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Escassez faz marca lançar kit de memória RAM com módulo fictício

13 de Março de 2026, 11:10
Kit com RAM verdadeira e módulo fictício
Kit com RAM verdadeira e módulo fictício (imagem: reprodução/V-Color)
Resumo
  • V-Color lançou kits de memória RAM “1+1” com um módulo DDR5 verdadeiro e um módulo fictício;
  • kits incluem modelos DDR5-6400 de 16 GB (Manta DDR5 XSky) e DDR5 de 24 GB (Manta DDR5 XFinity) com módulos falsos que preservam a iluminação LED;
  • Corsair já explorou ideia dos módulos fictícios, mas V-Color parece estar mais engajada nessa proposta.

Está faltando memória RAM no mercado e isso faz os preços desses componentes dispararem. Aparentemente, esse cenário levou a V-Color a apelar para uma solução que leva o conceito de “gambiarra” a sério: vender um kit “1+1”, que traz um módulo DDR5 verdadeiro e outro falso.

São dois kits, na verdade, ambos focados em computadores com chip AMD Ryzen. Um traz um módulo DDR5-6400 com 16 GB de capacidade (Manta DDR5 XSky). O outro conta com um módulo de 24 GB (Manta DDR5 XFinity). Ambos são acompanhados de um “módulo de preenchimento”, ou seja, de uma memória RAM falsa com visual similar ao módulo verdadeiro e que preserva a iluminação LED.

Mais do que proporcionar o efeito psicológico de parecer comprar um par de memórias, o kit tem um apelo estético: não deixar slots vazios na placa-mãe de um PC gamer que, como tal, causariam a impressão de estar faltando algo ali.

Nesse sentido, a V-Color declarou:

O objetivo desta solução 1+1 de DDR5 é oferecer aos jogadores uma maneira mais flexível e acessível de começar sua configuração com DDR5 sem sacrificar a aparência ou o potencial de atualização futura [de seu PC].

Abordagem "1+3", com um módulo verdadeiro e três fictícios
Abordagem “1+3”, com um módulo verdadeiro e três fictícios (imagem: reprodução/V-Color)

Módulos de RAM fictícios não são inéditos

A Corsair já explorou a ideia com seus kits de iluminação de memória RAM que, na realidade, consistem em módulos falsos para preencher slots vazios.

Curiosamente, esse “produto” fez a Corsair divulgar um tutorial que ensina a diferenciar módulos fictícios dos verdadeiros. Isso porque, diante da atual crise de memória RAM, alguns lojistas estão vendendo, em marketplaces, kits de iluminação como se fossem módulos verdadeiros.

Se a V-Color não é a primeira empresa a explorar a ideia, pelo menos parece ser a mais engajada nessa proposta. Além dos kits “1+1”, a marca também sugeriu uma abordagem “1+3”, com uma memória RAM verdadeira e três módulos de preenchimento.

Bom, não dá para recriminar. Diz o ditado popular que “enquanto uns choram, outros vendem lenços”. Eu só espero que a indústria como um todo não resolva vender lenços.

Escassez faz marca lançar kit de memória RAM com módulo fictício

Kit com RAM verdadeira e módulo fictício (imagem: reprodução/V-Color)

Abordagem "1+3", com um módulo verdadeiro e três fictícios (imagem: reprodução/V-Color)

Escassez de memória RAM leva fabricantes a lucros recordes

9 de Janeiro de 2026, 15:06
Preço de kits DDR5 de 32 GB saltou para mais de R$ 3.200 no Brasil (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A escassez de RAM impulsionou lucros recordes para as principais fabricantes de memória no mundo.
  • No Brasil, o preço de kits de 32 GB de memória RAM aumentou até 270% em menos de seis meses, devido à alta demanda de IA e custos de importação.
  • A previsão é que o preço médio da memória RAM suba até 33% em 2026, com a escassez persistindo.

O mercado global de semicondutores fechou 2025 com o preço nas alturas. A pressão veio da oferta restrita de componentes e, sobretudo, da escassez de RAM impulsionada pela demanda da indústria de IA. As principais fabricantes de memória, porém, comemoram: os resultados financeiros das empresas superam marcas históricas.

A Samsung Electronics, líder mundial no segmento, divulgou um lucro operacional estimado entre 19,9 e 20,1 trilhões de won coreanos (aproximadamente R$ 74,3 bilhões) para o quarto trimestre de 2025.

O salto é significativo quando comparado ao mesmo período de 2024, momento em que a empresa registrou 6,4 trilhões de won (R$ 24 bilhões). O resultado foi tão positivo que a Samsung ofereceu aos funcionários, como bônus de desempenho, cerca de 43% e 48% dos salários anuais.

A tendência de valorização não se restringe à Samsung. A SK Hynix reportou seu “melhor desempenho trimestral de todos os tempos” no terceiro trimestre de 2025. Com lucro operacional de 11,3 trilhões de won (cerca de R$ 41,8 bilhões), a fabricante atribuiu o sucesso ao aumento nos investimentos em infraestrutura de IA.

Já a Micron, que recentemente optou por deixar de vender memórias diretamente para o consumidor final para focar no fornecimento a outras empresas (B2B), está colhendo frutos da crise. O lucro líquido da companhia subiu de US$ 1,8 bilhão (R$ 10 bilhões) no início de 2025 para US$ 5,2 bilhões (R$ 28,1 bilhões) — o maior fluxo de caixa livre da história da empresa, segundo o CEO Sanjay Mehrotra.

Por que os preços da memória RAM subiram tanto?

Diversos pentes de memória RAM
Fábricas priorizam atender demanda de servidores de IA (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

No varejo brasileiro, a leitura desses relatórios financeiros bilionários é acompanhada por um choque de realidade. Enquanto no mercado internacional o preço de um kit de 32 GB de DDR5-6000 subiu para cerca de US$ 340 (R$ 1.825) em janeiro de 2026, o impacto por aqui foi multiplicado pelo câmbio e taxas de importação.

Em agosto de 2025, um kit de entrada de 32 GB DDR5 podia ser encontrado em lojas nacionais por aproximadamente R$ 850. Atualmente, o mesmo produto não sai por menos de R$ 3.200 em grandes varejistas — mais de 270% de alta em menos de seis meses.

Essa escalada de preços tem duas causas principais, ambas ligadas à IA generativa. A primeira são projetos colossais como o Stargate, da OpenAI, que demandam volumes massivos de DRAM para servidores. Segundo analistas, essa demanda pode consumir até 40% da produção mundial, deixando o mercado de PCs domésticos com o que resta de estoque.

A segunda causa é técnica. A fabricação de Memória de Alta Largura de Banda (HBM), essencial para as GPUs da Nvidia usadas em data centers, ocupa cerca de três vezes mais espaço em um wafer de silício do que a mesma quantidade de memória DDR5 comum. Como as fabricantes estão priorizando a HBM devido às margens de lucro superiores, a oferta de memórias para consumidores finais foi drasticamente reduzida.

Panorama para 2026

Analistas do Bank of America indicam que o alívio não deve chegar tão cedo. A previsão é que o preço médio de memória RAM suba até 33% ao longo de 2026.

Contudo, o setor permanece atento ao boom da IA. Caso a demanda por serviços de inteligência artificial apresente uma desaceleração, as fabricantes podem enfrentar um novo ciclo de excesso de oferta, similar ao ocorrido em 2023.

Por ora, as empresas trabalham com a expectativa de que a escassez persistirá além de 2026, mantendo os preços — e lucros — em patamares elevados.

Escassez de memória RAM leva fabricantes a lucros recordes

Aumento de preço da memória RAM (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Memórias RAM (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Russos apelam para RAM feita em casa como forma de driblar crise

26 de Dezembro de 2025, 12:04
Diversos pentes de memória RAM
Indústria diz que não é possível aumentar a produção de RAM no mesmo ritmo da demanda (foto: Everton Favretto/Tecnoblog)
Resumo
  • Russos estão montando RAM em casa usando PCBs e circuitos integrados de marketplaces chineses.
  • O custo para montar um pente de 16 GB é de cerca de 12 mil rublos russos, equivalente a US$ 152.
  • Adaptadores de memória de notebook e PCs sem RAM são algumas alternativas para lidar com escassez e preços altos.

Youtubers e entusiastas em tecnologia russos estão tentando montar seus próprios chips de memória DDR5, obtendo as partes principais de diferentes fontes e juntando tudo em casa.

A discussão surgiu no canal de Telegram do youtuber Pro Hi-Tech. Um entusiasta com o nome de usuário Vik-on diz ser possível conseguir PCBs em marketplaces chineses por aproximadamente R$ 35. PCB é sigla para “placa de circuito impresso”, que serve como base para os circuitos integrados de memória.

Preço da memória RAM deve encarecer smartphones e PCs em 2026 (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A outra parte do processo é conseguir esses circuitos propriamente ditos. Isso é mais difícil, já que a produção de RAM está estrangulada no momento, com foco total no mercado de data centers de inteligência artificial.

O usuário Vik-on afirma, no entanto, que é possível achar alguns chips da SK Hynix e da Samsung nos marketplaces chineses, buscando o código correto da peça.

E funciona? Vale a pena?

Aparentemente, sim. Vik-on compartilhou um print do programa ZenTimings, usado para testar RAM, que supostamente indica que a memória feita em casa funciona.

O problema é o custo. Segundo ele, são 12 mil rublos russos para montar um pente de 16 GB com especificações médias. Em dólares, isso dá cerca de US$ 152, o que é o preço de uma memória nova, segundo o site Tom’s Hardware.

O preço e o trabalho não compensam hoje, mas pode ser que futuramente isso se torne viável — não porque o processo vai ficar mais barato, mas porque a memória “pronta” pode ficar ainda mais cara e difícil de comprar.

Em um cenário assim, resgatar pentes de computadores usados pode se tornar uma alternativa. Outra solução seria dessoldar os circuitos integrados de memórias de laptops e soldá-los novamente na PCB de RAM de desktop.

Adaptadores e PCs sem memória

A criatividade para lidar com a crise da RAM levou a soluções bastante inusitadas. Uma delas é usar um adaptador de SODIMM (memória de notebook) para DIMM (memória de desktop), como forma de aplicar as opções de peças para a máquina — algo que já aparece nos canais de alguns youtubers brasileiros.

Mesmo a indústria está tendo que se virar nessas condições. Como lembra o Tom’s Hardware, a fabricante de PCs gamers Maingear anunciou um modelo de vendas “bring your own RAM”, ou “traga sua própria RAM”. A ideia é segurar os preços e deixar o consumidor livre, caso ele queira reaproveitar peças, procurar ofertas ou recorrer a produtos de segunda mão.

Nesse caso, o comprador precisa mandar a memória para a empresa colocar no novo computador, seja enviando sua máquina atual, seja fazendo a compra e mandando entregar diretamente na fábrica. A Maingear não envia desktops sem RAM, já que prefere testar o componente no sistema para checar o funcionamento.

Com informações do Tom’s Hardware

Russos apelam para RAM feita em casa como forma de driblar crise

Memórias RAM (imagem: Everton Favretto/Tecnoblog)

Aumento de preço da memória RAM (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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