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Samsung faz compra bilionária mirando mercado de carros autônomos

23 de Dezembro de 2025, 13:04
Imagem mostra a palavra "SAMSUNG" sendo exibida no centro, em letras brancas e maiúsculas. O fundo, em tom azul escuro, mostra elementos desfocados que sugerem um ambiente de escritório. Na parte inferior direita, o logotipo do "Tecnoblog" é visível.
Samsung é dona da Harman desde 2017 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Harman, subsidiária da Samsung, comprou a divisão de sistemas avançados de assistência ao motorista da ZF por US$ 1,5 bilhão.
  • A aquisição inclui a transferência de 3.750 funcionários e será concluída no segundo semestre de 2026.
  • A Samsung fortalece sua posição no setor automotivo, enquanto a ZF busca pagar dívidas e focar em suas tecnologias principais.

A Harman anunciou a compra da divisão de sistemas avançados de assistência ao motorista da companhia alemã ZF Friedrichshafen em um acordo de US$ 1,5 bilhão (R$ 8,34 bilhões, em conversão direta).

A Harman é uma subsidiária da Samsung com presença forte em sistemas de som automotivos, além de ser dona de marcas famosas como JBL e AKG.

Fábrica de produtos "lifestyle" da JBL
Fábrica de produtos “lifestyle” da Harman, como as caixas JBL, em Manaus (imagem: reprodução/Harman)

Já a ZF é uma fornecedora de peças para carros de marcas como BMW e Volkswagen, incluindo caixas de câmbio. A companhia alemã investia também em sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS, na sigla em inglês), presentes em carros autônomos e semiautônomos.

A negociação ainda precisa passar pelo crivo de autoridades regulatórias. A previsão é que ela seja concluída no segundo semestre de 2026. Além da transferência de tecnologias, 3.750 funcionários da ZF na Europa, nas Américas e na Ásia deverão se mudar para a Harman.

Samsung fortalece posição no setor automotivo

De acordo com a empresa sul-coreana, a aquisição dará acesso a tecnologias e produtos de assistência de direção, como câmeras e controles. Assim, a companhia entra completamente nesse mercado.

“Combinada com a expertise automotiva de longa data da Harman e apoiada pela liderança ampla da Samsung em tecnologia, [a compra] nos posiciona para ajudar fabricantes a desenhar a próxima geração de veículos inteligentes, empáticos e conectados”, diz Christian Sobottka, CEO da divisão veicular da Harman, em comunicado divulgado pela Samsung.

Após a conclusão do negócio, a Harman vai integrar as tecnologias de ADAS em seus planos de computação centralizada e cockpit digital. “Os recursos comprovados de ADAS da ZF, combinados com nossa experiência em infoentretenimento e conectividade na cabine, nos permitirão reunir soluções de segurança, conforto, inteligência e experiência no veículo em uma única plataforma”, afirma a companhia em seu blog.

Na avaliação da Reuters, o movimento é uma forma de a Samsung diversificar suas atividades, indo além de smartphones e chips, e fortalecer sua posição no mercado de eletrônicos para carros.

ZF ganha fôlego para lidar com crise

Mathias Miedreich, CEO do ZF Group, diz que a venda ajuda a empresa a pagar suas dívidas e se concentrar nas tecnologias nas quais a companhia é uma líder global. A Reuters menciona que a ZF pretende eliminar 14 mil cargos na Alemanha, em meio a dificuldades do setor no país.

Com informações da Reuters e do Wall Street Journal

Samsung faz compra bilionária mirando mercado de carros autônomos

Samsung (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Fábrica de produtos "lifestyle" da JBL (imagem: reprodução/Harman)

Como a JBL luta contra a falsificação de caixas de som no Brasil

6 de Outubro de 2025, 10:14
Caixa de som JBL Xtreme 4
Caixa de som JBL Xtreme 4 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Resumo
  • Responsável pela JBL, Harman utiliza múltiplas frentes para combater produtos falsificados, incluindo fabricação nacional e parcerias com autoridades;

  • Site oficial e canais verificados em marketplaces ajudam a garantir autenticidade aos consumidores;

  • Produtos JBL falsificados movimentaram R$ 500 milhões somente em 2023.

Uma rápida pesquisa no Google por “JBL” mostra que o site oficial da marca no Brasil leva o título “JBL Original”. Essa é uma das várias estratégias adotadas pela Harman para lidar com o problema dos fones e caixas de som falsificados que ostentam o selo JBL.

Pertencente à Samsung Electronics desde 2017, a Harman responde por marcas de equipamentos de áudio como AKG, Harman Kardon e Lexicon. Mas, pelo menos no Brasil, a marca mais importante da Harman em termos de penetração no mercado é a JBL.

Apesar de ter sido fundada em 1946 e de há décadas ser conhecida por audiófilos no Brasil, a JBL ganhou força no país a partir de 2010, quando a Harman comprou a fabricante de alto-falantes gaúcha Selenium.

O negócio permitiu à Harman traçar estratégias específicas para o Brasil. O efeito disso é que, em poucos anos, os produtos da JBL caíram no gosto do brasileiro.

Mas tamanho sucesso teve um efeito colateral: é fácil encontrar produtos JBL falsificados, tanto em plataformas online quanto em lojas físicas. A prática é tão disseminada que produtos que pirateiam a marca JBL movimentaram cerca de R$ 500 milhões somente em 2023, de acordo com estimativas da própria Harman.

Como a JBL enfrenta a pirataria?

Como a pirataria é um problema complexo, que envolve tanto produtos falsificados quanto contrabandeados, não existe solução pronta. A Harman recorre a uma estratégia de múltiplas vias para atacar a ilegalidade.

O Tecnoblog visitou a fábrica da JBL, em Manaus (AM), e pôde conversar com Rodrigo Kniest, presidente da Harman no Brasil. O executivo contou que a produção nacional de caixas de som JBL, por si só, já contribui para o combate à pirataria por permitir que produtos originais fiquem mais acessíveis no país.

Produtos da JBL que já são ou serão produzidos pela Harman no Brasil
Produtos da JBL que já são ou serão produzidos pela Harman no Brasil (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

É claro que produtos falsificados ainda são mais baratos. Mas os subsídios fiscais proporcionados pela produção na Zona Franca de Manaus permitem que o produto chegue com um valor mais acessível ao consumidor que faz questão de um equipamento JBL original.

Outra abordagem antipirataria envolve ações conjuntas com autoridades. Nesse sentido, a Harman trabalha ao lado de órgãos como a Receita Federal e a Polícia Federal para coibir a distribuição de equipamentos de áudio falsos ou importados ilegalmente.

Ações do tipo levaram a Receita Federal a apreender mais de 250 mil caixas de som e fones de ouvido que imitam produtos JBL e Harman Kardon em 2022, só para dar um exemplo.

Kniest conta que tornar o site oficial da JBL um canal de vendas também faz parte dessa estratégia. Além de apresentar todo o portfólio de dispositivos que a JBL comercializa oficialmente no Brasil, o site assegura ao consumidor que ele receberá um produto original ao comprar ali.

O mesmo vale para os canais oficiais da marca em marketplaces, a exemplo da página da JBL no Mercado Livre.

O problema dos produtos falsificados não prejudica apenas a Harman. Os consumidores que buscam um produto original, mas adquirem uma imitação por não saberem distinguir um item do outro, acabam se deparando com problemas como qualidade de áudio inferior e falta de suporte técnico.

É por isso que o trabalho da Harman junto à imprensa e influenciadores digitais acaba sendo, também, um mecanismo de combate às falsificações. As análises feitas por esses canais dão aos consumidores noções importantes do que eles podem esperar de cada produto. “O coração de tudo é o esclarecimento”, pontua Kniest.

Rodrigo Kniest, presidente da Harman no Brasil
Rodrigo Kniest, presidente da Harman no Brasil (imagem: reprodução/Harman)

O brasileiro pesquisa antes de comprar

Não é exagerada a perspectiva de que consumidores também saem perdendo com aparelhos falsificados.

Se por um lado há quem compre uma caixa de som não original sabendo dessa condição, seja por dar pouco valor a parâmetros de qualidade, seja por limitações de orçamento, por outro, grande parte dos consumidores anseia pelos atributos oferecidos pelos produtos legítimos.

Prova disso é que a Harman não demorou a notar quão exigentes são os consumidores brasileiros. Rodrigo Kniest conta que, com relação a caixas de som, por exemplo, o brasileiro pensa muito antes da escolha, busca informação antes de comprar. “Não é um ato de impulso”, completa o executivo. Normalmente, esse tipo de consumidor passa longe de produtos piratas.

Há várias formas de descobrir se uma caixa de som JBL é falsa. Mas, como recomendação mais importante, Kniest orienta desconfiar de preços muito baixos em relação à média do mercado: “não tem milagre; 30%, 40% ou 50% menos é sinal de produto não original”.

Emerson Alecrim viajou para Manaus a convite da Harman

Como a JBL luta contra a falsificação de caixas de som no Brasil

Caixa de som JBL Xtreme 4 (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Produtos da JBL que já são ou serão produzidos pela Harman no Brasil (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Rodrigo Kniest, presidente da Harman no Brasil

Onde nascem as caixas de som JBL? Harman mostra produção no Brasil

3 de Outubro de 2025, 11:03
Resumo
  • Fábrica da Harman na Zona Franca de Manaus produz caixas de som JBL e sistemas automotivos para marcas como Toyota e Volkswagen, por exemplo;
  • Produção de caixas de som JBL envolve processos robotizados e manuais, com destaque para a linha Boombox 3, que tem cerca de 1.000 unidades produzidas por dia atualmente;
  • Harman planeja expandir a produção em 2026, o que incluirá a linha Boombox 4 e outros produtos JBL.
Fábrica da JBL (Harman) em Manaus
Fábrica da JBL (Harman) em Manaus (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Nem tudo é “made in China” no Brasil. A indústria nacional de eletroeletrônicos resiste e insiste, principalmente na Zona Franca de Manaus (AM). É de lá que sai boa parte das caixas de som e alto-falantes produzidos pela Harman para o mercado brasileiro, com destaque para aqueles que levam a marca JBL.

A convite da própria Harman, o Tecnoblog foi conhecer o parque fabril. São cerca de 10.000 m² divididos em duas estruturas principais. Uma delas é dedicada à produção de sistemas de som automotivo. Entre os clientes da Harman nesse segmento estão companhias como Toyota, Volkswagen e Stellantis.

Causou surpresa encontrar, ali, um número pequeno de funcionários. A explicação está no fato de quase toda a linha de produção ser robotizada. À equipe desse setor cabe tarefas como supervisionar a montagem dos produtos à medida que eles avançam pelas linhas, garantir que as máquinas estejam funcionando corretamente e recebendo insumos, e fazer inspeções de qualidade.

Já a segunda estrutura da fábrica é direcionada a produtos lifestyle, que incluem um tipo de produto que caiu no gosto do consumidor brasileiro: as famosas caixas de som JBL.

Boombox 3 na linha de produção
Boombox 3 na linha de produção (imagem: reprodução/Harman)

JBL Boombox, PartyBox e mais

A área de lifestyle é diferente. Muito mais gente trabalha ali. Há processos robotizados ou automatizados nessa parte da fábrica, mas grande parte dos trabalhos de montagem e testagem dos produtos é feita por pessoas especializadas em procedimentos específicos.

Até daria para automatizar mais essa área. Mas cada produto precisa de uma linha de fabricação dedicada. E cada produto é fabricado durante um ano e meio, em média, ao contrário dos sistemas da área automotiva, que ficam em linha por três anos ou mais. Um nível muito elevado de robotização tornaria os produtos de lyfestile mais caros, portanto.

O trabalho artesanal, por assim dizer, também contribui para o fator qualidade. Na linha de torres de som PartyBox, por exemplo, a produção começa dentro de uma área de marcenaria na fábrica. Isso porque a estrutura desses equipamentos é de madeira, melhor dizendo, compensado naval.

Nas etapas seguintes, a caixa recebe uma espécie de massa como revestimento e vai para a pintura ou, dependendo do modelo, recebe o acabamento externo (este na fase final da montagem).

Depois disso é que a montagem da torre de som começa, de fato. Neste ponto não há segredo: a caixa avança pela linha de produção de modo que, em cada etapa, receba componentes específicos até a montagem ser concluída.

Caixas de som recém-saídas da marcenaria da fábrica (imagem: reprodução/Harman)
Caixas de som recém-saídas da marcenaria da fábrica; em destaque está Fabricio Gemaque, diretor sênior de operações (imagem: reprodução/Harman)

Um detalhe interessante é que cada produto tem a sua própria câmara de teste de som e conectividade. Há equipamentos que testam parâmetros do áudio por conta própria, mas cada câmara também conta um funcionário que cuida dessa etapa. Ao menor sinal de falha ou de resultados fora do padrão, o item é separado para análise.

A linha de montagem que mais chamou a atenção é a da Boombox 3. Pudera: trata-se de um dos produtos mais populares da JBL (e cujo modelo sucessor entrará em produção em 2026). Para você ter ideia, a Harman fabrica atualmente cerca de 1.000 unidades da linha por dia no Brasil.

Não há estrutura amadeirada nas caixas Boombox 3, mas a sua montagem segue processos igualmente rigorosos. Por exemplo, em uma das etapas de teste, um aparelho extrai o ar do alto-falante até o seu esgotamento. Se, do contrário, ar continuar sendo extraído, a caixa é separada para avaliação. Isso porque esse é um sinal de que está entrando ar no interior do produto e, portanto, a vedação não está completa.

O rigor nas inspeções envolve até laboratórios que, tanto nas linhas automotivas quanto nas de lyfestile, separam produtos já finalizados para análises por amostragem. Se algum problema for identificado nesse processo, a linha de montagem correspondente é conferida, bem como o lote do produto problemático.

Fábrica de produtos "lifestyle" da JBL
Fábrica de produtos “lifestyle” da JBL (imagem: reprodução/Harman)

Vem mais produtos para a fábrica da Harman em Manaus

A fábrica da Harman é importante, entre outras razões, para tornar os produtos da JBL mais acessíveis no Brasil, efeito oriundo principalmente dos benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus. É por isso que a variedade de produtos fabricados por lá vai aumentar.

Produtos da JBL que já são ou serão produzidos pela Harman no Brasil
Produtos da JBL que já são ou serão produzidos pela Harman no Brasil (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Já no primeiro trimestre de 2026, a unidade deverá fabricar a linha Boombox 4 para atender ao mercado brasileiro. O sistema automotivo JBL Legend 700, o headset gamer JBL Quantum 100, e as caixas JBL Partybox Encore Essential 2 e JBL Partybox Encore 2 também são esperadas para o próximo ano.

Em tempo: a Harman está por trás de marcas como AKG, Harman Kardon e JBL. A companhia tornou-se uma subsidiária integral da Samsung Electronics em 2017.

Emerson Alecrim viajou para Manaus a convite da Harman

Onde nascem as caixas de som JBL? Harman mostra produção no Brasil

Fábrica da JBL (Harman) em Manaus (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Boombox 3 na linha de produção (imagem: reprodução/Harman)

Caixas de som recém-saídas da marcenaria da fábrica (imagem: reprodução/Harman)

Fábrica de produtos "lifestyle" da JBL (imagem: reprodução/Harman)

Produtos da JBL que já são ou serão produzidos pela Harman no Brasil (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
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