Visualização normal

Received before yesterdayTecnologia

TCU questiona MEC por forte dependência da AWS em sistema de educação

20 de Abril de 2026, 11:19
Prédio do Ministério da Educação
Prédio do Ministério da Educação (imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Resumo
  • Tribunal de Contas da União alerta Ministério da Educação (MEC) sobre problemas no Sistema Gestão Presente (SGP), com destaque para a forte dependência da AWS;
  • órgão aponta ainda problemas como registro de estudantes não autenticados ou inexistentes no SGP e baixa rastreabilidade de informações;
  • TCU recomenda ao MEC plano de portabilidade tecnológica, integração de bases para melhorar qualidade de informações e regras automatizadas para reduzir inconsistências no SGP.

Sistema Gestão Presente (SGP) é o nome de uma plataforma implementada pelo Ministério da Educação (MEC) para dar suporte a redes de ensino de todo o Brasil. Mas o Tribunal de Contas da União (TCU) encontrou alguns possíveis complicadores na iniciativa, como uma forte dependência dos serviços da Amazon Web Services (AWS).

Com o SGP, as redes de ensino têm acesso e podem compartilhar dados sobre educação básica em nível nacional. Esses dados são usados para o estabelecimento de políticas públicas que combatem a evasão escolar ou para programas sociais como o Pé-de-Meia, só para dar alguns exemplos.

A relevância do SGP para o sistema educacional brasileiro não é questionada pelo TCU, portanto. O que está na mira do órgão é a abordagem técnica de implementação da plataforma, bem como falhas de validação de dados.

Sobre o último aspecto, chamou a atenção do TCU o fato de ser possível o registro de estudantes não autenticados ou até inexistentes no SGP. “Essa fragilidade pode levar a distorções nas análises e relatórios gerados e impactar a eficácia das políticas educacionais”, explica o órgão.

Outro problema encontrado é a deficiência na rastreabilidade dos dados, pois muitos dos registros são feitos por meio de planilhas, sem uso de bancos de dados estruturados ou sistemas de logs que permitam a identificação da origem daquelas informações.

Mas o uso da AWS como alicerce do Sistema Gestão Presente é tão ou mais preocupante, no entendimento do Tribunal de Contas da União.

Fachada de prédio da Amazon Web Services
Para TCU, sistema do MEC é fortemente dependente da Amazon Web Services (imagem: Tony Webster/Flickr)

Qual o problema do uso da AWS?

Do ponto de vista técnico, a AWS não é um problema em si. A infraestrutura de nuvem da Amazon cumpre a função de sustentar as operações de vários componentes do SGP, de modo que a plataforma fique acessível para instituições educacionais de todo o Brasil.

Porém, na avaliação do TCU, os recursos da AWS são usados de modo tão enfático que o SGP acaba sendo dependente de um único fornecedor de tecnologia (no caso, a Amazon). A auditoria aponta que esse contexto de forte dependência tecnológica pode dificultar a migração de ambiente de nuvem, bem como ocasionar aumento progressivo de custos.

Por conta disso, o TCU recomendou ao Ministério da Educação a elaboração de um plano de portabilidade tecnológica que possa diminuir o risco de o SGP ser prejudicado em caso de necessidade de migração de provedor. O plano deve incluir uma seção que trate especificamente da “priorização dos componentes com maior dependência tecnológica”.

Outras recomendações incluem a identificação de bases de dados que possam ser integradas ao SGP de modo a melhorar a qualidade das informações inseridas na plataforma, bem como a criação de regras automatizadas para mitigar o problema dos registros pouco confiáveis (com erros, inconsistências ou duplicidades).

Não está claro como o MEC lidará com o assunto. De todo modo, no relatório que trata da implementação do SGP, o TCU deixou claro que irá monitorar o seguimento das recomendações.

TCU questiona MEC por forte dependência da AWS em sistema de educação

Prédio do Ministério da Educação (imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Amazon Web Services (Imagem: Tony Webster/Flickr)

MEC Livros: plataforma do governo oferece clássicos e best-sellers de graça

9 de Abril de 2026, 18:17
Imagem de uma pessoa segurando um celular com o logo MEC Livros na tela
MEC Livros disponibiliza best sellers de graça para empréstimo (imagem: divulgação/MEC)
Resumo
  • O MEC lançou o MEC Livros, biblioteca pública virtual com quase 8 mil títulos. O acesso ocorre pelo navegador com login Gov.br ou pelo app Android.
  • O serviço usa licenciamento digital. Cada usuário pega 1 livro por vez, por 14 dias, com renovação. Obras com alta demanda entram em fila de espera.
  • O acervo inclui clássicos, best-sellers e obras em domínio público. Não há download para Kindle. O portal Domínio Público oferece arquivos em PDF para leitura offline.

O Ministério da Educação lançou o MEC Livros, uma biblioteca pública virtual que dá acesso gratuito a quase 8 mil títulos – de Machado de Assis a Harry Potter. O serviço funciona pelo navegador, com login pelo Gov.br, ou pelo app de mesmo nome, disponível, até o momento, apenas para Android.

O modelo segue a lógica de uma biblioteca física, mas com uma camada tecnológica por trás. O MEC Livros não é um repositório comum de arquivos: ele opera sob um regime de licenciamento digital, gerenciando direitos autorais em tempo real conforme a Lei de Direitos Autorais.

Dessa forma, obras com alta demanda têm um limite de empréstimos simultâneos, definido por cláusulas contratuais com as editoras. De acordo com o MEC, quando a cota de licenças é atingida, o sistema organiza uma fila de espera e libera o acesso assim que outro leitor devolve o exemplar digital.

Leitores têm duas semanas para ler o livro (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Como funciona o MEC Livros?

Cada usuário pode ter um livro emprestado por vez, com prazo de 14 dias para leitura e opção de renovação. Só é possível pegar um novo título após devolver o que está em andamento.

O acervo conta com quase 8 mil obras nacionais e internacionais, divididas em 19 categorias. Os destaques incluem:

  • Clássicos brasileiros: A Escrava Isaura, O Triste Fim de Policarpo Quaresma e Primeiras Estórias.
  • Suspense e terror: O Médico e o Monstro e O Corvo e Outros Contos Extraordinários.
  • Sucessos que viraram filmes: Harry Potter e a Pedra Filosofal, O Morro dos Ventos Uivantes, Alice no País das Maravilhas e Frankenstein.
  • Clássicos Internacionais: Orgulho e Preconceito, Crime e Castigo e A Divina Comédia.

Para obras contemporâneas, o MEC conta com parceiros que licenciam os títulos junto às editoras. O catálogo também inclui cerca de mil obras com empréstimos ilimitados e títulos em domínio público.

Em comunicado, o ministério anunciou que firmou parceria com a Fundação Biblioteca Nacional e está em negociações com a Academia Brasileira de Letras e editoras como a Cepe para ampliar o catálogo.

Kindle fica de fora

Kindle sobre um pufe redondo, exibindo página do livro "Turma da Mônica - Lendas para Crianças" em cores
MEC Livros oferece leitura pelo navegador (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

A leitura pelo MEC Livros é feita pelo site ou aplicativo, portanto, não existe opção de baixar o arquivo para importar para e-readers como Kindle e Kobo. A limitação deve garantir o cumprimento dos contratos de licenciamento e a devolução automática dos títulos ao acervo.

Na teoria, usuários de dispositivos que possuem Wi-Fi podem tentar acessar a biblioteca pelo navegador do aparelho, mas a experiência tende a ser instável.

Para quem prefere leitura offline no e-reader, a alternativa é o portal Domínio Público. O site oferece obras sem restrições de direitos autorais para download gratuito em PDF, que podem ser convertidos para ePub e transferidos ao Kindle via cabo ou por email.

O catálogo inclui títulos como Memórias Póstumas de Brás Cubas, Don Quixote, Macbeth e A Odisseia – que ganhará adaptação pelo diretor Christopher Nolan, de Oppenheimer, ainda este ano.

MEC Livros: plataforma do governo oferece clássicos e best-sellers de graça

(imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Kindle Colorsoft promete até 8 semanas de bateria (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)
❌