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Salário, cargo e status já não bastam. Descubra o novo trio que atrai profissionais

11 de Julho de 2026, 08:00
Salário, cargo e status já não bastam. Descubra o novo trio que atrai profissionais


Historicamente, anunciar uma vaga de trabalho seguia um roteiro quase automático.
Salário competitivo. Cargo atrativo. Perspectiva de crescimento. Esses três elementos costumavam ser suficientes para chamar a atenção dos profissionais mais qualificados.

Mas estudos mais recentes sobre mercado de trabalho mostram que muitas empresas continuam apresentando suas oportunidades exatamente dessa forma — enquanto os candidatos passaram a fazer outras perguntas.

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Antes de analisar apenas a remuneração, um número crescente de profissionais quer entender quem será seu líder, como é a cultura da empresa, quais critérios orientam promoções e se haverá espaço para crescer sem abrir mão da qualidade de vida.

Em suma, a remuneração, o cargo e o status continuam importantes. Mas deixaram de ser o principal diferencial competitivo. As empresas continuam falando de salário. Os candidatos fazem outras perguntas:

Ambiente determina nível de engajamento

O estudo Executive Compensation & Talent Trends 2026, da Page Executive, ajuda a explicar essa mudança.

Embora 59% dos executivos latino-americanos apontem a remuneração competitiva como um dos principais fatores de satisfação profissional, o levantamento mostra que os líderes atuais também procuram confiança na liderança, alinhamento de valores, transparência, oportunidades de desenvolvimento e apoio ao bem-estar.

O dado mais revelador aparece logo em seguida. Mesmo com 60% declarando estar satisfeitos com a remuneração, 94% permanecem abertos a novas oportunidades profissionais.

Se salário fosse suficiente para garantir permanência, dificilmente um número tão elevado continuaria atento ao mercado.

“Os executivos não permanecem por pacotes financeiros mais elevados, mas por ambientes onde possam se desenvolver. A remuneração estabelece a base, mas hoje a clareza, a confiança e o bem-estar determinam o nível de engajamento”, afirma o estudo.

Na prática, o levantamento sugere que o processo de escolha mudou. O salário continua abrindo a conversa. Mas já não é ele quem a encerra.

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Novo diferencial não aparece no holerite

Ao perguntar o que realmente procuram em uma organização, a pesquisa da Page Executive encontrou um padrão bastante diferente daquele que predominava há poucos anos.

Os executivos colocam entre as prioridades alinhamento de valores e confiança na liderança, oportunidades de crescimento e desenvolvimento, bem-estar e equilíbrio entre vida pessoal e profissional e estruturas de remuneração transparentes e justas.

Outro dado chama atenção. Quando questionados sobre o que mais temeriam perder ao trocar de empresa, os entrevistados colocaram a cultura organizacional acima da remuneração e das perspectivas de carreira.

A mensagem é clara: o diferencial competitivo das empresas passou a depender da experiência que o profissional acredita que terá depois da contratação.

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Marketing da vaga ficou para trás

Essa mudança aparece também em outros levantamentos.

Pesquisa da Michael Page mostra que 71% dos profissionais colocam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional entre os fatores mais importantes da carreira, percentual ligeiramente superior ao da remuneração (70%).

Já 54% afirmam que a cultura organizacional influencia diretamente a decisão de permanecer em uma empresa, enquanto 26% destacam o bem-estar como um fator relevante na escolha do empregador.

Os números mostram que muitos profissionais continuam buscando crescimento.
Mas crescer deixou de significar apenas conquistar um cargo maior ou um salário mais alto.

Cada vez mais, desenvolvimento, liderança, ambiente de trabalho e qualidade de vida entram na mesma equação.

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Executivos querem entender processos

Ao mesmo tempo, a edição europeia do estudo da Page Executive mostra que 43% dos executivos consideram o salário a informação mais importante em um anúncio de vaga, mas 40% acreditam que maior transparência salarial ajudaria as empresas a contratar melhor.

Não é uma contradição. É um sinal de que os profissionais continuam querendo saber quanto vão ganhar, mas também querem compreender como as decisões são tomadas, quais critérios orientam promoções e o que esperar da organização no longo prazo.

“A transparência salarial está acelerando na Europa, impulsionada tanto pela regulamentação quanto pelas novas expectativas dos candidatos”, diz Miguel Portillo, diretor-geral da Page Executive na Espanha.

“Os executivos esperam cada vez mais clareza não apenas sobre salários, mas também sobre como as decisões são tomadas e como a progressão na carreira é definida”, prossegue.

A vaga continua sendo a mesma. Quem mudou foi o candidato.

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Novas armas na guerra por talentos

Durante muito tempo, empresas competiram por talentos oferecendo três promessas: salário, cargo e status. Esses fatores continuam importantes.

Mas os estudos indicam que já não são suficientes para convencer os melhores profissionais a aceitar — e principalmente a permanecer — em uma organização.

A disputa por talentos passou a ser travada em outro terreno. As empresas que conseguem se destacar são aquelas capazes de transmitir confiança, oferecer relações mais transparentes e construir ambientes onde desenvolvimento profissional e bem-estar deixam de ser promessas e passam a fazer parte da experiência cotidiana.

O salário continua abrindo portas. Mas, cada vez mais, confiança, transparência e bem-estar são os fatores que, de fato, convencem as pessoas a atravessá-las — e permanecer do lado de dentro por mais tempo.

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Migração, protestos e mais: ONGs apontam preocupações com direitos humanos na Copa

14 de Junho de 2026, 07:00

Muito além de um campeonato de futebol, a Copa do Mundo FIFA 2026, assim como os Jogos Olímpicos, é também conhecida por ser um momento de união e integração entre as nações. Nestes cenários, espera-se que apenas o esporte ocupe o foco, trazendo assim uma atmosfera de paz.

No entanto, em meio a protestos no México e incontáveis polêmicas envolvendo as políticas e o governo dos Estados Unidos, esta vem sendo considerada por muitos como a Copa mais politizada da história. Assim, com o início do torneio, organizações de defesa dos direitos humanos chamam atenção para abusos e violações nos países-sede.

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A Anistia Internacional, por exemplo, lançou o relatório “Humanity Must Win” (Humanidade Precisa Vencer, em tradução livre). “A Copa do Mundo da FIFA de 2026 está acontecendo em meio a uma grave crise de direitos humanos, com riscos e impactos significativos para torcedores, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais”, argumenta a entidade.

A Sports and Rights Alliance (Aliança Esporte e Direitos, em tradução livre), que também reúne uma série de organizações da sociedade civil, publicou uma carta aberta direcionada ao presidente da Fifa, Gianni Infantino. No documento, a aliança pede respeito aos direitos humanos durante o torneio, sob o mote “Mantenha o mundo na Copa do Mundo”.

Da mesma forma, nos Estados Unidos, uma coalizão de mais de 120 organizações da sociedade civil criou um guia de viagem para apoiar pessoas que vão ao país durante a Copa do Mundo, para assistir ou trabalhar, com orientações a respeito de direitos que devem ser assegurados.

Em resposta ao guia, a Fifa afirmou ao site The Athletic que “conforme o artigo 3º do Estatuto da Fifa, a Fifa está comprometida com o respeito a todos os direitos humanos reconhecidos internacionalmente e se empenhará em promover a proteção desses direitos.”

Ao mesmo veículo, Andrew Giuliani, diretor-executivo da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo rechaçou qualquer ameaça à segurança do torneio e afirmou que “sob a liderança do presidente Trump, a Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo trabalhou incansavelmente para garantir que a Copa do Mundo de 2026 seja o evento esportivo mais incrível da história dos EUA”.

Políticas migratórias em foco nos Estados Unidos

3 de junho de 2026 – Protesto contra a política migratória do governo Trump em Chicago. Foto: REUTERS/Jim Vondruska

Os Estados Unidos são o principal foco de preocupações no campo dos direitos humanos. O ponto mais em evidência é a política migratória repressiva, que nos últimos meses incluiu abordagens violentas, detenção de crianças e deportação de milhares de pessoas.

“Talvez a ameaça mais grave tanto para os participantes visitantes quanto para os locais na Copa do Mundo venha da máquina de aplicação abusiva, discriminatória e mortal das leis de imigração e detenção em massa nos EUA”, avalia a Anistia Internacional.

A American Civil Liberties Union (ACLU), aponta que muitas das cidades-sede abrigam grandes comunidades de migrantes e ressalta que elas “vivem hoje com medo constante de discriminação racial, detenção desumana, separação de seus entes queridos e deportação sumária devido à política agressiva de imigração do presidente Trump.”

A Human Rights Watch pediu por uma “trégua do ICE” durante os jogos e instou os patrocinadores do evento a fazer o mesmo: “Os patrocinadores corporativos da FIFA pagam bilhões de dólares porque querem se associar ao ‘jogo bonito’, e não à cruel repressão à imigração promovida pelo governo dos EUA”, disse Minky Worden, diretora de iniciativas globais da Human Rights Watch. “Os patrocinadores e parceiros da Copa do Mundo devem pedir uma trégua ao ICE como a melhor maneira de garantir que o torneio não seja prejudicado pelas políticas abusivas de imigração do governo Trump.”

Apesar dos alertas e apelos, os efeitos desta política já foram sentidos no Mundial. O caso que ganhou mais repercussão foi o do árbitro somali Omar Artan que foi impedido de entrar nos EUA ao desembarcar em Miami e não poderá mais apitar na competição.

Ele, porém, não foi o único. O fotógrafo oficial da seleção iraquiana, Talal Salah, também teve sua entrada negada e 15 membros da equipe técnica do Irã tiveram vistos negados, entre outros casos.

Liberdades de expressão e de imprensa em xeque

Duas ONGs que trabalham com a proteção das liberdades de expressão e de imprensa divulgaram alertas a jornalistas que cobrem o Mundial poucos dias antes do início do torneio. O Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) instou os profissionais a tomar precauções. “Jornalistas já enfrentaram assédio, detenções, ameaças e violência enquanto cobrem grandes eventos esportivos”, explicou a organização.

Nos EUA, os alertas se voltam principalmente para a intensificação das operações de imigração e fiscalização alfandegária. “No México, a violência contra jornalistas locais é a mais preocupante. No Canadá, houve casos de jornalistas detidos na fronteira e, muito raramente, prisões de repórteres que cobriam protestos.”

Da mesma forma, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) “alerta os profissionais da imprensa para se prepararem para um ambiente de cobertura mais complexo, marcado por vigilância reforçada, fiscalização rigorosa nas fronteiras e crescentes preocupações com a liberdade de imprensa no México e nos Estados Unidos.”

Os Estados Unidos estão hoje na posição 64 – de um total de 180 – do ranking de liberdade de imprensa da RSF, a pior posição já registrada para o país. Além disso, no fim de 2025, a Relatoria Especial para Liberdade de Expressão da Organização dos Estados Americanos (OEA) expressou preocupação com o que chamou de um “crescente clima de violência” no país.

No México a questão da liberdade de expressão e de imprensa também preocupa especialistas. O México é considerado o país mais perigoso do Ocidente para jornalistas porque sete profissionais foram mortos em 2025 em decorrência do exercício da profissão, de acordo com o CPJ.

11 de junho de 2026 – Membros de grupos de busca de pessoas desaparecidas cujos parentes são vítimas de carteis de drogas mexicanos protestam perto do Estádio Azteca, na Cidade do México, no dia da abertura da Copa do Mundo. Foto: REUTERS/Rolando Ramos

Além disso, grandes manifestações vêm tomando as ruas do país, com cidadãos protestando por questões como acesso à terra, água, moradia, reajuste salarial de professores e reivindicando respostas pelas mais de 133.500 pessoas que estão desaparecidas no país. A reação das autoridades aos atos inspira preocupação.

Em Guadalajara, uma das cidades que receberá jogos da Copa, a Anistia Internacional reporta que autoridades ameaçaram remover cartazes em busca de pessoas desaparecidas da “Rotatória dos Desaparecidos”, enquanto em Monterrey a polícia tentou prender mulheres que participavam das buscas e exibiam faixas em uma ponte.

Os riscos à liberdade de expressão atingem até mesmo o Canadá. Recentemente, relembra a Anistia Internacional, o país presenciou uma onda de protestos contra o genocídio de palestinos na Faixa de Gaza, o que incorreu em ações da polícia durante a dispersão que foram consideradasindevidas pela entidade. Outro ponto destacado é que a cidade de Toronto, uma das sedes do Mundial, introduziu “zonas de exclusão de protestos”, proibindo manifestações em determinados pontos da cidade.

Pessoas em situação de rua no Canadá

No Canadá, pessoas em situação de rua estão arriscadas a perder acesso a serviços essenciais, ter seus pertences confiscados e serem expulsas de locais públicos. A experiência prévia dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2010 em Vancouver e uma crescente crise habitacional no país fazem crescer os temores de que estas pessoas sejam desalojadas, aponta a Anistia Internacional.

O receio ganhou força quando, em Toronto, um abrigo que acolhe pessoas em situação de rua no inverno foi fechado um mês antes do previsto. O motivo foi o fato de que o local já estava reservado para uso pela FIFA como parte do acordo de organização da Copa do Mundo.

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