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Choro bolsonarista contra o Itamaraty ignora regras de embaixadas; entenda

26 de Maio de 2026, 21:28
Flávio Bolsonaro durante entrevista após encontro com Trump em Wasington. Reprodução

Bolsonaristas reclamaram da negativa da Embaixada do Brasil em Washington ao pedido do senador Flávio Bolsonaro para usar o local em uma coletiva de imprensa após encontro com Donald Trump. O uso de embaixadas e consulados brasileiros no exterior, no entanto, segue regras diplomáticas, administrativas e protocolares do Itamaraty, e o acesso à estrutura não é informal nem automático.

As representações brasileiras no exterior podem ser usadas para apoio institucional, reuniões, agendas oficiais e articulações de interesse do Estado. O Ministério das Relações Exteriores mantém normas internas de protocolo e coordenação que determinam que agendas oficiais sejam previamente comunicadas às missões diplomáticas brasileiras.

Em viagens presidenciais ou ministeriais, por exemplo, o Cerimonial do Itamaraty é responsável por organizar programas, contatos e logística. O Decreto nº 70.274/1972, que regula o cerimonial público brasileiro, atribui ao Cerimonial do Ministério das Relações Exteriores a elaboração do programa de visitas oficiais do presidente da República e do ministro das Relações Exteriores ao exterior.

Na prática diplomática, embaixadas e consulados não funcionam como espaços livres para uso político pessoal de autoridades. As representações pertencem ao Estado brasileiro e têm finalidade institucional. Pedidos de utilização para reuniões, eventos, apoio logístico, segurança, transporte oficial ou encontros políticos precisam passar por autorização e coordenação da chefia do posto diplomático — normalmente o embaixador ou cônsul responsável.

Também existe a necessidade operacional de antecedência. Embora não haja uma lei geral fixando prazo único em dias para toda autoridade, o protocolo diplomático trabalha com planejamento prévio porque as missões precisam organizar segurança, agenda, recepção, transporte, interlocução com autoridades locais e eventual uso da estrutura pública.

No caso de autoridades de alto escalão — como presidente da República, ministros, presidentes de Poderes, parlamentares em missão oficial ou governadores — a prática institucional é que as embaixadas sejam avisadas com antecedência suficiente para preparação diplomática. Em viagens improvisadas ou agendas não informadas previamente, a missão pode prestar assistência mínima, mas não é obrigada a disponibilizar estrutura ampla ou assumir atos que não tenham sido formalmente comunicados.

O caso de Flávio Bolsonaro em Washington ilustra esse limite. Segundo a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, o gabinete do senador enviou na noite de segunda-feira (25) um pedido para usar a Embaixada do Brasil nos Estados Unidos como local de uma coletiva de imprensa após o encontro com Trump. A solicitação foi negada na terça-feira (26), por e-mail, sob o argumento de que Flávio Bolsonaro não estava em visita oficial.

Diplomatas ouvidos pela coluna afirmaram que, para o pedido ser atendido, o Senado precisaria ter informado oficialmente à embaixada que Flávio Bolsonaro estava em missão oficial. Segundo a apuração, isso não foi feito pela Casa Legislativa. Com a negativa, o senador realizou a coletiva em uma casa de eventos privada em Washington.

SBT censura fala de Flávio Bolsonaro sobre proibição de coletiva na Embaixada do Brasil https://t.co/qxcQPMDzsk pic.twitter.com/nHetBaGPiB

— Blog Thalita Moema (@blogdatm) May 26, 2026

O episódio também mostra a diferença entre viagem oficial e viagem político-partidária. Membros do Itamaraty lembraram que, em 2025, a embaixada brasileira em Washington prestou apoio a uma comitiva de senadores, inclusive de oposição ao governo Lula, porque a missão havia sido oficialmente comunicada pelo Senado. Na ocasião, participaram parlamentares como Tereza Cristina e Astronauta Marcos Pontes, ambos ex-ministros do governo Jair Bolsonaro, e a embaixada cedeu espaço para reuniões e uma coletiva de imprensa.

Quando a autoridade viaja em caráter pessoal ou político-partidário, o uso da estrutura estatal pode gerar questionamentos administrativos e políticos, especialmente se envolver servidores públicos, veículos oficiais, segurança diplomática ou instalações da embaixada para fins sem relação direta com interesses do Estado brasileiro. Nessas situações, entra em debate o limite entre representação institucional e atividade político-partidária.

8,8% dos adolescentes brasileiros já foram vítimas de violência sexual, revela IBGE

25 de Março de 2026, 19:40
Cartaz apresentado em manifestação dos alunos do Colégio Pedro II. Foto: Divulgação

Na manhã desta quarta-feira (25), o IBGE divulgou os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE) de 2024, revelando dados alarmantes sobre a violência sexual entre adolescentes brasileiros. Entre os jovens de 13 a 17 anos, 8,8% afirmam já ter sido forçados a ter relação sexual, o que representa mais de 1,1 milhão de adolescentes vítimas de violência sexual no Brasil.

O aumento de 2,5 pontos percentuais em comparação com 2019 chama atenção, sendo um reflexo de um problema persistente e de grande gravidade. A pesquisa, que abrangeu mais de 118 mil estudantes de escolas públicas e privadas em 1.282 cidades de todas as regiões do país, também indicou uma queda preocupante na orientação sexual nas escolas.

O índice de adolescentes que afirmam ter recebido orientação sobre sexo seguro, prevenção de gravidez e uso de preservativos caiu mais de 10 pontos percentuais entre 2019 e 2024, o que pode agravar ainda mais a situação da saúde sexual e reprodutiva entre os jovens. O aumento no número de adolescentes que relataram ter sido forçados a ter relações sexuais também traz à tona a falta de consciência sobre o abuso sexual em muitos casos.

Para Leiliane Rocha, psicóloga especialista em sexualidade, a ausência de uma educação sexual mais aprofundada nas escolas impede que as vítimas reconheçam comportamentos abusivos e busquem ajuda. “O fato da maioria das vítimas terem menos de 13 anos indica que muitas talvez nem saibam que foram violentadas. Esse número, que já é assustador, tende a ser ainda maior na realidade”, alertou.

Entre as vítimas, a grande maioria (66,2%) tinha 13 anos ou menos quando sofreu a violência. As meninas são as mais afetadas, com 11,7% afirmando ter sido forçadas a ter relações sexuais, contra 5,8% dos meninos.

Além disso, a pesquisa revelou que a violência sexual ocorre com maior frequência em escolas públicas, onde 9,3% dos estudantes relataram ser vítimas, enquanto na rede privada o índice é de 5,7%. A região Norte apresentou a maior taxa de incidência, com 11,7%.

Figuras representando corpos masculinos e femininos utilizadas em aulas de educação sexual. Foto: Divulgação

Outro dado alarmante da pesquisa foi o aumento de casos de assédio sexual, que afetam 18,5% dos estudantes, contra 14,7% em 2019. Esse tipo de violência é mais prevalente entre as meninas, com 26,0% delas afirmando já ter sido vítimas, enquanto 10,9% dos meninos relataram o mesmo.

“O movimento Escola sem Partido, a proibição do termo “gênero” em planos de educação, a censura a professores e materiais didáticos, e a exclusão sistemática de termos como “gênero”, “sexualidade” e “diversidade” de documentos normativos são agendas responsáveis pela redução da discussão sobre igualdade de gênero e sobre educação para sexualidade nas escolas. Não à toa, temos tido tantos ataques misóginos em escolas, que têm deixado tantas vítimas meninas e mulheres.”, destacou Andressa Pellanda, coordenadora da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

Os pesquisadores também observaram que os agressores, em grande parte, são pessoas próximas das vítimas, como familiares (35,5%) ou ex-namorados (22,6%). Além disso, 23,2% dos adolescentes afirmaram que os abusos foram cometidos por agressores desconhecidos.

“A maioria dos casos de violência são cometidos por pessoas de confiança da criança ou adolescente, muitas vezes acontecendo até mesmo dentro de casa. Por isso, a importância da escola tratar sobre esse assunto: a vítima pode não se sentir segurança com a família para relatar o abuso. A escola pode ser o único espaço para que ela peça ajuda”, disse Leiliane Rocha.

A PeNSE também revelou uma diminuição na idade de início da atividade sexual entre os jovens. Em 2015, 37,5% dos adolescentes relataram já ter tido a primeira relação sexual, mas em 2024 esse número caiu para 30,4%. No entanto, a pesquisa aponta que os adolescentes têm reduzido a proteção ao longo do tempo, o que aumenta os riscos de doenças sexualmente transmissíveis e gravidez precoce.

Entre os jovens que iniciaram a vida sexual, o uso de preservativos na primeira relação sexual foi de 61,7%, uma redução em relação a 2019, quando o índice foi de 63,3%. Além disso, o uso da pílula do dia seguinte é comum, com 42,1% das meninas afirmando já ter utilizado o método.

Em um cenário preocupante, a pesquisa também apontou que 121 mil meninas de 13 a 17 anos já engravidaram, o que representa 7,3% das adolescentes sexualmente ativas. O impacto disso é ainda mais intenso na rede pública de ensino, onde 98,7% das gestantes pertencem a esse sistema.

Oscar 2026: confira quem deve levar o prêmio de melhor filme segundo o Rotten Tomatoes

15 de Março de 2026, 18:30
“O Agente Secreto” e o selo do Rotten Tomatoes

A expectativa é grande para saber quais filmes conquistarão a estatueta na principal categoria do Oscar 2026. Para ajudar a entender como os críticos vêm avaliando os concorrentes, o Rotten Tomatoes, agregador de críticas renomado, trouxe um ranking dos indicados.

Até a entrega dos troféus, tudo pode acontecer, mas essa análise oferece uma boa visão sobre a recepção da crítica para os filmes indicados.

Ranking de aprovação da crítica no Rotten Tomatoes:

  1. O Agente Secreto: 98% de aprovação
  2. Pecadores: 97% de aprovação
  3. F1 – O Filme: 97% de aprovação
  4. Valor Sentimental: 96% de aprovaçã
  5. Sonhos de Trem: 94% de aprovação
  6. Uma Batalha Após a Outra: 94% de aprovação
  7. Marty Supreme: 93% de aprovação
  8. Bugonia: 87% de aprovação
  9. Hamnet – A Vida Antes de Hamlet: 86% de aprovação
  10. Frankenstein: 85% de aprovação

Além da avaliação dos críticos, o Rotten Tomatoes também apresenta a aprovação do público, que tem um ranking bem diferente:

Ranking de aprovação do público no Rotten Tomatoes

  1. F1 – O Filme: 97% de aprovação
  2. Pecadores: 96% de aprovação
  3. Valor Sentimental: 94% de aprovação
  4. Frankenstein: 94% de aprovação
  5. Hamnet – A Vida Antes de Hamlet: 93% de aprovação
  6. Sonhos de Trem: 90% de aprovação
  7. Uma Batalha Após a Outra: 85% de aprovação
  8. Bugonia: 84% de aprovação
  9. O Agente Secreto: 82% de aprovação
  10. Marty Supreme: 82% de aprovação

Bem ranqueado no Rotten Tomatoes, “O Agente Secreto” acompanha Marcelo (Wagner Moura), um especialista em tecnologia que retorna à sua cidade natal após muitos anos fora. No entanto, ele acaba descobrindo que sua cidade escondia perigos. Estamos em plena ditadura, em 1977.

O filme aborda questões políticas e sociais do Brasil daquela década, tocando temas como repressão política, restrição de direitos e o uso da tecnologia como ferramenta de controle totalitário. A produção, dirigida por Kleber Mendonça Filho, também é reconhecida por seu elenco, que conta com grandes nomes como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Roberto Diogenes, Hermila Guedes e o falecido Udo Kier, de “Bacurau”.

O filme foi aclamado pela crítica e está concorrendo a quatro categorias no Oscar 2026, incluindo Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (para Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco.

 

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