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Asus pode encerrar divisão de celulares para focar em IA

19 de Janeiro de 2026, 15:31
Traseira do Zenfone 10, na cor vermelha, com duas câmeras
Linhas Zenfone e ROG Phone podem não ter novos modelos (foto: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)
Resumo
  • O presidente do conselho da Asus, Jonney Shih, afirmou que a empresa não ampliará o portfólio de celulares.
  • Segundo o site Mashdigi, a Asus pode investir em Physical AI, incluindo robótica e dispositivos inteligentes, realocando recursos da divisão de smartphones.
  • Os últimos lançamentos globais da Asus foram o Zenfone 12 Ultra e o ROG Phone 9 FE em 2025.

A Asus pode ser a próxima fabricante a deixar de lado o mercado mobile. Segundo o site taiwanês Mashdigi, o presidente do conselho da empresa, Jonney Shih, afirmou que a companhia não pretende ampliar ou renovar o portfólio de celulares.

As falas ocorreram durante um evento corporativo na sexta-feira (16/01), em Taipei, capital de Taiwan. Ao site, o executivo revelou que a Asus “não irá mais aumentar a variedade de modelos de smartphones”, evitando, no entanto, usar termos como encerramento definitivo ou abandono do mercado.

Shih também teria dito que a empresa seguirá dando suporte aos aparelhos já vendidos, mas que a divisão de celulares entrará em um estágio de “observação indefinida” do mercado. A Asus não confirmou, até agora, a mudança de estratégia.

Foco estaria em dispositivos de IA

A suspensão dos smartphones estaria ligada a uma reorganização estratégica da Asus. A empresa pretende concentrar os investimentos de pesquisa e desenvolvimento em PCs comerciais e em iniciativas relacionadas ao que chama de “Physical AI” (IA Física).

Esse é um conceito que inclui áreas como robótica, dispositivos inteligentes e óculos inteligentes, como os futuros dispositivos da Meta, que devem focar em IA. Segundo os relatos, a Asus planeja realocar equipes e tecnologias antes ligadas aos smartphones para projetos desse tipo.

O redirecionamento de foco da Asus também ocorre em um momento financeiramente positivo para o grupo. Graças aos investimentos em servidores de IA, a empresa reportou uma receita anual de aproximadamente US$ 23,6 bilhões (R$ 126 bilhões), um crescimento de 26% em relação ao ano anterior.

Outra companhia que abandonou o mercado mobile e investe nesse tipo de tecnologia é a LG, que demonstrou um robô doméstico durante a CES 2026.

Quais os últimos lançamentos da Asus?

Captura de um vídeo demonstrando três versões do Zenfone 12 Ultra. Da esquerda para a direita: um modelo branco, verde e um preto.
Zenfone 12 Ultra foi último lançamento da empresa na linha principal (imagem: reprodução/Asus)

As declarações não configuram, até o momento, um anúncio oficial de saída do mercado. Ainda assim, a divisão de smartphones da Asus pode já ter entrado em um período de suspensão indefinida, sem previsão para novos modelos.

Em 2025, a Asus lançou apenas dois smartphones globalmente: o Zenfone 12 Ultra e o ROG Phone 9 FE. Caso a estratégia se confirme, os últimos aparelhos da marca seriam:

  • Asus Zenfone 12 Ultra (2025)
  • Asus ROG Phone 9 FE (2025)
  • Asus Zenfone 11 Ultra (2024)
  • Asus ROG Phone 9 (2024)
  • Asus ROG Phone 9 Pro (2024)

No Brasil, o último celular vendido oficialmente foi o Zenfone 11 Ultra. O Zenfone 12 Ultra não chegou ao país por canais oficiais, assim como o ROG Phone 9, que ainda não teve lançamento oficial no mercado brasileiro, embora ambos possam ser encontrados em lojas importadoras.

Asus pode encerrar divisão de celulares para focar em IA

Zenfone 10 tem câmera dupla (Imagem: Giovanni Santa Rosa/Tecnoblog)

(imagem: reprodução/Asus)

EUA vão revisar chips da Nvidia antes de venda para a China

10 de Dezembro de 2025, 11:15
Imagem mostra um chip de computador prateado, com o logo e o nome "NVIDIA" em preto, centralizado em uma placa-mãe escura cheia de pequenos componentes eletrônicos.
Produtos fabricados em Taiwan agora farão escala nos EUA (imagem: divulgação/Nvidia)
Resumo
  • Os chips H200 da Nvidia passarão por revisão de segurança nos EUA antes de serem exportados para a China.
  • O governo dos EUA visa garantir que apenas compradores aprovados recebam os chips, aplicando uma camada extra de fiscalização.
  • Com a medida, o governo poderá contornar restrições legais e cobrar uma tarifa de importação de 25%.

Autoridades do governo dos Estados Unidos determinaram que os chips de inteligência artificial H200 da Nvidia deverão passar por uma inédita “revisão de segurança nacional” antes de serem exportados para a China.

A medida afeta diretamente a cadeia de suprimentos da empresa de chips, já que os componentes são fabricados principalmente em Taiwan, pela TSMC, e agora deverão ser enviados ao país norte-americano antes da comercialização.

De acordo com o Wall Street Journal, a estratégia foi adotada para conter riscos e equilibrar interesses comerciais sob a gestão Trump, funcionando como uma camada extra de fiscalização.

Por que os chips precisam passar pelos EUA?

A rota logística complexa — de Taiwan para os EUA e, em seguida, para a China — é descrita por especialistas como uma manobra incomum. Normalmente, os chips sairiam da fábrica em Taiwan diretamente para os clientes finais.

A passagem obrigatória pelo território americano contorna um obstáculo jurídico. A Constituição dos EUA proíbe o governo federal de impor impostos sobre exportações. Ao importar os chips de Taiwan primeiro, o governo pode taxar as vendas em 25% como uma tarifa de importação, tornando a cobrança legal.

Além da questão fiscal, fontes ouvidas pelo jornal afirmam que a escala nos EUA permitirá uma avaliação física para garantir que apenas compradores aprovados recebam os chips. No entanto, ainda não há detalhes claros sobre como essa revisão será realizada ou sua eficácia, na prática.

GPU Nvidia (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Estratégia visa garantir fatia de 25% das vendas aos cofres americanos (foto: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Desacordo sobre segurança nacional

A decisão, naturalmente, gerou debate. A principal crítica é que a medida pode corroer a atual vantagem dos EUA sobre os avanços em IA.

Segundo o CEO da Nvidia, Jensen Huang, o mercado chinês está se desenvolvendo muito rápido no setor e a presença de uma empresa norte-americana seria vital para conter esse crescimento. “Não devemos ceder todo o mercado a eles”, afirmou Huang.

A fabricante chinesa Huawei, vale lembrar, prepara a entrega em massa de um chip similar ao da empresa norte-americana.

Paralelamente ao anúncio, o Wall Street Journal lembra que o Departamento de Justiça dos EUA acusou dois empresários por tráfico de chips da Nvidia. O caso daria base para o temor de que a tecnologia pode cair nas mãos de rivais. A Nvidia negou o contrabando.

EUA vão revisar chips da Nvidia antes de venda para a China

GPU Nvidia (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

China é capaz de bloquear sinal da Starlink, dizem cientistas

26 de Novembro de 2025, 13:02
Foto em preto e branco de Elon Musk, ao lado da marca da Starlink. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"
Elon Musk é o acionista controlador da Starlink (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • Cientistas chineses afirmam que a China é tecnicamente capaz de bloquear a rede Starlink em Taiwan.
  • A operação usaria drones de guerra eletrônica para criar um “escudo eletromagnético”.
  • O estudo sugere que uma rede aérea de supressão, com drones espaçados entre 5 e 10 quilômetros, pode saturar receptores terrestres e impedir a comunicação via satélite.

Pesquisadores da Universidade de Zhejiang e do Instituto de Tecnologia de Pequim (BIT) concluíram que a China é tecnicamente capaz de bloquear o acesso à rede Starlink em toda a ilha de Taiwan.

Em estudo recente publicado no periódico Systems Engineering and Electronics, os autores indicam que a operação exigiria o desdobramento de uma grande frota de drones de guerra eletrônica para criar um “escudo eletromagnético”, visando neutralizar a comunicação via satélite em cenários de conflito.

Como funcionaria o escudo eletromagnético?

A simulação utilizou dados reais da Starlink para modelar um bloqueio total sobre os 36 mil km² do território taiwanês. O estudo, divulgado pelo South China Morning Post, descreve uma estratégia de interferência distribuída para superar a arquitetura da SpaceX.

Diferente de satélites geoestacionários fixos, a constelação de Elon Musk é móvel e composta por milhares de unidades em órbita baixa, o que a torna naturalmente resistente a bloqueios convencionais.

O maior desafio técnico é o “salto” de sinal. Os terminais em terra alternam conexões entre satélites em segundos, criando uma malha difícil de romper. Para superar essa redundância, a equipe liderada por Yang Zhuo propôs criar uma rede aérea de supressão.

Imagem da antena da starlink ao lado de uma pessoa com um celular na mão em um ambiente externo
Frota de drones criaria “escudo” capaz de neutralizar a Starlink (imagem: divulgação/Starlink)

Na simulação, uma grade de bloqueadores virtuais foi posicionada a 20 quilômetros de altitude. Esses dispositivos, embarcados em drones espaçados entre 5 e 10 quilômetros uns dos outros, formariam um “tabuleiro de xadrez” sobre a zona de operação.

O objetivo seria saturar os receptores terrestres com ruído, impedindo o downlink (comunicação do satélite para o usuário). A eficácia depende da sincronização desses nós para anular a capacidade dos terminais de discriminar o sinal legítimo.

Guerra na Ucrânia acendeu alerta

Imagem mostra o logo da Starlink ao lado de uma antena. Na parte inferior direta, o logotipo do "tecnoblog" é visível.
Algoritmos anti-interferência da Starlink são sigilosos (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A pesquisa é motivada pelo uso bem-sucedido da Starlink na Ucrânia, em meio à guerra com a Rússia, algo que a China considera uma ameaça crítica no cenário de tensão geopolítica e possível conflito.

Contudo, a estratégia enfrentaria resistência: Taiwan já investe em defesa antidrone e possui uma indústria capaz de desenvolver respostas à interferência de espectro.

A escala da operação chinesa varia conforme a potência do equipamento. No cenário ideal, com transmissores de alta potência (400 W/26 dBW) e antenas de precisão, seriam necessários 935 nós de interferência.

Porém, custos e logística favorecem um cenário com drones menores e de menor consumo. Nessa configuração mais realista, a frota necessária para manter o bloqueio subiria para cerca de 2 mil aeronaves.

A análise ainda destaca que a cobertura da Starlink é complexa e os dados são preliminares. Como a SpaceX mantém sigilo sobre algoritmos anti-interferência e padrões de radiação, o resultado real pode diferir da simulação.

China é capaz de bloquear sinal da Starlink, dizem cientistas

Elon Musk é o acionista controlador da Starlink (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

(imagem: Divulgação/Starlink)

Antena Starlink (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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