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Bots superam humanos e geram 57,5% do tráfego da internet

4 de Junho de 2026, 17:13
Ilustração de tipos de inteligência artificial, com robôs humanoides. Na parte inferior direita, o logo do "tecnoblog" é exibido.
Brasil ainda tem mais humanos que bots (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

O CEO da empresa de infraestrutura de internet Cloudflare revelou que há mais bots do que seres humanos na internet. De acordo com Matthew Prince, o tráfego automatizado responde por 57,5% das requisições do tipo HTTP, contra 42,5% dos acessos orgânicos, feitos por pessoas reais.

Prince confessou que a marca foi atingida antes do previsto por ele mesmo. Inicialmente, a virada deveria acontecer no fim de 2027. Depois, passou para o início do próximo ano, mas o fato se concretizou em junho de 2026. É a primeira vez que os agentes que navegam sozinhos ultrapassam as pessoas de carne e osso na história da internet.

Essa contagem não considera robôs que tradicionalmente já navegavam por sites, como os usados pelo Google para ler as páginas e exibi-las nos resultados de busca. Estamos realmente falando de agentes checando informações por ordem de seus usuários.

Os locais com maior incidência de acessos de bots são Gibraltar (92,1%), Singapura (76,4%) e Irã (76,4%). No Brasil, os humanos ainda são a maioria (50,9%), mas por uma tênue diferença em relação aos bots (49,1%).

O que os bots fazem?

Gráfico mostra a distribuição de requisições HTTP de conteúdo HTML: 49,1% bot e 50,9% humano
Distribuição entre humanos e bots no Brasil no começo de junho (imagem: reprodução)

De acordo com a Cloudflare, os bots leem páginas de produtos, checam preços, comparam opções de voos e indexam conteúdo para modelos de IA. Eles também pedem comida e interagem com serviços de atendimento ao cliente. Ou seja, fazem de tudo – e cada vez mais.

Eu recentemente pedi ao Claude que acessasse um carrinho de compras na Shopee e buscasse pelos mesmos produtos (ou similares) na Amazon e no Mercado Livre. Adivinhe só? Ele não conseguiu concluir a tarefa, alegando que os domínios dos e-commerces ficam bloqueados na extensão para Chrome.

Humanos ainda engajam mais

O critério adotado pela Cloudflare, de requisições HTTP, exclui os engajamentos realizados em sites, apps, serviços de streaming e redes sociais. Nós ainda somos a maioria neste tipo de aplicação online.

Bots superam humanos e geram 57,5% do tráfego da internet

Inteligência artificial (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Distribuição entre humanos e bots no Brasil no começo de junho (imagem: reprodução)

Cloudflare revela motivo do pior apagão em seis anos

19 de Novembro de 2025, 10:33
Rede da Cloudflare ao redor do mundo (imagem: divulgação)
Resumo
  • A Cloudflare enfrentou um apagão de cinco horas devido a uma atualização incorreta no sistema anti-bot, afetando plataformas como ChatGPT e X.
  • O CEO Matthew Prince assumiu a responsabilidade e anunciou medidas técnicas, incluindo validação rigorosa de arquivos e botões de emergência globais.
  • A falha começou com uma consulta mal configurada no ClickHouse, causando duplicação de dados e erros HTTP 5xx.

A Cloudflare enfrentou sua pior interrupção desde 2019 na terça-feira (18/11), deixando fora do ar plataformas globais como ChatGPT, X e até o site do Tecnoblog por cerca de cinco horas. A falha foi causada por uma atualização incorreta no sistema anti-bot, que gerou sobrecarga em servidores críticos após duplicação acidental de dados de configuração.

Num comunicado oficial, seu CEO assumiu a responsabilidade pelo incidente, inicialmente confundido com um ataque DDoS, e anunciou quatro medidas técnicas para evitar novas quedas. Entre elas, estão mecanismos de desligamento emergencial e revisão rigorosa de arquivos internos, parte de esforços para fortalecer a infraestrutura da empresa.

Problema começou em sistema anti-bot

O CEO Matthew Prince explicou que a falha ocorreu durante atualização de segurança no ClickHouse, sistema de análise de dados usado internamente. Uma consulta mal configurada passou a listar colunas duplicadas após mudança de permissões. Isso fez o arquivo de configuração pesar duas vezes seu tamanho normal.

Clientes que não usavam a função anti-bot permaneceram online.

Gráfico de erros 5xx na Cloudflare em 18/11: pico de falhas a partir das 11:20 UTC devido a arquivo de configuração incorreto, com flutuações e recuperação até 17:06 (UTC). Análise técnica do incidente que derrubou ChatGPT e X.
Gráfico do volume de erros HTTP 5xx na rede da Cloudflare em 18/11 (imagem: divulgação)

O sistema de proxy central entrou em colapso ao carregar o arquivo corrompido, gerando erros HTTP 5xx. Serviços como Workers KV e Cloudflare Access também foram afetados indiretamente. Inicialmente, a equipe suspeitou que fosse um ataque DDoS de grande escala.

Falha afetou serviços globais por horas

A partir das 8h28, cerca de 20% dos sites que usam a rede da Cloudflare começaram a apresentar falhas. Até a página que dá o status da operação da Cloudflare ficou offline, indicando falsamente suspeitas de ataque. A equipe identificou o real problema às 11h24.

“Dada a importância da Cloudflare no ecossistema da internet, qualquer interrupção em qualquer um dos nossos sistemas é inaceitável. O fato de ter havido um período em que nossa rede não conseguiu rotear tráfego é profundamente doloroso para cada membro da nossa equipe. Sabemos que falhamos com vocês hoje.”

– Matthew Prince, CEO da Cloudflare

A recuperação exigiu a substituição manual do arquivo defeituoso e a reinicialização dos servidores. O tráfego normalizou gradualmente até as 14h06.

“Em nome de toda a equipe da Cloudflare, gostaria de pedir desculpas pelos transtornos que causamos à Internet hoje.”

– Matheus Prince, CEO da Cloudflare

Empresa lista medidas para o futuro

A Cloudflare detalhou quatro medidas técnicas para evitar a repetição do problema. Em resumo, são elas:

  • Validação rigorosa de arquivos internos: Tratar configurações geradas pela própria Cloudflare como se fossem dados externos, com verificações automáticas de tamanho e formato antes de serem aplicados;
  • Botões de emergência globais: Criar mecanismos para desligar rapidamente funções problemáticas em toda a rede, como “freios de emergência” digitais;
  • Controle de relatórios de erro: Limitar automaticamente o volume de logs e registros detalhados de falhas (core dumps) para evitar que congestionem servidores durante crises;
  • Testes de cenários extremos: Simular falhas em módulos essenciais (como o proxy que roteia tráfego) para identificar gargalos e adicionar redundâncias, garantindo que um erro não derrube todo o sistema.

A companhia também reconheceu atrasos na recuperação de seu próprio dashboard interno durante a crise, prometendo melhorar a escalabilidade de sistemas críticos para equipes de resposta rápida. As medidas começam a ser implementadas imediatamente, com prioridade para os botões de emergência e a validação de arquivos.

Com informações de The Verge

Cloudflare revela motivo do pior apagão em seis anos

Rede da Cloudflare ao redor do mundo (imagem: divulgação)

Gráfico do volume de erros HTTP 5xx na rede Cloudflare durante a interrupção do dia 18/11. Os horários estão em UTC.
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