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História do 1º de Maio no Brasil: lutas, conquistas e resistência da classe trabalhadora

30 de Abril de 2026, 17:18

O Dia do Trabalhador, celebrado em 1º de maio, é uma data marcada por manifestações, greves, comícios e celebrações em defesa dos direitos da classe trabalhadora. Leia em TVT News.

No Brasil, a história do 1º de Maio é também a história da organização popular, da mobilização sindical e da resistência contra regimes autoritários e políticas que atacam direitos sociais e trabalhistas. Desde o fim do século XIX, passando pela Era Vargas, a ditadura militar e o período democrático, a data sempre refletiu o grau de organização e consciência da classe trabalhadora brasileira.

As origens do 1º de Maio

A data remonta às greves de 1886 nos Estados Unidos, quando trabalhadores de Chicago entraram em greve exigindo a jornada de oito horas. A repressão violenta culminou no episódio conhecido como Massacre de Haymarket, no qual dezenas de operários foram feridos e assassinados e líderes sindicais condenados à morte. Três anos depois, em 1889, a Segunda Internacional Socialista decidiu transformar o 1º de maio em uma data mundial de homenagem à luta dos trabalhadores.

No Brasil, a primeira manifestação do 1º de Maio ocorreu em 1891, em Santos (SP), organizada por trabalhadores anarquistas. A comemoração foi dispersada pela polícia, mas marcou o início de uma tradição de mobilização que se fortaleceria nas décadas seguintes.

Segundo registros históricos, houve uma concentração na região portuária, com discursos sobre a exploração do trabalho, a necessidade de união entre os trabalhadores e a defesa da jornada de oito horas diárias.

A mobilização, no entanto, foi vista com desconfiança e reprimida pelas autoridades locais. A polícia dispersou os manifestantes, e parte da imprensa da época tratou o evento com hostilidade, caracterizando-o como “subversivo” ou “estrangeiro”.

No ano seguinte, trabalhadores gauchos realizaram a primeira comemoração do 1° de Maio em praça pública de uma capital no Brasil. Organizada por imigrantes europeus, principalmente alemães e italianos, e por operários locais ligados ao anarquismo e ao socialismo, a comemoração teve um caráter político e reivindicatório, inspirado diretamente pelas lutas operárias internacionais e pela tradição do movimento sindical europeu.

O evento incluiu discursos públicos, reuniões em sociedades operárias e até manifestações culturais, como recitais e saraus, que exaltavam a dignidade do trabalho e denunciavam as condições de exploração enfrentadas pelos trabalhadores urbanos. Entre as principais bandeiras do ato estavam a redução da jornada de trabalho para oito horas, a proibição do trabalho infantil e o direito à organização sindical. Mesmo sendo pacífico, o ato foi vigiado de perto pelas autoridades locais, que já demonstravam preocupação com o avanço das ideias socialistas entre os trabalhadores da capital gaúcha.

O 1º de Maio na República Velha: protagonismo anarquista e repressão

No início do século 20, o Brasil vivia um intenso processo de industrialização e crescimento urbano. As más condições de trabalho — com jornadas de 12 a 14 horas, ausência de direitos e salários irrisórios — motivaram greves e a fundação de sindicatos. Influenciados por ideais anarquistas e socialistas, os trabalhadores passaram a utilizar o 1º de Maio como dia de protesto, não de celebração.

Entre as manifestações mais marcantes da época está a greve geral de 1917, iniciada em São Paulo, em julho, e que se espalhou por outras capitais, como Rio de Janeiro e Porto Alegre. Organizada por sindicatos livres, associações de classe e imprensa operária, a paralisação conquistou aumento de salários e libertação de presos políticos.

Em todo o país, a greve geral envolveu 50 mil operários, e durou uma semana. Naquela época o país enfrentava carestia, alta do custo de vida e salários defasados. O Estado, no entanto, respondeu com repressão sistemática. Muitos sindicatos foram fechados, líderes presos ou deportados. A elite política via com desconfiança qualquer mobilização operária que ameaçasse a “ordem social”. A grande greve de 1917 teve 200 mortos, incluindo operários e policiais, segundos documentos do Arquivo do Senado Federal.

Em 1924, o 1º de Maio é oficializado como feriado

A oficialização do 1º de Maio como feriado nacional no Brasil ocorreu em 1924, durante o governo do presidente Arthur Bernardes (1922–1926), e representou uma virada importante na relação do Estado com o movimento operário.

A data entrou no calendário oficial para celebrar a “confraternidade universal das classes operárias” e os “mártires do trabalho”. Documentos da época guardados no Arquivo do Senado, em Brasília, revelam que, ao oficializar o Dia do Trabalhador há cem anos, Bernardes teve como objetivo domesticar a data.

Para o governo, a data não deveria ser de reivindicação, mas de festa. Na mensagem presidencial que enviou ao Congresso Nacional no início de 1925, Bernardes agradeceu a aprovação da lei do Dia do Trabalhador e disse que a substituição da luta pelos festejos já era uma salutar tendência: “A significação que essa data passou a ter nestes últimos tempos, consagrando-se não mais a protestos subversivos, mas à glorificação do trabalho ordeiro e útil, justifica plenamente o vosso ato”.

A lei foi sancionada em setembro de 1924. Embora o Brasil fosse majoritariamente agrário, as maiores cidades do país já tinham um número considerável de fábricas, principalmente de tecidos, móveis e alimentos.

Ao transformar o 1º de Maio em um feriado oficial, o Estado buscava esvaziar seu conteúdo revolucionário e simbólico, apropriando-se da comemoração e tirando-a das mãos dos movimentos radicais. A data deixava de ser apenas um momento de protesto operário para se tornar uma celebração “legal” e “nacional”.

A recepção do decreto de 1924 foi ambígua. Por um lado, setores mais moderados do movimento sindical viram na medida um avanço — o reconhecimento do trabalhador como ator importante na sociedade. Por outro, correntes mais combativas, como os anarquistas e os comunistas, denunciaram a tentativa do governo de “roubar” uma data que era construída pela luta de base.

Mesmo com o feriado oficial, muitas manifestações operárias continuaram sendo reprimidas nos anos seguintes, especialmente quando incluíam críticas ao sistema político ou reivindicações salariais.

1º de Maio
Documento original da lei que em 1924 tornou o 1º de maio feriado Fonte: Arquivo do Senado

A Era Vargas: o 1º de Maio como instrumento de propaganda

Com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, o 1º de Maio passou a ser institucionalizado. Em 1925, a data foi oficialmente reconhecida como feriado nacional, mas foi durante o Estado Novo (1937-1945) que o governo utilizou o 1º de Maio como instrumento de propaganda trabalhista.

Vargas buscava legitimar o projeto de um Estado interventor, que conciliava capital e trabalho sob sua tutela, induzindo o desenvolvimento. Nesse contexto, o 1º de Maio passou a ser comemorado com festas cívicas, discursos oficiais e anúncios de medidas populares. Foi em 1º de maio de 1940, por exemplo, que Vargas anunciou a criação do salário mínimo, uma das conquistas mais emblemáticas da legislação trabalhista.

Em A celebração do 1º de Maio de 1943 entrou para a história como um dos momentos mais emblemáticos do trabalhismo no Brasil. Em ato simbólico e político, Vargas, anunciou a promulgação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) — um marco na legislação brasileira que unificou e sistematizou os direitos trabalhistas então dispersos em decretos e leis avulsas.

O evento foi realizado em um grande comício no Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, e contou com forte aparato de propaganda oficial. O local, lotado de trabalhadores convocados por sindicatos controlados pelo Estado, foi o palco escolhido para reforçar a imagem de Vargas como o “Pai dos Pobres” e patrono do trabalhador brasileiro.

1º de Maio
Com Vargas, CLT e subordinação ao Estado. Foto: Arquivo Nacional

Durante seu discurso, Vargas exaltou o papel do Estado como garantidor da justiça social e se apresentou como defensor da harmonia entre capital e trabalho. “A Consolidação das Leis do Trabalho constitui o monumento jurídico da Era Vargas”, afirmou o presidente diante de milhares de pessoas. “Nenhuma organização social subsiste sem disciplina, e nenhuma disciplina se impõe sem autoridade”, acrescentou, justificando o controle estatal sobre os sindicatos e o regime corporativista que marcava sua política trabalhista.

A CLT, segundo ele, era uma “carta de alforria” moderna, que elevaria a dignidade do trabalhador ao status de cidadão pleno, ainda que subordinado à estrutura hierárquica do Estado Novo.

Apesar do caráter autoritário do regime, a CLT representou conquistas concretas para os trabalhadores. O novo código consolidava direitos como férias remuneradas, jornada de oito horas, regulamentação do trabalho feminino e infantil, carteira profissional obrigatória, proteção ao salário, normas de segurança e medicina do trabalho, e direito a descanso semanal.

Ditadura militar: repressão e resistência

Com o golpe civil-militar de 1964, o movimento sindical sofreu nova onda de repressão. As centrais sindicais foram dissolvidas, e os sindicatos foram colocados sob rígido controle do Estado. A data de 1º de Maio voltou a ser apropriada por governos autoritários, com discursos ufanistas, desfiles militares e presença obrigatória de trabalhadores.

Apesar da repressão, a resistência crescia nas fábricas, nas periferias e nas igrejas. Durante os anos 1970, o movimento sindical começou a se rearticular a partir das oposições sindicais, especialmente no ABC paulista, berço de importantes greves operárias entre 1978 e 1980.

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Presidente Lula em assembleia para decisão sobre a greve geral de 1980. Foto: Acervo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Em 1979, metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, entraram em greve exigindo 78% de reajuste salarial. Assembleias lotaram o estádio da Vila Euclides e, apesar da greve ser declarada ilegal, o movimento persistiu.  A mais marcante dessas assembleias foi a de 1ºde maio daquele ano com 150 mil trabalhadores liderados por uma pessoa que mudaria a história desse país: Luiz Inácio Lula da Silva. Lula propôs uma trégua. A greve terminou com um reajuste de 63% e o sindicato retomou sua gestão. Nascia o embrião do novo sindicalismo brasileiro.

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Foto: Acervo do Sindicato dos Metalúrgicos

A criação da CUT e a redemocratização

Em 1983, nasce a Central Única dos Trabalhadores (CUT), fruto do acúmulo de experiências das lutas dos anos anteriores. A CUT surgiu como alternativa democrática e autônoma frente ao sindicalismo pelego. Desde então, tornou-se protagonista das manifestações de 1º de Maio, articulando categorias diversas, como professores, bancários, servidores públicos, trabalhadores rurais e operários industriais.

Em mais de 40 anos, a CUT promove atos do dia do trabalhador que reúnem intervenções artísticas, políticas e de lideranças sindicais para proporcionar ao trabalhador conteúdo para reflexões sobre a sua importância na sociedade e, consequentemente, sobre seus direitos.

No contexto da redemocratização, o 1º de Maio se consolidou como data de luta por melhores salários, reforma agrária, liberdade sindical e democracia plena. Um marco foi o comício do Pacaembu, em 1984, organizado pela CUT e outras entidades, em meio à campanha pelas Diretas Já. O ato reuniu dezenas de milhares de trabalhadores em defesa do voto direto e da volta do Estado de Direito.

Os anos 1990: neoliberalismo e resistência

Durante os governos de Collor e FHC, a classe trabalhadora enfrentou ofensivas neoliberais com privatizações, flexibilização de direitos e aumento do desemprego. O 1º de Maio foi marcado por protestos contra as reformas trabalhistas e previdenciárias, a criminalização de greves e os ataques às estatais.

Nesse período, a CUT ampliou sua base, passando a disputar espaço com outras centrais, mas manteve protagonismo em pautas como o salário mínimo digno, a valorização do serviço público e a organização de campanhas salariais unificadas.

1º de Maio
1º de Maio de 1997 em São Bernado do Campo. Foto: Roberto Parizotti/CUT

1º de Maio nos anos 2000: mobilizações e críticas

Com a chegada de Lula à presidência em 2003, parte da militância sindical esperava avanços nas políticas públicas e maior valorização do trabalho. De fato, houve ganhos importantes, como a política de valorização do salário mínimo, a ampliação de direitos previdenciários e o crescimento do emprego formal.

No entanto, a CUT continuou sendo crítica quando necessário — como nas negociações sobre reforma sindical, terceirização e flexibilização da CLT. Os atos de 1º de Maio passaram a incluir temas como igualdade racial, direitos das mulheres, combate à homofobia e democratização da mídia.

Em 2006, por exemplo, a CUT realizou o 1º de Maio Unificado Nacional em São Paulo, com o lema “Trabalho decente, já!”, reunindo diversas centrais e movimentos sociais.

A década de 2010: golpes e retrocessos

A partir de 2015, com a intensificação da crise política, os atos de 1º de Maio voltaram a ganhar contornos de resistência mais intensa. Em 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff — considerado um golpe pela CUT e outras entidades — o 1º de Maio foi marcado por protestos contra o governo de Michel Temer e sua agenda de desmonte de direitos.

Um dos momentos mais emblemáticos foi o 1º de Maio de 2017, quando milhões de trabalhadores saíram às ruas contra a reforma trabalhista que acabaria sendo aprovada no Congresso. Em várias capitais, sindicatos organizaram atos, paralisações e bloqueios, com forte presença da CUT e da Frente Brasil Popular.

Anos recentes: pandemia, Bolsonaro e a retomada da esperança

Durante a pandemia de Covid-19, os atos de 1º de Maio foram virtuais ou com público reduzido, mas a luta não cessou. A CUT teve papel crucial na defesa do auxílio emergencial, na denúncia das condições precárias de trabalho de entregadores de app e na luta por vacina para todos.

Com a eleição de Jair Bolsonaro, as centrais intensificaram a resistência. O 1º de Maio de 2021 teve como lema “vida, emprego, democracia e vacina para todos”, unificando diversas entidades. Em 2022, a CUT denunciou os ataques às urnas eletrônicas e defendeu a democracia diante das ameaças golpistas.

Com o retorno de Lula à presidência em 2023, os atos de 1º de Maio voltaram às ruas. A CUT participou da organização do comício em São Paulo com o tema “Emprego, renda, direitos e democracia”. As pautas incluíram a revogação da reforma trabalhista de 2017, valorização do salário mínimo, combate à fome e justiça fiscal.

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Festa do 1º de Maio de 2025 contou com mais de 70 mil pessoas. Foto: 1º de Maio no ABC/SP. Crédito: Dino Santos

Nos últimos anos, novas categorias ganharam visibilidade, como os trabalhadores por aplicativos e os entregadores, que protagonizaram mobilizações próprias, como o Breque dos Apps em 2020.

A luta das mulheres, dos negros e das populações LGBTQIA+ também ocupa cada vez mais espaço no 1º de Maio, denunciando as desigualdades estruturais do mundo do trabalho.

Com informações da CUT e Agência Senado

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Gloria Groove, MC IG e Filho do Piseiro fazem show em SBC no 1° de maio

30 de Abril de 2026, 17:07

O Dia do Trabalhador e da Trabalhadora, no 1° de maio, será comemorado com um grande show no Paço Municipal de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Entre os principais artistas do show de 1° de maio estão Gloria Groove, MC IG e Filho do Piseiro. Leia mais sobre o show de 1° de maio com a TVT News.

Gloria Groove e MC IG comandam show do 1º de Maio no ABC em megaevento com pauta pelo fim da escala 6×1

Artistas como Gloria Groove, MC IG, Filho do Piseiro, Grupo Intimistas, Grupo Entre Elas, Marquinhos Sensação, Grupo SP5, Grupo Razão, Don Ernesto, Samba de Luz, Samba da Praça, Alex Rocha, o Gordinho da Pisada, Kadu do Piseiro e Hyaguinho Vaqueiro estarão presentes no tradicional show do 1° de maio no ABC.

Confir as principais atrações dos shows no próximo dia 1º de maio (sexta-feira), a partir das 9h, no Paço Municipal de São Bernardo do Campo.

Show de Gloria Groove gratuito em SBC no 1° de maio

Nascido Daniel Garcia, a multiartista paulistana Gloria Groove teve contato com a arte desde muito cedo, destacando-se inicialmente como cantora mirim e dubladora profissional. A partir de 2016, sua persona drag queen ganhou vida e quebrou paradigmas na indústria fonográfica nacional.

Misturando pop, R&B, rap e funk com uma potência e técnica vocal irretocáveis, a “Lady Leste” superou barreiras e tornou-se uma das vozes mais respeitadas, ouvidas e influentes da música brasileira moderna.

Gloria Groove acumula uma vasta lista de megahits que marcaram o país nos últimos anos, como “A Queda”, “Vermelho”, “Bumbum de Ouro”, “Coisa Boa” e a recente febre das rodas de pagode do projeto Serenata da GG, “Nosso Primeiro Beijo”.

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Gloria Groove faz show em SBC com ingressos solidário no dia 1° de maio. Foto: Redes Sociais

Show do MC IG gratuito em SBC no 1° de maio

Guilherme Sérgio Ramos de Souza, amplamente conhecido como MC IG, é cria da Vila Medeiros, Zona Norte de São Paulo. Iniciou sua caminhada no funk em 2015 e, degrau por degrau, firmou-se como um dos maiores pilares da vertente paulista do gênero. C

om rimas que narram as vivências, a superação e o dia a dia da juventude de periferia, IG virou um verdadeiro fenômeno nas plataformas de áudio, ditando o ritmo da cena urbana nacional e figurando constantemente no topo dos rankings da Billboard Brasil.

Com bilhões de reproduções acumuladas, MC IG é a voz por trás de sucessos avassaladores como “3 Dias Virados”, “Faz Completo, Chefe” e do projeto cypher “Let’s Go 4” — que passou meses no topo do Spotify Brasil em 2023.

Show gratutito do Filho do Piseiro em SBC

Representando o ritmo contagiante que dominou o Brasil, o cantor amazonense Filho do Piseiro é a mais nova sensação viral da internet. Ele começou do zero: para realizar o sonho da música, chegou a tocar violão e cantar de improviso no frigorífico onde trabalhava.

Com muito carisma, autenticidade e letras bem-humoradas, ele conquistou o público, acumulando rapidamente milhões de reproduções em seus perfis e ganhando até elogios de grandes personalidades, como a cantora Juliette.

O artista faz sucesso com músicas que grudam na cabeça instantaneamente, com destaque para a febre “Raparigas” e o hit “Meu Pai Paga Minha Faculdade”.

Fim da escala 6×1 é uma das principais lutas do 1° de maio

O tradicional Dia do Trabalhador e da Trabalhadora reafirma a força da mobilização popular e da unidade do movimento sindical.

Com o tema “Nossa luta transforma vidas”, o ato também será orientado por bandeiras centrais e urgentes para os brasileiros:

“Essas bandeiras traduzem necessidades urgentes de quem vive do trabalho. São pautas que apontam para mais dignidade, menos desigualdade e um país mais justo, com direitos garantidos. Por isso, é fundamental fazer do 1º de Maio uma grande festa popular: um momento de união, consciência e valorização da luta coletiva da classe trabalhadora”, afirma Wellington Messias Damasceno, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

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Fim da escala 6×1 é uma das principais pautas da classe trabalhadora. Foto: Dino Santos

Além das fundamentais falas políticas, a programação cultural promete agitar São Bernardo com muita diversidade. Entre as atrações confirmadas para levantar o público, estão grandes nomes da música atual que dialogam com diferentes públicos e vertentes populares.

Cultura e solidariedade de mãos dadas

O show do 1° de maio reforça o caráter profundamente solidário e de apoio às comunidades da região. O acesso à festa será por meio do ingresso solidário, mediante a doação de 2 quilos de alimentos não perecíveis, direcionados a instituições parceiras.

Além dos três gigantes nacionais, o evento enaltecerá artistas regionais e muito pagode com os talentos de Grupo Intimistas, Grupo Entre Elas, Marquinhos Sensação, Grupo SP5, Grupo Razão, Don Ernesto, Samba de Luz, Samba da Praça, Alex Rocha, o Gordinho da Pisada, Kadu do Piseiro e Hyaguinho Vaqueiro.

Serviço

EVENTO DO 1º DE MAIO NO ABC

  • Local: Paço Municipal – Praça Samuel Sabatini, Centro, São Bernardo do Campo – SP.
  • Data: Sexta-feira, 1º de maio de 2026
  • Horário: A partir das 9h

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Cartaz do show de 1° de maio

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Centrais farão ato amanhã (28) contra juros altos na Av. Paulista

27 de Abril de 2026, 18:06

As Centrais Sindicais Força Sindical, CUT, UGT, Nova Central, CTB, CSB, Intersindical e Pública, programarão para amanhã, dia 28 de abril, ato a partir das 10 horas, em frente à sede do Banco Central do Brasil, localizada na Avenida Paulista, 1.804, no bairro Bela Vista (SP). Saiba mais na TVT News.

De acordo com as lideranças sindicais, a Taxa Selic atual, fixada em 14,75% a.a, permanece excessivamente elevada e compromete o desenvolvimento econômico.

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O presidente da Força Sindical, Miguel Torres, ressalta que juros altos restringem investimentos na produção o que, consequentemente, impacta negativamente na geração de empregos e reduz a renda dos trabalhadores.

“É inaceitável a política monetária conduzida pelo Banco Central do Brasil, que prejudica o crescimento econômico”, afirmou o sindicalista.

Além disso, as centrais orientam sindicatos, federações e confederações a mobilizar suas bases, levando bandeiras, faixas e camisetas para fortalecer visibilidade e pressão política.

Manifestação contra Taxa de Juros

Data: 28 de abril de 2026
Horário: 10 horas­
Local: em frente a sede do Banco Central
Endereço: Av. Paulista, 1.804, Bela Vista, São Paulo/SP

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Ato em defesa do Iamspe denuncia falta de profissionais

27 de Abril de 2026, 17:25

O Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaúde-SP) e a Associação dos Funcionários do Iamspe (Afiamspe) convocam os profissionais do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) para o Ato em Defesa do Iamspe, que será realizado na próxima quarta-feira (29), às 10h. A concentração ocorrerá em frente ao Ambulatório do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), na Rua Borges Lagoa, 1755, na capital paulista. Saiba mais na TVT News.

A mobilização conta com o apoio de entidades representativas do funcionalismo e tem como objetivo pressionar o governo estadual pela abertura de novos concursos públicos e pela valorização dos profissionais que atuam no instituto.

O ato ocorre em meio aos impactos do Programa de Demissão Incentivada (PDI) lançado pelo governo do Estado. Dos cerca de 900 profissionais aptos a aderir ao programa, foram registrados 576 pedidos de adesão, segundo informações coletadas pelas representantes do SindSaúde-SP no HSPE. Desse total, 151 são médicos e 114 são oficiais administrativos. Esta última é uma das áreas que já enfrenta grave déficit de pessoal, que vem causando transtornos internos no hospital. Ao todo, 47 solicitações foram arquivadas, 10 estão em análise pela Comissão Processante do Programa e outras 12 ainda serão avaliadas.

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“Esse grande número de pedidos não nos surpreendeu, porque entre os trabalhadores da saúde no estado, somos nós que temos os menores salários. Infelizmente, o que é oferecido aqui de remuneração para os profissionais não concorre com o mercado”, explica a secretária de Administração e Finanças do SindSaúde-SP, Regina Bueno, trabalhadora do Iamspe há mais de 30 anos.

As condições ruins de trabalho também se refletem no interesse dos profissionais em trabalhar no local. No último processo seletivo para médicos, mais de 100 profissionais foram convocados, mas a maioria não assumiu os cargos.

“O governo do estado está acabando com o funcionalismo público e no Iamspe não é diferente. Aqui dentro mais de 50% dos serviços foram terceirizados e com isso aumentou o número de denúncias que recebemos dos usuários sobre demora no atendimento, problemas nos fluxos de atendimento”, conta Regina.

Os problemas do Iamspe se somam às dificuldades impostas a toda a Saúde estadual, com promessas não cumpridas por parte do governo, como o reajuste do auxílio-alimentação, congelado em R$ 12 desde 2018, e o aumento da Gratificação por Desempenho de Atividade Médica do Iamspe (GDAMSPE).

Impacto na assistência e na formação médica

A secretária de Organização Sindical e Formação do SindSaúde-SP e presidenta da Afiamspe, Ana Cristina Manente, alerta para os impactos diretos na assistência à população. Segundo ela, caso todos os pedidos de desligamento de médicos das áreas de cardiologia, infectologia e clínica médica sejam aceitos, esses serviços poderão ser praticamente extintos no HSPE.

“Recebemos muita reclamação das dificuldades de agendamento de consultados dos usuários nessas especialidades, imaginem como ficará se não houver concurso para repor esses profissionais”, avalia.

Ana também ressalta os prejuízos para a formação de novos profissionais. “O Iamspe tem diversos médicos que hoje são referência em suas especialidades e que podem nos deixar, eles farão falta para os pacientes e para o futuro da medicina brasileira, pois deixaremos de formar novos profissionais com a qualidade da residência que o Iamspe tem, por conta dos estudos desenvolvidos ali com preceptores altamente qualificados e com a possibilidade de saída desses profissionais o programa de residência médica será colocado em risco”, concluiu.

Serviço:

Ato em Defesa do Iamspe
Dia 29 de abril (quarta-feira), às 10h
Em frente ao Ambulatório do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE)
Rua Borges Lagoa, 1755, Ibirapuera, São Paulo – SP

Via SindSaúde-SP

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Mulheres ganham 21,3% a menos que homens no setor privado, aponta relatório

27 de Abril de 2026, 15:01

A desigualdade salarial entre homens e mulheres segue como um dos principais desafios no mundo do trabalho no Brasil. Dados do 5º Relatório de Transparência Salarial indicam que, apesar do aumento da participação feminina no mercado — com crescimento de 11% —, as mulheres ainda recebem, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado. Leia em TVT News.

5º Relatório de Transparência Salarial aponta crescimento de 11% de mulheres no mercado de trabalho

O 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios, divulgado nesta segunda, 27 de abril, aponta que as mulheres recebem, em média, 21,3% a menos que os homens no setor privado com 100 ou mais empregados.

💰 Desigualdade salarial

100%

Homens

78,7%

Mulheres

Diferença de 21,3%

Apesar de a desigualdade salarial não ter apresentado redução em relação ao relatório divulgado em 2023 (primeiro ano de vigência da legislação), a participação feminina cresceu 11% no mercado de trabalho, com ampliação das oportunidades para mulheres negras e pardas.

Os dados têm como base a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e abrangem cerca de 53,5 mil estabelecimentos com 100 ou mais empregados. Segundo o levantamento, o salário médio é de R$ 4.594,89, enquanto o salário contratual mediano é de R$ 2.295,36.

O estudo mostra aumento da presença feminina no mercado de trabalho. O número de mulheres empregadas cresceu 11%, passando de 7,2 milhões para 8 milhões — um acréscimo de 800 mil trabalhadoras. Entre mulheres negras (pretas e pardas), o crescimento foi de 29%, passando de 3,2 milhões para 4,2 milhões, o que representa mais 1 milhão de ocupadas.

Desigualdade salarial é estrutural

👩

Mulheres
Menor remuneração média

⚖

Desigualdade
Persistente mesmo com qualificação

📉

21,3%
Diferença salarial média

Mais mulheres negras no mercado de trabalho

Também houve aumento no número de estabelecimentos com pelo menos 10% de mulheres negras, que chegou a 21.759, crescimento de 3,6% em relação a 2023.

📉 Desigualdade aumentou levemente

Salário mediano

2023: 13,7%

Atual: 14,3%


Rendimento médio

2023: 20,7%

Atual: 21,3%

📊 Tendência de estabilidade com leve alta

A massa de rendimentos das mulheres subiu de 33,7% para 35,2%. Ainda assim, para alcançar participação equivalente à presença feminina no emprego (41,4%), seria necessário um acréscimo de R$ 95,5 bilhões nos rendimentos.

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O relatório aponta avanços em políticas internas das empresas entre 2023 e 2025., como, por exemplo, aumento na oferta de jornada flexível. Foto: Adonis Guerra / SMABC

“Aumentar a massa em 10,6% teria impacto no consumo das famílias e diminuiria a diferença de rendimentos entre homens e mulheres, mas isso representa custo para as empresas, o que as torna mais resistentes a promover essas mudanças”, ressalta a Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do MTE.

Apesar dos avanços no emprego, a desigualdade salarial aumentou levemente; do ponto de vista estatístico, trata-se de estabilidade. Em 2023, as mulheres recebiam 13,7% a menos no salário mediano de contratação; agora, a diferença é de 14,3%. No rendimento médio, a diferença passou de 20,7% para 21,3%.

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Os setores com maiores parcelas de contratação são os serviços de alimentação (17,8%),. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por outro lado, cresceu o número de estabelecimentos com menor desigualdade. Aqueles com até 5% de diferença no salário mediano aumentaram 3,8%, chegando a cerca de 30 mil. Já os com até 5% de diferença no rendimento médio cresceram 4,3%, totalizando 17,4 mil.

O relatório também aponta avanços em políticas internas das empresas entre 2023 e 2025. Houve aumento na oferta de jornada flexível (de 40,6% para 53,9%) e de auxílio-creche (de 22,9% para 38,4%). Também cresceram as licenças-maternidade e paternidade estendidas (de 20% para 29,9%), além da adoção de planos de cargos e salários (de 55,5% para 66,8%) e de metas de produção (de 63,8% para 75,7%).

📋 Políticas de igualdade avançam

🕒 Jornada flexível
40,6% → 53,9%
👶 Auxílio-creche
22,9% → 38,4%
👨‍👩‍👧 Licenças estendidas
20% → 29,9%
📊 Plano de carreira
55,5% → 66,8%
🎯 Metas formais
63,8% → 75,7%

A proporção de empresas que afirmam promover mulheres também aumentou, passando de 38,8% para 48,7%. Já as ações de contratação de mulheres com deficiência, LGBTQIA+ e chefes de família permaneceram relativamente estáveis.

Por outro lado, houve crescimento na contratação de mulheres indígenas, de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025, e de mulheres vítimas de violência, de 5,5% para 10,5%.

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Houve crescimento na contratação de mulheres indígenas, de 8,2% em 2023 para 11,2% em 2025. Neiriane Taerik, de 25 anos, a primeira presidente mulher da Associação Indígena da Aldeia Barranco Vermelho (ASIBV), está à frente do grupo de mulheres indígenas que trabalham com o beneficiamento da castanha-do-pará, apoiadas pelo projeto Biodiverso, na Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O levantamento indica que 7% dos estabelecimentos afirmam contratar mulheres em situação de violência, com maior concentração nos estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Os setores com maiores parcelas de contratação são os serviços de alimentação (17,8%), as atividades de vigilância e segurança (16,2%), os serviços de reparação e manutenção de equipamentos (13,6%) e os serviços para edifícios e paisagismo (13,1%).

🌍 Impactos da desigualdade

📉 Menor renda
👶 Impacto familiar
🏠 Vulnerabilidade
📊 Desigualdade estrutural

Os estados com menor desigualdade são Acre (91,9%), Piauí (92,1%), Distrito Federal (91,2%), Ceará (90,5%), Pernambuco (89,3%), Alagoas (88,8%) e Amapá (86,9%). Os com maior desigualdade salarial são Espírito Santo (70,7%), Rio de Janeiro (71,2%) e Paraná (71,3%).

Conheça a lei sobre igualdade salarial entre homens e mulheres

A Lei nº 14.611, sancionada em 3 de julho de 2023, reforça a igualdade salarial e de critérios remuneratórios entre homens e mulheres, alterando o artigo 461 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Empresas com 100 ou mais empregados devem adotar medidas para garantir essa igualdade, incluindo a promoção da transparência salarial, a fiscalização contra a discriminação, o estabelecimento de canais de denúncia, a implementação de programas de diversidade e inclusão e o apoio à capacitação de mulheres. A lei é uma iniciativa do governo federal, conduzida pelo Ministério do Trabalho e Emprego e pelo Ministério das Mulheres.

Acesse aqui os dados do Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios.

O que é a Lei da Igualdade Salarial (Lei nº 14.611/2023)

Embora não seja exclusivamente voltada à violência, a política é considerada eixo preventivo.

A lei tornou obrigatória a equiparação salarial entre homens e mulheres que exercem funções idênticas.

Regras principais:

  • Empresas com 100 ou mais empregados devem publicar relatórios semestrais de transparência salarial;
  • Multa de 3% da folha de pagamentos (limitada a 100 salários-mínimos) em caso de descumprimento;
  • Empresas têm 90 dias para apresentar plano de ação caso seja identificada desigualdade.

Ministro do Trabalho destaca ações do governo Lula no combate à desigualdade salarial

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, destaa as ações que o Governo Lula vem executando para defender histórica demanda de igualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil.

Marinho centrou sua fala na Lei nº 14.611, sancionada em 2023 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tornou obrigatória a igualdade salarial entre homens e mulheres que exerçam a mesma função. A norma também obriga empresas com 100 ou mais empregados a publicar relatórios semestrais de transparência salarial, como forma de monitorar e expor eventuais discrepâncias.

“O que justifica que o homem ganhe mais que a mulher? Por que a mulher branca justifica que ganha mais que a mulher negra ou a mulher indígena, se têm a mesma produtividade, a mesma qualificação, o mesmo retorno para aquela empresa naquela função? Função igual, salário igual é uma necessidade”, afirmou o ministro.

Além da exigência de relatórios semestrais, o Ministério do Trabalho e Emprego realiza o monitoramento permanente das práticas salariais em parceria com o Ministério das Mulheres, com o objetivo de fomentar uma cultura de transparência e justiça nas relações trabalhistas.

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Trabalhadora doméstica: desigualdades marcam realidade de 5,6 milhões no Brasil

25 de Abril de 2026, 08:49

Dia 27 de abril é o Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica e dados do DIEESE mostram que o trabalho doméstico permanece fortemente marcado por desigualdades de gênero e raça, além de apresentar baixos rendimentos, alta informalidade e dificuldades de acesso a direitos trabalhistas. Leia sobre o Dia da Trabalhadora Doméstica com a TVT News.

Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica: dados mostram o fosso social da categoria

De acordo com levantamento baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), o Brasil contava, no quarto trimestre de 2025, com cerca de 5,6 milhões de pessoas ocupadas no trabalho doméstico. Desse total, 92% eram mulheres . A predominância feminina escancara a histórica divisão sexual do trabalho, que atribuiu às mulheres as atividades de cuidado e manutenção dos lares.

Trabalho doméstico no Brasil

👩🏽‍🔧

5,6 milhões
de pessoas ocupadas

♀

92%
são mulheres

✊🏿

68%
são negras

O trabalho doméstico reflete desigualdades de gênero e raça no Brasil

O recorte racial evidencia ainda mais a desigualdade: 68% das trabalhadoras domésticas são negras . Entre as mulheres negras ocupadas, uma em cada sete atua no trabalho doméstico, o que corresponde a 14,5% desse grupo . Os números refletem o impacto de processos históricos, como a escravidão e a exclusão social, na configuração atual do mercado de trabalho.

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Mais da metade das trabalhadoras domésticas não concluiu a educação básica, aponta DIEESE

O trabalho doméstico no Brasil continua sendo um retrato das desigualdades estruturais que atravessam o mercado de trabalho. Dados recentes mostram que a atividade permanece fortemente marcada por recortes de gênero e raça, além de apresentar baixos rendimentos, alta informalidade e dificuldades de acesso a direitos trabalhistas.

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Fonte: DIEESE

Trabalho doméstico no Brasil é feminino e negro

A trabalhadora doméstica no Brasil tem um perfil bem definido: mulher e, majoritariamente, negra. Segundo os dados, 68% das profissionais do setor são negras, evidenciando como o trabalho doméstico ainda está ligado a desigualdades raciais históricas.

Entre as mulheres negras ocupadas, uma em cada sete atua como trabalhadora doméstica. Esse dado revela como o legado da escravidão e da exclusão social ainda influencia a inserção dessa população no mercado de trabalho.

Essa concentração não é aleatória. Ela reflete a dificuldade de acesso a oportunidades mais valorizadas, além de desigualdades no acesso à educação e à qualificação profissional.

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A trabalhadora trabalhadora doméstica ganha 59% menos do que outras mulheres ocupadas. Foto: Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias

Trabalhadora doméstica recebe menos e sustenta famílias

Mesmo sendo essencial para o funcionamento da sociedade, o trabalho doméstico é um dos mais desvalorizados economicamente.

Em média, a trabalhadora doméstica ganha 59% menos do que outras mulheres ocupadas. Na prática, isso significa uma perda mensal de cerca de R$ 1.932 e mais de R$ 23 mil ao longo de um ano.

Apesar disso, essas mulheres desempenham um papel central na economia familiar: 58% são chefes de domicílio. Ou seja, mesmo com renda menor, são responsáveis pelo sustento de suas casas.

Desigualdade de renda

💰

-59%

Trabalhadoras domésticas ganham menos que outras mulheres

R$ 1.932

a menos por mês

R$ 23 mil

a menos por ano

Mesmo com menor renda, 58% são chefes de família

Informalidade ainda é regra no trabalho doméstico

A ampliação de direitos trabalhistas nos últimos anos não foi suficiente para transformar a realidade da maioria das trabalhadoras domésticas.

Hoje, 76% delas trabalham sem carteira assinada. Além disso, 65% não contribuem para a Previdência Social.

Na prática, isso significa ausência de direitos como férias remuneradas, 13º salário e FGTS, além de insegurança em relação à aposentadoria e benefícios sociais.

A informalidade permanece como um dos principais desafios da categoria, revelando limites na efetivação das leis existentes.

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Fonte: DIEESE
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Fonte: DIEESE

Perfil da categoria mostra envelhecimento e mudança no trabalho

Outro aspecto que chama atenção é o envelhecimento da categoria. Mais da metade das trabalhadoras domésticas tem 45 anos ou mais, enquanto a presença de jovens é menor em comparação com outras ocupações.

Esse dado pode indicar tanto a permanência prolongada na atividade quanto a dificuldade de inserção em outros setores do mercado de trabalho.

Além disso, o modelo de contratação também está mudando. O número de mensalistas caiu, enquanto o de diaristas cresceu, indicando maior flexibilização — e, ao mesmo tempo, menor estabilidade.

Perfil etário

👵🏽

56%

têm 45 anos ou mais

Apenas 12% têm menos de 30 anos

Baixa escolaridade limita oportunidades

A escolaridade é outro fator que ajuda a explicar a desigualdade no trabalho doméstico.

Mais da metade das trabalhadoras não concluiu a educação básica, e 39% não terminaram o ensino fundamental. Esse cenário reduz as possibilidades de acesso a empregos com melhores salários e condições.

A falta de acesso à educação de qualidade ao longo da vida acaba reforçando o ciclo de desigualdade, mantendo essas mulheres em ocupações precarizadas.

Educação

📚

59%

não concluíram a educação básica

39%

não terminaram o ensino fundamental

Pobreza atinge parcela significativa das trabalhadoras domésticas

Os impactos dessa estrutura desigual aparecem de forma direta nas condições de vida.

Em 2024, cerca de 25% das trabalhadoras domésticas estavam em situação de pobreza, incluindo 6% em extrema pobreza.

Esse dado evidencia que, mesmo trabalhando, uma parcela significativa dessas mulheres não consegue garantir renda suficiente para uma vida digna.

Forma de trabalho

🏠

53%

mensalistas

🧹

47%

diaristas

Crescimento das diaristas indica menor estabilidade

Desafios para a valorização da trabalhadora doméstica

O cenário aponta para a necessidade de políticas públicas que enfrentem as desigualdades estruturais do setor.

Entre os principais desafios estão:

  • reduzir a informalidade
  • ampliar o acesso à Previdência
  • garantir cumprimento de direitos trabalhistas
  • investir em educação e qualificação
  • combater desigualdades de gênero e raça

A história do trabalho doméstico no Brasil mostra que os avanços conquistados até aqui foram resultado da organização coletiva das trabalhadoras. O fortalecimento dessas mobilizações segue sendo fundamental para ampliar direitos e melhorar as condições de trabalho.

27 de abril: Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica

O 27 de abril é reconhecido como o Dia Nacional da Trabalhadora Doméstica, uma data que busca dar visibilidade às condições de trabalho dessa categoria e reforçar a importância da garantia de direitos. Mais do que uma homenagem, o dia também cumpre um papel político ao chamar atenção para a necessidade de valorização ddas trabalhadores domésticas.

Qual a história de Laudelina de Campos Melo

A luta por direitos das trabalhadoras domésticas no Brasil está profundamente ligada à trajetória de Laudelina de Campos Melo, uma das principais lideranças da categoria no país.

Nascida em 1904, Laudelina foi uma mulher negra que dedicou sua vida à organização das trabalhadoras domésticas. Em um contexto marcado por forte discriminação racial e de gênero, ela atuou na construção de espaços de mobilização e reivindicação de direitos.

Na década de 1930, Laudelina fundou associações voltadas à defesa das trabalhadoras domésticas, buscando melhores condições de trabalho e reconhecimento profissional. Sua atuação foi fundamental para dar visibilidade à categoria e para fortalecer a luta por direitos trabalhistas.

A história de Laudelina evidencia como a organização coletiva foi — e continua sendo — um instrumento essencial para enfrentar a precarização do trabalho doméstico.

Qual a história da Associação de Empregadas Domésticas de Santos, considerada o primeiro sindicato da categoria no Brasil

A materialização da visão política de Laudelina de Campos Melo ocorreu na cidade litorânea de Santos, no estado de São Paulo, no ano de 1936. Foi lá que ela fundou a Associação de Empregadas Domésticas de Santos, a primeira entidade de classe focada exclusivamente na organização e na defesa dos direitos dessa categoria no Brasil.

A fundação da Associação foi um ato de extrema ousadia. Em 1936, a elite brasileira, que ainda carregava os vícios do período escravocrata recém-abolido, não aceitava que as mulheres que limpavam suas casas e criavam seus filhos tivessem qualquer tipo de direito reivindicado. Essa realidade parece não ter se alterado no século XXI.

A entidade criada por Laudelina funcionava como um ponto de apoio fundamental: oferecia assistência jurídica, acolhimento para mulheres vítimas de violência patronal, espaços de alfabetização e, acima de tudo, um ambiente de formação de consciência política.

Infelizmente, a existência formal da Associação de Santos foi interrompida de maneira abrupta. Com a instauração do Estado Novo em 1937, a ditadura varguista proibiu o funcionamento de diversas organizações civis e sindicais independentes.

A entidade foi fechada compulsoriamente, mas o impacto ideológico de sua criação jamais foi apagado. O pioneirismo da Associação de Empregadas Domésticas de Santos abriu os caminhos para a retomada do movimento nas décadas seguintes, influenciando diretamente a criação de novos sindicatos nos anos 1960 e 1980.

O espírito de resistência forjado em Santos foi determinante para a organização da categoria durante a Assembleia Nacional Constituinte de 1988, que garantiu os primeiros direitos básicos, e mais tarde, na histórica aprovação da Emenda Constitucional 72, a PEC das Domésticas.

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Seminário internacional reforça ação sindical e formação de base no ABC

24 de Abril de 2026, 16:42

O seminário de planejamento do projeto de cooperação entre IG Metall, Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) aconteceu de 22 a 24 dea abril, em Santo André, reunindo dirigentes sindicais e representantes internacionais. Leia em TVT News.

Objetivos do seminário de formação sindical

  • Formar organizadores qualificados e sensíveis às questões de gênero.
  • Fortalecer sindicatos mais fortes, democráticos e sustentáveis.
  • Desenvolver líderes e organizadores em diferentes fases da organização estratégica.
  • Construir redes e coordenação de estratégias para ampliar solidariedade

Como foi primeiro dia do seminário

A abertura institucional contou com falas das entidades organizadoras do seminário e da Embaixada da Alemanha, seguida da apresentação dos participantes e do panorama geral da iniciativa.

Ao longo do dia, a programação avançou sobre a estrutura do projeto, com detalhamento das etapas de formação, que combinam atividades presenciais e virtuais, e a construção de planos de ação integrados. A proposta articula teoria e prática para fortalecer a organização sindical nos locais de trabalho e ampliar a capacidade de mobilização da base.

“É uma satisfação muito grande estar aqui neste evento em que estamos preparando um novo curso de formação para trabalhadoras e trabalhadores da nossa base”, afirmou Maicon Michel, secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT. “Esse curso é baseado na lei de devida diligência, que responsabiliza as empresas em toda a sua cadeia de produção”, explicou.

Segundo ele, a iniciativa busca formar multiplicadores e fortalecer a atuação sindical diante de desafios recentes. “Em um momento de ataques aos direitos na América Latina, contar com uma legislação vinculante internacional fortalece a organização sindical”, destacou. “Temos uma expectativa muito positiva de implementar esse curso ainda este ano”, completou.

Segundo dia de seminário avança nas propostas, define prioridades e reforça formação para atuação nas bases

O segundo dia do seminário de planejamento do projeto de cooperação sindical entre IG Metall, CNM/CUT e SMABC, realizado nesta quinta-feira (23), em Santo André, foi marcado pelo aprofundamento das estratégias e pela organização das ações que serão implementadas nas bases sindicais. A programação reuniu dirigentes e representantes para dar sequência ao trabalho iniciado na véspera.

As atividades começaram com dinâmicas de multiplicação, a partir de uma troca de ideias coletiva voltada à construção de propostas. Na sequência, os participantes avançaram na concretização e seleção das iniciativas prioritárias, transformando ideias em ações estruturadas, alinhadas às demandas das trabalhadoras e trabalhadores.

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Seminário reúne entidades para planejar formação e fortalecer organização e ação coletiva nas bases. Foto: Cadu Bazilevski

“Estamos no segundo dia de atividades do projeto de cooperação sindical entre IG Metall, CNM/CUT e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. É um projeto muito importante, que envolve a sindicalização nas fábricas e o fortalecimento da organização no local de trabalho”, afirmou Jonas Brito, coordenador do SMABC em São Bernardo do Campo.

Segundo Jonas, o intercâmbio de experiências foi um dos pontos centrais do encontro. “A IG Metall trouxe muito da sua experiência da Alemanha, que se soma ao conhecimento que já temos aqui. Esse projeto começa em empresas ligadas à cadeia da Mercedes-Benz, mas irá se expandir para outras fábricas e isso é fundamental”, destacou.

Organização e prioridades

No período da tarde, o foco esteve na estrutura de gestão e coordenação do projeto, com definição de responsabilidades, acordos organizativos e mecanismos de monitoramento. O dia foi encerrado com uma rodada de reflexão coletiva, consolidando os avanços e preparando os próximos passos da iniciativa.

“Quero destacar a importância de retomar projetos com o IG Metall, um parceiro histórico da CNM/CUT. Isso fortalece muito a luta das trabalhadoras e trabalhadores aqui no Brasil”, afirmou Renato Almeida, o Renatinho, secretário-geral da CNM/CUT.

Para Renatinho, o planejamento realizado ao longo desses dois dias reforça a estratégia de fortalecimento sindical. “Estamos falando de um projeto voltado à ampliação da organização no local de trabalho, uma bandeira histórica da confederação. Saímos daqui com a expectativa de realizar um grande trabalho e com muito otimismo”, concluiu.

Seminário vai multiplicar a formação para outros dirigentes sindiciais

A expectativa é qualificar cerca de 40 dirigentes sindicais para atuar como multiplicadores do conteúdo, com foco na cadeia produtiva de empresas transnacionais, como a Mercedes-Benz. A formação pretende ampliar o debate sobre trabalho decente, remuneração adequada e responsabilidade empresarial ao longo de toda a cadeia de produção.

“Foi um dia bastante produtivo, dedicado ao planejamento e ao fortalecimento da atuação sindical”, afirmou Maria do Amparo, secretária de Formação da CNM/CUT. “O objetivo é preparar dirigentes e sindicatos mais fortes e atuantes em suas bases por todo o nosso país”, disse.

Estão previstas atividades de organização das propostas, definição de responsabilidades entre as entidades envolvidas e avaliação dos encaminhamentos. A etapa final também deve alinhar estratégias para a implementação do projeto ainda este ano.

O que é a lei de devida diligência

A lei de devida diligência obriga empresas a identificar, prevenir e reparar impactos negativos de suas atividades, sobretudo em direitos humanos e meio ambiente. Inspirada em normas europeias, exige transparência nas cadeias produtivas, gestão de riscos e responsabilização por violações, inclusive de fornecedores. O objetivo é reduzir abusos e ampliar a responsabilidade corporativa.

Com informações de Cadu Bazilevski e Érica Aragão

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Defensora do fim da escala 6×1, Ana Paula vence BBB

22 de Abril de 2026, 10:48

Nesta terça, a TV Globo exibiu a última edição do BBB 2026, coroando, enfim, Ana Paula Renault como a vencedora tão esperada do programa. Durante os dias de confinamento, a mineira defendeu uma série de pautas do campo progressista como o fim da escala 6×1, as cotas raciais como reparação histórica e o programa do governo Lula Minha Casa Minha Vida levando o debate para dentro do reality. Leia em TVT News.

Mesmo evitando abordar candidatos ou partidos por causa das regras do programa, Ana Paula conseguiu mobilizar a disucssão política com temas importantes em conversas com aliados e adversários. Nas suas redes sociais, antes de entrar na casa, a mineira se manifestava com frequência políticamente, expressando ser contrária ao governo Bolsonaro e alinhada a pautas de esquerda.

Um evento em específico ganhou repercussão na internet. Em 2023, Ana Paula gravou um vídeo discutindo com o deputado federal Nikolas Ferreira, que sentava ao seu lado durante voo comercial. Nikolas, naquele mês, havia discursado de peruca no dia internacional da mulher alegando “lugar de fala”. Ana Paula chegou até mesmo a compartilhar um baixo-assinado online pedindo sua cassação por transfobia e falta de decoro parlamentar.

Ontem, em Belo Horizonte, durante a transmissão da TV Globo, vimos que fãs carregavam cartazes com seu nome, mas também havia bandeira vermelha com o nome de Lula.

Os primeiros adversários de Ana Paula no jogo foram pessoas que a perseguiram dentro da casa por conta do seu posicionamento político, como Matheus e Brigido. Matheus, que teve fala racista sobre Tia Milena ter patroa dentro do programa, manifestou seu incômodo sobre a veterana e suas pautas políticas em vários momentos do programa. Em um deles, chegou a reclamar sobre a defesa da escala 5×2.

“E aí isso que me irritou muito (…). Teve um momento que eu tava conversando com ela e eu tava falando sobred a Milena, que eu tenho boa parte da minha família de empregada doméstica, e em vez dela estar normal na conversa ela ficava falando de política: ‘por isso que sou a favor da 5×2, por isso que tem que acabar a 6×1′, disse Matheus em conversa com a veterana Sol Veiga.

Matheus achou ruim porque Ana Paula defendeu o fim da escala 6X1.
Ele é bancário e certamente trabalha 5X2 e 30h semanais. É muito egoísmo e falta de consciência de classe. #bbb26 pic.twitter.com/basvZCYawJ

— Rick Azevedo (@rickazzevedo) January 22, 2026

Veja momentos em que Ana Paula defendeu fim da escala 6×1

A primeira vez que o tema da escala 6×1 no programa foi ainda em janeiro, em uma conversa na beira da piscina com Cowboy, Babu e Tia Milena. Babu estava conversando sobre a abolição da escravidão que ajudou o movimento republicano ganhar força e proclamar a República, já que a monarquia havia perdido credibilidade entre a elite escravocrata. Ana Paula pegou o gancho para falar sobre outras reformas na história do Brasil que a elite empresarial disse que quebraria a economia do país, como o direito à férias, décimo terceiro e agora o fim da jornada 6×1.

Ana Paula e Babu demonstrando conhecimento histórico e consciência de classe:

"Eles diziam que o fim da escravidão iria quebrar o país, assim como falavam que o 13º salário iria quebrar o país, que as férias iriam quebrar o país e que, agora, o fim da escala 6×1 vai quebrar o… pic.twitter.com/aKu8qRN4DT

— Pragmatismo Politico (@Pragmatismo_) January 30, 2026

Em outro momento marcante, Ana Paula e Tia Milena compartilhavam um dos castigos do monstro mais difíceis dessa edição. O desafio era ficar em pé apertando um botão que mantinha uma luz acesa. A luz, no entanto, deveria ficar o tempo todo acesa até que a produção anunciasse o fim do desafio. As duas deveriam revezar durante o castigo, mas ele durou mais de 12 horas.

A situação despertou um debate sobre direitos trabalhistas e jornadas abusivas de trabalho. Milena, que trabalha como recreadora infantil e emprega doméstica, disse que o governo poderia dar dois dias para descanso. Então Ana Paula a lembrou que tem um projeto para ser votado, que é a PEC do fim da Escala 6X1 que, inclusive, será votada nesta quarta (22) na Câmara.

Tem um projeto sobre isso, da escala“, disse Ana Paula

Você acha que esses vagabundos vão votar, vão nada. Eles gostam de ter funcionário 24 horas lambendo o rabo deles“, disse Milena

Por isso que a gente tem que fazer passeata, ir para as ruas e pressionar. Tia Milena, antigamente não tinha férias, não tinha décimo terceiro e toda vez que iam sancionar algum direito para os trabalhadores falava que o Brasil ia quebrar“, disse Ana Paula

Ana Paula defendeu o fim da escala 6×1 pela 4ª vez no BBB. Milena, que votou Bolsonaro em 22, concordou.

No Datafolha, 53% dos eleitores de Bolsonaro querem o fim da escala 6×1.

A agenda trabalhista é uma das principais formas de levar o povo para a esquerda! pic.twitter.com/LXEXBf663o

— Análise Política (@analise2025) March 28, 2026

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Combate à violência contra mulher passa pela regulação das redes sociais

16 de Março de 2026, 13:47

Enquanto as redes sociais não forem regidas por leis específicas, criminosos vão continuar tendo milhões de seguidores e influenciando meninos, adolescentes e homens a cometerem crimes contra as mulheres. É o que afirma a presidenta do Sindicato do Bancários de Sâo Paulo, Neiva Ribeiro. Leia em TVT News.

Combate à violência contra a mulher passa por regulamentar redes sociais e criminalizar discursos misóginos

Ao se entregar à Polícia, na última quarta-feira (4), Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18 anos, um dos envolvidos no estupro coletivo de uma adolescente em Copacabana, vestia uma camisa onde se lia “regret nothing”, que em português significa “não se arrependa de nada”.

A frase em inglês é um dos lemas do coach Andrew Tate, um dos mais influentes da chamada machosfera – comunidades online que disseminam discursos de ódio contra mulheres e normalizam comportamentos abusivos.

Com mais de 11 milhões de seguidores no X, o americano-britânico é assumidamente misógino (adjetivo que define quem tem ódio, aversão, desprezo ou preconceito contra mulheres) e é réu por estupro, tráfico humano e exploração sexual.

A cena da entrada de Vitor Hugo Simonin na delegacia, com expressão altiva, cabeça erguida e a frase na camiseta chocou muitas pessoas e gerou amplo debate nas redes sociais e na mídia. Em sua conta no Instagram, a ex-deputada federal Manuela d’Ávila, mencionou a relação entre a afirmação na camiseta e a ideologia red pill (um dos movimentos que incitam adolescentes e homens ao ódio e à violência contra meninas e mulheres) e defendeu que as grandes plataformas de redes sociais respondam por perfis e mensagens misóginas de grupos como esses.

“No último dia 6, a Advocacia Geral da União notificou a plataforma Telegram para que sejam removidos grupos e canais que disseminam discursos de ódio e apologia à violência contra as mulheres. É preciso cobrar as plataformas e responsabilizar aqueles que lucram com o ódio e a violência contra as mulheres!”, disse Manuela d’ Ávila em seu post.

A jornalista Andrea Sadi, nesta segunda-feira (9), no Estudio I, da Globonews, comentou o escárnio estampado na roupa do estuprador. “É uma frase do principal líder do movimento red pill. Ele tem milhões de seguidores e muitos meninos seguem o Andrew Tate e desenvolvem essa cultura do ódio às mulheres. Fiz uma pesquisa sobre o conteúdo e é inacreditável que uma pessoa fale isso, promova isso e tenha tantos seguidores. E olha o reflexo disso aqui no Brasil.”

Regulamentação das redes sociais é urgente

A presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Neiva Ribeiro, destaca que, enquanto as redes sociais não forem regidas por leis específicas, criminosos vão continuar tendo milhões de seguidores e influenciando meninos, adolescentes e homens a cometerem crimes contra as mulheres. “Pessoas como esse influenciador e movimentos como red pill e tantos outros vão continuar difundindo a cultura do estupro”, afirma.

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Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança, foram 83.012 vítimas de estupro em 2025, sendo que a maioria dos casos foi de estupro de vulnerável . Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Neiva lembra que no Brasil, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança, foram 83.012 vítimas de estupro em 2025, sendo que a maioria dos casos foi de estupro de vulnerável (vítimas com menos de 14 anos ou incapazes de resistir). Houve uma diminuição de casos em relação a 2024, mas um aumento de 72% nos últimos 10 anos.

“É preciso lutar contra essa cultura machista e misógina, contra a cultura do estupro, que trata meninas e mulheres como inferiores e prega que sejam subjugadas. E não há como lutar contra isso sem criminalizar líderes misóginos nas redes e sem penalizar plataformas digitais que lucram com esse ódio”, acrescenta.

A dirigente ressalta ainda que o chamado PL das Fake News (PL 2.630/2020) teve urgência aprovada em 2024 mas, apesar disso, encontra-se parado na Câmara dos Deputados. Além dele, outros projetos de lei tramitam, como o PL 6194/2025, de autoria da deputada Ana Pimentel (PT-MG), que visa estabelecer normas para combater a misoginia digital e o ódio contra mulheres em redes sociais e aplicativos. E, recentemente, o Governo Federal enviou ao Congresso o PL 4.675/2025, que trata da regulação econômica e concorrencial das grandes empresas de tecnologia (big techs).

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Projetos de lei pára combater a violência tramitam, como o PL 6194/2025, de autoria da deputada Ana Pimentel (PT-MG), que visa estabelecer normas para combater a misoginia digital Foto: Brett Jordan / Pexels

“Há várias iniciativas legislativas e há também decisões importantes no STF no sentido de impor limites às big techs. O problema é que as ações esbarram na maioria de parlamentares de direita e ultradireita no Congresso. E isso nos alerta para a necessidade urgente de elegermos, nas eleições deste ano, deputados estaduais e federais e senadores progressistas, comprometidos com o combate aos crimes cometidos na internet e com o fim da escalada absurda da violência contra as mulheres.”

Série sobre violência de gênero no site do sindicato dos Bancários

O Sindicato dos Bancários de São Paulo publica uma série de matérias sobre violência contra a mulher, que buscam ampliar o debate público e envolver a sociedade na busca de formas para se combater o problema. Acabar com o feminicídio, estupros de meninas e mulheres e com os demais tipos de violência de gênero é uma responsabilidade de todos, mulheres e homens, e o objetivo do Sindicato com esta série é mostrar possíveis caminhos para alterar essa realidade.

Reportagem do SPBancários

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Brasil quer o fim da escala 6×1, mostra Datafolha

15 de Março de 2026, 16:57

Pesquisa Datafolha divulgada em 14 de março diz que apoio ao fim da escala 6×1 cresce e chega a 71% dos brasileiros. Em novembro de 2024, 64% eram a favor da redução da jornada. Leia em TVT News.

O que diz a pesquisa Datafolha sobre apoio ao fim da escala 6×1

  • 71% dos brasileiros apoiam a redução da jornada de trabalho
  • Mulheres e jovens são os maiores apoiadores do fim da escala 6×1
  • Jovens de 16 a 24 anos compõem o grupo com maior índice de aprovação (83%)
  • Fim da escala 6×1 tem 55% de apoio entre os idosos com 60 anos ou mais.

Fim da escala 6×1 tem apoio de 71% dos brasileiros, mostra pesquisa Datafolha

Levantamento aponta crescimento do apoio popular ao fim da escala 6×1 e indica que maioria da população defende mudanças na jornada de trabalho

Uma pesquisa do instituto Datafolha aponta crescimento no apoio ao fim da escala 6×1 no Brasil. Segundo o levantamento, 71% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, modelo de jornada em que o trabalhador atua seis dias seguidos e tem apenas um dia de descanso semanal.

O índice representa avanço em relação ao levantamento anterior do Datafolha, realizado em dezembro de 2024, quando 64% dos entrevistados defendiam o fim da escala 6×1. A nova pesquisa indica que a pauta da redução da jornada de trabalho vem ganhando força no debate público.

Entre os entrevistados, 27% disseram ser contra o fim da escala 6×1, enquanto 3% afirmaram não saber opinar sobre o tema.

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Protesto pelo fim da escala 6×1. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

A pesquisa foi realizada entre 3 e 5 de março, com 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 137 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Fim da escala 6×1 ganha apoio entre brasileiros

Os dados do levantamento mostram que sete em cada dez brasileiros apoiam o fim da escala 6×1, indicando que a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho tem ampliado adesão na sociedade.

A escala 6×1 é comum em setores como comércio, serviços e parte da indústria. Nesse modelo, trabalhadores cumprem seis dias consecutivos de trabalho antes de ter um dia de descanso.

O debate sobre o fim da escala 6×1 também aparece em propostas que discutem a redução da jornada semanal de trabalho no país. Atualmente, a Constituição estabelece limite de 44 horas semanais, mas projetos em discussão sugerem diminuir esse teto para 40 horas ou menos, sem redução de salário.

Fim da escala 6×1 divide opiniões sobre impactos econômicos

Apesar do apoio majoritário ao fim da escala 6×1, o levantamento aponta que os brasileiros têm opiniões divididas sobre possíveis efeitos da mudança na economia.

Quando questionados sobre o impacto da redução da jornada para empresas e atividade econômica, 39% afirmam que os efeitos seriam positivos, enquanto outros 39% acreditam que o impacto poderia ser negativo.

Há ainda uma parcela da população que avalia que a mudança teria pouco efeito na economia ou não soube responder.

Especialistas apontam que a redução da jornada de trabalho é tema presente em debates internacionais sobre produtividade, organização do trabalho e qualidade de vida.

Fim da escala 6×1 é visto como avanço para qualidade de vida

A pesquisa também investigou como os brasileiros avaliam os possíveis efeitos do fim da escala 6×1 na vida cotidiana dos trabalhadores.

Segundo o levantamento, 76% dos entrevistados acreditam que a redução da jornada teria efeito positivo na qualidade de vida. A percepção está relacionada ao aumento do tempo disponível para descanso, convivência familiar e atividades pessoais.

Quando a pergunta trata do impacto direto na própria vida, 68% afirmam que o fim da escala 6×1 seria positivo para sua rotina.

O levantamento ainda mostra que parte da população relata dificuldade para equilibrar trabalho e descanso. Entre os entrevistados que trabalham seis ou sete dias por semana, 59% afirmam não ter tempo suficiente para descansar.

Fim da escala 6×1 tem maior apoio entre jovens e mulheres

Os resultados também indicam diferenças de opinião entre grupos da população. O apoio ao fim da escala 6×1 é mais elevado entre mulheres, com 77% favoráveis, enquanto entre os homens o índice é de 64%.

Entre os jovens de 16 a 24 anos, o apoio chega a 83%, um dos percentuais mais altos registrados pela pesquisa. Já entre pessoas com 60 anos ou mais, o índice de apoio é menor, mas ainda majoritário.

O levantamento também aponta diferenças conforme posição política dos entrevistados. Entre pessoas que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, 82% apoiam o fim da escala 6×1. Entre eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, o índice de apoio é de 55%.

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Pesquisa mostra que mulheres são as mais favoráveis ao fim da escala 6×1. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Fim da escala 6×1 está em debate no Congresso

O tema do fim da escala 6×1 ganhou visibilidade nos últimos anos com mobilizações de trabalhadores, sindicatos e movimentos sociais que defendem mudanças na jornada semanal.

No Congresso Nacional, parlamentares discutem propostas que tratam da reorganização do tempo de trabalho no Brasil. Entre as ideias apresentadas estão projetos que sugerem redução da jornada semanal para 40 horas ou menos, mantendo os salários.

A pesquisa Datafolha indica que a discussão sobre o fim da escala 6×1 tende a permanecer presente no debate público, diante do crescimento do apoio popular à mudança no modelo de jornada.

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Erika Hilton e o presidente do Sindcato dos Metalúrgicos do ABC, Moisés Selerges. Fim da escala 6×1 é demanda histórica da classe trabalhadora. Foto: Adonis Guerra

Fim da escala 6×1 é possível: tire suas dúvidas sobre o tema

O que é o fim da escala 6×1?

O debate sobre o fim da escala 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um — está no centro da discussão nacional.

A proposta é uma bandeira histórica da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e demais centrais sindicais, que apontam ganhos concretos:

  • Melhoria na qualidade de vida
  • Redução do adoecimento e do absenteísmo
  • Aumento da produtividade
  • Estímulo ao consumo
  • Possível geração de novos empregos

Levantamento da Nexus, Pesquisa e Inteligência de Dados, mostra que 73% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala 6×1, desde que não haja redução salarial. Ou seja: a sociedade entende que trabalhar para viver é diferente de viver para trabalhar.

Quais os impactos do fim da escala 6×1?

De acordo com nota técnica do Institto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o impacto econômico do fima da escala 6×1 é mínimo:

  • Na indústria e no comércio, o custo operacional adicional seria inferior a 1%.
  • redução da jornada para 40 horas semanais elevaria o custo do trabalho celetista em média 7,84%, mas, considerando o peso da mão de obra no custo total dos setores, o impacto se dilui.
  • Mesmo em setores com alta dependência de mão de obra, como vigilância e limpeza, o impacto é administrável e pode ser enfrentado com políticas de transição.

O próprio Ipea destaca que aumento de custo do trabalho não significa automaticamente queda na produção ou aumento do desemprego.

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Um estudo do Dieese, encomendado pela Contraf-CUT, aponta que a implementação da jornada de quatro dias, entre os bancários que hoje realizam a jornada média de 37 horas semanais, teria o potencial de criar mais de 108 mil vagas no setor, ou 25% do total de vagas que existem atualmente.

“O fim da escala 6×1 pode gerar mais empregos e garantir ao trabalhador tempo para estudar, cuidar da saúde e ter lazer”, afirmou o secretário-geral da CUT, Renato Zulato

Para ele, reduzir jornadas exaustivas é uma medida concreta para abrir vagas e permitir que trabalhadores tenham tempo para qualificação e convivência familiar. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de qualidade de vida”, afirmou, ao defender mudanças estruturais.

Já um estudo divulgado em 2024 pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) apontou que a Inteligência Artificial (IA) afetará 60% dos empregos em todo o mundo: metade de forma positiva e metade de forma negativa, ou seja, eliminando a participação humana em vários setores.

Renato Zulato também alertou para os impactos da inteligência artificial no mercado de trabalho. Segundo ele, a transformação digital já altera rotinas produtivas e pode ampliar desigualdades se não houver políticas públicas de qualificação.

“Estamos vivendo a era da inteligência artificial. Se não houver reflexão e políticas de inclusão, parte da população será excluída dos novos processos produtivos e sociais”, disse o secretário geral da CUT.

É possível acabar com a escala 6×1?

Pesquisa da Unicamp corrobora visão do governo Lula, que defende modernização das relações de trabalho como parte da agenda de desenvolvimento social e econômico.

Fim da escala 6×1: estudo aponta que redução da jornada pode gerar 4,5 milhões de empregos

Um levantamento da economista Marilane Teixeira, pesquisadora do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mostra que a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 36 horas, com o fim da escala 6×1, tem potencial de gerar até 4,5 milhões de novos empregos no Brasil e elevar em cerca de 4% os níveis de produtividade no país. S

O estudo faz parte do Dossiê 6×1, documento elaborado por 63 autores — entre professores, pesquisadores, auditores fiscais do Trabalho e representantes sindicais — que reúne 37 artigos sobre os impactos econômicos e sociais da medida.

A conclusão central do dossiê é direta: o Brasil está pronto para trabalhar menos. O diagnóstico contraria projeções pessimistas do mercado e derruba o argumento de que a mudança poderia provocar queda no PIB ou agravar a insolvência das empresas.

“Não vai ser agora, com avanços tecnológicos, num contexto de pleno emprego, com crescimento econômico e o nível de tecnologia que temos, que não vai ser possível no Brasil reduzir para 40 horas”, afirma Marilane Teixeira.

O que os dados mostram sobre o fim da escala 6×1

Com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) do IBGE, o dossiê revela que aproximadamente 21 milhões de trabalhadores brasileiros cumprem jornada superior às 44 horas previstas na CLT. Outros 76,3% das pessoas ocupadas no país trabalham mais de 40 horas por semana — o que derruba a narrativa de que o brasileiro trabalha pouco.

A pesquisadora também chama atenção para os custos humanos da sobrecarga: em 2024, o Brasil registrou meio milhão de afastamentos por doenças psicossociais decorrentes de condições desfavoráveis no trabalho — apenas no emprego formal.

A redução da jornada atingiria diretamente 76 milhões de trabalhadores caso a escala 4×3 seja adotada, e beneficiaria cerca de 45 milhões na hipótese de migração para a jornada de 40 horas semanais em escala 5×2. 

Ipea diz que é possível acabar com a escala 6×1

O estudo da Unicamp se soma a outras análises que sustentam tecnicamente a posição do governo.

Uma nota técnica do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), publicada em fevereiro de 2026, concluiu que os custos da redução da jornada para 40 horas seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo — medidas que não geraram desemprego. Nos grandes setores empregadores, como indústria e comércio, o impacto no custo operacional seria inferior a 1%.

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Trabalhadores da Avibras encerram greve após três anos

12 de Março de 2026, 17:14

Depois de 1.280 dias de greve, os trabalhadores da Avibras Indústria Aeroespacial  aprovaram a proposta de pagamento da dívida trabalhista acumulada pela empresa. As atividades da principal indústria bélica do país, localizada em Jacareí, interior de São Paulo, devem ser retomadas em abril, depois de três anos sem produção contínua. Leia em TVT News.

A greve começou em 9 de setembro de 2022.  

Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, a proposta aprovada de pagamento da dívida trabalhista soma R$ 230 milhões. O plano para quitação desse débito prevê o parcelamento de 12 a 48 vezes, de acordo com a faixa salarial de cada trabalhador. Ao todo, 1,4mil pessoas têm valores a receber.

“Para voltar à atividade, a direção da Avibras vai desligar todos os 850 trabalhadores que permanecem registrados na fábrica, quitar as dívidas conforme o plano de parcelamento e fazer 450 recontratações. O processo de demissões, homologações e contratações vai acontecer entre março e abril”, explica o sindicato.

Em nota, a Avibras afirmou que a decisão dos trabalhadores é um avanço relevante para o processo de reestruturação da empresa.

Outro fator importante para viabilizar a retomada das operações foi a decisão do Tribunal de Justiça rejeitando os recursos apresentados contra a homologação do Plano de Recuperação Judicial da companhia.

“A empresa prossegue na fase de transição, que inclui os preparativos necessários para o restabelecimento de suas operações. Também segue empenhada na implementação do Plano de Recuperação Judicial e na construção de um novo ciclo para a empresa, com foco na continuidade de suas operações e no fortalecimento de sua atuação nos setores de defesa e aeroespacial”, diz a empresa. 

A Avibras pediu recuperação judicial em março de 2022, devido a uma crise financeira, alegando estar com dívidas de R$ 600 milhões. No mesmo momento, anunciou 420 demissões, que foram suspensas pela Justiça um mês depois, devido a uma ação movida pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região.

A fábrica será retomada sob nova direção. O ex-proprietário João Brasil Carvalho Leite foi destituído em 25 de julho de 2025, pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que homologou a transferência de 99% das ações para o Brasil Crédito Gestão Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, credor da Avibras.

A Avibras é uma empresa brasileira privada de engenharia, com mais de 50 anos de atuação e desenvolve tecnologia para as áreas de defesa e civil. Os destaques da produção são sistemas de lançamento de mísseis de cruzeiro e foguetes guiados, além de diferentes motores foguetes para a Marinha e para a Força Aérea Brasileira e veículos blindados.  

Flávia Albuquerque – Repórter da Agência Brasil

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8 de março, Dia da Mulher: conheça a origem da data e mulheres que marcaram a história

7 de Março de 2026, 18:51

O Dia da Mulher é muito mais do que um momento para presentes ou frases de efeito. Trata-se de um marco político fundamental para o calendário das lutas sociais em todo o mundo. No 8 de março, os movimentos sociais, sindicatos e coletivos feministas reafirmam a necessidade de combater o patriarcado, a desigualdade salarial e a violência de gênero que ainda assola a sociedade.

Ao rememorar o 8 de março, Dia da Mulher, é essencial resgatar a raiz revolucionária desta data. Longe de ser um dia para impulsionar o comércio, o 8 de março nasceu no chão de fábrica, nas assembleias operárias e nas ruas, impulsionado por mulheres que exigiam trabalho digno.

A TVT News preparou um material especial para explicar a origem do 8 de março como Dia da Mulher e destacar figuras importantes na construção da resistência feminina na América Latina.

Quem é essa mulher? Conheça mulheres históricas da América Latina

Por que 8 de março é o Dia da Mulher?

A escolha do 8 de março como o Dia da Mulher não foi aleatória, mas fruto de um processo de organização da classe trabalhadora. No início do século XX, as condições de trabalho eram desumanas, com jornadas exaustivas e salários miseráveis, especialmente para as operárias da indústria têxtil.

Até hoje, são as mulheres as que mais sentem os efeitos das longas jornadas de trabalho que se multiplicam com a economia do cuidado. Por isso, as mulheres estão engajadas na luta contra a escala 6×1.

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Protesto pelo fim da escala 6×1. Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O 8 de março serve como um lembrete anual da capacidade de mobilização das trabalhadoras. É um dia para evidenciar que as conquistas democráticas, como o direito ao voto e à licença-maternidade, não foram concessões, mas vitórias arrancadas com muita organização e enfrentamento.

O Dia da Mulher é, portanto, um instrumento de conscientização política e de denúncia contra as opressões.

Qual a origem da data de 8 de março como Dia Internacional da Mulher

Há uma série de acontecimentos que tornaram o 8 de março o Dia das Mulheres.

A ideia de um dia dedicado às mulheres surgiu em um contexto de intensas manifestações por melhores condições de trabalho, direito ao voto e fim da discriminação.

Acompanhe a linha do tempo do Dia da Mulher:

  • 1908: Um marco importante foi a marcha de cerca de 15 mil trabalhadoras têxteis em Nova York, que foram às ruas exigindo a redução da jornada de trabalho (que chegava a 16 horas diárias), melhores salários e o direito ao voto .
  • 1909: Inspirado por essas mobilizações, o Partido Socialista da América celebrou o primeiro Dia Nacional das Mulheres em 28 de fevereiro .
  • 1910: O passo decisivo para a internacionalização da data foi dado pela ativista alemã Clara Zetkin. Durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas, em Copenhague (Dinamarca), ela propôs a criação de um Dia Internacional da Mulher anual. A ideia era unificar a luta das mulheres ao redor do mundo por direitos, mas nenhuma data específica foi definida na ocasião .
  • 1911: Como resultado, o primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 19 de março em países como Alemanha, Suíça e Dinamarca .
  • 1975: A Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o 8 de março como o Dia Internacional das Mulheres, durante o Ano Internacional da Mulher, dando à data um reconhecimento global.

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Por que 8 de março é o Dia da Mulher: o incêndio na Triangle Shirtwaist (1911)

Um evento trágico em Nova York reforçou a urgência da luta.

  • Em 25 de março de 1911, um incêndio na fábrica Triangle Shirtwaist matou 146 trabalhadores, a maioria mulheres imigrantes (judias e italianas).
  • A tragédia expôs as condições precárias de trabalho e impulsionou a legislação trabalhista nos EUA, tornando-se um símbolo central nas manifestações operárias.

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Saída dos ônibus com mulheres de São Paulo para participar da Marcha das Mulheres Negras em Brasília. Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Por que 8 de março é o Dia da Mulher: a greve de 1917 na Rússia

Em 8 de março de 1917 (que corresponde a 23 de fevereiro no calendário juliano, então em uso na Rússia), milhares de operárias russas saíram às ruas de Petrogrado (atual São Petersburgo) em um protesto histórico.

Elas reivindicavam “Pão e Paz“: pão para suas famílias famintas e o fim da participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, além de melhores condições de vida e trabalho 

Contudo, foi a oficialização pela Internacional Socialista e, posteriormente, o reconhecimento pela ONU em 1975, que consolidaram o 8 de março como o Dia Internacional da Mulher, uma data de memória e resistência operária.

Por que 8 de março é o Dia da Mulher? A oficialização pela ONU

O Dia da Mulher, comemorado em 8 de março, surgiu a partir das mobilizações de trabalhadoras por melhores condições de trabalho, igualdade salarial e participação política.

Com o passar do tempo, a data ganhou dimensão internacional. Movimentos sociais e organizações feministas utilizam o Dia da Mulher para debater políticas públicas, denunciar violências e promover ações voltadas à igualdade entre homens e mulheres.

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Ministra das Mulheres, Márcia Lopes, durante Reunião de Alto Nível na 80ª Assembleia Geral da ONU, ao fundo a ex-presidenta do Chile Michele Bachelet. A Conferência é uma iniciativa do Ministério das Mulheres. Foto: Gov.br

Em 1975, a Organização das Nações Unidas oficializou o 8 de março como Dia Internacional da Mulher. Desde então, a data passou a ser reconhecida mundialmente como um momento de reflexão sobre igualdade de direitos e enfrentamento das violências contra mulheres.

Quem é essa mulher? Conheça mulheres que marcaram a história da América Latina

A história oficial muitas vezes apaga ou secundariza a participação feminina nos processos poíticos e culturais.

No entanto, a América Latina foi forjada pelo sangue, suor e inteligência de mulheres que pegaram em armas, organizaram quilombos, escreveram manifestos e desafiaram ditaduras.

Para a TVT News, o Dia da Mulher é o momento para corrigir essas injustiças históricas. A seguir, conheça perfis de lutadoras que dedicaram suas vidas à causa da liberdade e da justiça social no continente latino-americano

Mulheres na história da América Latina: Anita Garibaldi

Conhecida como a “Heroína de Dois Mundos”, Anita Garibaldi rompeu com todos os padrões esperados para uma mulher do século XIX. Nascida no sul do Brasil, ela não se limitou ao papel doméstico, pegando em armas ao lado de Giuseppe Garibaldi durante a Revolução Farroupilha. Sua bravura nos campos de batalha e sua habilidade estratégica a tornaram uma lenda viva ainda durante sua curta existência.

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Anita e Giuseppe Garibaldi, combatentes em defesa da liberdade. Imagem: Wikimedia Commons /Arte Rebeca de Ávila

Anita participou ativamente de combates no Brasil, no Uruguai e na Itália, defendendo ideais republicanos. Sua trajetória é marcada pela coragem física e pela convicção política, enfrentando exércitos imperiais e as dificuldades de uma vida em constante deslocamento. Ela representa a mulher que não aceita a submissão e que luta, ombro a ombro, pela autodeterminação dos povos.

Mulheres na história da América Latina: Maria Felipa

Maria Felipa de Oliveira é um símbolo da independência do Brasil na Bahia. Marisqueira, negra e liderança natural na Ilha de Itaparica, ela organizou um grupo de vigilância e resistência contra as tropas portuguesas em 1823. A história oral conta que Maria Felipa liderou um grupo de mulheres que, usando galhos de cansanção (uma planta urticante), surraram os soldados portugueses, além de incendiar embarcações inimigas.

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Monumento na cidade de Salvador, Bahia, Brasil, em homenagem à Maria Felipa. Foto: SouDiana /Wikimedia Commons

Sua figura destaca o protagonismo das mulheres negras e pobres na construção da soberania nacional, muitas vezes ignorado pelos livros didáticos tradicionais. Maria Felipa encarna a astúcia popular e a força coletiva, provando que a independência do Brasil teve rosto feminino, negro e nordestino.

Mulheres na história da América Latina: Juana Azurduy

Juana Azurduy foi uma das mais importantes líderes militares na luta pela independência da América do Sul. Nascida no que hoje é a Bolívia, ela assumiu o comando de tropas guerrilheiras contra o domínio espanhol no Alto Peru. Juana perdeu o marido e quatro filhos na guerra, mas nunca abandonou o front, chegando a comandar um exército de indígenas e mestiços leais à causa da libertação.

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Museo Histórico Nacional – Juana Azurduy. Óleo sobre tela. Autor desconocido / Wikimedia Commons

Reconhecida postumamente com patentes de general na Argentina e na Bolívia, Juana Azurduy simboliza a entrega total à causa anticolonial. Sua vida nos lembra que a independência latino-americana foi conquistada com a participação direta de mulheres que desafiaram não apenas o império espanhol, mas também as normas de gênero de sua época.

Mulheres na história da América Latina: Manuela Sáenz

Equatoriana de nascimento, Manuela Sáenz foi muito mais do que a companheira de Simón Bolívar; foi uma ativista revolucionária com méritos próprios. Conhecida como a “Libertadora do Libertador” por ter salvo a vida de Bolívar em um atentado em Bogotá, Manuela atuou na espionagem, na logística e no financiamento da causa patriota. Ela vestia uniforme militar, montava a cavalo e participava das decisões estratégicas.

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Manuela Sáenz, por César Augusto Villacrés (ca. 1910). Fondo pictórico del Museo Nacional de Quito.

Após a morte de Bolívar, Manuela sofreu perseguição e exílio, terminando seus dias no litoral peruano. Sua reabilitação histórica é recente e necessária, posicionando-a como uma intelectual e estrategista política que compreendia a complexidade da integração latino-americana e a necessidade de romper definitivamente com a metrópole.

Mulheres na história da América Latina: Patrícia Galvão

Patrícia Galvão, a Pagu, foi uma mulher à frente de seu tempo, ícone do Modernismo brasileiro e militante comunista fervorosa. Jornalista, desenhista e escritora, Pagu denunciou as desigualdades sociais em obras como “Parque Industrial”, considerado o primeiro romance proletário brasileiro. Sua militância no Partido Comunista a levou ao cárcere diversas vezes durante a Era Vargas, onde sofreu torturas, mas manteve sua integridade ideológica.

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Pagu desafiou a moral burguesa de todas as formas, tanto em sua vida pessoal quanto em sua produção artística e política. Ela é um exemplo de intelectual engajada, que colocou seu talento a serviço da denúncia das condições da classe operária e da emancipação feminina, pagando um alto preço pessoal por suas escolhas ousadas.

Mulheres na história da América Latina: Olga Benário

A trajetória de Olga Benário Prestes é marcada pela tragédia e pelo heroísmo antifascista. Militante comunista alemã de origem judaica, veio ao Brasil para fazer a segurança de Luís Carlos Prestes. Após o fracasso do levante comunista de 1935, foi presa pelo governo de Getúlio Vargas. Mesmo grávida, foi deportada para a Alemanha nazista, em um ato de colaboracionismo que mancha a história brasileira.

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Olga Benario-Prestes, em 1942. Fonte: Wikimedia Commons

Olga deu à luz sua filha, Anita Leocádia, em um campo de concentração antes de ser assassinada na câmara de gás em Bernburg. Sua história é um alerta permanente sobre os perigos do autoritarismo e do fascismo. Olga tornou-se um símbolo internacional de resistência.

Mulheres na história da América Latina: Gabriela Mistral

Gabriela Mistral, poeta e educadora chilena, foi a primeira pessoa latino-americana a receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1945. Sua obra é profundamente marcada pela defesa da educação pública, pelos direitos das crianças e pela valorização da identidade mestiça e indígena do continente. Gabriela atuou na reforma educacional do México pós-revolucionário, a convite de José Vasconcelos, levando sua visão humanista para as escolas rurais.

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A chilena Gabriela Mistral. Fonte: Wikimedia Commons

Além de sua vasta produção literária, Mistral foi uma diplomata e intelectual que pensou a América Latina de forma integrada. Ela defendia que o ensino deveria ser uma ferramenta de libertação social, acessível aos mais pobres. Sua voz poética nunca se desvinculou de seu compromisso ético com os desfavorecidos e com a justiça social.

Mulheres na história da América Latina: Antonieta de Barros

Antonieta de Barros foi uma pioneira absoluta na política brasileira. Filha de ex-escravizada, professora e jornalista, foi a primeira mulher negra a ser eleita deputada estadual no Brasil, em Santa Catarina, no ano de 1934. Sua atuação parlamentar foi centrada na defesa da educação como direito de todos e na valorização do magistério, além de lutar contra o racismo estrutural e a discriminação de gênero.

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Fonte: Instituto Históerico e Geográfico de Santa Catarina

Foi Antonieta quem criou o Dia do Professor em seu estado, data que depois se tornaria nacional. Sua presença em um espaço de poder, majoritariamente branco e masculino na década de 1930, foi um ato revolucionário. Ela utilizou a tribuna e a imprensa para exigir cidadania plena para a população negra e para as mulheres, deixando um legado de luta pela democratização do ensino.

Mulheres na história da América Latina: Clara Charf

Clara Charf foi um exemplo de vida dedicada à militância de esquerda e aos direitos das mulheres. Viúva de Carlos Marighella, principal líder da resistência armada contra a ditadura militar, Clara viveu na clandestinidade e no exílio, atuando incansavelmente na denúncia das violações de direitos humanos no Brasil.

Após a anistia, continuou sua atuação política, focando especialmente nas questões de gênero e na paz mundial.

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Ativista Clara Charf. Foto: Memórias da Ditadura/Reprodução

Fundadora da Associação Mulheres pela Paz, Clara manteve acesa a memória de Marighella e de todos os combatentes que tombaram lutando pela democracia. Sua biografia atravessa décadas de história política brasileira, sempre do lado dos oprimidos. Ela nos ensina que a militância é um compromisso vitalício e que a luta por um mundo mais justo não tem data para acabar.

Mulheres na história da América Latina: Maria Lúcia Petit

Maria Lúcia Petit foi uma militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) que integrou a Guerrilha do Araguaia. Jovem idealista, mudou-se para a região do Bico do Papagaio para organizar os camponeses e resistir ao regime militar. Em 1972, foi morta em combate pelas Forças Armadas. Por décadas, sua família lutou pelo direito de localizar seus restos mortais e sepultá-la dignamente.

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Maria Lucia Petit. Foto: Wikimedia Commons

A identificação de sua ossada, nos anos 1990, foi um marco na busca pelos desaparecidos políticos do Araguaia. Maria Lúcia representa a juventude que sacrificou a própria vida sonhando com um Brasil livre da tirania. Sua memória é preservada como denúncia da brutalidade do Estado durante os anos de chumbo.

Mulheres na história da América Latina: Lélia Gonzalez

Lélia Gonzalez foi uma intelectual, política e antropóloga brasileira fundamental para o pensamento feminista negro. Ela cunhou o conceito de “Amefricanidade”, propondo uma leitura da cultura e da história das Américas a partir da contribuição indígena e africana. Lélia foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU), atuando diretamente contra o mito da democracia racial.

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A brasileira Lélia Gonzalez | Crédito: Acervo Família Lélia Gonzalez

Sua crítica era afiada: ela apontava como o feminismo tradicional muitas vezes ignorava a realidade das mulheres negras e pobres. Para Lélia, a luta contra o sexismo era inseparável da luta contra o racismo e o capitalismo. Seu pensamento segue atualíssimo, oferecendo ferramentas teóricas para compreendermos as hierarquias sociais brasileiras e a importância de um feminismo interseccional.

Mulheres na história da América Latina: Zuzu Angel

Zuleika Angel Jones, conhecida como Zuzu Angel, transformou sua dor em denúncia internacional. Estilista de renome, ela iniciou uma busca incessante por seu filho, Stuart Angel, militante político torturado e assassinado pela ditadura militar. Zuzu utilizou sua moda para protestar: estampou anjos feridos, tanques de guerra e grades em suas coleções, levando a brutalidade do regime brasileiro para as passarelas de Nova York.

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Zuzu Angel durante o lançamento de sua coleção em Nova York, 1972. Foto: Fundo Correio da Manhã.

Sua coragem em confrontar os generais e expor os crimes do Estado brasileiro incomodou o regime. Zuzu morreu em um acidente de carro suspeito no Rio de Janeiro, em 1976, hoje reconhecido como um atentado perpetrado pelos agentes da repressão. Ela é um símbolo da força materna que se converte em luta política por verdade e justiça.

Mulheres na história da América Latina: Clementina de Jesus

Clementina de Jesus, a “Quelé”, foi a voz ancestral que conectou o Brasil moderno às suas raízes africanas profundas. Descoberta para o grande público já idosa, depois de uma vida inteira trabalhando como doméstica, Clementina trouxe em seu canto os vissungos (cantos de trabalho), corimás e sambas rurais que guardava na memória. Ela não foi apenas uma cantora, mas uma guardiã de saberes orais.

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Imagem do Fundo Correio da Manhã.

Sua presença na música popular brasileira foi um ato de afirmação da estética e da cultura negra. Sua voz rouca e potente narrava a história de resistência do povo negro pós-abolição. Clementina nos lembra que a cultura é também um campo de disputa e que a memória do povo pobre é um patrimônio inestimável.

Mulheres na história da América Latina: Maria Conceição Tavares

A economista Maria da Conceição Tavares, portuguesa radicada no Brasil, foi uma das vozes mais lúcidas e combativas do pensamento econômico nacional.

Professora da Unicamp e da UFRJ, e ex-deputada pelo PT, Conceição formou gerações de economistas com uma visão crítica ao neoliberalismo e à financeirização da economia. Sua defesa intransigente do desenvolvimento nacional e da distribuição de renda marcou época.

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A economista Maria da Conceição Tavares. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Conhecida por sua oratória apaixonada e por não ter papas na língua, ela denunciava a desigualdade brasileira como uma vergonha histórica. Para Conceição Tavares, a economia não podia ser uma ciência fria de números, mas devia servir ao bem-estar da população. Seu legado permanece vivo na defesa da soberania nacional e dos direitos dos trabalhadores contra a austeridade fiscal.

Mulheres na história da América Latina: Violeta Parra

Violeta Parra foi a alma da música folclórica chilena e a precursora da “Nueva Canción Chilena”. Pesquisadora incansável, viajou pelos rincões do Chile recuperando canções, ritmos e tradições camponesas que estavam sendo esquecidas. Sua obra é uma fusão de arte e compromisso social, denunciando as injustiças sofridas pelos trabalhadores rurais e mineiros.

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Gabriela Mistral e Violeta Parra | Obra da artista e cenógrafa Macarena Ahumada; praça central (pátio) do Centro Cultural Gabriela Mistral (GAM), em Santiago, Chile. / Foto: Wikimedia Commons

Ela pode ser considerada a mãe da música latino-americana.

Com músicas como “Gracias a la Vida” e “Volver a los 17”, Violeta transcendeu fronteiras. Sua arte era profundamente política, servindo de inspiração para movimentos de esquerda em toda a América Latina. Ela provou que a cultura popular é uma ferramenta poderosa de identidade e resistência contra a hegemonia cultural estrangeira.

Mulheres na história da América Latina: Dulce Maia

Dulce Maia foi a primeira mulher a ser banida do Brasil pela ditadura militar, trocada, junto com outros presos políticos, pelo embaixador japonês sequestrado em 1970. Militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), Dulce sofreu torturas brutais nos porões da Operação Bandeirante (Oban), mas nunca entregou seus companheiros. Sua resistência física e psicológica tornou-se lendária entre a militância.

Após o banimento, viveu no exílio em diversos países, continuando a denunciar o regime brasileiro. O retorno ao Brasil com a anistia marcou a continuidade de sua militância pelos direitos humanos. A história de Dulce Maia é um testemunho da violência de gênero específica aplicada contra as mulheres guerrilheiras, que eram punidas duplamente: por sua oposição política e por desafiarem o papel de submissão feminina.

Mulheres na história da América Latina: Mercedes Sosa

Mercedes Sosa, “La Negra”, foi a voz que unificou a América Latina em torno da esperança e da luta democrática. Cantora argentina, sofreu perseguição e censura durante a ditadura militar em seu país, sendo obrigada a se exilar. Sua interpretação de canções como “Sólo le pido a Dios” e “Canción con todos” tornou-se hino de resistência em todo o continente.

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Retrato da cantora argentina Mercedes Sosa por Annemarie Heinrich.

Se Violeta Parra era a mãe, Mercedes Sosa foi a madrinha da música latino-americana.

Mercedes usou seu imenso talento para dar visibilidade aos compositores engajados e às dores do povo latino-americano. Ela cantou com os estudantes, com os trabalhadores e com as Mães da Praça de Maio. Sua arte era um abraço solidário que atravessava fronteiras, lembrando que a luta por liberdade na América Latina é uma causa comum a todos os nossos povos.

Mulheres na história da América Latina: Margarida Maria Alves

“É melhor morrer na luta do que morrer de fome”. A frase de Margarida Maria Alves ecoa até hoje como lema das trabalhadoras rurais. Líder sindical na Paraíba, ela foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande. Margarida lutou incansavelmente pelos direitos trabalhistas no campo, como carteira assinada, jornada de oito horas e férias, enfrentando a fúria dos latifundiários e usineiros.

Assassinada em 1983 na porta de sua casa, na frente de sua família, a mando de proprietários de terra, Margarida tornou-se semente. Sua morte inspirou a “Marcha das Margaridas”, a maior mobilização de mulheres do campo, da floresta e das águas da América Latina, que ocorre periodicamente em Brasília exigindo reforma agrária e fim da violência no campo.

Mulheres na história da América Latina: Irmã Dorothy Stang

A missionária norte-americana naturalizada brasileira, Irmã Dorothy Stang, dedicou sua vida à defesa da Amazônia e dos povos da floresta. Atuando em Anapu, no Pará, ela lutou pela implantação de Projetos de Desenvolvimento Sustentável (PDS), batendo de frente com grileiros, madeireiros ilegais e fazendeiros que destruíam a mata e oprimiam os pequenos agricultores.

Aos 73 anos, em 2005, foi brutalmente assassinada com seis tiros a mando de fazendeiros da região. Sua morte expôs ao mundo a sangrenta disputa pela terra no Brasil e a impunidade que protege os mandantes de crimes ambientais e agrários. Ela é mártir da luta socioambiental.

Mulheres na história da América Latina: Marielle Franco

Marielle Franco, socióloga, cria da Maré e vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL, representava a renovação da política com a cara da mulher negra, favelada e LGBTQIAPN+.

A atuação parlamentar de Marielle era voltada para a defesa dos direitos humanos, a fiscalização da violência policial e o apoio às minorias. Em 14 de março de 2018, Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram executados em uma emboscada política que chocou o mundo.

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Manter o nome de Marielle vivo é um ato de justiça, ressalta Luyara Franco, filha da vereadora. Foto: Bernardo Guerreiro/Mídia Ninja

O assassinato de Marielle foi uma tentativa de silenciar as pautas que ela defendia, mas gerou o efeito oposto: multiplicou sua voz em milhares de outras mulheres que ocuparam a política. A pergunta “Quem mandou matar Marielle?” tornou-se um grito por justiça e contra a atuação das milícias no Estado. Marielle é hoje um símbolo global de resistência política e defesa da democracia.

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Familiares de Marielle e Anderson acompanharam o julgamento: Foto: Gustavo Moreno/STF

Em março de 2026, a pergunta “Quem mandou matar Marielle?” foi respondida com a condenação dos mandantes do assassinato.

Dia da Mulher em 2026: o combate ao feminicídio

Chegamos ao Dia da Mulher em 2026 com a urgência de estancar a sangria do feminicídio. Apesar dos avanços legislativos e da tipificação do crime, os números continuam alarmantes, refletindo uma cultura machista que enxerga a mulher como propriedade.

O combate a essa violência exige mais do que leis; exige orçamento público para casas de abrigo, delegacias especializadas funcionando 24 horas e programas de educação que desconstruam a masculinidade tóxica desde a base.

O Brasil na luta contra o feminicídio

O Brasil segue enfrentando o desafio de proteger suas mulheres. Neste 8 de março, os movimentos de mulheres reivindicam que o Estado assuma sua responsabilidade integral. Não basta punir o agressor; é preciso evitar a morte.

Isso passa pela autonomia econômica das mulheres e por uma rede de apoio psicossocial robusta. A luta contra o feminicídio é a luta pelo direito mais básico de todos: o direito à vida.

A TVT News reafirma seu compromisso em dar visibilidade a essa pauta todos os dias do ano.

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Presença de mulheres cresce na base dos Metalúrgicos do ABC

6 de Março de 2026, 15:15

A presença das mulheres na indústria metalúrgica do ABC vem crescendo ao longo dos últimos anos. Estudo elaborado pela subseção do DIEESE do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC mostra que a base da categoria conta atualmente com 12,9 mil metalúrgicas, ampliando a participação feminina no setor. Leia em TVT News.

Em 2006, eram 11,6 mil trabalhadoras, o que representava 12,7% da base metalúrgica. Em 2024, as mulheres passaram a representar 18,3% da categoria, demonstrando um avanço gradual da presença feminina na indústria da região. Outro dado que reforça essa tendência é a entrada de novas trabalhadoras no setor.

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Além disso, o estudo mostra que as mulheres estão presentes em diferentes áreas da produção industrial e também em funções técnicas dentro das empresas do setor.

A ampliação da presença feminina é significativa em um setor tradicionalmente marcado pela predominância masculina. No conjunto da indústria metalúrgica da base do sindicato, quase 13 mil mulheres participam hoje diretamente da atividade produtiva nas fábricas do ABC, contribuindo para a dinâmica industrial de uma das regiões mais importantes do país para o setor automotivo e metalúrgico.

Mulheres: avanços e desafios

Apesar do crescimento da presença feminina na categoria, o estudo aponta que ainda há desafios importantes relacionados à igualdade salarial e às oportunidades dentro da indústria metalúrgica.

Para a diretora executiva do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Andrea Ferreira, o avanço da presença feminina nas fábricas mostra uma mudança importante no perfil da categoria, mas também reforça a necessidade de seguir ampliando políticas de igualdade no setor. “O aumento da participação das mulheres na indústria metalúrgica é um avanço importante para a categoria. As metalúrgicas estão cada vez mais presentes nas fábricas, na produção e nas áreas técnicas. O desafio agora é continuar ampliando esse espaço, garantindo igualdade de oportunidades, valorização profissional e condições de trabalho cada vez mais justas para as trabalhadoras”, afirma Andrea Ferreira.

O levantamento integra as iniciativas do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC voltadas a fortalecer a participação feminina na categoria e ampliar o debate sobre igualdade de oportunidades dentro da indústria.

Via SMABC

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No TST, diretor dos Metalúrgicos do ABC defende negociação coletiva permanente

4 de Março de 2026, 15:59

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Messias Damasceno, defendeu a centralidade da organização no local de trabalho, a valorização da negociação coletiva e a proteção social diante das novas formas de contratação, durante participação no Painel 3 – Direito Coletivo, Liberdade Sindical e Novas Formas de Trabalho, no congresso “Diálogos Internacionais: Relações de Trabalho na Sociedade Contemporânea”, realizado no Tribunal Superior do Trabalho (TST), de 2 a 4 de março. Leia em TVT News.

Ao contextualizar a trajetória do chamado “novo sindicalismo”, Damasceno resgatou as greves do ABC no fim dos anos 1970, a fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a defesa histórica da liberdade sindical, do fim da unicidade e do imposto sindical. “É importante lembrar de onde viemos para entender o que nos orienta até hoje”, afirmou, destacando que, mesmo após a Constituição de 1988, ainda há desafios para a plena liberdade sindical no país.

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Organização no local de trabalho

Para o dirigente, o pilar da atuação sindical no ABC é a organização no local de trabalho. “É ali que se escuta o trabalhador, que se formula pauta e se constrói o diálogo cotidiano com a empresa”, explicou. Segundo ele, a negociação coletiva não se limita à data-base anual, mas ocorre de forma permanente.

“Todo dia discutimos algum tema: conforto térmico, bebedouro, tempo de produção, volume, EPI adequado. Isso é negociação coletiva permanente”, disse.

A base do sindicato abrange quatro cidades do ABC paulista — São Bernardo do Campo, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra — e reúne 75 mil trabalhadores. A taxa de sindicalização é de 43%, chegando a 55% nas empresas com comitês sindicais e a 87% nas montadoras da região.

Damasceno destacou ainda o avanço da participação feminina na categoria. Hoje, 18% da base é composta por mulheres — índice que era de 14% três anos atrás. Segundo ele, o crescimento se deve a cláusulas negociadas que preveem contratação com diversidade, incluindo mulheres, pessoas negras, LGBTQIAP+ e com deficiência.

Mais de R$ 1 bilhão na economia

Em resposta à chamada “sindicatofobia”, o dirigente apresentou números para demonstrar o impacto econômico da negociação coletiva. Apenas em 2025, os acordos de data-base resultaram em R$ 346 milhões injetados na economia regional. Em 2023, os acordos de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) somaram R$ 476 milhões.

“Se somarmos os valores atualizados, passamos de R$ 1 bilhão injetado no bolso dos trabalhadores e na economia da região”, afirmou.

No ano, foram firmados 87 acordos de PLR, com cobertura de 38 mil trabalhadores, além de 166 acordos de data-base e 13 convenções coletivas que abrangem 48 mil trabalhadores. Em um dos grupos patronais, relatou, não houve acordo coletivo, o que obrigou o sindicato a negociar empresa por empresa.

Cláusulas inovadoras e pré-aposentadoria

Damasceno destacou também cláusulas consideradas inovadoras, como a participação do sindicato nas discussões sobre investimentos e impactos no emprego, incluindo processos de requalificação e readaptação profissional.

Outro exemplo é o programa de pré-aposentadoria antecipada, criado após a reforma da Previdência. “Imaginem um trabalhador na linha de produção com 65 anos. É inviável”, argumentou. Pelo modelo negociado, o trabalhador pode aderir voluntariamente ao programa, receber 50% do salário, manter o plano de saúde e continuar contribuindo para a Previdência até atingir os requisitos para aposentadoria integral.

Informalidade e desigualdade

Apesar da menor taxa de desemprego da série histórica — 5,1% —, Damasceno alertou para a informalidade, que atinge cerca de 40 milhões de trabalhadores sem acesso a férias, 13º salário ou negociação coletiva.

Ele também citou dados de 2024 sobre trabalho infantil — 1.650 crianças identificadas em situação de exploração — e mais de 5 mil resgatados de trabalho análogo à escravidão no último biênio.

No debate sobre jornada, defendeu a redução sem diminuição salarial e criticou o modelo 6×1. Segundo ele, 58% dos trabalhadores formais cumprem jornada de 44 horas semanais, e há 25 milhões com jornadas regulares acima do limite legal.

Plataformas e subordinação algorítmica

Ao abordar as novas formas de trabalho, Damasceno afirmou ser “inegável” o vínculo de subordinação nas plataformas digitais. “O fato de ter um smartphone na mão e não um chefe físico não retira a subordinação. O algoritmo determina rota, ritmo e punição”, declarou.

Ele defendeu proteção social e direito à negociação coletiva para trabalhadores de aplicativos, mas ponderou que a organização deve surgir também por iniciativa desses próprios trabalhadores, respeitando suas especificidades.

“O desafio é equilibrar garantias sociais com a flexibilidade buscada por muitos. Isso é possível”, sustentou.

Pejotização e risco estrutural

No trecho final da exposição, o dirigente fez um alerta sobre o avanço da pejotização e discussões em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, se prevalecer a ampliação irrestrita desse modelo, o impacto será estrutural.

“Não é só o fim da Previdência ou do vínculo. É o desmonte do Estado social brasileiro”, afirmou. Segundo Damasceno, a perda de contribuições afetaria o financiamento da saúde, do FGTS, da habitação, da infraestrutura e da formação profissional.

Ele também criticou práticas antissindicais. Relatou ter ouvido de um setor de recursos humanos de uma multinacional que trabalhadores sindicalizados seriam demitidos. “Conduta antissindical não pode ser normalizada”, disse.

Democracia e desenvolvimento

Ao encerrar, Damasceno afirmou que não há democracia forte sem movimento sindical forte. Defendeu o combate à precarização, a valorização da negociação coletiva e uma estratégia de reindustrialização com transição energética e tecnológica justa.

“O trabalhador deve estar no centro do debate sobre desenvolvimento, e não como consequência”, concluiu.

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