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O que é qubit? Saiba como funcionam os bits quânticos

16 de Abril de 2026, 17:08
ilustração sobre qubit
Entenda como os bits quânticos podem revolucionar a computação (imagem: Reprodução/1QBit Blog)

O qubit, ou bit quântico, é a unidade fundamental que define a computação quântica, superando a lógica binária tradicional. Diferente do bit comum, ele utiliza as leis da física subatômica para processar informações em escalas massivas.

Seu poder vem da superposição, que permite ao qubit assumir vários estados simultaneamente e testar diversas soluções em massa. Esse processo é potencializado pelo entrelaçamento, que conecta partículas para uma troca de dados instantânea e processamento paralelo.

Essa tecnologia é essencial para acelerar a descoberta de novos fármacos e otimizar sistemas logísticos globais complexos. Além disso, ela redefine os limites da Inteligência Artificial e desafia os padrões atuais de segurança e criptografia digital.

A seguir, conheça o conceito de qubits, como eles funcionam detalhadamente e os diferentes tipos existentes. Também saiba em quais áreas a tecnologia pode ser aplicada.

O que é qubit?

O qubit é a unidade básica da computação quântica que, diferente do bit clássico limitado a 0 ou 1, usa a superposição para processar múltiplos estados simultaneamente. Por meio do entrelaçamento, as unidades agem de forma conectada, resolvendo cálculos complexos com uma eficiência impossível para o hardware tradicional.

O que significa qubit?

O termo “qubit” foi cunhado pelo físico Benjamin Schumacher em 1995, durante uma conversa com o também físico William Wootters. A expressão é uma abreviação de quantum bit (bit quântico, em português), unindo a lógica do dígito binário tradicional às propriedades da mecânica quântica.

Schumacher oficializou o conceito no artigo “Quantum Coding”, publicado ainda em 1995 sob a influência de seu mentor John Wheeler. O nome facilitou a compreensão da unidade básica de processamento, tornando-se o pilar central da computação quântica atual.

Um chip posicionado verticalmente sobre uma superfície refletiva. O chip é fino e translúcido, com circuitos intricados visíveis. A imagem tem um fundo branco e iluminação suave, destacando os detalhes do componente tecnológico.
Os qubits ajudam os computadores quânticos a realizerem cálculos complexos em frações de segundo (imagem: divulgação/Amazon)

Para que serve o qubit?

O qubit aproveita fenômenos como superposição e entrelaçamento para processar informações em múltiplos estados simultâneos. Essa lógica permite que computadores quânticos resolvam cálculos de otimização e química molecular em uma velocidade inalcançável para os sistemas binários tradicionais.

Sua aplicação é essencial no desenvolvimento de novos fármacos e na segurança digital, onde modelos baseados na Esfera de Bloch superam limites atuais. Ao simplificar a simulação de moléculas complexas, os qubits transformam problemas matemáticos antes impossíveis em soluções práticas e instantâneas para a indústria.

Como funciona o qubit

O qubit utiliza superposição quântica para representar múltiplos estados simultaneamente, diferente do bit comum, limitado apenas a 0 ou 1. Essa característica permite que máquinas processem volumes massivos de dados paralelamente, saltando etapas da computação tradicional.

O sistema ganha potência com o entrelaçamento quântico, fenômeno que conecta partículas para trabalharem em sincronia instantânea, mesmo distantes. Controlados por lasers ou micro-ondas, esses qubits formam uma rede ultraveloz capaz de resolver equações altamente complexas.

Na prática, o computador quântico usa interferências para anular respostas incorretas e amplificar a solução exata de forma estratégica. É como se a máquina explorasse todos os caminhos de um labirinto ao mesmo tempo, ignorando os becos sem saída.

Ao final, o estado quântico colapsa e entrega um resultado legível, convertido em bits comuns para o usuário. Essa tecnologia é a aposta para revolucionar a medicina e a segurança digital com cálculos até então impossíveis.

Infográfico comparando um bit e um qubit
Os qubits expandem as formas de processar volumes massivos de dados (imagem: Reprodução/Devopedia)

Quais são os tipos de bit quânticos?

Os qubits são implementados em diversos sistemas físicos para codificar e manipular informações quânticas. Cada tipo aproveita diferentes propriedades quânticas com compensações em termos de escalabilidade, tempo de coerência e precisão de controle.

  • Supercondutores: circuitos resfriados ao zero absoluto onde a eletricidade flui sem resistência. É a aposta da IBM e Google por serem escaláveis, embora sensíveis a ruídos externos;
  • Íons aprisionados: átomos com carga elétrica suspensos no vácuo por campos eletromagnéticos. Eles retêm a informação por muito tempo e são ultraprecisos, mas o controle de grandes grupos de átomos é um desafio de engenharia;
  • Fotônicos: utilizam partículas de luz (fótons) para processar dados por meio de fibras ópticas e espelhos. Podem operar em temperatura ambiente, mas “prender” a luz para realizar cálculos ainda é uma tarefa complexa;
  • Pontos quânticos: elétrons isolados em semicondutores aproveitando a infraestrutura atual dos chips de silício. São promissores para a produção em massa, apesar de serem altamente sensíveis a interferências elétricas;
  • Topológicos: uma aposta teórica da Microsoft que armazena dados em “tranças” geométricas de partículas chamadas anyons. Teoricamente, são imunes a erros de hardware, mas sua existência física ainda é difícil de comprovar e manipular;
  • Átomos neutros: átomos manipulados por feixes de lasers (pinças ópticas) para criar redes organizadas em 2D ou 3D. Oferecem um excelente equilíbrio entre estabilidade da informação e facilidade para escalar o sistema;
  • Centros NV (Diamante): defeitos na estrutura do diamante que permitem controlar o “spin” (rotação) de elétrons em temperatura ambiente. São favoritos para criar sensores ultraprecisos, embora menos potentes para computação pura;
  • Spin em silício: baseiam-se na rotação de elétrons ou núcleos atômicos em cristais de silício purificado. Garantem vida longa aos dados e alta compatibilidade com a indústria de semicondutores atual;
  • Ressonância magnética nuclear (NMR): utilizam o núcleo de átomos em moléculas orgânicas manipuladas por ondas de rádio. Foram pioneiros nos primeiros testes quânticos, mas hoje são considerados limitados para sistemas de grande escala.
Chip vermelho na palma de uma mão
Microsoft afirma ser possível colocar 1 milhão de qubits topológicos na palma da mão (imagem: divulgação/Divulgação)

O que dá para fazer com qubits?

Os qubits aproveitam as leis da física subatômica para processar volumes massivos de dados simultaneamente. Na prática, essa tecnologia abre portas para avanços importantes:

  • Simulação de materiais e fármacos: permite modelar reações químicas e interações moleculares em nível atômico, acelerando a descoberta de remédios e materiais sem a necessidade de testes em laboratório;
  • Otimização de sistemas complexos: resolve equações de logística e finanças que envolvem bilhões de variáveis em segundos, encontrando as melhores rotas de transporte ou o equilíbrio exato de riscos em carteiras de investimento;
  • Segurança e criptografia quântica: consegue decifrar chaves de segurança atuais com o algoritmo de Shor, mas também viabiliza redes de comunicações ultraprotegidas utilizando a Distribuição de Chaves Quânticas (QKD), impossíveis de hackear;
  • Aceleração de buscas em Big Data: utiliza o algoritmo de Grover para vasculhar bancos de dados gigantescos de forma quase instantânea, transformando o reconhecimento de padrões e a análise de informações desestruturadas em tempo real;
  • Machine Learning: turbina o treinamento de Inteligências Artificiais, permitindo que redes neurais aprendam tarefas complexas, como tradução simultânea e diagnósticos médicos por imagem, com uma precisão e velocidade sem precedentes.
Ilustração sobre machine learning mostra a imagem de um cérebro e um chip computacional
O machine learning será uma das áreas da tecnologia que irá se beneficiar dos qubits (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Qual é a diferença entre qubit e bit?

O bit é a unidade básica da computação clássica, funcionando como um interruptor que assume apenas dois estados: ligado (1) ou desligado (0). Ele processa dados de maneira sequencial por meio de transistores, utilizando pulsos de voltagem elétrica para realizar cálculos lógicos simples.

O qubit é uma versão quântica que usa a sobreposição para representar 0, 1 ou uma combinação de ambos ao mesmo tempo. Partículas como o spin do elétron permitem o entrelaçamento, criando uma rede interconectada capaz de resolver problemas complexos em frações de segundo.

Dá para substituir bits por qubits?

Os qubits não substituem os bits em PCs, pois exigem resfriamento extremo e lógica de superposição. Enquanto o bit é binário e previsível, o qubit processa múltiplas possibilidades simultaneamente, sendo uma “ferramenta de precisão” para cálculos científicos e não para executar softwares ou sistemas operacionais.

O futuro aponta para sistemas híbridos, onde a CPU processa o dia a dia e o chip quântico resolve gargalos complexos. Devido à instabilidade física e à taxa de erros dessas partículas, a transição para máquinas totalmente autônomas ainda levará décadas de maturação técnica.

O que é qubit? Saiba como funcionam os bits quânticos

Ocelot tem 14 qubits, sendo 5 cat qubits (imagem: divulgação)

(imagem: Reprodução/Devopedia)

Aprendizado de Máquina permite que IA atuem de forma semelhante à inteligência humana (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Sua empresa está preparada para o século digital?

3 de Junho de 2021, 16:00
Em artigos anteriores mencionei alguns aspectos importantes para as empresas frente à pandemia e para o que virá a partir dela. Nosso cenário ainda é de muitas incertezas e seguimos vivendo em uma realidade na qual nós, como líderes, constantemente revisitamos nossas prioridades para cuidar da saúde e da segurança em primeiro lugar. Mas, conforme olhamos para frente, sabemos de uma coisa: o mundo pós-pandemia é híbrido, multidimensional e a hiperdigitalização veio para ficar. Acompanhamos ao longo de 2020 as empresas adotando amplamente a tecnologia para acelerar a transformação digital em seus processos de negócios, conforme se adaptavam a uma nova realidade de interação remota no comércio, nas comunicações e na aprendizagem. Junto a isso, os CEOs da América Latina passaram a ver como principais desafios a infraestrutura de tecnologia, os riscos cibernéticos e a regulação e esse novo mundo multidimensional, conforme IBV CEO Study 2021. E à medida que o mundo se recupera dos efeitos da pandemia, três conceitos-chave se destacam como os principais fatores de atenção para que as empresas possam perseverar e ter sucesso: confiança, talento e tecnologia.
  • Confiança. É dito que a confiança se ganha com mil atos e se perde com apenas um. Eu não poderia estar mais de acordo com essa frase. Uma ação equivocada pode colocar em risco uma relação de muitos anos. E isso não se aplica só para a nossa vida pessoal, mas também para os negócios. A pandemia, por exemplo, trouxe novos riscos, ameaças e regulações, e com eles a necessidade de garantir relações de confiança para cada interação. A tecnologia pode ajudar a tratar desses temas de forma preditiva, com soluções que podem apoiar os negócios na geração de insights e a operar com mais segurança. Mas, se não temos confiança, não adianta ter a tecnologia.
Oito em dez (82%) profissionais de TI da América Latina acreditam que poder confiar na IA é crítico ou muito importante para seus negócios. Por isso é importante que as empresas tenham o compromisso com o uso ético e responsável da tecnologia e com a privacidade dos dados dos clientes: Confiança e Transparência — devem orientar o tratamento de dados e percepções do cliente, e também o desenvolvimento e implementação responsáveis de novas tecnologias, como os assistentes virtuais, entre outros. Ética e confiança da IA - Promover o diálogo global. Conduzir isso de forma consistente nas operações, desde a pesquisa e a tecnologia até o trabalho em políticas públicas e parcerias com organizações e líderes globais. Os dados dos clientes são dos clientes, e seus insights são seus insights. As empresas de tecnologia têm que ter o compromisso de adotar esses princípios para proteger os dados e percepções dos clientes, garantindo o uso responsável e transparente de IA e outras inovações transformadoras. Nós como líderes temos a obrigação de garantir que os dados dos clientes são realmente apenas deles, que as informações estão sendo tratadas eticamente e com transparência e que nosso ecossistema de parceiros também conta com os mesmos princípios de confiança em todas as interações.
  • Talento. Como desenvolver novas capacidades, manter profissionais engajados e promover crescimento dentro da nova realidade – para pessoas, empresas e sociedade? É preciso olhar para o que cada um pode contribuir, quais as necessidades latentes e como podemos diminuir as barreiras para possibilitar que esse desenvolvimento aconteça. Ter um olhar amplo para os temas que nos impactam agora é o que fará a diferença no futuro: diversidade e inclusão, sustentabilidade empresarial, acesso à educação, democratização da tecnologia são meios para que talentos sejam colocados em ação e para que haja progresso com ganhos para todas as partes.
Somos nós como líderes que precisamos puxar esses temas nas nossas organizações, não só para o desenvolvimento da nossa própria força de trabalho, mas também para ajudar as próximas gerações a terem as oportunidades que vão nos ajudar a crescer como sociedade. Para dar um exemplo do que pode ser feito, no Brasil, IBM e Embrapii anunciaram em abril uma parceria para ajudar 10 mil estudantes brasileiros a se capacitarem com diversas habilidades, para trabalharem em tecnologias sob demanda. Professores das unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (EMBRAPII) receberão treinamento de especialistas para ampliarem seus conhecimentos em tecnologias como nuvem híbrida, IA, computação quântica e segurança cibernética, visando incorporar esse conhecimento ao currículo da sala de aula.
  • Tecnologia. Por fim, volto a dizer que a tecnologia tem um papel fundamental para habilitar novas formas de operar, que por sua vez permitem às empresas inovar e criar novas conexões e caminhos mais seguros, confiáveis e com potencial de sucesso. Ter uma base digital sólida não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma prioridade e uma condição para existir. Estamos entrando em uma era em que a computação pode - e deve - acontecer em qualquer lugar, de data centers a nuvens públicas, até os limites da rede (edge).
Uma pesquisa da IBM conduzida pela Morning Consult, Global AI Adoption Index 2021, mostrou que 53% das empresas da América Latina estão adotando a IA, mas 80% ainda não utilizam IA na nossa região. Como podemos fazer para acelerar essa adoção? Na IBM achamos que a inteligência artificial deve ter um avanço pervasivo em toda a organização, estar incluída em todos os processos de negócio, front e back-end, fazendo as empresas mais eficientes e rentáveis; oferecendo melhores serviços e experiências para colaboradores, cidadãos e clientes, seja de forma online, por dispositivo móvel ou na loja. Por isso, acreditamos que o futuro é híbrido. A plataforma de nuvem híbrida permite às empresas e organizações tirarem proveito dos dados, de todas as fontes e em todas as formas. Um recurso de IA que entende, raciocina e aprende, usando todos esses dados, que pode levá-lo da análise de dados à previsão de resultados. Uma arquitetura segura, escalável e compatível com as regulamentações do setor. E, acima de tudo, incorpora continuamente novas inovações fornecidas pela nuvem, como a computação quântica. A sua empresa está preparada para o século digital? Tem os talentos, relações de confiança e tecnologia para se preparar para o futuro? É nosso dever como líderes puxar essas conversas, essas ações e colocar as nossas empresas no topo da jornada de transformação, para avançar como sociedade e deixar o Brasil no topo. Tonny Martins é gerente geral da IBM na América Latina. O executivo começou sua carreira como estagiário na empresa há 29 anos e ocupou diversas posições de liderança nos segmentos de Serviços, Soluções e Consultoria de Negócios.
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