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Governo Federal inicia migração de dados do SUS para nuvem nacional

12 de Agosto de 2026, 07:03
Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresenta primeira fase do programa Nuvem Soberana (imagem: divulgação/Governo Federal)
Resumo
  • O Governo Federal iniciou o programa Nuvem Soberana do SUS, migrando dados de saúde para servidores locais administrados pelo Serpro, visando garantir soberania digital e reduzir dependência de tecnologias estrangeiras.
  • A primeira fase envolve 230 milhões de brasileiros e estrangeiros no Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS), com investimento inicial de R$ 18 milhões.
  • A migração busca melhorar a acessibilidade e segurança dos dados, seguindo a LGPD, e integrando mais de 450 aplicações de forma unificada.

O Governo Federal deu início nesta terça-feira (11) ao programa Nuvem Soberana do SUS, uma grande migração dos dados nacionais de saúde para servidores locais. Os computadores serão administrados pelo Estado por meio do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), e a ideia é garantir soberania digital na área. A promessa também passa por uma acessibilidade maior aos dados dos pacientes pelas instituições de saúde, além de menor dependência de tecnologias estrangeiras.

A primeira fase vai levar em conta os mais de 230 milhões de brasileiros e estrangeiros no Cadastro Nacional de Usuários do SUS (CadSUS), enquanto a segunda etapa vai focar na Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), com 5 bilhões de registros. Por fim, o governo fala em consolidação, com mais de 450 aplicações funcionando de forma integrada.

Segundo o Ministério da Saúde, a experiência dos brasileiros ao utilizar os serviços digitais do SUS será a mesma, mas com maiores garantias de segurança seguindo a LGPD e integração de dados a nível federal. O ministro Alexandre Padilha anunciou o investimento inicial de R$ 18 milhões na primeira fase, chamada de Fundação, com previsão de finalizar a migração do CadSUS até o fim de 2027.

Soberania digital no centro do debate

A iniciativa tem a ver com a chamada governança digital. De acordo com o governo, a China, a Rússia e países do continente europeu passam por processo similar. A busca é por controle interno de serviços públicos, hoje totalmente integrados ao ambiente digital.

Um estudo divulgado pelo Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2025 apontou os problemas de hospedar dados sensíveis do SUS em serviços de empresas estrangeiras. A RNDS, por exemplo, é hospedada atualmente no Serpro MultiCloud, infraestrutura que utiliza serviços de big techs como a Amazon Web Services (AWS). A migração dos dados seria uma forma de driblar essa dependência tecnológica.

Projeto está dividido em três fases (imagem: divulgação/Ministério da Saúde)

Outro exemplo envolvendo governança digital é a participação do Brasil na WAICO, Organização Internacional de Cooperação em Inteligência Artificial. Os 29 integrantes buscam estratégias para aumentar o acesso do Sul Global ao desenvolvimento de inteligência artificial. Hoje, mesmo com modelos de IA nacionais, o Brasil ainda depende de LLMs de empresas estrangeiras, em especial as americanas Google, OpenAI e Anthropic, e ainda falta bastante para pensar numa independência no setor.

Digitalização do SUS

Durante o evento, em Brasília, o Governo Federal trouxe alguns dados a respeito da digitalização do SUS. Atualmente, são mais de 70 milhões de downloads do app SUS Digital, enquanto a versão profissional do app já tem integração com 84% dos municípios pelo país. Com a unificação das informações, por exemplo, a promessa é de que o acesso destes profissionais será mais fácil.

Além disso, o ministério também aponta a importância da digitalização para oferecer serviços como teleatendimento, que registrou um aumento no último ano. Essa é outra área que pode ganhar com a migração de dados para servidores inteiramente nacionais, com maior agilidade no cruzamento de dados e informações sobre atendimentos especializados, redes de apoio, entre outros exemplos.

Governo Federal inicia migração de dados do SUS para nuvem nacional

Projeto está dividido em três fases (imagem: divulgação/Ministério da Saúde)

OpenAI, Anthropic e Linux Foundation querem padronizar agentes de IA

9 de Dezembro de 2025, 17:20
Ilustração de inteligência artificial, com um rosto gerado por computador
Agentes de IA são capazes de seguir instruções e executar tarefas em um computador (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)
Resumo
  • A Agentic AI Foundation (AAIF), liderada pela Linux Foundation, busca padronizar tecnologias de agentes de IA.
  • OpenAI, Anthropic e Block doaram tecnologias como MCP, Agents.md e Goose para promover uma infraestrutura comum.
  • A AAIF visa evitar monopólios tecnológicos e “cercadinhos” que dificultem integrações.

A Linux Foundation anunciou a formação de um grupo chamado Agentic AI Foundation (AAIF), voltado a padronizar as tecnologias de agentes de inteligência artificial. OpenAI, Anthropic e Block abriram os códigos de algumas de suas tecnologias para contribuir com o projeto.

Além dessas três empresas, a AAIF conta com AWS, Bloomberg, Cloudflare, Google e Microsoft. Segundo a Linux Foundation, o objetivo é criar um grupo neutro e aberto para garantir que essa tecnologia “evolua de maneira transparente e colaborativa”.

OpenAI, Anthropic e Block fazem doações

O pontapé inicial da AAIF veio com três doações de tecnologia. A Anthropic cedeu seu Model Context Protocol (MCP), um padrão para conectar modelos e agentes de IA a ferramentas e dados já adotado pelo Claude, da própria empresa, e também por Cursor, Microsoft Copilot, Google Gemini, VS Code e ChatGPT, entre outras plataformas.

Ilustração em fundo laranja mostra o contorno preto de um rosto humano de perfil, voltado para a esquerda, com uma mão aberta abaixo do queixo. À frente do rosto, flutua um símbolo branco circular com pontos conectados, semelhante a órbitas ou a um diagrama molecular, sugerindo inteligência artificial e interação entre humano e tecnologia.
MCP da Anthropic já foi adotado por várias plataformas (imagem: divulgação)

A OpenAI doou o Agents.md, um arquivo com instruções para agentes de programação com IA. Ele funciona como uma fonte de diretrizes para que os agentes possam operar de maneira consistente, mesmo usando diferentes ferramentas e repositórios.

Por fim, a Block doou o Goose, framework para agentes de IA que combina modelos de linguagem, ferramentas extensíveis e integração com o MCP. Menos conhecida das três empresas, ela tem Jack Dorsey, ex-Twitter, como seu cofundador e CEO, e oferece produtos financeiros como o sistema de vendas Square e o app de transferências Cash App.

Fundação quer definir infraestrutura

Como nota o TechCrunch, a participação de grandes empresas sugere um compromisso para que haja regras definidas para todos no setor, visando a confiabilidade dos agentes de IA.

“Precisamos de múltiplos [protocolos] para negociar, comunicar e trabalhar juntos”, explica Nick Cooper, engenheiro da OpenAI, ao TechCrunch. “Esse tipo de abertura e comunicação significa que nunca haverá apenas um fornecedor, um servidor, uma empresa”, completou.

Jim Zemlin, diretor-executivo da Linux Foundation, diz que o objetivo é evitar que exista um “cercadinho” com camadas de tecnologia proprietárias e conexões trancadas.

As empresas podem doar dinheiro para financiar as atividades da AAIF, mas os projetos e direcionamentos serão definidos por comitês técnicos, de forma multilateral.

Esse ponto foi importante na decisão da Anthropic de doar o MCP para a AAIF. Dessa forma, o protocolo não fica dependente de um único desenvolvedor. “Nossa meta é ter adoção suficiente para que se torne um padrão de facto”, afirma David Soria Parra, cocriador do MCP.

Com informações da Linux Foundation e do TechCrunch

OpenAI, Anthropic e Linux Foundation querem padronizar agentes de IA

(ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Anthropic já oferece Haiku 4.5 e Sonnet 4.5, versões menores do modelo de IA (imagem: divulgação)

AWS lança plataforma de IA para resolver apagões nos serviços

2 de Dezembro de 2025, 16:05
Fachada de prédio da Amazon Web Services
AWS está integrando modelos de IA para melhorar estabilidade de serviços (foto: Tony Webster/Flickr)
Resumo
  • AWS lançou o DevOps Agent, uma plataforma de IA para investigar e resolver interrupções em serviços digitais.
  • O DevOps Agent analisa incidentes usando dados de monitoramento de parceiros e sugere soluções automáticas.
  • A ferramenta está em fase de testes e visa reduzir o tempo de análise manual em falhas.

A AWS, serviço de nuvem da Amazon, anunciou nesta terça-feira (02/12) uma nova plataforma baseada em inteligência artificial para antecipar, investigar e ajudar empresas a resolver interrupções em seus serviços digitais.

A ferramenta, chamada DevOps Agent, combina modelos de IA da própria Amazon e de outros fornecedores para analisar incidentes técnicos a partir de dados de monitoramento de parceiros como Datadog e Dynatrace. O objetivo é diminuir a dependência de longas análises manuais em momentos de falha.

Segundo a AWS, a solução já está disponível para testes e será comercializada posteriormente. A novidade chega cerca de um mês depois de uma pane no sistema ter deixado vários sites e serviços fora do ar.

Como a ferramenta funciona?

O DevOps Agent usa agentes especializados para levantar hipóteses sobre a origem de um problema e propor caminhos de solução. Em vez de aguardar que o profissional de plantão comece a investigar, o sistema distribui automaticamente tarefas entre seus agentes internos.

À CNBC, o vice-presidente de IA agente da AWS, Swami Sivasubramanian, explicou que o sistema deve fornecer um relatório de incidente com uma “investigação preliminar” assim que um membro da equipe de operações entrar em contato, sugerindo uma solução.

Ilustração com o texto "AI" ao centro. Na parte inferior direita, o logotipo do "tecnoblog"é visível.
IA pode ajudar empresas a resolver interrupções (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

A plataforma deve agir como um assistente avançado, executando o trabalho inicial de triagem: identifica anomalias, cruza sinais vindos de diferentes ferramentas e prepara um relatório com possíveis causas e orientações de correção. Dessa forma, a equipe humana deve retomar o controle com maior clareza do que pode ter motivado a instabilidade.

Um banco na Austrália já testou a solução e indicou ganhos expressivos. Segundo a AWS, o DevOps Agent encontrou a causa de um incidente em menos de 15 minutos — uma atividade que, em situações semelhantes, poderia exigir horas do engenheiro mais experiente.

O lançamento ocorre em um cenário em que grandes provedoras de nuvem buscam incorporar IA em serviços para desenvolvedores. Microsoft e Google, por exemplo, introduziram recursos similares ao longo do ano. A própria AWS já vinha ampliando seu portfólio de automação, incluindo ferramentas de geração de código, como o Kiro, anunciado no meio do ano.

AWS lança plataforma de IA para resolver apagões nos serviços

Amazon Web Services (Imagem: Tony Webster/Flickr)

Inteligência artificial (ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Pane na AWS afeta Mercado Livre, Alexa, iFood e mais serviços

20 de Outubro de 2025, 06:04
Ilustração com a marca do Mercado Livre e desenhos de caveiras atrás
Busca do Mercado Livre não funciona (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Resumo
  • A AWS enfrenta problemas operacionais em um data center na Virgínia, nos EUA.
  • A pane afeta serviços como Mercado Livre, Alexa, Mercado Pago e Prime Video.
  • A falha no sistema da AWS causou instabilidade em múltiplos serviços, incluindo dificuldades de acesso e funcionalidades limitadas.
  • A Amazon identificou problemas no DNS do DynamoDB e está trabalhando para resolver a interrupção.

O site de compras Mercado Livre, a assistente virtual Alexa, o jogo online Roblox e diversos outros serviços online estão fora do ar desde a manhã de hoje (20) devido a uma pane na AWS, a divisão de computação em nuvem da Amazon. As reclamações sobre essas e outras plataformas dispararam a partir das 5h40.

De acordo com o monitoramento oficial da própria AWS, foi identificado um problema operacional num data center localizado na Virgínia (identificado como US-EAST-1), nos Estados Unidos. Por causa disso, “múltiplos serviços” da gigante de computação em nuvem passam por uma “interrupção”.

App do Mercado Livre exibe mensagem de erro (imagem: Tecnoblog)

Mercado Livre, Mercado Pago, Alexa e Duolingo

O Mercado Livre está entre os nomes nacionais mais afetados. Ao longo do dia, os consumidores encontram dificuldades para acessar a loja virtual e fazer buscas de produtos. Em vez disso, aparece o aviso de que “tivemos um problema” e que “estamos trabalhando para resolvê-lo”.

O conglomerado do Mercado Livre reconheceu, durante a tarde, que tanto a loja quanto o serviço de pagamentos Mercado Pago sofreram uma instabilidade “provocada por uma falha generalizada e ampla no sistema da AWS.” Ainda de acordo com a empresa, as equipes estão “trabalhando rapidamente para restabelecer o sistema”.

Já a Alexa ficou muda: durante muitas horas, o cliente até poderia desejar bom dia ou perguntar a previsão do tempo, mas a assistente virtual da Amazon não respondia. As luzes indicam que a requisição estava sendo processada, mas o dispositivo não falava nada. O Tecnoblog fez testes com uma Echo Pop.

Echo Pop (Imagem: Laura Canal/Tecnoblog)
Echo Pop é a caixinha de som com Alexa (foto: Laura Canal/Tecnoblog)

Os usuários do Duolingo conseguiram fazer as lições, com áudios e tudo mais. No entanto, a parte do aplicativo dedicada às ligas não exibia nenhum ranking.

Resposta da Amazon

A Amazon inicialmente detectou um problema no DNS de acesso à API do DynamoDB, um banco de dados ofertado aos clientes da AWS. “Nós estamos trabalhando em múltiplos caminhos paralelos para acelerar a recuperação.” No entanto, posteriormente percebeu que outras estruturas do negócio de nuvem estavam instáveis.

Numa atualização publicada às 6h27, a empresa disse o seguinte:

“Estamos observando sinais significativos de recuperação. A maioria das solicitações já deve estar sendo atendida. Continuamos trabalhando em um acúmulo de solicitações em fila. Continuaremos fornecendo informações adicionais.”

A pane na AWS também impacta o serviço de streaming Prime Video, a plataforma de produtividade Canva e o aplicativo de bem-estar Wellhub (antigo Gympass), segundo queixas no site especializado em serviços digitais DownDetector.

Pane na AWS afeta Mercado Livre, Alexa, iFood e mais serviços

Lojistas usam Mercado Livre para vender celulares contrabandeados, segundo CNCP (Ilustração: Vitor Pádua/Tecnoblog)

Echo Pop (Imagem: Laura Canal/Tecnoblog)
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