Spyware em computadores de empresária no Paraná foi usado para atravessar negociações (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)Resumo
Empresário de Ponta Grossa, no Paraná, foi denunciado por hackear a concorrência para obter vantagem e roubar clientes.
A vítima teve um “programa espião” instalado em seus computadores, permitindo ao criminoso acessar informações sensíveis e enviar propostas mais vantajosas.
O caso foi investigado pela polícia, que identificou o suspeito e o indiciou por invasão de dispositivo informático e concorrência desleal.
Um caso de espionagem digital chamou atenção na cidade de Ponta Grossa, no Paraná: um empresário hackeou a concorrente para interceptar negociações e enviar propostas mais vantajosas para “roubar” clientes. A vítima teve um spyware instalado em seus computadores, o que garantiu acesso do criminoso a informações sensíveis sobre orçamentos. Assim, o homem conseguia atravessar propostas, diminuir preços e alcançar novos compradores.
A rapidez com que o empresário enviava propostas mais vantajosas para clientes com quem não havia negociado anteriormente chamou atenção, e ele foi denunciado. Para confirmar, a equipe da loja da vítima simulou uma negociação e desconfiou de ciberataque. Posteriormente, a polícia confirmou a presença de um programa espião.
Segundo o G1, o caso aconteceu no ramo de venda de pneus para tratores e equipamentos agrícolas. A polícia finalizou o inquérito nesta terça-feira (18/08), chamando a situação de um “esquema de espionagem industrial e concorrência desleal cibernética”.
Clientes denunciaram ciberataque
Esse caso no Paraná se destaca pela forma como foi descoberto. Os próprios clientes suspeitaram das propostas enviadas tão rapidamente por outra empresa. Pesou também, é claro, a fidelidade da clientela da empresária de 37 anos, cujo nome não foi revelado.
Foram incluídas no processo mensagens com ofertas mais vantajosas. Nas conversas, é possível verificar o horário de envio e também o produto oferecido, seguindo exatamente o que estava sendo negociado com a outra empresária.
Troca de mensagens entre clientes e o empresário fraudulento mostraram a rapidez com que ofertas melhores foram enviadas (imagem: reprodução/Polícia Civil)
O delegado Derick Moura Jorge realizou análises técnicas nos dispositivos da vítima para identificar o spyware. Uma vez confirmada a invasão, o homem, também de 37 anos, foi indiciado por dois crimes: invasão de dispositivo informático, previsto no Código Penal, e concorrência desleal mediante meio fraudulento para desviar clientela de outrem, parte da Lei de Propriedade Industrial.
Até o momento, ele responde em liberdade, mas o Ministério Público já está com o inquérito em mãos para formalizar a denúncia.
Como funciona um programa espião
O programa em questão é um exemplo de spyware, que permite ao hacker acessar diversas informações dos dispositivos em que foi instalado. Como o ciberataque deu acesso a mensagens trocadas entre a empresária e os clientes, provavelmente trata-se de um stalkerware.
Essa invasão se dá por meio de links maliciosos ou mesmo downloads aparentemente seguros. Portanto, casos como esse são importantes para reforçar os cuidados ao navegar por sites desconhecidos ou lidar com mensagens de promoção, cobranças etc.
A principal dica ao receber um SMS, email ou mesmo ligação é não inserir seus dados a partir dali: busque diretamente a instituição para sanar suas dúvidas.
Spywares são usados por hackers para monitorar as ações dos usuários em busca de dados pessoais e informações bancárias (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
O governo de Donald Trump criou um programa que permitirá a empresas privadas dos Estados Unidos realizar operações cibernéticas (ciberataques) contra organizações criminosas estrangeiras, desde que atuem sob direção e supervisão federal. A medida foi formalizada em um memorando presidencial assinado na última quarta-feira (12).
A iniciativa envolve os Departamentos de Justiça e Segurança Interna e pretende ampliar a capacidade americana de combater crimes digitais como fraudes, ransomware, extorsão sexual e phishing. As empresas autorizadas poderão coletar informações e executar ações destinadas a alterar, interromper, degradar ou destruir sistemas utilizados pelos grupos-alvo.
O programa será restrito a organizações criminosas transnacionais estrangeiras que não façam parte formalmente de governos estrangeiros nem estejam totalmente subordinadas a eles. As regras operacionais ainda serão detalhadas nos próximos 60 dias, enquanto as companhias interessadas terão de passar por uma seleção rigorosa e poderão ser obrigadas a manter uma garantia de pelo menos US$ 1 milhão.
Como funcionará a participação das empresas
Casa Branca nos Estados Unidos – Imagem: Waqas_creatives/Shutterstock
A estrutura criada pela Casa Branca ficará sob responsabilidade do National Coordination Center, órgão que deverá administrar o programa e autorizar a participação de empresas privadas americanas. A supervisão será compartilhada por dois diretores executivos, um indicado pelo Departamento de Justiça e outro pelo Departamento de Segurança Interna.
Nenhuma companhia poderá agir por conta própria dentro da iniciativa. Cada operação deverá ser submetida à análise dos responsáveis pelo programa e receber autorização e orientação por escrito antes de ser executada. O memorando determina ainda que as ações sejam realizadas exclusivamente em nome do governo federal e dentro das competências legais atribuídas às autoridades americanas.
Para ingressar no programa, as empresas terão de demonstrar capacidade técnica, experiência comprovada em operações cibernéticas, segurança de suas instalações, qualificação de pessoal, confiabilidade e outros requisitos que venham a ser definidos. A intenção declarada é permitir tanto a participação de grandes companhias, capazes de oferecer maior escala, quanto de empresas menores, voltadas a tarefas especializadas.
As participantes também deverão firmar contratos com o Departamento de Justiça ou com o Departamento de Segurança Interna. Esses acordos poderão exigir uma caução ou depósito de, no mínimo, US$ 1 milhão, valor sujeito a perda caso a empresa descumpra as obrigações estabelecidas pelo governo.
O modelo prevê ainda uma ponte entre as companhias participantes e outros agentes. Empresas privadas poderão fornecer informações sobre ameaças obtidas durante suas atividades comerciais, enquanto órgãos federais, estaduais, locais, tribais e territoriais poderão indicar ameaças para que as companhias apresentem propostas de operações ao centro responsável pelo programa.
Que tipo de ação poderá ser executada?
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)
O memorando diferencia dois grandes grupos de atividades. As operações de vigilância cibernética terão como objetivo obter informações de sistemas e redes sem autorização dos proprietários ou além dos limites de acesso concedidos, inclusive para reunir dados que possam subsidiar ações futuras.
Já as chamadas operações de efeitos cibernéticos terão um caráter mais disruptivo. A definição adotada pelo governo inclui ações capazes de manipular, interromper, negar, degradar ou destruir sistemas de informação, redes, infraestruturas físicas ou virtuais controladas por sistemas digitais e dados armazenados nesses ambientes.
Há, porém, uma barreira expressa para determinadas ações. Os diretores responsáveis pelo programa não poderão aprovar operações classificadas como capazes de produzir resultados críticos, categoria que abrange situações com probabilidade de provocar morte ou ferimentos graves ou de atingir o patamar de uso da força ou ataque armado segundo o direito internacional.
O texto também estabelece mecanismos para situações em que uma operação saia dos limites autorizados. Caso uma empresa descubra que atingiu inadvertidamente uma pessoa nos Estados Unidos, um sistema localizado no país ou uma infraestrutura controlada por cidadão americano, deverá interromper a atividade, aplicar medidas de contenção e comunicar imediatamente o centro responsável.
As empresas também terão de informar rapidamente qualquer ameaça iminente contra infraestrutura crítica americana ou qualquer indício de que uma operação aprovada possa produzir consequências classificadas como críticas. O programa deverá, ainda, ser submetido a avaliações anuais para determinar se cada participante continuará habilitado.
O risco jurídico e geopolítico
Apesar de colocar as companhias sob o comando do governo americano, a iniciativa deixa questões importantes em aberto. Os textos que detalham a medida ainda não esclarecem como serão tratadas eventuais acusações criminais contra empresas ou funcionários em países onde estiverem localizados os computadores ou sistemas atingidos.
Especialistas ouvidos também apontaram dificuldades para determinar se um grupo criminoso possui vínculos com um governo estrangeiro. Jason Healey, pesquisador sênior de conflitos cibernéticos da Universidade Columbia, avaliou, em entrevista ao Cybersecurity Dive, que pessoas envolvidas nessas operações podem assumir um risco jurídico considerável.
Jake Williams, vice-presidente de pesquisa e desenvolvimento da Hunter Strategy, apresentou outro possível problema em entrevista ao TechCrunch. Para ele, americanos envolvidos nesse tipo de atividade no exterior poderiam ser tratados como combatentes sem uniforme.
Ben Bernstein, gerente da equipe de consultoria de segurança da Huntress, chamou atenção para uma dificuldade operacional adicional em declaração ao Cybersecurity Dive. Segundo ele, criminosos digitais frequentemente utilizam infraestrutura de terceiros que foi comprometida, o que pode fazer uma ação de retaliação atingir sistemas de empresas e instituições que nada têm a ver com o ataque original.
O governo americano já realizava operações cibernéticas contra ameaças estrangeiras antes da criação desse modelo, mas a nova política abre espaço formal para a participação de empresas privadas. O memorando afirma que o setor privado possui capacidades tecnológicas que, até agora, teriam sido pouco aproveitadas no combate a redes criminosas transnacionais.
Google impediu um ataque hacker que utilizava IA para burlar a autenticação de dois fatores.
Os hackers usaram técnicas para contornar as restrições de segurança, instruindo a IA a assumir o papel de um auditor ou pesquisador.
A empresa afirma que está investindo em defesas automatizadas, incluindo agentes de IA defensivos, para varrer código e corrigir vulnerabilidades.
O Google confirmou que conseguiu impedir um ataque zero-day criado com o auxílio de inteligência artificial. A descoberta foi divulgada nesta segunda-feira (11/05) pelo Google Threat Intelligence Group (GTIG), equipe responsável por rastrear ameaças cibernéticas.
Segundo o relatório oficial, um grupo hacker planejava um ataque em massa focado em burlar a autenticação de dois fatores (2FA) de uma ferramenta web de código aberto voltada para a administração de sistemas. É a primeira vez que o grupo do Google identificou o uso de IA em um golpe do tipo.
Os pesquisadores encontraram pistas inegáveis da participação de máquinas no script em Python utilizado pelos invasores. O código trazia a mesma organização encontrada em livros de programação gerados por grandes modelos de linguagem (LLMs). Além disso, o script continha alucinações e referências inventadas pela IA.
Apesar das evidências no código interceptado, o Google afirma que não acredita que o seu próprio modelo, o Gemini, tenha sido utilizado na criação do malware.
Como os hackers usaram a IA?
Para contornar as pesadas travas de segurança dos modelos comerciais, os cibercriminosos recorreram a uma técnica conhecida como jailbreaking baseado em persona. Na prática, em vez de pedir para a máquina escrever um vírus diretamente, o hacker instrui a IA a assumir o papel de um auditor de segurança ou de um pesquisador. Enganado pela narrativa, o modelo baixa a guarda, ignora seus filtros éticos e passa a analisar sistemas em busca de brechas reais.
Como aponta o The Verge, a sofisticação dessas campanhas maliciosas está escalando rapidamente. Atores de ameaça estão alimentando LLMs com repositórios inteiros de vulnerabilidades históricas, treinando as máquinas para reconhecer padrões complexos de falhas. O objetivo é testar e ajustar a invasão em ambientes controlados até atingir uma alta taxa de confiabilidade, evitando que o ataque falhe na hora de ser executado no mundo real.
Criminosos estão automatizando a criação de malwares com IA (imagem: Joan Gamell/Unsplash)
IA vem sendo usada como arma
O documento do Google aponta que os invasores estão focando nos componentes que conectam as IAs aos sistemas corporativos, como as habilidades de execução autônoma de bots. A intenção é comprometer as redes, injetando comandos não autorizados que a IA executa achando que são legítimos.
Para tentar manter a vantagem, o Google aposta em defesas automatizadas. A empresa está investindo no uso de agentes de IA defensivos, treinados especificamente para varrer milhões de linhas de código e corrigir vulnerabilidades em softwares antes mesmo que elas cheguem ao conhecimento do cibercrime.
Seguindo essa mesma estratégia, a gigante das buscas também tem utilizado as habilidades de programação do próprio Gemini para acelerar a testagem e a aplicação de atualizações de segurança em seus sistemas.