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Júlio Verne e a Artemis 2: mais de 160 anos antes da missão, o escritor “previa” viagem à Lua

17 de Junho de 2026, 07:00

Muito antes dos foguetes e da corrida espacial, o escritor francês Júlio Verne já imaginava uma viagem tripulada à Lua. Publicado em 1865, o romance Da Terra à Luae sua continuação, Ao Redor da Lua, apresentam elementos que lembram muito a missão Artemis 2, realizada pela NASA em 2026. As semelhanças vão desde o local de lançamento até a trajetória ao redor da Lua e o retorno ao oceano Pacífico.

Para quem tem pressa:

  • Mais de 150 anos antes da Artemis 2, Júlio Verne já imaginava uma missão tripulada à Lua com lançamento a partir da Flórida, viagem ao redor do satélite e retorno à Terra;
  • Os romances “Da Terra à Lua” e “Ao Redor da Lua” apresentam semelhanças com a missão da NASA, incluindo a observação da Lua durante o trajeto e a realização de correções de trajetória;
  • Embora algumas previsões não tenham se concretizado, como o lançamento por um gigantesco canhão, as obras demonstram um amplo conhecimento científico.

As “coincidências” são fundamentadas

Observação lunar dos romances de Júlio Verne ao lado da imagem real do lado oculto da Lua
Ilustração do lado oculto da Lua no romance de Júlio Verne ao lado da imagem real capturada pela Artemis 2 – Imagem: Émile-Antoine Bayard e Alphonse de Neuville / NASA – Montagem: Olhar Digital

Considerado um dos pais da ficção científica, Júlio Verne construiu sua obra a partir da combinação entre imaginação e conhecimento científico. Conhecido por realizar grandes pesquisas antes de escrever seus romances, o escritor buscava compreender a ciência de sua época e adicioná-la em suas narrativas. Por isso, muitas das escolhas presentes em “Da Terra à Lua” e “Ao Redor da Lua” não foram feitas de forma aleatória.

O primeiro exemplo é o local de lançamento da missão. Verne escolheu a Flórida como ponto de lançamento para a viagem à Lua de seus personagens; essa escolha se deu pelo reconhecimento das vantagens que regiões próximas à linha do Equador oferecem para esse tipo de lançamento. Atualmente, o estado norte-americano abriga o Centro Espacial Kennedy da NASA e é a principal base de lançamento das missões espaciais dos Estados Unidos, incluindo o programa Artemis.

As semelhanças também aparecem na missão imaginada pelo autor. Em vez de pousar na Lua, a nave que carrega os personagens Barbicane, Nicholl e Ardan realiza uma viagem ao redor do satélite natural antes de retornar à Terra. A Artemis 2 seguiu uma proposta semelhante, levando astronautas em uma missão de sobrevoo e observação lunar.

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Observações lunares semelhantes

Montagem das personagens de Julio Verne observando a "janela" da cápsula e ao lado uma astronauta observando a Terra pela cápsula da Artemis II
Ilustração dos personagens, Barbicane, Nicholl e Ardan, de Júlio Verne observando a “janela” da cápsula no espaço e ao lado uma astronauta observando a Terra pela cápsula da Artemis 2 – Imagem: Émile-Antoine Bayard e Alphonse de Neuville / NASA – Montagem: Olhar Digital

Os romances de Verne também descrevem os tripulantes observando a Lua durante a viagem e anotando suas observações. Mesmo sem poder capturar imagens do satélite natural, como feito pela Artemis 2, a ideia de estudar e documentar o ambiente lunar mostrava um caminho a ser seguido mais de 100 anos depois.

Ao longo da narrativa, os viajantes ainda precisam realizar ajustes para manter o caminho planejado. Atualmente, essas correções de trajetória são parte fundamental de qualquer missão espacial.

O local de pouso também aparece como uma semelhança à missão Artemis 2. Júlio Verne descreve a cápsula de seu romance pousando no Oceano Pacífico, assim como também aconteceu com a espaçonave da mais recente viagem à Lua.

Nem todas as previsões, porém, se mostraram corretas. Verne imaginou que a nave seria lançada por um gigantesco canhão chamado “Columbiad, solução que seria inviável para transportar seres humanos. Ainda assim, o nível de conhecimento científico presente nas obras impressiona por ter sido desenvolvido décadas antes do surgimento de quaisquer foguetes e da própria corrida espacial.

Esses paralelos ajudam a explicar por que as obras de Verne continuam sendo frequentemente citadas quando se discute a história da exploração espacial. Mais do que “prever” tecnologias, o autor demonstrou uma capacidade de aplicar princípios científicos para imaginar cenários que, em muitos aspectos, se aproximariam das futuras missões à Lua.

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Mais de 120 anos depois, um dos primeiros filmes com robô é restaurado nos EUA

13 de Março de 2026, 06:00

A Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos restaurou recentemente Gugusse et l’Automate (“Gugusse e o Autômato”), um dos primeiros filmes da história a mostrar um robô. Dirigido pelo pioneiro francês Georges Méliès em 1897, o curta surgiu apenas dois anos depois de L’Arrivée d’un train en gare de La Ciotat, dos irmãos Auguste Lumière e Louis Lumière, considerado um dos primeiros filmes da história.

O filme era considerado como perdido até 2025, quando um exemplar foi encontrado na coleção de William Delisle Frisbee, artista itinerante que andava com um projetor e algumas das obras mais antigas do mundo.

As 10 bobinas de nitrato que guardavam pedaços do curta-metragem permaneceram guardadas em porões até serem doadas para a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos. Assim que a descoberta foi feita, o Centro Nacional de Conservação Audiovisual do país iniciou o processo de restauração e digitalização.

Esta é uma daquelas coleções que nos faz perceber por que fazemos isso”, disse Courtney Holschuh, técnica do Centro Nacional de Conservação Audiovisual dos Estados Unidos que restaurou o arquivo, em entrevista à Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos

Para quem tem pressa:

  • A Biblioteca do Congresso dos EUA divulgou a restauração de um dos primeiros filmes do mundo e o primeiro com a representação de um robô;
  • O filme era considerado como perdido até que, em 2025, foi encontrado um exemplar da obra na coleção pessoal de William Delisle Frisbee;
  • O conceito ousado da obra mostra uma ideia atual que parece mais antiga do que se pensava: as máquinas podem se rebelar contra os humanos?

Descoberta e enredo de uma obra (atual)

Bill McFarland contou à Biblioteca do Congresso dos EUA que ficou muito animado quando fez a descoberta das obras deixadas por seu bisavô, William Delisle Frisbee. Seu antepassado dirigia uma charrete de cidade em cidade, divulgando alguns dos primeiros filmes do mundo. Assim que Bill encontrou as bobinas, decidiu doá-las para a instituição.

O filme mostra em aproximadamente 40 segundos cenas em que Gugusse, um palhaço, manipula uma espécie de robô, interpretado por outro ator. Gugusse gira uma manivela, fazendo com que o “autômato” se mova. Durante o curta, o robô “se rebela” contra o manipulador e acerta o palhaço com um bastão, gerando um conflito entre os dois. Por fim, Gugusse acaba destruindo seu rival.

O conceito ousado da obra mostra uma ideia atual que parece mais antiga do que se pensava: as máquinas podem se rebelar contra os humanos?

Leia mais:

George Méliès e a história do cinema

Filme é o mais famoso de Georges Méliès.
O diretor do famoso curta, “Viagem à lua”, Georges Méliès era também ilusionista e trouxe inovações para o cinema. Imagem: Domínio público.

Dono das consideradas primeiras obras cinematográficas de ficção científica, Marie Georges Jean Méliès nasceu no ano de 1861 em Paris, na França. Inspirado pelos livros do escritor Júlio Verne, ele não seguiu a linha de outros cineastas que apenas retratavam cenas reais, ele criava cenários e efeitos que geravam uma ideia de movimento e ilusão, trazendo à tela histórias fantasiosas que encantavam o público.

De acordo com a New Atlas, suas ideias cinematográficas começaram em 1896, quando sua câmera emperrou durante uma gravação na Place de l’Opéra, em Paris. O problema técnico fez com que um ônibus se parecesse com um carro fúnebre, o que inspirou o cineasta a explorar essa técnica de ilusão em seus filmes.

Criador de obras como Le Voyage dans la Lune” (Viagem à Lua – 1902), Voyage à travers l’impossible (Viagem Através do Impossível – 1904) e o considerado primeiro filme de terror da história, “Le Manoir du Diable” (A Mansão do Diabo – 1896), George Méliès produziu mais de 400 filmes e ficou conhecido como “o mágico do cinema”. Até hoje, é conhecido como uma das figuras mais importantes e influentes da história da indústria cinematográfica.

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