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NASA divulga mapa da missão TESS com imagens de 6 mil possíveis mundos além do Sistema Solar

21 de Maio de 2026, 16:40

Recentemente, a NASA apresentou o mapa mais abrangente produzido com imagens da missão TESS: as fotos reúnem mosaicos do céu observado a partir da Terra. O levantamento reúne quase oito anos de observações e indica a posição de cerca de 6 mil mundos localizados fora do Sistema Solar.

Os dados foram coletados entre abril de 2018, quando a espaçonave entrou em operação, e setembro de 2025, período que marcou o encerramento da segunda extensão da missão científica. O mosaico reúne dezenas de áreas monitoradas pelo telescópio espacial em diferentes regiões do firmamento.

Além de localizar planetas já confirmados, o novo panorama também destaca milhares de candidatos que ainda aguardam verificação. Segundo pesquisadores ligados ao projeto, o volume crescente de descobertas reforça o papel da missão na investigação de ambientes que possam reunir condições favoráveis à existência de água líquida.

TESS é a sigla de Transiting Exoplanet Survey Satellite, nome em inglês que pode ser traduzido como “Satélite de Levantamento de Exoplanetas em Trânsito”.

Trata-se de uma missão da NASA projetada para identificar planetas fora do Sistema Solar a partir do chamado método de trânsito, que detecta pequenas quedas no brilho das estrelas quando um corpo celeste passa à sua frente. Ao monitorar grandes áreas do céu de forma contínua, o satélite consegue mapear possíveis mundos distantes e ampliar o catálogo de exoplanetas conhecidos pela ciência.

Para quem tem pressa:

  • A missão TESS reuniu quase oito anos de observações para criar o panorama mais amplo já feito da busca por exoplanetas;
  • O mapa divulgado pela NASA inclui centenas de mundos confirmados e milhares de candidatos ainda sob análise científica;
  • Pesquisadores afirmam que o projeto continua revelando sistemas incomuns e eventos raros no espaço profundo.

Missão amplia catálogo de mundos além do Sistema Solar

Imagem reúne uma série de mosaicos que representam exoplanetas confirmados (pontos azuis) e possíveis exoplanetas (pontos laranja)
Imagem reúne uma série de mosaicos que representam exoplanetas confirmados (pontos azuis) e possíveis exoplanetas (pontos laranja) – (Divulgação: NASA)

O novo mosaico divulgado pela NASA foi montado a partir de 96 setores observados pelo TESS ao longo da missão. Cada região do céu permaneceu sob monitoramento durante aproximadamente um mês, período em que os instrumentos da espaçonave analisaram pequenas variações de brilho em estrelas distantes.

Esse método permite identificar possíveis exoplanetas quando eles passam diante de suas estrelas e provocam discretas reduções na luminosidade detectada pelos sensores. O procedimento é considerado uma das principais técnicas de localização de planetas fora do Sistema Solar.

De acordo com os dados apresentados pela missão, o mapa reúne aproximadamente 700 exoplanetas já confirmados e mais de 5 mil candidatos que ainda dependem de validação científica. Entre os objetos identificados estão mundos submetidos a condições extremas, incluindo planetas afetados pela intensa ação de suas estrelas hospedeiras e corpos marcados por atividade vulcânica em escala global.

A cientista associada do projeto, Rebekah Hounsell, ligada ao Centro Goddard da NASA, afirmou que o volume de dados produzido pela missão transformou o TESS em uma das principais ferramentas de pesquisa sobre exoplanetas da atualidade. “Ao longo dos últimos oito anos, o TESS se tornou uma verdadeira fonte contínua de ciência sobre exoplanetas”, declarou a pesquisadora em comunicado divulgado pela NASA.

Mosaico de imagens capturadas pela missão TESS
Mosaico de imagens capturadas pela missão TESS – (Divulgação: NASA)

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Segundo Hounsell, as observações permitiram localizar desde planetas pequenos, comparáveis a Mercúrio, até gigantes maiores que Júpiter. A pesquisadora destacou ainda que alguns desses corpos celestes estão posicionados em zonas consideradas potencialmente habitáveis, onde pode existir água líquida na superfície.

As descobertas mais recentes da missão não ficaram restritas ao material utilizado na elaboração do mosaico. Neste ano, o TESS identificou um sistema planetário descrito pelos cientistas como incomum, formado por uma super-Terra acompanhada de um planeta com órbita bastante inclinada e alongada.

Outra observação apontada pela equipe envolveu sinais compatíveis com uma colisão entre dois planetas. Segundo os pesquisadores, o choque teria produzido uma nuvem de detritos diante da estrela central do sistema, cenário que pode ajudar cientistas a compreender impactos semelhantes ocorridos nos primórdios da Terra e associados à formação da Lua.

A cientista Allison Youngblood, responsável científica pelo projeto TESS no Centro Goddard, afirmou que o grande volume de informações coletadas pela missão continua revelando fenômenos inesperados. “Quanto mais exploramos os dados do TESS, especialmente com algoritmos automatizados, mais surpresas encontramos”, declarou.

Youngblood acrescentou que a missão também contribuiu para pesquisas sobre estrelas jovens, comportamento dinâmico da galáxia, e para o monitoramento de asteroides próximos da Terra. Para a pesquisadora, a expansão contínua das áreas observadas pelo telescópio espacial mantém aberta a possibilidade de novas descobertas nos próximos anos.

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Missão SpIRIT chega ao fim após percorrer mais de meio bilhão de km pelo espaço  

4 de Março de 2026, 15:37

Após 25 meses de atividade no espaço, a missão SpIRIT, da Austrália, foi oficialmente encerrada. O projeto marcou um avanço importante para o setor espacial do país. Liderado pela Universidade de Melbourne, em parceria com a Agência Espacial Italiana (ASI), o nanossatélite superou a expectativa inicial de operação, prevista para dois anos.

Pequeno, do tamanho de uma caixa de sapatos, e pesando 11,5 kg, o SpIRIT completou cerca de 16 mil voltas ao redor da Terra. Ao longo desse período, percorreu algo em torno de 690 milhões de quilômetros – o que é comparável à distância entre a Terra e Júpiter. O satélite enviou mais de 400 imagens ao planeta e registrou centenas de outras para pesquisas realizadas a bordo.

Representação artística do satélite SpIRIT, da Austrália, que percorreu 690 milhões de km ao redor da Terra antes de se aposentar. Crédito: Universidade de Melbourne

Em resumo:

  • Missão SpIRIT se encerra após 25 meses no espaço;
  • Satélite percorreu 690 milhões de quilômetros;
  • Projeto testou tecnologias espaciais australianas;
  • Instrumento HERMES estudou raios X e gama;
  • Dados e legado impulsionam futuras missões.

SpIRIT impulsiona tecnologia australiana

De acordo com um comunicado, a missão teve como principal objetivo testar tecnologias desenvolvidas na Austrália. O projeto demonstrou a eficiência de sistemas autônomos, comunicações avançadas e controle térmico em órbita. Além disso, contribuiu para fortalecer a indústria espacial local e ampliar a experiência técnica de pesquisadores e empresas do país.

Um dos destaques foi o instrumento HERMES, fornecido pela ASI, que permitiu a realização de estudos com raios X e raios gama, fenômenos associados a eventos extremos no universo, como a morte de estrelas massivas ou a fusão de estrelas de nêutrons. Apenas nos últimos meses de 2025, o satélite coletou mais de 180 horas de dados científicos.

Segundo a professora Michele Trenti, investigadora principal da missão, o projeto representa uma conquista relevante para a equipe e seus parceiros. Ela destaca o apoio das agências espaciais da Austrália e da Itália e defende que o legado do SpIRIT deve beneficiar futuras iniciativas científicas.

Uma selfie da sonda SpIRIT em órbita sobre o Oceano Pacífico com as ilhas do Havaí ao fundo, 5 de agosto de 2025. Crédito: Universidade de Melbourne

O chefe da Agência Espacial Australiana (ASA), Enrico Palermo, avaliou que o impacto da missão vai além dos resultados técnicos. Para ele, o investimento ajudou a consolidar a posição da Austrália como parceira confiável em projetos espaciais internacionais. Já o líder da ASI, Teodoro Valente, ressaltou o avanço tecnológico alcançado com o desempenho do instrumento HERMES.

Diversas empresas australianas participaram do consórcio responsável pela missão. Entre elas, Inovor Technologies, Neumann Space, Nova Systems e SITAEL Austrália, que contribuíram com plataforma, sistema de propulsão, estação terrestre e engenharia de sistemas, respectivamente.

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Satélite apresentou falhas após 2 anos no espaço

Em janeiro, o satélite começou a apresentar falhas técnicas e perda intermitente de comunicação. Após análises, a equipe concluiu que não seria possível restabelecer contato estável, encerrando oficialmente a fase operacional em órbita.

A expectativa é que o SpIRIT reentre na atmosfera e se desintegre até agosto, sem gerar detritos espaciais. Agora, os pesquisadores concentram esforços na análise dos dados coletados e na publicação dos resultados. As experiências adquiridas servirão de base para o desenvolvimento de novas tecnologias espaciais australianas, incluindo aplicações em sensoriamento remoto e computação em órbita.

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