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Revolução contra a obesidade: pesquisa com cobras pitóns pode reduzir o apetite

22 de Março de 2026, 09:33

Uma descoberta surpreendente pode revolucionar o tratamento da obesidade: cientistas identificaram uma molécula no sangue de cobras pítons que reduz o apetite sem causar náuseas ou perda muscular. O composto, batizado de para-tiramina-O-sulfato (pTOS), oferece uma alternativa promissora aos medicamentos atuais contra obesidade.

A pesquisa, publicada na revista Nature Metabolism, revela como essas serpentes conseguem controlar naturalmente o apetite após grandes refeições. Os testes iniciais em camundongos mostraram resultados animadores, mas ainda há um longo caminho até chegar às prateleiras das farmácias.

Para estudar a química do banquete das pítons, os pesquisadores submeteram as serpentes a um regime que imita a natureza: 28 dias de jejum, seguidos por uma refeição equivalente a 25% do peso corporal. Poucas horas depois, coletaram sangue. O que encontraram foi uma explosão molecular. Mais de 200 substâncias tiveram sua concentração multiplicada por pelo menos 32 vezes, e 24 delas caíram na mesma proporção. No topo da lista, uma molécula que aumentou mais de mil vezes: o pTOS.

A Malayopython reticulatus, ou píton-reticulada, é considerada a cobra mais comprida do mundo, podendo ultrapassar 10 metros de comprimento
Imagem: pito kung / iStock

“Nos perguntávamos se esse metabólito afetava alguma das alterações fisiológicas pós-alimentação na cobra”, conta Jonathan Long, professor de patologia em Stanford e autor sênior do estudo, em comunicado. “Mas quando administramos pTOS a camundongos de laboratório, não vimos nenhum efeito no gasto energético, na proliferação de células beta ou no tamanho dos órgãos. O que ele regulou foi o apetite e o comportamento alimentar dos camundongos.”

Camundongos obesos perderam peso

Os camundongos obesos que receberam pTOS passaram a comer menos do que os animais do grupo de controle. Após 28 dias, haviam perdido 9% do peso corporal, sem alterações na ingestão de água, no gasto de energia ou na movimentação. O efeito não se deve a uma redução no esvaziamento gástrico — um dos mecanismos dos medicamentos à base de semaglutida — nem a mudanças nos hormônios conhecidos por regular a fome.

Em vez disso, os pesquisadores traçaram a rota do pTOS: ele é produzido pela degradação da tirosina, um aminoácido presente nas proteínas, por bactérias intestinais. Depois de gerado, viaja até o hipotálamo, a região do cérebro que comanda o equilíbrio energético, e ali ativa neurônios envolvidos na regulação do comportamento alimentar. Quando as pítons receberam antibióticos antes de se alimentar, o pico de pTOS desapareceu — prova de que a microbiota intestinal é parte essencial do processo.

O que as pítons têm de especial? Em humanos, o pTOS também aumenta após as refeições, mas apenas de duas a cinco vezes — um salto muito menor, que se perde no meio de centenas de outras variações metabólicas. Um único indivíduo, em um dos bancos de dados analisados, apresentou um aumento de mais de 25 vezes, aproximando-se dos níveis vistos nas cobras. (Como os dados eram de estudos antigos, não se sabe se essa pessoa comeu menos ou se sentiu mais saciada.).

Imagem: Tudo Sobre Cobras/Reprodução

Estudo pode mudar tudo

Para Long, o estudo reforça o valor de olhar para fora da caixa dos modelos tradicionais. “Os mamíferos têm uma faixa fisiológica e metabólica relativamente estreita. Humanos, por exemplo, comem cerca de 1% a 2% do seu peso corporal em cada refeição e comem cerca de três vezes ao dia. Obviamente, não somos serpentes. Mas talvez, estudando esses animais, possamos identificar moléculas ou vias metabólicas que também afetam o metabolismo humano.”

O trabalho não para na molécula da vez. Os pesquisadores estão mapeando todas as substâncias que variam após a alimentação em diferentes órgãos das pítons. Muitas delas se parecem com hormônios, mas não se assemelham a nada conhecido em camundongos ou humanos. “Esta é uma forma de descoberta de produtos naturais”, diz Long.

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A aposta é que, assim como o veneno de cobra deu origem a medicamentos para pressão arterial e anticoagulantes, e o hormônio do monstro-de-gila abriu caminho para a semaglutida, outras moléculas oriundas de animais extremos possam ter aplicações clínicas. “Talvez um paciente com diabetes tipo 1 devido a uma função defeituosa das células beta possa se beneficiar de uma molécula de cobra que estimule a divisão celular, ou uma pessoa com doença hepática possa tomar um medicamento derivado de cobra que facilite a remodelação do órgão”, especula Long.

Por enquanto, é cedo para dizer se o pTOS se tornará um novo remédio para perda de peso em humanos. Mas a história já deixou uma lição: às vezes, as respostas para os problemas mais humanos estão escondidas nos hábitos mais improváveis do reino animal.

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Obesidade infantil deve superar desnutrição até 2027; veja riscos

4 de Março de 2026, 20:22

A prevalência de excesso de peso entre crianças e adolescentes está crescendo em um ritmo acelerado em todo o mundo. Segundo o mais recente Atlas da Federação Mundial de Obesidade (World Obesity Federation), citado pelo G1, a projeção é que, até 2027, o número de jovens obesos supere o de desnutridos globalmente.

Atualmente, estima-se que 20,7% dos jovens entre 5 e 19 anos vivam com obesidade ou sobrepeso; um salto considerável em relação aos 14,6% registrados em 2010. No Brasil, o cenário é igualmente preocupante: cerca de 16,5 milhões de crianças e adolescentes estavam nessa condição em 2025, com previsões de que o índice ultrapasse 50% dessa população até 2040.

Como a tecnologia e o ambiente influenciam

O avanço da obesidade não é resultado apenas de escolhas individuais, mas de um contexto estrutural. A tecnologia desempenha um papel ambíguo nesse cenário: se por um lado auxilia na medicina, por outro, o excesso de tempo de tela contribui para o sedentarismo. Segundo o relatório, em 95% dos países analisados, a maioria dos adolescentes não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física.

Além disso, o ambiente alimentar expõe precocemente os jovens a produtos ultraprocessados e bebidas açucaradas. Outro fator crucial é a saúde metabólica materna. Condições como o diabetes gestacional e o tabagismo durante a gravidez podem programar biologicamente a criança para um maior risco de desenvolver doenças crônicas no futuro.

Para facilitar a compreensão, médicos alertam que a obesidade pode levar à hiperglicemia (excesso de açúcar no sangue, que pode evoluir para diabetes tipo 2) e à esteatose hepática (acúmulo de gordura no fígado, que prejudica o funcionamento do órgão).

Resultados das projeções e riscos à saúde

O estudo aponta que o aumento da obesidade infantil trará consequências diretas para os sistemas de saúde. A estimativa é de um aumento de 15% nos diagnósticos de doenças associadas ao peso em jovens, totalizando 9 milhões de casos. Entre as principais complicações estão:

  • Hipertensão: pressão arterial elevada que sobrecarrega o coração.
  • Triglicerídeos elevados: gorduras no sangue que aumentam o risco cardiovascular.
  • Impacto psicossocial: além do dano físico, a condição afeta o desenvolvimento emocional e a autoestima na fase escolar.

De acordo com o endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato, a prevenção deve ser encarada como prioridade desde o pré-natal. “O aleitamento exclusivo até os seis meses e mantido de forma complementar até os dois anos reduz o risco de obesidade em cerca de 20% a 25%. Além disso, na introdução alimentar, é importante evitar açúcar, inclusive sucos, e priorizar alimentos in natura”, orienta.

Próximos passos e prevenção

O relatório da Federação Mundial de Obesidade destaca que frear essa tendência exige políticas públicas integradas e não apenas recomendações isoladas. Entre as estratégias propostas estão:

  • Regulação digital: restrição do marketing de alimentos não saudáveis voltado ao público infantil em redes sociais e plataformas de vídeo.
  • Taxação: adoção de tributos sobre bebidas adoçadas para desestimular o consumo precoce.
  • Intervenção escolar: implementação de padrões nutricionais rígidos e metas claras de atividade física nas instituições de ensino.
  • Apoio clínico: fortalecimento da atenção primária para identificar precocemente alterações no Índice de Massa Corporal (IMC) das crianças.

É importante ressaltar que a obesidade é uma condição complexa e multifatorial. O acompanhamento médico especializado é indispensável para o diagnóstico e tratamento adequado, evitando a automedicação ou dietas restritivas sem orientação profissional.

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