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Democratas culpam em relatório Biden e aliados por derrota em eleição de 2024 nos EUA

21 de Maio de 2026, 17:40

O Comitê Nacional Democrata (DNC, na sigla em inglês) divulgou nesta quinta-feira um documento de quase 200 páginas de uma “autópsia” interna sobre o que deu errado na campanha de 2024, encerrando meses de especulação que se tornaram um constrangimento público para o partido justamente quando ele tenta reconquistar o controle do Congresso.

O relatório atribui parte da culpa pela derrota de Kamala Harris à operação política do ex-presidente Joe Biden, argumentando que ela falhou em posicioná‑la para o sucesso na disputa após sua retirada da corrida. O texto também critica a campanha de Harris por não se distanciar de Biden e por não ter montado uma estratégia eficaz para conter a alta nos índices de aprovação de Donald Trump.

A divulgação do documento foi um desfecho extraordinário para o partido, que praticamente desautorizou o próprio relatório ao classificá‑lo como incompleto e impreciso, liberando o texto apenas depois de meses de dor de cabeça por mantê‑lo em sigilo.

No topo de cada página há um aviso em vermelho informando que o DNC “não recebeu as fontes, entrevistas ou dados de suporte para muitas das afirmações aqui contidas”. A página intitulada “Resumo Executivo” está em branco, com apenas uma nota em vermelho: “Esta seção não foi fornecida pelo autor”.

Certos trechos factuais da versão divulgada pelo DNC aparecem destacados em amarelo e anotados como não verificados ou imprecisos. O partido primeiro entregou essa cópia anotada à CNN e depois divulgou o documento em si.

Durante meses, Ken Martin, presidente do DNC, vinha resistindo a pedidos para liberar o relatório sob a justificativa de que não queria desviar o foco dos esforços para ganhar cadeiras nas eleições de meio de mandato. Nas últimas semanas, porém, o debate sobre a própria autópsia — somado à situação financeira delicada do partido — ganhou vida própria, ameaçando atrapalhar as prioridades eleitorais do comitê e alimentando apelos públicos e privados para que Martin deixe o cargo.

“Em resumo, eu não queria criar uma distração”, escreveu ele em um longo texto no Substack nesta quinta‑feira. “Ironicamente, ao fazer isso, acabei criando uma distração ainda maior. E por isso, peço sinceras desculpas.”

Muitos democratas estão alarmados com o quadro financeiro do partido. Na quarta‑feira, o balanço mais recente do DNC mostrou que a sigla tinha US$ 3 milhões a mais em dívidas do que em caixa. Já o Comitê Nacional Republicano, em contraste, tinha US$ 123,9 milhões disponíveis e nenhuma dívida.

Martin havia encarregado um aliado de longa data, Paul Rivera, de coordenar a autópsia, mas o produto final “não estava pronto para ir a público. Nem de longe”, escreveu o presidente do DNC.

O documento é desorganizado e deixa em branco seções inteiras, incluindo as dedicadas às conclusões. Ainda assim, traz algumas revelações, como o fato de que, antes das eleições de meio de mandato de 2022, a equipe de Biden orientou o partido a fazer pesquisas de opinião sobre como a primeira‑dama Jill Biden poderia ajudar o presidente e quais temas e mensagens enfatizar. Nada semelhante foi feito em relação a Harris.

O relatório também descreve dados de pesquisas considerados preocupantes, mostrando que anúncios pró‑Trump criticando Harris por declarações passadas em defesa de direitos de pessoas trans foram altamente eficazes — sem que a campanha dela tivesse oferecido resposta consistente para neutralizar as peças ou mudar o foco do debate.

Uma pessoa a par da elaboração da autópsia disse que não há lista de entrevistados, nem transcrições ou notas, o que torna praticamente impossível checar a veracidade do rascunho.

Rivera não quis comentar.

O relatório culpa tanto a campanha de Biden quanto a de Harris por falharem em construir com sucesso uma visão negativa de Trump, afirmando que os democratas optaram por não “entrar na briga com publicidade negativa na escala necessária”.

“Era essencial apresentar um caso mais eficaz sobre por que Trump deveria ter sido desclassificado para jamais voltar a ocupar o cargo”, diz o texto. “Os motivos existiam, mas a mensagem não apresentou esse caso.”

Na maior parte, porém, as conclusões do documento são limitadas, frequentemente resvalando em clichês políticos e em explicações de difícil compreensão.

“Os democratas precisam se organizar em todos os lugares para vencer em qualquer lugar, por meio de uma Estratégia de Partido Majoritário focada em todos os lugares, de forma coesa, estratégica e decisiva”, diz um dos trechos.

A forma como Martin conduziu o episódio — anunciar um relatório, depois dizer que não o divulgaria e, por fim, publicar uma versão preliminar cheia de anotações que a desautorizam — levantou novas dúvidas sobre a liderança do partido.

“Quando você está num buraco, tem que parar de cavar”, disse Devin Remiker, presidente do Partido Democrata de Wisconsin. “Agora que Ken Martin largou a pá, ele precisa cavar para fora do buraco e sair. Há muita gente com quem ele e o DNC terão que reconstruir confiança.”

Martin parece reconhecer a necessidade de recuperar a confiança tanto da base quanto dos grandes doadores.

“Agora precisamos reparar a confiança”, escreveu. “Espero que isto seja um começo.”

c.2026 The New York Times Company

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PF transfere Daniel Vorcaro para cela comum

18 de Maio de 2026, 23:21

A Polícia Federal transferiu internamente o banqueiro Daniel Vorcaro para uma cela comum na carceragem da Superintendência do Distrito Federal.

Com isso, ele passa a ser submetido às regras do normativo interno da PF para a visita de advogados. Essas regras permitem duas visitas por dia por um período de meia hora.

Antes, ele estava alocado em uma sala de Estado-Maior que havia sido reformada para abrigar o ex-presidente Jair Bolsonaro no cumprimento de sua prisão. Vorcaro ficou no local para trabalhar na sua proposta de delação premiada com seus advogados e passava quase o dia inteiro reunido com eles.

A PF já havia solicitado ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que Vorcaro fosse transferido de volta para um presídio, sob o argumento de que as condições dele na prisão na Superintendência alteravam e afetavam a rotina da administração.

O ministro ainda não proferiu uma decisão sobre essa mudança de endereço, mas autorizou a mudança de celas dentro da PF. Vorcaro está na Superintendência desde o dia 19 de março, quando começou a negociar sua delação premiada.

Como a defesa de Vorcaro já entregou sua proposta de colaboração a PF decidiu aplicar a ele as regras usadas para todos os demais presos e colocá-lo em uma carceragem comum.

A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda analisam a proposta apresentada. Como mostrou o Estadão, a tendência é que essa proposta seja devolvida aos advogados com um pedido para complemento dos temas abordados.

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EUA dizem que hackers iranianos atacam sistemas de água e energia do país

7 de Abril de 2026, 19:03

O governo Trump alertou que hackers ligados ao Irã estão mirando infraestrutura crítica nos EUA, incluindo sistemas de água potável e o setor de energia.

Segundo comunicado conjunto divulgado nesta terça-feira pela Agência de Proteção Ambiental (EPA), pelo FBI e por outros órgãos, os ataques têm como alvo tecnologias usadas em sistemas de água e esgoto, além de instalações e serviços governamentais. O alerta não informou em quais regiões os ataques estão ocorrendo.

“O FBI e seus parceiros estão divulgando este aviso para garantir que as organizações estejam na melhor posição possível para se defender de investidas de agentes cibernéticos ligados ao Irã”, afirmou Brett Leatherman, diretor-assistente da divisão de cibersegurança do FBI, no comunicado.

De acordo com o texto, os ataques são semelhantes a ações anteriores do grupo CyberAv3ngers. A organização já havia mirado, em 2023, dispositivos de controle usados em sistemas de água e esgoto e, segundo o governo americano, tem vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã.

Os ataques mais recentes têm como alvo “controladores lógicos” fabricados pela Rockwell Automation Inc., empresa sediada em Milwaukee. Em alguns casos, eles já provocaram “interrupções operacionais e prejuízos financeiros”, segundo o comunicado.

© 2026 Bloomberg L.P.

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Artemis II recria símbolo da era espacial com foto do “pôr da Terra”

7 de Abril de 2026, 18:52

Os astronautas da missão Artemis II agora estarão para sempre ligados à Apolo 8. Um dia após o histórico sobrevoo lunar, a Nasa divulgou nesta terça-feira, 7, novas imagens impressionantes feitas pela tripulação americana-canadense.

Os quatro astronautas recriaram a famosa foto Earthrise (“nascer da Terra”), registrada pela Apolo 8 em 1968 – e que se tornou um símbolo do movimento ambiental moderno, com a sua própria versão: Earthset (“pôr da Terra”), que mostra o planeta se pondo atrás da superfície da Lua.

Além do “pôr da Terra”, os astronautas também fizeram a captura de um eclipse solar total, que ocorreu quando a Lua bloqueou o Sol do ponto de vista da tripulação.

Os três astronautas da Apolo 8 foram os primeiros visitantes da Lua, ao orbitá-la na véspera de Natal de 1968. Já a Artemis II, realizada 58 anos depois, marca o primeiro retorno da Nasa à Lua com astronautas desde 1972.

Esta viagem espacial é considerada um passo importante para as pretensões de um pouso lunar por outra tripulação dentro de dois anos.

Na segunda-feira, 6, a equipe a bordo da cápsula Órion sobrevoou a parte oculta da Lua e teve a oportunidade de fotografar características do satélite natural da Terra nunca antes vistas por olhos humanos.

Por conta disso, algumas marcas importantes foram superadas, como atingir a maior distância que alguém já esteve da Terra, superando os 400.171 km da Missão Apolo 13.

Além disso, ao sobrevoar a Lua, a missão também teve o primeiro negro (Victor Glover), a primeira mulher (Christina Koch) e o primeiro astronauta não americano (o canadense Jeremy Hansen) a orbitar o satélite natural da Terra.

Agora, os três astronautas, comandados por Reid Wiseman, estão a caminho de volta para casa, com pouso no Oceano Pacífico previsto para sexta-feira, 10. Enquanto isso, cientistas no Centro de Controle da Missão, em Houston, analisam o fluxo de imagens da Lua enviadas pela espaçonave.

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