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Justiça da Alemanha proíbe TCL de usar sigla QLED em TVs

19 de Março de 2026, 11:22
Estande da TCL na CES. Há uma estrutura suspensa com o logo da TCL e a frase Inspire Greatness. Várias pessoas passam diante do estande.
Testes indicam que construção de TVs da TCL não condizem com padrão QLED (imagem: divulgação)
Resumo
  • Justiça alemã concluiu que alguns modelos da TCL não possuem quantidade suficiente de pontos quânticos para justificar o termo QLED.
  • Essa tecnologia combina pontos quânticos com um painel LCD e iluminação de LEDs.
  • A Samsung introduziu as primeiras TVs QLED em 2017 e moveu o processo que resultou na decisão contra a TCL.

A Justiça da Alemanha proibiu a TCL de comercializar e promover algumas de suas televisões sob a sigla QLED. A decisão, resultado de um processo movido pela Samsung, afirma que os modelos em questão não possuem a estrutura e a performance de imagem que justificariam o uso do termo.

Segundo o portal Ars Technica, o tribunal concluiu que modelos como a série QLED870, vendida na Europa, aplicam apenas uma pequena quantidade de pontos quânticos em uma placa de difusão. A decisão aponta que o modelo adotado pela TCL não entrega a melhoria de reprodução de cor esperada pelos consumidores.

O que é uma tela QLED?

Foto de uma TV Samsung QLED AI TV
Samsung foi a primeira fabricante a vender TVs QLED (imagem: Ariel Liborio/Tecnoblog)

Para entender o que está em jogo na disputa, vale saber o que a sigla deveria significar. QLED (Quantum Dot Light-Emitting Diode) é uma tecnologia que combina pontos quânticos (QDs) com um painel LCD e uma iluminação traseira (backlight) de LEDs.

O funcionamento ocorre com a adição de uma camada de nanocristais semicondutores à estrutura tradicional do LCD. A luz azul emitida pelos LEDs ativa esses pontos quânticos, que reproduzem com precisão as cores do padrão RGB — vermelho, verde e azul — de acordo com seus tamanhos em escala nanométrica.

A Samsung foi pioneira ao lançar as primeiras TVs QLED em 2017, seguida pela LG, Sony e a própria TCL, que oferecem cores mais vibrantes e picos de brilhos mais altos a um preço mais acessível do que painéis OLED.

Samsung repercutiu análises negativas

Para embasar as acusações contra a TCL, a Samsung havia enviado à imprensa, há cerca de um ano, resultados de testes feitos pela certificadora londrina Intertek. A análise de modelos como 65Q651G, 65Q681G e 75Q651G revelou quantidades insuficientes de componentes químicos essenciais na fabricação de telas de pontos quânticos, como cádmio e índio.

Em comunicado após a vitória no tribunal alemão, a Samsung defendeu que os consumidores “nunca deveriam ter que questionar se estão recebendo a tecnologia que pensaram estar comprando”. Entretanto, a própria Samsung e outras fabricantes já foram criticadas por supostamente venderem aparelhos baseados em fósforo como se fossem QLED.

TCL tenta se consolidar no segmento premium

Televisor exibindo os logotipos TCL e Sony em tela com gráficos coloridos abstratos representando parceria entre as empresas
Parceria entre Sony e TCL vai criar joint venture para desenvolver e vender TVs (imagem: Diego Amorim/Tecnoblog)

A decisão alemã agrava a situação jurídica da TCL em outros mercados. Tanto a TCL quanto a Hisense enfrentam processos semelhantes nos Estados Unidos sobre a legitimidade de suas TVs QLED. O precedente europeu pode influenciar as negociações ou fortalecer a visão dos consumidores de que os aparelhos não entregam o que prometem.

Para especialistas, a TCL tenta se posicionar nos EUA como alternativa confiável à Samsung e à LG no segmento premium — que levou, inclusive, a um acordo pela divisão de TVs da Sony —, e a publicidade negativa do processo pode atrapalhar esses planos.

Justiça da Alemanha proíbe TCL de usar sigla QLED em TVs

(Imagem: Ariel Liborio/Tecnoblog)

Parceria entre Sony e TCL vai criar joint venture para desenvolver e vender TVs Bravia a partir de 2027. (Imagem: Diego Amorim/Tecnoblog)

Tribunal do Cade mantém decisão que libera rivais da Meta AI no WhatsApp

4 de Março de 2026, 12:31
Ilustração mostra o logotipo do WhatsApp com um leve blur na imagem, em um fundo de cor vermelha. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
WhatsApp terá que conviver com IAs rivais (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Cade manteve a decisão que permite chatbots concorrentes da Meta AI no WhatsApp, como Luzia e Zapia.
  • Novos termos de uso do WhatsApp, que proibiam chatbots de concorrentes, foram bloqueados.
  • A decisão do Cade foi unânime, negando o recurso apresentado pela Meta.

O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu manter a medida preventiva que, na prática, libera chatbots de inteligência artificial concorrentes à Meta AI no WhatsApp, como Luzia e Zapia.

A decisão proíbe a entrada em vigor dos novos termos de uso do WhatsApp. Anunciados em outubro de 2025, eles têm como objetivo barrar o acesso ou o uso de seu ecossistema por provedores e desenvolvedores de IA.

O Tribunal avaliou que a exclusão total das ferramentas de IA não seria proporcional e que as novas regras poderiam prejudicar a livre concorrência no mercado.

O julgamento foi decidido por unanimidade, negando recurso interposto pela Meta e mantendo a medida preventiva imposta pela Superintendência-Geral do Cade (SG-Cade). A companhia argumentava que os chatbots podem sobrecarregar sua infraestrutura e que os desenvolvedores de IA não podem depender do WhatsApp.

Procurada pelo Tecnoblog, a assessoria de imprensa da Meta enviou o seguinte comunicado:

Onde formos legalmente obrigados a disponibilizar chatbots de IA por meio da API do WhatsApp, estamos atualizando nossos termos e nosso modelo de preços para que possamos continuar a oferecer suporte a esses serviços.

Relembre o caso

Os novos termos de uso do WhatsApp foram anunciados em outubro de 2025. Eles têm como objetivo proibir o acesso ou o uso de seu ecossistema por provedores e desenvolvedores de IA.

Luzia e Zapia entraram com representação junto ao Cade e solicitaram uma medida preventiva. As duas empresas oferecem chatbots de IA primariamente via WhatsApp. Elas alegaram que as novas regras poderiam afetar o mercado brasileiro de IA, dado que o mensageiro da Meta é o mais usado no país.

Dois dias antes de as novas regras começarem a valer, o Cade proibiu as mudanças nos termos de uso do WhatsApp, mantendo a permissão para IAs concorrentes no aplicativo.

Tribunal do Cade mantém decisão que libera rivais da Meta AI no WhatsApp

WhatsApp fora do ar (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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