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Brasil tem a internet 5G mais rápida da América Latina

12 de Janeiro de 2026, 11:18
Fundo verde com mapa do Brasil contendo a bandeira além de uma onda, com as letras 5G no canto inferior esquerdo
Ranking da Ookla mostra o Brasil isolado no topo (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O Brasil lidera a América Latina em velocidade de 5G, com média de 430,83 Mb/s, devido ao leilão de frequências da Anatel em 2021.
  • A disponibilidade de 100 MHz para operadoras como Claro, TIM e Vivo evita congestionamento e garante alta velocidade.
  • A neutralidade tecnológica do Brasil, permitindo fornecedores como Huawei, Ericsson e Nokia, facilita a modernização das redes.

O Brasil foi o país com a rede 5G mais rápida da América Latina no terceiro trimestre de 2025. Segundo o relatório recente da Ookla, baseado em dados do Speedtest, a velocidade média de download em território nacional atingiu a marca de 430,83 Mb/s, resultado que coloca o país à frente de todos os vizinhos regionais.

O avanço é atribuído ao modelo de leilão de frequências adotado pela Anatel em 2021. Vale recordar que o certame priorizou obrigações de infraestrutura e investimentos na expansão das redes de banda média (3,5 GHz), que oferecem o melhor equilíbrio entre alcance de sinal e capacidade de dados.

Por que o 5G brasileiro lidera?

A explicação passa por fatores como a agilidade regulatória. Enquanto alguns países ainda enfrentam dificuldades para liberar faixas de frequência, a Anatel disponibilizou grandes blocos de 100 MHz para as principais operadoras do país – Claro, TIM e Vivo.

O espectro funciona como as faixas de uma rodovia: quanto mais larga a “pista”, maior a largura de banda e mais dados conseguem trafegar ao mesmo tempo. No Brasil, o fato de as operadoras terem “pistas” de 100 MHz de largura evita o congestionamento da rede e garante que a informação flua sem gargalos, resultando em velocidades mais altas.

Velocidade média no país supera 430 Mb/s (imagem: reprodução/Ookla)

Além disso, o modelo de obrigações de investimento vinculou a concessão à conectividade de rodovias, escolas públicas e à limpeza da faixa de 3,5 GHz (antes ocupada por antenas parabólicas) para evitar interferências.

O estudo da Ookla indica que essa estratégia tem surtido efeito: 38,5% dos usuários de 5G no Brasil passam a maioria do tempo conectados à rede de quinta geração, a maior taxa de disponibilidade entre os grandes mercados da região.

Outro pilar dessa liderança foi a neutralidade tecnológica. O Brasil optou por não banir fornecedores específicos, permitindo que as operadoras utilizassem equipamentos da chinesa Huawei, da sueca Ericsson e da finlandesa Nokia. Essa diversidade na cadeia de suprimentos facilitou a modernização das redes, sem atrasos críticos ou custos elevados que afetaram mercados com restrições geopolíticas.

Ranking de operadoras na região

No Brasil, o trio principal consegue manter uma média que impulsiona o índice nacional para cima.

OperadoraPaísDownload médio
ClaroBrasil400 Mb/s
VivoBrasil400 Mb/s
TIMBrasil400 Mb/s
PersonalArgentina300 Mb/s
AntelUruguai300 Mb/s

E o “5G puro”?

A transição para o chamado “5G puro” (Standalone ou SA) ainda é um desafio na América Latina. Diferente da versão Não-Autônoma (NSA), que utiliza o núcleo de rede do 4G para funcionar, o 5G SA opera de forma independente, oferecendo latência baixíssima. No Brasil, embora a tecnologia já esteja disponível, apenas 1,6% das conexões utilizam o padrão até aqui. Porto Rico lidera neste quesito, com 41,1%, impulsionado pela infraestrutura da T-Mobile.

Paralelamente, o Acesso Fixo Sem Fio (FWA) começa a ganhar força como alternativa à fibra óptica. A tecnologia permite entregar internet banda larga residencial através do sinal 5G. No Brasil, a Claro lançou planos com velocidades de até 1 Gb/s, enquanto a Vivo comercializa franquias de até 200 GB mensais. Operadoras regionais, como a Brisanet, também investem na modalidade.

Apesar da liderança brasileira, o cenário regional ainda é de amadurecimento. A GSMA Intelligence projeta que o 5G alcançará 50% das conexões totais na América Latina apenas em 2030, totalizando cerca de 410 milhões de acessos.

Brasil tem a internet 5G mais rápida da América Latina

5G no Brasil (arte: Vítor Pádua/Tecnoblog)

Streaming pirata BTV é derrubado após decisão judicial na Argentina

2 de Dezembro de 2025, 18:20
Pirataria
Consumidores não podem fazer reclamações formais de produtos piratas, segundo o Procon-SP (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Justiça da Argentina derrubou 22 serviços de streaming ilegais, incluindo BTV, Red Play, Blue TV e Cine Duo
  • Os serviços tinham cerca de 2 milhões de usuários, com mais de 75% dos usuários da BTV e Red Play sendo brasileiros
  • Usuários afetados não podem recorrer a autoridades, pois serviços piratas não são passíveis de reclamação ou fiscalização

O BTV e outros 21 serviços ilegais de streaming deixaram de funcionar no Brasil após uma nova ação da Justiça da Argentina, que já havia bloqueado outras 14 centrais piratas em novembro.

As plataformas funcionavam principalmente em TV boxes clandestinas, oferecendo séries, filmes e canais ao vivo. Apesar de piratas, elas não eram gratuitas, sendo necessário comprar o aparelho ou pagar assinatura.

Bom dia!
No momento os servidores da BTV estão fora. VivoTV e BTVApp. Sem informações, aguardando comunicado sobre o problema. pic.twitter.com/GflOZF6suH

— Jonathan A.  🇭🇳 (@iJonathanAraujo) November 30, 2025

Uma investigação feita na Argentina descobriu que o país abrigava centrais de “marketing” dos serviços ilegais, responsáveis por divulgar e vender os serviços no mundo inteiro. Administração, finanças e TI ficam na China.

Além do BTV, outros serviços famosos de “gatonet” estão entre os desmantelados, como Red Play, Blue TV e Cine Duo. Na primeira leva, My Family Cinema, Cinefly e Eppi Cinema estavam na lista de 14 plataformas derrubadas, gerando uma onda de queixas em sites como o Reclame Aqui.

Quais foram os streamings ilegais derrubados?

Segundo o UOL, os 22 serviços desligados no último domingo (30/11) são:

  • ALA TV
  • Blue TV
  • Boto TV
  • Break TV
  • BTV App
  • BTV Live
  • Duna TV
  • Football Zone
  • Hot
  • Mega TV
  • MIX
  • NOSSA TV
  • ONPix
  • PLUSTV
  • Pulse TV
  • Red Box
  • RedPlay Live
  • Super TV Premium
  • Venga TV
  • Waka TV
  • WEIV
  • WeivTV – Nova

Brasileiros são afetados por corte em “gatonet”

A Justiça da Argentina acredita que esses serviços tenham cerca de 2 milhões de usuários. Segundo Jorge Bacaloni, presidente da Alianza (associação de combate à pirataria na América Latina), mais de 75% dos usuários da BTV e da Red Play eram brasileiros.

Assim como aconteceu após a ação do início de novembro, os usuários estão recorrendo ao Reclame Aqui para expressar sua insatisfação.

Mesmo pagando pelo streaming e não recebendo, não há como recorrer a autoridades ou à legislação. Como explica o Procon-SP, produtos e serviços piratas não são passíveis de formalização de reclamação ou fiscalização.

Com informações do UOL e do G1

Streaming pirata BTV é derrubado após decisão judicial na Argentina

Pirataria (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

My Family Cinema chega ao fim e deixa clientes desamparados

3 de Novembro de 2025, 16:32
Um padrão repetitivo de caixas de TV pretas e seus respectivos controles remotos sobre um fundo amarelo claro. As caixas de TV são pequenas e retangulares com cantos arredondados e algumas portas visíveis na parte traseira. Os controles remotos são pretos com vários botões coloridos. Na parte inferior direita, o logotipo do "Tecnoblog" é visível.
TV box pirata do Brasil costuma ter My Family Cinema (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • O My Family Cinema foi desativado por decisão judicial na Argentina, gerando reclamações de consumidores sobre ressarcimento de assinaturas de cerca de R$ 200 anuais.
  • A Anatel alerta sobre os riscos das TV boxes piratas, que podem causar interferências e permitir ataques cibernéticos.
  • Outros 29 serviços de streaming também foram desativados na mesma operação judicial na Argentina.

O aplicativo de streaming pirata My Family Cinema foi desativado no fim de semana e o assunto rapidamente ganhou a internet. Já são dezenas de reclamações de consumidores, que questionam sobre o ressarcimento da assinatura. Alguns deles afirmam terem gasto cerca de R$ 200 anuais pelo acesso à plataforma e não fazem a menor ideia se vão receber o dinheiro de volta.

A chuva de queixas ocorre após o fim do aplicativo, que foi desativado por uma decisão da Justiça da Argentina. O site oficial saiu do ar e os aplicativos tanto em celulares quanto em smart TVs também pararam de funcionar, de acordo com os relatos. A decisão no país vizinho impacta diretamente o Brasil, já que o My Family Cinema costuma ser instalado de fábrica em TV boxes irregulares, de acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações.

Clientes se queixam

“Como fica meu ressarcimento?”, questiona usuário (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

“Como fica o meu ressarcimento?” Esse é o questionamento de um cliente de Goiânia, que afirma ser adepto do My Family Cinema há pelo menos dois anos e renovou a assinatura até agosto de 2026. Outra pessoa escreveu no Reclame Aqui que comprou um modelo de TV box há três meses, com tudo pago pelo período inicial de um ano. “Só usei três meses e agora estou sem!”

“Não consigo nenhum contato pra me ajudarem a logar novamente”, queixa-se um assinante de Francisco Morato (SP). Como já era de se esperar, nenhuma solicitação no Reclame Aqui recebeu resposta da empresa. O Tecnoblog contabilizou pelo menos uma centena delas desde o encerramento da plataforma, no último sábado (1º).

O My Family Cinema tinha preço a partir de R$ 19,99 por mês, com imagens em resolução Full HD. Nele havia conteúdo de empresas famosas, como Netflix, Disney e Globo.

Outros 29 serviços de streaming também foram desativados por ordem da Justiça da Argentina. O Eppi Cinema, por exemplo, está fora do ar e já acumula 1,2 mil queixas de brasileiros. Alguns sites oficiais apresentam mensagens de erro e os aplicativos também desapareceram das lojas oficiais, o que significa que novos downloads não são possíveis.

Site do My Family Cinema exibe tela de erro (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Anatel reafirma luta contra a pirataria

A Anatel explicou ao Tecnoblog que não participou ativamente desta recente megaoperação. A agência ressaltou que as TV boxes piratas podem “interferir em outros aparelhos legítimos e permitir ataques hacker às redes de seus usuários, seja para o roubo de senhas e dados pessoais, seja para a promoção de ataques” como o DDoS.

Ela disse que continuará as ações de fiscalização e a cooperação “com outros órgãos públicos, entidades da sociedade civil e reguladores de outros países para o combate à pirataria”, com o objetivo de proteger consumidores, mercado legal e a segurança das redes de telecomunicações.

My Family Cinema chega ao fim e deixa clientes desamparados

TV Box para IPTV (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

“Como fica meu ressarcimento?”, questiona usuário (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

Site do My Family Cinema exibe tela de erro (imagem: Thássius Veloso/Tecnoblog)

OpenAI decide trazer o megaprojeto Stargate para a América do Sul

10 de Outubro de 2025, 16:37
Logo da OpenAI
OpenAI e Sur Energy construirão data center focado em IA (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • OpenAI e Sur Energy construirão um data center de 500 MW na Patagônia (Argentina), parte do projeto Stargate, com investimento entre US$ 20 e US$ 25 bilhões.
  • O centro usará energia renovável e infraestrutura local, aproveitando incentivos fiscais e aduaneiros do governo argentino.
  • A primeira fase, com 100 MW, deve entrar em operação até o fim de 2027.

A OpenAI, dona do ChatGPT, anunciou uma parceria com a empresa de energia Sur Energy para a instalação de um grande data center na América do Sul. Focado em inteligência artificial, o projeto prevê uma infraestrutura com capacidade de 500 megawatts na região da Patagônia argentina.

A iniciativa faz parte do programa global Stargate, que busca criar infraestrutura de IA soberana em diferentes países. O projeto foi apresentado nesta quinta-feira (09/10) ao presidente argentino, Javier Milei. O investimento estimado será entre US$ 20 e US$ 25 bilhões.

O programa Stargate começou nos Estados Unidos em janeiro, mas já firmou acordos semelhantes com Reino Unido, Alemanha, Japão e Coreia do Sul. A Argentina é o primeiro país da América Latina a entrar na rede. Para Sam Altman, a expansão se trata de “colocar a inteligência artificial nas mãos das pessoas de toda a Argentina”.

Data center pensado para IA

Diferente de data centers tradicionais, o projeto é específico para altas demandas de processamento de inteligência artificial. O modelo de negócio consiste em uma joint venture entre a Sur Energy e um desenvolvedor de infraestrutura em nuvem, com a OpenAI se comprometendo a comprar a capacidade de computação gerada.

O objetivo é utilizar essa capacidade para impulsionar o desenvolvimento de uma nova economia digital no país, com tecnologia local. O jornal argentino La Nación reporta que o projeto busca adesão ao Regime de Incentivo a Grandes Investimentos (RIGI) do governo local, que oferece benefícios fiscais e aduaneiros.

Por que a Argentina?

ChatGPT e Sam Altman, CEO da OpenAI
Empresas visam aproveitar vantagens ambientais da região (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Segundo as empresas, a escolha da Patagônia envolve uma combinação de fatores técnicos e estratégicos. Entre eles:

  • Energia Renovável: a região possui grande disponibilidade de energia hidrelétrica, eólica e solar.
  • Infraestrutura: proximidade com linhas de alta tensão, subestações e anéis de fibra óptica que conectam os oceanos Atlântico e Pacífico.
  • Recursos Naturais: acesso a água fria, essencial para os sistemas de resfriamento de um data center de alta densidade.
  • Capital Humano: a OpenAI destacou a alta adoção de suas ferramentas no país. Segundo a empresa, um em cada três adultos argentinos usa o ChatGPT regularmente.

A joint venture construirá o data center em uma área de cinco a sete hectares e deve começar as obras em 2026. A primeira fase, com 100 MW de capacidade, tem previsão para entrar em operação até o final de 2027. O objetivo é escalar progressivamente até atingir a capacidade total.

“Este será, provavelmente, o maior centro de dados que já se construiu na América Latina”, afirmou Emiliano Kargieman, sócio da Sur Energy, ao La Nación.

Planos para o Brasil

Apesar de não ter entrado no projeto Stargate da OpenAI, o Brasil tem alguns planos de infraestrutura para data centers em discussão. Em agosto, a prefeitura do Rio de Janeiro apresentou o projeto Rio AI City, com previsão de US$ 65 bilhões em investimento para a construção de um mega campus na Zona Oeste do Rio.

A primeira fase, com capacidade de 1,5 GW, deve ser entregue até 2027. A ideia é transformar a cidade em um polo de IA até a próxima década.

OpenAI decide trazer o megaprojeto Stargate para a América do Sul

OpenAI (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

ChatGPT e Sam Altman, CEO da OpenAI (imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
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