Visualização normal

Received before yesterdayTecnologia

Como o novo drone dos EUA ‘copiado’ do Irã está mudando a guerra

7 de Março de 2026, 10:18

A forma como as guerras são travadas está passando por mudanças profundas. É o que aponta uma reportagem publicada pelo The New York Times neste sábado (07). O jornal destaca o uso de drones baratos e fabricados em massa. E como isso tem desafiado tecnologias militares tradicionais e caras.

As forças militares dos Estados Unidos utilizaram pela primeira vez em combate o LUCAS, drone desenvolvido pela startup SpektreWorks por meio de engenharia reversa. A operação, executada na última semana, mirou infraestruturas e sistemas de defesa aérea no Irã. E foi em resposta a ataques iranianos que atingiram aeroportos, hotéis e embaixadas em países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Drones baratos marcam transição na estratégia do Pentágono para travar guerras

O uso do drone LUCAS reforça como o Pentágono passou a priorizar a produção em massa de armas baratas e descartáveis em vez de focar exclusivamente em tecnologias multibilionárias, segundo o jornal. Entenda abaixo os pontos centrais da reportagem:

O surgimento do drone LUCAS (EUA)

Drones LUCAS, usados pelos Estados Unidos na guerra contra o Irã
Startup SpektreWorks desenvolveu o drone LUCAS por meio de engenharia reversa do modelo iraniano Shahed (Imagem: Centro de Comando dos EUA)

Os Estados Unidos criaram um sistema de ataque chamado LUCAS (sistema de combate não tripulado e barato). O ponto mais curioso é que o LUCAS é uma cópia “reversa” do drone iraniano Shahed

Militares americanos perceberam que o drone do Irã era tão simples, barato e eficaz que decidiram fabricar sua própria versão para atacar alvos justamente no Irã e sobrecarregar suas defesas aéreas.

Drone Shahed e o caos no Golfo Pérsico

O drone iraniano Shahed tornou-se uma arma temida. Ele foi usado para atacar aeroportos, arranha-céus e embaixadas em países do Golfo Pérsico, como Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

  • Características: O drone tem cerca de três metros de comprimento, custa US$ 35 mil (aproximadamente R$ 184 mil) e pode voar centenas de quilômetros sozinho após a inserção das coordenadas;
  • Objetivos do Irã: Causar pânico, desestabilizar economias e mostrar força interna por meio de vídeos de explosões que circulam na mídia.

Vantagens e desvantagens de drones estilo LUCAS e Shahed

  • Vantagens: São muito baratos, fáceis de fabricar rapidamente (o LUCAS foi feito em 18 meses) e letais o suficiente para forçar o inimigo a gastar fortunas em defesa;
  • Desvantagens: São lentos, barulhentos (fáceis de ouvir chegando), carregam poucos explosivos e podem ter a navegação interrompida por interferência eletrônica.

Uma nova lógica de guerra: O barato contra o caro

A guerra está mudando de estilo, aponta o New York Times. E esse novo estilo pende mais para a rapidez de inovação do Vale do Silício do que para a burocracia tradicional do Pentágono.

Algumas cifras dão uma ideia disso. Enquanto um drone LUCAS ou Shahed custa U$ 35 mil, um míssil de cruzeiro Tomahawk custa cerca de US$ 2,5 milhões (R$ 13 milhões).

Além disso, é muito caro se defender desses drones. Para você ter ideia, um único tiro para derrubar um Shahed pode custar até US$ 3 milhões (R$ 16 milhões). Como são pequenos e lentos, eles muitas vezes “enganam” os radares, que confundem os drones com pássaros ou aviões civis.

Lições da guerra na Ucrânia

O conflito entre Irã e nações do Golfo é visto como uma evolução do que já acontece na Ucrânia.

De um lado, a Rússia agora possui suas próprias fábricas de drones estilo Shahed e fez melhorias que foram compartilhadas de volta com o Irã. 

De outro, a Ucrânia tornou-se a maior especialista do mundo em derrubar esses drones. O país usa desde metralhadoras até sensores acústicos que “ouvem” o barulho de motor de cortador de grama que os drones fazem.

O futuro: IA e produção em massa

Drones LUCAS, usados pelos Estados Unidos na guerra contra o Irã
Próximos passos são construir milhares de drones baratos de ataque e usar IA para que eles voem em “enxames” (Imagem: Centro de Comando dos EUA)

A reportagem do NYT indica que o uso dessas armas só vai aumentar. Isso porque: 1) O governo dos EUA destinou US$ 1,1 bilhão (R$ 6 bilhões) para um programa que visa construir milhares desses drones de ataque; e 2) O próximo passo é usar a inteligência artificial (IA) para tornar esses drones ainda mais independentes e eficazes, permitindo que voem em “enxames” ou acompanhem aviões de caça pilotados por humanos.

O post Como o novo drone dos EUA ‘copiado’ do Irã está mudando a guerra apareceu primeiro em Olhar Digital.

Anthropic volta a conversar com Pentágono sobre uso do Claude na guerra

5 de Março de 2026, 08:53

A Anthropic e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos retomaram as negociações nesta quinta-feira (05) para definir o uso de inteligência artificial (IA) em sistemas militares, revelou o Financial Times nesta quinta-feira (05). O diálogo ocorre após o colapso das conversas na semana passada, quando o governo americano ameaçou designar a startup como um “risco à cadeia de suprimentos”, medida que proibiria agências federais de utilizarem suas ferramentas.

A divergência central envolve as salvaguardas de segurança da empresa, que resiste ao uso de sua tecnologia para vigilância em massa ou operação de armas autônomas. Enquanto a concorrente OpenAI já firmou acordos para o uso de modelos em redes confidenciais (sistemas protegidos por sigilo de segurança nacional), a Anthropic busca garantias contratuais de que sua tecnologia não executará análises indiscriminadas de grandes volumes de dados.

Pressão de investidores e risco de exclusão aceleram retomada de diálogo entre Anthropic e Pentágono

O retorno às negociações foi motivado por uma pressão de grandes investidores, como Amazon e Nvidia. Por meio de um conselho de tecnologia, essas empresas enviaram uma carta ao governo na qual manifestaram preocupação com a possível punição à Anthropic, o que poderia prejudicar todo o mercado de tecnologia dos Estados Unidos.

Agora, o CEO da Anthropic, Dario Amodei, conversa diretamente com Emil Michael, um alto funcionário do Pentágono responsável por pesquisas e engenharia. O objetivo é criar um contrato que permita aos militares usar a tecnologia, mas garanta que os limites éticos da startup não sejam desrespeitados.

OpenAI e Anthropic
Enquanto a OpenAI opera em redes secretas, a Anthropic exige garantias contra o uso de sua IA na análise indiscriminada de dados em massa (Imagem: Ascannio/Shutterstock)

A Anthropic está numa fase de crescimento e espera faturar US$ 20 bilhões (R$ 105 bilhões) por ano, o que torna o governo um cliente estratégico. Se fosse expulsa desse mercado, a empresa perderia espaço para concorrentes que possuem menos travas de segurança em seus sistemas de IA.

O impasse ocorreu porque o governo americano queria retirar uma cláusula que impedia a IA de analisar grandes volumes de dados coletados de forma massiva. Oficiais do Pentágono criticam a startup há meses, afirmando que a preocupação exagerada com a segurança da IA atrapalha o desenvolvimento de ferramentas de defesa do país.

O desfecho dessa negociação vai definir como as empresas do Vale do Silício e os militares trabalharão juntos no futuro. Um novo acordo permitiria que o exército voltasse a usar o sistema Claude (a IA da Anthropic) e mostraria se o governo aceita as regras de controle ético propostas pelos desenvolvedores.

(Essa matéria também usou informações de Reuters.)

O post Anthropic volta a conversar com Pentágono sobre uso do Claude na guerra apareceu primeiro em Olhar Digital.

Amazon: Irã ataca centro de dados no Bahrein com drones

4 de Março de 2026, 23:56

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã realizou ataques com drones contra centros de dados da Amazon no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (4) pela agência estatal iraniana Fars.

As ações teriam como objetivo investigar o papel dessas instalações no apoio a atividades militares e de inteligência consideradas adversárias por Teerã.

Como foi o ataque a drones contra o centro de dados da Amazon

  • De acordo com a mídia estatal iraniana, o ataque contra o data center localizado no Bahrein foi realizado após a inteligência do país concluir que as instalações da empresa estariam sendo utilizadas para apoiar operações militares e de inteligência dos Estados Unidos;
  • A agência Fars afirmou que a ofensiva foi lançada “para identificar o papel desses centros no apoio às atividades militares e de inteligência do inimigo”;
  • O Irã também sustenta que a instalação da Amazon no Bahrein é a maior da companhia na região e funciona como porta de entrada para os serviços avançados de computação em nuvem da empresa nos países do Golfo Pérsico e no Oriente Médio.

A Amazon Web Services (AWS), divisão de computação em nuvem da companhia de Jeff Bezos, informou, na segunda-feira (2), que suas instalações foram afetadas por ataques na região. Segundo a empresa, dois centros de dados nos Emirados Árabes Unidos foram atingidos diretamente por drones, enquanto no Bahrein um ataque nas proximidades causou danos à infraestrutura.

“Nos Emirados Árabes Unidos, duas de nossas instalações foram atingidas diretamente, enquanto, no Bahrein, um ataque de drone nas proximidades de uma de nossas instalações causou impactos físicos em nossa infraestrutura”, informou a AWS.

Leia mais:

Logo da AWS em seu site, ampliado por uma lupa
Página de status da AWS aponta problemas na região (Imagem: IB Photography/Shutterstock)

A empresa também relatou que os ataques provocaram danos estruturais, interrupções no fornecimento de energia e a necessidade de combater incêndios, resultando em mais danos provocados pela água.

“Essas descargas elétricas causaram danos estruturais, interromperam o fornecimento de energia à nossa infraestrutura e, em alguns casos, exigiram ações de combate a incêndios que resultaram em danos adicionais causados pela água”, afirmou a companhia.

Segundo o painel de monitoramento da AWS, todas as instalações afetadas permanecem fora do ar após os ataques. Alguns aplicativos populares hospedados na plataforma passaram a registrar “taxas de erro elevadas e disponibilidade degradada”.

Diante da situação, a empresa orientou clientes a adotarem medidas de contingência, incluindo a realização de backups de dados, a migração de cargas de trabalho para outras regiões e o redirecionamento do tráfego para fora do Bahrein e dos Emirados Árabes Unidos.

Guerra

De acordo com a Fars, os ataques fazem parte de operações recentes conduzidas pela Guarda Revolucionária Islâmica contra centros de dados da Amazon em Dubai e outros pontos estratégicos da região.

Os incidentes ocorreram após ataques conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã durante o fim de semana. Em resposta, o governo iraniano lançou ações retaliatórias contra bases militares israelenses e estadunidenses ao longo da região do Golfo.

Até o momento de publicação desta matéria, a Amazon não se pronunciou oficialmente sobre o assunto.

O post Amazon: Irã ataca centro de dados no Bahrein com drones apareceu primeiro em Olhar Digital.

Brasileiros repatriados: voo da Emirates está a caminho de Dubai para SP

4 de Março de 2026, 07:25

O primeiro voo partindo de Dubai para São Paulo está a caminho do Aeroporto de Guarulhos. O espaço aéreo por aqui não foi 100% aberto, são voos controlados para repatriação. Ou seja, não dá para ir ao aeroporto e comprar uma passagem. As companhias aéreas são responsáveis por avisar os viajantes “presos” aqui o dia e horário do novo voo. Apenas quem tem essa confirmação deve se deslocar aos aeroportos.

Imagem: Flight Aware

Eu conversei com uma brasileira que estava apenas de passagem por Dubai e precisou ficar na cidade. Colegas de trabalho dela embarcaram nesse primeiro voo e relataram uma situação tranquila no aeroporto.

O voo decolou às 9h37 no horário local, 2h37 no horário de Brasília. A previsão de chegada é por volta das 17h30, no horário de Brasília.

Ataques do Irã aos Emirados Árabes Unidos

Desde sábado, quando os ataques começaram, o Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos contabiliza os seguintes números:

  • 186 mísseis balísticos lançados em direção aos Emirados Árabes Unidos. Destes, 172 mísseis foram destruídos, 13 caíram no mar e um atingiu o território do país.
  • Oito mísseis de cruzeiro foram detectados e destruídos.
  • 812 drones iranianos foram detectados, dos quais 755 foram interceptados e 57 caíram em território nacional.
  • Três pessoas morreram e 68 ficaram feridas

Nesta outra reportagem, explicamos como funciona o sistema de proteção antimísseis dos Emirados Árabes.

De Dubai, Bruno Capozzi

O post Brasileiros repatriados: voo da Emirates está a caminho de Dubai para SP apareceu primeiro em Olhar Digital.

❌