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Adolescentes venderam kits de ataques DDoS para derrubar sites

10 de Março de 2026, 11:02
Ilustração sobre um ataque DDoS
Um dos líderes do grupo tinha 14 anos (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Autoridades da Polônia desarticularam um grupo de adolescentes, com idades entre 12 e 16 anos, que vendia kits de ataques DDoS.
  • A investigação começou em 2025, levando à apreensão de dispositivos eletrônicos e documentos nas residências dos jovens.
  • Devido à idade, o caso será encaminhado aos tribunais de família, focando na reeducação, já que menores de 13 anos não podem ser presos no país.

A autoridade de combate ao cibercrime da Polônia (CBZC) desarticulou um grupo suspeito de comercializar kits de ataques cibernéticos na internet. A operação teve os detalhes divulgados hoje (10/03), revelando que os envolvidos eram menores de idade.

Os jovens, com idades entre 12 e 16 anos, vendiam ferramentas de interrupção de serviços digitais. A investigação começou em 2025, quando as autoridades identificaram um dos líderes do grupo: um suspeito de 14 anos.

A partir da análise dos artefatos digitais e físicos coletados na residência do primeiro adolescente, os investigadores conseguiram mapear a rede de contatos e chegar aos outros membros do esquema.

Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão nas residências de mais seis jovens. Durante as batidas policiais, foram descobertas as infraestruturas utilizadas para coordenar as invasões. A polícia apreendeu smartphones, desktops, notebooks, discos rígidos, pen drives, além de documentos que detalhavam a contabilidade do grupo.

Agentes exibem computadores e material confiscado (imagem: reprodução/CBZC)

Em comunicado oficial, o CBZC destacou que os adolescentes se conheciam, mantinham contato regular e cooperavam na administração e implantação das plataformas. O órgão policial afirmou que eles agiam com plena consciência da ilegalidade dos atos.

Devido à idade dos indivíduos envolvidos, todo o material resultante das atividades policiais será encaminhado aos tribunais de família, que decidirão as medidas a serem aplicadas. O tratamento legal para crimes juvenis no país foca na reeducação. Crianças menores de 13 anos — categoria que abrange o membro mais novo do grupo — não podem ser responsabilizadas criminalmente, independentemente da infração cometida.

O que é um ataque DDoS?

Apps rastreavam usuários no Android (Imagem: Sora Shimazaki/Pexels)
Jovens administravam plataformas usadas em ataques (imagem: Sora Shimazaki/Pexels)

Um ataque de Negação de Serviço Distribuído (DDoS, na sigla em inglês) pode interromper o funcionamento normal de um site, serviço online ou rede de computadores. A tática consiste em inundar o servidor alvo com uma quantidade massiva de requisições de acesso simultâneas. Esse volume artificial de tráfego causa uma sobrecarga no sistema, resultando na indisponibilidade temporária do serviço.

Segundo as autoridades polonesas, os clientes que compravam as ferramentas utilizaram o software para atacar alvos comerciais variados. A lista de vítimas inclui portais de leilões, plataformas de vendas online, serviços de hospedagem de sites e sistemas de reserva de acomodações.

A agência de combate ao cibercrime ressaltou que a maioria dos incidentes de DDoS costuma ser de curta duração. Graças à cooperação entre instituições e serviços responsáveis pela segurança digital, uma interrupção de 15 minutos, por exemplo, é frequentemente neutralizada com rapidez e pode passar despercebida pelo usuário comum.

Adolescentes venderam kits de ataques DDoS para derrubar sites

Entenda o funcionamento de um ataque DDoS e suas consequências (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Apps rastreavam usuários no Android (Imagem: Sora Shimazaki/Pexels)

Após DDoS, Wikipédia considera banir site de arquivamento

11 de Fevereiro de 2026, 14:33
Editores da Wikipédia discutem banimento do Archive.today após ataque DDoS (imagem: reprodução)
Resumo
  • O Archive.today foi usado para um ataque DDoS contra o blogueiro Jani Patokallio, manipulando uma página de Captcha para sobrecarregar seu blog.
  • Editores da Wikipédia debatem banir o Archive.today, considerando três opções: remover links, desencorajar novos links ou não fazer nada.
  • O Archive.today já foi banido da Wikipédia em 2013 por segurança, mas foi readmitido em 2016.

Editores da Wikipédia discutem o banimento do Archive.today (também conhecido como Archive.is), um dos serviços de arquivamento mais populares da internet. O movimento ocorre após a revelação de que a plataforma foi utilizada para orquestrar um ataque DDoS contra um blogueiro.

Segundo o portal Ars Technica, o Archive.today configurou uma página de Captcha – daquelas em que você prova que não é um robô – com um código oculto, que forçava o navegador do usuário a carregar repetidamente o blog de Jani Patokallio em segundo plano.

Qual o motivo do ataque?

A disputa teria começado quando Patokallio publicou, em 2023, um post tentando descobrir a identidade do mantenedor do Archive.today, que é anônimo.

Em trocas de email citadas pela reportagem, o administrador do site de arquivamento admitiu a autoria do ataque e acusou o blogueiro de ser “nazista”. Segundo a reportagem, o avô de Patokallio serviu no exército finlandês durante a Segunda Guerra Mundial contra a invasão da União Soviética.

Patokallio afirmou que o objetivo do ataque seria inflar os custos de hospedagem, mas falhou. “Eu tenho um plano de taxa fixa, o que significa que isso me custou exatamente zero dólares”, escreveu o blogueiro.

Editores discutem banimento do site

Captura de tela da página inicial do Archive.today
Página inicial do Archive.today (imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

A revelação de que o site de arquivamento estaria explorando os visitantes para atacar desafetos pessoais de seu dono gerou um alerta na Wikipédia, e os membros agora debatem três opções para lidar com a situação.

  • Opção A: remover ou ocultar todos os links para o domínio e adicioná-lo à lista de restrições por spam;
  • Opção B: Desencorajar a adição de novos links no serviço, mas manter o acervo histórico já publicado;
  • Opção C: Não fazer nada.

A primeira opção puniria o site de arquivamento, mas também deixaria centenas de milhares de afirmações na enciclopédia sem fonte verificável. Isso porque plataformas como o Archive.is são essenciais para combater o link rot, quando sites saem do ar. Atualmente, existem mais de 695 mil links apontando para o serviço em cerca de 400 mil artigos da Wikipédia, segundo o Ars Technica.

Mas não seria a primeira vez que o serviço entraria na mira da Wikipédia. Segundo a fundação, em nota, o serviço já foi banido globalmente em 2013, por motivos de segurança e instabilidade, mas os membros voltaram a permiti-lo em 2016.

Alguns editores sugerem a migração para alternativas mais seguras, evitando lidar com um apagão de referências no futuro. Outros reforçam que o Archive.today é frequentemente usado para contornar paywalls de jornais, levantando preocupações sobre violação de direitos autorais.

Esses sugerem que o ideal seria a Fundação Wikimedia criar um sistema próprio de arquivamento ou licenciar conteúdos de grandes veículos.

Após DDoS, Wikipédia considera banir site de arquivamento

(imagem: Felipe Faustino/Tecnoblog)

Dinamarca culpa Rússia por ataques cibernéticos contra infraestrutura

19 de Dezembro de 2025, 17:59
Bandeira da Dinamarca hasteada contra céu azul com nuvens, representando o país
Inteligência da Dinamarca detectou DDoS (foto: Markus Winkler/Pexels)
Resumo

O serviço de inteligência da Dinamarca atribuiu à Rússia uma série de ataques cibernéticos contra infraestrutura do país. O anúncio veio nessa quinta-feira (18/12), quando o DDIS (Serviço de Inteligência de Defesa Dinamarquês) divulgou uma avaliação sobre incidentes ocorridos em 2024 e 2025.

Segundo o DDIS, os dois grupos atuam em nome do Estado russo. No caso, o Z-Pentest teria sido responsável pelo ataque a um serviço de água em 2024 enquanto o NoName057(16) teria conduzido ataques de negação de serviço (DDoS) antes das eleições municipais dinamarquesas, realizadas em novembro.

A agência classificou os ataques como parte de uma campanha híbrida russa contra nações ocidentais. O objetivo seria gerar insegurança em países que apoiam a Ucrânia, de acordo com o documento oficial.

Como foram os ataques?

O ataque ao serviço de água teve objetivo de destruir o sistema, embora o DDIS não tenha detalhado a extensão dos danos. Já no caso dos ataques DDoS, o grupo NoName057(16) sobrecarregou sites dinamarqueses, tirando-os do ar durante o período eleitoral.

O serviço de inteligência também afirmou que as eleições municipais foram usadas como plataforma para atrair atenção pública, um padrão observado em outras eleições recentes na Europa.

A Dinamarca apoia a Ucrânia desde a invasão russa de fevereiro de 2022, fornecendo equipamentos militares, treinamento e assistência financeira. O país também participa das sanções internacionais contra Moscou, o que seria a principal motivação para esses ataques.

Reação do governo dinamarquês

O ministro de defesa da Dinamarca, Troels Lund Poulsen, afirmou que os ataques são evidências de que a guerra híbrida mencionada pelo governo agora se concretiza no território europeu.

Em paralelo a isso, o Ministério das Relações Exteriores convocou o embaixador russo para esclarecimentos sobre os incidentes.

Alerta internacional sobre grupos pró-Rússia

Neste mês, a CISA emitiu um alerta conjunto com o FBI, NSA e outras 20 agências de segurança e inteligência de países como Austrália, Canadá, Reino Unido, França e Alemanha.

O documento, atualizado no dia 18 de dezembro, alertou que grupos de hackers ativistas pró-Rússia realizam ataques oportunistas contra infraestrutura crítica global. Além dos grupos já citados pela Dinamarca, o alerta também menciona o CARR (Exército Cibernético da Rússia Renascido) e o Sector16.

Outros países escandinavos enfrentaram situações parecidas. Por exemplo, em agosto, hackers pró-Rússia abriram válvulas de uma barragem na Noruega após invadirem sistemas operacionais da estrutura.

Dinamarca culpa Rússia por ataques cibernéticos contra infraestrutura

Imagem: Markus Winkler/Pexels

Polícia Federal investiga ataque DDoS contra parlamentares

2 de Dezembro de 2025, 10:33
Viatura da Polícia Federal
Ataque DDoS se torna alvo de operação da Polícia Federal (imagem: reprodução/PF)
Resumo
  • Polícia Federal iniciou Operação Intolerans para investigar ataques DDoS contra sites de deputados federais que apoiam Projeto de Lei nº 1904/2024;
  • Operação incluiu dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e Curitiba, com apoio de parceiros estrangeiros;
  • Sites dos deputados Alexandre Ramagem, Bia Kicis e Paulo Bilynskyj teriam sido alvos dos ataques.

Nesta terça-feira (02/12), a Polícia Federal deflagrou a Operação Intolerans, que tem o objetivo de deter e investigar suspeitos de terem realizado ataques DDoS contra sites de pelo menos três deputados federais que apoiam o Projeto de Lei nº 1904/2024, também conhecido como “PL Antiaborto”.

Ataques do tipo DDoS (negação de serviço distribuído) são aqueles em que os alvos, como sites ou serviços online, ficam sobrecarregados devido a um número muito grande de requisições (acessos) que não são legítimos. Como consequência, esses sites ou serviços ficam instáveis ou inoperantes.

Foi o que aconteceu nos ataques investigados, de acordo com a Polícia Federal:

As investigações identificaram que diversos sites de deputados federais foram alvo de ataques coordenados, resultando em instabilidade e períodos de indisponibilidade, afetando a comunicação institucional e a atuação legislativa.

A Polícia Federal só não deu detalhes sobre como os ataques foram efetuados, muito menos revelou quem são os suspeitos das ações. Sabe-se, porém, que a operação policial envolveu dois mandados de busca e apreensão nas capitais São Paulo (SP) e Curitiba (PR), nesta terça-feira.

Ainda de acordo com a Polícia Federal, a “Operação Intolerans contou com o apoio de parceiros estrangeiros por meio de cooperação jurídica internacional”.

Busca e apreensão da Operação Intolerans
Busca e apreensão da Operação Intolerans (fotos: divulgação/PF)

Quais deputados foram alvos dos ataques DDoS?

As autoridades tampouco revelaram quais parlamentares tiveram seus sites oficiais afetados pelos ataques DDoS, mas uma apuração do jornal O Globo aponta que ao menos três deputados foram alvos da ação: Alexandre Ramagem (PL-RJ), Bia Kicis (PL-DF) e Paulo Bilynskyj (PL-SP).

Todos os três deputados manifestaram apoio ao Projeto de Lei nº 1904/2024, que está parado na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família (CPASF) da Câmara dos Deputados desde agosto de 2024.

A Polícia Federal segue investigando os ataques, em sigilo.

Polícia Federal investiga ataque DDoS contra parlamentares

Ataque DDoS se torna alvo de operação da Polícia Federal (imagem: reprodução/PF)

Busca e apreensão da Operação Intolerans (fotos: divulgação/PF)
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