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B3 vê avanço em regra que limita mercado preditivo e prepara estreia de contratos

24 de Abril de 2026, 19:59

O Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou nesta sexta-feira (24) uma resolução que proíbe o funcionamento dos chamados mercados preditivos (prediction markets, em inglês) para esportes, eleições e outros eventos reais. A resolução, no entanto, não deve impactar a B3, que planeja lançar contratos referenciados no Ibovespa, dólar e bitcoin na segunda-feira (27).

Em nota ao E-Investidor, a B3 afirmou que o CMN deu um passo relevante ao reconhecer os mercados preditivos e atribuir à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) competência para coibir operações irregulares no País. “Estamos diante de um mercado disruptivo e é extremamente importante para o País que ele se desenvolva em ambiente seguro e regulado”, destacou a bolsa brasileira.

Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a legislação brasileira só permite apostas em eventos esportivos reais e jogos on-line com regras definidas. “A gente não vai ter aqui previsão de chuva ou de morte de uma determinada celebridade como possibilidade de ser encarada como derivativo regular no Brasil”, exemplificou o ministro.

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No mercado de previsões, os usuários negociam contratos binários (com duas opções) que pagam um valor se o evento de fato ocorrer e zero se não ocorrer. O preço flutua conforme novas informações aparecem.

Nos Estados Unidos, esse segmento tem crescido, mas enfrentado disputas legais. Estados – que têm autonomia para autorizar e regular apostas no país – vêm contestando os mercados preditivos, argumentando que as plataformas deveriam seguir as mesmas regras aplicáveis às empresas tradicionais de bets.

Sobre a B3, o secretário de Reformas Econômicas do Ministério da Fazenda, Regis Dudena, afirmou que os prestadores de serviços de derivativos continuarão aptos a operar no Brasil, desde que cumpram as regras vigentes. “Toda empresa que se preparou para ofertar derivativos precisa seguir fazendo o que sempre foi exigido para atuar no Brasil: cumprir a lei. A nova resolução orienta a CVM a restringir esses contratos a ativos de natureza econômica e financeira”, disse durante a coletiva.

Segundo Dudena, o desenvolvimento de um mercado de derivativos com lastro econômico-financeiro permanece preservado pela regulação. Uma vez registrado o prestador de serviços e os contratos na CVM, a empresa poderá operar normalmente. “Empresas sérias, que sempre cumpriram as leis no Brasil, como a B3, devem ter tranquilidade para continuar oferecendo um serviço economicamente relevante e amparado pela legislação”, afirmou.

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O secretário fez, porém, uma ressalva: caso a empresa pensasse em ofertar produtos que extrapolassem o caráter financeiro, como contratos vinculados a temas não econômicos, não poderá mais fazê-lo, por invadir a competência de outras áreas.

B3 prepara lançamento de contratos de eventos

No início de março, a B3 anunciou que lançaria no dia 27 de abril contratos de eventos associados ao Ibovespa, dólar e bitcoin. Os instrumentos serão definidos a partir do comportamento de variáveis do mercado, como o fechamento do dólar no dia. Nesses produtos, o investidor negocia a probabilidade de ocorrência do evento por meio do preço do contrato, que varia de R$ 0 a R$ 100.

Embora sejam semelhantes aos contratos de opções tradicionais, os contratos de eventos se diferenciam pelo pagamento fixo, potencial de ganho conhecido no início da operação e risco limitado para compradores e vendedores, já que o produto não permite alavancagem, ou seja, o investidor não pode perder mais do que aplicou.

Veja os contratos que serão disponibilizados pela B3:

  • Contrato de Evento sobre Futuro Míni de Ibovespa B3 (ticker: BWI);
  • Contrato de Evento sobre Índice Bovespa B3 (ticker: BBV);
  • Contrato de Evento sobre Futuro Mini de Dólar (ticker: BWD);
  • Contrato de Evento sobre Dólar à Vista (ticker: BDO);
  • Contrato de Evento sobre Futuro de Bitcoin (ticker: BBI);
  • Contrato de Evento sobre Bitcoin à Vista (ticker: BBC).

Os novos produtos foram autorizados pela CVM inicialmente para negociação exclusiva por investidores profissionais (com mais de R$ 10 milhões alocados em ativos financeiros ou certificação técnica emitida pela autarquia). Mas a Bolsa quer avançar além desse público.

“Entendemos que essa limitação apenas a investidores profissionais gera uma restrição aos investidores pessoa física, que têm muito interesse nesse perfil de produto”, afirmou Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da bolsa brasileira, em conversa com jornalistas no início de março.

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A B3 ainda trabalha para conseguir a mesma liberação para contratos ligados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ao Produto Interno Bruto (PIB).

Ibovespa hoje: MRV (MRVE3) salta mais de 7%; Azzas (AZZA3) volta a liderar perdas

25 de Março de 2026, 19:01

O Ibovespa hoje fechou em alta, em dia de queda dos contratos futuros de petróleo no exterior. O principal índice da B3 encerrou esta quarta-feira (25) com ganho de 1,6% aos 185,424,28  pontos, depois de oscilar entre máxima a 186.401,24 pontos e mínima a 182.524,09 pontos. O volume negociado foi de R$ 28 bilhões.

Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em queda de 2,19% a US$ 90,32 o barril. Já o Brent para junho cedeu 2,96% a US$ 97,26 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).

O petróleo passou a cair com força já no pregão eletrônico de terça-feira (24), após relatos na imprensa dos Estados Unidos e de Israel de que o governo Trump teria apresentado às autoridades iranianas uma proposta de cessar-fogo em 15 pontos.

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Nesta quarta-feira, porém, Irã rejeitou o plano proposto pelos Estados Unidos para suspender a guerra no Oriente Médio e afirmou que o fim do conflito não será definido pelo presidente americano Donald Trump. A informação foi confirmada pela emissora estatal iraniana em língua inglesa Press TV, que citou uma fonte não identificada do governo iraniano.

“Somente com a possibilidade de um cenário mais otimista para a guerra – que ainda é apenas uma possibilidade e nada concreto –, os mercados se animaram com o petróleo caindo. Lá fora, bolsas da Coreia e  do Japão também subiram, assim como os índices da Itália, França e Inglaterra”, afirma Alison Correia, analista de investimentos e co-fundador da Dom Investimentos.

Em Nova York, o Dow Jones subiu 0,66%, o S&P 500 avançou 0,54% e o Nasdaq ganhou 0,77%. Os investidores repercutiram a pesquisa semanal do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE) sobre estoques de petróleo bruto e derivados dos EUA. Os estoques subiram 6,926 milhões de barris, a 456,185 milhões de barris na semana encerrada em 20 de março. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal projetavam queda de 200 mil barris na semana.

O dólar hoje fechou em baixa de 0,67% cotado a R$ 5,2202. “A moeda americana acabou refletindo um equilíbrio entre forças, com o movimento de natureza mais técnica do que uma melhora estrutural no ambiente geopolítico, diante da incerteza ainda elevada no cenário externo”, avalia Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.

As maiores altas do Ibovespa hoje

As três ações que mais valorizaram no dia foram MRV (MRVE3), Brava Energia (BRAV3) e Hapvida (HAPV3).

MRV (MRVE3): 7,49%, R$ 8,32

As ações da MRV (MRVE3) registraram a maior alta do Ibovespa hoje e saltaram 7,49% a R$ 8,32. Repercutiu sobre a ação o aumento de limites para uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) no financiamento ao programa Minha Casa, Minha Vida.

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A MRVE3 está em baixa de 18,75% no mês. No ano, acumula uma valorização de 6,8%.

Brava Energia (BRAV3): 6,05%, R$ 18,92

Quem também se saiu bem foi a Brava Energia (BRAV3), com alta de 6,05% a R$ 18,92. O movimento se deu mesmo com a queda dos contratos futuros de petróleo no exterior.

A BRAV3 está em alta de 1,5% no mês. No ano, acumula uma valorização de 12,35%.

Hapvida (HAPV3): 4,69%, R$ 10,05

As ações da Hapvida (HAPV3), por sua vez, subiram 4,69% a R$ 10,05.

A HAPV3 está em baixa de 4,19% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 31,77%.

As maiores quedas do Ibovespa hoje

As três ações que mais desvalorizaram no dia foram Azzas 2154 (AZZA3), IRB (IRBR3) e CSN Mineração (CMIN3).

Azzas 2154 (AZZA3): -2,01%, R$ 26,26

Os papéis da Azzas 2154 (AZZA3) sofreram a pior queda do Ibovespa hoje e cederam 2,01% a R$ 26,26. Na última sessão, as ações já haviam recuado 2,83%, entre as principais baixas do índice da B3.

A AZZA3 está em alta de 0,34% no mês. No ano, acumula uma valorização de 4,37%.

IRB (IRBR3): -1,16%, R$ 55,52

As ações do IRB (IRBR3) fecharam em queda de 1,16% a R$ 55,52. O Itaú BBA estima a exclusão da empresa do Ibovespa no próximo rebalanceamento do índice. Entre as saídas previstas, também estão SLC Agrícola (SLCE3), Cyrela (CYRE4) e Localiza (RENT4).

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A IRBR3 está em baixa de 10,31% no mês. No ano, acumula uma valorização de 3,39%.

CSN Mineração (CMIN3): -0,8%, R$ 4,99

Completaram os destaques negativos do Ibovespa hoje os papéis da CSN Mineração (CMIN3), que fecharam em baixa de 0,8% a R$ 4,99.

A CMIN3 está em baixa de 8,27% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 7,25%.

*Com Estadão Conteúdo

Passagens aéreas vão ficar mais caras em 2026 com a guerra no Irã? Veja se vale antecipar a compra

21 de Março de 2026, 05:30

O conflito no Oriente Médio, que já completa três semanas, abala os preços das passagens aéreas, diante da alta do custo do combustível de aviação. No centro das atenções, está o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

A commodity tem disparado desde o início da guerra. Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio chegou ao patamar de US$ 94,74 por barril na sexta-feira (20), atingindo uma valorização de 46,74% apenas em março. Já o Brent para o mesmo mês subiu alcançou o nível de US$ 112,19 por barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), com alta de 53,67% em março.

“Quando o petróleo sobe, o preço do combustível de aviação avança quase que instantaneamente. Além disso, por causa dos conflitos, muitos aviões precisam mudar suas rotas para não passar por regiões perigosas. Isso faz com que a viagem fique mais longa, gastando ainda mais combustível”, explica Jeff Patzlaff, planejador financeiro CFP e especialista em investimentos.

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No território nacional, dados do buscador de voos Viajala registraram aumento de 15%, em média, no preço das passagens aéreas nos últimos 10 dias. A plataforma analisou cerca de 400 mil buscas de voos com origem nos principais aeroportos brasileiros entre 18 de fevereiro e 15 de março, com o objetivo de comparar as variações no preço médio antes e depois do início do conflito.

Entre 5 e 15 de março, as viagens de ida e volta para São Paulo passaram a apresentar preço médio de R$ 1.338, um aumento de 36% em relação ao intervalo de 18 de 28 de fevereiro (antes do conflito). Já as viagens de ida e volta para Recife estavam custando, em média, R$ 1.497, 22% a mais do que antes da guerra.

Os demais destinos mais buscados tiveram comportamento semelhante.

  • Rio de Janeiro (RJ): preço médio de R$ 1.232 na viagem de ida e volta, 11% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra;
  • Fortaleza (CE): preço médio de R$ 1.710 na viagem de ida e volta, 14% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra;
  • Salvador (BA): preço médio de R$ 1.338 na viagem de ida e volta, 14% mais alto que nos 10 dias anteriores à guerra.

Segundo Felipe Alarcón, diretor comercial do Viajala, o recente encarecimento das passagens demonstra um impacto claro do conflito. “Se você tem uma viagem planejada para os próximos meses, a recomendação é de pesquisar e comprar o quanto antes”, alerta.

Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar, dá a mesma orientação, especialmente porque ainda não há um cenário claro de quando o conflito pode terminar. “Existe uma outra questão: quanto mais se aproxima a data do voo, maior é a demanda e, consequentemente, o preço. Então, trabalhar com antecedência é a chave para gastar menos com passagem aérea.”

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No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de fevereiro já havia mostrado um crescimento de 11,4% no preço das passagens em relação a janeiro. Nos últimos 12 meses, o item acumula valorização de 24,61%.

Na próxima semana, com a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de março na quinta-feira (26), será possível mapear melhor os efeitos do conflito sobre os preços das passagens aéreas.

Como comprar passagens mais baratas?

Patzlaff, planejador financeiro, avalia que, mesmo um cenário de guerra, há estratégias para comprar passagens mais baratas. Um caminho é buscar horários alternativos, como voos de madrugada, que costumam ser mais baratos. Em alguns casos, voar para um aeroporto próximo e terminar o trajeto de ônibus ou de carro alugado também pode compensar financeiramente.

Na hora de comparar preços, ferramentas de monitoramento de voos ajudam, como Skyscanner e Kayak. O próprio Google oferece uma função desse tipo – o Google Flights –, que conta com opção de rastreamento de valores e envio de alertas por e-mail. Na plataforma, o usuário também consegue agora realizar buscas com ajuda de uma inteligência artificial (IA).

Patzlaff recomenda cuidado com taxas extras, cobradas para escolher um assento no avião ou para levar malas maiores, por exemplo. “Sempre calcule o preço final com tudo o que você vai precisar”, orienta.

Milhas podem ser aliadas

Wanderley Gonçalves, planejador financeiro CFP e MBA em Finanças pela B7 Business School, explica que emitir passagens usando milhas representa uma estratégia para economizar em viagens, especialmente em destinos internacionais e em períodos de alta demanda. “Hoje existem diversos cartões de crédito que oferecem boa pontuação, benefícios extras e pontos que não expiram. Concentrar gastos na função crédito ajuda a acumular pontos mais rapidamente”, destaca.

Além disso, ele lembra que as companhias aéreas realizam campanhas de transferência bonificada, em que os clientes enviam os pontos do cartão para o programa da companhia e recebem bônus que podem variar entre 20% e 150%. Há ainda promoções de compra de milhas, que permitem completar o saldo necessário para emitir a passagem desejada.

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Na hora de comprar as passagens aéreas, também vale monitorar os preços ofertados por empresas de viagens. A Decolar, por exemplo, está com uma oferta até o dia 22 de março para pacotes, hotéis e passagens com parcelamento em até 12 vezes sem juros. Na promoção, os consumidores encontram opções nacionais e internacionais com descontos de até 50%, por meio dos canais de venda da empresa.

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