Google Stitch agora pode criar interfaces por comandos de voz

Resumo
- Google Stitch agora permite criar interfaces de usuário por comandos de voz com o recurso vibe design.
- A atualização inclui uma “tela infinita” e novos recursos: Gerenciador de Agentes, DESIGN.md e prototipagem interativa.
- Após o anúncio do Google, as ações da Figma, principal plataforma de UI/UX, caíram cerca de 8%.
O Google lançou uma grande atualização para o Stitch, sua plataforma de design de inteligência artificial. A empresa introduziu um recurso “vibe design”, função que permite a qualquer pessoa, mesmo sem conhecimento técnico, criar interfaces de usuário (UI) utilizando apenas comandos de voz e texto.
Segundo o comunicado, o objetivo é transformar a maneira como os softwares são desenvolvidos. A ideia do Google é que o foco deixe de ser o domínio de ferramentas complexas de edição gráfica e passe a ser a comunicação com a máquina.
O que é o vibe design do Google Stitch?

O vibe design é um formato de criação em que o usuário dita as características e objetivos de uma interface como se estivesse conversando com um assistente virtual — o nome deriva do vibe coding. Segundo o portal XDA, em vez de começar um projeto desenhando botões e menus manualmente, o usuário pode simplesmente explicar o objetivo do software ou até citar exemplos de aplicativos que o inspiram.
O Stitch processa essas informações usando diversos agentes de IA. O grande diferencial desta atualização, no entanto, é o suporte aos comandos de voz. É possível solicitar, por exemplo, que a IA crie três opções de menu diferentes para uma página, ou que mude a tela atual para uma paleta de cores mais escura em tempo real.
Para acomodar essa nova dinâmica de trabalho, a interface do Stitch foi reformulada e agora conta com uma “tela infinita” que abriga rascunhos conceituais até os protótipos finais. Os criadores podem arrastar imagens, blocos de texto e trechos de código para a área de trabalho, e a IA utiliza todo esse material para gerar a interface mais adequada.

Para organizar o processo de desenvolvimento, a empresa destaca a chegada de três recursos complementares:
- Gerenciador de Agentes, que permite trabalhar em múltiplas ideias de design sem perder o histórico do projeto;
- O formato DESIGN.md, um arquivo criado para IA que facilita a importação ou extração de identidades visuais;
- E a prototipagem interativa, que traz um botão “Reproduzir” que simula o fluxo do aplicativo.
Após a conclusão da interface, o design pode ser exportado diretamente para ferramentas de programação, como o AI Studio e o Antigravity.
Mercado teme substituição pela IA
Segundo o Business Insider, as ações da Figma — hoje a principal plataforma colaborativa de design de UI e UX do mundo — registraram uma queda de cerca de 8% logo após o anúncio do Google, acumulando mais 5% de retração ao longo da quinta-feira (19/03).
Essa forte reação reflete o receio de investidores de que a IA generativa possa substituir rapidamente os softwares tradicionais e mudar drasticamente a demanda por profissionais de design. Contudo, os principais executivos do setor de tecnologia têm ido a público para tentar acalmar os ânimos.
Jensen Huang, CEO da Nvidia, declarou recentemente que a ideia de que a IA vai extinguir as empresas de software é “a coisa mais ilógica do mundo”. Sam Altman, CEO da OpenAI, pontuou que a indústria de software não está morta, mas a forma como criamos, desenhamos e consumimos aplicações vai mudar.
Google Stitch agora pode criar interfaces por comandos de voz
