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Policiais da Pensilvânia poderão acessar histórico do Google mesmo sem mandado

19 de Dezembro de 2025, 17:05
Página inicial do Google
Polícia pode acessar histórico do Google sem mandado na Pensilvânia (foto: Nathana Rebouças/Unsplash)
Resumo
  • A Suprema Corte da Pensilvânia decidiu que a polícia pode acessar o histórico de pesquisas no Google sem mandado.
  • A decisão baseia-se na ideia de que usuários não têm expectativa de privacidade sobre dados compartilhados com provedores.
  • A decisão se aplica apenas à Pensilvânia e distingue buscas na internet de dados de localização, que exigem mandado.

A Suprema Corte do estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, decidiu nesta terça-feira (16/12) que a polícia não precisa de um mandado judicial para obter o histórico de pesquisas de um suspeito no Google. A justificativa é de que os internautas não possuem uma “expectativa razoável de privacidade” sobre esses dados, uma vez que eles são voluntariamente compartilhados com provedores de serviço e aplicativos.

O caso, detalhado pelo portal The Record, envolveu a investigação de um estupro, na qual as autoridades procuraram por termos de busca feitos pelo acusado para incriminá-lo. Com a decisão, os magistrados estabeleceram que o rastro digital deixado em mecanismos de pesquisa não possuem as mesmas proteções constitucionais que outro dados.

A decisão vale apenas para o estado da Pensilvânia até que, eventualmente, a Suprema Corte dos Estados Unidos decida unificar o entendimento sobre o tema.

Qual o argumento da corte?

A corte argumentou que “é de conhecimento comum que sites, aplicativos baseados na internet e provedores de serviços coletam e, em seguida, vendem dados de usuários”.

Para os juízes, como o Google informa expressamente em seus termos de uso que monitora a atividade para fins comerciais e que não se deve esperar privacidade total, a polícia não estaria violando um direito fundamental ao requisitar essas informações sem a crivo prévio de um juiz.

A decisão distingue o histórico de buscas de outros dados, como a localização de celulares. Tribunais superiores dos EUA já haviam decidido anteriormente que o rastreamento de localização exige mandado, pois é um dado gerado involuntariamente apenas por carregar o aparelho.

Aplicativo do Google para Android (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)
Corte entende que termosdo Google não garantem privacidade dos dados (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

No entanto, no caso das pesquisas, a corte da Pensilvânia entendeu que o ato é ativo e consciente. “A trilha de dados criada pelo uso da internet não é involuntária da mesma maneira que a trilha criada pelo porte de um telefone celular”, diz o texto da decisão.

O tribunal também sugeriu que os usuários têm a opção de não expor seus dados se utilizarem métodos diferentes ou ferramentas de navegação anônima, o que validaria a tese de que o uso do Google padrão é uma escolha de “não-privacidade”.

Preocupação com privacidade

A sentença gerou reações imediatas de especialistas em direitos digitais e juristas. Eles alertam que o acesso irrestrito a esse tipo de dado é perigoso, já que as pessoas costumam fazer perguntas ao Google que não fariam, necessariamente, a uma outra pessoa na vida real.

Para especialistas ouvidos pelo The Record, a existência de um precedente em um estado pode encorajar departamentos de polícia em outras jurisdições a adotarem práticas semelhantes, normalizando a coleta de históricos de navegação sem a necessidade de justificar a “causa provável” a um juiz.

Policiais da Pensilvânia poderão acessar histórico do Google mesmo sem mandado

Página inicial do Google (Imagem: Nathana Rebouças / Unsplash)

Aplicativo do Google para Android (imagem: Emerson Alecrim/Tecnoblog)

Reddit processa a Austrália por banir menores em redes sociais

12 de Dezembro de 2025, 12:06
Ícone do Reddit no celular (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)
Reddit afirma que não se enquadra na definição legal de “rede social” (imagem: Brett Jordan/Unsplash)
Resumo
  • Reddit abriu um processo na Suprema Corte da Austrália para invalidar a lei que proíbe menores de 16 anos de acessar redes sociais.
  • A plataforma alega violação da liberdade de expressão política e diz que não se enquadra na categoria de “redes sociais”.
  • O governo australiano comparou a ação do Reddit a estratégias da indústria do tabaco e afirmou que a medida visa proteger os jovens.

O Reddit protocolou, nesta sexta-feira (12/12), uma ação judicial na Suprema Corte da Austrália para invalidar a legislação que proíbe o acesso de menores de 16 anos às redes sociais no país. O processo foi aberto apenas dois dias após a medida, considerada inédita no mundo, entrar em vigor. Na petição, a plataforma sustenta que a proibição fere o debate democrático.

Segundo a argumentação jurídica da empresa, embora os menores de 16 anos não votem, suas opiniões influenciam as escolhas eleitorais de pais e outros cidadãos — uma forma de comunicação política protegida, ainda que implicitamente, pela Constituição australiana.

O que diz o governo australiano?

A reação foi imediata. O ministro da Saúde, Mark Butler, comparou a estratégia jurídica do Reddit às ações movidas historicamente pela indústria do tabaco contra regulações de saúde pública. “Lutaremos contra essa ação em todas as instâncias”, afirmou, sugerindo que a empresa prioriza lucros em detrimento da segurança dos jovens.

Um porta-voz da ministra das Comunicações, Anika Wells, reforçou o posicionamento, declarando que o governo está “do lado dos pais e filhos australianos, não das plataformas”.

Reddit alerta para “efeito reverso”

imagem do aplicativo Reddit no iphone
Plataforma diz que banimento expõe adolescentes a riscos maiores (imagem: AppsHunter IO/Unsplash)

Além da questão constitucional, o Reddit alega que há um paradoxo técnico: a lei pode diminuir a segurança online. A defesa explica que, ao bloquear contas de menores, a legislação força esses jovens a navegarem no modo “somente leitura” (sem login).

O problema, segundo a plataforma, é que usuários logados podem ativar filtros de segurança que bloqueiam conteúdos inadequados. Sem uma conta, os jovens ficariam expostos ao conteúdo bruto dos fóruns, perdendo as camadas de proteção que o cadastro oferece.

Outro ponto central da defesa é a própria definição do serviço. O Reddit alega não atender aos critérios da lei, pois seu propósito principal não seria a “interação social online”, mas sim a discussão de tópicos, muitas vezes anônima. A empresa busca isenção argumentando que a natureza de seus fóruns difere consideravelmente de redes focadas em exposição pessoal e conectividade direta.

Como é a nova lei australiana?

A nova legislação entrou em vigor na quarta-feira (10/12) e impõe que a responsabilidade pelo bloqueio das contas de menores seja inteiramente das plataformas. A regra prevê multas que podem chegar a 49,5 milhões de dólares australianos (quase R$ 180 milhões) para as empresas que descumprirem a decisão.

O texto da lei foca em serviços cujo propósito principal é permitir a interação social e a postagem de material. No entanto, o governo estabeleceu exceções para serviços essenciais ou de baixo risco:

  • Mensageiros: aplicativos de comunicação como WhatsApp e Facebook Messenger (sem feed social) continuam liberados;
  • Jogos e educação: plataformas como Roblox, Discord, Google Classroom e YouTube Kids estão isentas;
  • Mídia passiva: o consumo de conteúdo, como assistir a vídeos no YouTube sem estar logado, segue permitido.

Reddit processa a Austrália por banir menores em redes sociais

Ícone do Reddit no celular (Imagem: Brett Jordan/Unsplash)
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