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Depois de uma Super Quarta vem uma Super Quinta

17 de Junho de 2026, 13:00

Podemos supor que o acordo de paz entre EUA e Irã vai ajudar o Copom a dar sequência aos cortes da Selic?

Provavelmente ajuda um pouco sim, mas não faz milagre. Afinal, o Copom está precisando de muita ajuda.

Voltemos à segunda-feira passada, quando saiu o Relatório Focus.

O último Focus atualizado antes do Copom costuma ter um sabor especial, pois pode influenciar de fato a decisão desta Super Quarta, ainda que na margem ou num campo simbólico.

E, desta vez, foi uma das atualizações mais emblemáticas do Relatório nos últimos tempos.

Selic média 2027 aumentou em +50 bps, o que é bem significativo. E, curiosamente, câmbio projetado para 2027 também aumentou.

Em vista dessas nuances, podemos supor que o mercado está precificando dois cenários não excludentes:

(i) Bacen exagerando nos cortes agora e depois tendo que correr atrás (perda de reputação). Não seria a primeira vez…

(ii) Piora do diferencial de carry, à medida que economias desenvolvidas são obrigadas a elevar suas taxas de juros, a exemplo do ocorrido com o BCE e BoJ recentemente.

Tal contexto sugere que existe um sério risco de cauda associado tanto à decisão quanto à comunicação do encontro de hoje.

E isso pouco tem a ver com pressões políticas, até porque a recuperação de Lula nas pesquisas se traduz em mais graus de liberdade ao Copom. É um impasse delicado do ponto de vista técnico mesmo: qualquer movimento diferente de uma pausa deveria ser ponderado com o dobro de cuidado, à medida que pode abrir uma Caixa de Pandora.

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Aos vencedores, a ressaca?

10 de Junho de 2026, 11:15

Durante a maior parte da história da humanidade – em praticamente todo o período que precedeu as Revoluções Agrícola e Industrial –, não conseguíamos auferir nenhuma evolução sincera de PIB per capita no mundo.  

Por conta disso, muitos dos argumentos que pautavam os estudos seminais de Economia Política remetiam a payoffs do tipo perde-ganha. Para uma das partes sair vencedora em uma transação econômica, a outra parte teria que arcar com algum sacrifício, na mesma medida. 

Décadas depois, com o comprovado avanço do Liberalismo Clássico, os argumentos de ganha-ganha tornaram-se hegemônicos. Eles são nobres, virtuosos e sustentam a esperança de um progresso compartilhado, ainda que de forma desigual.

No entanto, sempre que as condições macro e de liquidez se deterioram, somos obrigados a reencarar as lógicas de perde-ganha ou soma zero. 

Sob recursos restritos, se um dado tema ou classe de ativos está se dando bem, outros devem ficar em segundo plano. 

Mediante a conjuntura atualizada do pós-guerra, e com alguma ajuda dos resultados do 1T26, as histórias de Big Techs, AI e Semicondutores voltaram a drenar liquidez global. 

De maneira correlacionada, vivemos a iminência dos IPOs gigantescos de SpaceX, Open AI e Anthropic, assim como o Follow-On bilionário da Alphabet e outro possível Follow-On da Meta. 

Estão aí os vetores mais sexy do momento, concentrando portfólios e roubando apelo dos veículos complementares.

Porém, esse é um movimento que costuma vir acompanhado de forças reativas, que eventualmente impõem um autoequilíbrio corretivo. 

Basta se lembrar do caso de Broadcom na semana passada, em que uma “falha” em elevar o guidance da demanda por IA culminou em tombo de –12% do papel em um único dia. 

Hoje à noite (gives me shivers) sai também o balanço da Oracle, que se reposicionou – de maneira alavancada – como uma narrativa de IA, e assim ficou refém também da dinâmica de “é preciso entregar muito para cair pouco”

Em escala sistêmica, algo parecido pode acontecer depois que passar essa temporada de IPOs cavalares nos EUA. 

Historicamente, há uma ressaca documentada após a realização de ofertas proporcionalmente grandes, e seu impacto costuma ser bem significativo. 

Se isso acontecer mais uma vez no segundo semestre, os vencedores podem trocar de lugar com os perdedores. 

Eu não gosto da ideia de torcer contra o outro, prefiro torcer a favor de nós. Mas, tudo o mais constante, uma virada desse tipo pode ser boa para o Kit Brasil, resgatando os ventos de popa de janeiro.

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Pares exemplares

3 de Junho de 2026, 13:00

Em seus Insights Assimétricos, Matheus escreveu ontem no Seu Dinheiro sobre as lições que a eleição colombiana pode trazer para o contexto brasileiro.

A virada do pêndulo político na América do Sul rumo a governos mais disciplinados fiscalmente parece ter contagiado também a Colômbia, com prontas respostas via apreciação cambial e valorização dos ativos de risco.

Isso explica por que o MSCI Colombia (linha preta) descolou do EWZ (linha azul) no último mês, e pode continuar outperformando em caso de vitória de Abelardo de la Espriella sobre Iván Cepeda.

Embora especialmente valiosa por ser próxima e sintomática, a experiência colombiana não é a única a nos ensinar que não dependemos de milagres.

Dentro dos BRICS originais, o melhor momentum atual está com a África do Sul e sua exemplar conduta fiscal.

Rodando a um superávit primário de 1,1% do PIB – acima da expectativa de 0,9% – o governo sul-africano fez a dívida bruta se estabilizar rapidamente abaixo de 80% do PIB, e já apontando para uma nova convergência rumo aos 70%.

A “mágica” foi executada sem grandes sacrifícios, combinando algum aumento de arrecadação com cortes de despesas supérfluas. E deve se traduzir em menores taxas de juros, acompanhadas por uma futura obtenção do investment grade.

Analogamente, a Argentina chega forte para a Copa com sua nova combinação de superávits gêmeos na conta corrente e no fiscal, enquanto o Brasil ocupa, de longe, a pior posição do ranking.

Estamos falando de Argentina, Colômbia e África do Sul, não de Suíça. Os comparativos são próximos e factíveis, estão ao nosso alcance técnico, político e social.  

Sem exagero, o potencial de melhora desses ciclos virtuosos é avassalador. Basta não se iludir com os ímpares e copiar os pares exemplares.

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