Visualização normal

Received before yesterdayNotícias - Brasil

Canteiro de obras em Pelotas é embargado após colapso de grua matar três trabalhadores

Por:Sul 21
7 de Abril de 2026, 11:22

Três trabalhadores morreram em Pelotas após o colapso de uma grua em um canteiro de obras. O acidente ocorreu no dia 26 de março, no empreendimento habitacional Bosque da Figueira, no bairro Fragata. O equipamento, recém-instalado e em teste, tombou durante uma operação de içamento de carga. Quatro trabalhadores participavam da atividade, sendo que parte da equipe estava sobre a estrutura no momento do acidente. Apenas uma pessoa sobreviveu.

A Auditoria-Fiscal do Trabalho interditou as atividades de instalação, montagem e testes de gruas da empresa Soima Brasil Indústria e Comércio Ltda., assim como interditou as atividades da empresa IAS Locmont Ltda., envolvida nos trabalhos de teste do equipamento. A fiscalização também determinou o embargo do canteiro de obras.

A ação fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego foi iniciada na manhã do dia seguinte ao acidente. A análise preliminar aponta que a grua estava passando por testes de pré-operação quando ocorreu o colapso. O equipamento sofreu aparente sobrecarga e tombou, provocando a queda dos trabalhadores.

Segundo a auditoria, houve resistência inicial da empresa responsável pela obra para deixar a fiscalização ingressar no local. O acesso ao canteiro só foi possível após acionamento e chegada de equipes da Polícia Civil e da Polícia Federal. Lembrando que é dever do empregador garantir o acesso à fiscalização em casos de acidentes fatais e de manter a cena do acidente preservada até a inspeção e liberação por um auditor-fiscal do Trabalho.

Durante a inspeção, a fiscalização também identificou outras irregularidades no canteiro de obras não diretamente relacionadas ao acidente, como andaimes sem proteções adequadas, vícios de montagem em estruturas provisórias, locais com risco de queda em altura e pontas de vergalhões expostas, situações que também representam risco grave aos trabalhadores.

Diante da gravidade do acidente e das irregularidades constatadas, a Auditoria-Fiscal do Trabalho determinou a interdição das atividades de instalação, montagem e testes de novas gruas, bem como das atividades da empresa responsável pelos testes, e o embargo da obra. A interdição e embargo ficam válidas até que sejam adotadas medidas corretivas para os problemas e que sejam comprovadas condições seguras para a continuidade das atividades.

As diligências de investigação seguem em andamento para apurar as circunstâncias e responsabilidades relacionadas ao acidente.

O post Canteiro de obras em Pelotas é embargado após colapso de grua matar três trabalhadores apareceu primeiro em Sul 21.

IFSul Pelotas: Manifestação cobra medidas após circulação de lista misógina envolvendo estudantes

Por:Sul 21
25 de Março de 2026, 17:04

Martha Cristina Melo

Uma manifestação realizada em frente ao Campus Pelotas do Instituto Federal Sul-rio-grandense (IFSul) ampliou a pressão por respostas concretas diante de um caso envolvendo alunos da instituição. O protesto, organizado por estudantes, ocorre após a divulgação de uma lista sexualmente depreciativa com os nomes de aproximadamente 30 alunas, avaliadas em diferentes categorias.

A circulação interna da lista é apontada pela organização do ato como o estopim de uma série de relatos que vieram à tona nos últimos dias. A manifestação, intitulada “Protesto pelo Direito das Mulheres”, foi ponto de partida para que outras alunas passassem a compartilhar situações em que se sentiram assediadas anteriormente dentro do instituto.

Em conjunto, estudantes compareceram ao gabinete da diretoria da instituição e reuniram mais de 400 pessoas dispostas a articularem o ato, que teve adesão de diferentes cursos do IFSul. “Começamos a conversar sobre criar um movimento que fizesse barulho e pressão, para que a gente sentisse mais segurança (…)”, afirma a organização.

Em nota, as alunas responsáveis pelo ato prestaram acolhimento às estudantes do IFSul: “nenhum homem frustrado e machista tem o direito e a capacidade de diminuir e ofender o nome de qualquer uma de nós. Vocês são fortes, capazes e corajosas”, afirmaram.

Estudantes reivindicam proteção no IFSul Pelotas. Foto: Arquivo Pessoal
Pressão por mudanças e responsabilização

Com a mobilização, o grupo não espera apenas visibilidade, mas respostas concretas. “Não é de hoje que tudo isso [casos de assédio] passa em branco (…) Nossa sorte foi essa lista ter tomado essa proporção, pois agora conquistamos um espaço para falar sobre”, afirmou a organização.

Dentre as reivindicações, os mais de 400 manifestantes exigem uma nova política de apoio por parte do IFSul às vítimas de assédio e violência. “Queremos sentir acolhimento, carinho e proteção de uma instituição pela qual nos dedicamos tanto”.

Caso é investigado pela DPCA

Paralelamente à mobilização, o caso passou a ser apurado pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Pelotas, que instaurou um procedimento para investigar os fatos. A prioridade, segundo a delegada Lisiane Matarredona, é reunir o maior número possível de vítimas e, posteriormente, delimitar as acusações.

De acordo com a autoridade, as vítimas não serão ouvidas diretamente pela DPCA. Neste caso, os responsáveis legais prestarão depoimento, enquanto as alunas serão encaminhadas para o chamado “depoimento especializado”, realizado por uma equipe técnica no fórum de Pelotas.

O modelo prevê o depoimento sem dano, com o objetivo de proteger as vítimas durante o processo. Nesse formato, o relato é feito uma única vez, evitando a repetição dos depoimentos e possíveis traumas adicionais. “É evitar que a vítima seja ouvida mais de uma vez sobre aquela situação de violência”, explica Lisiane ao destacar a importância de evitar a revitimização.

Os adolescentes apontados como possíveis responsáveis pela lista possuem, de acordo com a investigação, idades entre 15 e 16 anos. Eles também deverão ser ouvidos nos próximos dias, acompanhados por seus responsáveis. A expectativa é de que essas oitivas ocorram em breve, dando sequência à apuração. “Isso deve acontecer, no máximo, na próxima semana”, afirma a delegada.

O caso é tratado pela investigação como cyberbullying, crime com pena prevista de 2 a 4 anos. Os adolescentes, por serem menores de idade, devem responder por ato infracional. O IFSul, por sua vez, suspendeu os supostos infratores.

O post IFSul Pelotas: Manifestação cobra medidas após circulação de lista misógina envolvendo estudantes apareceu primeiro em Sul 21.

❌