❌

Visualização normal

Received before yesterdayNegócios

Sob Milei, turismo internacional na Argentina muda e reduz dependência de vizinhos

25 de Julho de 2026, 13:25

A Argentina recebeu, entre janeiro e maio deste ano, quase 1,19 milhão de turistas residentes em países não vizinhos, um aumento de 39% em relação aos mesmos cinco meses de 2023, quando o diferencial cambial ultrapassava 200% e sair para jantar em Buenos Aires era extremamente barato para qualquer visitante que chegasse com dólares ou euros.

Os dados são provenientes das Estatísticas de Turismo Internacional (ETI) do Indec e sugerem que a Argentina não precisa ser tão barata em dólares para atrair turistas norte-americanos, europeus ou asiáticos.

A Secretaria de Turismo, liderada por Daniel Scioli, informou que, entre janeiro e junho, o turismo de pessoas residentes em países não vizinhos atingiu um recorde histórico de 1,43 milhão de pessoas.

O pico anterior havia ocorrido em 2019 (1,38 milhão), enquanto em 2023 foram 1,17 milhão os turistas com as mesmas características que entraram na Argentina durante o primeiro semestre.

⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Por outro lado, a própria Secretaria destacou que o turismo não fronteiriço representa hoje 46% do total, contra 33% no primeiro semestre de 2023.

Esse fenômeno contrasta com o que ocorre com os turistas de países vizinhos, cujo fluxo ficou 29% abaixo do registrado no primeiro semestre de 2023 — período em que, devido à diferença cambial promovida pelo governo de Alberto Fernández, a dinâmica tornava extremamente barato o consumo em supermercados, entretenimento e gastronomia para quem cruzava a fronteira com pesos chilenos, guaranis, bolivianos, dólares ou reais.

Os números por região

O crescimento do turismo não fronteiriço ocorreu em todos os mercados de origem, mas o aumento mais acentuado em relação a 2023 foi o da categoria “resto do mundo”, que inclui turistas da Ásia, Oriente Médio, África e Oceania, que quase dobrou.

De acordo com os dados das ETI do Indec, o número passou de 65.800 visitantes entre janeiro e maio de 2023 para 127.000 no mesmo período de 2026, um aumento de 93%.

A Europa contribuiu com o maior volume absoluto, com 458.400 turistas, contra 330.300 em 2023, um aumento de cerca de 39%.

Os Estados Unidos e o Canadá somaram 329.200, 29,5% a mais do que há três anos. E o restante da América cresceu 34,7%, chegando a 270.200 visitantes.

Leia também: América Latina tem dois países na lista dos 50 passaportes mais poderosos em 2026

Desregulamentação

A Secretaria de Turismo atribuiu o forte crescimento à desregulamentação do “céu aberto”, que possibilitou mais voos internacionais, e à simplificação da concessão de vistos para cidadãos da China, Índia e República Dominicana, que agora podem entrar na Argentina com seu visto dos Estados Unidos, sem a necessidade de solicitar um visto adicional nem pagar outra taxa.

Também foi mencionado o lançamento de novas rotas aéreas, como o voo da China com escala na Nova Zelândia, que conectou diretamente o gigante asiático à Argentina. Atualmente, trata-se do trecho mais longo do mundo.

Por fim, destacaram a eficácia das diferentes campanhas de promoção internacional impulsionadas pelo Instituto Nacional de Promoção Turística (Inprotur).

“Conseguimos essa chegada histórica de turistas entre janeiro e junho deste ano”, disse Daniel Scioli à Bloomberg Línea.

Campanhas internacionais de promoção

O Inprotur informou que, desde o final de setembro de 2025, está em andamento a campanha “Freedom Lives Here” (“A liberdade mora aqui”, em tradução livre), divulgada em nove idiomas e voltada para mais de 18 mercados internacionais, entre eles Estados Unidos, Colômbia, Peru, México, Itália, Espanha, Alemanha, Reino Unido, França, Países Baixos, Austrália, Nova Zelândia, Índia e China.

Desde o seu lançamento, a campanha acumulou 400 milhões de impressões e alcançou mais de 250 milhões de usuários únicos, uma média de 24 milhões por mês.

A campanha é veiculada por meio do Google Ads e da Meta, e será ampliada em breve para outras plataformas, precisaram. Seu foco é posicionar a Argentina como um destino “livre e seguro”, o que o órgão identifica como uma das principais demandas do turista internacional.

Além da subcampanha mais recente, chamada “Grandeza”, o Inprotur também destacou parcerias comerciais com companhias aéreas e agências de turismo online, como Expedia e Decolar, que ajudam a promover o destino em escala global.

Leia também: Brasil tem 10 praias entre entre as 100 melhores de 2026, segundo levantamento

Visão do setor privado

Segundo Paula Cristi, gerente geral da Decolar para a Argentina e o Uruguai, “a melhoria na conectividade aérea internacional, com novas rotas, mais companhias aéreas chegando ao nosso país e um aumento na frequência dos voos, ampliou as opções para viajar para a Argentina a partir da Europa, dos Estados Unidos e de outros mercados de longa distância”, disse à Bloomberg Línea.

A executiva destacou que o turista de longa distância planeja com maior antecedência, permanece mais noites no destino e visita vários pontos do país, o que gera um maior impacto econômico em toda a cadeia turística.

Ela afirmou, além disso, que a Argentina se consolida como uma alternativa atraente na América do Sul para viagens de longo alcance, em um contexto em que os viajantes buscam maximizar o valor de suas férias.

Fator preço

Uma pessoa que trabalha no setor e pediu para permanecer anônima acrescentou outro elemento à análise desse recorde histórico: embora a Argentina opere com uma taxa de câmbio que muitos consideram desatualizada, há destinos nos Estados Unidos que são muito caros e, em comparação com eles, a Argentina consegue competir em termos de preço. Na opinião dela, isso funciona como um fator adicional que inclina a balança a favor do país.

Os dados sugerem que a competitividade turística da Argentina não depende exclusivamente da taxa de câmbio, mas de uma combinação de conectividade, promoção, simplificação de trâmites e uma relação preço-experiência que, mesmo sem o subsídio implícito que a diferença de de câmbio oferecia, continua atraente para o turista de longa distância, acrescentou a mesma pessoa.

Leia também

Direita à prova: Milei testa sua influência política na campanha de Flávio Bolsonaro

O turismo de países fronteiriçoes caiu 29% em comparação com o ano anterior (Foto: Divulgação)

Bancos veem Uruguai como hub financeiro e a ‘Singapura da América Latina’

18 de Abril de 2026, 16:43

O Uruguai está se consolidando como hub financeiro na América Latina — e em particular como plataforma para canalizar fluxos de investimento de latino-americanos.

A avaliação foi compartilhada por representantes do BTG Pactual, do JPMorgan Asset Management e da Janus Henderson na Pro Capital Conference 2026, organizada pela corretora uruguaia Pro Capital em 15 de abril, no Centro de Eventos do LATU, em Montevidéu.

⟶ Assine as newsletters da Bloomberg Línea e receba as notícias do dia em primeira mão no e-mail.

Dirk Mengers, head of sales & business development para a América Latina excluindo o Brasil do BTG Pactual Asset Management, definiu o Uruguai como “a Singapura da região” e afirmou que o país é um passo natural para a expansão do maior banco de investimento da América Latina.

Leia também: Do Brasil ao México: como o FMI vê os impactos da guerra no Irã para a América Latina

O BTG Pactual está em processo de aquisição do HSBC no Uruguai — uma operação de US$ 175 milhões ainda pendente de aprovação regulatória, que consolidaria sua presença no país.

Mengers apontou que o banco percebe fragilidades nos Estados Unidos e na Europa — como crescimento dos gastos sociais e perda de confiança nas moedas locais — que tornam a América Latina um destino de investimento mais atrativo.

Juan Pablo Soffia, managing director do JPMorgan Asset Management para o Cone Sul, com 30 anos de indústria e 22 na instituição, apresentou dados do Guide to the Markets que ilustram o custo de tentar cronometrar o mercado: perder os 10 ou 20 melhores dias de negociação reduz drasticamente os retornos de longo prazo.

Sua mensagem foi direta: manter-se investido com carteiras diversificadas supera consistentemente a estratégia de tentar antecipar os movimentos do mercado.

Soffia disse que a carteira clássica 60/40 está evoluindo para uma configuração 50/30/20, que incorpora ativos alternativos como infraestrutura e dívida privada. “A diversificação não é apenas adicionar mais ativos. É alcançar uma descorrelação efetiva”, afirmou. O JPMorgan Asset Management administra US$ 4,3 trilhões globalmente, com presença em 34 países e mais de 1.500 analistas.

IA como tendência estrutural de investimento

John Davies, representante da Janus Henderson Investors no Uruguai e com 12 anos representando a gestora na região, defendeu que a inteligência artificial é uma tendência de longo prazo que os investidores deveriam acessar por meio de fundos especializados com histórico comprovado, em vez de tentar selecionar ações individuais.

Ele citou o fundo Global Technology Leaders da gestora, ativo desde 1996, como exemplo de veículo para capturar a temática sem o risco do stock picking.

Davies recomendou ignorar, na medida do possível, o ruído geopolítico e focar nas megatendências.

Sobre o conflito no Oriente Médio e seu impacto nos mercados, os três painelistas concordaram que a volatilidade gerada por notícias tende a se dissipar e que a chave está na alocação estratégica de longo prazo — não em reagir a cada manchete.

América Latina: fluxos que revalorizam a região

Mengers afirmou que o BTG está observando um fluxo global que revaloriza a América Latina e que os clientes estão se diversificando em direção à região.

Segundo ele, a aposta do banco é em ativos de “baixa obsolescência” — commodities, logística e serviços bancários — que têm caráter tangível difícil de replicar com tecnologia.

O evento contou ainda com a participação de Hernán Kazah, cofundador do Mercado Livre e co-líder da Kaszek, maior fundo de venture capital da América Latina, e de Guibert Englebienne, cofundador e presidente para a América Latina da Globant. O Bank of New York Mellon participou como parceiro estratégico do evento.

Diego Pozzi, fundador e managing partner da Pro Capital, destacou que o Uruguai capta cada vez mais fluxos de clientes argentinos e institucionais, gerando emprego e oportunidades nas áreas de gestão de ativos e estruturação financeira.

Pozzi afirmou que a Pro Capital e o Itaú são os dois destinos profissionais mais aspiracionais para jovens de finanças no Uruguai.

Leia também

Family office dos Safra tem novo CEO após alta de 78% em ativos

Citi nomeia José Alberto Benamor como novo líder de commercial banking para o Brasil

Mengers, do BTG, apontou que o banco percebe fragilidades nos Estados Unidos e na Europa que tornam a América Latina um destino de investimento mais atrativo.
❌