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China é capaz de bloquear sinal da Starlink, dizem cientistas

26 de Novembro de 2025, 13:02
Foto em preto e branco de Elon Musk, ao lado da marca da Starlink. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"
Elon Musk é o acionista controlador da Starlink (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Cientistas chineses afirmam que a China é tecnicamente capaz de bloquear a rede Starlink em Taiwan.
  • A operação usaria drones de guerra eletrônica para criar um “escudo eletromagnético”.
  • O estudo sugere que uma rede aérea de supressão, com drones espaçados entre 5 e 10 quilômetros, pode saturar receptores terrestres e impedir a comunicação via satélite.

Pesquisadores da Universidade de Zhejiang e do Instituto de Tecnologia de Pequim (BIT) concluíram que a China é tecnicamente capaz de bloquear o acesso à rede Starlink em toda a ilha de Taiwan.

Em estudo recente publicado no periódico Systems Engineering and Electronics, os autores indicam que a operação exigiria o desdobramento de uma grande frota de drones de guerra eletrônica para criar um “escudo eletromagnético”, visando neutralizar a comunicação via satélite em cenários de conflito.

Como funcionaria o escudo eletromagnético?

A simulação utilizou dados reais da Starlink para modelar um bloqueio total sobre os 36 mil km² do território taiwanês. O estudo, divulgado pelo South China Morning Post, descreve uma estratégia de interferência distribuída para superar a arquitetura da SpaceX.

Diferente de satélites geoestacionários fixos, a constelação de Elon Musk é móvel e composta por milhares de unidades em órbita baixa, o que a torna naturalmente resistente a bloqueios convencionais.

O maior desafio técnico é o “salto” de sinal. Os terminais em terra alternam conexões entre satélites em segundos, criando uma malha difícil de romper. Para superar essa redundância, a equipe liderada por Yang Zhuo propôs criar uma rede aérea de supressão.

Imagem da antena da starlink ao lado de uma pessoa com um celular na mão em um ambiente externo
Frota de drones criaria “escudo” capaz de neutralizar a Starlink (imagem: divulgação/Starlink)

Na simulação, uma grade de bloqueadores virtuais foi posicionada a 20 quilômetros de altitude. Esses dispositivos, embarcados em drones espaçados entre 5 e 10 quilômetros uns dos outros, formariam um “tabuleiro de xadrez” sobre a zona de operação.

O objetivo seria saturar os receptores terrestres com ruído, impedindo o downlink (comunicação do satélite para o usuário). A eficácia depende da sincronização desses nós para anular a capacidade dos terminais de discriminar o sinal legítimo.

Guerra na Ucrânia acendeu alerta

Imagem mostra o logo da Starlink ao lado de uma antena. Na parte inferior direta, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Algoritmos anti-interferência da Starlink são sigilosos (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A pesquisa é motivada pelo uso bem-sucedido da Starlink na Ucrânia, em meio à guerra com a Rússia, algo que a China considera uma ameaça crítica no cenário de tensão geopolítica e possível conflito.

Contudo, a estratégia enfrentaria resistência: Taiwan já investe em defesa antidrone e possui uma indústria capaz de desenvolver respostas à interferência de espectro.

A escala da operação chinesa varia conforme a potência do equipamento. No cenário ideal, com transmissores de alta potência (400 W/26 dBW) e antenas de precisão, seriam necessários 935 nós de interferência.

Porém, custos e logística favorecem um cenário com drones menores e de menor consumo. Nessa configuração mais realista, a frota necessária para manter o bloqueio subiria para cerca de 2 mil aeronaves.

A análise ainda destaca que a cobertura da Starlink é complexa e os dados são preliminares. Como a SpaceX mantém sigilo sobre algoritmos anti-interferência e padrões de radiação, o resultado real pode diferir da simulação.

China é capaz de bloquear sinal da Starlink, dizem cientistas

Elon Musk é o acionista controlador da Starlink (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(imagem: Divulgação/Starlink)

Antena Starlink (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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