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Nova bateria criada na China pode dobrar tempo de voo de drones

15 de Maio de 2026, 08:14
DJI Mini 3 Pro RC N1
Drones podem ter capacidade de voo dobrada com nova tecnologia em baterias de lítio e enxofre (imagem: divulgação/DJI)
Resumo
  • Bateria de lítio e enxofre desenvolvida na Universidade de Tsinghua, na China, pode dobrar tempo de voo de drones.
  • A nova bateria tem eficiência de 549 Wh/kg, enquanto baterias de íon-lítio têm média de 300 Wh/kg.
  • A tecnologia pode ser usada em drones robustos, de resgate e de entrega de produtos, e também pode ser testada em outras reações, como baterias de fluxo e metal-lítio.

Pesquisadores de Shenzhen, na China, produziram uma bateria de lítio e enxofre que pode ser uma nova solução para a indústria de drones, principalmente pensando em modelos mais robustos. O componente é capaz de controlar melhor a dissipação de energia, um dos grandes problemas da categoria. Segundo os cientistas, isso é possível por conta de uma nova estratégia molecular que também aumenta a eficiência do produto.

Os atuais drones comerciais em geral utilizam baterias de íon-lítio, com capacidade bem inferior. Enquanto a novidade permite uma eficiência de 549 Wh/kg, os componentes atuais têm uma média de 300 Wh/kg.

Futuro das baterias pode estar próximo

Fábrica de produção de baterias de veículos elétricos. Close-up de componentes de bateria de alta tensão de íons de lítio para veículos elétricos ou carros híbridos. Módulo de bateria para linha de produção da indústria automotiva.
Controlar a dissipação de energia em baterias de lítio e enxofre é o grande desafio da tecnologia (imagem: iStock/SweetBunFactory)

A principal dificuldade de estabilizar baterias de lítio e enxofre passa pela alta dissipação de energia, difícil de ser controlada com as tecnologias atuais. O estudo, realizado por pesquisadores da Universidade de Tsinghua, produziu o componente utilizando um pré-mediador específico para o enxofre, ativado apenas quando o elemento entra em fase de reação eletroquímica.

Em outras palavras, esse aditivo garante que o transporte da carga elétrica ocorra de forma mais direcionada, evitando que a energia se perca em forma de calor. O trabalho acontece a nível molecular e, conforme divulgado pelo jornal China Daily, a resistência do produto é até 75% maior que baterias convencionais de lítio e enxofre. Nos testes, foram realizados 800 ciclos de carga e descarga, com 82% da capacidade original sendo mantida ao longo do processo.

Como isso pode impactar o mercado?

Drone da Speedbird leva entregas do iFood (Imagem: divulgação/iFood)
Drones de entrega ganhariam autonomia maior com nova tecnologia de bateria (imagem: divulgação/iFood)

A alta capacidade prometida por baterias de lítio e enxofre é interessante sobretudo para drones robustos, já que a proposta passa pelo alto desempenho por quilo transportado. Ainda assim, uma mudança nos drones comerciais também seria interessante. Outra vantagem interessante é o preço do componente, menor que as baterias de íon-lítio pois o enxofre custa menos.

Os pesquisadores também falaram sobre possíveis usos em drones de resgate, utilizados em situações de risco, além de modelos voltados para entrega de produtos e comida, que teriam uma produtividade maior. A tecnologia também será testada em outras reações, como em baterias de fluxo (reaproveitáveis), metal-lítio e em processos de reciclagem de componentes.

Os testes divulgados nesta semana foram feitos em laboratório. Até o momento não há nenhum relato de uso real dessa nova bateria de lítio e enxofre. Portanto, ainda não dá para prever se a tecnologia será, de fato, empregada a nível comercial, e tampouco se será algo viável nos drones que chegam às lojas.

Nova bateria criada na China pode dobrar tempo de voo de drones

(imagem: iStock/SweetBunFactory)

Drone da Speedbird leva entregas do iFood (Imagem: divulgação/iFood)

Como o novo drone dos EUA ‘copiado’ do Irã está mudando a guerra

7 de Março de 2026, 10:18

A forma como as guerras são travadas está passando por mudanças profundas. É o que aponta uma reportagem publicada pelo The New York Times neste sábado (07). O jornal destaca o uso de drones baratos e fabricados em massa. E como isso tem desafiado tecnologias militares tradicionais e caras.

As forças militares dos Estados Unidos utilizaram pela primeira vez em combate o LUCAS, drone desenvolvido pela startup SpektreWorks por meio de engenharia reversa. A operação, executada na última semana, mirou infraestruturas e sistemas de defesa aérea no Irã. E foi em resposta a ataques iranianos que atingiram aeroportos, hotéis e embaixadas em países do Golfo Pérsico, como Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos.

Drones baratos marcam transição na estratégia do Pentágono para travar guerras

O uso do drone LUCAS reforça como o Pentágono passou a priorizar a produção em massa de armas baratas e descartáveis em vez de focar exclusivamente em tecnologias multibilionárias, segundo o jornal. Entenda abaixo os pontos centrais da reportagem:

O surgimento do drone LUCAS (EUA)

Drones LUCAS, usados pelos Estados Unidos na guerra contra o Irã
Startup SpektreWorks desenvolveu o drone LUCAS por meio de engenharia reversa do modelo iraniano Shahed (Imagem: Centro de Comando dos EUA)

Os Estados Unidos criaram um sistema de ataque chamado LUCAS (sistema de combate não tripulado e barato). O ponto mais curioso é que o LUCAS é uma cópia “reversa” do drone iraniano Shahed

Militares americanos perceberam que o drone do Irã era tão simples, barato e eficaz que decidiram fabricar sua própria versão para atacar alvos justamente no Irã e sobrecarregar suas defesas aéreas.

Drone Shahed e o caos no Golfo Pérsico

O drone iraniano Shahed tornou-se uma arma temida. Ele foi usado para atacar aeroportos, arranha-céus e embaixadas em países do Golfo Pérsico, como Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita.

  • Características: O drone tem cerca de três metros de comprimento, custa US$ 35 mil (aproximadamente R$ 184 mil) e pode voar centenas de quilômetros sozinho após a inserção das coordenadas;
  • Objetivos do Irã: Causar pânico, desestabilizar economias e mostrar força interna por meio de vídeos de explosões que circulam na mídia.

Vantagens e desvantagens de drones estilo LUCAS e Shahed

  • Vantagens: São muito baratos, fáceis de fabricar rapidamente (o LUCAS foi feito em 18 meses) e letais o suficiente para forçar o inimigo a gastar fortunas em defesa;
  • Desvantagens: São lentos, barulhentos (fáceis de ouvir chegando), carregam poucos explosivos e podem ter a navegação interrompida por interferência eletrônica.

Uma nova lógica de guerra: O barato contra o caro

A guerra está mudando de estilo, aponta o New York Times. E esse novo estilo pende mais para a rapidez de inovação do Vale do Silício do que para a burocracia tradicional do Pentágono.

Algumas cifras dão uma ideia disso. Enquanto um drone LUCAS ou Shahed custa U$ 35 mil, um míssil de cruzeiro Tomahawk custa cerca de US$ 2,5 milhões (R$ 13 milhões).

Além disso, é muito caro se defender desses drones. Para você ter ideia, um único tiro para derrubar um Shahed pode custar até US$ 3 milhões (R$ 16 milhões). Como são pequenos e lentos, eles muitas vezes “enganam” os radares, que confundem os drones com pássaros ou aviões civis.

Lições da guerra na Ucrânia

O conflito entre Irã e nações do Golfo é visto como uma evolução do que já acontece na Ucrânia.

De um lado, a Rússia agora possui suas próprias fábricas de drones estilo Shahed e fez melhorias que foram compartilhadas de volta com o Irã. 

De outro, a Ucrânia tornou-se a maior especialista do mundo em derrubar esses drones. O país usa desde metralhadoras até sensores acústicos que “ouvem” o barulho de motor de cortador de grama que os drones fazem.

O futuro: IA e produção em massa

Drones LUCAS, usados pelos Estados Unidos na guerra contra o Irã
Próximos passos são construir milhares de drones baratos de ataque e usar IA para que eles voem em “enxames” (Imagem: Centro de Comando dos EUA)

A reportagem do NYT indica que o uso dessas armas só vai aumentar. Isso porque: 1) O governo dos EUA destinou US$ 1,1 bilhão (R$ 6 bilhões) para um programa que visa construir milhares desses drones de ataque; e 2) O próximo passo é usar a inteligência artificial (IA) para tornar esses drones ainda mais independentes e eficazes, permitindo que voem em “enxames” ou acompanhem aviões de caça pilotados por humanos.

O post Como o novo drone dos EUA ‘copiado’ do Irã está mudando a guerra apareceu primeiro em Olhar Digital.

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