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O que é Absolescência Programada?

19 de Setembro de 2025, 13:24

Obsolescência programada é a prática adotada por fabricantes que consiste em reduzir propositalmente a vida útil dos produtos para estimular o consumidor a substituí-los com maior frequência. Essa estratégia tem como objetivo incentivar o consumo contínuo, gerando lucros para as empresas, porém resulta em desperdício, aumento de lixo eletrônico e impactos ambientais negativos. Aparece mais frequentemente em eletrodomésticos, eletrônicos, como celulares e computadores, que passam a apresentar falhas ou ficam obsoletos em prazos menores do que a durabilidade esperada.

Exemplos reais incluem o caso de impressoras que param de funcionar após certo número de impressões ou smartphones que ficam lentos após atualizações, obrigando o consumidor a adquirir aparelhos novos. Outro exemplo clássico é o uso de cartuchos de tinta com chips que bloqueiam o uso após determinado tempo, mesmo quando ainda há tinta.

Os principais exemplos atuais de obsolescência programada no mercado incluem:

– Smartphones (como os iPhones): versões antigas começam a ficar lentas após atualizações ou lançamento de novos modelos, levando o consumidor a trocar o aparelho mais cedo do que a necessidade real. Essa prática já gerou ações judiciais contra fabricantes como a Apple.

– Impressoras (marcas como Epson e HP): cartuchos de tinta são programados para mostrar falta de tinta antes do fim real, obrigando a compra de novos cartuchos caros. Também é comum o bloqueio de uso do cartucho por software.

– Lâmpadas: desde o famoso cartel Phoebus na década de 1920, que limitava intencionalmente a vida útil das lâmpadas incandescentes para aumentar vendas frequentes.

– Eletrônicos em geral: produtos como laptops e eletrodomésticos com peças que quebram rapidamente ou com baterias integradas que não podem ser substituídas pelo consumidor.

– Computadores e outros dispositivos digitais que deixam de receber atualizações de segurança ou compatibilidade, tornando-os obsoletos apesar de ainda funcionarem.

– Automóveis antigos que apresentam deficiências de segurança por decisões de fabricação, como o caso do Ford Pinto, que teve tanque de combustível propenso a explosões.

Além desses, a indústria da moda também aplica a obsolescência programada ao lançar constantes mudanças de estilo para tornar roupas rapidamente “fora de moda” e incentivar substituições.

Esses exemplos representam a diversidade de setores onde a obsolescência programada atua para impulsionar o consumo, usualmente por meio de produtos que se deterioram mais rápido ou se tornam incompatíveis por design ou software.

 

As empresas geralmente justificam a obsolescência programada para os consumidores com argumentos que envolvem inovação constante, competitividade e evolução tecnológica. Elas afirmam que lançar novos produtos com recursos atualizados e designs modernos é uma forma de atender às demandas por novidade, melhor desempenho e tendências estéticas, realçando que o ciclo acelerado de produtos é uma consequência natural da inovação contínua. Outra justificativa comum é que componentes sofrem desgaste natural e que as limitações nos reparos e durabilidade são decorrentes do avanço tecnológico e não de uma estratégia intencional para forçar o consumo.

Porém, essa justificativa esconde o fato de que a obsolescência programada pode ser uma prática deliberada para estimular o consumo repetido e aumentar o lucro das empresas, limitando a vida útil dos produtos, dificultando consertos baratos e restringindo o acesso a peças de reposição. Essa prática muitas vezes frustra a expectativa legítima do consumidor sobre a durabilidade e qualidade dos bens adquiridos, sendo considerada abusiva no direito do consumidor.

Em resumo, as empresas tendem a argumentar que acompanham o ritmo do mercado e das inovações para justificar a rápida substituição dos produtos, mas especialistas e órgãos de defesa do consumidor apontam que essas práticas visam principalmente aumentar as vendas às custas dos consumidores, muitas vezes sem transparência e prejudicando os direitos do consumidor

No Brasil, apesar de não haver uma legislação que cite expressamente a obsolescência programada, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) oferece proteção ao consumidor por meio de princípios como o direito à informação, à boa-fé e transparência. Produtos que apresentam vícios que encurtam sua vida útil podem ser reclamados legalmente. Além disso, há um projeto de lei (PL 805/2024) em tramitação que visa proibir a obsolescência programada, garantindo ao consumidor o direito de escolher onde consertar seus produtos e o acesso a peças e informações para reparo, com oferta garantida por pelo menos cinco anos a partir da inserção do produto no mercado.

Assim, os consumidores brasileiros contam com o CDC para exigir produtos duráveis e o direito ao reparo, podendo procurar o Procon ou o Judiciário em caso de descumprimento. O projeto de lei em análise promete fortalecer ainda mais essas proteções, proibindo práticas que reduzem artificialmente a vida útil dos bens e dificultam o conserto.

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Em destaque
As práticas abusivas das empresas relacionadas à obsolescência programada incluem:

– Limitar deliberadamente a durabilidade do produto por meio de fragilidade técnica, uso de materiais inferiores ou peças que se desgastam rapidamente, reduzindo sua vida útil.

– Impor barreiras à reparação, como dificultar o acesso a peças de reposição, restringir oficinas autorizadas ou dificultar o conserto por conta própria.

– Realizar atualizações de software que tornam os aparelhos lentos ou incompatíveis, mesmo que o hardware ainda esteja funcional, forçando a troca do produto.

– Omitir informações claras e transparentes sobre a durabilidade esperada dos produtos e as condições para manutenção e reparo.

– Vender produtos com componentes integrados que não permitem substituição, como baterias coladas ou soldadas, inviabilizando o reparo simples.

– Exigir do consumidor vantagens manifestamente excessivas, como preços altos para peças e consertos, ou cobrar por serviços que deveriam ser cobertos na garantia.

Essas práticas violam princípios basilares do Código de Defesa do Consumidor, como a boa-fé, transparência, segurança e vulnerabilidade do consumidor, podendo ser enquadradas como abusivas mesmo que a obsolescência programada não esteja expressamente prevista na legislação. A consequência é o desequilíbrio na relação de consumo, prejudicando o consumidor que adquire um produto na expectativa de uso razoável, mas é induzido a substituir o bem precocemente por decisões artificiais do fornecedor.

Portanto, a obsolescência programada é considerada prática abusiva ao restringir o direito do consumidor à durabilidade, reparabilidade e informação adequada sobre o produto adquirido.

Artigo autoral assistido por IA – Antonio Filho

Máquina de Anticítera

22 de Julho de 2025, 23:09

Se não fosse uma forte tempestade na ilha grega de Anticítera (ou originalmente, Antikythera), há mais de um século, um dos objetos mais desconcertantes e complexos do mundo antigo muito provavelmente jamais teria sido descoberto.

A Máquina de Anticítera está entre os grandes mistérios da humanidade, pois sua origem e funções remontam a engenharia das antigas civilizações. Em primeiro lugar, essa invenção foi descoberta a 42 metros de profundidade no fundo do Mediterrâneo.

Além disso, as reconstruções desse maquinário a apresentam como uma invenção da Grécia Antiga. Basicamente, aparenta ter mais de dois mil anos, pois foi encontrada com os restos de uma galé romana naufragada. Em outras palavras, pertence ao mesmo período em que o Império Romano começou a conquistar colônias gregas no Mediterrâneo.

Em contrapartida, a Máquina de Anticítera não tem a mesma configuração que os computadores atuais. Nesse sentido, mais se parece uma calculadora astronômica gigante, porque conseguia identificar os movimentos dos cinco planetas visíveis a olho nu. Mais ainda, monitorava as fases da Lua, e os eclipses, tanto o solar e lunar.

Descoberta da Máquina de Anticítera
No geral, há discordâncias na comunidade científica a respeito da data exata para a descoberta dessa máquina. Entretanto, costuma-se estabelecer o ocorrido entre os anos de 1900 e 1902.

Em primeiro lugar, a importância dessa descoberta está associada ao valor histórico. Ou seja, representa um importante desenvolvimento tecnológico dos gregos na Antiguidade.

Porém, também vale ressaltar que somente após 1,5 mil anos uma invenção semelhante à Máquina de Anticítera apareceu na história. Nesse caso, os relógios mecânicos astronômicos, inventados na Europa do século XIV são os principais exemplos.

Ainda que tenha sido encontrado somente um pedaço de sua estrutura, pesquisas internacionais desenvolveram reconstruções do maquinário. Basicamente, esses esforços buscavam simular a versão original e entender melhor suas particularidades, pois se trata de uma invenção complexa para o período em que está datada.

Enigmas sobre a função da máquina
Primeiramente, é importante conhecer o físico inglês Derek John de Solla Price para entender as investigações sobre a função da máquina. Em resumo, esse foi o responsável por analisar detalhes dos 82 fragmentos recuperados da Máquina de Anticítera. Além disso, processou imagens das peças com raios-X e raios gama, a fim de mostrar sua complexidade com maior aprofundamento.

A partir disso, foi possível datar que algumas peças foram feitas entre os anos de 70 a.C e 50 a.C, facilitando a compreensão sobre sua origem e uso. Entretanto, Solla Price seguiu adiante, e decidiu contar os dentes em cada roda para conhecer melhor suas funções. Desse modo, alcançou alguns números importantes na astronomia.

Antes de mais nada, os números 127 e 235 representam o movimento dos corpos celestes no espaço, bem como suas distâncias da Terra e a geometria das órbitas. Em outras palavras, 235 representa a quantia de meses lunares no chamado ciclo Metônico. Por outro lado, o 127 mostra os movimentos elípticos da Lua ao redor da Terra.

Como consequência dessas investigações, presume-se que a Máquina de Anticítera era utilizada como instrumento para monitorar os movimentos astronômicos. Em especial, acompanhar os ciclos da lua.

Comumente, esses estudos facilitavam nas previsões para o cotidiano, como os ciclos de colheita e para alguns rituais religiosos. Entretanto, monitorar a Lua também permitia um estudo mais aprofundado do Universo, em um período em que haviam mais perguntas do que respostas.


Outros enigmas e curiosidades

Apesar de todas as investigações citadas anteriormente, ainda vale citar a relacionada ao número 223. Basicamente, esse foi o número encontrado em outra roda do mecanismo, a partir de uma análise com tecnologia sobre demanda. Em outras palavras, esse é um importante número para entender a função da Máquina de Anticítera em relação aos eclipses.

A princípio, o ciclo de Saros acompanha o movimento em que a Lua e a Terra voltam a se encontrar após um período de 223 luas. Ou seja, após dezoito meses e onze dias. No geral, esse ciclo foi descoberto pelos babilônios antigos, por volta de 600 a.C

Nesse sentido, é um importante mecanismo para prever a ocorrência de eclipses. Desse modo, a Máquina de Anticítera também apresentava essa função, com especificidades sobre o dia, a hora, a direção da sombra e até a cor que a Lua teria no céu.

Entretanto, a máquina ia além de acompanhar o padrão da Lua. Ainda por meio das reconstruções, cientistas identificaram que a invenção dos gregos acompanhava o caminho do satélite natural no céu. Em resumo, isso era feito através de duas engrenagens menores , onde uma replicava o tempo da trajetória da Lua ao redor da Terra.

Além disso, a outra engrenagem calculava o deslocamento dessa órbita. Apesar disso, a Máquina de Anticítera trabalha segundo o geocentrismo, modelo da galáxia compreendido pela civilização grega na época.

Assim, analisavam o Universo a partir da crença de que a Terra ocupava o centro e outros cinco planetas orbitavam ao redor. Apesar desse modelo ser ultrapassado, tendo sido derrubado algumas décadas adiante na história, compreender a tecnologia e o maquinário a Antiguidade auxilia nas investigações sobre a humanidade.


Quem criou a Máquina de Anticítera?

Em primeiro lugar, a Grécia Antiga é conhecida por ter inúmeros filósofos, matemáticos, engenheiros e inventores excepcionais para a História. Entretanto, existem dicas que apontam para Arquimedes como autor da Máquina de Anticítera.

No geral, essa conclusão resulta das contribuições que o inventor teve para a astronomia, pois foi quem determinou a distância entre a Terra e a Lua, determinou como se calcular o volume de uma esfera e até criou o valor de Pi. Entretanto, houveram outras contribuições múltiplas, como a fundação da hidrostática e da estática.

Nesse sentido, vale ressaltar que Arquimedes vivia em uma das cidades invadidas pelo Império Romano durante as explorações das colônias gregas. Porém, um ponto importante da história de Arquimedes está relacionado ao furto de suas invenções durante essas invasões.

Em resumo, as invenções de Arquimedes foram roubadas em sua residência, na cidade de Siracusa. Desse modo, legionários invadiram sua cidade e residência sob o comando do general Marcus Claudius Marcellus. Ainda que as ordens do general tivessem sido que poupassem a vida do inventor, um dos soldados acabou o matando em um conflito.

Entretanto, a morte de Arquimedes apresenta incontáveis versões, mas acredita-se que ele tenha morrido aos 75 anos. Por outro lado, o furto de suas invenções fez com que os maquinários se difundisse no Império Romano. Desse modo, um modelo inicial da Máquina de Anticítera parecia estar entre eles, de acordo com registros históricos e documentos da época.

Portanto, a autoria do que se transformou posteriormente na Máquina de Anticítera descoberta por pesquisadores surgiu com Arquimedes. Contudo, as peças encontradas não se tratam da criação original, pois parecem ter sido adaptadas depois que foram roubadas do inventor.

Confira a Máquina de Anticítera reconstruída com lego, feita por pesquisadores da Nature Research em 2010:

 


Qual o resultado das pesquisas sobre essa descoberta?

Apesar dos avanços, as pesquisas sobre a origem, funções e usos continua em andamento por todo o mundo. Ainda que várias perguntas tenham sido respondidas, existem outras questões sendo analisadas.

Por exemplo, os cientistas seguem investigando o que aconteceu com o conhecimento sobre a Máquina de Anticítera. Como foi citado anteriormente, foram necessários séculos para que outra invenção semelhante fosse encontrada. Portanto, identificar o que aconteceram com os planos, protótipos e projetos dessa invenção integram os estudos históricos sobre o mundo.

Nesse sentido, acredita-se que a queda do Império Romano causou a migração desse conhecimento para o Oriente. Desse modo, enquanto o Ocidente lidava com a Idade Média e seus desdobramentos, as comunidades árabes desenvolviam a ciência. Por fim, somente a partir do século XIII as informações milenares sobre ciência espalhavam-se também no Ocidente.

Publicado originalmente em Segredos do Mundo
Fontes: BBC

 

 

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