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O Desafio do Progresso

24 de Janeiro de 2025, 11:08

Primeiros passos para mudar a matriz econômica de Colinas

É um bom desafio mudar a matriz econômica de um município que atualmente depende ~90% da produção primária de suínos, bovinos, frango e leite, sendo essencial adotar uma abordagem multifacetada que promova a diversificação e a sustentabilidade. Aqui estão algumas estratégias (sugeridas) que podem ser implementadas:

1. Diversificação da Produção Agrícola
Incentivar Culturas Alternativas: Introduzir novas culturas que possam complementar a produção animal, como grãos, hortaliças ou frutas, pode ajudar a diversificar a economia local. Isso também pode incluir o cultivo de plantas para biocombustíveis ou produtos de valor agregado.

Integração Lavoura-Pecuária: Promover práticas de integração entre agricultura e pecuária pode aumentar a eficiência do uso da terra e melhorar a renda dos produtores.

2. Valorização da Cadeia Produtiva
Agroindústria: Fomentar a instalação de agroindústrias locais para processamento de carnes e laticínios pode agregar valor aos produtos primários, gerando mais empregos e aumentando a receita local. A experiência de Santa Catarina na diversificação da produção avícola é um exemplo positivo.

Certificações e Qualidade: Implementar programas de certificação que garantam padrões de qualidade e sustentabilidade na produção pode abrir novos mercados, tanto internos quanto externos, para os produtos locais.

3. Desenvolvimento de Novos Setores Econômicos
Turismo Rural: Investir no turismo rural e na valorização das tradições locais pode criar novas fontes de receita. Isso inclui o desenvolvimento de atividades como agroturismo, onde visitantes podem aprender sobre a produção agrícola e participar de experiências no campo.

Turismo Cultural: Promover calendário de eventos que celebrem as tradições locais e ancestrais, promovendo costumes e produtos regionais, assim como a gastronomia típica para atrair turistas.

Economia Circular: Promover práticas de economia circular, onde resíduos da produção animal são reaproveitados como insumos em outras atividades (como biogás ou fertilizantes), pode reduzir custos e aumentar a sustentabilidade.

4. Capacitação e Formação
Programas de Capacitação: Oferecer cursos e treinamentos para os agricultores sobre novas técnicas de cultivo, gestão financeira e marketing pode capacitá-los a diversificar suas atividades e melhorar sua competitividade.

Apoio ao Empreendedorismo: Incentivar o empreendedorismo local através de microcréditos e consultorias pode estimular o surgimento de novos negócios que complementem a economia agrícola.
Estimular o espírito empreendedor entre os jovens da comunidade, oferecendo cursos sobre gestão de negócios e inovação em áreas diversas das atividades primárias.

5. Parcerias e Governança Local
Formação de Consórcios: Criar consórcios entre produtores, governo e instituições educacionais pode facilitar o acesso a recursos, conhecimentos técnicos e mercados. A formação de uma governança local focada no desenvolvimento econômico é crucial para coordenar esforços.

Parcerias Público-Privadas:
Estabelecer parcerias entre o governo local, empresas privadas e organizações não governamentais para implementar projetos que visem à diversificação econômica.

Incentivos Fiscais: Oferecer incentivos fiscais para empresas que investem em tecnologias sustentáveis ou que se estabelecem na região pode atrair novos negócios e investimentos.

Investimentos em Infraestrutura:
Investir em infraestrutura (parque industrial, loteamentos residenciais e áreas comerciais descentralizadas) para incentivar a instalação de negócios diversificados e a manutenção das novas comunidades próximas.

Implementar essas estratégias requer um planejamento cuidadoso e a colaboração entre diversos atores locais, incluindo governo, setor privado e comunidade. O sucesso dependerá da capacidade de gestão da administraçao pública e do município em se adaptar às mudanças do mercado e às necessidades da população.

A participação ativa da comunidade em todas as fases do planejamento e implementação é crucial para garantir que as mudanças sejam sustentáveis e benéficas para todos os envolvidos.

Publicado originalmente em https://colinasrs.online/

Jardinagem hidropônica em casa

25 de Dezembro de 2024, 18:48

25 ervas aromáticas, legumes e plantas para cultivar na água: Um guia para a jardinagem hidropônica em casa

A jardinagem nem sempre requer solo. A hidroponia, a prática de cultivar plantas na água, ganhou popularidade devido à sua eficiência de espaço e à alegria de cultivar plantas de maneiras não convencionais. Aqui está uma lista de 25 ervas, vegetais e plantas que você pode cultivar na água, tornando sua casa um oásis verde e abundante.

Ervas
Manjericão: Propague o manjericão colocando estacas na água. Certifique-se de que as estacas tenham cerca de quatro polegadas de comprimento e troque a água regularmente.
Hortelã: Esta erva resistente pode ser cultivada na água a partir de estacas. Basta colocá-las em um recipiente com água e vê-las prosperar.
Orégano: Semelhante ao manjericão, o orégano pode ser propagado a partir de estacas. Coloque os caules na água e espere as raízes crescerem.
Sálvia: Pegue estacas na primavera e coloque-as na água. A sálvia gosta de bastante luz e circulação de ar.
Stevia: Conhecida por suas folhas doces, a estévia pode ser propagada na água. Ela requer luz forte e indireta.
Tomilho: Comece com uma estaca de uma planta existente e coloque-a na água. O tomilho precisa de muita luz para desenvolver raízes.
Capim-limão: Coloque a extremidade da raiz na água e ela crescerá novos brotos. O capim-limão prefere um ambiente quente.
Coentro: Coloque os caules em um copo de água e deixe-os em uma área clara. Troque a água a cada poucos dias.

Vegetais
Alface: Regenere a alface mantendo a base em uma tigela de água rasa. Ela regenerará folhas que podem ser colhidas.
Aipo: Semelhante à alface, mantenha a base do aipo em uma tigela de água para regenerar o talo central.
Cebolinha: Mantenha a base branca com raízes na água e você terá um suprimento contínuo de brotos verdes.
Cebolinha: Se um dente de alho começar a brotar, coloque-o na água. Você cultivará cebolinha de alho, que pode ser usada para cozinhar.
Acelga chinesa: Coloque a base na água e ela brotará novas folhas.
Cenouras: Coloque as partes superiores das cenouras na água e elas produzirão folhas. Embora você não obtenha novas cenouras, as folhas são comestíveis.
Pimentões: Você pode começar os pimentões na água. Depois de brotarem, podem ser transferidos para vasos para continuar crescendo.

Plantas
Pothos: Esta planta de casa popular pode ser facilmente propagada na água. Corte abaixo de um nó e as raízes devem se formar em uma semana.
Filodendro: Como o pothos, estacas podem ser colocadas na água e logo crescerão raízes.
Planta-aranha: Coloque os bebês da planta-aranha na água até que as raízes se formem, então plante-as no solo.
Lírio-da-paz: Esta elegante planta pode ser cultivada em um vaso de água com suas raízes submersas.
Bambu da sorte: Esta planta prospera na água. Basta trocar a água a cada duas semanas para mantê-la saudável.
Violetas africanas: Comece-as a partir de estacas de folhas na água. Depois que as raízes se formarem, você pode plantá-las no solo.
Hera-inglesa: Esta planta trepadeira pode ser iniciada na água. Corte uma seção e mergulhe a extremidade cortada na água.
Coleus: Estacas de coleus podem enraizar facilmente na água. Uma vez enraizadas, podem ser plantadas no solo.
Begônia: As begônias podem ser propagadas a partir de uma única folha. Coloque o caule na água e espere as raízes crescerem.
Lágrimas-de-cristo: Essas flores coloridas também podem ser propagadas na água por meio de estacas.

Dicas para cultivar na água
Use recipientes escuros para limitar o crescimento de algas.
Troque a água regularmente para repor o oxigênio e evitar a decomposição.
Adicione fertilizante hidropônico líquido para fornecer nutrientes essenciais.
Certifique-se de que as plantas recebam luz adequada, seja de uma fonte natural ou de luzes de crescimento.
Seja paciente; algumas plantas demoram mais para enraizar na água do que outras.
A jardinagem hidropônica pode ser uma experiência divertida e gratificante. É uma excelente opção para aqueles com espaço limitado ou para quem está interessado em explorar o cultivo sem solo. Com essas 25 plantas, você pode começar seu próprio jardim aquático interno e desfrutar dos frutos (e vegetais e ervas) do seu trabalho.

Publicado originalmente em https://t.ly/C5aD9

Tilápias na Aquaponia

25 de Novembro de 2024, 17:14

O que é aquaponia?
A produção de tilápia em aquaponia é um sistema inovador e sustentável que combina a aquicultura (criação de peixes) com a hidroponia (cultivo de plantas sem solo). Nesse sistema, os resíduos dos peixes, ricos em nutrientes, servem como adubo para as plantas, que por sua vez filtram a água que retorna aos peixes. Esse ciclo fechado cria um ambiente harmonioso e produtivo, ideal para quem busca uma alternativa sustentável para a produção de alimentos.

Por que escolher a tilápia?
A tilápia se destaca como uma das melhores opções para aquaponia devido a diversas vantagens:
1. Resistência a doenças: tilápias são robustas e apresentam alta resistência a doenças comuns em sistemas aquáticos.
2. Crescimento rápido: possuem um ciclo de crescimento rápido, permitindo uma alta rotatividade na produção.
3. Alimentação facilitada: diversas rações comerciais de alta qualidade estão disponíveis para atender às necessidades nutricionais da tilápia.
4. Carne saborosa: a tilápia é apreciada por sua carne branca, saborosa e livre de espinhas intramusculares, tornando-a popular entre os consumidores.

Componentes essenciais para um sistema de aquaponia eficiente:
Tanque de Peixes: deve ser dimensionado de acordo com a quantidade de tilápias que você deseja criar.
Cama de Cultivo: utilize materiais como argila expandida que propiciem boa circulação da água e suporte para as raízes das plantas.
Decantador: local para remover os resíduos sólidos dos peixes (fezes e restos de ração).
Biofiltro: abriga as bactérias nitrificantes responsáveis pela conversão da amônia em nitratos, nutrientes essenciais para as plantas.
Bomba de Água: garante a recirculação da água entre o tanque de peixes e a cama de cultivo.
Aerador: fornece oxigênio dissolvido à água, essencial para a saúde dos peixes e bactérias.

Plantas ideais para aquaponia:
1. Hortaliças folhosas: alface, espinafre, acelga e rúcula são ótimas opções.
2. Ervas aromáticas: manjericão, hortelã, coentro e alecrim enriquecem seu sistema com sabor e aroma.
3. Frutos pequenos: tomates cereja, pimentões e morangos podem ser cultivados com sucesso em aquaponia.

Monitoramento da qualidade da água:
A qualidade da água é crucial para o sucesso da aquaponia. Os parâmetros a serem monitorados incluem:
1. pH: ideal entre 6,8 e 7,2.
2. Temperatura: a tilápia se desenvolve melhor em temperaturas entre 24°C e 28°C.
3. Oxigênio dissolvido: nível acima de 5 mg/L é essencial para a saúde dos peixes e bactérias.

Alimentação e crescimento dos peixes:
A tilápia deve ser alimentada com uma ração de alta qualidade, com uma boa digestibilidade e formulada para garantir um crescimento saudável. A quantidade e a frequência da alimentação dependem do tamanho e da idade dos peixes.

Benefícios da aquaponia:
1. Uso eficiente da água: consome até 90% menos água do que a agricultura tradicional.
2. Produção local de alimentos: reduz a necessidade de transporte e a pegada de carbono.
3. Sustentabilidade: produção orgânica, sem agrotóxicos ou fertilizantes químicos.
4. Alto valor agregado: alimentos nutritivos e livres de agrotóxicos, com maior valor de mercado.

Conclusão:
A produção de tilápia em aquaponia é uma maneira eficiente e sustentável de criar peixes e cultivar plantas simultaneamente. Este método não só maximiza o uso de recursos, mas também promove práticas agrícolas ecologicamente corretas. Com os cuidados adequados e o manejo eficiente, a aquaponia pode ser uma solução viável para atender à demanda crescente por alimentos frescos e saudáveis. Além de fornecermos a linha completa de rações para o seu sistema, possuímos serviço técnico especializado para montagem do seu sistema!

Publicado originalmente em https://www.somanutricaoanimal.com.br/producao-de-tilapia-em-aquaponia-um-guia-completo/

O que é Absolescência Programada?

19 de Setembro de 2025, 13:24

Obsolescência programada é a prática adotada por fabricantes que consiste em reduzir propositalmente a vida útil dos produtos para estimular o consumidor a substituí-los com maior frequência. Essa estratégia tem como objetivo incentivar o consumo contínuo, gerando lucros para as empresas, porém resulta em desperdício, aumento de lixo eletrônico e impactos ambientais negativos. Aparece mais frequentemente em eletrodomésticos, eletrônicos, como celulares e computadores, que passam a apresentar falhas ou ficam obsoletos em prazos menores do que a durabilidade esperada.

Exemplos reais incluem o caso de impressoras que param de funcionar após certo número de impressões ou smartphones que ficam lentos após atualizações, obrigando o consumidor a adquirir aparelhos novos. Outro exemplo clássico é o uso de cartuchos de tinta com chips que bloqueiam o uso após determinado tempo, mesmo quando ainda há tinta.

Os principais exemplos atuais de obsolescência programada no mercado incluem:

– Smartphones (como os iPhones): versões antigas começam a ficar lentas após atualizações ou lançamento de novos modelos, levando o consumidor a trocar o aparelho mais cedo do que a necessidade real. Essa prática já gerou ações judiciais contra fabricantes como a Apple.

– Impressoras (marcas como Epson e HP): cartuchos de tinta são programados para mostrar falta de tinta antes do fim real, obrigando a compra de novos cartuchos caros. Também é comum o bloqueio de uso do cartucho por software.

– Lâmpadas: desde o famoso cartel Phoebus na década de 1920, que limitava intencionalmente a vida útil das lâmpadas incandescentes para aumentar vendas frequentes.

– Eletrônicos em geral: produtos como laptops e eletrodomésticos com peças que quebram rapidamente ou com baterias integradas que não podem ser substituídas pelo consumidor.

– Computadores e outros dispositivos digitais que deixam de receber atualizações de segurança ou compatibilidade, tornando-os obsoletos apesar de ainda funcionarem.

– Automóveis antigos que apresentam deficiências de segurança por decisões de fabricação, como o caso do Ford Pinto, que teve tanque de combustível propenso a explosões.

Além desses, a indústria da moda também aplica a obsolescência programada ao lançar constantes mudanças de estilo para tornar roupas rapidamente “fora de moda” e incentivar substituições.

Esses exemplos representam a diversidade de setores onde a obsolescência programada atua para impulsionar o consumo, usualmente por meio de produtos que se deterioram mais rápido ou se tornam incompatíveis por design ou software.

 

As empresas geralmente justificam a obsolescência programada para os consumidores com argumentos que envolvem inovação constante, competitividade e evolução tecnológica. Elas afirmam que lançar novos produtos com recursos atualizados e designs modernos é uma forma de atender às demandas por novidade, melhor desempenho e tendências estéticas, realçando que o ciclo acelerado de produtos é uma consequência natural da inovação contínua. Outra justificativa comum é que componentes sofrem desgaste natural e que as limitações nos reparos e durabilidade são decorrentes do avanço tecnológico e não de uma estratégia intencional para forçar o consumo.

Porém, essa justificativa esconde o fato de que a obsolescência programada pode ser uma prática deliberada para estimular o consumo repetido e aumentar o lucro das empresas, limitando a vida útil dos produtos, dificultando consertos baratos e restringindo o acesso a peças de reposição. Essa prática muitas vezes frustra a expectativa legítima do consumidor sobre a durabilidade e qualidade dos bens adquiridos, sendo considerada abusiva no direito do consumidor.

Em resumo, as empresas tendem a argumentar que acompanham o ritmo do mercado e das inovações para justificar a rápida substituição dos produtos, mas especialistas e órgãos de defesa do consumidor apontam que essas práticas visam principalmente aumentar as vendas às custas dos consumidores, muitas vezes sem transparência e prejudicando os direitos do consumidor

No Brasil, apesar de não haver uma legislação que cite expressamente a obsolescência programada, o Código de Defesa do Consumidor (CDC) oferece proteção ao consumidor por meio de princípios como o direito à informação, à boa-fé e transparência. Produtos que apresentam vícios que encurtam sua vida útil podem ser reclamados legalmente. Além disso, há um projeto de lei (PL 805/2024) em tramitação que visa proibir a obsolescência programada, garantindo ao consumidor o direito de escolher onde consertar seus produtos e o acesso a peças e informações para reparo, com oferta garantida por pelo menos cinco anos a partir da inserção do produto no mercado.

Assim, os consumidores brasileiros contam com o CDC para exigir produtos duráveis e o direito ao reparo, podendo procurar o Procon ou o Judiciário em caso de descumprimento. O projeto de lei em análise promete fortalecer ainda mais essas proteções, proibindo práticas que reduzem artificialmente a vida útil dos bens e dificultam o conserto.

***

Em destaque
As práticas abusivas das empresas relacionadas à obsolescência programada incluem:

– Limitar deliberadamente a durabilidade do produto por meio de fragilidade técnica, uso de materiais inferiores ou peças que se desgastam rapidamente, reduzindo sua vida útil.

– Impor barreiras à reparação, como dificultar o acesso a peças de reposição, restringir oficinas autorizadas ou dificultar o conserto por conta própria.

– Realizar atualizações de software que tornam os aparelhos lentos ou incompatíveis, mesmo que o hardware ainda esteja funcional, forçando a troca do produto.

– Omitir informações claras e transparentes sobre a durabilidade esperada dos produtos e as condições para manutenção e reparo.

– Vender produtos com componentes integrados que não permitem substituição, como baterias coladas ou soldadas, inviabilizando o reparo simples.

– Exigir do consumidor vantagens manifestamente excessivas, como preços altos para peças e consertos, ou cobrar por serviços que deveriam ser cobertos na garantia.

Essas práticas violam princípios basilares do Código de Defesa do Consumidor, como a boa-fé, transparência, segurança e vulnerabilidade do consumidor, podendo ser enquadradas como abusivas mesmo que a obsolescência programada não esteja expressamente prevista na legislação. A consequência é o desequilíbrio na relação de consumo, prejudicando o consumidor que adquire um produto na expectativa de uso razoável, mas é induzido a substituir o bem precocemente por decisões artificiais do fornecedor.

Portanto, a obsolescência programada é considerada prática abusiva ao restringir o direito do consumidor à durabilidade, reparabilidade e informação adequada sobre o produto adquirido.

Artigo autoral assistido por IA – Antonio Filho

Máquina de Anticítera

22 de Julho de 2025, 23:09

Se não fosse uma forte tempestade na ilha grega de Anticítera (ou originalmente, Antikythera), há mais de um século, um dos objetos mais desconcertantes e complexos do mundo antigo muito provavelmente jamais teria sido descoberto.

A Máquina de Anticítera está entre os grandes mistérios da humanidade, pois sua origem e funções remontam a engenharia das antigas civilizações. Em primeiro lugar, essa invenção foi descoberta a 42 metros de profundidade no fundo do Mediterrâneo.

Além disso, as reconstruções desse maquinário a apresentam como uma invenção da Grécia Antiga. Basicamente, aparenta ter mais de dois mil anos, pois foi encontrada com os restos de uma galé romana naufragada. Em outras palavras, pertence ao mesmo período em que o Império Romano começou a conquistar colônias gregas no Mediterrâneo.

Em contrapartida, a Máquina de Anticítera não tem a mesma configuração que os computadores atuais. Nesse sentido, mais se parece uma calculadora astronômica gigante, porque conseguia identificar os movimentos dos cinco planetas visíveis a olho nu. Mais ainda, monitorava as fases da Lua, e os eclipses, tanto o solar e lunar.

Descoberta da Máquina de Anticítera
No geral, há discordâncias na comunidade científica a respeito da data exata para a descoberta dessa máquina. Entretanto, costuma-se estabelecer o ocorrido entre os anos de 1900 e 1902.

Em primeiro lugar, a importância dessa descoberta está associada ao valor histórico. Ou seja, representa um importante desenvolvimento tecnológico dos gregos na Antiguidade.

Porém, também vale ressaltar que somente após 1,5 mil anos uma invenção semelhante à Máquina de Anticítera apareceu na história. Nesse caso, os relógios mecânicos astronômicos, inventados na Europa do século XIV são os principais exemplos.

Ainda que tenha sido encontrado somente um pedaço de sua estrutura, pesquisas internacionais desenvolveram reconstruções do maquinário. Basicamente, esses esforços buscavam simular a versão original e entender melhor suas particularidades, pois se trata de uma invenção complexa para o período em que está datada.

Enigmas sobre a função da máquina
Primeiramente, é importante conhecer o físico inglês Derek John de Solla Price para entender as investigações sobre a função da máquina. Em resumo, esse foi o responsável por analisar detalhes dos 82 fragmentos recuperados da Máquina de Anticítera. Além disso, processou imagens das peças com raios-X e raios gama, a fim de mostrar sua complexidade com maior aprofundamento.

A partir disso, foi possível datar que algumas peças foram feitas entre os anos de 70 a.C e 50 a.C, facilitando a compreensão sobre sua origem e uso. Entretanto, Solla Price seguiu adiante, e decidiu contar os dentes em cada roda para conhecer melhor suas funções. Desse modo, alcançou alguns números importantes na astronomia.

Antes de mais nada, os números 127 e 235 representam o movimento dos corpos celestes no espaço, bem como suas distâncias da Terra e a geometria das órbitas. Em outras palavras, 235 representa a quantia de meses lunares no chamado ciclo Metônico. Por outro lado, o 127 mostra os movimentos elípticos da Lua ao redor da Terra.

Como consequência dessas investigações, presume-se que a Máquina de Anticítera era utilizada como instrumento para monitorar os movimentos astronômicos. Em especial, acompanhar os ciclos da lua.

Comumente, esses estudos facilitavam nas previsões para o cotidiano, como os ciclos de colheita e para alguns rituais religiosos. Entretanto, monitorar a Lua também permitia um estudo mais aprofundado do Universo, em um período em que haviam mais perguntas do que respostas.


Outros enigmas e curiosidades

Apesar de todas as investigações citadas anteriormente, ainda vale citar a relacionada ao número 223. Basicamente, esse foi o número encontrado em outra roda do mecanismo, a partir de uma análise com tecnologia sobre demanda. Em outras palavras, esse é um importante número para entender a função da Máquina de Anticítera em relação aos eclipses.

A princípio, o ciclo de Saros acompanha o movimento em que a Lua e a Terra voltam a se encontrar após um período de 223 luas. Ou seja, após dezoito meses e onze dias. No geral, esse ciclo foi descoberto pelos babilônios antigos, por volta de 600 a.C

Nesse sentido, é um importante mecanismo para prever a ocorrência de eclipses. Desse modo, a Máquina de Anticítera também apresentava essa função, com especificidades sobre o dia, a hora, a direção da sombra e até a cor que a Lua teria no céu.

Entretanto, a máquina ia além de acompanhar o padrão da Lua. Ainda por meio das reconstruções, cientistas identificaram que a invenção dos gregos acompanhava o caminho do satélite natural no céu. Em resumo, isso era feito através de duas engrenagens menores , onde uma replicava o tempo da trajetória da Lua ao redor da Terra.

Além disso, a outra engrenagem calculava o deslocamento dessa órbita. Apesar disso, a Máquina de Anticítera trabalha segundo o geocentrismo, modelo da galáxia compreendido pela civilização grega na época.

Assim, analisavam o Universo a partir da crença de que a Terra ocupava o centro e outros cinco planetas orbitavam ao redor. Apesar desse modelo ser ultrapassado, tendo sido derrubado algumas décadas adiante na história, compreender a tecnologia e o maquinário a Antiguidade auxilia nas investigações sobre a humanidade.


Quem criou a Máquina de Anticítera?

Em primeiro lugar, a Grécia Antiga é conhecida por ter inúmeros filósofos, matemáticos, engenheiros e inventores excepcionais para a História. Entretanto, existem dicas que apontam para Arquimedes como autor da Máquina de Anticítera.

No geral, essa conclusão resulta das contribuições que o inventor teve para a astronomia, pois foi quem determinou a distância entre a Terra e a Lua, determinou como se calcular o volume de uma esfera e até criou o valor de Pi. Entretanto, houveram outras contribuições múltiplas, como a fundação da hidrostática e da estática.

Nesse sentido, vale ressaltar que Arquimedes vivia em uma das cidades invadidas pelo Império Romano durante as explorações das colônias gregas. Porém, um ponto importante da história de Arquimedes está relacionado ao furto de suas invenções durante essas invasões.

Em resumo, as invenções de Arquimedes foram roubadas em sua residência, na cidade de Siracusa. Desse modo, legionários invadiram sua cidade e residência sob o comando do general Marcus Claudius Marcellus. Ainda que as ordens do general tivessem sido que poupassem a vida do inventor, um dos soldados acabou o matando em um conflito.

Entretanto, a morte de Arquimedes apresenta incontáveis versões, mas acredita-se que ele tenha morrido aos 75 anos. Por outro lado, o furto de suas invenções fez com que os maquinários se difundisse no Império Romano. Desse modo, um modelo inicial da Máquina de Anticítera parecia estar entre eles, de acordo com registros históricos e documentos da época.

Portanto, a autoria do que se transformou posteriormente na Máquina de Anticítera descoberta por pesquisadores surgiu com Arquimedes. Contudo, as peças encontradas não se tratam da criação original, pois parecem ter sido adaptadas depois que foram roubadas do inventor.

Confira a Máquina de Anticítera reconstruída com lego, feita por pesquisadores da Nature Research em 2010:

 


Qual o resultado das pesquisas sobre essa descoberta?

Apesar dos avanços, as pesquisas sobre a origem, funções e usos continua em andamento por todo o mundo. Ainda que várias perguntas tenham sido respondidas, existem outras questões sendo analisadas.

Por exemplo, os cientistas seguem investigando o que aconteceu com o conhecimento sobre a Máquina de Anticítera. Como foi citado anteriormente, foram necessários séculos para que outra invenção semelhante fosse encontrada. Portanto, identificar o que aconteceram com os planos, protótipos e projetos dessa invenção integram os estudos históricos sobre o mundo.

Nesse sentido, acredita-se que a queda do Império Romano causou a migração desse conhecimento para o Oriente. Desse modo, enquanto o Ocidente lidava com a Idade Média e seus desdobramentos, as comunidades árabes desenvolviam a ciência. Por fim, somente a partir do século XIII as informações milenares sobre ciência espalhavam-se também no Ocidente.

Publicado originalmente em Segredos do Mundo
Fontes: BBC

 

 

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