguir fazendo o que sempre foi exigido para atuar no Brasil: cumprir a lei. A nova resolução orienta a CVM a restringir esses contratos a ativos de natureza econômica e financeira”, disse durante a coletiva.

Segundo Dudena, o desenvolvimento de um mercado de derivativos com lastro econômico-financeiro permanece preservado pela regulação. Uma vez registrado o prestador de serviços e os contratos na CVM, a empresa poderá operar normalmente. “Empresas sérias, que sempre cumpriram as leis no Brasil, como a B3, devem ter tranquilidade para continuar oferecendo um serviço economicamente relevante e amparado pela legislação”, afirmou.

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O secretário fez, porém, uma ressalva: caso a empresa pensasse em ofertar produtos que extrapolassem o caráter financeiro, como contratos vinculados a temas não econômicos, não poderá mais fazê-lo, por invadir a competência de outras áreas.

B3 prepara lançamento de contratos de eventos

No início de março, a B3 anunciou que lançaria no dia 27 de abril contratos de eventos associados ao Ibovespa, dólar e bitcoin. Os instrumentos serão definidos a partir do comportamento de variáveis do mercado, como o fechamento do dólar no dia. Nesses produtos, o investidor negocia a probabilidade de ocorrência do evento por meio do preço do contrato, que varia de R$ 0 a R$ 100.

Embora sejam semelhantes aos contratos de opções tradicionais, os contratos de eventos se diferenciam pelo pagamento fixo, potencial de ganho conhecido no início da operação e risco limitado para compradores e vendedores, já que o produto não permite alavancagem, ou seja, o investidor não pode perder mais do que aplicou.

Veja os contratos que serão disponibilizados pela B3:

  • Contrato de Evento sobre Futuro Míni de Ibovespa B3 (ticker: BWI);
  • Contrato de Evento sobre Índice Bovespa B3 (ticker: BBV);
  • Contrato de Evento sobre Futuro Mini de Dólar (ticker: BWD);
  • Contrato de Evento sobre Dólar à Vista (ticker: BDO);
  • Contrato de Evento sobre Futuro de Bitcoin (ticker: BBI);
  • Contrato de Evento sobre Bitcoin à Vista (ticker: BBC).

Os novos produtos foram autorizados pela CVM inicialmente para negociação exclusiva por investidores profissionais (com mais de R$ 10 milhões alocados em ativos financeiros ou certificação técnica emitida pela autarquia). Mas a Bolsa quer avançar além desse público.

“Entendemos que essa limitação apenas a investidores profissionais gera uma restrição aos investidores pessoa física, que têm muito interesse nesse perfil de produto”, afirmou Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da bolsa brasileira, em conversa com jornalistas no início de março.

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A B3 ainda trabalha para conseguir a mesma liberação para contratos ligados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ao Produto Interno Bruto (PIB).

Mercados internacionais fecham com desempenho misto, com investidores reagindo a aversão ao risco

7 de Abril de 2026, 18:25

Ouça aqui o fechamento de mercado no Spotify

Nos mercados internacionais, o pregão foi marcado por um viés defensivo, com investidores reduzindo a exposição a ativos de risco diante do aumento das tensões geopolíticas e da ausência de sinais claros de descompressão no curto prazo. O petróleo teve uma sessão volátil, reforçando preocupações inflacionárias no radar e sustentando os rendimentos dos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) durante quase todo o dia.

Esse cenário se inverteu no final da sessão, após pedidos do Paquistão para que os EUA estendessem o prazo de negociações com o Irã, enquanto o país solicitou também que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz (caminho por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial) como gesto de boa-fé. Sem a divulgação de indicadores relevantes, o noticiário externo seguiu como principal direcionador dos preços.

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As bolsas de Nova York zeraram as perdas e encerraram próximas da estabilidade, e as da Europa terminaram a sessão em queda, refletindo a busca por proteção, enquanto o dólar manteve viés de apreciação frente a moedas emergentes.

No Brasil, o mercado doméstico acompanhou o humor negativo do exterior durante quase toda a sessão; porém, nos últimos minutos, zerou as perdas com o pedido de extensão de prazo para as negociações feito pelo Paquistão aos EUA. O Ibovespa encerrou próximo da estabilidade, avançando 0,05%, aos 188.258 pontos, com giro financeiro de R$ 26,3 bilhões, após renovar mínimas ao longo do dia.

As curvas de juros também reduziram as perdas encerrando próximo a estabilidade, enquanto o dólar avançou 0,17% frente ao real, encerrando cotado a R$ 5,15.

Verde vê Brasil ‘excepcionalmente bem’ em meio à guerra e volta a comprar Bolsa local

7 de Abril de 2026, 17:44

O fundo Verde, de Luis Stuhlberger, voltou a aumentar sua exposição à Bolsa brasileira no início de março, para aproveitar da performance “excepcionalmente boa” dos ativos locais, apesar de toda a volatilidade do mês. As informações estão na carta mensal da Verde Asset, divulgada nesta terça-feira (7).

Em um dos piores meses para a indústria de multimercados na história, graças à eclosão da guerra no Oriente Médio, a Verde conseguiu um retorno de 0,05% em março – um dos poucos positivos no mercado, mas ainda bem abaixo dos 1,21% do CDI no período. Os ganhos vieram da posição em ações brasileiras, do hedge em opções de petróleo e da recém-implementada exposição à prata. Bolsa global, ouro, moedas e crédito no Brasil jogaram contra.

No ano, o fundo rende 4,57% contra 3,41% do benchmark.

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Na carta, Stuhlberger destaca que o fluxo estrangeiro segue ajudando a dar suporte aos preços dos ativos no Brasil, especialmente câmbio e ações. Como mostramos aqui, apesar do risco geopolítico, a B3 recebeu R$ 9 bilhões em março.

“É consenso que o país se beneficia de um preço de petróleo mais alto – tanto fiscalmente quanto no balanço de pagamentos – em meio a um universo e mercados emergentes cheio de países importadores de energia. O governo vem tentando amortecer o impacto da alta potencial da gasolina, diesel e outros derivados, mas quanto mais tempo a guerra levar, mais difícil a situação fica”, diz a carta.

O conflito entre Estados Unidos e Irã, iniciado no final de fevereiro, segue sem previsão de trégua. Na visão da gestora, março ficou marcado pelos sinais de “escalada e desescalada” por parte do presidente americano, Donald Trump, e pela aposta iraniana na interrupção do Estreito de Ormuz.

“É um caldo complexo e imprevisível, embora continuemos a acreditar que a estrutura de incentivos dos americanos aponta para um conflito mais curto.”

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Ainda que a gestora acredite que a guerra pode não durar muito tempo, os impactos, no entanto, tendem a perdurar. E podem não estar sendo bem precificados pelo mercado.

O desafio de reabrir Ormuz e normalizar o fluxo de 20% do petróleo mundial é extenso e o impacto completo do choque nos mercados e derivados ainda não foi refletido de forma correta, pois estão sendo amortecidos pela liberação de estoques estratégicos, diz a Verde.

“Mesmo que a guerra termine amanhã, devemos conviver com preços mais altos de energia por bastante tempo. Os impactos de segunda ordem dessa lógica ainda não foram precificados nos mercados: é um mundo mais estagflacionário”, alerta.

Para esse novo contexto, além do ajuste na posição em Bolsa brasileira, a gestora aproveitou os leilões do Tesouro Nacional para zerar a posição aplicada em juro real. E zerou a compra de proteção de crédito do Brasil contra uma cesta de emergentes; no lugr, entrou uma proteção de crédito da Arábia Saudita.

As posições em ações globais foram mantidas, assim como o renmnbi chinês, a cesta de moedas contra o dólar, opções de compra em real, ouro e a alocação em crédito local. Nos EUA, a gestora também manteve a alocação aplicada em juro real e comprada em inflação implícita.

Fluxo estrangeiro na Bolsa desacelera com guerra, mas não vai parar: ‘Mudança que veio para ficar’, diz UBS BB

23 de Março de 2026, 06:00

O conflito entre Estados Unidos e Israel e o Irã pode causar uma aversão a risco entre investidores estrangeiros, que poderia parar o forte fluxo na Bolsa brasileira. Embora ainda não seja isso o que está acontecendo, já é possível observar uma desaceleração: enquanto em janeiro houve a entrada de R$ 26 bilhões, em fevereiro foram R$ 16 bilhões e, em março até agora, R$ 4,6 bilhões.

Para Marcelo Okura, codiretor de mercados globais para a América Latina do UBS BB, o Brasil está muito bem posicionado para continuar a receber aportes de investidores estrangeiros por causa de características como ativos baratos, liquidez, governança e expectativa de juros mais baixos, que tende a valorizar a Bolsa de Valores. “O País é menos afetado em questões geopolíticas. Sigo cautelosamente otimista com o fluxo estrangeiro“, afirma.

No acumulado de 2026, o fluxo de capital externo está positivo em R$ 46,3 bilhões, algo que surpreendeu todo o mercado, diz Okura. Em 2025 inteiro foi registrada entrada de R$ 25 bilhões no mercado financeiro brasileiro. A expectativa de Okura para o final de 2026 é que o volume represente mais do que o dobro do ano passado.

Veja abaixo a entrevista completa do executivo para o E-Investidor.

E-Investidor – A guerra pode interromper o fluxo de capital estrangeiro para o país?

Marcelo Okura – Chegamos a março com fluxo meio de lado por conta da incerteza dos efeitos da guerra no Oriente Médio em toda a economia global, inclusive a brasileira. Os investidores analisam como o choque do petróleo tem impacto sobre tudo. Os juros caíram menos no Brasil por conta dessa falta de visibilidade e há uma desaceleração do movimento, mas não acredito que ele será interrompido a não ser que a guerra se prolongue por muito tempo.

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É um cenário que obviamente deixa os investidores globais mais cautelosos, mas é mais um slowdown do que uma reversão de pensamento. Por agora ele para de comprar até ter cenário mais claro em relação à guerra.

Temos de lembrar que somos um país exportador de petróleo, o que impacta a Petrobras (PETR3; PETR4) de forma positiva: ela poderá vender seu produto mais caro e distribuir mais dividendos. A inflação, que pode trazer problemas para a economia, está controlada no momento.

Por fim, estamos afastados do conflito geopolítico, inclusive geograficamente. Outros emergentes acabam tendo muito mais problemas com a guerra, como a China (o Irã era um exportador de petróleo para o país). Se houver um cessar fogo, a tendência é o mercado e o fluxo subirem rapidamente.

O fluxo estrangeiro ainda está mais forte neste ano do que em 2025. Esse movimento é tático ou estrutural, na visão do UBS BB?

O que motiva este fluxo? Há um movimento de rotação em curso: os principais fundos estrangeiros e investidores estão diminuindo sua posição nos Estados Unidos para realocar em emergentes. E o Brasil foi beneficiado por essa reorganização dos investimentos dos gringos.

O primeiro motivo para isso são as políticas malucas e intervenções sucessivas que criam muita instabilidade na economia norte-americana e enfraquecem o dólar. Neste cenário, o Brasil fica mais atrativo, pois os preços de seus ativos são considerados baratos em relação a bolsas de outras geografias.

O segundo motivo é que o Brasil é um país muito líquido dentro da América Latina. Se um investidor deseja se posicionar no continente, ele prefere o Brasil porque o mercado financeiro de outros lugares é muito pequeno. Na Argentina, por exemplo, o mercado é minúsculo.

Já do ponto de vista de governança o Brasil também é visto como um país funcional. Tivemos dois ex-presidentes que foram presos e isso ajuda a mostrar que as instituições funcionam até mesmo com ex-mandatários. É bem verdade que tivemos casos como o do Banco Master, mas mostramos que não há uma ruptura das instituições. Não existe o risco de impedir que o dinheiro estrangeiro saia do País, controle que pode ocorrer em outros países.

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Por fim, o último fator diz respeito à expectativa de juros decrescentes, que torna os ativos mais atrativos.

Por todas essas razões, mesmo com a eclosão do conflito, não acreditamos que esse dinheiro seja oportunista. É um fluxo que só deve se reverter se os EUA voltarem a ser encarados como um porto seguro, o que não parece que irá acontecer enquanto Donald Trump continuar na presidência dos EUA.

O estrangeiro já responde por mais de 60% do fluxo para a Bolsa no Brasil. Em 2021, era pouco mais de 40%. O gringo não pensa que irá comprar agora e daqui dois meses, se situação piorar, venderá tudo. Há realmente uma mudança na percepção de investimento que veio para ficar. Mas depende que não haja ruptura em nossas instituições. Sob condições normais, esse dinheiro fica.

Quem são esses investidores?

A grande maioria, cerca de 80%, são fundos passivos, o que os torna muito ligados ao momento macroeconômico. Se a alta do petróleo interromper a queda de juros, esse tipo de fundo pode reduzir sua posição. Mas o que irá mantê-lo por aqui será a rotação de investimentos para fora dos EUA. Também fazem parte do movimento alguns fundos long only (comprados) e até quantitativos, mas mais no final do ano passado do que em 2026. Ou seja, não são o principal motivo para o movimento neste ano.

Como os fundos gringos são muito grandes, qualquer movimento mínimo que faz tem um grande impacto na nossa Bolsa.

Quais setores da Bolsa brasileira hoje concentram a maior parte do interesse estrangeiro?

O maior volume vai para ações da Petrobras e da Vale (VALE3), seguida por Prio (PRIO3), Itaú (ITUB3; ITUB4) e Axia (AXIA3).

A eleição presidencial pode impactar o movimento de alguma forma?

O mercado vê essa eleição de uma forma binária: um candidato fará o ajuste fiscal e outro não. Mas os estrangeiros são mais pragmáticos, eles acreditam que se o governo se reeleger saberá como está e como será. É um olhar mais suave, que considera que será o quarto mandato de um governo que já sabem como funciona. Não é uma surpresa.

Porém, se for eleito um governo com compromisso fiscal mais responsável, pode ser que os preços dos ativos mudem de patamar. Se acha que estão baratos, vão lá e compram. Ou seja, se houver algum movimento, é do nível atual para cima.

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Conflito de interesses impulsiona migração da assessoria para consultoria. O fee fixo é para todo mundo?

23 de Março de 2026, 05:30

Até poucos anos, o assunto consultoria de investimentos vinha sempre acompanhado do questionamento se o investidor brasileiro estaria disposto a pagar pelo serviço com uma taxa fixa. Não é que antes o atendimento fosse gratuito, mas predomina no mercado o modelo de assessoria, em que a remuneração do especialista ocorre via comissionamento da venda de produtos e nem sempre fica clara para o cliente.

Mas hoje aquela dúvida sobre a viabilidade do modelo consultivo parece superada. O investidor amadureceu – por vontade ou por consequência dos episódios de conflitos de interesses, em que acabou empurrado para um investimento desencaixado de seu perfil de risco por um assessor incentivado pela comissão oferecida pelas distribuidoras. A norma CVM 179, que desde novembro de 2024 dá transparência a essas taxas, também acelerou o processo.

O mercado percebeu isso. O cliente estaria disposto a pagar uma taxa fixa pelo atendimento, o chamado fee-based ou fee fixo, desde que enxergasse valor no serviço.

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Com a bandeira de atender melhor o investidor, casas que surgiram e cresceram como assessoria deram início a uma transição nos seus modelos. Primeiro, passaram a oferecer o serviço via taxas fixas. Depois, principalmente em 2025, foi a consultoria de investimentos que ganhou destaque.

“Está acontecendo uma migração para o modelo híbrido no que tange a cobrança, com grandes players, inclusive os bancos, oferecendo as duas opções. É o que deve ficar na estrutura do Brasil, semelhante ao que é nos Estados Unidos“, diz Cassio Bariani, sócio fundador da SmartBrain.

Com base nos seus dados internos, a SmartBrain estima que 20% das assessorias já tenham migrado para a consultoria ou para o modelo híbrido. O número de consultores certificados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) teve uma alta de magnitude semelhante, enquanto o número de agentes autônomos se manteve igual.

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Outro sinal de que esse mercado está aquecido e ganhando cada vez mais concorrência vem da evolução do fee por AuM (ativos sob gestão), a taxa cobrada pelo serviço com base no patrimônio do cliente. A média praticada pela indústria nacional era de 0,78% no início de 2025. Neste início de 2026, já caiu para 0,62%, indicam os dados da plataforma.

Mercado em transição

O fee-based não é uma novidade. É o principal modelo de remuneração dos profissionais há anos nos mercados desenvolvidos e já é bastante popular no Brasil no atendimento às famílias ricas nos multi family offices. Mas foi só recentemente que os players de varejo passaram a olhar para isso, com negócios que já estão nascendo 100% no modelo consultivo e um redirecionamento nas corretoras tradicionais.

A XP, pioneira na assessoria de investimentos, fez esse movimento com maior foco no ano passado, quando reduziu a aplicação mínima para acessar a consultoria para R$ 1 milhão. Nesse modelo, especialmente no atendimento a clientes de patrimônio elevado, os players oferecem serviços que vão além dos investimentos, como planejamento sucessório e tributário, offshores e outros.

A corretora já oferecia a opção do fee-based desde 2020, mas não via demanda para focar os esforços no modelo consultivo. “Há dez anos, talvez fosse improvável falar sobre planejamento tributário, sucessão, investimentos no exterior. Agora a demanda pelos serviços de assessoria está mais sofisticada, principalmente entre os investidores de maior faixa de renda“, explica Bruno Ballista, sócio e head de segmentos de clientes da XP.

A XP quer ser líder no mercado de investimentos nacional até 2032 e, por ser a pioneira na disrupção das plataformas abertas, não quer ficar de fora da onda das consultorias. Mas não acha que o novo direcionamento tenha a ver diretamente com conflito de interesses, presentes em qualquer modelo ou indústria.

“Acreditamos que a ausência de conflito é a opcionalidade, ter múltiplas alternativas para o cliente escolher aquilo que o deixa mais confortável. Somos absolutamente agnósticos em relação ao modelo“, afirma Ballista.

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O fee-based já corresponde a 23% do AuC (ativos sob custódia) de varejo na plataforma.

Na Monte Bravo, a quarta maior assessoria do Brasil, a bandeira do fee fixo veio pelo lado dos profissionais. O CEO Filipe Portella acredita que o momento de mercado do Brasil tem muitas semelhanças ao que, anos atrás, impulsionou a migração para o fee-based nos EUA. O desgaste dos assessores quando o mercado tem menos liquidez, como nos últimos anos, deixa os problemas da assessoria via comissões mais evidentes.

As carteiras ficam com pouco risco, é difícil rentabilizar, o profissional se vê pressionado para vender produtos com rebates mais altos para garantir seu salário no fim do mês e acaba cada vez mais distante do propósito do trabalho.

“Muito tem se falado sobre ser para todo mundo, se é barato ou caro, mas o ponto não é esse. É o alinhamento real de interesses entre o profissional e o cliente”, diz Portella.

Já estão sob o fee-based 42% dos ativos sob custódia da corretora e a empresa está apostando na expansão do segmento para que ele corresponda a 80% do todo em alguns anos. Para isso, reestruturou todo o ecossistema, centralizando a inteligência de alocação de ativos e dando prioridade a produtos de investimento mais alinhados ao modelo para que os profissionais tenham mais tempo para focar no relacionamento. E anunciou um investimento de R$ 300 milhões para formar e treinar os assessores para essa transformação.

Na visão da Monte Bravo, a disrupção de plataformas abertas que aconteceu entre 2014 e 2018 se deu muito por conta dos profissionais. Agora, a popularização do fee fixo também será. “Não é uma mudança reativa, estamos reestruturando tudo para daqui a três anos sermos a principal casa fee-based para o assessor trabalhar”, afirma o CEO.

Quem também promoveu uma reestruturação interna nesta direção foi a Suno. A empresa surgiu em 2017 inicialmente como uma casa de análise, mas foi expandindo os ecossistemas até abarcar assessoria, consultoria e wealth management (gestão de fortunas). Em fevereiro, unificou tudo no modelo consultivo a taxas fixas.

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A demanda veio dentro de casa. Já há algum tempo, os novos clientes da assessoria Suno já entravam com a cobrança no fee fixo, conta o CEO Gian Kojikovski. “Sempre fomos uma empresa de inteligência, de produto, que inclusive comprou muitas brigas com outras assessorias falando sobre conflito de interesses”, diz. “Unificamos como consultoria, porque entendemos que é o modelo que melhor atende o nosso cliente.” Veja detalhes da nova operação da Suno aqui.

Os desafios (e as críticas)

Número de consultorias de investimento cresce; e veio para ficar, dizem especialistas.

Os negócios que levantaram a bandeira do fee fixo lá atrás agora veem seu modelo ser chancelado com a chegada da concorrência. Mas têm algumas críticas pela forma que essa transição está acontecendo.

Renato Breia, sócio-fundador da Nord Investimentos e responsável pela Nord Wealth, uma das primeiras consultorias para investidores de alta renda, vê a mudança de posicionamento do mercado como o resultado de uma combinação de fatores. O exemplo dos países desenvolvidos, os avanços na regulação, além das polêmicas recentes – como COEs de Ambipar, CDBs do Master e do Will Bank, que deixaram os investidores machucados.

Mas é também uma reação das empresas aos resgates sofridos nos últimos anos, diz. “As casas começaram a ver que estavam perdendo clientes para o modelo. Muita gente montou suas consultorias por isso”, diz Breia.

Há ainda uma outra questão. O timing da migração dos clientes do regime de comissão para o consultivo acontece em um momento em que as carteiras de investimento estão muito concentradas na renda fixa e em ativos bancários.

Na assessoria tradicional, o profissional ganha dinheiro quando um cliente compra um ativo, a chamada comissão “na cabeça”, e quando ele roda a carteira; por exemplo, se convence o investidor a fazer um resgate antecipado de um título, trocar uma posição por outra. Mas, com os juros em dois dígitos, boa parte dos investidores está levando as aplicações até o vencimento.

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A receita dos negócios caiu e migrar essa base para o fee fixo seria uma forma de garantir um rendimento mais previsível mesmo nesse novo cenário. Mas também acabaria onerando o cliente duas vezes pelo mesmo produto.

“Não dá para acreditar que os grandes bancos e corretoras que rodam o modelo comissionado há 30 anos estão fazendo essa transição por uma motivação que não seja financeira. Eles enxergaram no modelo de taxa fixa uma alternativa de recuperar a receita, não um modelo mais alinhado para o cliente”, diz Lucas Taxweiler, assessor CFP na Warren, uma das assessorias pioneiras no fee-based no Brasil.

Para os executivos, esse é um desafio para a nova fase do mercado financeiro brasileiro: provar o valor do modelo consultivo e de taxas fixas para o cliente final. Se as empresas focarem apenas no lado dos negócios, mudando a forma de cobrar, mas não de atender, não vão reter os investidores.

“Quando o modelo migra, o assessor vai ter um trabalho mais ativo e precisa envolver o cliente. Se não, ele não percebe o valor”, explica Lucas Ferraz, CEO da Faz Capital, que também opera no fee-based há anos. “É aí que as consultorias têm errado, porque cobram uma taxa maior e as entregas continuam as mesmas da assessoria. Quem não mudar isso, vai ficar para trás.”

O fee-based é para todo mundo?

Enquanto a transição do mercado ainda está no início, os players tentam fazer a conta fechar. Ou seja, chegar a um meio termo de preço cobrado e patrimônio atendido que consiga fazer o negócio prosperar, escalar, sem perder a qualidade do atendimento.

Não há um consenso sobre a melhor forma de fazer isso. Há quem cobre uma taxa fixa igual para todos os clientes, como há casos em que o fee vai caindo a depender do patrimônio. Tampouco existe uma regra sobre qual tipo de cliente atender. Algumas casas só oferecem a consultoria para quem tem um valor mínimo investido de centenas de milhares ou milhões de reais, enquanto em outras é possível ser atendido no fee-based com qualquer montante.

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Isso abre espaço para uma outra discussão maior, que também vai envolver o investidor. Afinal, muitas oferecem as duas opções e cabe a ele decidir em qual modelo quer ser atendido. E não existe uma resposta única para isso.

A Warren, por exemplo, atende clientes a partir de R$ 100 e só na cobrança fixa. “O modelo comissionado não faz sentido para ninguém. Se o investidor está buscando o serviço de gestão de patrimônio, precisa ser no fee fixo”, diz Lucas Taxweiler.

Gian Kojikovski, da Suno, destaca que é uma falácia dizer que a consultoria não serve para investidores pequenos, como costuma circular no mercado. “O cliente de patrimônio menor obviamente precisa fazer a conta, mas tenho certeza absoluta que faz sentido pagar por uma melhor alocação de produto.”

Se não é uma decisão que passa pelo tamanho da carteira, pode ser sobre o perfil de investidor. Pense em um conservador, com pouco patrimônio, que compra apenas títulos do Tesouro Direto para levar até o vencimento. Ou em alguém que investe em ações para receber dividendos e deseja manter a custódia para o resto da vida. “Não tem porque cobrar um fee fixo sobre isso”, diz Filipe Portella, da Monte Bravo. É por isso que a casa, ainda que aposte no fee-based, não acha que o modelo vai representar 100% da indústria.

Renato Breia, da Nord, destaca que a discussão do mercado vem sendo pautada por preço; se o modelo for mais barato, é melhor. Mas a resposta não é tão simples. “Depende muito. Você precisa de um profissional para te ajudar a construir o seu patrimônio? Essa é a pergunta que precisa ser feita”, diz.

Passagens aéreas vão ficar mais caras em 2026 com a guerra no Irã? Veja se vale antecipar a compra

21 de Março de 2026, 05:30

O conflito no Oriente Médio, que já completa três semanas, abala os preços das passagens aéreas, diante da alta do custo do combustível de aviação. No centro das atenções, está o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

A commodity tem disparado desde o início da guerra. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio chegou ao patamar de US$ 94,74 por barril na sexta-feira (20), atingindo uma valorização de 46,74% apenas em março. Já o Brent para o mesmo mês subiu alcançou o nível de US$ 112,19 por barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), com alta de 53,67% em março.

“Quando o petróleo sobe, o preço do combustível de aviação avança quase que instantaneamente. Além disso, por causa dos conflitos, muitos aviões precisam mudar suas rotas para não passar por regiões perigosas. Isso faz com que a viagem fique mais longa, gastando ainda mais combustível”, explica Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos.

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No território nacional, dados do buscador de voos Viajala registraram aumento de 15%, em média, no preço das passagens aéreas nos últimos 10 dias. A plataforma analisou cerca de 400 mil buscas de voos com origem nos principais aeroportos brasileiros entre 18 de fevereiro e 15 de março, com o objetivo de comparar as variações no preço médio antes e depois do início do conflito.

Entre 5 e 15 de março, as viagens de ida e volta para São Paulo passaram a apresentar preço médio de R$ 1.338, um aumento de 36% em relação ao intervalo de 18 de 28 de fevereiro (antes do conflito). Já as viagens de ida e volta para Recife estavam custando, em média, R$ 1.497, 22% a mais do que antes da guerra.

Os demais destinos mais buscados tiveram comportamento semelhante.

  • Rio de Janeiro (RJ): preço médio de R$ 1.232 na viagem de ida e volta, 11% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra;
  • Fortaleza (CE): preço médio de R$ 1.710 na viagem de ida e volta, 14% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra;
  • Salvador (BA): preço médio de R$ 1.338 na viagem de ida e volta, 14% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra.

Segundo Felipe Alarcón, diretor comercial do Viajala, o recente encarecimento das passagens demonstra um impacto claro do conflito. “Se você tem uma viagem planejada para os próximos meses, a recomendação é de pesquisar e comprar o quanto antes”, alerta.

Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar, dá a mesma orientação, especialmente porque ainda não há um cenário claro de quando o conflito pode terminar. “Existe uma outra questão: quanto mais se aproxima a data do voo, maior é a demanda e, consequentemente, o preço. Então, trabalhar com antecedência é a chave para gastar menos com passagem aérea.”

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No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro já havia mostrado um crescimento de 11,4% no preço das passagens em relação a janeiro. Nos últimos 12 meses, o item acumula valorização de 24,61%.

Na próxima semana, com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março na quinta-feira (26), será possível mapear melhor os efeitos do conflito sobre os preços das passagens aéreas.

Como comprar passagens mais baratas?

Patzlaff, planejador financeiro, avalia que, mesmo um cenário de guerra, há estratégias para comprar passagens mais baratas. Um caminho é buscar horários alternativos, como voos de madrugada, que costumam ser mais baratos. Em alguns casos, voar para um aeroporto próximo e terminar o trajeto de ônibus ou de carro alugado também pode compensar financeiramente.

Na hora de comparar preços, ferramentas de monitoramento de voos ajudam, como Skyscanner e Kayak. O próprio Google oferece uma função desse tipo – o Google Flights –, que conta com opção de rastreamento de valores e envio de alertas por e-mail. Na plataforma, o usuário também consegue agora realizar buscas com ajuda de uma inteligência artificial (IA).

Patzlaff recomenda cuidado com taxas extras, cobradas para escolher um assento no avião ou para levar malas maiores, por exemplo. “Sempre calcule o preço final com tudo o que você vai precisar”, orienta.

Milhas podem ser aliadas

Wanderley Gonçalves, planejador financeiro CFP e MBA em Finanças pela B7 Business School, explica que emitir passagens usando milhas representa uma estratégia para economizar em viagens, especialmente em destinos internacionais e em períodos de alta demanda. “Hoje existem diversos cartões de crédito que oferecem boa pontuação, benefícios extras e pontos que não expiram. Concentrar gastos na função crédito ajuda a acumular pontos mais rapidamente”, destaca.

Além disso, ele lembra que as companhias aéreas realizam campanhas de transferência bonificada, em que os clientes enviam os pontos do cartão para o programa da companhia e recebem bônus que podem variar entre 20% e 150%. Há ainda promoções de compra de milhas, que permitem completar o saldo necessário para emitir a passagem desejada.

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Na hora de comprar as passagens aéreas, também vale monitorar os preços ofertados por empresas de viagens. A Decolar, por exemplo, está com uma oferta até o dia 22 de março para pacotes, hotéis e passagens com parcelamento em até 12 vezes sem juros. Na promoção, os consumidores encontram opções nacionais e internacionais com descontos de até 50%, por meio dos canais de venda da empresa.

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