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Blue Owl: portfólios de crédito privado nos EUA estão muito bem, apesar das dúvidas

31 de Julho de 2026, 16:52

A forte expansão do crédito privado nos últimos anos colocou a classe de ativos no centro das atenções no mercado financeiro global. Em entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo, o diretor e gestor de fundos de Private Credit da Blue Owl, Logan Nicholson, analisou os motivos que levaram o setor a ser tão questionado recentemente.

Na avaliação do gestor, o surgimento desses ruídos é uma reação natural dos investidores quando uma modalidade ganha muito espaço em um momento adiantado da economia americana.

“Acho que em qualquer mercado onde você viu um crescimento explosivo e um aumento massivo na participação de mercado, é preciso fazer perguntas. Também estamos muito no final de um ciclo de crédito”, explicou Nicholson.

Aprofundando esse diagnóstico, o executivo destaca que a ausência de recessões profundas nos EUA nos últimos 15 anos e o estreitamento dos spreads para as mínimas históricas reduziram demais os prêmios de risco. 

Com tal dinâmica, em conjunto a falências pontuais no crédito público e no setor bancário, acabou jogando holofotes sobre as gestoras privadas. Nicholson ainda reforça que, apesar de comentários, “se você olhar objetivamente para os portfólios de crédito privado, todos estão indo muito bem”.

Outro ponto de desconfiança do mercado envolve os aportes no setor de tecnologia por fundos de Private Equity, que financiam companhias de software tomadoras de crédito privado. Apesar das incertezas sobre a rentabilidade futura dessas empresas, Nicholson destacou que os dados operacionais das carteiras sob sua gestão seguem positivos.

Seleção de ativos

Com o aumento do volume de capital direcionado ao setor, o ambiente competitivo acabou se tornando mais acirrado. Por si só, os aspectos atuais do segmento levantam dúvidas sobre a precificação do risco de crédito e o impacto da entrada de novos participantes na rentabilidade dos fundos.

Ao avaliar a concorrência, Nicholson ressaltou que o crédito privado é composto por diversas estratégias distintas e que a maturidade do mercado consegue expor a diferença na qualidade de gestão entre os participantes.

“O que você está começando a ver agora é que os preços dos ativos estão oscilando e algumas dessas operações estão vencendo, e o desempenho de alguns gestores está indo na direção errada. Algumas estratégias não estão indo bem”, alertou o executivo.

Para fundamentar a solidez dos fundos sob sua gestão em relação à média do mercado, o gestor ressaltou a evolução contínua dos indicadores financeiros das companhias investidas.

“Como medimos isso? Crescimento de receita, crescimento de Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), cobertura de juros, níveis de alavancagem. As empresas estão objetivamente um pouco melhores e as taxas de inadimplência estão estáveis”, explicou Nicholson.

Na visão do executivo da Blue Owl, o posicionamento do gestor no mercado e a capacidade de originar boas oportunidades são os fatores determinantes para atravessar momentos de maior oscilação no VPL (Valor Patrimonial Líquido) das BDCs (Companhias de Desenvolvimento de Negócios). A capacidade de selecionar os melhores ativos permite filtrar operações de maior risco que costumam ser repassadas a concorrentes com menor poder de barganha.

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Mercado de crédito privado tem muito espaço para crescer no Brasil e problemas recentes são marginais, diz gestor da Jive Mauá

7 de Março de 2026, 14:35

Problemas recentes com papéis emitidos por empresas como Braskem e Ambipar, além de CDBs do Banco Master, deixaram clientes estressados e, muitas vezes, em situação de atrito com seus assessores de investimentos, segundo Leone Cabral, sócio-fundador e diretor institucional da Blue3 Investimentos, que falou em evento da empresa para assessores neste sábado (7), em Ribeirão Preto (SP).

Segundo ele, é nesses momentos de estresse, porém, que surgem as grandes oportunidades. “É no estresse que se faz dinheiro de verdade”, afirmou, após lembrar que atuou como assessor de investimentos por 18 anos.

Cabral questionou, então, Samer Serham, sócio e CIO da Jive Mauá, sobre essas oportunidades. Serham lembrou que, há muitos anos, o mercado de capitais de renda fixa e crédito privado no Brasil era muito restrito e as emissões de debêntures incentivadas, na época, se limitavam à Vale e à Petrobras, na casa de menos de R$ 100 bilhões por ano.

“É um mercado que cresceu muito naturalmente”, afirmou. “Problemas marginais vão acontecer, mas eles precisam entender o que é um todo desse mercado”, disse, acrescentando que hoje esse mercado gira em torno de R$ 4 trilhões a R$ 5 trilhões por ano.

E ainda há muito espaço para crescer, na visão do gestor, tanto no mercado líquido quanto no estruturado. “Para chegar perto do que é um país desenvolvido, que é ter 1x a 1,5x o PIB em crédito, a gente está muito, muito, muito, muito longe.”

Mercado de CRIs sem saturação, para CEO da XP Asset

Leone Cabral, da Blue3 Investimentos, questionou Leandro Bousquet, CEO da XP Asset, especificamente sobre o segmento de CRIs (Certificados de Recebíveis Imobiliários). “A demanda é crescente”, disse ele, apontando que alguns assessores temem que este mercado esteja saturado. “Está saturado ou tem muita oportunidade ainda?”, questionou.

Para Bousquet, não há saturação no mercado de CRIs. Ele explicou que o mercado imobiliário no Brasil historicamente teve como fonte de financiamento o sistema de poupança e o financiamento habitacional. Porém, nos últimos anos, os poupadores têm buscado opções mais atrativas que a poupança.

“E o que tem acontecido nos últimos anos? Até muito em função de vocês [referindo-se aos assessores], o volume de investimentos em poupança tem caído a uma média de R$ 50 bilhões por ano.”

Em contrapartida, apontou, o volume médio de emissão de CRIs nos últimos quatro anos tem crescido R$ 40 bilhões a R$ 60 bilhões por ano.

“Então, tem saturação de CRIs? Não, muito pelo contrário. Os CRIs estão simplesmente substituindo o funding que viria da poupança, e de uma maneira muito mais bem estruturada, porque você está oferecendo casamento de prazo.”

* A jornalista viajou a convite da Blue3 Investimentos.

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