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IA está ajudando a fazer praias “crescerem” e pode virar uma nova arma contra a erosão causada pela elevação do mar

23 de Setembro de 2026, 15:24

O avanço do nível dos oceanos está fazendo praias recuarem em várias partes do mundo. Nas Maldivas, uma equipe usa inteligência artificial, imagens de satélite e dados sobre correntes marítimas para entender a erosão e tentar recuperar áreas de areia.

O projeto da Coastal Assembly, criado a partir de um laboratório do MIT, já estendeu uma faixa de praia em cerca de 27 metros. Em outro ponto, um banco de areia com mais de 849 m³ de material foi formado em seis meses.

praia nas ilhas maldivas
A praia recuperada nas Maldivas praticamente dobrou de tamanho após a instalação das estruturas submersas. – Imagem: Pakhnyushchy/Shutterstock

Como a tecnologia funciona

No Atol de Kaafu, a equipe analisou dez anos de imagens de satélite, correntes e outros dados para identificar como a erosão avançava. O estudo serviu de base para o desenho de 54 estruturas de concreto marinho, produzidas com areia e conchas trituradas, comenta o The New York Times.

As peças ficam submersas e foram dispostas em uma sequência de hexágonos. O formato reduz a força das ondas sem impedir a circulação da água. Com isso, areia e sedimentos podem se acumular na região.

O efeito já aparece na paisagem. Segundo os responsáveis pelo projeto, a praia praticamente dobrou de tamanho. Corais também cresceram nas estruturas, que passaram a ser ocupadas por peixes e outros animais marinhos.

Parte do trabalho acontece antes mesmo da instalação. A tecnologia da empresa acompanha a erosão em tempo real em quase 900 pontos costeiros. Skylar Tibbits, um dos fundadores da Coastal Assembly, conta que o processo era muito mais lento no início.

“Levávamos meses para fazer um único local. No começo, tudo era feito manualmente.”

Hoje, segundo Tibbits, a equipe consegue prever a erosão futura e desenvolver um plano para enfrentar o problema em um único dia.

O que vem pela frente

O uso de imagens de satélite e inteligência artificial ganhou força justamente quando países insulares enfrentam dificuldades para obter dados sobre suas próprias costas. Um relatório das Nações Unidas citado no projeto aponta o mapeamento e a observação por satélite como uma base importante para a adaptação às mudanças climáticas.

A Coastal Assembly deixou o MIT no fim do ano passado e passou a operar como uma empresa de benefício público. Há outras dez instalações previstas nas Maldivas, além de projetos planejados para as Bahamas, Boston Harbor e Miami.

Ainda não há resposta para uma questão fundamental: quanto tempo as praias recuperadas permanecerão estáveis? Correntes sazonais, movimentação de sedimentos e a elevação contínua do nível do mar podem alterar os resultados.

O que o projeto já fez:

  • A praia ampliada avançou cerca de 27 metros em direção ao oceano.
  • Outro projeto criou um banco de areia com mais de 849 m³ de material.
  • Foram instaladas 54 estruturas submersas.
  • A tecnologia acompanha quase 900 áreas costeiras.
  • Há dez novas instalações planejadas nas Maldivas.
Atol de Kaafu
Nas Maldivas, a tecnologia tenta trabalhar com as correntes marítimas em vez de bloquear completamente o movimento da água. – Imagem: Koapan/Shutterstock

Uma alternativa às barreiras tradicionais

Mohamed Nasheed, ex-presidente das Maldivas, acompanhou os resultados de perto e vê na iniciativa uma alternativa às soluções tradicionais usadas para conter a erosão. “Eu vi. Realmente funciona.”

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Para Nasheed, grandes barreiras de concreto podem ser caras. O bombeamento e a dragagem de areia também exigem investimentos repetidos e podem afetar os ecossistemas costeiros. A aposta, portanto, está em uma intervenção que aproveite o comportamento natural da água em vez de tentar bloqueá-lo.

Essa possibilidade também chamou a atenção de Hyun Kim, consultor sênior do Global Centre for Climate Mobility, ligado às Nações Unidas. Ele considera a tecnologia uma solução concreta e afirmou que a organização trabalha para levá-la a outros países de baixa altitude.

Apesar dos resultados observados nas Maldivas, a experiência ainda está em fase de acompanhamento. A durabilidade das praias recuperadas e a possibilidade de aplicar a técnica em diferentes regiões continuam em aberto. São justamente essas respostas que vão mostrar até onde a solução pode chegar.

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El Niño mais intenso em 40 anos acende alerta para o clima

28 de Agosto de 2026, 09:47

Os eventos de El Niño ficaram quase 40% mais intensos nos últimos 40 anos, aponta um estudo da Universidade de Michigan. A conclusão veio da análise de corais das Ilhas Galápagos, que guardam registros das temperaturas do oceano de até mil anos atrás.

Publicado na revista Science, o trabalho indica que os El Niños recentes foram mais fortes do que qualquer outro registrado antes de aproximadamente 1850. Os pesquisadores também encontraram uma relação entre a intensidade do fenômeno e o aumento da temperatura global.

Tartaruga de mar verde e peixes principais do Sargento subaquático
As camadas dos corais funcionam como um arquivo natural das temperaturas do oceano ao longo do tempo. – Imagem: pkphotoscom/iStock

Corais funcionam como arquivo climático

Para chegar ao resultado, a equipe analisou amostras de 13 corais das Galápagos, incluindo colônias vivas e fragmentos antigos. Conforme crescem, esses organismos formam camadas de carbonato de cálcio. Cada uma delas preserva informações sobre as condições da água naquele período.

Os cientistas examinaram a proporção de estrôncio e cálcio presente no esqueleto dos corais e também determinados isótopos de oxigênio. As duas análises permitem estimar a temperatura da água.

O resultado chamou atenção pela regularidade. Os registros anteriores aos últimos 40 ou 50 anos mostravam El Niños de intensidade relativamente menor. Já os eventos mais recentes se destacaram de forma consistente.

Não vemos um período no passado em que os El Niños tenham sido tão fortes quanto hoje.

Julia Cole, professora e chefe do Departamento de Ciências da Terra e Ambientais da Universidade de Michigan e autora principal do estudo, em nota.

O que acontece durante um El Niño?

O fenômeno surge quando as águas do Pacífico tropical ficam mais quentes que o normal. Em condições habituais, os ventos alísios deslocam a água quente da América do Sul para a região da Austrália.

Quando esses ventos perdem força, parte dessa água retorna para o leste, em direção à América do Sul. A circulação da atmosfera também muda, alterando a distribuição das chuvas.

Apesar de começar no Pacífico, o El Niño pode interferir no clima de diferentes regiões do mundo. Entre as consequências estão:

  • Secas;
  • Enchentes;
  • Incêndios florestais;
  • Perdas agrícolas e insegurança alimentar;
  • Danos a casas, estradas e ferrovias.
el niño
Os El Niños recentes foram mais fortes do que os registrados nos mil anos anteriores a aproximadamente 1850. – Imagem: coffeekai – iStock

Aquecimento global entra na equação

A equipe também recorreu a modelos climáticos para testar se fatores naturais poderiam explicar a mudança. As simulações consideraram registros de erupções vulcânicas e variações na atividade solar ao longo de mil anos.

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Nenhuma dessas variáveis produziu uma alteração de intensidade semelhante à observada nos El Niños recentes.

Para Cole, isso reforça a hipótese de que o aquecimento global esteja contribuindo para tornar o fenômeno mais intenso.

“O El Niño é uma grande fonte de extremos climáticos e, se estiver ficando mais forte, os impactos também estarão”, disse a pesquisadora.

O atual El Niño acontece em um planeta que já está mais quente por causa do aumento dos gases de efeito estufa. A combinação pode elevar ainda mais as temperaturas e ampliar os efeitos sobre a população, a infraestrutura e os ecossistemas.

Para os pesquisadores, o resultado é mais um sinal da necessidade de conter o aquecimento global e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

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Os dias estão ficando mais longos? Entenda

13 de Março de 2026, 16:32

A rotação da Terra está desacelerando gradualmente, o que faz com que os dias no planeta se tornem ligeiramente mais longos. Embora essas variações na duração do dia sejam comuns ao longo do tempo, um estudo publicado este mês indica que o ritmo atual de desaceleração é o mais rápido observado em pelo menos 3,6 milhões de anos.

Em teoria, o planeta leva exatamente 24 horas para completar uma rotação. Na prática, esse período pode variar em alguns milissegundos. Iss porque a duração do dia sofre influência da gravidade da Lua de processos geofísicos no interior, superfície e atmosfera da Terra.

Um exemplo recente ocorreu em julho e agosto de 2025, quando a proximidade da Lua fez com que os dias fossem cerca de 1 milissegundo mais longos do que o normal.

Apesar dessas oscilações naturais, cientistas apontam que uma tendência mais ampla está em andamento – e ela está relacionada às mudanças climáticas causadas pela atividade humana.

O aquecimento global está acelerando o derretimento de calotas polares e geleiras, liberando grandes volumes de água que permaneceram congelados por milhares de anos. Ao entrar nos oceanos, essa água contribui para a elevação do nível do mar e provoca uma redistribuição da massa do planeta.

O deslocamento de massa interfere na rotação da Terra. O efeito é semelhante ao de um patinador artístico: quando ele estende os braços, sua rotação diminui; quando os mantém próximos ao corpo, gira mais rápido.

Quando o gelo está concentrado nas regiões polares, ele fica relativamente próximo ao eixo de rotação da Terra. Ao derreter e se espalhar pelos oceanos, principalmente em direção ao equador, essa massa se afasta do eixo e faz o planeta girar mais lentamente.

Em 2025, desaceleração na rotação da Terra teve a ver com derretimento de gelo (Imagem: Journal of Geophysical Research: Solid Earth/Reprodução)

Ritmo de desaceleração é inédito em milhões de anos

Para entender o quão incomum é essa mudança, pesquisadores da Universidade de Viena e da ETH Zurich analisaram a evolução da rotação da Terra ao longo de milhões de anos, desde o final do Plioceno, que terminou há cerca de 3,6 milhões de anos.

Os resultados indicam que a duração do dia está aumentando atualmente a uma taxa de aproximadamente 1,33 milissegundos por século, principalmente devido ao aumento do nível do mar provocado pelo derretimento de gelo.

Segundo os pesquisadores, não há evidências de que uma mudança tão rápida tenha ocorrido em qualquer outro momento nesse tempo.

Mostafa Kiani Shahvandi, pesquisador do Departamento de Meteorologia e Geofísica da Universidade de Viena e autor do estudo, explicou que trabalhos anteriores já haviam mostrado a ligação entre o derretimento das calotas polares e o prolongamento dos dias. O novo estudo buscou responder se esse fenômeno já havia ocorrido antes com a mesma intensidade.

Já de acordo com Benedikt Soja, professor de Geodésia Espacial da ETH Zurich e coautor da pesquisa, a velocidade atual da mudança sugere uma relação direta com o aquecimento global recente. Segundo ele, o aumento acelerado na duração do dia indica que a atual transformação climática não tem paralelo desde o final do Plioceno, o que reforça a influência das atividades humanas no fenômeno.

Os pesquisadores também alertam que o impacto pode se intensificar nas próximas décadas, à medida que o aquecimento global continue acelerando o derretimento das geleiras.

Embora a diferença de alguns milissegundos seja imperceptível para as pessoas no cotidiano, ela pode ter impacto em áreas que dependem de medições extremamente precisas do tempo, como sistemas de navegação por satélite e redes financeiras.

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Belém ganha novas imagens no Google Maps

27 de Outubro de 2025, 12:54
Foto aérea do Parque Linear da Doca em Belém, Pará, durante a noite
Sede da COP30 tem imagens atualizadas no Google Maps (imagem: reprodução/Agência Pará)
Resumo
  • Google Maps atualizou as informações sobre Belém, capital do Pará, para a COP30, que começa em 10 de novembro.
  • Parque da Cidade, epicentro da conferência climática, foi mapeado com estruturas e rotas para pedestres.
  • O Google também reforçou a disponibilidade de rotas sustentáveis, que calculam trajetos com menor consumo de combustível.

A 14 dias do início da COP30, o Google anunciou uma série de atualizações no Maps focadas em Belém, capital do Pará e cidade que sediará o evento. Entre as novidades desta segunda-feira (27/10), estão novas imagens de satélite e do Street View, além de um mapeamento interno detalhado do Parque da Cidade, principal local da conferência climática.

A atualização visa facilitar a navegação tanto para moradores quanto para visitantes, conforme a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança e Clima se aproxima. Para isso, foram renovadas as imagens do Street View em mais de 420 km de ruas da cidade e as imagens de satélite de alta resolução de toda a região metropolitana.

Estrutura do local do evento já aparece no Street View (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Parque da Cidade ganha detalhes internos

O Parque da Cidade agora conta com um mapa interno detalhado no Google Maps. Fruto de uma colaboração com a Secretaria Extraordinária para a COP30 (SECOP), do governo federal, o mapa inclui pontos de interesse estruturas como banheiros e salas de reunião, além de rotas internas para pedestres.

A recém-inaugurada Ponte Icoaraci/Outeiro, que liga o Porto de Outeiro ao Parque da Cidade, também já aparece funcional no mapa. “Nosso trabalho em Belém […] incluiu informação crítica e dinâmica como trânsito, transporte e detalhes de localização da infraestrutura em colaboração com este que é um megaevento”, afirmou o gerente de parcerias do Google Maps na América Latina, João Frigatto.

Captura de tela do Google Maps mostrando uma rota de carro em Belém, Pará, com o percurso traçado em azul sobre uma área de rios e ilhas. O mapa exibe detalhes da rota de 13.3 km com duração total de 26 minutos, partindo de um ponto próximo a Brasília e terminando na Rua Dois de Dezembro no bairro Cruzeiro. Pontos de referência como 'Praia do Cruzeiro' e o 'Furo Maguari' são visíveis.
Rota pela Ponte Icoaraci/Outeiro também está funcional (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Rotas sustentáveis

O Google destaca a integração de informações de transporte público em tempo real, resultado de uma parceria com a plataforma de mobilidade Bus2 e a Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob). O Maps agora exibe rotas, horários e tarifas dos ônibus da cidade.

A empresa reforçou ainda a disponibilidade de recursos como rotas sustentáveis, que calculam trajetos com menor consumo de combustível. Para ativar o recurso em qualquer viagem, basta ir às configurações do aplicativo e, na parte de Navegação, ativar a opção de trajeto “Preferir trajetos econômicos”.

Belém ganha novas imagens no Google Maps

(imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

(imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)
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