Visualização normal

Received before yesterdayNegócios

‘Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar’, diz Magda Chambriard

12 de Maio de 2026, 18:05

A presidente da Petrobras (PETR3, PETR4), Magda Chambriard, afirmou nesta terça-feira (12) que a atual administração da companhia mantém uma política contrária à anterior, que vendeu inúmeros ativos.

Segundo a executiva, a estatal deve não só manter participações em ativos e empresas, como a Braskem, mas também fazer novas aquisições.

“Esta administração da Petrobras não gosta de vender, só de comprar”, disse a jornalistas nesta tarde.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Segundo a executiva, a petroleira deixou “de lado” a Braskem nos últimos anos e agora o objetivo é retomar a atuação no setor petroquímico, amplamente relacionado à indústria de petróleo.

“Houve todo um esforço da nossa parte nos dois últimos anos para olhar essa parceria com outros olhos e para resolver um problema societário que se arrastava há muito tempo”, disse.

Ela reforçou, entretanto, que a Petrobras atuará tão somente como sócia da gigante petroquímica. “Temos 46% das ações com direito a voto da Braskem, uma participação acionária bastante relevante. Quanto ao resto, diz respeito à administração da própria Braskem.”

Leia mais: Petrobras tem lucro líquido de R$ 32,7 bi no 1º tri e anuncia dividendos de R$ 9 bi

Mais cedo, Chambriard esclareceu que sua visita recente ao México tinha como objetivo principal conversar com a presidente do país, Claudia Sheinbaum, sobre a oportunidade de uma parceria com a petroleira Pemex para explorar a área mexicana do Golfo do México.

“Quando olhamos para o Golfo do México, a [área] americana é altamente desenvolvida, mas a porção mexicana ainda é pouco desenvolvida. Isso ocorre em um ambiente de águas profundas, que inclusive é o nicho de atuação da Petrobras.”

Ela acrescentou que a companhia brasileira busca novos mercados, incluindo África e “muito provavelmente Venezuela”.

“Estamos em busca de novas incorporações futuras de reservas de óleo e gás. Uma parceria com a Pemex seria vantajosa para nós avaliarmos futuras possibilidades de exploração”, destacou.

Sobre a atuação na Venezuela, Chambriard afirmou que as regras para atuar no país vizinho vêm mudando, e que neste momento a companhia está tentando entender a nova legislação.

“Há uma lista de empresas vetadas [para atuar na Venezuela], dentre as quais as brasileiras não se enquadram, então estamos estudando a área”, disse.

Ela observou que, por volta de 2023, a Petrobras estudou o país vizinho. “Temos um juízo de valor sobre os ativos venezuelanos. O próximo passo é entender essa legislação e de que forma poderíamos atuar no país de forma consistente, que seja bom para a Petrobras, o Brasil e a Venezuela.”

Conflito no Oriente Médio

Chambriard voltou a dizer que a governança da companhia evita repassar o “nervosismo” dos preços internacionais do petróleo, em meio à guerra no Irã, para o consumidor brasileiro, embora a estatal “siga a lógica do mercado e os preços do mercado internacional”.

Ela lembrou que em apenas 12 dias após o início da guerra, o governo federal lançou uma subvenção em relação ao preço do diesel, com expectativa próxima de subvenção para a importação inclusive de forma retroativa.

No caso da gasolina, a executiva ressaltou que, no Brasil, há uma competição com o etanol, inclusive com a queda dos preços do combustível da cana de açúcar nos últimos tempos.

“Estamos tratando [internamente] sobre o aumento da gasolina, mas sempre de olho no market share e na evolução do etanol”, explicou.

O diretor financeiro e de relacionamento com investidores da Petrobras, Fernando Melgarejo, disse que, para este ano, o alvo da companhia continua sendo US$ 59 para o preço de equilíbrio (breakeven) do petróleo bruto.

“No ano passado, rodamos na ordem de US$ 89 de breakeven. Até 2030, miramos US$ 48 a US$ 50, independentemente do que vier pela frente em questão de preço”, disse.

Leia também:

Na MRV, a alta de custos freia a recuperação da margem. CFO vê ‘ponto fora da curva’

Frigol mira receita acima de R$ 7,5 bi em 2027 com exportações além da China, diz CEO

© Lucas Landau

Presidente da Petrobras, Magda Chambriard: "Estamos em busca de novas incorporações". (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)

Petrobras tem lucro líquido de R$ 32,7 bi no 1º tri e anuncia dividendos de R$ 9 bi

11 de Maio de 2026, 21:48

A Petrobras (PETR3, PETR4) registrou um lucro líquido de R$ 32,7 bilhões no primeiro trimestre do ano, queda de 7,3% em relação ao mesmo período do ano passado, informou a companhia nesta segunda-feira (11).

No critério sem eventos exclusivos, o indicador marcou R$ 23,8 bilhões, alta de 0,8% na mesma base de comparação.

Segundo a companhia, o resultado no trimestre foi influenciado pelo ganho com a variação cambial da ordem de R$ 12,3 bilhões e a reversão do impairment (baixa contábil).

“Entregamos resultados financeiros consistentes no primeiro trimestre de 2026, mantendo a forte geração de caixa, sustentada pela excelente performance dos nossos ativos e por recordes de produção de óleo e gás”, disse em comunicado o diretor financeiro e de relacionamento com investidores, Fernando Melgarejo.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Ainda nesta segunda-feira, a companhia informou que o conselho de administração aprovou o pagamento de remuneração aos acionistas no valor de R$ 9 bilhões, equivalente a R$ 0,7009 por ação ordinária e preferencial.

Leia mais: Produção da Petrobras cresce 16% no 1º trimestre; venda de derivados sobe 2,9%

No primeiro trimestre do ano, a companhia destacou o aumento da produção total própria e o incremento dos volumes produzidos e de venda de derivados.

No entanto, a petroleira disse em comunicado que os efeitos dos aumentos de preços do petróleo recentes “ainda não foram percebidos devido à lógica de precificação de exportações” e que a alta do barril após o início do conflito no Oriente Médio “estará refletida nas exportações do segundo trimestre de 2026.”

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado (sem eventos exclusivos) de janeiro a março foi de R$ 61,7 bilhões, queda de 1% na comparação anual.

De acordo com a Petrobras, o resultado foi impulsionado pelo aumento nas vendas de derivados produzidos e menores despesas operacionais, em especial a redução dos custos exploratórios.

Por outro lado, as exportações reduzidas de petróleo no período atenuaram parcialmente os resultados.

No trimestre, a receita de vendas atingiu R$ 123,6 bilhões, alta de 0,4% sobre um ano antes.

Dívida e capex

A dívida líquida da estatal atingiu US$ 62 bilhões no primeiro trimestre, ante US$ 56 bilhões um ano antes.

De janeiro a março, os investimentos totalizaram US$ 5,1 bilhões, alta de 25,6% na comparação anual. No período, o segmento de exploração e produção se destacou, concentrando 87,4% do capex.

Na visão do analista da Suno Research, João Daronco, o resultado do trimestre não decepcionou estruturalmente, mas frustrou na margem.

“A operação está entregando, mas o problema é que o timing do reconhecimento de receita ‘comeu’ o efeito do Brent, o capital de giro pesou no fluxo de caixa operacional e os dividendos vieram apenas razoáveis em um trimestre que, pelo cenário de preços, prometia mais”, disse o analista em nota.

Daronco acrescentou que os aspectos de longo prazo seguem intactos, com a Petrobras mantendo um dos custos de produção (“lifting cost”) mais baixos do mundo, além de um cronograma de novos sistemas de produção até 2030, geração de caixa estrutural relevante e endividamento confortável.

Em sua avaliação, o maior risco para a companhia é a governança estatal e a política dos preços e do capital.

Leia também:

Estoques de petróleo no limite acendem alerta, apesar do preço do barril, diz Goldman

Guerra no Irã acende alerta para metas da Vale, com pressão sobre custos e logística

© Lucas Landau

A companhia informou a aprovação do pagamento de dividendos de R$ 9 bilhões. Foto: Lucas Landau/Bloomberg

Leilões e R$ 45 bi de debêntures: como o saneamento virou protagonista da renda fixa

5 de Maio de 2026, 06:00

Historicamente financiado por recursos públicos, o setor de saneamento tem se tornado cada vez mais uma alternativa de renda fixa para o investidor.

Com a expansão dos leilões de projetos de água e esgoto dos últimos anos, o mercado de capitais encerrou 2025 com emissões de debêntures que somaram R$ 44,7 bilhões, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Somente no primeiro trimestre deste ano, o montante emitido foi de R$ 11,4 bilhões para saneamento.

O número reflete não apenas a escala do investimento necessário para universalizar o serviço até 2033 mas também a confiança crescente de investidores em um setor que, até pouco tempo atrás, era visto basicamente como estatal.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

“O saneamento tem registrado praticamente o mesmo volume de emissões de debêntures que o setor de rodovias, cujo mercado privado vem amadurecendo há mais de 30 anos”, afirma o sócio do Levy & Salomão Advogados, Saulo Puttini.

Ele acrescenta que o prazo médio de retorno do investimento desses títulos (duration) é significativamente mais longo do que seus pares em rodovias, chegando a 30 anos.

Leia também: A próxima fronteira da IA é o mundo físico, diz diretora global da Siemens

Neste cenário, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) desempenha um papel importante na subscrição de garantias.

“Trata-se de uma indústria relativamente nova, que ainda precisa testar reequilíbrios de contratos, por exemplo. Mas o mercado está acreditando muito”, diz Puttini.

Na visão do sócio da assessoria financeira Virtus BR Partners, Douglas Bassi, já é possível afirmar que o saneamento virou uma aposta de renda fixa para o investidor. “É preciso avaliar o todo para saber se há algum risco corporativo, mas no geral as debêntures [do setor] pagam boas taxas com risco relativamente baixo.”

Desde a aprovação do novo marco regulatório do saneamento em 2020, aproximadamente R$ 202 bilhões de investimentos foram contratados em 66 leilões, segundo dados da Abcon, entidade que representa as empresas do setor. O volume refere-se a cerca de 1.700 municípios que colocaram em contrato suas metas de universalização.

Ainda de acordo com o último dado oficial do governo federal, o investimento já desembolsado para o setor alcançou volume recorde em 2024, de R$ 29 bilhões – um aumento de 67% sobre 2020, período anterior ao novo marco.

A diretora técnica da Abcon, Ilana Ferreira, afirma que o setor como um todo ainda é amplamente dependente dos recursos de tarifas para se financiar no âmbito das empresas públicas.

No entanto, diante da entrada significativa de operadores privados no saneamento, seja por concessões ou Parcerias Público-Privadas (PPPs), houve a entrada de novas modalidades de recursos para financiar o setor, principalmente do mercado de capitais, com o BNDES ainda desempenhando um papel essencial.

Leia mais: Na Roche, área de diagnósticos já fatura R$ 1,5 bi. O CEO vê espaço para crescer mais

Outras instituições como o IFC (braço do Banco Mundial) e a Caixa, com os recursos provenientes do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), completam o rol de principais financiadores de novos projetos de água e esgoto.

Ferreira pondera que o setor ainda passa por um momento de capex elevado para expandir as redes e que o retorno desse tipo de investimento é naturalmente mais demorado. “Por isso, as linhas dessas instituições são muito importantes”, diz.

Carteira de projetos

A Abcon contabilizava até o fim de abril 24 projetos de água e esgoto em estruturação no âmbito do governo federal, somando quase R$ 36,7 bilhões em investimentos previstos. O critério para ingresso na carteira da entidade é que o projeto tenha passado por consulta pública, uma etapa mais avançada do processo.

Esse volume contempla contratos para 592 municípios. Um dos mais emblemáticos é o projeto de Porto Alegre, que há anos vem sendo gestado e, por ora, é esperado para ser leiloado no primeiro semestre de 2027. O serviço de água e esgoto da maior parcela do Rio Grande do Sul, excluindo a capital, foi 100% privatizado em leilão arrematado pela Aegea em 2022.

Nesta conta, não está incluído o projeto de privatização da Copasa, companhia estadual de Minas Gerais.

O próximo leilão do setor deve ocorrer na Paraíba e está previsto para 15 de maio. O projeto contempla uma concessão de 25 anos, em bloco único, e investimento estimado de aproximadamente R$ 3 bilhões.

Outras oportunidades aguardadas pelo mercado incluem leilões em Sergipe, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte.

A diretora da Abcon avalia que as opções de projetos de grande porte estão acabando, mas ainda há oportunidades de investimentos para municípios. “A tendência de leilões para os próximos anos é de projetos municipais”, diz Ferreira.

Ela acrescenta que o setor deve passar ainda por um importante período de amadurecimento, com as normas de referência da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) e a reforma tributária.

“Precisamos de um olhar atento para os pedidos de reequilíbrio contratual. Para garantir a adaptação ao novo marco e o atendimento à população, a segurança jurídica nesse processo é essencial”, afirma.

Na visão do sócio do Levy & Salomão, acelerar a análise dos pedidos de reequilíbrio de contratos pode justamente preservar o valor das debêntures do setor de saneamento. “Se houver um acúmulo de revisões tarifárias decorrente de pedidos de reequilíbrio, o mercado pode começar a reprecificar essas dívidas”, avalia Puttini.

O advogado observa, porém, que à medida que a indústria torna-se mais padronizada, mais apelo terá para os investidores.

Na avaliação de Ferreira, a velocidade de leilões de saneamento está dentro do esperado. “Passamos por uma transformação muito drástica no setor, uma mudança normativa quase visceral. De modo geral, os estados todos estão se movimentando para a universalização”, avalia.

Leia também

Guerra no Irã acende alerta para metas da Vale, com pressão sobre custos e logística

Escassez de galpões logísticos pressiona preços e acirra a disputa por novos espaços

A próxima fronteira da IA é o mundo físico, diz diretora global da Siemens

Complexo industrial de saneamento: o setor passa por mudanças após o novo marco regulatório. (Foto: Divulgação)

Produção da Petrobras cresce 16% no 1º trimestre; venda de derivados sobe 2,9%

30 de Abril de 2026, 21:48

A produção média de óleo, líquidos de gás natural e gás natural da Petrobras (PETR3, PETR4) no primeiro trimestre alcançou 3,23 milhões de barris (boed), alta de 16,1% na comparação anual, informou a estatal na noite desta quinta-feira (30).

Segundo a companhia, o resultado se deve principalmente ao aumento das operações (ramp-up) de plataformas e eficiência operacional em diversos campos, bem como a redução do volume de perdas associadas a paradas para manutenções.

No período, entraram em operação 10 novos poços produtores. A petroleira atribuiu ao fortalecimento dos sistemas de produção o elevado patamar de eficiência dos ativos, o que incluiu tanto o pré-sal quanto o pós-sal.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O avanço ocorre no momento de alta dos preços do petróleo e derivados no mercado global, em razão da guerra no Oriente Médio, o que eleva as preocupações sobre os efeitos sobre a inflação e a política monetária.

No primeiro trimestre, a produção de óleo na camada pré-sal cresceu 17,8% sobre igual período do ano passado, para 2,1 milhões de boed. No pós-sal e ultra profundo, o avanço foi de 10%. Os volumes de gás natural subiram 16,5% na mesma base de comparação.

No negócio de derivados, a Petrobras reportou no trimestre um aumento da produção total de 6,4% sobre igual período de 2025, para 1,8 milhão de bpd.

Leia mais: Estoques de petróleo no limite acendem alerta, apesar do preço do barril, diz Goldman

Diesel, querosene de aviação (QAV) e gasolina representaram 68% da produção total de derivados de janeiro a março.

Segundo a estatal, a maior produção possibilitou o aumento das vendas no país e, consequentemente, a redução das importações.

No trimestre, as vendas de derivados no mercado interno registraram alta de 2,9% em relação a igual intervalo de 2025, o que segundo a Petrobras demonstra o “aumento da competitividade da companhia em mercados estratégicos e sua eficiência operacional” diante de um cenário de recuperação da atividade econômica.

O fator de utilização total (FUT) do parque de refino atingiu o patamar de 95%, 6 pontos percentuais acima do trimestre anterior, em meio às incertezas do mercado global. Em março, o indicador atingiu 97,4%, maior utilização do parque desde dezembro de 2014.

Ainda em março, houve recorde de produção de diesel S10 (com menor nível de enxofre), que é um derivado “estratégico para a companhia e para o país, por ser menos poluente e ter baixo impacto ambiental”, aponta a Petrobras.

No trimestre, as exportações de óleo tiveram um aumento de 73,9% sobre igual intervalo do ano passado, impulsionado principalmente pelos maiores volumes de produção. A China e a Índia elevaram as compras da Petrobras no período.

Leia também:

CEO da Petrobras vê ‘nervosismo desnecessário’ no mercado e defende política de preços

Usiminas: lucro líquido sobe 166% no primeiro trimestre com ganhos cambiais

Guerra no Irã acende alerta para metas da Vale, com pressão sobre custos e logística

Chama de queima em plataforma de produção operada pela Petrobras. (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)

Guerra no Irã acende alerta para metas da Vale, com pressão sobre custos e logística

29 de Abril de 2026, 15:00

A continuidade da guerra no Irã e seus efeitos para o preço do petróleo e a circulação na região acendem um alerta para a Vale (VALE3). Segundo executivos, a companhia está atenta para conseguir atingir as metas para este ano.

“Vamos observar a estabilidade da região do ponto de vista geopolítico, a disponibilidade e precificação do gás natural, que é um insumo importante, e a nossa capacidade logística de chegar aos clientes, o que neste momento é um gargalo na região”, disse o CFO da Vale, Marcelo Bacci, a jornalistas nesta quarta-feira (29).

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Em meio aos desafios de circulação na região, com as restrições no Estreito de Ormuz, no início do mês a mineradora decidiu antecipar a parada para manutenção da planta de beneficiamento de pelotas em Omã.

O diretor de relações com investidores da companhia, Thiago Lofiego, afirmou que a decisão não afeta os planos de produção para o ano, uma vez que a parada já estava programada.

Ele acrescentou que, mesmo diante de um cenário de prolongamento do conflito, a companhia ainda possui capacidade ociosa de pelotas no Brasil, o que deve suprir eventuais demandas necessárias.

Leia mais: Lucro da Vale sobe 39% no 1º trimestre e atinge US$ 1,9 bi com alta de preços e volumes

“A parada para manutenção anual normalmente dura 45 dias. Nós vamos avaliar à medida que a situação se desenvolver. Não conseguimos determinar quanto tempo deve ficar parada”, ponderou Lofiego.

A Vale mantém o guidance para produção de pelotas em 2026 em um intervalo entre 30 milhões a 34 milhões de toneladas.

Bacci esclareceu que a Vale está trabalhando com o preço futuro do petróleo como referência para suas projeções. Segundo o executivo, atualmente nas bolsas de futuro a cotação do barril (daqui até o final do ano) está em cerca de US$ 90. No mercado spot (à vista), está um pouco acima de US$ 100.

“Se o mercado permanecer como está hoje, vamos entregar nosso custo no topo do guidance, mas ao menos dentro dele."

Ele acrescentou que a oscilação do barril afeta o preço do frete marítimo, principal razão pela qual o custo “all-in” (de entrega no cliente) subiu neste ano.

O aumento do petróleo também impacta o diesel, o que consequentemente eleva o “custo c1″ (da mina até o porto). “Se a alta do petróleo persistir, vamos continuar vendo esses efeitos tanto no all-in quanto no c1."

Bacci avalia que o cenário de frete marítimo mais caro afeta toda a indústria global, mas ainda mais profundamente os produtores de alto custo.

A companhia estima que, no momento, essas empresas têm enfrentado um aumento de custo da ordem de US$ 10 por tonelada de minério de ferro, enquanto que, para produtores competitivos, o que inclui a Vale, a alta é de US$ 5 por tonelada.

Neste contexto, 50 milhões de toneladas de oferta de minério de ferro operariam no prejuízo e poderiam sair do mercado.

Leia também:

‘Deixo um banco melhor’, diz Mario Leão em último balanço como CEO do Santander Brasil

Volvo está pronta para ajudar a Geely a produzir carros na Europa, diz CEO

Limitações do Brasil podem virar vantagem competitiva em IA, segundo especialistas

Circulação na região do Oriente Médio segue comprometida devido ao conflito no Irã (Foto: Bloomberg)

Lucro da Vale sobe 39% no 1º trimestre e atinge US$ 1,9 bi com alta de preços e volumes

28 de Abril de 2026, 20:30

O lucro líquido da Vale (VALE3) no primeiro trimestre alcançou US$ 1,9 bilhão, alta de 39% sobre o mesmo período do ano passado, segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na noite desta terça-feira (28).

No critério atribuível aos acionistas proforma, que exclui itens não recorrentes, o resultado líquido alcançou US$ 1,89 bilhão no período, alta de 29% ano contra ano.

Segundo o documento, o desempenho se deve a maiores preços de referência e melhor realização em todos os segmentos, bem como volumes mais elevados de vendas de minério de ferro, cobre e níquel.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

“Durante o trimestre, alcançamos recordes de produção em múltiplos ativos, demonstrando a força de nossas operações. Nosso portfólio flexível nos permitiu capturar oportunidades em um ambiente de mercado robusto, enquanto a busca contínua por eficiência de custos segue preservando nossa competitividade e construindo resiliência diante de pressões externas persistentes”, afirmou o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, no balanço.

Leia mais: Compass, da Cosan, planeja captar R$ 3,1 bi em primeiro IPO no Brasil em quase 5 anos

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado atingiu US$ 3,8 bilhões de janeiro a março, alta de 23% sobre igual período do ano passado.

De acordo com o documento, os efeitos positivos do trimestre foram parcialmente compensados pelo impacto negativo da apreciação do real, maiores custos e despesas operacionais, incluindo a aquisição de volumes de terceiros.

Já a receita líquida da companhia foi de US$ 9,2 bilhões no primeiro trimestre, um avanço de 14% ano contra ano.

As projeções do mercado para o desempenho da mineradora apontavam para um crescimento dos principais indicadores.

A Vale destacou que as vendas melhoraram em todos os segmentos de negócios no período.

O preço médio realizado do minério de ferro foi 5,5% superior ao mesmo intervalo do ano passado, atingindo US$ 95,8 por tonelada, impulsionado principalmente pela maior qualidade e prêmios. Segundo a companhia, isso reflete a estratégia de portfólio de produtos, a flexibilidade do mix e prêmios de mercado mais elevados para insumos com baixo teor de alumina.

A Vale salientou que o custo médio do frete marítimo da companhia se manteve estável em relação ao último trimestre de 2025, diante da eficácia da estratégia de afretamento de longo prazo “que reduz tanto custos quanto volatilidade”.

No entanto, a mineradora informou no balanço que o custo anual caminha para o limite superior das faixas de estimativas se considerado o consenso de mercado de câmbio médio de R$ 5,25 para o dólar e preços do petróleo Brent (e produtos relacionados) de US$ 90 por barril.

A dívida líquida da Vale atingiu US$ 13,558 bilhões no primeiro trimestre, aumento de 11% na comparação anual. O prazo médio da dívida encerrou o trimestre em 8,4 anos.

Leia também:

Raízen envia nova proposta a credores, mas resiste à saída de Ometto, dizem fontes

Escassez de galpões logísticos pressiona preços e acirra a disputa por novos espaços

A companhia divulgou crescimento dos indicadores nesta terça-feira. (Foto: Bloomberg)

Escassez de galpões logísticos pressiona preços e acirra a disputa por novos espaços

28 de Abril de 2026, 06:00

O mercado de condomínios logísticos em São Paulo, maior polo do país, registra um contexto de escassez severa, o que pode redefinir o horizonte para o setor neste ano.

Segundo dados da CBRE, 58% do estoque previsto em desenvolvimento para entrega em 2026 já está pré-locado, refletindo a intensidade da demanda.

“A escassez já é uma realidade. Claramente faltam opções”, disse o diretor de industrial & logística da CBRE Brasil, Rodrigo Couto, em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O volume de construções sob medida (nicho conhecido como BTS, na sigla em inglês) também aumentou consideravelmente, relata o executivo.

No primeiro trimestre, a absorção bruta de galpões logísticos no mercado brasileiro somou 1,1 milhão de metros quadrados, alta de 83% em relação ao mesmo período de 2025. Já a absorção líquida cresceu 358% na mesma base, para 562 mil m².

Leia mais: Com estoque limitado, Av. Paulista impulsiona escritórios em regiões vizinhas

“A alta de preços e da demanda motiva novas incorporações. Mas o único aspecto que limita um crescimento mais forte é o custo do capital”, diz Couto.

Ele relata que o financiamento está mais caro e restrito, embora haja a expectativa no mercado de um primeiro movimento de redução da taxa de juros, o que deve acelerar a produção de galpões.

O executivo acrescenta, no entanto, que todos os estados têm perspectivas de crescimento, apesar do fator limitante do custo de capital.

Principais polos

Do ponto de vista de ocupação, o mercado apresenta sinais de forte pressão da demanda em relação à oferta. A taxa de vacância no eixo de São Paulo ficou em aproximadamente 7% no trimestre, aponta a CBRE, indicando redução dos espaços ociosos e maior absorção do estoque disponível.

Municípios como Barueri, próximo a São Paulo, operam com apenas 2% de disponibilidade. Já em Minas Gerais, a vacância está em torno de 5,8% e, no Rio de Janeiro, próximo de 12%.

O eixo de São Paulo segue como o principal motor do crescimento do setor. No primeiro trimestre, foram entregues aproximadamente 269 mil m² de novos estoques em um raio de até 120 quilômetros da capital, mantendo o ritmo de expansão observado ao longo do último ano.

O destaque ficou para a concentração geográfica da oferta e da demanda: cerca de 96% das novas entregas ocorreram no raio de até 30 quilômetros da cidade de São Paulo, que por sua vez concentrou 62% de toda a absorção bruta no período.

Cajamar, Guarulhos, Barueri e Jundiaí seguem como os principais polos logísticos do país. Os dois últimos reforçam sua relevância como alternativas estruturadas, aponta a CBRE, e regiões como Araçariguama, Atibaia e Campinas ganham espaço como mercados complementares.

Os valores de locação refletem a concentração geográfica. Áreas mais próximas à capital paulista têm patamares mais elevados, com preços que podem chegar a R$ 50 por m².

Já regiões intermediárias, como Cajamar e Barueri, apresentam faixas entre R$ 26 e R$ 42 por m², enquanto localidades um pouco mais distantes como Campinas, Sorocaba e a região do Vale do Paraíba operam entre R$ 22 e R$ 27por m².

Os preços dos aluguéis estão subindo consistentemente há cerca de três anos, com aumento médio real de 5% a 10% ao ano, aponta a CBRE. O desequilíbrio entre novo estoque e aumento da demanda tem reduzido a taxa de vacância de 1% a 2% ao ano, colocando ainda mais pressão no acréscimo de preços. A expectativa para 2026 é de alta leve nos preços gerais.

O e-commerce continua sendo um dos principais vetores de absorção dos estoques de galpões logísticos, segundo a consultoria, impulsionando a busca por ativos mais bem localizados e preparados para operações mais complexas.

Couto cita como exemplo de forte demanda o que ocorreu em Guarulhos, onde uma única empresa de e-commerce ocupou 400 mil m² de uma só vez, zerando o estoque na região.

O especialista acrescenta que as empresas que tiverem que adiar a decisão de investir em um centro de distribuição podem ter que esperar um a dois anos para ocupar novos estoques ou mesmo mudar de região.

Operadores logísticos, e-commerce e indústria responderam por cerca de 70% da absorção bruta no primeiro trimestre, o que consolida estes setores na liderança da demanda por galpões e condomínios.

Leia também

De terrenos à formação de corretores: as apostas da nova geração da Coelho da Fonseca

Após recuperar prédios no centro de São Paulo, Planta avança para bairros nobres

De café coado a Starbucks: a equação da WeWork para atender clientes no Brasil

No primeiro trimestre, a absorção bruta de galpões logísticos no mercado brasileiro somou 1,1 milhão de metros quadrados, alta de 83% em relação ao mesmo período de 2025 (Foto: David Peinado/Bloomberg)

Vale: mercado aponta avanço dos indicadores financeiros no primeiro trimestre

27 de Abril de 2026, 18:36

As projeções do mercado para o desempenho da Vale (VALE3) no primeiro trimestre do ano apontam para um avanço dos principais indicadores, em meio a volumes maiores de produção e preços mais altos de metais básicos, segundo relatórios do J.P. Morgan, Citi e Santander.

A divulgação do desempenho financeiro da companhia está programada para esta terça-feira (28), após o fechamento do mercado.

No geral, o mercado prevê um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de aproximadamente US$ 4 bilhões para a mineradora de janeiro a março, refletindo a força operacional e o ambiente de preços mais favorável para commodities. No mesmo período do ano passado, a companhia registrou um Ebitda ajustado de US$ 3,1 bilhões.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O Citi projeta um lucro líquido para a Vale de US$ 2 bilhões no primeiro trimestre. Em igual intervalo do ano passado, a companhia lucrou US$ 1,39 bilhão.

Já a receita líquida deve ficar na faixa de US$ 10 bilhões no trimestre, segundo o banco.

No último dia 16, a mineradora informou que o desempenho no primeiro trimestre foi marcado por “forte produção e vendas, com múltiplos ativos atingindo seus maiores níveis de produção”.

No minério de ferro, o ramp-up de novos ativos sustentou o crescimento consistente da produção. As vendas alcançaram o maior nível para um primeiro trimestre desde 2018.

Leia mais: Estoques de petróleo no limite acendem alerta, apesar do preço do barril, diz Goldman

Em metais básicos, a produção atingiu crescimento expressivo, com o cobre atingindo sua melhor produção de primeiro trimestre desde 2017 e, o níquel, desde 2020.

Os resultados operacionais superaram as expectativas do mercado, sinalizando uma trajetória de recuperação nos principais indicadores financeiros.

Para os analistas do Citi, esses resultados representam um início de ano “promissor, especialmente para os metais básicos”. Embora a sazonalidade mais fraca do primeiro trimestre tenha pressionado a divisão de ferrosos, a força da unidade de metais básicos e as maiores receitas de subprodutos compensaram esses efeitos, o que deve trazer crescimento no período.

Os números esperados para o trimestre sugerem ainda que a Vale pode surpreender positivamente nos próximos trimestres.

Leia também:

Raízen envia nova proposta a credores, mas resiste à saída de Ometto, dizem fontes

A próxima fronteira da IA é o mundo físico, diz diretora global da Siemens

© Dado Galdieri

Operação da Vale em Parauapebas, Pará. Foto: Dado Galdieri/Bloomberg

A próxima fronteira da IA é o mundo físico, diz diretora global da Siemens

26 de Abril de 2026, 06:00

A inteligência artificial (IA) industrial promete ser mais abrangente do que os modelos baseados em linguagem natural, fortemente dependentes de idiomas como o inglês. Esta é a visão da diretora global de pesquisa em IA Industrial da Siemens, Olympia Brikis.

Apesar do avanço significativo de modelos criados para interpretar e recriar a linguagem humana, como o ChatGPT, por exemplo, esse tipo de tecnologia ainda apresenta algumas barreiras para determinadas tarefas.

“Quando se trata de engenharia e dados físicos do mundo real, o desafio será menor, porque os padrões que usamos na indústria são universais em todos os idiomas”, disse a executiva em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Brikis é mestre em Ciências da Computação pela Universidade Ludwig-Maximilians, de Munique, na Alemanha, e desde 2015 leciona sobre inteligência artificial, além de atuar como consultora da Comissão Europeia para a área.

Ela conta que sua jornada na área da IA não foi linear. “Comecei estudando matemática, não sabia que acabaria programando ou escrevendo códigos.”

Conforme estudava matemática, ela percebeu que a resolução de problemas do mundo real usando os conceitos de pensamento analítico era sua grande motivação.

No final da graduação, Brikis acabou mudando o curso para Ciências da Computação e também estudou, em paralelo, filosofia. “Além do campo técnico, eu sentia que precisava ampliar as minhas perspectivas, pensar os problemas de maneira mais holística.”

Olympia Brikis, diretora global de pesquisa em Inteligência Artificial Industrial da Siemens:

Para a executiva, o desenvolvimento de sua carreira em torno da IA acabou sendo coerente. “Agora, olhando para trás, vejo que matemática, filosofia e ciências da computação convergem em torno da IA — o campo onde essas três disciplinas se encontram”, avalia.

Ela acrescenta que o salto na sua carreira para a IA industrial, também chamada de IA física, foi guiado principalmente pelo fato de ela ter feito um estágio na Siemens durante o seu mestrado.

Em meados de 2017, quando o campo da IA possuía ainda menos mulheres nesse tipo de pesquisa, Brikis chegou à Siemens para atuar em automação e engenharia. “Cheguei à empresa com toda uma bagagem, mas conheci uma indústria onde a IA praticamente não era usada”, afirma.

Leia mais: Êxodo de empreendedores do Brasil para o Vale do Silício impõe desafio a fundos de VC

Neste contexto, ela explica que a indústria no geral era uma “slow adopter” de IA. “No setor de consumo, víamos muito mais a adoção de IA, mas a indústria era um ambiente muito conservador para esse tipo de tecnologia, havia pouquíssimos exemplos reais de implementação”, diz.

Na Siemens, ela lidera o desenvolvimento da próxima geração de IA – incluindo modelos generativos – aplicada a operações, automação, engenharia, eletrificação e mobilidade, com foco em modelos capazes de compreender sistemas físicos complexos e operar com segurança em ambientes regulados.

Em sua avaliação, existe um consenso de que a próxima fronteira da IA é o mundo físico, mas não será trivial trazer essa tecnologia para o ambiente industrial.

Segundo a executiva, antes mesmo da popularização do ChatGPT já existia a aplicação da chamada “narrow AI” (IA estreita ou limitada, utilizada em segmentos como de indicação de compras ou filmes) na indústria. Ela explica que diferentes modelos – de manutenção ou previsão preditiva - são aplicados a determinadas máquinas de fábricas ou tipos específicos de rede de energia.

“Essas aplicações existem há muito tempo. A Siemens já vem criando soluções desse tipo para os clientes”, esclarece.

O que mudou desde a popularização do ChatGPT, em meados de 2022, foi a evolução para um modelo de IA que resolve tarefas que não foram “ensinadas”, indo além do treinamento.

Brikis observa que a IA generativa funciona bem para linguagem, vídeo e imagens, modalidades com muitos dados já inseridos na internet. No entanto, para particularidades da indústria como leitura de sensores, séries temporais, diagramas técnicos, esquemas elétricos, entre outros, a LLM ainda não entende profundamente.

“Dizemos na Siemens que esses modelos ainda não falam a linguagem da engenharia e da manufatura.”

Alguns especialistas argumentam que modelos de vídeo já começam a entender o mundo físico. “Isso é verdade em certa medida, mas para aplicações reais, a exatidão exigida é muito maior. O engenheiro precisa de precisão absoluta.”

Vantagem da IA física

Diferentemente dos modelos de linguagem, na indústria há poucos elementos textuais. “A maior parte [dos dados] é composta de números. Nas simulações, há ainda menos dependência de idioma, não é como ocorre na geração de imagens, por exemplo”, diz a executiva. “Quando construirmos modelos industriais fundamentais, eles provavelmente serão mais universais e menos dependentes da língua humana”, acrescenta.

Para Brikis, a transformação decorrente da IA industrial será enorme. “A IA física é como se fosse uma inteligência com ‘corpo’, que vai interagir com o mundo real, tomar decisões neste corpo. Para tanto, precisaremos de muito mais hardware: sensores, infraestrutura, dispositivos que permitam que a IA veja, ouça e toque”, esclarece.

Outra mudança significativa está relacionada à infraestrutura. Hoje, a maior parte da computação de IA acontece em grandes data centers. Já com a IA física, a “inferência” (processo em que a máquina, já treinada, aplica o conhecimento adquirido a novos dados para gerar previsões, decisões ou conclusões em tempo real) estará por toda parte: desde fábricas até casas e carros. “Isso aumenta muito a demanda por energia e computação localizadas.”

Atualmente, quando o modelo LLM roda no computador, isso ocorre através de um data center, que pode estar muito distante. “No futuro, a IA física rodará em milhares de dispositivos pelo mundo”, diz.

O benefício, aponta a especialista, é a automação acelerada. “Tarefas antes difíceis de automatizar finalmente poderão ser cobertas pela IA física.”

No entanto, para os treinamentos, os países ainda precisarão investir em “fábricas de IA”. Com a natureza mais distribuída da IA física, contudo, as barreiras de adoção à tecnologia devem diminuir, permitindo a implantação mais localizada, caso a caso.

No caso da Siemens, ela aponta que as soluções de IA industrial incluem visão computacional para inspeção de qualidade, análise de dados, manutenção preditiva e assistência baseada em IA no ciclo completo de engenharia, da concepção à manufatura. “Seguimos desenvolvendo modelos cada vez mais potentes”, diz.

Disseminação da IA física

Na visão de Brikis, a IA generativa já reduziu drasticamente as barreiras à inovação. “Tarefas que exigiam uma equipe grande e muito investimento agora podem ser prototipadas por uma única pessoa com ferramentas avançadas”, explica.

No entanto, ela alerta que a barreira só cairá de fato se as pessoas usarem as ferramentas. “Os dados mostram que poucos realmente usam.”

Sobre uma eventual substituição da mão de obra – de engenheiros principalmente, no caso da indústria – ela afirma que o medo ainda existe.

“Não quero ignorá-lo. Mas pessoalmente vejo como uma oportunidade, os engenheiros sempre têm mais trabalho do que conseguem executar”, destaca. Em sua avaliação, tornando o trabalho mais rápido, o engenheiro não ficará sem tarefas. “O projeto avançará mais rapidamente. O risco real é para quem não adotar essas ferramentas, esses sim ficarão para trás.”

Leia também:

Esta startup usa IA para checar antecedentes de fornecedores. E agora atraiu a Totvs

É um dos melhores momentos para investir em anos, diz head da General Atlantic no país

Na Roche, área de diagnósticos já fatura R$ 1,5 bi. O CEO vê espaço para crescer mais

© KRISZTIAN BOCSI

Robô humanoid em estande da Siemens na Hannover Messe 2026: inteligência artificial (IA) industrial promete ser mais abrangente. (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)

Usiminas: lucro líquido sobe 166% no primeiro trimestre com ganhos cambiais

24 de Abril de 2026, 12:31

A Usiminas (USIM5) registrou avanço do lucro líquido no primeiro trimestre do ano em meio a ganhos cambiais e implantação de medidas de defesa comercial contra o aço importado a partir de fevereiro.

A siderúrgica mineira divulgou na manhã desta sexta-feira (24) um lucro líquido de R$ 896,1 milhões no primeiro trimestre, resultado 166% superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

O desempenho positivo ocorre mesmo diante da retração de 11% no lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado na mesma base de comparação, para R$ 653 milhões.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O grupo também citou a melhora “significativa” dos resultados operacionais no período.

A receita líquida de vendas atingiu R$ 5,8 bilhões de janeiro a março, queda de 14% sobre igual intervalo do ano passado. Segundo a siderúrgica, o resultado se deve principalmente à redução de volumes e exportações.

A Usiminas informou que, em fevereiro, o governo brasileiro aplicou direitos antidumping sobre importações de aços laminados a frio e revestidos, o que alterou o ambiente competitivo.

Leia mais: Com mix para a classe média, incorporadora One projeta vendas de R$ 2,5 bi em 2026

Ainda no período, houve melhora de preços e mix de produtos vendidos, com um avanço 4,9% na receita líquida por tonelada na siderurgia.

No trimestre, a companhia registrou ainda ganhos cambiais líquidos no montante de R$ 101 milhões, em razão da desvalorização do dólar frente ao real.

Do lado da eficiência, a Usiminas citou ainda a redução de 1,8% do custo do produto vendido (CPV) por tonelada na divisão de siderurgia, também beneficiado pela desvalorização do dólar.

A companhia teve um aumento de 5,9 pontos percentuais nas vendas para o setor automotivo ao longo do primeiro trimestre.

Em relatório, analistas do Itaú BBA apontaram que, apesar da queda no Ebitda ajustado, o resultado veio 31% acima da estimativa do banco. O ponto de partida mais forte do primeiro trimestre “provavelmente levará a revisões para cima nas estimativas de consenso para o ano”, disseram os analistas no documento.

Já os analistas da Eleven disseram em relatório que, apesar da melhora operacional, a casa mantém recomendação neutra para USIM5.

Volumes

De janeiro a março, a Usiminas registrou queda de 8% nas vendas de aço sobre o mesmo período do ano passado.

Na mineração, houve retração de 12% dos volumes vendidos. O Itaú BBA apontou em relatório que o resultado da divisão foi impactado pela valorização do real, custos mais altos, maiores descontos por qualidade e volumes menores, fatores que “mais do que compensaram o leve aumento nos preços de referência do minério de ferro”.

A empresa destacou o cenário desafiador à frente, em meio a incertezas econômicas impulsionadas pela guerra no Irã, alta de petróleo e gás natural, inflação e pressão em fretes marítimos

Para o segundo trimestre, a Usiminas espera volumes de vendas estáveis, mas com custos mais elevados em matérias-primas, energia e fretes, compensados por melhora na receita por tonelada.

Para os analistas do Itaú BBA, os resultados da companhia podem melhorar significativamente a partir do terceiro trimestre, diante da expectativa de preços mais altos do aço.

Leia também

Aluguel de curto prazo e segundo ciclo de uso: o plano da Vamos para crescer

Vale: negócio de metais básicos deve representar um terço da geração de caixa em 2035

Vendas de aço recuaram no trimestre, aponta a siderúrgica. Foto: Empresa/Divulgação

Com mix para a classe média, incorporadora One projeta vendas de R$ 2,5 bi em 2026

24 de Abril de 2026, 06:00

A incorporadora One trabalha para garantir a oferta de produtos para a classe média mesmo em um cenário de escassez de terrenos em bairros privilegiados. A meta da empresa é atingir um valor geral de bendas (VGV) de R$ 2,5 bilhões em 2026.

Ao converter edifícios comerciais -- que já não atendem mais às exigências do mercado de escritórios -- em prédios de apartamentos compactos, a One pretende aumentar a oferta de produtos entre R$ 450 mil e R$ 500 mil.

“A One está bem preparada para navegar no cenário turbulento à frente. Buscamos controlar os custos e o valor do terreno para que o preço final não saia do alvo. Temos a preocupação de oferecer um produto acessível”, disse o vice-presidente da One Innovation, Paulo Petrin, em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

O executivo relata que, em 2025, a companhia concentrou lançamentos no último trimestre. Para 2026, a One deve começar a lançar novos empreendimentos em maio. A expectativa é que a empresa encerre o primeiro trimestre com cerca de R$ 410 milhões em vendas. Para o consolidado do ano, o VGV deve alcançar entre R$ 2,3 bilhões e R$ 2,5 bilhões.

Leia mais: De terrenos à formação de corretores: as apostas da nova geração da Coelho da Fonseca

Petrin afirma que, para enfrentar a escassez de terrenos em bairros bem localizados, a One tem optado por converter prédios antigos, incluindo a mudança de uso, como a transformação de edifícios comerciais. “Muitos prédios envelheceram e já não são mais adequados. Com isso, acabaram ficando vazios.”

Se o reaproveitamento não é possível, o executivo conta que o prédio é derrubado, andar por andar. “Em alguns casos, a conta fazia mais sentido, pois o terreno permite mais área construída.”

A história da One começou em 2013, com a construção de apartamentos compactos em São Paulo, com unidades de um e dois dormitórios. “Por serem acessíveis em regiões boas da cidade, atingimos diversos públicos como pequenos investidores, porque nossos produtos são muito líquidos”, diz.

Vice-presidente da One Innovation, Paulo Petrin:

O principal público da One, segundo Petrin, busca financiamentos em bancos tradicionais para viabilizar de 60% a 70% do valor do imóvel. “O financiamento é importante no nosso mercado. Mas quando você sai desse valor e passa de R$ 1 milhão, a liquidez é menor”, destaca.

Desafios à frente

“Começamos o ano muito animados, mas fatores que fogem ao radar, como a guerra [no Irã], que impacta os preços das commodities e insumos, vão elevar os nossos custos”, aponta Petrin.

Neste contexto, ele explica que o mercado imobiliário vem sendo impactado. “A demanda está reprimida, precisamos melhorar muito as condições macroeconômicas”, diz.

Outra incerteza que surge neste cenário é um conjunto de questionamentos ao Plano Diretor de São Paulo, que estabelece as diretrizes para construções na cidade. Segundo Petrin, com o documento discutido por dez anos e aprovado em 2024, houve um incremento da área construída permitida dos terrenos, o que ajudou a impulsionar o mercado imobiliário.

“Precisamos que o Plano Diretor, que já foi aprovado, seja respeitado. Isso trouxe um aproveitamento maior dos terrenos e houve uma oferta maior de moradia na cidade. Porém, quanto mais restritivas as regras, mais caro ficará para morar.”

Apesar das incertezas, o executivo garante que a One terá fôlego para honrar com os compromissos na esteira da incorporadora. A empresa conta com investimentos do fundo soberano de Singapura, o GIC.

“Somos uma empresa muito bem estruturada, temos como acionista o GIC, que diferentemente de outros fundos, visa o longo prazo”, observa Petrin.

Leia também:

Com estoque limitado, Av. Paulista impulsiona escritórios em regiões vizinhas

Após recuperar prédios no centro de São Paulo, Planta avança para bairros nobres

De café coado a Starbucks: a equação da WeWork para atender clientes no Brasil

Fachada de empreendimento da One na Vila Nova Conceição, em São Paulo. (Foto: Empresa/Divulgação)

Estoques de petróleo no limite acendem alerta, apesar do preço do barril, diz Goldman

22 de Abril de 2026, 13:55

Os estoques globais de petróleo devem provavelmente alcançar níveis mínimos históricos, mesmo diante de um cenário em que os fluxos no Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, comecem a se recuperar até o final de abril, aponta relatório do Goldman Sachs (GS).

Segundo o documento, enviado na noite desta terça-feira (21), os estoques globais visíveis vêm sendo reduzidos a uma média de 6,3 milhões de barris por dia (bpd) em abril até o momento.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

As estimativas do banco de redução total de petróleo global, incluindo estoques “invisíveis” (de derivados em países fora da OCDE), apontam para 10,9 milhões de bpd de diminuição neste mês -- o ritmo mensal mais intenso de queda registrado desde 2017, informa o Goldman.

Ainda segundo o banco, as reduções totais estimadas nos estoques são de 474 milhões de barris desde o início da guerra.

Leia mais: CEO do Goldman diz que recessão nos EUA pode estar a ‘um tuíte de distância’

Os analistas apontam que os fluxos estimados de petróleo por meio do Estreito de Ormuz permanecem em 10% do normal e qualquer recuperação provavelmente será gradual, mesmo após uma reabertura completa, devido a restrições logísticas como tempo de viagem dos navios e limites de velocidade de oleodutos.

“As quedas nos estoques globais de petróleo provavelmente continuarão até maio ou além disso”, afirmaram.

Eles acrescentaram que as reduções extremas de estoques também implicam que os mercados físicos estão em restrição acelerada, o que continuará exigindo preços muito mais altos para entrega imediata do que para alguns meses à frente.

Na visão dos analistas, esta é a principal explicação para a percepção de descasamento entre as cotações do barril para entrega imediata e os preços futuros (para entrega em junho).

Para o Goldman, a redução de estoques não é sustentável, podendo levar inclusive a uma queda na demanda.

As exportações de petróleo dos Estados Unidos subiram para um recorde histórico na semana passada, atingindo 12,7 milhões de bpd e os embarques sugerem exportações ainda maiores em maio.

No entanto, alguns oleodutos-chave no Texas já estão operando acima de sua capacidade operacional, sugerindo que aumentos adicionais nas exportações dos Estados Unidos são limitados.

As estimativas de fluxo de petróleo do Golfo Pérsico (incluindo redirecionamentos de oleodutos) estão em 9,3 milhões de bpd, ou 40% do normal, aponta o relatório.

Cotação do barril

Os preços do petróleo oscilaram ao longo da última semana, com o Brent negociado principalmente na faixa dos US$ 90, diante das incertezas sobre a resolução do conflito no Oriente Médio, que já dura mais de sete semanas, mostra o Goldman.

A segunda rodada de negociações entre os Estados Unidos e o Irã foi adiada de forma indefinida, após a decisão de Teerã de não abrir diálogo.

O presidente Donald Trump estendeu o cessar-fogo “até que sua proposta seja apresentada e as discussões sejam concluídas, de um jeito ou de outro”.

Os Estados Unidos mantêm o bloqueio a navios que saem ou se dirigem a portos iranianos.

O relatório do Goldman afirma que o prêmio de risco do petróleo deve ser menor, enquanto há uma expectativa de redução dos estoques em antecipação à reabertura de Ormuz. Os analistas acreditam ainda que haverá uma moderação nas compras imediatas.

Leia também:

Trump estende cessar-fogo com o Irã e mantém bloqueio após fracasso de negociações

Após compra da Serra Verde, USA Rare Earth busca mais aquisições em terras raras

Tanques de armazenamento em terminal no Texas, EUA: estoques globais no limite.

Aluguel de curto prazo e segundo ciclo de uso: o plano da Vamos para crescer

22 de Abril de 2026, 06:00

Com 52 mil caminhões e máquinas em sua frota, a Vamos (VAMO3) vê espaço para crescer apesar da forte barreira cultural para locação de veículos pesados no país.

A empresa controlada pelo grupo Simpar (SIMH3) aposta em uma estratégia que inclui principalmente o segundo ciclo de locação dos ativos para conquistar novos perfis de clientes. A companhia também trabalha para lançar contratos de aluguel de curto prazo.

“Os concorrentes da Vamos são os clientes que compram o caminhão. Nosso modelo de negócio vai crescer independentemente do cenário”, disse o CEO Gustavo Couto em entrevista à Bloomberg Línea.

Desde a abertura de capital da companhia em 2021, a Vamos passou de 150 clientes para mais de quatro mil atualmente. Segundo Couto, o mercado de locação de caminhões ainda é pequeno no Brasil, com cerca de três ou quatro competidores relevantes. “Temos quase 80% do mercado.”

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Para crescer, a empresa está criando novas diretorias, o que inclui o foco em grandes contas – especialmente varejo – e atuação regional para ampliar o alcance nacional. Hoje, a Vamos está com ocupação média da frota de 86%, mas a meta é atingir 90%.

O CEO relata que a companhia detectou um nicho de mercado para clientes que querem alugar caminhões, mas não têm fôlego financeiro para contratar uma frota zero quilômetro.

Leia mais: Movida quer aumentar a base de clientes, mas ‘não a qualquer custo’, diz CEO

Em um país cuja idade média dos veículos pesados é de quase 20 anos, Couto explica que a contratação de caminhões de três ou quatro anos de uso significa um ganho significativo, tanto em termos de eficiência quanto de custos.

“O mercado está sofrendo com aumento de custos. Oferecer um segundo ciclo de locação cria uma nova avenida de crescimento para nós”, diz Couto.

O executivo conta que alguns setores têm um uso mais pesado da frota e não podem passar um dia sequer sem disponibilidade do veículo devido a problemas de manutenção, como por exemplo florestal e mineração. Neste cenário, as grandes empresas desses setores costumam fechar contratos de ativos zero quilômetro.

Gustavo Couto, CEO da Vamos:

Já empresas de menor porte, com uso menos intenso, são alvo para segundo ciclo de uso dos veículos. Segundo Couto, metade do crescimento da companhia é proveniente de clientes novos.

Embora a cultura de posse ainda seja predominante no Brasil, o executivo observa que, uma vez que o cliente faz a conta, ele percebe que não vale a pena comprar, especialmente em um contexto de juros elevados.

Venda de seminovos

A Vamos inaugurou quatro lojas de venda de seminovos em 2025, totalizando 20 unidades. Para este ano, o plano é abrir três ou quatro novas lojas.

No ano passado, a Vamos dobrou a venda de veículos em relação a 2024, totalizando 6.490 unidades. Couto relata que, apesar das dificuldades de aprovação de crédito para a compra de caminhões no mercado brasileiro, a companhia vem registrando avanço em seminovos.

“Nossos grandes diferenciais são comprar bem, custos competitivos e melhor revenda.”

Neste contexto, a companhia tem obtido recordes em volume e receita com a abertura de novas lojas e contratação em vendas. Segundo o executivo, isso contribui para o crescimento em nível nacional.

Locação de curto prazo

Couto relata que o aluguel de curto prazo tem uma demanda grande entre os clientes e que a companhia está trabalhando na melhor forma de viabilizar essa oferta ao mercado.

Ele afirma que alguns clientes podem apresentar modelos de negócios com sazonalidade, como construtoras, indústria de bebidas ou agronegócio. A proposta é alugar os ativos por seis meses até um ano.

“Este não é o nosso modelo de negócio hoje, mas estamos nos preparando”, diz.

Entre outros desafios, ele destaca que é preciso garantir a ocupação do ativo e o controle.

“Ainda não há uma data definida, mas devemos lançar a locação de curto prazo ainda este ano”, pondera Couto.

Leia também

Stellantis prepara produção de carros da chinesa Leapmotor no Brasil com motor flex

Na Roche, área de diagnósticos já fatura R$ 1,5 bi. O CEO vê espaço para crescer mais

BMW aposta em diversificação para liderar o mercado premium no Brasil, segundo a CEO

A companhia tem como grande aposta o segundo ciclo de locação dos ativos. Foto: Empresa/Divulgação

ASA, de Alberto Safra, contrata ex-Citi para liderar private banking na América Latina

16 de Abril de 2026, 16:18

O ASA, instituição financeira de Alberto Safra, informou que está expandindo suas operações de private banking para os Estados Unidos e América Latina como parte de sua estratégia de crescimento internacional.

Para liderar a iniciativa, a empresa anunciou nesta quinta-feira (16) a contratação de Antonio Gonzales, do Citi (C), como head de private banking para a América Latina, e de Moshe Majeski como head da área para os Estados Unidos.

Segundo o ASA, a medida fortalece a presença da empresa em mercados-chave e reforça seu compromisso em atender clientes de alta renda em toda a região.

“Acreditamos que a internacionalização é um passo natural na trajetória que estamos construindo. A entrada nos Estados Unidos e na América Latina reforça nossa visão de crescimento sustentável, diversificação de receitas e consolidação da empresa como uma plataforma global”, disse em comunicado.

Leia mais: Bemobi acelera virada para meios de pagamentos após aquisição da Paytime

Gonzales vai liderar a estruturação da plataforma do ASA na América Latina com equipes dedicadas no México, Chile, Panamá, Argentina, Colômbia e Flórida. Com carreira de destaque no mercado financeiro, o executivo estava no Citi como head do private banking para LatAm. Antes, liderou esta mesma área no JP Morgan para o Brasil.

“Estou entusiasmado com a oportunidade de aliar a minha experiência em bancos globais de ponta ao expressivo plano de expansão internacional da companhia. O ASA é uma instituição sólida, dinâmica, diversificada e que traz um legado de gerações atuando no mercado financeiro”, disse Gonzales.

Majeski junta-se ao ASA para liderar as operações nos Estados Unidos. Profissional com experiência nos setores imobiliário e financeiro, ele tem mais de 15 anos de experiência em cargos de liderança na Meridian Capital.

Em sua nova função, supervisionará equipes nas principais cidades do país, com foco na expansão da oferta do ASA para clientes de alto patrimônio.

“Há uma forte clareza estratégica em relação aos objetivos da empresa e ao papel que o mercado americano desempenhará”, disse Majeski, afirma.

Leia também:

Dimon, do JPMorgan, defende investimentos para ‘fortalecer’ a liderança global dos EUA

Ele comprou a Janus Henderson por US$ 8 bi. E aposta na IA para ganhar eficiência

©

ASA está expandindo suas operações para o mercado internacional. Foto: Divulgação

Stellantis prepara produção de carros da chinesa Leapmotor no Brasil com motor flex

7 de Abril de 2026, 21:54

A Stellantis (STLA) estuda ampliar gradualmente o índice de conteúdo local dos carros da Leapmotor que serão produzidos no Brasil a partir do ano que vem.

O grupo confirmou que os modelos da marca chinesa que serão montados em Goiana, Pernambuco, terão motor flex nacional.

“Temos consciência da nossa excelente parceria na América do Sul [com a Leapmotor]. Vamos ter uma marca chinesa com 50 anos de Brasil”, disse nesta terça-feira (7) o CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, em visita a São Paulo.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

A Stellantis detém os direitos exclusivos de produção, exportação e venda dos produtos Leapmotor fora da China, por meio de uma joint venture.

Os modelos híbridos da marca chinesa propõem a tecnologia REEV (veículo elétrico com extensor de autonomia), que rodam 100% a eletricidade mas contam com um motor a combustão exclusivamente para o carregamento da bateria, o que eleva a autonomia.

Leia mais: BMW aposta em diversificação para liderar o mercado premium no Brasil, segundo a CEO

Segundo o CEO da Stellantis para América do Sul, Herlander Zola, a expectativa é que os SUVs da Leapmotor B10 e C10 comecem a ser produzidos na fábrica de Goiana a partir de 2027.

“Vamos iniciar a produção local a partir do primeiro trimestre do ano que vem. À medida que desenvolvermos a tecnologia [REEV], o motor vai ser incluído também [na montagem].”

O CEO global da Stellantis, Antonio Filosa, está em visita ao Brasil nesta semana. (Foto Leo Lara/Studio Cerri)

Ele acrescentou que, a partir do momento que a linha de montagem da Leapmotor utilizar motores Stellantis, estes carros passam a ser considerados nacionais. “Teremos um modelo brasileiro. Hoje, os carros chineses usam motores importados.”

Zola disse que, inicialmente, os modelos B10 e C10 vão ser montados em sistema CKD (quando os kits de peças e partes chegam prontos de outra localidade e são montados internamente). “Posteriormente, a produção vai evoluir para o sistema SKD, com a exploração de tecnologia REEVE flex”, disse.

O executivo não descartou que os carros da Leapmotor passem por outras etapas de produção localmente, como estamparia, por exemplo. “Existe a possibilidade disso, mas é algo que ainda vamos estudar, não vai acontecer nesse momento”, observou.

Isonomia

Filosa avaliou de forma positiva a taxação de 100% do governo dos EUA contra carros chineses importados. Segundo o executivo, a administração de Donald Trump conduziu um estudo técnico para detectar o gap de competitividade entre a indústria local e os competidores da China.

Na visão do executivo, o governo brasileiro e a Anfavea (que representa as montadoras locais) precisam analisar parâmetros técnicos de competitividade do carro nacional em relação aos novos entrantes no Brasil, que basicamente vêm da China.

“Com o resultado dessa análise, a minha sugestão é que mecanismos de equalização sejam implementados para continuar encorajando a competição interna e também criando sustentabilidade de longo prazo para as cadeias de valor que já estão instaladas no Brasil”, disse. “É claro que existe um gap competitivo entre os mercados globais e a China”, acrescentou.

Carro ‘popular’

Filosa disse que há cerca de três anos o carro de entrada do grupo no Brasil, o Mobi, custava cerca de R$ 50 mil e, atualmente, o preço gira em torno de R$ 80 mil.

“Nossa margem não mudou, continua muito baixa no Mobi. O que aumentou foi a estrutura de custos, nossos preços seguem nivelados pelo mercado”, justificou.

Segundo o executivo, os custos estruturais, de inflação e mudanças regulatórias para o setor automotivo são os principais vetores de aumento dos valores dos carros no país.

Mesmo assim, Filosa comemorou o desempenho do Brasil. De janeiro a março, a Stellantis emplacou cerca de 174 mil veículos no país, alcançando 29,1% de participação de mercado.

Já na América do Sul, o grupo encerrou o primeiro trimestre com 232 mil unidades emplacadas, somando cerca de 21,2% de participação de mercado, o que segundo a Stellantis deve garantir a liderança em países estratégicos como Brasil e Argentina.

Leia também:

Fatia da China na venda de veículos no Brasil pode dobrar até 2030, aponta estudo

Movida quer aumentar a base de clientes, mas ‘não a qualquer custo’, diz CEO

Sem contato humano: Localiza reduz filas e acelera ganho de escala com digitalização

© Giuliano Berti

Um Leapmotor B10, no Salão do Automóvel de Turim, em 2025: SUV pode ser um dos primeiros a serem produzidos pela Stellantis no Brasil. (Foto: Giuliano Berti/Bloomberg)

Azul: após reestruturação, Alex Malfitani deixa cargo de CFO depois de quase 9 anos

6 de Abril de 2026, 15:54

Após a conclusão do processo de Chapter 11 nos Estados Unidos (equivalente à recuperação judicial no Brasil) da Azul (AZUL54), o diretor financeiro da aérea deixará o cargo que ocupa desde 2017.

Assumirá em seu lugar o executivo Antonio Garcia, CFO da Embraer (EMBJ3) até a manhã desta segunda-feira (6), quando foi anunciada a sua renúncia com efeito imediato.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Garcia assumirá oficialmente o cargo a partir de 20 de abril (sujeito à aprovação do conselho de administração da companhia), informou a Azul em fato relevante.

Os executivos iniciarão um período de transição a partir de 20 de abril, destacou o documento.

O CEO da Azul, John Rodgerson, afirmou em nota que Malfitani “foi fundamental na construção da empresa” e que ele desempenhou um papel importante na formação da base financeira e estratégica da aérea.

Leia mais: Azul sai fortalecida da reestruturação, segundo o CEO. ‘Temos custo um terço menor’

“Seu legado está profundamente entrelaçado na cultura da Azul e continuará a fazer parte de quem somos”, destacou Rodgerson.

Malfitani está na Azul desde a fundação da companhia, em 2008, e segundo pessoas ouvidas pela Bloomberg Línea, que falaram sob condição de anonimato, o executivo é bem próximo de David Neeleman, fundador da aérea.

Ainda segundo uma fonte do setor, o anúncio da saída de Malfitani foi uma “surpresa”, uma vez que ele trabalhou ativamente na concepção da aérea. Seus próximos passos ainda não foram anunciados.

Garcia, por sua vez, trabalhou por mais de seis anos na Embraer, tendo trabalhado anteriormente na ThyssenKrupp, com destaque para o cargo de CFO global da unidade de negócios de tecnologias forjadas na Alemanha. Também ocupou cargos no grupo ZF, no Brasil, e na Siemens.

“Estamos felizes em receber Antonio Garcia na Azul, especialmente neste novo capítulo que iniciamos após a bem-sucedida reestruturação da empresa. Sua experiência na Embraer, uma de nossas parceiras mais importantes, lhe proporciona uma visão única do nosso negócio”, disse Rodgerson no documento.

Segundo fato relevante divulgado pela Embraer, o CEO Francisco Gomes Neto acumulará o cargo de CFO interinamente.

A Azul encerrou o processo de reestruturação com uma alavancagem de 2,4 vezes, o menor nível da história da empresa. Com o Chapter 11, houve a entrada de dois novos sócios na Azul, United Airlines e American Airlines.

Malfitani iniciou a carreira em montadoras como Volkswagen e General Motors e tem passagens por empresas como Deutsche Bank e American Airlines.

Leia também:

Na Roche, área de diagnósticos já fatura R$ 1,5 bi. O CEO vê espaço para crescer mais

Raízen propõe converter dívida em ações, e credores assumiriam fatia, dizem fontes

IA vai gerar mais negócios que desemprego, aposta CEO da IWG, dona de Regus e Spaces

© Dado Galdieri

A Azul anunciou saída do processo de Chapter 11 em fevereiro deste ano. (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)

Na Roche, área de diagnósticos já fatura R$ 1,5 bi. O CEO vê espaço para crescer mais

1 de Abril de 2026, 06:00

Segmentação de público, automatização e inteligência artificial são alguns dos fatores que devem impulsionar o crescimento da Roche Diagnóstica em 2026.

O grupo suíço vê espaço para aumento de receita mesmo diante dos volumes já significativos de exames realizados todos os anos no país. No ano passado, o faturamento da divisão de diagnóstico da companhia alcançou R$ 1,5 bilhão.

“Estamos lançando muitas inovações. Neste ano, queremos crescer e alcançar R$ 1,7 bilhão”, disse o CEO da Roche Diagnóstica, Carlos Martins, em entrevista à Bloomberg Línea.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Aproximadamente 70% do faturamento da divisão no país é proveniente do setor privado, sendo o restante do poder público. Na avaliação de Martins, existe potencial para avanço da Roche Diagnóstica na rede de saúde pública do Brasil.

“Nosso foco é continuar ampliando o trabalho com as autoridades de saúde para que o ecossistema público também possa absorver essas inovações. Cerca de 75% da população depende do SUS”, relata.

Leia mais: Como esta startup de saúde mental planeja cobrir 10 milhões de beneficiários até 2030

O executivo vê o investimento em diagnóstico pelo poder público no Brasil em níveis abaixo dos países desenvolvidos. Ele cita como exemplo nações como a Itália, Alemanha, França e até Estados Unidos investindo cerca de 2% da verba total da saúde em materiais de diagnóstico. No Brasil, ele relata que esse patamar é de apenas 0,5% do orçamento de saúde.

“Se investirmos mais em prevenção, os problemas de saúde serão mais simples de resolver. Quando você precisa tratar o paciente que já está com a doença, o custo é maior e no final toda a população paga uma conta mais cara”, avalia.

Atualmente, a Roche possui mais de 5 mil produtos na divisão diagnóstica. Martins conta que o setor vem passando por uma profunda transformação. “O diagnóstico já está mudando e nós, como líderes [do mercado], temos a responsabilidade de trazer novas tendências.”

Neste contexto, as inovações da empresa não se restringem a reagentes laboratoriais e incluem, por exemplo, sistemas preditivos com sensores incorporados às máquinas e ligados aos softwares que detectam o nível de desgaste de determinados componentes.

Com esse sistema, as equipes da Roche recebem uma mensagem automática e se deslocam até o cliente com a indicação exata da máquina e do módulo que vai ter um problema em breve se não ocorrer a manutenção.

“Os clientes querem que tenhamos essa capacidade, eles esperam que façamos isso, o que evita paradas custosas, sendo um dos nossos grandes diferenciais”, diz.

O grupo vem desenvolvendo e implementando sistemas de automatização em áreas que, até o momento, eram totalmente manuais. Segundo Martins, isso trará velocidade à operação.

Inteligência artificial

A Roche já trabalha com ferramentas de inteligência artificial em algumas áreas de serviços e cadeias de suprimentos. Martins afirma que isso deve crescer.

A farmacêutica lançou em novembro, no Brasil, um novo sensor de medição de glicemia para gestão de pacientes com diabetes. O diferencial em relação aos concorrentes do mercado é a tecnologia de IA para prever a curva de glicemia até 7 horas à frente, o que pode ser decisivo se o paciente estiver dormindo. O dispositivo é colocado no braço do usuário.

“Essa solução de IA muda o jogo de forma completa. O produto já está fazendo um sucesso tremendo e uma parte significativa do crescimento virá desse sensor”, esclarece Martins. O aparelho tem preço sugerido de R$ 299.

Segundo o executivo, o Brasil tem uma participação relevante nas operações do grupo. Em 2025, a Roche Diagnóstica entregou 31 bilhões de testes globalmente. No Brasil, esse volume atingiu 1,6 bilhão de unidades.

Na visão de Martins, os riscos de mercado envolvendo a atividade estão mais concentrados na saúde da população do que propriamente na empresa. “O setor vai ter um crescimento natural, mas existe um risco para o sistema de saúde do país, se não houver investimento público em prevenção e diagnóstico.”

Leia também:

A Memed queimou caixa por 14 anos. Agora tem lucro e mira R$ 100 milhões em receita

Na Bemobi, CEO aposta no setor de saúde para manter expansão após subir 78% na bolsa

Apple recua de plano de serviço de saúde com IA e reestrutura abordagem de bem-estar

© Pascal Mora/Bloomberg

O grupo suíço vê espaço para aumento de receita mesmo diante dos volumes já significativos de exames realizados todos os anos no país. (Foto: Pascal Mora/Bloomberg)

Vale: negócio de metais básicos deve representar um terço da geração de caixa em 2035

31 de Março de 2026, 15:08

A Vale (VALE3) aposta que o negócio de metais básicos deve crescer de forma significativa na geração de caixa da companhia nos próximos anos, equiparando-se aos concorrentes de portfólio diversificado.

Segundo comunicado enviado ao mercado nesta terça-feira (31), a subsidiária Vale Base Metals (VBM) poderá responder por aproximadamente 30% a 35% do lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) consolidado da Vale a partir de 2035.

“Temos a capacidade de crescer organicamente entre 4% e 6% por ano nos próximos anos, o que é um potencial enorme comparado aos nossos pares”, disse o CFO da Vale, Marcelo Bacci, durante a primeira edição do VBM Day, promovido no Canadá.

De acordo com a mineradora, a estimativa considera como premissas principais os preços de longo prazo de cobre, níquel e ouro, com base na média das estimativas disponíveis em fevereiro de 2026 de analistas do sell-side (que fazem recomendações de investimento) e projeções de produção de minério de ferro, níquel e cobre no longo prazo previamente divulgadas pela Vale.

Leia mais: Goldman mantém visão para o ouro e projeta patamar de US$ 5.400 até o fim do ano

Bacci lembrou que, após o carve-out (separação de ativos) da Vale Base Metals em 2024, a subsidiária representava 10% do Ebitda da Vale e, neste ano, deve alcançar 26%.

Ainda no comunicado, a companhia informou que o fluxo de caixa livre da VBM em 2026 pode ficar em uma faixa aproximada entre US$ 400 milhões e US$ 1,9 bilhão.

A companhia quer atingir produção de 700 mil toneladas de cobre nos próximos nove anos.

“Temos capacidade de fazer isso em uma região que operamos há 40 anos, que é Carajás, onde temos pessoas, infraestrutura, conhecimento e relações para entregar esse crescimento”, disse Bacci. “Isso é suportado por um potencial de reservas que permite escalabilidade no futuro”, acrescentou.

O Itaú BBA manteve a recomendação de compra para ADRs da Vale, com preço-alvo de US$ 19,50. Na avaliação do banco de investimento, a subsidiária deve se transformar em um dos principais motores de crescimento e geração de valor do da Vale na próxima década.

Leia também

IA vai gerar mais negócios que desemprego, aposta CEO da IWG, dona de Regus e Spaces

Braskem alerta sobre risco material à continuidade da operação após prejuízo bilionário

Operação na mina, fundição e refinaria de cobre do complexo da Vale no Canadá. (Foto: Vale/Divulgação)

BMW aposta em diversificação para liderar o mercado premium no Brasil, segundo a CEO

30 de Março de 2026, 06:00

A BMW aposta na diversificação do portfólio para crescer no Brasil, em uma estratégia que inclui outras marcas do grupo – como MINI e Motorrad, de motocicletas de alta cilindrada.

A montadora alemã concluiu no ano passado um cronograma de 18 lançamentos de novos modelos no país e reserva outros produtos para 2026, em um momento de competição acirrada com a entrada de novas marcas chinesas no país.

“A oferta do mercado premium cresceu no Brasil, mas nós temos mais de 30 anos no país. Olhamos o que a concorrência está fazendo, mas sabemos muito bem o valor dos nossos carros”, afirmou a presidente e CEO do grupo BMW Brasil, Maru Escobedo, em entrevista à Bloomberg Línea, após um evento recente em São Paulo.

Um dos lançamentos previstos para este ano é o iX3, modelo 100% elétrico que promete uma nova geração de equipamentos e tecnologias.

Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Com as marcas BMW, MINI e BMW Motorrad, o grupo alemão encerrou 2025 na liderança de vendas do segmento premium no país pelo sétimo ano consecutivo, com um total de 16.865 unidades emplacadas. O desempenho representa um crescimento de 4,1% em relação a 2024.

Leia mais: Com recarga em 10 minutos, BMW aposta no Série 3 elétrico para competir com Tesla e BYD

De acordo com a BMW, os modelos X1 e Série 3, produzidos no complexo de Araquari (SC), encerraram o ano na liderança geral no segmento premium no país.

“O mercado muda todo ano com cada lançamento que chega. Nós precisamos estar atentos aos modelos lançados também pela concorrência, o que nos ajuda a construir um posicionamento e uma estratégia de preço”, disse Escobedo.

O BMW M135 xDrive é a porta de entrada para os carros da linha M Performance. Foto: BMW/Divulgação

Somados, os selos BMW e MINI representaram 34,6% de participação do mercado premium no ano passado, destacou a executiva.

No segmento 100% elétrico, o grupo cresceu 11% em 2024, sendo 1.477 unidades emplacadas das duas marcas no período.

O X5 híbrido plug-in foi destaque para a BMW no ano passado, com um crescimento de 62% das vendas, totalizando 1.267 unidades emplacadas. “Com o X5 híbrido, estamos indo muito bem no segmento de eletrificados”, afirmou Escobedo.

A executiva reforçou a importância da diversificação do portfólio para manter a competitividade. “Temos, no Brasil, todos os carros que são vendidos na Alemanha, isso reforça nosso posicionamento.”

Já as vendas de esportivos BMW M e M Performance registraram um avanço de 9% em 2025, para 1.677 unidades. O segmento de alto luxo - BMW X7 e i7 - também teve avanço.

Ela esclarece que há diferentes estratégias para cada modelo. O X1, por exemplo, é o carro mais vendido da BMW. Já o esportivo M2 CS chegou ao Brasil com apenas 30 unidades e preço de quase R$ 1 milhão.

“É um modelo mais nichado, por ser um carro que pode ser usado na rua e na pista. É específico para alguns clientes”, diz.

Financiamentos

Escobedo relatou que o serviço financeiro do grupo foi uma importante ferramenta para impulsionar as vendas.

Conforme a montadora, o braço de financiamentos bateu recorde histórico de volume de negócios em 2025, alcançando R$ 2,5 bilhões no varejo, alta de 3,9% em relação ao ano anterior.

Considerando atacado e varejo, a carteira superou R$ 4,1 bilhões, aumento de 10,3% na mesma base de comparação.

“Para MINI e Motorrad, fechamos 2025 com 42% de financiamentos. Temos uma estratégia muito focada para que todos os carros que financiamos fiquem dentro do grupo. Oferecemos taxas e condições especiais para quem comprar carro com nossa financeira”, diz.

A MINI reportou crescimento em 2025, de 3,4% sobre o ano anterior, totalizando 1.591 unidades vendidas. Segundo o grupo, o destaque ficou para os modelos elétricos e para a linha de esportivos John Cooper Works.

Perspectivas

Para 2026, ano de eleições e Copa do Mundo, Escobedo afirma que o grupo deve focar em estratégia. “Nós não controlamos fatores como eleições. Todos os anos temos desafios, precisamos nos concentrar nas nossas marcas.”

Ela acrescentou que a estratégia de preço do grupo é global. “Normalmente, olhamos todo o segmento premium e tentamos estar posicionados para garantir nosso mercado.”

Atualmente, a BMW tem em curso um programa de investimentos de cerca de R$ 1,1 bilhão para o período entre 2025 e 2028 no Brasil.

O objetivo do programa é produzir novos modelos e desenvolver tecnologias globais.

“Vamos avaliar se faz sentido produzir um carro [100%] elétrico por aqui”, disse Escobedo. Hoje, a montadora produz o X5 híbrido plug-in na planta catarinense.

“Temos flexibilidade de produção no Brasil, a depender da demanda”, disse.

Segundo a executiva, uma parte do programa de investimentos será destinada para o X5, outra para engenharia e o restante para novas tecnologias dentro da fábrica.

Leia também:

Império das concessionárias: Automob vê oportunidades para consolidação, diz CEO

Movida quer aumentar a base de clientes, mas ‘não a qualquer custo’, diz CEO

© KRISZTIAN BOCSI

BMW iX3 Neue Klasse: grupo registrou o sétimo ano de liderança consecutiva do mercado premium no Brasil em 2025 (Foto: Krisztian Bocsi/Bloomberg)

Embraer fortalece carteira de pedidos com nova geração de aeronaves, dizem analistas

23 de Março de 2026, 17:23

Diante da evolução da carteira de pedidos da Embraer (EMBJ3) na aviação comercial, agentes do mercado veem um aumento da competitividade da companhia frente a importantes players, como a Airbus.

A fabricante brasileira anunciou nesta segunda-feira (23) um acordo com a Finnair, da Finlândia, para a aquisição de até 46 aeronaves E195-E2, incluindo 18 pedidos firmes, 16 opções e 12 direitos de compra.

Segundo comunicado, o E195-E2 substituirá a frota mais antiga da Finnair.

Conheça e assine as newsletters da Bloomberg Línea, e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Na visão do analista da Ativa Investimentos, Ilan Arbetman, o pedido da companhia aérea finlandesa fortalece a carteira comercial da Embraer, principalmente porque o pedido se concentra na nova geração de aeronaves da brasileira.

“O que [o mercado] tinha de dúvida do case da Embraer era justamente a divisão comercial. O E195-E2 é o avião mais moderno do portfólio da companhia, e em uma região estratégica como a nórdica, onde a aviação regional é muito forte, esse pedido pode significar a expansão da Embraer para outros mercados ou pares da Finnair", disse o analista em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: Aérea da Finlândia renova frota com jatos da Embraer e cita eficiência de combustível

Ele acrescenta que, após esse pedido, companhias aéreas da região passam a ver a Embraer com outros olhos. “A chegada de pedidos firmes da nova família de aeronaves da fabricante é justamente o que faltava para termos mais certeza do bom momento da Embraer.”

Segundo a fabricante brasileira, o E2 é até 35% mais econômico em combustível em relação à geração anterior de E190 operados pela Finnair. A configuração da cabine encomendada é sem assentos do meio.

“Este é um dos maiores investimentos nos 102 anos de história da Finnair e um passo decisivo em nossa estratégia. O E2 nos permitirá fortalecer nossa malha na Europa e aproveitar novas oportunidades de crescimento no mercado”, disse o CEO da companhia aérea, Turkka Kuusisto, em comunicado.

Analistas do Citi afirmaram em relatório que a decisão marca uma mudança estratégica da Finnair em relação à Airbus e “reforça a crescente competitividade da Embraer no segmento de aeronaves de fuselagem estreita [narrow-body] de médio porte”.

O relatório destaca que o E2 superou recentemente o Airbus A220 em vendas.

As entregas das aeronaves têm início previsto para o segundo semestre de 2027 e a encomenda será adicionada à carteira de pedidos da Embraer do primeiro trimestre de 2026.

Segundo o Citi, isso proporciona visibilidade de médio prazo para as receitas do segmento de aviação comercial da brasileira. Os analistas observaram que as ações da Embraer tiveram um desempenho de queda recentemente, em meio aos riscos relacionados ao conflito no Oriente Médio.

“Nesse contexto, o anúncio de hoje é marginalmente positivo para as ações, reforçando a competitividade da Embraer em jatos regionais e destacando a demanda contínua das principais companhias aéreas europeias”, diz o relatório.

Os analistas do BTG Pactual estimam que o valor do pedido, não informado, pode chegar a aproximadamente US$ 4 bilhões (com base em preço de lista).

“Entendemos que esse pedido de aeronaves de nova geração, mais eficientes, sinaliza um início de redução dos riscos associados às preocupações com os impactos das tensões no Oriente Médio sobre a rentabilidade das companhias aéreas e os planos de crescimento de capacidade”, escreveram os analistas do banco em relatório.

Eles acrescentaram que o pedido é “mais uma validação da plataforma E2″, algo particularmente relevante no último ano. “A Embraer ainda possui um backlog robusto que garante entregas para os próximos anos.”

O BTG ressaltou que o pedido evidencia a proposta de valor do E2 para voos dentro da Europa e reforça a presença da Embraer na região escandinava, após pedidos relevantes registrados no ano passado, incluindo E2s para a Scandinavian Airlines (SAS) e o modelo de defesa KC-390 para o governo da Suécia.

O conflito no Oriente Médio vem impactando o setor de aviação, diante do aumento do petróleo e, consequentemente, do querosene de aviação (QAV). Neste contexto, o BTG aponta o desempenho negativo das ações da Embraer nas últimas semanas.

“Vemos esse anúncio como evidência de que os pedidos marginais tendem a se concentrar em aeronaves mais eficientes em consumo de combustível e de nova geração”, escreveram os analistas.

Os efeitos serão positivos também para aeronaves com menor prazo de entrega, permitindo expansão de capacidade de curto prazo em mercados principais e não afetados, diferentemente do que tem ocorrido no Oriente Médio, salientou o BTG.

Leia também:

CEO da Petrobras vê ‘nervosismo desnecessário’ no mercado e defende política de preços

Montadoras de elétricos avançam na Ásia com disparada do petróleo com guerra no Irã

Genial planeja captar R$ 300 milhões em fundo de créditos inadimplentes, diz CEO

© Lauryn Ishak

Fabricante brasileira anunciou um acordo com a Finnair, da Finlândia, para a aquisição de até 46 aeronaves E195-E2, incluindo 18 pedidos firmes. (Foto: Lauryn Ishak/Bloomberg)

Natura reposiciona Avon e se prepara para brigar com marcas de ‘nativos digitais’

17 de Março de 2026, 14:00

Diante da expansão acelerada de marcas de beleza de “nativos digitais”, influenciadores que ganharam as redes sociais e lançaram produtos próprios, a Natura (NATU3) se prepara para brigar por participação de mercado. A estratégia inclui o reposicionamento da Avon.

“Vamos estar bem posicionados para enfrentar os desafios das marcas independentes”, disse o CEO da Natura, João Paulo Ferreira, em conversa com jornalistas nesta terça-feira (17).

Segundo o executivo, o mercado de beleza está cada vez mais acirrado no Brasil, à medida que algumas marcas independentes e importadas se consolidam no país.

“Revisitamos nosso funil de lançamentos para poder nos posicionar ainda melhor frente aos desafios concorrenciais. Veremos uma sequência de lançamentos já no segundo trimestre em diante, o que faz com que estejamos mais preparados”, disse Ferreira.

O movimento ocorre em meio ao crescimento exponencial de marcas de grandes influenciadoras como Malu Borges (People Colors), Bruna Tavares (BT), Virginia Fonseca (Pink), Bianca Andrade (Boca Rosa), Jade Picon (AURA Beauty), entre outras.

Leia mais: Como esta startup de saúde mental planeja cobrir 10 milhões de beneficiários até 2030

No ano passado, a Natura concluiu a venda da Avon International (operações na Europa, África e Ásia) e manteve o controle do selo na América Latina.

Ferreira esclarece que a Avon foi reposicionada para se adequar às gerações mais jovens. A nova proposta quer passar a mensagem da marca como uma “FemTech”, ou “startup do feminino”. O foco são produtos de alta tecnologia e desempenho.

“Do ponto de vista de preço, a Avon será mais acessível do que a Natura, mas com um conjunto de tecnologias e benefícios mais elevado em relação ao portfólio anterior. Por isso, esperamos que os preços subam em relação à própria Avon”, afirmou o executivo.

Ele acrescenta que, nos últimos anos, a Natura teve que lidar com aquisições que “não geraram o retorno esperado”. “Em 2022, decidimos voltar às origens. Foram três anos para a venda da Aesop, The Body Shop e Avon [internacional]. Os investidores estavam esperando esse momento chegar.”

Lucro de R$ 186 milhões no quarto trimestre

Na segunda-feira (16), a Natura divulgou resultados referentes ao exercício de 2025. No quarto trimestre, o lucro líquido das operações continuadas alcançou R$ 186 milhões.

O resultado inclui provisão integral não recorrente e sem efeito caixa de R$ 434 milhões relacionada a recebíveis da venda da The Body Shop. Excluindo o impacto, o lucro líquido das operações continuadas foi de R$ 620 milhões.

No ano, o resultado líquido excluindo a provisão e outras despesas de desinvestimentos atingiu R$ 974 milhões.

As ações da empresa subiam 8,46% nesta terça-feira (17) por volta das 13h50 (horário de Brasília), depois de avançarem até 12,63% na máxima do dia.

Em relatório, o Citi afirmou que a Natura teve resultados positivos no quarto trimestre, com a fraqueza das vendas “compensada por avanço significativo da rentabilidade por conta de rigorosas medidas de eficiência e corte de custos”.

Já os analistas do Safra apontaram em relatório que o desempenho da companhia no período foi “misto”. “A Natura Brasil apresentou mais uma desaceleração nas vendas durante o trimestre. O ponto positivo foi uma forte recuperação nas margens de Ebitda ajustado”, escreveram eles.

Ferreira comemorou o resultado. “Voltamos a falar de lucro líquido. A Natura é uma empresa com alta capacidade de gerar lucro.”

Ele acrescentou que na operação hispânica os dois principais mercados - México e Argentina - foram afetados pela integração recente das marcas. “Estes mercados já demonstram recuperação consistente.”

Agora, com a operação da Avon na América Latina, os executivos do grupo acreditam que a tomada de decisões será mais rápida, o que favorece o desenvolvimento do portfólio e eleva a competitividade.

“Com o relançamento da Avon, vamos capturar mais benefícios da integração dos negócios na área hispânica. Com o novo operacional, vamos tomar decisões mais rapidamente. Isso nos dá confiança de que vamos expandir ainda mais o lucro líquido da companhia”, disse a CFO da Natura, Silvia Vilas Boas.

Guerra e cenário internacional

A executiva ponderou que, além do mercado doméstico, o cenário internacional também é motivo de preocupação para o grupo. “A guerra [no Irã] impacta preço de petróleo e outras commodities e não temos visibilidade da magnitude que isso pode tomar.”

Ela aponta ainda que Brasil e outros países da América Latina terão eleições em 2026. “Não sabemos o quão turbulento será este ano na área macroeconômica e com eventos como Copa do Mundo. Mas somos o grupo dos fortes, que sabe operar na América Latina e reagir com a maior velocidade possível. É importante que a empresa esteja preparada para reagir ao inesperado”, afirmou.

Na visão de Ferreira, o papel da Natura é manter a atividade elevada em cenários de restrição de renda, seja qual for o motivo. “A Avon tem esse papel, mas ela precisava ser mais atrativa também, gerando desejo de experimentação a um preço acessível.”

Leia também:

Do campo ao lagar: como nasce um azeite premium no interior de Minas Gerais

João Paulo Ferreira, CEO da Natura: 'Vamos estar bem posicionados para enfrentar os desafios das marcas independentes'. (Foto: Divulgação)

Como esta startup de saúde mental planeja cobrir 10 milhões de beneficiários até 2030

17 de Março de 2026, 12:05

O médico cardiologista Leandro Rubio aprendeu cedo a lidar com negócios. Aos 33 anos, liderava cerca de 550 colegas como chefe da cardiologia de um hospital privado em São Paulo.

“Sempre consegui gerenciar conflitos e equipes e, nessa posição, tive que aprender a ‘jogar o jogo’”, diz o empreendedor, que hoje tem 40 anos.

Com a pandemia em 2020, tudo mudou. O cardiologista criou um projeto batizado de “Missão Covid”, reunindo 1.500 médicos voluntários para criar uma plataforma de atendimento online. Com a flexibilização das regras sanitárias, Rubio e seu sócio lançaram a Starbem, inicialmente para atender os consumidores (B2C) em um modelo de assinatura.

“O foco inicial era atendimento popular, mas não decolou. Era um negócio de margens baixas e que pagava mal os médicos”, ele reconhece.

Rubio e seu sócio então decidiram redirecionar o negócio para o segmento B2B (voltado para empresas), principalmente pequenas e médias. “Vimos uma oportunidade em PMEs que não conseguem pagar o benefício para seus funcionários”, diz.

A Starbem aposta principalmente na área de saúde mental. Hoje, cerca de 70% dos atendimentos da plataforma são de psicólogos, 10% de nutricionistas e, o restante, de outras especialidades médicas -- 17 no total.

Rubio explica que os beneficiários têm direito a uma quantidade pré-determinada de atendimentos por mês, dependendo do plano contratado. O mais vendido pela Starbem contempla uma consulta com nutricionista; duas com médicos; e quatro de 30 minutos com psicólogos. Se o beneficiário quiser dobrar o tempo da terapia, ele pode abater duas sessões como se fossem créditos.

Leia também: A Memed queimou caixa por 14 anos. Agora tem lucro e mira R$ 100 milhões em receita

Atualmente, a empresa tem três diretores, um para cada área, e a gestão de dados é crucial para gerenciar a oferta e a demanda, conta Rubio. Adicionalmente, ele afirma que há um plano de carreira definido para os profissionais. “Chegamos a essa fórmula errando muito.”

Para 2026, a Starbem projeta faturamento de R$ 56 milhões, 450.000 consultas e um milhão de vidas sob gestão. Em 2030, a meta é atingir 10 milhões de vidas, 5 milhões de consultas e uma receita de R$ 350 milhões. “Provavelmente vamos ter menos clientes e mais vidas sob gestão”, diz.

O desafio, segundo o empresário, é justamente atender as empresas de maior porte. “São clientes que exigem produtos mais customizados.”

Atualmente, a carteira da Starbem possui cerca de 7.000 empresas, sendo aproximadamente 400 contratações diretas. O restante é através de canais como o iFood Benefícios e a Total Pass.

Mudanças no mercado

O mercado em que a Starbem atua passa por duas mudanças relevantes. Uma é local, com as novas diretrizes do Ministério do Trabalho que exigem gerenciamento de riscos ligados à saúde mental (NR-1). Na visão de Rubio, isso deve impulsionar a demanda por terapias com psicólogos.

“O número de afastamentos ligados à saúde mental cresce substancialmente, o que gera um impacto bilionário para os cofres públicos”, diz. Em sua visão, a nova norma regulamentadora deve exigir que as empresas invistam mais nesse segmento.

Leia também: Fleury seguirá estratégia própria enquanto Bradesco reorganiza ativos de saúde, diz CEO

A outra mudança é estrutural. A Starbem está aprimorando a jornada dos beneficiários por meio da inteligência artificial. Rubio relata que, na divisão de nutrição, os profissionais não entregavam rapidamente os menus alimentares para os pacientes devido à demanda. “Trouxemos a IA para otimizar o tempo dos profissionais. O paciente já sai com o cardápio pronto da consulta.”

Na divisão de psicologia, a plataforma já oferece o chamado suporte emocional por inteligência artificial 24 horas por dia, em um processo que é avaliado mensalmente pela própria equipe de psicólogos da Starbem para aprimoramento.

Rubio reforça que este não é um caminho para a substituição de profissionais, mas um complemento. “A próxima vez que o paciente for se consultar, o psicólogo já terá acesso às últimas interações dele com a IA”, afirma.

Leia também

Na Bemobi, CEO aposta no setor de saúde para manter expansão após subir 78% na bolsa

Apple recua de plano de serviço de saúde com IA e reestrutura abordagem de bem-estar

Menos big techs, mais saúde e energia: Wall Street aposta em novo ciclo para 2026

Sócios da Starbem redirecionaram o negócio para o segmento B2B, principalmente pequenas e médias, que têm menos condições de pagar o benefício para seus funcionários. (Foto: Cyril Marcilhacy/Bloomberg)

Com estoque limitado, Av. Paulista impulsiona escritórios em regiões vizinhas

16 de Março de 2026, 06:00

O mercado de escritórios da região da Avenida Paulista vem apresentando crescimento acelerado deixando para trás o pico de vacância de 15% em um passado recente, segundo levantamento da consultoria JLL.

Em meio à escassez de edifícios comerciais modernos, a expectativa é de uma pressão de alta nos preços de locação e o aumento da demanda por escritórios em regiões vizinhas, como a Avenida Rebouças, a Rua da Consolação e o Centro.

“Com pouca margem para negociação por parte dos inquilinos, os proprietários de edifícios bem localizados e tecnicamente atualizados devem reajustar os valores pedidos para cima”, diz a diretora de locações da JLL, Yara Matsuyama, à Bloomberg Línea.

Segundo a consultoria, a região da Paulista apresentou crescimento significativo em seu estoque entre 2019 e 2021, com a entrega de três edifícios importantes: Paulista J. Safra Corporate, Jardins J. Safra Corporate e Torre Alameda Santos. Essa expansão elevou a vacância ao seu pico em 2023, ainda sob os efeitos da pandemia de covid-19.

A partir desse momento, houve um processo consistente de recuperação, com a vacância chegando a 4,3% em 2024, uma redução expressiva de 10,8 pontos percentuais desde o pico.

Leia mais: Retorno aos escritórios impulsiona a locação. Mas investidores continuam cautelosos

Conforme o levantamento, o perfil de ocupação da região da Paulista revela quatro segmentos predominantes de inquilinos, sendo liderado pelo financeiro, com 36% da ocupação. Principalmente bancos comerciais e múltiplos representam 67% do segmento, um padrão similar à Nova Faria Lima, onde essa categoria representa 32% das operações, porém com distribuição mais equilibrada.

Já o coworking ocupa 11% do estoque da Paulista, devido à infraestrutura consolidada da região com ampla rede de transporte público, restaurantes, serviços de saúde, instituições educacionais e comércio varejista diversificado.

Os segmentos de saúde (8,9%) e educação (8,8%) completam o quadro, sendo o último composto exclusivamente por instituições de ensino superior de alto padrão, enquanto saúde apresenta operação diversificada entre administrativo e planos de saúde (41%), educação médica (30%) e centros médicos (15%), beneficiando-se da proximidade com hospitais da região.

“Os motores que impulsionam a demanda na Paulista são os mesmos que têm acelerado a absorção em outros distritos financeiros, como a intensificação do trabalho presencial e os planos de expansão das empresas”, observa Matsuyama.

Ele acrescenta que a Paulista possui um diferencial de resiliência, que é sua infraestrutura completa de transportes, serviços e conveniência, o que a torna destino natural para companhias que buscam centralidade estratégica e facilidade de acesso para seus colaboradores.

Estoque de alto padrão

Na visão da diretora da JLL, a oferta de alto padrão na Paulista é extremamente restrita e, o estoque, limitado. “Por ser uma região consolidada e com pouquíssimos terrenos disponíveis, a entrega de novos empreendimentos com especificações técnicas de ponta é rara. Isso cria um cenário de competição acirrada pelos poucos ativos de classe A disponíveis nesse eixo”, reforça.

Neste sentido, a executiva aponta que regiões como a da Avenida Rebouças e a do Centro podem se beneficiar desse gargalo na Paulista.

“A Rebouças tem se beneficiado de forma muito clara. A região já se consolidou como uma extensão corporativa premium, oferecendo edifícios novos e modernos que atendem exatamente aos requisitos das empresas que buscam a Paulista, mas não encontram disponibilidade”, pondera.

Embora a Rebouças tenha o menor estoque entre todas as regiões monitoradas pela JLL, houve crescimento acelerado neste eixo entre 2022 e 2024. Com estoque previsto de 81,1 mil m², a região demonstra potencial para absorver parte da demanda originalmente direcionada à Paulista, de acordo com a consultoria.

Ainda conforme a JLL, atualmente todos os ocupantes da Rebouças que são amplamente conhecidos saíram das seguintes regiões: Faria Lima, Nova Faria Lima e JK.

Já no Centro, essa dinâmica é mais restrita. “Embora possa haver interesse, a migração é limitada pelas características do estoque atual, que demandaria uma política específica de retrofit, e por questões estruturais que ainda desafiam a região para o uso corporativo de alto padrão”, diz Matsuyama.

O Passeio Paulista, edifício localizado na Rua da Consolação e entregue em 2023, emergiu como alternativa atrativa para empresas que consideravam a Paulista. Em apenas três anos, sua vacância despencou para 4,2%, beneficiando-se de lajes corporativas amplas (aproximadamente 2 mil m² por andar), que atendem às necessidades de grandes corporações. O Banco do Brasil e a Exame/Saint Paul são alguns dos inquilinos do empreendimento.

Perspectivas

O eixo Rebouças deve manter a tendência de redução na taxa de vacância este ano, segundo a JLL. A região continuará absorvendo o “transbordo” da Paulista e também da Nova Faria Lima, atraindo empresas que buscam modernidade, mas fogem dos preços recordes do coração da Faria Lima.

Já a escassez de prédios classe A do eixo Paulista deve forçar um movimento particular de demanda com o início de ocupação de edifícios classe B bem localizados. “Isso contribuirá para uma redução generalizada da vacância em toda a região, valorizando até ativos mais antigos”, diz Matsuyama.

Espera-se ainda que o excedente de demanda da Paulista migre também para os Jardins, que funciona como um refúgio de prestígio, avalia a executiva.

Para 2026 e 2027, os novos estoques da Paulista e eixos adjacentes estão diluídos em empreendimentos com metragem de até 10 mil m², aponta a JLL, com foco principalmente no Jardins e na Rebouças.

“Essa dinâmica se deve à escassez de produtos na Paulista. O Centro também deve absorver essa demanda”, avalia Matsuyama.

Leia também:

De terrenos à formação de corretores: as apostas da nova geração da Coelho da Fonseca

Após recuperar prédios no centro de São Paulo, Planta avança para bairros nobres

De café coado a Starbucks: a equação da WeWork para atender clientes no Brasil

© Filipe Serrano/Bloomberg Línea

Vista da Avenida Paulista próximo à Rua da Consolação: oferta de alto padrão é extremamente restrita e, o estoque, limitado. (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg Línea)

CEO da Petrobras vê ‘nervosismo desnecessário’ no mercado e defende política de preços

13 de Março de 2026, 16:46

A presidente da Petrobras (PETR3, PETR4), Magda Chambriard, voltou a defender a política de preços dos combustíveis da estatal após o anúncio de reajuste de diesel que está programado para vigorar a partir deste sábado (14).

“Nossa estratégia de preços está funcionando, tem bases absolutamente sólidas de retorno para a companhia. Os direitos dos acionistas de quererem o melhor retorno são respeitados, tanto do acionista governamental quanto do privado”, disse a executiva na tarde desta sexta-feira (13) em entrevista a jornalistas.

Ela destacou que a Petrobras vai continuar acompanhando as movimentações no cenário internacional e novas medidas “podem ser tomadas a qualquer momento”, a depender da evolução do mercado. “Estamos falando de aumento de diesel. Vamos deixar a gasolina com preço mantido.”

O governo federal editou uma Medida Provisória (MP) nesta quinta-feira (12) zerando o PIS e Cofins para o diesel. Nesta manhã, a estatal anunciou um reajuste de R$ 0,38 por litro do combustível para as distribuidoras.

Chambriard explicou que, quando a Petrobras emite uma nota fiscal para a distribuidora, acrescenta-se ao valor do litro o montante correspondente ao PIS e ao Cofins. No entanto, como esses tributos foram zerados, teoricamente a distribuidora deveria repassar o diesel com R$ 0,32 por litro a menos para os postos.

“A variação do preço para o consumidor final é de seis centavos, se os elos [da cadeia] não inflarem suas margens.”

Leia mais: Petróleo em alta favorece investimentos no Brasil, mas coloca Petrobras sob pressão

A executiva acrescentou ainda que em um determinando momento a sociedade brasileira “apoiou a desverticalização da Petrobras”, referindo-se à privatização da BR Distribuidora, hoje Vibra (VBBR3), em um processo concluído em 2021.

Chambriard disse que, à época, a estatal tinha de 26% a 27% do mercado de venda de combustível. “Com essa fatia, tínhamos capacidade de influenciar preço. Na hora em que deixamos de ter esse braço chegando ao consumidor, a Petrobras deixou de impactar preço.”

Em sua visão, é difícil para o consumidor dissociar um posto com logo da Petrobras com a petroleira. “Todos os postos que têm logo da Petrobras pertencem à Vibra e, muitas vezes, aumenta-se a margem”, diz. “Em um momento desse de alta volatilidade os agentes econômicos infelizmente se aproveitam para aumentar margem”, acrescentou.

A executiva disse ainda que a estatal não deixou de abastecer o mercado. “Podemos supor que não é falta de produto, é retenção para especular e aumentar margem. Isso é o que nós temos suposto, cabe às instituições de fiscalização e de controle checarem se isso está acontecendo e, se sim, tomar as medidas cabíveis.”

Executivos destacaram que a Petrobras entrega cerca de 70% do diesel nacional e importa mais um pouco. A companhia, segundo eles, está adiando manutenção de refinarias e elevando o fator de utilização para garantir mais produção.

Chambriard ponderou que todos os países estão tomando providências para mitigar os efeitos da guerra. “Quando olhamos à frente, na direção do final do ano, a perspectiva é de queda [do preço do barril]. Nossa preocupação é não repassar para a sociedade um nervosismo desnecessário.”

A executiva elogiou a atuação do governo federal acerca do PIS e Cofins. “Essa medida não é endereçada à Petrobras, mas sim a todos os agentes econômicos que colocam diesel no mercado brasileiro.”

Sobre a taxa de 12% sobre a exportação de petróleo, anunciada também nesta quinta-feira, Chambriard acredita que a medida é temporária. “Em um cenário de guerra, com aumento drástico [do preço do barril], esse imposto de exportação não deve impactar muito o que as companhias têm a receber.”

Por fim, ela acrescentou que os ministros do governo que se reuniram com a estatal reforçaram que a Petrobras é “livre para seguir a sua política de preços”.

Leia também:

Copom: guerra no Irã ‘racha’ apostas para o primeiro corte do BC em quase dois anos

Guerra aumenta tarifas aéreas e afeta viagens globais às vésperas do feriado de Páscoa

Cuba na mira de Trump: plano da Casa Branca tornaria os EUA patronos da ilha

© Lucas Landau

Magda Chambriard, presidente da petroleira estatal, reforçou que a política de preços dos combustíveis segue funcionando (Foto: Lucas Landau/Bloomberg)

Petróleo em alta favorece investimentos no Brasil, mas coloca Petrobras sob pressão

12 de Março de 2026, 15:23

Diante das incertezas do mercado de petróleo, a indústria brasileira vive um paradoxo, segundo especialistas ouvidos pela Bloomberg Línea.

A tendência é que o Brasil ganhe visibilidade de investidores como um player de produção estável. Em paralelo, o cenário atual pressiona a política de preços da Petrobras (PETR3, PETR4), favorece distribuidoras e acende o risco de desabastecimento interno de diesel.

A cada dia que o Estreito de Ormuz, na costa do Irã, permanece fechado devido aos conflitos na região, um volume cada vez maior de produção é interrompido, com repercussões inclusive no médio prazo, aponta o analista de geopolítica e mercados de petróleo da Rystad Energy, Raphael Faucz.

Ele afirma que o estreito é responsável pelo fluxo de cerca de 20 milhões de barris por dia (bpd), sendo aproximadamente 15 milhões de bpd de petróleo cru e cerca de 5 milhões de produtos refinados. Na prática, porém, hoje pouco desse volume consegue ser redirecionado.

“A crise atual muda o cenário de curto prazo, mas estruturalmente o mercado ainda é de excesso de oferta nos próximos anos. Mas há incertezas sobre uma potencial destruição de capacidade de produção no médio prazo”, disse o especialista.

Leia mais: Novo ‘cisne negro’? Mercados podem viver choque similar à pandemia com guerra no Irã

Hoje, cerca de 5 milhões de bpd já estão fora do mercado nos países do Golfo Pérsico devido à incapacidade de escoamento e do limite do armazenamento de petróleo, aponta a Rystad.

“A incerteza é muito grande. A volatilidade precificada pelo mercado para os preços do petróleo está atualmente em níveis comparáveis aos registrados quando a guerra na Ucrânia começou, ou durante a pandemia”, diz Faucz.

Segundo o especialista, o chamado índice OVX (Oil Volatility Index), que mede a expectativa de volatilidade dos preços do petróleo nos próximos 30 dias, está acima de 100% atualmente, indicando incerteza extrema e expectativa de grandes oscilações de preço do barril.

Neste contexto, a Rystad trabalha com dois cenários de preços, uma vez que a percepção do mercado depende da duração esperada do conflito. Caso a guerra se prolongue por alguns meses -- cerca de quatro meses, por exemplo -- as cotações poderiam voltar a superar os US$ 100 por barril, alcançando até US$ 135.

No entanto, antes da guerra, havia a percepção de um mercado superavitário, o que pressionaria os preços para baixo. Neste cenário, a cotação média ficaria em torno US$ 60 por barril.

O Brent era negociado na casa dos US$ 99 na tarde desta quinta-feira (12), em alta de 7,6%.

O relatório do Citi do último dia 10 de março afirma que o conflito no Oriente Médio, iniciado em 28 de fevereiro, causou a perda de aproximadamente 11 milhões a 16 milhões de bpd (de 7% a 11% da oferta de petróleo cru e 4 milhões a 5 milhões de barris de produtos refinados).

Diante deste contexto, o banco de investimento considera a PRIO (PRIO3) a empresa mais bem posicionada com a alta dos preços do barril, enquanto a PetroRecôncavo (RECV3) e a Brava Energia (BRAV3) não devem se beneficiar tanto devido às suas operações de hedge de petróleo para o curto e médio prazo.

“Em termos recorrentes, a Brava e a PetroRecôncavo também devem ser impactadas positivamente, já que possuem um preço de equilíbrio do Brent para geração de caixa superior ao da PRIO, mas esse potencial de valorização é parcialmente limitado pelas operações de hedge", disseram os analistas do Citi no relatório.

Em relação à Petrobras, o banco vê potencial de ganhos limitados, uma vez que existe o risco de repasse apenas parcial da volatilidade dos preços no mercado interno.

Riscos sobre o diesel

O Citi espera que a Petrobras aumente sua participação no fornecimento doméstico de diesel, uma vez que a estatal pretende aumentar seu índice de utilização nas refinarias.

Por outro lado, os analistas da instituição demonstram preocupações com o fornecimento de diesel. Historicamente, o Brasil importa cerca de 25% de seu consumo interno e, atualmente, a capacidade de refino doméstica está abaixo dos níveis de demanda.

“Neste cenário de preços domésticos abaixo da referência internacional, esperamos uma queda acentuada nas importações de diesel, visto que a atividade não é mais economicamente viável”, afirmam os analistas do Citi.

Eles acrescentam que apenas os agentes com contratos de longo prazo devem continuar importando o combustível. “Enquanto isso, esperamos que as importações do diesel se concentrem no fornecimento russo, devido aos seus descontos em relação à oferta americana.”

O Brasil é um importador líquido de diesel (importa mais do que exporta), o derivado mais exposto à crise atual. Faucz afirma que o diesel tem registrado aumentos de preços superiores aos do próprio petróleo no mercado internacional.

Em volume, o Brasil depende pouco dos países do Golfo Pérsico, tendo Rússia, Estados Unidos e Índia como seus principais fornecedores.

Neste contexto, o Citi espera um avanço nos preços dos combustíveis mesmo sem alterações por parte da Petrobras. “Além disso, esperamos um aumento no risco de escassez de diesel nos próximos dias, elevando a pressão para uma ação da Petrobras [sobre o tema]”, afirmam os analistas.

O sócio da KPMG, Bruno Bressan, lembra que os preços dos combustíveis já apresentavam certa defasagem no Brasil. “A tendência é que, diante do aumento dos preços do diesel, o frete também encareça, já que nosso modal é bastante dependente do combustível”, diz.

Faucz afirma que o Brasil tem se posicionado como um dos principais responsáveis pelo aumento da produção global fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

“O Brasil já vem se beneficiando de margens maiores, com aumentos de preços desde o início do ano, o que contribui de forma importante para a rentabilidade das empresas, principalmente da Petrobras”, diz.

No entanto, a flexibilidade do aumento da produção em resposta à crise atual, no curto prazo, é “praticamente inexistente”, o que não permite um aumento imediato de market share global. “Ainda assim, o contexto reforça a percepção positiva sobre investimentos em mercados de produção estável e confiável no longo prazo”, acrescenta.

Liberação de estoques

Os 32 países membros da Agência Internacional de Energia (AIE) concordaram nesta quarta-feira (11), por unanimidade, em liberar 400 milhões de bpd de sua reserva de emergência ao mercado.

“Os desafios no mercado de petróleo são de uma escala sem precedentes. A segurança energética é mandato fundamental para a AIE”, disse o diretor executivo da organização, Fatih Birol.

De acordo com o economista-chefe da Argus, David Fyfe, os governos dos países integrantes da AIE poderão decidir o cronograma da liberação de reservas.

Caso o montante seja distribuído ao longo de três meses, isso representaria uma oferta potencial de 4,4 milhões de bpd, o que envolve fatores como composição da liberação e do volume efetivamente absorvido pelo mercado.

Os efeitos sobre os preços ainda são desconhecidos, em sua visão. “Argumenta-se que essa liberação de reservas já está precificada desde segunda-feira [09], quando rumores sobre a medida ajudaram a sustentar a queda nos contratos futuros de petróleo do tipo Brent para níveis próximos de US$ 90″, diz.

No entanto, ele alerta que a eficácia dos estoques estratégicos para acalmar os preços depende, em última instância, da duração do fechamento do Estreito de Ormuz.

“Estoques estratégicos, por si só, serão insuficientes para evitar novas altas de preços se a navegação no Estreito permanecer intensamente restrita por um período prolongado”, ressalta.

Leia também:

Conflito no Oriente Médio pressiona insumos, mas dá impulso aos grãos, diz CEO da Bunge

Da soja ao café: Brasil responde pela maior parte do comércio de LatAm com o Irã

Lista de credores em negociação com a Raízen inclui BNP, Bradesco, Santander e Itaú

Plataforma de petróleo da Petrobras: cenário atual pressiona a política de preços da estatal. (Foto: Divulgação)

‘Petrobras precisa estar preparada para qualquer cenário do petróleo’, diz CEO

6 de Março de 2026, 18:06

Executivos da Petrobras (PETR3, PETR4) afirmaram que a companhia está preparada para qualquer cenário de preço do petróleo diante dos riscos do conflito no Golfo Pérsico.

A presidente da estatal, Magda Chambriard, disse que a tendência da cotação do petróleo ainda não está traçada, principalmente porque a guerra entre Estados Unidos contra o Irã tem poucos dias, assim como a flutuação exacerbada dos preços.

“Olhando à frente, vemos analistas falando que o petróleo pode chegar a US$ 120 no ano que vem, e outros a US$ 53, esse é o tamanho da volatilidade. O importante é que a Petrobras esteja plenamente preparada para ser resiliente o suficiente para enfrentar qualquer um destes cenários”, disse a jornalistas na tarde desta sexta-feira (6).

Segundo o diretor executivo de logística, comercialização e mercados, Claudio Schlosser, a produção de lubrificantes da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, demanda um tipo de óleo específico conhecido como “árabe leve”, proveniente do Oriente Médio. A companhia importa cerca de dois navios do produto a cada três meses.

Leia mais: Petrobras tem lucro de R$ 110 bi em 2025 com alta da produção e ganhos cambiais

Neste contexto, o executivo afirma que a Petrobras tem estoques de árabe leve já no Brasil e algumas embarcações a caminho. As outras encomendas têm três rotas para chegar ao país, o que elimina riscos de escassez do insumo, segundo ele.

“Não vemos risco no longo prazo de importação desse óleo, que sai preferencialmente pela rota do Mediterrâneo”, afirmou.

Ele acrescentou que os mercados que a estatal abastece estão fora da região do conflito. “Os nossos fluxos vão especialmente para Índia, China e Europa.”

Schlosser disse a investidores, mais cedo, que a questão do frete já começou a se ajustar no mercado global. “A foto que temos do momento é que na colocação dos nossos óleos, a situação atual tem favorecido a Petrobras, que tem registrado margens melhores.”

Volatilidade dos preços

Chambriard disse que, apesar da volatilidade do barril de petróleo, a política de preços da companhia vai continuar funcionando normalmente.

“Até agora não temos nenhum indício de que não tenha funcionado, a principal prova que está funcionando bem é o resultado que apresentamos no fechamento de 2025″, disse.

Leia também: Crise no Oriente Médio trava fluxo de petróleo e gera temor de choque energético global

No consolidado do ano passado, a estatal registrou um lucro líquido de R$ 110 bilhões, aumento de 200% sobre 2024, mesmo diante de uma queda de 14% do Brent no ano passado.

“A política de repasses ‘nervosos’ na variação de preço do petróleo, principalmente para cima, é uma coisa do passado. Gerou muita confusão, insegurança e só beneficiou alguns poucos importadores”, observou. “A sociedade como um todo perdeu, no nosso entendimento”, acrescentou a CEO.

Sobre a possibilidade de exploração de petróleo na Venezuela, Chambriard disse que a Petrobras só cogitaria o caso se o embargo fosse cancelado.

“As reservas [da Venezuela] são complicadas de explorar, em um país com embargo. Se eventualmente esse embargo for cancelado, poderíamos cogitar se a Venezuela é um negócio para nós. Nesse momento, não temos sequer autorização de ir para lá”, disse a executiva.

Leia também

Do Brasil à Colômbia: como a guerra no Irã pode favorecer o petróleo da América Latina

Raízen avalia recuperação extrajudicial após um aporte de R$ 4 bi de acionistas

©

Magda Chambriard, CEO da Petrobras: 'A política de repasses nervosos na variação de preço do petróleo, principalmente para cima, é uma coisa do passado'. (Foto: Bloomberg)

Petrobras tem lucro de R$ 110 bi em 2025 com alta da produção e ganhos cambiais

5 de Março de 2026, 22:38

A Petrobras registrou um resultado sólido em 2025 apoiado pelo aumento da produção e por ganhos de eficiência, que ajudaram a estatal brasileira a compensar os efeitos de uma queda dos preços do petróleo Brent no ano passado, antes de a crise no Oriente Médio elevar os futuros da commodity.

O lucro líquido da Petrobras (PETR3, PETR4) atingiu R$ 100,9 bilhões em 2025, queda de 2% sobre o ano anterior, segundo balanço enviado na noite desta quinta-feira (5) à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No critério que considera eventos exclusivos, o resultado do ano foi de R$ 110,1 bilhões, influenciado pelos ganhos com variação cambial, refletindo a valorização do real frente ao dólar, informou a estatal. O desempenho foi 201% maior do que no ano de 2024, quando o lucro líquido com eventos exclusivos foi de R$ 37 bilhões.

“Os resultados de 2025 comprovam a consistência da nossa estratégia, baseada em disciplina de capital, aumento de produção e eficiência operacional”, disse no documento o diretor financeiro e de relacionamento com investidores da companhia, Fernando Melgarejo.

Considerando apenas o quarto trimestre, o lucro líquido alcançou R$ 15,56 bilhões, revertendo o prejuízo de R$ 17,04 do mesmo período de 2024, mas abaixo da estimativa média de analistas consultados pela Bloomberg, de R$ 19,93 bilhões.

Leia mais: Oncoclínicas busca ‘waiver’ de debenturistas para descumprir limite de alavancagem

A petroleira informou ainda que o seu conselho de administração autorizou o encaminhamento de proposta de distribuição de R$ 8,1 bilhões em dividendos referentes ao exercício do quarto trimestre de 2025.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) alcançou R$ 230 bilhões no ano passado, alta de 12,6% sobre 2024. No critério ajustado, houve avanço de 10,6%, para R$ 237,1 bilhões.

No quarto trimestre, o Ebitda ajustado somou R$ 59,92 bilhões, alta de 46% na comparação anual, acima da estimativa de analistas, de R$ 58,78 bilhões.

A receita líquida da estatal somou R$ 497,5 bilhões em 2025, ligeira alta de 1,4% sobre o ano anterior.

A companhia afirmou em relatório que, mesmo diante da queda de 14% no preço do Brent em 2025, o resultado foi sólido em relação ao ano anterior. O desempenho, segundo a Petrobras, foi impulsionado principalmente pela performance operacional, com destaque para o aumento de 11% da produção total de óleo e gás no mesmo período.

A empresa apontou que o Ebitda foi favorecido no período por maiores vendas de derivados no mercado interno, com destaque para diesel, gasolina e querosene de aviação (QAV), além da redução das despesas operacionais.

Em 2025, os investimentos da petroleira totalizaram US$ 20,3 bilhões, crescimento de 22,2% em relação a 2024. “Esse montante corresponde a uma realização 9,7% acima do previsto no Plano de Negócios 2025-2029, permanecendo dentro da faixa de variação do guidance divulgado para o ano", afirmou no documento.

Ao final de dezembro, a dívida bruta da Petrobras alcançou US$ 69,8 bilhões, aumento de 15,7% sobre um ano antes. Já a dívida líquida atingiu US$ 60,6 bilhões no ano passado, alta de 16% na mesma base de comparação.

O prazo médio da dívida variou de 12,52 anos, ao final de 2024, para 11,7 anos em dezembro do ano passado. O custo médio passou de 6,8 % a.a. para 6,7% a.a. no mesmo período.

Com isso, a alavancagem medida pela relação dívida líquida sobre o Ebitda ajustado foi de 1,42 ao final de dezembro, ante 1,29 um ano antes.

Leia também:

Vale aposta em reserva própria para crescer em cobre. ‘Não precisamos de M&A’, diz CEO

Vale tem lucro de US$ 1,9 bi em 2025, com baixa contábil de US$ 3,5 bi no Canadá

JBS investe US$ 150 mi na produção de carnes em Omã e amplia atuação no Oriente Médio

© Dado Galdieri

A petroleira divulgou nesta quinta-feira (5) o que considerou um resultado 'sólido' no exercício de 2025. (Foto: Dado Galdieri/Bloomberg)

De terrenos à formação de corretores: as apostas da nova geração da Coelho da Fonseca

3 de Março de 2026, 06:00

Quando tinha 19 anos de idade, o filho mais novo de Álvaro Coelho da Fonseca, Luiz Alfredo, fez sua primeira venda como corretor de imóveis.

“Quando ingressei na faculdade, meu pai me colocou para trabalhar como corretor e passei por todas as áreas da empresa, estudando e trabalhando. Eu respiro mercado imobiliário desde que eu nasci”, diz o sucessor.

Hoje com 32 anos, Luiz Alfredo administra o dia a dia da empresa juntamente com seu irmão, Alvaro Marco.

Luiz Alfredo lembra de algumas passagens da infância com seu pai, fundador da companhia e hoje com 75 anos de idade.

“Visitei locais que hoje são empreendimentos de luxo emblemáticos, mas à época eram apenas ‘mato’. Quando a Quinta da Baroneza era uma fazenda, meu pai me colocou no banco traseiro do carro para visitar o local, ouvi todo o planejamento do projeto enquanto jogava Game Boy”, conta em entrevista à Bloomberg Línea.

O empreendimento, localizado no interior de São Paulo, se destacou pela proposta de alto padrão e teve a sua consultoria, marketing e desenho de produto realizados pela Coelho da Fonseca. Outros projetos que Luiz Alfredo viu nascer foram a Fazenda da Boa Vista e o Haras Larissa.

Leia mais: Empresas familiares se fortalecem e crescem acima de demais grupos, aponta Deloitte

A Coelho da Fonseca tem 50 anos de existência e é focada no segmento de luxo, com empreendimentos nos principais bairros de São Paulo e condomínios de campo e praia. Também possui um braço internacional.

“Hoje, meu irmão e eu tocamos o dia a dia da empresa e meu pai nos ajuda na estratégia, com toda a expertise dele. A sucessão foi algo natural”, afirma Luiz Alfredo.

Os irmãos Alvaro Marco (à esquerda) e Luiz Alfredo Coelho da Fonseca. Foto: Empresa/Divulgação

Uma das grandes apostas do grupo é uma empresa dedicada à negociação de terrenos em São Paulo – um ativo que é conhecido no setor, atualmente, como “escasso”.

A Coelho da Fonseca se juntou à Orix, de intermediação de terrenos para incorporação imobiliária, para criar uma joint venture com esse propósito, combinando o banco de dados e a experiência da cinquentenária à expertise do sócio-fundador da Orix, Alex Lima. “Terreno é uma matéria-prima escassa? Sim, mas existem muitos para negociar ainda”, afirma.

Luiz Alfredo relata que a Coelho consegue fazer cruzamentos “nada óbvios” para quem não está no dia a dia da incorporação. “Ganhamos escala em poucos meses, já temos muita coisa em prateleira”, diz.

O executivo relata que existem muitos terrenos que passam diretamente de uma incorporadora para outra, e que a Coelho da Fonseca acaba tendo acesso antes de chegarem ao mercado.

“De outubro a janeiro, já temos 76 áreas em negociação. Com o nosso modelo, levamos os terrenos de forma mais organizada para o incorporador, temos sido elogiados pela forma como estamos profissionalizando este negócio, o que nos permite cobrar mais”, diz Lima.

Luiz Alfredo acrescenta que o novo braço de terrenos permite à Coelho resgatar um trabalho que, antigamente, a empresa fazia muito mais.

“Toda a consultoria acerca do tipo, valor, retorno estimado e quem pode comprar o terreno é de grande relevância. O mercado primário [de lançamentos] mudou muito e não há mais empresas que façam isso da forma profissionalizada como fazemos”, diz.

“Conseguimos extrair o maior valor possível para o ativo, além de termos toda uma carteira de investidores que conseguimos trazer desde o momento zero do projeto”, acrescenta.

Leia mais: Chega de prédios isolados: esta empresa cresce com aposta em bairros planejados

Lima observa ainda que a experiência de ambos nas duas pontas da negociação permite encontrar o comprador certo para o terreno, com o preço correto.

“Sabemos precificar da maneira certa e temos relacionamento com os incorporadores, é o ponto que mais gera negócio. Temos reuniões com eles toda semana”, diz o executivo.

Luiz Alfredo ressalta que a equipe de quase 400 corretores da Coelho completa a estratégia. “Temos matéria-prima, dinheiro do investidor, consultoria e equipe na rua. Montamos uma célula que consegue entregar em 15 dias um dossiê pronto para o incorporador, com modelo de parcerias e prioridades para os melhores negócios.”

O foco do braço de terrenos são projetos de alto padrão, mas já há conversas para multifamily, data centers, galpões logísticos, entre outros. “Quando aprofundamos o modelo de negócio, surgem muitas possibilidades.”

Profissionalização do corretor

Luiz Alfredo afirma que a profissionalização dos corretores é peça-chave para perpetuar o negócio. “Não são todos os corretores que entendem de imóveis de tíquete alto. Para nós, a profissionalização está enraizada”, diz.

Ele relata que a Coelho da Fonseca costuma dar preferência para o treinamento de corretores. “Não há vícios e nem conceitos cristalizados. Meu pai fundou o braço Private Brokers há mais 20 anos ensinando tudo do zero. Até hoje é uma das equipes que mais vende dentro da empresa.”

O executivo conta que a Coelho da Fonseca criou uma pós-graduação em parceria com o centro universitário Belas Artes, 100% à distância, para empreendedorismo no setor imobiliário de alto padrão.

“Desenhamos a grade curricular voltada para empreendedorismo imobiliário de luxo, com aulas que trazem casos reais para aplicação dos conceitos. É nossa visão de futuro sobre como a atividade será bem-sucedida”, afirma.

Leia também:

Charlie, investida da Cyrela, aposta em locação flexível no segmento de luxo

Esta fornecedora brasileira automotiva disputa com marcas globais e agora vai aos EUA

Parceria com fundos e arquitetos: a receita da SKR para crescer no alto padrão

© Filipe Serrano/Bloomberg Línea

Apartamentos de luxo em São Paulo: com 50 anos, corretora se especializou em imóveis de alto padrão. (Foto: Filipe Serrano/Bloomberg Línea)

Após recuperar prédios no centro de São Paulo, Planta avança para bairros nobres

23 de Fevereiro de 2026, 06:00

Depois de recuperar prédios no centro de São Paulo, incluindo ativos emblemáticos como o edifício Renata, a Planta Inc. tem ampliado seu escopo de atuação para bairros nobres.

Especializada em retrofit, a desenvolvedora e incorporadora paulistana já soma 15 projetos em desenvolvimento na capital paulista e vem diversificando a sua base de investidores, segundo o fundador Guil Blanche. A meta até 2030 é comprar aproximadamente 40.000 metros quadrados por ano para novos empreendimentos.

“Queremos continuar sendo uma butique. Estamos com o time 100% pronto para manter esse nível de aquisição”, disse Blanche à Bloomberg Línea.

Leia mais: Chega de prédios isolados: esta empresa cresce com aposta em bairros planejados

A Planta acumula um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 1,5 bilhão. Os primeiros sete edifícios recuperados foram viabilizados por um fundo imobiliário (FII) em parceria com a gestora Valora Investimentos.

O segundo FII, com a Mauá, foi a estreia da incorporadora no final do ano passado no mercado de varejo (investidores pessoas físicas).

“É um fundo listado com mais de 2.000 cotistas. Foi um sucesso de distribuição”, diz Blanche. Ele acrescentou que, somando as participações da Planta, da Mauá e a fatia de investidores pessoas físicas, o fundo já acumula cerca de R$ 235 milhões, destinados para financiar três empreendimentos na cidade.

Um deles está localizado no “berço” da Planta, a Vila Buarque, região central da capital, onde a companhia já requalificou sete prédios.

O público-alvo do Edifício Petrah é composto principalmente de estudantes e jovens do mercado de trabalho, com aluguel estimado em até R$ 3.000 por mês.

O outro projeto fica localizado no bairro do Brooklin, próximo ao centro empresarial da Berrini. “Há muitos prédios para locação nesta região, vimos essa oportunidade para atender jovens trabalhadores, que vêm de fora [da cidade], e que vão trabalhar no mercado financeiro”, diz Blanche. O Edifício Nebraska tem público-alvo com renda entre R$ 10.000 a R$ 15.000 por mês.

De perfil similar é o alvo do Edifício Victória, na rua Clodomiro Amazonas, no Itaim. O prédio, que tem 100 unidades de 50 metros quadrados, também passará por um retrofit.

Apesar do foco no segmento conhecido como multifamily (unidades voltadas para renda residencial), a Planta manteve a vocação comercial de dois dos 15 projetos. “Mantivemos porque fazia mais sentido”, afirma Blanche.

Um deles é o Edifício Nações (Unibanco), um prédio histórico projetado por Salvador Candia, que também idealizou ícones da cidade como a galeria Metrópole e o edifício Joelma. Segundo Blanche, o prédio é de propriedade da gestora Central Capital e a Planta foi contratada para executar toda a sua requalificação.

Adensamento das grandes cidades

Na visão do fundador da incorporadora, o modelo de retrofit é resultado de um amadurecimento do processo de expansão da cidade.

“É natural que a gente descubra o quão caro é expandir para as fronteiras. Quanto mais concentrada e densa a cidade for, mais barata e eficiente será”, diz Blanche.

Ele acrescenta que a densidade populacional de São Paulo é considerada baixa em comparação a outras metrópoles do mundo. “Quando compreendemos que adensar é mais barato, começamos a voltar para o centro da cidade.”

Neste contexto, ele afirma que o grande desafio é a idade dos prédios do centro -- construídos entre as décadas de 1940 e 1970 -- e que hoje já não estão mais adequados ao modelo contemporâneo de trabalho.

“Os edifícios deste período eram predominantemente comerciais e hoje se encontram subutilizados. O retrofit vem como uma solução de adensamento com a requalificação e ocupação dos prédios, muitas vezes mudando o uso.”

O empresário reforça que a demanda por empreendimentos residenciais ainda é muito forte no Brasil. “Queremos atender esse mercado”, diz.

Blanche afirma que, atualmente, a maior parte do mercado imobiliário ainda depende do programa Minha Casa Minha Vida, mas a iniciativa privada tem como responsabilidade fazer bons projetos, adequados às exigências do Plano Diretor.

“Apesar do cenário macroeconômico desafiador e dos juros elevados, crescemos de forma significativa. Hoje somos a empresa independente que mais produz ativos para renda residencial do Brasil”, diz.

Leia também:

Charlie, investida da Cyrela, aposta em locação flexível no segmento de luxo

De retrofit à gestão do espaço: escritórios se adaptam para atrair talentos, diz JLL

Parceria com fundos e arquitetos: a receita da SKR para crescer no alto padrão

© Gabriel Cabral/Planta Inc

Edifício Victoria, comprado pela Planta Inc, no bairro do Itaim: construtora aposta em requalificação de edifícios em bairros nobres. (Foto: Gabriel Cabral/Planta Inc)

Movida quer aumentar a base de clientes, mas ‘não a qualquer custo’, diz CEO

19 de Fevereiro de 2026, 06:00

Diante dos juros ainda elevados e as incertezas no Brasil e no mundo, a Movida tem adotado uma estratégia focada na expansão da base de clientes, mas sem abrir mão da rentabilidade.

Segundo o CEO, Gustavo Moscatelli, o plano da locadora de veículos inclui iniciativas para aprimorar a experiência em seus pontos de venda, em um movimento para aumentar a fidelização e expandir a oferta de serviços.

Nesse ambiente, o executivo avalia que a companhia deve crescer este ano, mas não em frota de veículos.

“Queremos expandir a nossa base de clientes, mas não a qualquer custo”, disse ele, em entrevista recente à Bloomberg Línea. Segundo ele, a empresa registrou neste ano o melhor mês de janeiro de sua história.

Leia mais: Sem contato humano: Localiza reduz filas e acelera ganho de escala com digitalização

No consolidado de 2025, a Movida (MOVI3) conquistou 675.000 novos clientes (que nunca tinham usado o serviço da marca). Somando os consumidores que já utilizaram o serviço (recorrência), a companhia obteve um crescimento de 13% de sua base de clientes no ano passado, atingindo 1,33 milhão de aluguéis.

“Isso [a expansão da base clientes] tem trazido mais rentabilidade, uma vez que conseguimos precificar melhor. O mercado de locação não cresceu, mas nós ganhamos market share”, diz Moscatelli.

Segundo relatório do UBS BB de janeiro, apenas a Movida ganhou participação de mercado em volumes no ano passado.

Loja na área de embarque

A estratégia para crescer tem foco na maximização dos investimentos e na melhoria da experiência do cliente. O executivo relata que um exemplo importante disso é a inauguração da primeira loja de aluguel de carros do país dentro da área de embarque de um aeroporto - hoje a maior parte das locadoras está instaladas no desembarque dos terminais aeroportuários, segundo Moscatelli.

O novo modelo de atendimento foi inaugurado no terminal de Brasília. “Com uma loja na área de embarque, poderemos atender o cliente quando ele está com mais tempo e menos cansado da viagem”, explica o CEO.

Além disso, a companhia está investindo em totens de atendimento dentro das lojas para os clientes que querem fazer a contratação do aluguel de forma rápida.

Outra solução implementada nas lojas foi a distribuição de senhas digitais para os clientes, ao invés de filas físicas.

Moscatelli conta que, assim, não só o cliente aguarda com mais conforto pelo atendimento, sentado, como o headquarter da Movida tem controle, em tempo real, do número de clientes na fila para serem atendidos. A tecnologia permite inclusive o monitoramento do tempo de demora no atendimento.

Estratégia de seminovos

Atualmente, a Movida possui cerca de 260 lojas de aluguel e 100 unidades de vendas de carros seminovos. Para 2026, o plano é abrir entre 10 e 20 lojas de locação e pouco mais de 25 de seminovos.

A principal novidade na área, segundo Moscatelli, é a inauguração de lojas nos chamados autoshoppings, que oferecem grandes estruturas com múltiplos lojistas, bem como a conveniência de serviços de financiamento, vistoria e despachante, por exemplo.

Moscatelli relata que o custo para abrir uma loja deste modelo é bem mais baixo do que uma unidade padrão da Movida, que tem, entre outros atrativos, espaços para crianças e pets, além de outras comodidades.

No auto hopping, a companhia ainda pode vender aqueles carros que têm mais quilometragem e que acabam ficando fora do padrão do varejo, sendo vendidos para grandes lojistas (atacado), mas com margens menores.

Verticalização

Outra aposta da Movida para aumentar a eficiência operacional está na abertura de unidades de serviços de manutenção rápida para a frota alugada, chamadas de “Pit Stop”.

Moscatelli afirma que um grande desafio para qualquer locadora é quando o cliente da locação tem algum problema no carro, se vendo obrigado a procurar uma oficina autorizada (terceirizada) mais próxima.

“Essas oficinas não têm o mesmo nível e estrutura das nossas lojas de carros”, diz. A Movida mapeou os locais com mais demanda por manutenção e iniciou um processo de abertura de unidades Pit Stop para verticalizar esse serviço dentro do grupo.

Seis unidades foram inauguradas e outras 23 serão abertas até o final do primeiro semestre, todas dentro de shopping centers ou supermercados.

“O conceito envolve ter serviço disponível para o cliente enquanto ele espera pela manutenção do carro, que dura até uma hora”, diz.

Segundo Moscatelli, a redução total de custo da manutenção feita dentro da oficina da Movida em comparação a de terceiros é de 19%. “Também atingimos um nível de satisfação de 90% do cliente, mesmo em uma situação de carro ‘quebrado’”, afirma.

Gestão de dívidas

No último dia 5 de fevereiro, a Movida anunciou captações no montante total de R$ 3,5 bilhões, o que permitiu à companhia fazer frente aos vencimentos previstos em balanço de 2026.

O pacote incluiu a participação do IFC (International Finance Corporation), braço do Banco Mundial, no valor de US$ 235 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão).

De acordo com Moscatelli, o pacote de financiamentos visa melhorar o perfil da dívida, além de reduzir o custo médio e aumentar o prazo médio.

Para 2026, ele espera mais ocupação da frota com maior retorno. “Vamos crescer este ano, mas não com aumento da frota. Temos muitas novidades para implementar, estamos no melhor momento da companhia”, diz.

-- Reportagem atualizada em 20/02/2025 às 10h20 para corrigir a informação de que o relatório é do UBS BB, e não do UBS.

Leia também:

Movida levanta R$ 3,5 bilhões em financiamentos com foco na gestão de dívida

Império das concessionárias: Automob vê oportunidades para consolidação, diz CEO

Esta fornecedora brasileira automotiva disputa com marcas globais e agora vai aos EUA

© Movida

Loja da Movida: CEO Gustavo Moscatelli diz que a companhia deve crescer este ano, mas não em frota de veículos. (Foto: Movida)

Vale aposta em reserva própria para crescer em cobre. ‘Não precisamos de M&A’, diz CEO

13 de Fevereiro de 2026, 16:05

A Vale acredita que está bem posicionada para crescer no mercado de cobre, considerado um importante metal de transição energética, em meio a um movimento intenso de fusões e aquisições (M&As) na indústria minerária global, como o recente negócio entre Anglo American e Teck Resources e as conversas entre Rio Tinto e Glencore.

Na avaliação do CEO da Vale (VALE3) , Gustavo Pimenta, uma possível transação entre Rio Tinto e Glencore não afetaria a competitividade da mineradora brasileira e possivelmente não alteraria o projeto de cobre e níquel em desenvolvimento que a brasileira tem com a Glencore no Canadá.

Pimenta disse que a Vale tem projetos e reservas próprias para crescer no segmento.

“Existe uma corrida de M&As, mas o que está por trás disso é uma busca por mais cobre e nós não precisamos fazer M&A para crescer [no segmento]”, disse o executivo a jornalistas na tarde desta sexta-feira (13).

Leia mais: Vale tem lucro de US$ 1,9 bi em 2025, com baixa contábil de US$ 3,5 bi no Canadá

Pimenta acrescentou que a prioridade é avançar com o desenvolvimento dos depósitos minerários já existentes. “É aí que vamos conseguir destravar bastante valor. Estamos atentos [às movimentações], discutimos com muita gente as alternativas, mas continuamos desenvolvendo nosso próprio portfólio de projetos.”

Pimenta observou que há cerca de quatro anos, quando o executivo chegou ao grupo, a Vale Base Metals (VBM) tinha muitos desafios operacionais, mas que depois de muito trabalho a empresa conseguiu “virar essa chave”.

“Tem sido uma história operacional positiva. Ainda em progresso, tem mais para tirar dos nossos ativos, mas temos algo muito único. Podemos desenvolver nossos projetos greenfield, o que muitos competidores não têm", disse.

O executivo acrescentou que uma oferta pública inicial de ações (IPO) para a VBM não está descartada, mas esta não é a prioridade. Ele afirma que o foco é operar bem os ativos e crescer a companhia.

“O IPO ou alguma transação de mercado, seja um parceiro, ou uma JV [joint venture], será avaliado, mas o objetivo final é gerar valor. Acreditamos que só vamos conseguir gerar valor se dobrarmos a capacidade de produção de cobre nos próximos anos.”

Baixa contábil

No quarto trimestre de 2025, a mineradora reconheceu uma perda contábil por impairment no valor de US$ 3,5 bilhões referentes aos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, decorrente da revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo da commodity.

De acordo com Marcelo Bacci, CFO da Vale, alguns dos ativos de níquel que a companhia tem no Canadá são mais desafiadores do ponto de vista de rentabilidade, seja pela idade ou pela quantidade de depletion (degradação) que ocorreu nas operações.

“São ativos que estão sendo minerados há muito tempo e essa revisão nos disse onde devemos continuar investindo e onde não vale a pena. Alguns desses ativos podem ter mais valor na mão de outros investidores e já são alvos de potencial venda”, disse o executivo.

Ele destacou que a companhia segue realizando um trabalho de otimização de parte do portfólio de níquel e, no caso de outros ativos, a visão de longo prazo é continuar investindo. “O impairment é uma questão contábil, não tem uma relação direta com essas negociações."

Segundo Bacci, o mercado de níquel vem sofrendo pressão de preços devido ao excesso de oferta e o resultado do último impairment é reflexo disso.

“Anualmente, precisamos fazer impairment e chegamos à conclusão que precisávamos fazer um ajuste, isso reflete a realidade atual, talvez até de maneira conservadora."

Pimenta disse que em meio à corrida por minerais críticos, a grande contribuição da Vale é crescer nos negócios onde a companhia tem escala e consegue avançar imediatamente, como é o caso do cobre.

“O cobre é o metal da transição energética e a Vale está comprometida em crescer no segmento. Em níquel, já somos o maior produtor ocidental”, afirmou.

Extravasamento de água

Sobre o extravasamento de água com sedimentos ocorrido em janeiro deste ano em Minas Gerais, Pimenta afirmou que a companhia espera que os sites devem estar limpos em duas ou três semanas.

“Vai depender das autoridades federais e locais para restabelecer as operações. Vamos ter que discutir o retorno, mas o foco integral agora é a limpeza.”

Ele acrescentou que as operações afetadas naturalmente têm volumes de produção menores nesse período do ano, devido ao clima chuvoso.

“Sempre temos expectativa de produção menor. A projeção é de que o impacto seja limitado e por isso e não mudamos nosso guidance, vamos ver a melhor forma de retomar essas operações.”

Leia também

Ibovespa cai mais de 1% com pressão de Vale (VALE3) e exterior; dólar sobe a R$ 5,22

Vale supera guidance e tem maior produção de minério de ferro desde 2019

Água transborda de mina da Vale em Ouro Preto e atinge área da CSN Mineração

© Michael Nagle

Gustavo Pimenta, CEO da Vale em evento no final de 2024: 'continuamos desenvolvendo nosso próprio portfólio de projetos'. (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)

Vale tem lucro de US$ 1,9 bi em 2025, com baixa contábil de US$ 3,5 bi no Canadá

12 de Fevereiro de 2026, 21:20

A Vale (VALE3) reportou nesta noite de quinta-feira (12) um lucro líquido de US$ 1,9 bilhão no resultado consolidado de 2025, uma queda de 67% sobre o ano anterior, conforme documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários.

No critério atribuído aos acionistas, a Vale registrou um lucro líquido de US$ 2,3 bilhões no ano, com retração de 62% sobre 2024.

No quarto trimestre, a mineradora registrou prejuízo líquido de US$ 4,2 bilhões, ante resultado negativo de US$ 872 milhões um ano antes. No critério atribuído aos acionistas, houve prejuízo líquido de US$ 3,8 bilhões no período.

No quarto trimestre, a companhia reconheceu perda contábil por impairment de US$ 3,5 bilhões nos ativos de níquel da Vale Base Metals no Canadá, decorrente da revisão para baixo das premissas de preço de longo prazo da commodity.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado foi de US$ 15,4 bilhões em 2025, uma alta de 4% sobre o ano anterior e acima do consenso de projeções da Bloomberg. No quarto trimestre, houve aumento de 21% do indicador, para US$ 4,5 bilhões.

“Em 2025, a Vale entregou um desempenho excepcional, atingindo ou superando todos os guidances enquanto avançou em prioridades estratégicas que reforçam nossa ambição de longo prazo", disse no documento o CEO da companhia, Gustavo Pimenta.

Leia mais: Produção de minério ‘ficará mais cara’ e exigirá preço mais alto, diz CEO da Vale

O executivo acrescentou que as operações atingiram os maiores níveis de produção de minério de ferro e cobre desde 2018, além de crescimento de dois dígitos em níquel.

“Esse forte desempenho operacional foi suportado pela maior confiabilidade dos ativos e pelo bem-sucedido ramp-up de projetos-chave de crescimento", disse.

A receita líquida de vendas no ano alcançou US$ 38,4 bilhões, praticamente estável (+1%) sobre 2024. No quarto trimestre, houve avanço de 9%, para US$ 11 bilhões.

Segundo o documento, a companhia registrou crescimento das vendas, no quarto trimestre, de minério de ferro (+5%), cobre (+8%) e níquel (+5%) na base anual.

O preço médio realizado de finos de minério de ferro no trimestre foi 3% maior se comparado ao mesmo período do ano anterior, atingindo US$ 95,4 por tonelada.

O custo caixa C1 (produção cobrindo as despesas da mina, ferrovia e porto, mas excluindo compras de terceiros) de finos de minério de ferro atingiu US$ 21,3 por tonelada em 2025, queda de 2% sobre o ano anterior, marcando o segundo ano consecutivo de redução de custos, informou a companhia.

Já o custo all-in (inclui caixa C1, frete, despesas, royalties e prêmios) de minério de ferro atingiu US$ 54,2 por tonelada em 2025, queda de 3% ano contra ano.

No quarto trimestre, a Vale reconheceu uma provisão adicional de US$ 449 milhões referente à Samarco, relacionada às obrigações da ação que corre no Reino Unido em decorrência do rompimento da barragem de Mariana em 2015.

A dívida bruta e os arrendamentos atingiram US$ 18,8 bilhões em 31 de dezembro de 2025.

A Vale destacou que três dos quatro pedidos de bloqueio judicial referentes ao extravasamento de água com sedimentos ocorrido em janeiro em Minas Gerais foram indeferidos.

Segundo o balanço divulgado nesta quinta-feira, no momento da elaboração do relatório, a ação referente à unidade Viga, proposta pelo Ministério Público Federal, permanecia pendente de apreciação judicial.

Leia também

Como a produção de petróleo na Venezuela afetaria o cenário de investimento no Brasil

Fuga de títulos da Raízen e da CSN reacende temor sobre dívida corporativa brasileira

Do chão de fábrica à Sadia Halal: a liderança de Marquinhos Molina no Oriente Médio

© Cole Burston

A companhia registrou uma baixa contábil de US$ 3,5 bilhões no quarto trimestre referente à operação no Canadá

De café coado a Starbucks: a equação da WeWork para atender clientes no Brasil

9 de Fevereiro de 2026, 05:25

Com 70 edifícios sob gestão na América Latina, dos quais 28 somente no Brasil, em um momento em que cresce a concorrência por escritórios de alto padrão, a WeWork tem priorizado cada vez mais a estratégia de retenção de clientes. E isso inclui “detalhes” que passam até pela qualidade do café servido.

“Poderíamos negociar um volume expressivo de café para a região, mas dessa forma não atenderíamos às preferências locais”, afirmou o presidente da WeWork para a América Latina, Claudio Hidalgo, em entrevista à Bloomberg Línea.

Embora o tamanho da operação possa sugerir que escala é um fator chave para otimizar custos, o executivo disse que o foco na experiência do usuário acaba limitando esse benefício operacional.

Leia mais: Do latte ao coado em casa: como a alta do café acelera novos hábitos de consumo

“Com a nossa escala, tiramos vantagem de tudo o que não está relacionado à experiência do usuário. O café é muito importante e deixamos essa escolha ser feita localmente.”

A Area Director da WeWork Brasil, Estefania Barbosa, explicou que o café coado é adotado no Brasil por ser uma preferência dos membros locais, diferentemente do México, por exemplo, em que o preferido é o espresso.

“É importante que as pessoas saibam que tem café em todas as unidades [da região]. Isso é padronizado, mas fazemos testes para saber a preferência e decidimos as marcas localmente”, contou.

Para elevar os índices de satisfação e permanência, a companhia tem executado novos projetos, como a oferta de serviços de empresas reconhecidas no mercado dentro das unidades.

A marca de açaí Oakberry e a Starbucks - de novo o café na proposta de valor - instalaram uma pequena operação de venda em um dos endereços da WeWork na Avenida Paulista, em São Paulo.

“Temos intenção de colocar em outras unidades, pois entendemos o valor que isso agrega”, disse Barbosa.

Leia mais: Da Faria Lima à Paulista: retorno ao presencial pressiona valores de locação em SP

Hidalgo disse que a WeWork tem apresentado crescimento de receita e lucratividade no Brasil desde o processo que unificou toda a operação global em 2024, que deixou para trás o modelo de unidades independentes.

O executivo afirmo que o ponto ideal (“sweet spot”) de ocupação dos edifícios é de 85%. “Os 15% [restantes] nos permitem maximizar a lucratividade, porque, se há uma demanda elevada por espaço, conseguimos negociar preço.”

Segundo dados de janeiro de 2026, a ocupação da WeWork é de 82,5% no Brasil e 83% em São Paulo, principal mercado para a companhia no país.

“Se vamos expandir para novas locações, provavelmente sim, mas quando a hora certa chegar. Enquanto isso, vamos consolidar e maximizar as finanças”, destacou.

Em sua avaliação, aumentar a oferta é uma decisão de longo prazo, uma vez que os contratos com os proprietários dos edifícios são de dez anos.

“Nosso foco para 2026 e 2027 é consolidar o que temos. Para 2028, podemos começar a explorar uma expansão”, acrescentou.

O executivo ressaltou que a qualidade da localização é um fator decisivo para a expansão. “Só vamos abrir novas operações em locais com boa oferta de transporte, restaurantes e espaços para caminhar no entorno.”

Leia mais: De retrofit à gestão do espaço: escritórios se adaptam para atrair talentos, diz JLL

De Starbucks a Oakberry

A oferta no mercado de escritórios compartilhados vem crescendo nas grandes cidades, diante da diversificação dos modelos de trabalho. Para os executivos da WeWork, cada player tem sua vantagem competitiva.

“Nossa vantagem é a flexibilidade e a entrega de valor. Como membro, você pode usar nossos escritórios ao redor do mundo e se conectar imediatamente ao wi-fi sem necessidade de ajuda”, disse Hidalgo.

Leia mais: WeWork só não cresce mais por falta de prédios ‘triple A’ no Brasil, diz CEO LatAm

O executivo reforçou que a localização estratégica de todos os edifícios é um diferencial importante.

“Quem nos contrata tende a atrair mais talentos, porque seus funcionários vão estar nas melhores localizações, interagindo com membros de inúmeras outras empresas no café e expandindo o networking.”

Atualmente, a operação Brasil possui, em média, um terço da demanda proveniente de startups e pequenas empresas; um terço de médias, e o restante, de grandes companhias. Barbosa disse que a demanda de grupos tradicionais como bancos, por exemplo, vem crescendo também.

Em um cenário de incertezas com as eleições no Brasil, Hidalgo afirmou que a WeWork pode ser justamente a melhor opção para a empresa ou empreendedor que, mais do que nunca, necessita de cautela.

“Diante da imprevisibilidade, é melhor fechar um contrato de locação [de escritório] de cinco anos ou seis meses? Oferecemos certeza em tempos incertos. É um novo momento para a WeWork”, afirmou o executivo.

Leia também

Charlie, investida da Cyrela, aposta em locação flexível no segmento de luxo

Chega de prédios isolados: esta empresa cresce com aposta em bairros planejados

© David 'Dee' Delgado

WeWork tem trabalhado com ocupação de 83% em São Paulo, o seu principal mercado no Brasil, segundo executivos

JBS investe US$ 150 mi na produção de carnes em Omã e amplia atuação no Oriente Médio

8 de Fevereiro de 2026, 19:05

A JBS anunciou um investimento de US$ 150 milhões em uma joint venture voltada para a produção de carne bovina, aves e cordeiros em Omã, no Oriente Médio.

A empresa brasileira, líder mundial em processamento de proteína animal, adquiriu uma participação de 80% em uma holding de alimentos recém-criada que consolida dois ativos produtivos no país. Na parceria, a Oman Food Capital (OFC) manterá os outros 20%.

A OFC é um braço de investimentos em alimentos e agronegócio da Oman Investment Authority (OIA).

Em nota, a JBS afirmou que a iniciativa “reforça a estratégia de diversificação geográfica e de proteínas, além da proximidade com mercados consumidores estratégicos”.

Leia mais: Como o PicPay passou de fintech com prejuízo bilionário a raro IPO do Brasil em NY

Segundo a JBS, os recursos serão direcionados principalmente para a conclusão de uma planta integrada de aves da A’Namaa, localizada na região de Ibri, norte de Omã.

O aporte também visa a unidade de processamento de carne bovina e cordeiro da Al Bashayer, em Thumrait, sul de Omã.

A companhia projeta que a operação deve alcançar capacidade industrial estática estimada de mais de 300 mil toneladas por ano.

O processamento deve girar em torno de 1.000 bovinos, 5.000 cordeiros e 600 mil aves por dia. A expectativa é que a produção comece em até seis meses para carne bovina e ovina, e em 12 meses para aves.

De acordo com a JBS, o projeto deve criar mais de 3.000 empregos diretos nos próximos cinco anos em Omã.

Agora, a JBS passa a contar com operações em 26 países, em cinco continentes.

Recentemente, a companhia anunciou a expansão de uma planta em Jedá, na Arábia Saudita, como parte de um investimento total de US$ 85 milhões no país, voltado à produção e comercialização de produtos sob a marca Seara.

O grupo já opera fábricas da Seara em Dammam, na Arábia Saudita, e em Ras Al Khaimah, nos Emirados Árabes Unidos. Atualmente, a JBS possui cerca de 1.600 funcionários em todo o Oriente Médio.

Leia também

Família Batista reorganiza J&F em plano para melhorar acesso ao mercado de dívida

Na Mantiqueira, galinhas já se alimentam com farelo rastreável por blockchain

Natal da proteína: MBRF acelera sinergias para ampliar ‘market share’ no Brasil

© Chet Strange

Complexo da JBS: investimento que amplia a sua presença em mercados do Oriente Médio

Movida levanta R$ 3,5 bilhões em financiamentos com foco na gestão de dívida

5 de Fevereiro de 2026, 18:43

A Movida (MOVI3) informou nesta quinta-feira (5) ter feito captações no montante total de R$ 3,5 bilhões no início deste ano, concluindo a necessidade de dívidas para fazer frente aos vencimentos de 2026 de cerca de R$ 2,5 bilhões.

O pacote inclui a participação do IFC (International Finance Corporation), braço do Banco Mundial, no valor de US$ 235 milhões (cerca de R$ 1,3 bilhão).

Segundo fato relevante, a captação envolve recursos próprios do IFC e de bancos internacionais que iniciam o relacionamento com a locadora de veículos por meio da operação.

“[A participação do IFC] tem um cunho muito atrelado à estratégia de ESG, uma agenda nossa de longa data. A chancela do IFC é tão importante que outros bancos naturalmente veem oportunidades de aportar capital na mesma operação”, disse o CEO da Movida, Gustavo Moscatelli, à Bloomberg Línea.

Leia mais: Fatia da China na venda de veículos no Brasil pode dobrar até 2030, aponta estudo

O financiamento do IFC, de longo prazo, depende do cumprimento de metas até 2033, incluindo a redução de 20% das emissões de gases poluentes de frota da Movida. A auditoria é realizada pelo IFC.

O executivo reforça que 100% dos vencimentos deste ano já estão cobertos com as captações anunciadas nesta quinta-feira. “Tiramos todos os vencimentos de 2026 e já começamos um trabalho dos anos seguintes.”

No fato relevante, a companhia afirma que o conjunto de emissões demonstra o “amplo acesso da Movida a fontes diversificadas de funding com operações de longo prazo e redução do custo médio da dívida” e acrescentou que isso fortalece o balanço e a dinâmica do fluxo de caixa da companhia.

“Esse financiamento visa melhorar o perfil da dívida, reduzindo o custo médio e aumentando o prazo médio, além de tirar todo o volume de refinanciamento necessário de 2026”, diz Moscatelli.

Leia também:

Império das concessionárias: Automob vê oportunidades para consolidação, diz CEO

Sem contato humano: Localiza reduz filas e acelera ganho de escala com digitalização

Esta fornecedora brasileira automotiva disputa com marcas globais e agora vai aos EUA

Unidade da Movida: captação envolve recursos próprios do IFC e de bancos internacionais (Foto: Divulgação/Movida)

Império das concessionárias: Automob vê oportunidades para consolidação, diz CEO

5 de Fevereiro de 2026, 06:35

Depois de acumular quase 200 lojas de veículos leves e pesados, a Automob (AMOB3) quer transformar o negócio de concessionárias no Brasil com uma estratégia baseada em geração de valor nos ativos já existentes, com ganho de escala e de eficiência, além de consolidação estratégica.

De acordo com o CEO, Sebastian Los, o mercado tem se tornado cada vez mais disputado, principalmente com o avanço de marcas chinesas, e as montadoras tradicionais têm buscado se reinventar e oferecer boas propostas ao consumidor.

Segundo Los, a companhia controlada do grupo Simpar (SIMH3) já possui um portfólio diversificado de lojas e marcas, o que confere resiliência nesse ambiente. Mas ainda existem oportunidades de consolidação.

“O mercado vai ficar extremamente competitivo. A nossa estratégia de longo prazo é ser o grande consolidador do segmento”, disse Los em entrevista à Bloomberg Línea.

Leia mais: Sem contato humano: Localiza reduz filas e acelera ganho de escala com digitalização

O executivo disse que 80% das concessionárias do mercado são controladas por pequenos grupos.

“Quando fazemos aquisições, primeiramente padronizamos sistemas e a estrutura societária. Isso nos permite revisar processos e ganhar eficiência.”

O executivo reforçou que a Automob tem como objetivo se tornar o maior grupo de concessionárias do país.

“O mercado está aí para ser consolidado, mas faremos isso com responsabilidade e consistência. Temos que entregar proposta de valor.”

Mas ressaltou que esse plano de consolidação será executado de forma gradual, com planejamento e visão estratégica. Isso porque a prioridade no curto prazo da Automob é impulsionar o valor de ativos existentes.

“Temos a responsabilidade de olhar as oportunidades no mercado, mas nosso foco são os ativos que já temos.”

A Automob (AMOB3) é listada na B3 desde dezembro de 2024, por meio de um processo de reorganização do negócio que levou a uma cisão da Vamos.

As ações subiram perto de 20% nos últimos seis meses, o que atribui à empresa um valor de mercado aproximado de R$ 500 milhões.

38 marcas como parceiras

A Automob trabalha atualmente com aproximadamente 38 marcas de veículos leves, pesados e de máquinas de construção e agrícolas.

Também atua no segmento premium, com o grupo Autostar, que vende carros e motos da BMW, Jaguar, Land Rover, entre outras.

“Cada uma tem suas características próprias e isso é um grande desafio, mas nossa fortaleza é a escala”, disse o CEO.

O CEO da Automob, Sebastian Los:

A Automob é a única companhia listada do setor na B3.

Em média, vende 33 veículos por loja mensalmente, em uma proporção de 0,7 automóvel seminovo para cada 1 novo.

“Nossa meta é atingir [a proporção de] um para um”, disse. No negócio de atacado (B2B), o volume mensal é de aproximadamente mil unidades.

Segundo o executivo, as margens tendem a ser mais altas no negócio de seminovos, principalmente devido às receitas acessórias, como seguro, por exemplo.

Para se destacar em um setor tão pulverizado e de atuação local, o grupo tem como foco o aprimoramento da experiência do consumidor nas lojas.

“Praticamente 80% das nossas lojas receberam algum capex [investimento] nos últimos anos, seja em retrofit ou reforma mais profunda. Agora nosso foco é extrair mais valor desse investimento”, disse.

Ele contou que as lojas possuem desde áreas reservadas a crianças até espaço pet. “A experiência dentro da concessionária é um dos nossos diferenciais.”

O executivo acrescentou que a Automob investiu em quatro centros de reparo automotivo para centralizar a atividade, que “prepara” o carro que será vendido. São cerca de 500 veículos preparados por dia pelas equipes da companhia.

Já no modelo tradicional de concessionárias, esse tipo de serviço geralmente é feito dentro das lojas.

“Fizemos grandes investimentos na área porque isso tira a atividade do metro quadrado mais caro da operação, que são as lojas”, explicou.

Com isso, as concessionárias ganham espaço para alavancar o business que mais rentável, proveniente justamente da venda de veículos, o que amplia a receita média por metro quadrado.

Peso da Simpar e expansão digital

No Brasil, o modelo de negócio das concessionárias é basicamente de grupos regionais, ou até de atuação local - bairros - em grandes cidades como São Paulo. Segundo Los, o market share da Automob em nível nacional é de 2,5%.

“É baixo, porém, nas microrregiões, temos relevância importante. Queremos ser a maior e a melhor proposta de concessionárias do Brasil”, disse.

Leia mais: Fatia da China na venda de veículos no Brasil pode dobrar até 2030, aponta estudo

O executivo explicou que, como o país tem dimensões continentais, é a relevância em microrregiões o que diferencia as concessionárias tanto do ponto de vista do cliente quanto da estratégia comercial, perante as montadoras.

“Somos número um da Volkswagen em São Paulo, o maior revendedor GWM do país, temos grande relevância no Maranhão e lideramos as vendas de BMW em Curitiba. Acreditamos muito no modelo de clusters geográficos”, afirmou.

O grupo também investe para crescer no canal digital. A Automob já atua na venda de veículos com a marca seucarro.com, mas também aposta em um centro de distribuição em Guarulhos para explorar o atacado de peças e as vendas digitais. “É um projeto que está em andamento”, disse o CEO.

Embora o grupo Simpar controle companhias que atuam junto às montadoras, como JSL (transporte), Movida e Vamos (ambas de locação de veículos), o executivo explicou que as empresas são totalmente independentes: quando há negociações de compra e venda, os preços de mercado são seguidos.

“O fato de estarmos sob a mesma holding maximiza o relacionamento, mas cada [empresa] cuida dos seus interesses”, afirmou.

Em sua avaliação, a relevância do grupo no mercado de modo geral, medida pela sua representatividade, é uma vantagem. “Ao sentarmos para negociar com uma montadora, existe um valor intangível de sermos do grupo Simpar.”

Leia também

Esta fornecedora brasileira automotiva disputa com marcas globais e agora vai aos EUA

Como a retomada argentina acelera as vendas de caminhões da Volkswagen no Brasil

Empresas familiares se fortalecem e crescem acima de demais grupos, aponta Deloitte

Concessionária da Automob: empresa trabalha atualmente com aproximadamente 38 marcas de veículos leves, pesados e de máquinas de construção e agrícolas (Foto: Divulgação)

Da Faria Lima à Paulista: retorno ao presencial pressiona valores de locação em SP

2 de Fevereiro de 2026, 05:00

Com a política de trabalho presencial cada vez mais consolidada, a vacância (espaço vago) em escritórios de alto padrão da cidade de São Paulo atingiu níveis do período pré-pandemia. Isso significa o aumento da disputa pelas áreas mais cobiçadas e, como efeito subsequente, pressiona os valores de locação para cima.

Segundo levantamento da consultoria global JLL ao qual a Bloomberg Línea teve acesso, a taxa de vacância média dos escritórios de alto padrão (A e AA) de São Paulo atingiu 14,7% no encerramento de 2025.

Em algumas regiões, esse patamar foi ainda mais baixo, como na chamada Nova Faria Lima (6%) e na avenida Paulista (4%).

“À medida que empresas chamam os funcionários integralmente de volta ao escritório, isso gera necessidade praticamente imediata de mais área”, disse a diretora de locações da JLL, Yara Matsuyama, à Bloomberg Línea.

Leia mais: Chega de prédios isolados: esta empresa cresce com aposta em bairros planejados

A vacância média dos escritórios da cidade está em uma faixa considerada de “neutralidade”, ou seja, não há demanda nem oferta em excesso, segundo a executiva, mas isso de modo geral.

“É importante lembrar que cada região tem a sua dinâmica. Na Nova Faria Lima e na Paulista, obviamente nos deparamos com um cenário mais restrito de oferta, com disputa por área, o que acaba impulsionando os valores [dos aluguéis] para cima.”

Os maiores preços pedidos em 2025 foram registrados, mais uma vez, na Nova Faria Lima, com média de R$ 303 por metro quadrado. Matsuyama destacou que, em alguns casos, os preços chegaram a R$ 350/metro quadrado na região.

Segundo a executiva, o aumento de preços foi puxado tanto pela localização dos empreendimentos quanto pelo nível de restrição de oferta nessas regiões.

Outro caso que ilustra o aquecimento do mercado de escritórios é o da avenida Rebouças, na zona oeste.

A avenida passou a ser contabilizada como uma região corporativa dentro da JLL em 2022, quando o preço médio pedido do aluguel girava em torno de R$ 120 a R$ 130 por metro quadrado. Em 2025, o preço médio foi de R$ 180/metro quadrado, com taxa de vacância de 9% - bem abaixo, portanto, da média da cidade.

“Os novos estoques da Rebouças foram inaugurados há pouco tempo e a região já encerrou o ano com um dígito de vacância. Isso é fruto da atividade comercial aquecida”, afirmou.

Leia mais: ASA, de Alberto Safra, compra terreno de 8.000 m² para nova sede na Rebouças

A capital paulista encerrou o ano com um estoque total de 5,1 milhões de metros quadrados de escritórios de alto padrão, com preço médio mensal de R$ 117 por metro quadrado, o que representou uma alta de 12,2% sobre 2024.

O estoque de novos escritórios entregue no quarto trimestre somou 25 mil metros quadrados, o que levou a um total de 84 mil metros quadrados no ano.

Grandes transações

Com duas grandes transações fechadas no quarto trimestre, que envolveram o Nubank e o Banco ABC, o mercado de escritórios de São Paulo registrou dez negócios com locação acima de 10.000 metros quadrados no ano passado. Foi o maior volume desde 2016.

Outros destaques de movimentações de grande porte se deram na região central, próximo à avenida Paulista, no novo edifício Passeio Paulista, na rua da Consolação, e envolveram empresas como Banco do Brasil e Saint Paul.

As quatro transações acima foram comercializadas pela CBRE.

“Vemos um movimento intenso de demanda de empresas de todos os portes, impulsionado pela intensificação do trabalho presencial mas também na busca por eficiência”, disse a diretora da JLL.

Matsuyama disse que, apesar dos preços em alta, algumas empresas não abrem mão de ficarem bem localizadas em regiões nobres e emblemáticas, como a Faria Lima, o que deve significar disputa por áreas no futuro próximo.

Leia mais: Por que a pré-locação de escritórios começa a ganhar força em São Paulo

“Enquanto houver empresas dispostas a pagar para ocupar determinados espaços, teremos disputa por áreas nessas regiões”, disse.

A executiva apontou a Chácara Santo Antônio, na zona sul, como um dos eixos que devem se destacar no mercado de escritórios em 2026.

Trata-se de uma região que ficou um longo período sem transações significativas, em parte devido a edifícios mais antigos.

Nesse contexto, a expansão da demanda na vizinha avenida Chucri Zaidan e o consequente aumento dos preços do aluguel na região “empurram” parte da demanda para a Chácara Santo Antônio.

“Os novos empreendimentos na Chácara Santo Antônio têm o mesmo patamar [de qualidade] da Chucri, mas com valores mais atrativos”, disse.

Segundo Matsuyama, espera-se que apenas cinco grandes empreendimentos - acima de 40.000 metros quadrados - sejam lançados em 2026 na cidade.

“O restante [das entregas] é de prédios menores, em terrenos onde o tamanho da construção permitido é mais modesto, entre 5.000 e 12.000 metros quadrados, em média”, afirmou.

Leia também

Locação de galpões logísticos está mais cara no Brasil, aponta Cushman

Charlie, investida da Cyrela, aposta em locação flexível no segmento de luxo

Parceria com fundos e arquitetos: a receita da SKR para crescer no alto padrão

© Tuane Fernandes

A região da Avenida Paulista (foto) está com a menor vacância entre os principais mercados de escritórios da cidade, segundo levantamento da JLL. (Foto: Tuane Fernandes/Bloomberg)
❌