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NASA continua pesquisa científica da missão Artemis 2 na Terra

14 de Junho de 2026, 06:00

Desde que a missão Artemis 2 retornou à Terra após completar sua histórica viagem ao redor da Lua, os cientistas da NASA iniciaram uma nova fase de pesquisas e análises baseadas nos dados coletados durante o voo. 

O pouso seguro no Oceano Pacífico, em 10 de abril, marcou o encerramento bem-sucedido da missão, mas não significou o fim do trabalho científico. As pesquisas continuaram em laboratórios e centros de pesquisa da agência.

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Pouso da missão Artemis 2, após o primeiro voo tripulado à Lua em mais de meio século – Crédito: NASA

NASA analisa dados de saúde e desempenho da tripulação após o voo

As informações obtidas durante a missão estão sendo usadas para compreender como o corpo humano reage a viagens espaciais de longa duração. O objetivo é aprimorar o preparo de futuras missões à Lua e a Marte, além de apoiar planos de presença humana contínua na superfície lunar, com maior segurança e eficiência em ambientes extremos.

Logo após o retorno, os astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen passaram por uma série de avaliações médicas e físicas. Os exames foram realizados rapidamente para registrar os efeitos imediatos da transição entre a microgravidade e a gravidade terrestre, fase considerada essencial para entender a adaptação do organismo.

Esses dados ajudam os pesquisadores a estimar o tempo necessário para que astronautas recuperem plenamente suas funções físicas após o retorno de uma missão. Esse conhecimento será fundamental para futuras operações na Lua ou em Marte, onde não haverá equipes de apoio disponíveis para assistência imediata.

Um dos primeiros conjuntos de testes integrou o programa Medidas Padrão de Voo Espacial da Artemis 2. Nele, os astronautas realizaram exames de pressão arterial, frequência cardíaca, visão e coordenação motora. O objetivo é criar uma base de referência para comparações em futuras missões tripuladas.

Além dos exames clínicos, os tripulantes participaram de um circuito físico com atividades que simulam situações operacionais. Entre elas estavam levantar e deitar, subir escadas e manipular uma escada de corda, exercícios que ajudam a avaliar a recuperação funcional do corpo após o voo espacial.

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Astronautas da missão Artemis 2 em entrevista após retornarem à Terra – Crédito: NASA

Astronautas seguiram para exames quando pousaram na Terra

Após o retorno ao Centro Espacial Johnson, em Houston, os astronautas seguiram com avaliações mais detalhadas. Os testes incluíram análise de equilíbrio, reflexos e controle motor, fundamentais para compreender como o sistema neuromotor reage ao retorno à gravidade terrestre.

Nos dias seguintes, a equipe realizou experimentos com trajes espaciais adaptados para simular a gravidade lunar, que corresponde a cerca de um sexto da gravidade da Terra. Esses testes permitem observar como o corpo humano se comporta em condições semelhantes às futuras missões de exploração.

Outra frente importante de pesquisa envolve o sistema imunológico. Amostras de sangue e saliva coletadas antes, durante e depois da missão estão sendo comparadas para identificar alterações biológicas provocadas pela exposição ao ambiente espacial.

Entre os principais pontos estudados está a possível reativação de vírus latentes no organismo humano. Pesquisas anteriores sugerem que o espaço pode influenciar o sistema imunológico, e a Artemis 2 fornece dados mais completos para aprofundar essa análise.

Parte da tripulação também realizou testes cognitivos após o retorno, avaliando memória, atenção e capacidade de decisão. Em paralelo, os astronautas participaram de uma simulação de acoplamento manual de espaçonave, usada para medir precisão e controle motor sob condições controladas.

Esses experimentos fazem parte do estudo “Riscos da Radiação para Astronautas e da Saúde e Desempenho da Tripulação” (ARCHeR), que investiga como os riscos do ambiente espacial afetam o desempenho humano. Os dados coletados são combinados com informações registradas por dispositivos utilizados pelos astronautas durante toda a missão.

A coleta inicial de dados foi concluída cerca de 45 dias após o pouso da cápsula Orion. Mesmo assim, o acompanhamento médico continuará por muitos anos, permitindo que os pesquisadores construam um histórico detalhado dos efeitos de longo prazo das viagens espaciais.

Depois de processadas e anonimizadas, as informações serão disponibilizadas à comunidade científica por meio do Arquivo de Dados de Ciências da Vida da NASA. Isso permitirá que pesquisadores do mundo todo utilizem os dados em novos estudos e desenvolvam tecnologias para futuras missões.

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Chips biológicos simularam tecidos humanos no espaço com a Artemis 2

Além dos estudos com astronautas, a missão também envolveu o projeto “Avaliação Avançada de Tecidos e Respostas em Ambientes de Gravidade” (AVATAR), que utiliza chips biológicos capazes de simular tecidos humanos em escala reduzida. Esses dispositivos continham células da medula óssea de cada integrante da tripulação.

Os chips viajaram ao redor da Lua dentro da cápsula Orion, expostos às mesmas condições de microgravidade e radiação do espaço profundo. Agora, estão sendo analisados em laboratório para identificar alterações celulares e moleculares provocadas pelo ambiente espacial.

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Um cientista manuseia chips de órgãos do programa AVATAR após sua jornada ao redor da Lua a bordo da nave Orion, com a missão Artemis 2. Os chips contêm células de cada astronauta e estão sendo preparados para uma análise detalhada. – Crédito: NASA

Os pesquisadores comparam os chips que estiveram no espaço com amostras de controle mantidas na Terra. Para isso, utilizam técnicas avançadas de genética, como o sequenciamento de RNA de célula única, que permite analisar o comportamento individual das células.

O objetivo é entender como diferentes organismos respondem de forma única às condições extremas do espaço. No futuro, isso poderá permitir o desenvolvimento de modelos biológicos personalizados para cada astronauta.

Esses modelos poderão apoiar a criação de tratamentos médicos sob medida, aumentando a segurança de tripulações em missões de longa duração. A tecnologia também pode ser aplicada no planejamento de futuras expedições à Lua e a Marte.

NASA vai revelar imagens inéditas da Lua

Enquanto isso, outra parte da missão analisa os dados coletados durante a passagem da Orion pela Lua. Em 6 de abril, os astronautas passaram quase sete horas observando a superfície lunar durante a maior aproximação da nave.

As observações seguiram um plano detalhado e incluíram registros em imagem, vídeo e áudio de crateras, falhas geológicas e variações de iluminação na superfície lunar. Também foram documentados possíveis impactos luminosos observados durante o período.

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Uma das mais de 12 mil imagens da missão Artemis 2 já disponibilizadas pela NASA em acervo público: registro feito por uma câmera externa da cápsula Orion mostra parte da espaçonave e a Lua. – Imagem: NASA

Esses dados estão sendo analisados para a produção de relatórios científicos que serão divulgados ainda este ano. Os documentos também explicarão como as observações foram planejadas e executadas.

Em comunicado, a NASA revelou que pretende divulgar mais de 100 gravações de áudio e cerca de 11.500 imagens e vídeos inéditos da Terra e da Lua. Todo o material será integrado ao Sistema de Dados Planetários da agência.

Antes da publicação, os arquivos estão sendo padronizados para garantir acesso amplo e duradouro. A medida permitirá que pesquisadores, estudantes e o público utilizem essas informações em estudos e consultas futuras.

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Artemis 2 deixa gravidade da Lua e segue de volta para casa

7 de Abril de 2026, 15:51

Após momentos emocionantes, que ficarão para sempre na memória dos quatro astronautas da missão Artemis 2, é hora de pegar o rumo de casa. A cápsula Orion, levando a bordo Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, deixou a zona de influência lunar nesta terça-feira (7).

De acordo com a NASA, isso ocorreu às 14h23 (horário de Brasília), momento em que a nave deixou de ser puxada principalmente pela gravidade da Lua, começando oficialmente o trajeto de volta à Terra, que passou a exercer a maior influência sobre sua trajetória.

We anticipate that the Orion spacecraft has now departed the lunar sphere of influence — this is when the gravitational pull of the Moon is stronger than the gravitational pull of Earth.

The Artemis II crew are headed home. Splashdown will take place on Friday, April 10. pic.twitter.com/uZC3YZf45N

— NASA Artemis (@NASAArtemis) April 7, 2026

Após uma chamada direta com a tripulação da Estação Espacial Internacional (ISS), os astronautas da Artemis 2 passaram cerca de meia hora conversando com Kelsey Young, líder científica da missão em solo, para compartilhar suas impressões sobre o sobrevoo lunar.

A conversa abordou tanto o que eles viram da Lua quanto detalhes do processo científico, como o reflexo da luz da Terra nas janelas e no interior da Orion e o brilho da fita laranja usada na espaçonave para proteger e organizar equipamentos eletrônicos, que influenciaram a coleta de dados durante a missão.

Depois da reunião, os tripulantes iniciaram períodos de folga escalonados para descansar e recuperar energia, preparando-se para realizar as tarefas finais antes da tão aguardada reentrada na atmosfera da Terra.

Se tudo sair conforme o planejado pela NASA, às 22h03, os propulsores da Orion serão acionados para a primeira de três manobras de correção de rota da nave de volta à Terra. Durante essa operação, Koch e Hansen acompanharão os sistemas da espaçonave e verificarão cada etapa do procedimento, garantindo que a cápsula siga corretamente o trajeto rumo ao planeta.

astronautas da missão artemis 2
Astronautas da missão Artemis 2 a bordo da cápsula Orion – Imagem: NASA

Dia do sobrevoo histórico na Lua foi marcado por emoção

Na segunda-feira (6), sexto dia da missão Artemsi 2, a nave Orion realizou um sobrevoo histórico, passando pelo lado oculto da Lua. A tripulação a bordo teve visões inéditas do satélite, observando regiões que nenhum ser humano jamais havia contemplado de perto.

Mesmo antes desse feito inesquecível, o dia já foi de fortes emoções, com a tripulação sendo despertada por uma mensagem gravada do veterano da NASA Jim Lovell, falecido em 2025. Participante das icônicas missões Apollo 8, que contornou a Lua pela primeira vez, e Apollo 13, que até então havia alcançado a maior distância da Terra já percorrida por humanos, ele deixou palavras especiais para a tripulação da Artemis 2. Confira a mensagem aqui.

E isso foi apenas o começo. Pouco antes das 15h, mais precisamente às 14h56. a missão superou o recorde de cerca de 400 mil km de distância da Terra atingido em 1970 pela Apollo 13. Em torno de 10 minutos mais tarde, os astronautas iniciaram oficialmente suas observações lunares, o que se estendeu ao longo de aproximadamente sete horas.

“Da cabine da Integrity [nome dado à cápsula Orion pela tripulação], aqui, enquanto ultrapassamos a maior distância já percorrida por humanos a partir do planeta Terra, fazemos isso honrando os esforços e feitos extraordinários de nossos antecessores na exploração espacial humana”, disse Wiseman. “Continuaremos nossa jornada ainda mais longe no espaço antes que a Mãe Terra consiga nos trazer de volta a tudo o que nos é caro, mas, acima de tudo, escolhemos este momento para desafiar esta geração e a próxima a garantir que este recorde não dure muito tempo.”

imagem da terra com estrelas ao redor e vênus ao fundo. foi tirada pela missão artemis 2
Uma das primeiras imagens da Terra obtidas durante a missão Artemis 2 – Imagem: NASA

Hansen informou aos controladores da missão que a tripulação da Artemis 2 gostaria de nomear oficialmente duas crateras na Lua. Uma delas deve receber o nome de Integrity, em referência à cápsula Orion da missão, localizada entre a bacia Orientale e a cratera de impacto Ohm. A outra, de Carroll, em homenagem à falecida esposa do comandante Wiseman.

“Existe uma formação em um ponto muito especial da Lua, na fronteira entre o lado visível e o lado oculto. Ela fica exatamente no lado visível, e em certos momentos poderemos avistá-la da Terra”, disse, com a voz embargada. Os astronautas foram vistos enxugando as lágrimas, e, ao final da mensagem, os quatro se abraçaram enquanto o Centro de Controle confirmava por rádio a nomeação das crateras, na presença das filhas e familiares de Wiseman.

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Pontos importantes foram atingidos com a Orion “em silêncio”

Quando a Orion passou atrás da Lua, bloqueando temporariamente os sinais de rádio com a Terra, a comunicação foi interrompida por cerca de 40 minutos, como já era previsto pela NASA. Um pouco antes da perda do contato, os astronautas presenciaram o Earthset (o “pôr da Terra”). A imagem desse momento de “despedida” do planeta foi publicada esta manhã pela NASA nas redes sociais, entrando para a galeria de registros mais icônicos da exploração espacial humana.

Ready… set… Earth! 🌎
As Artemis II flew around the far side of the Moon, the crew captured a new view of home. These images show Earthset, when Earth dips below the lunar horizon. Parts of Australia & Oceania are visible, while the dark side of Earth is experiencing nighttime. pic.twitter.com/gVgFwFQPgZ

— NASA Earth (@NASAEarth) April 7, 2026

Durante esse período sem comunicação, a espaçonave chegou à sua maior aproximação da Lua, a cerca de 6.546 km de altitude. Pouco depois, os astronautas atingiram o ponto mais distante da Terra em toda a missão: 406.771 km, a maior distância já percorrida por seres humanos.

Ao concluir a passagem pelo lado oculto da Lua, a tripulação pôde ver o Earthrise (o “nascer da Terra”), com o planeta ressurgindo no horizonte lunar – lembrando a cena da emblemática foto feita pela Apollo 8 há quase sete décadas. Nesse momento, a comunicação com o controle da missão foi restabelecida.

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“Earthrise”, famosa foto tirada por William Anders, em 1968, mostrando a Terra “nascendo” na superfície lunar – Crédito: William Anders/NASA

Artemis 2 viu eclipse solar exclusivo

Para encerrar o dia mais importante da missão, sem contar o lançamento e o retorno à Terra, os astronautas da Artemis 2 tiveram a oportunidade de observar um eclipse solar total de uma perspectiva inédita. Eles foram as únicas quatro pessoas no mundo a testemunhar o fenômeno.

O eclipse não foi visível da Terra porque a posição do Sol, da Lua e do planeta não permitia. Do ponto de vista da Orion, a Lua cobriu totalmente o Sol, oferecendo à tripulação um espetáculo único e exclusivo.

O fenômeno começou por volta das 21h35. A Lua parecia enorme e bloqueava completamente o disco solar. Assim, os astronautas puderam observar a coroa solar, camada externa do Sol que normalmente não é visível por causa do brilho intenso da estrela.

Com duração de cerca de 53 minutos, o evento foi muito mais longo do que os eclipses totais vistos da Terra, que costumam levar menos de sete minutos. A equipe foi instruída a descrever detalhes da coroa solar, como formas, cores e variações de brilho. Essas observações vão ajudar cientistas a estudar melhor os processos do Sol.

Quer saber mais sobre a jornada da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.

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