Visualização normal

Received before yesterdayTecnologia

Marinha dos EUA escolhe submarino robô para lançar enxames de drones subaquáticos

22 de Março de 2026, 11:21

A Marinha americana acabou de definir uma peça fundamental da sua estratégia de guerra submarina do futuro. O submarino autônomo Dive-XL, da empresa Anduril, foi selecionado para o projeto Combat Autonomous Maritime Platform (CAMP) — uma iniciativa que pretende criar uma frota de “navios-mãe” submarinos capazes de liberar veículos menores e torpedos de forma totalmente autônoma.

Você já deve ter ouvido falar dos enxames de drones aéreos que dominaram os noticiários recentemente. Agora, essa mesma tecnologia está mergulhando fundo nos oceanos. As marinhas do mundo inteiro estão repensando suas estratégias, deixando de ver esses sistemas como uma ameaça para tratá-los como um trunfo estratégico essencial.

Drone submarino Anduril para o programa XL-AUV (Imagem: Divulgação)

De acordo com o New Atlas, o conceito por trás dessa mudança é simples: frotas híbridas que misturam embarcações tripuladas e autônomas conseguem monitorar áreas muito maiores. Isso libera os navios convencionais para missões de alta prioridade, enquanto os drones atuam como plataformas de armas e multiplicadores de força.

Existe um problema prático que precisa ser resolvido urgentemente. Uma coisa é querer centenas de drones de superfície e submarinos para compor a nova frota. Outra completamente diferente é conseguir colocar as mãos nessa quantidade toda de equipamentos em tempo hábil para fazer diferença no campo de batalha.

É exatamente esse o desafio que o projeto CAMP pretende resolver. A missão é criar protótipos e colocar em campo grandes submarinos autônomos rapidamente, preenchendo as lacunas que existem hoje na logística submarina e nas capacidades de ataque de longo alcance.

A velocidade é fundamental nesse processo. Não adianta ter a melhor tecnologia do mundo se ela demorar anos para sair do papel e chegar às águas onde realmente importa.

Por que o Dive-XL foi escolhido

O submarino da Anduril se destacou por ser ideal para o que os especialistas chamam de “guerra submarina definida por software”. O design permite produção em massa sem perder a capacidade de lançar sistemas autônomos menores — exatamente o que a Marinha precisa.

A grande inovação está na construção. A Anduril abandonou o método tradicional de casco pressurizado que todo mundo conhece. Em vez disso, o Dive-XL usa um design modular com inundação livre, onde os componentes sensíveis ficam protegidos dentro de recipientes internos selados.

Essa mudança elimina o casco pressurizado, reduzindo tanto o custo quanto o peso. O resultado é uma fabricação mais rápida e personalização mais fácil — duas características essenciais quando você quer produzir centenas de unidades.

Lições antigas foram úteis

A Anduril aplicou as lições aprendidas com o programa Ghost Shark da Marinha Real Australiana. O Dive-XL totalmente elétrico é consideravelmente grande para os padrões de submarinos drone: 27 pés de comprimento (cerca de 8,2 metros) e 7 pés de largura (aproximadamente 2,1 metros).

A capacidade operacional é igualmente impressionante. O submarino pode mergulhar até 20 mil pés de profundidade (cerca de 6 mil metros) e tem alcance de 2 mil milhas náuticas (aproximadamente 3,7 mil quilômetros). Durante os testes, conseguiu ficar submerso por 100 horas ao longo de um período de 10 dias.

Leia também:

Um detalhe inteligente no design é a logística. O Dive-XL foi projetado para caber perfeitamente dentro de um contêiner de transporte padrão de 4 pés. Isso significa que pode ser transportado por aviões C-17 ou similares, facilitando o deslocamento rápido para qualquer lugar do mundo onde seja necessário.

O design modular permite três configurações diferentes de carga útil. É possível instalar três módulos padrão ou um módulo extra-grande, dependendo da missão específica. As possibilidades incluem Inteligência, Vigilância e Reconhecimento (ISR), contramedidas de minas, guerra antissubmarino e inspeção de cabos e dutos submarinos.

Mas a capacidade mais interessante é o que a indústria chama de “peça de resistência”: a habilidade de lançar drones menores. O sistema pode liberar veículos como o Copperhead AUV ou o robô de monitoramento Seabed Sentry, criando uma rede de sensores e armas que se espalha pela área de operação.

Segundo a Anduril, uma demonstração operacional de longa duração está programada para os próximos quatro meses. Será a primeira oportunidade de ver o sistema funcionando em condições reais, testando todas essas capacidades em conjunto.

O post Marinha dos EUA escolhe submarino robô para lançar enxames de drones subaquáticos apareceu primeiro em Olhar Digital.

Operadora quer construir “cabo submarino” em terra firme

4 de Novembro de 2025, 17:42
Imagem mostra uma seção transversal de um cabo de fibra óptica em um ambiente submarino. O cabo, em tons escuros, revela internamente múltiplos fios coloridos: azul, amarelo, vermelho, verde, marrom e outros. Alguns desses fios emitem luzes azuis, rosas e brancas, formando feixes luminosos. Ao fundo, silhuetas de peixes e corais, com o logotipo do "tecnoblog" no canto inferior direito.
Seacom avalia construir um “cabo submarino” em terra (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Seacom planeja construir um cabo submarino terrestre ligando Mombaça, no Quênia, à República Democrática do Congo.
  • A tecnologia de cabos submarinos não exige eletricidade contínua, facilitando a instalação em áreas remotas.
  • O projeto ainda está no papel e precisará lidar com desafios como terreno acidentado, instabilidade política e altos custos logísticos.

A operadora de telecomunicações Seacom, sediada nas Ilhas Maurício, avalia a viabilidade de um projeto curioso: construir um cabo “submarino” que não passa pelo fundo do mar, mas sim pelo interior do continente africano.

A ideia seria ligar o porto de Mombaça, no Quênia, ao pequeno trecho de costa atlântica da República Democrática do Congo, criando a primeira conexão direta entre as costas leste e oeste da África.

Ao The Register, o engenheiro sênior de transmissão da Seacom, Nic Breytenbach, concordou que o plano pode soar contraditório. Ainda assim, afirmou que cabos submarinos percorrem as costas leste e oeste da África, mas que nenhuma conexão única atravessa o continente.

Por que construir um “cabo submarino” em terra?

A tecnologia usada em cabos submarinos tem a vantagem de não exigir fontes de eletricidade contínuas ao longo de todo o percurso, graças aos amplificadores ópticos utilizados nesse tipo de infraestrutura — o que facilitaria a instalação mesmo em áreas remotas.

O principal obstáculo seria o terreno acidentado e a instabilidade política de vários países ao longo do trajeto, fatores que dificultam tanto a construção quanto a manutenção de cabos convencionais.

Além disso, a Seacom acredita que um cabo desse tipo seria menos vulnerável a furtos. Cabos terrestres são alvos frequentes de ataques devido ao cobre, mas os cabos ópticos submarinos utilizam alumínio para conduzir corrente elétrica, o que pode reduzir o interesse de ladrões. Breytenbach explicou que os cabos não contêm cobre e, portanto, não têm valor comercial para quem tenta roubá-los.

Imagem subaquática digital que mostra dois cabos de fibra óptica submarinos grossos e pretos, dispostos paralelamente no fundo do oceano
Projeto pode ligar África do leste ao oeste (imagem: reprodução/Telecom Review Africa)

É realmente viável?

Breytenbach mantém o otimismo. Ele cita como exemplo a existência de um cabo submarino instalado no Lago Tanganica, além de equipamentos reforçados vendidos pela Nokia que podem ser usados em ambientes extremos.

Além das negociações diplomáticas para assegurar o trajeto, outros obstáculos seriam os altos custos logísticos e a dificuldade de transporte do cabo, já que os navios usados para instalação marítima conseguem carregar centenas de quilômetros de material — algo difícil de reproduzir por terra. “Para ser sincero, estamos apenas explorando isso neste momento”, admitiu o engenheiro.

Enquanto o projeto continua em análise, a Seacom concentra esforços no Seacom 2.0, um novo cabo internacional que conectará a África à Europa, Índia e Singapura, passando pelo Mar Vermelho — região que sofreu interrupções devido a cortes em cabos.

Os problemas no Mar Vermelho seriam um dos motivos pelos quais a Seacom está avaliando a possibilidade de um cabo submarino atravessando a África. “Existem alguns desafios significativos”, afirmou o representante da operadora. “Mas realmente acreditamos que é viável.”

Operadora quer construir “cabo submarino” em terra firme

Cabos submarinos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
❌