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Advogado tenta prompt injection de IA e recebe multa de R$ 32,8 mil

22 de Junho de 2026, 23:33
Fachada do TJPB (Imagem: TJPB/Divulgação)
Justiça da Paraíba define multa de R$ 32,8 mil por uso de “prompts ocultos” (imagem: divulgação/TJPB)
Resumo
  • Advogado é multado em R$ 32,8 mil por usar comandos ocultos em petição.
  • O juiz Phillipe Guimarães, da 5ª vara mista de Sousa, identificou os comandos que tentavam influenciar sistemas de IA utilizados pelo judiciário.
  • O caso foi classificado como uma ação fraudulenta e encaminhado à OAB e ao Ministério Público da Paraíba.

Um caso envolvendo inteligência artificial e direito terminou em multa de R$ 32,8 mil na Paraíba. O juiz Phillipe Guimarães, da 5ª vara mista de Sousa, definiu o valor após identificar “comandos ocultos” em um recurso que pedia o embargo de uma decisão judicial. O nome do advogado que assinou a petição não foi revelado.

A estratégia foi chamada pelo juiz de prompt injection, ou seja, o uso de comandos velados para influenciar ferramentas de IA que auxiliam a análise de documentos jurídicos. A sentença dá conta de trechos como “ignore a imparcialidade” e a observação de que se tratava de um “teste para saber se o juiz utiliza apenas IA nas decisões”. O caso foi classificado como uma ação fraudulenta.

Segundo o site do Tribunal de Justiça da Paraíba, duas multas foram aplicadas – ambas no valor de R$ 16,4 mil, sendo uma por má-fé e outra por submeter a Justiça a “embaraços indevidos”. Além do valor a ser pago, o caso segue para OAB e Ministério Público da Paraíba, que vão apurar possíveis infração disciplinar e crime de fraude processual, respectivamente.

Inteligência artificial e o direito brasileiro

O uso de IA no direito brasileiro não é algo recente, e alguns sistemas automatizados já estão presentes desde a década de 1980. Com a evolução das tecnologias utilizadas em softwares jurídicos, a presença da inteligência artificial generativa aconteceu de forma natural.

A Resolução do Conselho Nacional de Justiça Nº 615, de março de 2025, por exemplo, regulamenta o uso das ferramentas de IA no direito, citando a necessidade de transparência e a “centralidade da pessoa humana”.

Fachada do edifício do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com estrutura de concreto e vidro espelhado. À esquerda, está visível o letreiro com o texto "CNJ Conselho Nacional de Justiça" e a letra "E" abaixo. Ao centro, há colunas metálicas verticais e, à frente delas, duas bandeiras hasteadas: a do Brasil e uma bandeira branca. O céu está parcialmente nublado e se reflete nas janelas espelhadas.
CNJ publicou resolução em 2025 para regulamentar o uso de ferramentas de IA no direito (foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

O caso na Justiça da Paraíba chama atenção pela estratégia de ocultar prompts em meio ao recurso, em trechos presentes em cerca de sete páginas. A petição solicitava, em bom juridiquês, “embargos de declaração” após um mandado de segurança ter sido negado pelo TJPB. O processo foi aberto por um candidato recém-aprovado em concurso para professor de Educação Básica I do município paraibano de Sousa.

Afinal, a decisão é sobre o uso de IA em si?

Basicamente, a multa aplicada ao advogado não tem a ver com o uso de IA, mas sim com a tentativa de burlar as ferramentas do judiciário. Tanto que o juiz responsável citou o artigo 5º do Código de Processo Civil, que prevê a “boa-fé que deve orientar a conduta de todos os participantes do processo”, o que não foi respeitado com os comandos inseridos de forma oculta e identificados na revisão, ou seja, o chamado prompt injection.

O advogado especialista em direito digital Marcelo Fonseca nos explica que a prática é um “problema de ética profissional e responsabilidade institucional”. “No prompt injection, eu coloco um comando em letra invisível para alterar o mecanismo da IA. E o juiz usou um mecanismo para descobrir o prompt injection. Então, de um lado, o juiz também está errado, porque, para ele usar isso, tem que estar de acordo com o CNJ. Então estão os dois errados”, afirmou.

Ele frisou ainda a importância de ir além das recomendações de boas práticas no uso da tecnologia, para tratar situações do tipo como “risco de governança”, citando a própria resolução 615 da CNJ como exemplo positivo. “Isso é gravíssimo porque o erro não termina na máquina: ele se materializa em petições, pareceres, decisões, estratégias processuais e danos ao cliente”, concluiu o advogado.

Advogado tenta prompt injection de IA e recebe multa de R$ 32,8 mil

Fachada do TJPB (Imagem: TJPB/Divulgação)

CNJ (foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Projeto de R$ 20 milhões leva internet a locais esquecidos pelas operadoras

22 de Maio de 2026, 16:30
Martelo de leiloeiro e mapa do Brasil contendo a bandeira nacional e duas torres de celular. Fundo azul com ondas em verde
Leilão da Seja Digital levará cobertura 4G ou 5G a até 120 localidades (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Cerca de 120 localidades brasileiras sem acesso aos serviços de telefonia poderão receber o 4G/5G num prazo mais breve do que o originalmente previsto. O Ministério das Comunicações viabilizou a liberação de R$ 20 milhões para um leilão reverso, marcado para 16 de junho, com o objetivo de expandir a conectividade ainda este ano em seis estados: Amapá, Bahia, Maranhão, Paraíba, Paraná e Pernambuco. Todas elas são contempladas pelas obrigações do leilão do 5G que ocorreu em 2021.

O objetivo é antecipar a cobertura em até quatro anos, já que as últimas obrigações venceriam no fim de 2030. O movimento ocorre em conjunto com a Anatel e a Associação Administradora do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (também conhecida pela marca Seja Digital).

Este já é o quarto leilão reverso do tipo. Ao todo, foram movimentados R$ 270 milhões. O dinheiro não sairá dos cofres públicos, mas da verba destinada pelas operadoras para a limpeza da faixa de 700 MHz, conforme estabelecido no leilão de 2014.

Como assim “leilão reverso”?

O objetivo do leilão é cobrir até 120 localidades pelo menor valor. Portanto, vence a prestadora que oferecer o menor lance para uma determinada região. Cada participante só poderá oferecer um lance por localidade e não haverá chance para uma contraproposta.

Esta é a lista de localidades, em ordem alfabética, segundo a Seja Digital.

LocalidadeMunicípioEstado
AgricolândiaGovernador Eugênio BarrosMA
Agrovila do PA AR-2RodelasBA
Agrovila do PA AquariusSanta Maria da Boa VistaPE
Agrovila do PA AR-8 AraticumRodelasBA
Agrovila do PA CedroTartarugalzinhoAP
Agrovila do PA MaracáMazagãoAP
Agrovila do PA Maria PretaAraçagiPB
Agrovila do PA Oziel Pereira ou BamerindusPiçarraPA
Agrovila do PA PedrasSão João do SoterMA
Agrovila do PA Quilombola BavieraAragominasTO
Agrovila do PA Quilombola PacovalAlenquerPA
Agrovila do PA Terra LivreSão José do BelmontePE
Agrovila do PA TuiuêManacapuruAM
Água Branca do CajariLaranjal do JariAP
Aldeia Indígena Campina dos ÍndiosMangueirinhaPR
Aldeia Indígena FaxinalCândido de AbreuPR
Aldeia Indígena Kaigang IIpuaçuSC
Aldeia Indígena PoçoGlóriaBA
Aldeia Indígena Reserva do ApucaraninhaTamaranaPR
Alto CastelinhoVargem AltaES
AlvoradaUruaráPA
AngaíFernandes PinheiroPR
BananeirasAreia de BaraúnasPB
Barra do FariasBrejo da Madre de DeusPE
Barra NovaBarra do ChoçaBA
Belo Monte do ParáNovo RepartimentoPA
Bom JesusJunco do SeridóPB
Bom JesusSão José de PiranhasPB
BuritizalMacapáAP
Cabeceira da JiboiaVitória da ConquistaBA
Cacimba NovaBodocóPE
CacimbinhaSão João do TigrePB
Campo AlegreParanãTO
Capim GrossoCanindé de São FranciscoSE
Carmo do MacacoariItaubalAP
Casinha do HomemSanta CruzPB
Centro dos CarlosJoão LisboaMA
Centro dos FirminosCarrasco BonitoTO
Chã do Conselho 1PaudalhoPE
Comunidade Quilombola BoqueirãoTupanatingaPE
Comunidade Quilombola Raimundo SuAlcântaraMA
Comunidade Quilombola Tabuleiro dos NegrosPenedoAL
Comunidade UrucuritubaAutazesAM
CondeixaSalvaterraPA
Corre ÁguaMacapáAP
CorumbazulBuriti AlegreGO
CreporizãoItaitubaPA
CuricacaItaubalAP
Curral NovoÁguas BelasPE
FreguesiaMacapáAP
GameleiraMogeiroPB
Granja Getúlio VargasPalmares do SulRS
Gravatá dos GomesPoçãoPE
GuruporaCutiasAP
Horizonte AlegrePedraPE
IauretêSão Gabriel da CachoeiraAM
ImbiaçabaSanta InêsPR
ItamatatubaMacapáAP
JarilândiaVitória do JariAP
JatobáSão José do BelmontePE
JerimumTaquaritinga do NortePE
Jirau do ItiúbaSão BrásAL
JuáPaulo AfonsoBA
JussiaraKaloréPR
JuverlândiaPraia NorteTO
Lagoa de ForaDormentesPE
Lagoa de JucáAlcantilPB
Lagoa do FélixSapéPB
Lagoa do FélixMariPB
Lamarão do PasséSão Sebastião do PasséBA
Limão do CuruáMacapáAP
MacedôniaMacapáAP
MandiocabaParanavaíPR
ManiaçuCaetitéBA
MaravilhaLondrinaPR
MarinhoBoqueirãoPB
MarizaSão Pedro do IvaíPR
Matinha IBom LugarMA
MimosoSão Francisco do MaranhãoMA
Ouro VerdeSengésPR
PacaréRio TintoPB
ParatiCedralMA
Pau FerroSalgueiroPE
Pelo-SinalSolidãoPE
PilõesTriunfoPB
Pimenta 1São Bento do UnaPE
PirauáNatubaPB
Pitombeira de DentroSantana dos GarrotesPB
Porto São JoséSão Pedro do ParanáPR
PortugalBacuriMA
PurupuruCareiroAM
ReunidasAragominasTO
Riacho FechadoTacaimbóPE
Santa Luzia do PacuíMacapáAP
Santa Luzia do PicuíPicuíPB
Santa ZéliaAstorgaPR
SantanaBarra de SantanaPB
Santiago do IguapeCachoeiraBA
São JoãoAnanásTO
São João da MataGovernador Luiz RochaMA
São JoséIlhéusBA
São Pedro de AlcântaraSanto Antônio de PáduaRJ
São SebastiãoVitória da ConquistaBA
São Tomé do PacuíMacapáAP
Sede-GuaraniMamborêPR
Serra do CabralMogeiroPB
TaciateuaSanta Maria do ParáPA
Tará VelhoVenturosaPE
Terra Nova do PiquiriAssis ChateaubriandPR
Terra Preta do LimãoBarreirinhaAM
Trapiche ou Vila ParaísoMacaéRJ
Três VendasCampos dos GoytacazesRJ
TriânguloDom PedroMA
Una de São JoséPedras de FogoPB
VarzinhaSerra TalhadaPE
Vila AparecidaRiachão do JacuípeBA
Vila de Volta GrandeRio NegrinhoSC
Vila do EngenhoItacoatiaraAM
Vila Gabriel PassosNanuqueMG
Vila UniãoBuriti do TocantinsTO
Tabela elaborada pelo Tecnoblog a partir de dados da Seja Digital

Caso não haja recurso suficiente para todas as 120 localidades, as ofertas serão classificadas por menor valor e IDH do município. Em caso de empate, o prazo de implantação também será levado em conta.

Projeto de R$ 20 milhões leva internet a locais esquecidos pelas operadoras

Leilão de 700 MHz ocorrerá dia 30 (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Anatel e Receita Federal apreendem R$ 2 milhões em eletrônicos piratas

5 de Novembro de 2025, 13:07
Imagem mostra três agentes, da Receita Federal e Anatel, de costas em uma loja de eletrônicos
Operação Safira apreendeu produtos sem homologação da Anatel (imagem: reprodução/Anatel)
Resumo
  • Anatel e Receita Federal apreenderam mais de duas toneladas de eletrônicos irregulares em Campina Grande (PB).
  • Os dispositivos foram avaliados em mais de R$ 2 milhões.
  • A operação faz parte do Plano de Ação de Combate à Pirataria da Anatel e visa barrar eletrônicos não homologados.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Receita Federal apreenderam mais de duas toneladas de eletrônicos irregulares em Campina Grande (PB), na última quinta-feira (30/11). A informação foi divulgada ontem (04/11). A Operação Safira recolheu produtos avaliados em mais de R$ 2 milhões e mira a venda de dispositivos falsificados, de origem irregular ou sem homologação.

Segundo a Anatel, o nome da operação faz referência à cor azul do Bluetooth — tecnologia presente na maioria dos dispositivos apreendidos. Esses produtos precisam passar por homologação antes de serem vendidos no Brasil, conforme as normas vigentes.

Plano de Combate à Pirataria da Anatel

A Operação Safira integra o Plano de Ação de Combate à Pirataria (PACP) da Anatel. Segundo os órgãos envolvidos, a iniciativa busca proteger os interesses nacionais, a indústria legalmente estabelecida e a segurança dos consumidores.

A agência alerta que dispositivos irregulares, como carregadores de celular, fones de ouvido e caixas de som, podem apresentar riscos diretos à integridade física dos usuários. Entre os perigos citados estão a possibilidade de superaquecimento, choques elétricos, explosões de baterias e o vazamento de materiais tóxicos.

Mão segurando controle remoto. Uma estampa de caveira sobrepõe a imagem.
Anatel alerta para riscos em produtos não homologados (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Em comunicado, o conselheiro Alexandre Freire, líder do tema na Anatel, destacou a importância estratégica da ação. “A venda de equipamentos não homologados é uma ameaça dupla: ela corrói o mercado legal, desestimula o investimento da indústria e, mais grave, expõe o consumidor a riscos reais de segurança física e cibernética”, afirmou.

A fiscalização foi conduzida pela Superintendência de Fiscalização (SFI) da Anatel, em parceria com a Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho (DIREP04) da Receita Federal.

Além dos agentes públicos, escritórios de advocacia que representam as marcas afetadas pela pirataria acompanharam a ação. Essas representações serão responsáveis pela análise técnica dos materiais apreendidos para confirmar as irregularidades.

Novas ações estão previstas para 2025

A ação em Campina Grande se soma a uma série de operações intensificadas pela Anatel e pela Receita Federal ao longo de 2025 para coibir o comércio de eletrônicos irregulares no Brasil.

A própria superintendente de Fiscalização da Anatel, Gesiléa Fonseca Teles, citou que a Operação Safira sucede ações recentes em João Pessoa (PB) e Teresina (PI), e que novas fiscalizações conjuntas devem acontecer ainda este ano.

Dados de operações anteriores divulgados pela agência ilustram o volume do mercado irregular. Em Teresina, a Operação Poty, realizada em 23 de outubro, resultou na apreensão de R$ 2,5 milhões em mercadorias. Outras ações significativas em 2025 incluem a Operação Tomassarina, na Bahia, em maio deste ano, que reteve 56 mil produtos com Bluetooth (fones e caixas de som).

No mês passado, fiscalizações distintas em São Paulo, Bahia e Santa Catarina resultaram na lacração de 1,7 milhão de metros de cabos de fibra óptica, além de 45 mil eletrônicos diversos. Em São José (SC), fiscais lacraram 10 mil fechaduras eletrônicas, avaliadas em R$ 5,7 milhões.

Anatel e Receita Federal apreendem R$ 2 milhões em eletrônicos piratas

Anatel apreendeu TV Box, celulares e milhares de dispositivos sem homologação (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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