Pró-Costa RS é reconhecido pela UNESCO
O Serviço Integrado de Proteção à Linha de Costa do Rio Grande do Sul (Pró-Costa RS), coordenado por pesquisadores da UFRGS, foi reconhecido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como parte do UN Decade of Ocean Science for Sustainable Development 2021–2030. Ao integrar a estrutura da Década da Ciência Oceânica, o projeto da UFRGS será vinculado ao programa internacional CoastPredict – Observing and Predicting the Global Coastal Ocean, que reúne pesquisadores de diferentes países dedicados ao monitoramento, à observação e à previsão das dinâmicas das zonas costeiras.
Desenvolvido pela UFRGS, por meio do Instituto de Geociências e do Centro de Estudos Costeiros, Limnológicos e Marinhos (Ceclimar), o Pró-Costa RS conta ainda com a participação de outras dez instituições de pesquisa. O projeto pretende criar um sistema contínuo de monitoramento e alerta para eventos oceanográficos e meteorológicos, além de avaliar a vulnerabilidade da costa gaúcha à erosão e a inundações. A iniciativa busca dar suporte científico e operacional aos municípios costeiros para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas, promovendo a resiliência das comunidades, o desenvolvimento sustentável e a valorização da cultura oceânica.
Maria Luiza Correa da Câmara Rosa, coordenadora do Pró-Costa RS e docente do Instituto de Geociências da UFRGS, explica que, com o reconhecimento do projeto no programa CoastPredict e na Década dos Oceanos, se promove a visibilidade internacional do projeto, que estará inserido em comunidades científicas que compõem a Década. Isto amplia oportunidades de colaboração com outras instituições, onde a UFRGS terá participação em redes globais de observação e modelagem costeira. Segundo Maria Luiza, esta participação potencializa a realização de intercâmbios, permitindo que a UFRGS esteja presente nas linhas de frente da ciência oceânica, ao mesmo tempo em que contribuições de outras instituições poderão ser somadas aos nossos esforços. “Outra questão relevante diz respeito à continuidade do Pró-Costa RS, que é um projeto financiado pelo Edital 06/2024 (Programa de pesquisa e desenvolvimento voltado a desastres climáticos) da FAPERGS, e tem data de encerramento prevista para dezembro deste ano. A continuidade das pesquisas é fator crucial para que o conhecimento que está sendo gerado possa evoluir e ser ainda mais efetivo tanto regional quanto globalmente”, considera a professora.

Maria Luiza contextualiza que o papel da UFRGS consiste em articular o Pró-Costa RS com outros projetos e com o programa ao qual está vinculado, o CoastPredict, o que exige a interação tanto com a coordenação do programa quanto com as estruturas de governança da Década. “Além disso, a UFRGS deve participar das comunidades (Communities of Practice), colaborando de forma coletiva com o impacto das ações, divulgando e compartilhando resultados que possam contribuir com o avanço da ciência e a promoção da cultura oceânica. Dentre os desafios que constam nos objetivos da Década, o projeto está diretamente envolvido na resiliência das comunidades, na proteção e restauração de ecossistemas e na interconexão oceano-clima”, detalha.
Conheça as cinco metas do Pró-CostaRS
Meta 1: Implementação de uma rede contínua de monitoramento e alerta de eventos oceanográficos e meteorológicos, tendo como diferencial a disponibilização de um sistema de previsão acoplado, que considera as interações entre o oceano e a atmosfera, o que não existe de forma operacional. Esta previsão, extremamente robusta, terá uma interface para usuários externos, permitindo o alerta e o planejamento de ações frente a eventos climáticos.

Meta 2: Modelagem da vulnerabilidade costeira, com proposição de estratégias de adaptação. Está sendo realizada a avaliação da movimentação da linha de costa nas últimas décadas, para embasar a previsão de tendências futuras (erosão, estabilidade ou acresção), bem como a geração de dados para o mapeamento de áreas mais susceptíveis a alagamentos e inundações. Com isto, serão gerados mapas de risco atuais e cenários futuros, para planos de gestão. Além disso, estão sendo testadas estratégias de recuperação de áreas degradadas, especialmente em dunas costeiras, que constituem uma proteção natural para eventos meteorológicos.
Meta 3: Avaliação dos impactos climáticos e da tropicalização sobre os recursos marinhos vivos para que se possa conhecer as respostas da biodiversidade frente a tendências de aquecimento das águas e em eventos extremos. Estão sendo monitoradas alterações na composição das espécies para gerar modelos preditivos de distribuição futura, inclusive de espécies com interesse econômico e a ocorrência e impactos de espécies invasoras. Com isso, será criado um banco de dados com a distribuição histórica, atual e previsões de tendências futuras.
Meta 4: Monitoramento de microcontaminantes ambientais para detectar alterações na qualidade ambiental. Estão sendo realizadas análises de nutrientes, metais pesados, agroquímicos e fármacos em amostras de água, sedimentos, pescados e aves nas diferentes estações do ano. Com isso, será conhecida a distribuição espacial e temporal de contaminantes, identificando locais com maior contaminação (hotspots) e suas possíveis fontes. Esta base de conhecimento sobre a contaminação ambiental também servirá de base para tomadas de decisão e avaliação de impactos considerando os eventos extremos e tendências de cenários futuros.
Meta 5: Ações de educação ambiental, com a promoção da cultura oceânica e capacitação das comunidades locais. Além do trabalho de divulgação nas redes sociais, estão previstos encontros com gestores dos municípios costeiros para discutir os resultados do projeto, quando todas as metas fornecerão bases de conhecimento diretamente aplicadas na gestão. Está sendo gerado um acervo em realidade virtual voltado aos impactos das mudanças climáticas e da elevação do nível do mar, e uma cartilha de boas práticas sobre a importância da proteção dos ecossistemas marinhos e adaptação às mudanças climáticas.
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